Grupo Bloodbound



Grupo Bloodbound
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“O sangue nos une. É o sangue que nos faz humanos, e é o mesmo sangue que nos faz, por consequência, monstros vãos.”


“Carruagens apressadas espreitam pelas ruelas de Londres, em uma noite tempestuosa e traiçoeira no dia 4 de maio e 1882. Pintadas em tonalidade escura mortal, se mesclavam às sombras inglórias dos subúrbios amaldiçoados da cidade terrivelmente doente e assolada por um mal inexplicável. A cada noite degenerada que erguia-se no horizonte vil entre as majestosas torres e edifícios de Londres, havia uma força que recusava-se a ser expurgada daquelas terras que, há pouco tempo, foram devastadas por uma criatura considerada o próprio mal encarnado.

As carruagens param, finalmente, em seu iminente destino imundo. As sarjetas de Londres eram um lugar há muito corrompido por aquela forte malevolência que esgueirava constantemente no mundo humano em uma tentativa impura de tomar o controle, por isso não ter pena do jovem órfão com fome não era considerado uma maldade. Era uma providência para que ele não agarre sua garganta na primeira oportunidade que tivesse. Altas figuras vestidas em longas roupas pintadas com a imensidão escura da noite deixam as carruagens, carregando consigo instrumentos letais e prontos para um massacre. Oh, os caçadores. Sempre prontos para um novo abate e derramamento de sangue sem quaisquer arrependimentos ou hesitações, como os próprios monstros que eles…”

— Com licença? Você não sabe o que é um caçador? O narrador interrompeu-se ao contemplar a expressão confusa nas faces de seus espectadores.n— Certo, certo. Sente-se melhor, a história vai ter que ficar maior.

“Voltemos para o início de 1800, em Genebra, na Suíça. Nosso mundo… Nosso mundo era desprovido, até então, dessas criaturas que ousamos chamar de Monstros. Ou ao menos era isso em que nossas pequenas mentes ignorantes veemente acreditavam. Não estavam aos nossos olhos, portanto, eram ignorados e ninguém tinha certeza do que jazia nas sombras naquela época, até que nos foi finalmente revelado que as criaturas debaixo da cama ou dentro do armário não eram meros contos de fada ou coisas de nossa cabeça. Monstros são reais e estão mais próximos do que imaginamos. Foi por isso que ninguém esperava encontrar aquele pobre, doce garotinho chamado William Frankenstein jogado nas ruelas escuras, desamparado e inerte, cruelmente sufocado até a morte por dedos desproporcionais que prendiam-se em maculados hematomas ao redor de sua garganta. A família lamentável culpou a coitadinha Justinia Moritz sem grandes provas; pobre mulher que passou infindáveis dias definhando em uma cela de prisão por um crime que não cometeu, e ninguém dava ouvidos a verdade que o real causador esbravejava: Victor Frankenstein foi o culpado pelo destino abominável de seu irmão mais novo ao momento em que cedeu sua mente aos pérfidos estudos de ciências que jaziam longe da capacidade humana. Brincando de ser deus, o Cientista Louco criou uma criatura tão odiosa que não era capaz de suportar sua própria presença. O caso dessa… heresia não foi levado ao público, e era totalmente plausível. Como poderiam explicar que um homem, um mero mortal, havia dado vida à uma criatura em sua plena ignorância humana, desafiando as leis de Deus? Mesmo tentando ocultar o caso, haviam curiosos observando tudo de perto, adquiriram os estudos de Victor e, incentivados, deram continuidade a eles. Criaturas anômalas e desprovidas de inteligência cresceram, nas sombras, apenas guiados pelo instinto mais primário da existência: a fome. Para os estudiosos, era improvável um mero humano dar vida a tais criaturas, e foi aí onde as superstições começaram.”

— Oh, Deus! Pare de me interromper. O que há desta vez?... O que tudo isso tem a ver com os caçadores? Que pergunta tola! Irei chegar lá…

“Quais eram essas superstições, você me pergunta? Essas pequenas histórias acerca das criaturas enormes e desfiguradas eram regadas com contos mirabolantes de espíritos anciões, perturbados, que acharam uma brecha na pós vida e tentaram retornar ao mundo físico através das carcaças dos monstros, mas neste processo, perdiam seus conhecimentos; outros diziam que eram demônios querendo incendiar a terra em caos; mas houveram casos em que a história foi mais longe: Viajou entre países, passando suas crenças através da Áustria, da Eslováquia e brevemente pela Hungria, até depositar-se nas terras do supersticioso povo da Romênia. Ah, Romênia! Terra das inglórias histórias sobre demônios e espíritos cruéis, em que todas giravam em torno de um único misterioso, cruel e excêntrico Conde. Drácula era seu nome abandonado por Deus, e oh, quem dera o infeliz povo conseguir livrar-se de tal mal que assolava sua casa, e quem dera um pobre jovem chamado Jonathan Harker não tivesse atravessado as portas de seu castelo! Mas esta história é para depois, temo dizer. Onde eu estava? Ah sim, as superstições. Como dito, as histórias sobre as criaturas deformadas ia até aquele silencioso e abandonado castelo no topo dos Alpes Kelemen da Transilvânia, em que insistiam em dizer que os perversos lacaios de sangue de Drácula corriam atrás de corpos mais acessíveis, e, ao contemplar o protótipo humano que Victor Frankenstein havia criado, encontraram sua morada propícia e tomaram conta de suas formas maltratadas.

A questão é: O quão a sério devemos levar essas superstições quando incidentes relacionados começam a ocorrer em um lugar em comum, em um período relativamente próximo? Ah, foi em 1880 em que foram dados os primeiros testemunhos de uma série de estranhos assassinatos pelas ruas de Londres. Corpos eram encontrados dissecados nos subúrbios, com suas gargantas perfuradas, em um par de dias após um rico empresário vindo da Romênia estabelecer-se em uma antiga mansão na cidade. Maldito Jonathan Harker por abrir as portas para tal monstro, felizardo também por eliminar a presença vil de nosso mundo. Incentivado a derrotar o monstro que corrompeu sua amada Mina, Jonathan e seus fiéis companheiros, Abraham Van Helsing, John Seward, Quincey Morris e Lorde Goldalming foram os primeiros a quais ousamos chamar de Caçadores — Ou ao menos os primeiros a colocarem os pés em Londres —, consequência de seu sucesso em libertar nosso mundo da existência pútrida do Vampiro.”

— Mas, e os Monstros de Frankenstein?! O que tem eles a ver com tudo isso? — Adam, o menino mais animado do grupo perguntou, em êxtase.

— Meu querido Adam, tenha paciência. Bem, os monstros…

“Os Monstros de Frankenstein, reclusos numa existência deplorável nos Alpes Suiços, encontraram finalmente a razão de sua existência ao contemplar, com olhos melancólicos, a trilha malignamente enérgica deixada pela existência de Drácula e dispuseram-se a não deixar o legado vampírico adoecer como fizera seu mestre. Espalharam-se pelas ruas da Inglaterra, procurando pelos resquícios do corpo de Drácula, enquanto outros partiram na tarefa de acordar as crianças do Vampiro, visando não permitir que a influência de Drácula fosse esquecida. As superstições estavam corretas, no final: A existência das ignorantes Criaturas era provinda do poder vampírico e, sem o Supremo para os alimentar, se tornavam fracos.

Tudo está relacionado. Os monstros, as mortes, a existência, assim como os caçadores por si próprios. De onde vinham? Como faziam o que faziam? Van Helsing esbravejava que sua fé e estudos eram fontes de seu poder. Mal sabia que isso estava em seu sangue há muitos séculos antes mesmo de nascer, assim como estava no sangue de todos aqueles homens que compartilhou tal trágica aventura. Há muitos anos derradeiros, um homem clamou por poder. O poder de exterminar as criaturas que corriam pela noite e aniquilavam o seu povo. E os deuses atenderam seu pedido: Lhe deram poder, o maior que um humano poderia exercer, em prol de que acabasse com a existência das criaturas que assolavam sua era; assim seriam seus filhos, e os filhos de seus filhos, mas como toda fonte de poder, uma condição maldosa jazia na bênção: Seu sangue amaldiçoado carregaria consigo a Fome da Besta, que, se não viesse a ser saciada, definharia todo o ser de seu portador, ao mesmo tempo em que alimentar em demasia esta fome viria a os transformar em terríveis monstros ensandecidos.

Dai, veio uma questão que há muitos anos Victor Frankenstein perguntou a si mesmo: “Os Deuses realmente amam suas criações?” pois, assim como ele renegou sua própria criatura, fizeram os deuses, que ao oferecer tal bondoso poder, jogaram suas criações na perdição infindável.”

— Mas… E agora? Os caçadores existem? E os monstros? — Um dos garotos, Lucius, insistiu em perguntar. Era o mais velho do grupo, portanto, o mais descrente com as histórias do velho ancião.

— Oh, isso é uma questão para descobrir por si próprio, caro Lucius; não irei lhe privar de sua jornada contando-lhe o que acontecerá.

O velho olhou pela janela. contemplando com olhos vazios como o sol já havia se posto há muito. Levantou-se de sua cadeira, ouvindo os protestos de seus netos ecoando pelo quarto.

— É hora de dormir, pequenos caçadores.

Oh, e o ancião não estava errado. Aquela fábula era real, e o perigo era mais iminente do que se esperava. Havia enxergado com seus próprios olhos como o mundo definhava, em como a influências sombrias eram mais fortes e visíveis a cada ano que se passava. Lucius e Adam viriam a ter um futuro incerto a frente, e esperava de todo o coração que não tomassem a mesma decisão que seu filho tomou anos atrás.

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O ano é 1895, e os temores do velho senhor tornaram-se verdadeiros. O mundo não é mais o mesmo, e terrivelmente assombrados pelas Bestas, os humanos tomam um último esforço: Os Caçadores, esquecidos com a morte de Van Helsing, retornam em prol de exterminar as anomalias selvagens que se escondem nas ruas mais escuras de Londres e o seu objetivo, caro jogador, é escolher um lado: andará sobre a linha tênue entre Humano e Besta ou abraçará a monstruosidade dentro de si? O mundo é cheio de perversidades e precisa ser expurgado, é sua decisão se esta tarefa se realizará ou não.

Universo inspirado e relacionado aos livros Drácula, por Bram Stoker e Frankenstein, por Mary Shelley.


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