História ◤ Aurora Boreal ◢ || ABO || [•JiKook•] - Capítulo 10


Escrita por: ~ e ~YueMH

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook
Tags Abo, Alfa, Beta, Bts, Jikook, Jikook Abo, Jimin!bottom, Jungkook!top, K-pop, Monarquia, Namjin, Ômega, Yaoi, Yoonseok
Visualizações 2.075
Palavras 7.075
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishounen, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Iae cambada?
Perdão por demorar desse jeito, mas a preguiça reina não é mesmo? Também porque tivemos problemas de criatividade.
YAAAA, o Jikook começa a estocar com força a partir do próximo capítulo, cuidado🌚🍷
Leiam 'Angel Of Broken Pulses' da lindíssima @CuteSleepy, não irão se arrepender <3
~Yue


Eaí? Estão gostando dos caps longos? ~Kitsu

Capítulo 10 - Hie ego sum


Fanfic / Fanfiction ◤ Aurora Boreal ◢ || ABO || [•JiKook•] - Capítulo 10 - Hie ego sum

Quando estou à tua frente, fico com sede

Todo o meu corpo treme, minha respiração fica quente

Estou com demasiada sede para apenas olhar para ti

Sede, com tanta sede

Não consigo conter-me, nem na menor possibilidade

Tu fazes-me ficar com sede


Taemin - Thirsty






• P.o.V Jungkook •



Ao acordar com a luz que passava pelas grandes janelas do meu quarto, antes mesmo de abrir os olhos, percebi que eu não estava sozinho. Sentia o peso do meu lado no colchão e uma respiração fraca em meu rosto. Me sentia tão cansado que estava disposto a deixar a Hyuna alí mesmo.
Espera… Esse cheiro me era familiar, mas não era o da Hyuna.
Será que depois de bêbado eu havia levado alguma mulher para a cama? Não seria novidade.
Arranjei forças para espiar e descobrir quem me foi a companhia dessa noite.

Mas não era uma mulher como achei, era Jimin.

Em um susto, me levantei, sentando na cama. Me arrependi imediatamente, por causa da velocidade a qual levantei. Minha cabeça começou a doer do jeito que nunca senti em nenhuma outra ressaca antes! Olhei para o lado e vi o Park.
Ele dormia de uma maneira muito fofa. Se vissem ele assim, pensariam que era da realeza, de tão belo que ele é.


— Ah, Park Jimin… Ainda quero te fazer meu. — Deitei-me novamente — Seu cheiro é tão doce… Tem cheiro de morangos. — Voltei lentamente a me deitar do seu lado.


Tentei lembrar o que aconteceu ontem. Era difícil, acho que eu bebi demais. Mas com um pouco mais de esforço, a noite de ontem foi voltando à minha cabeça.
Maldito seja Kim Taehyung! quem ele pensa que é pra nos desafiar com absinto e ainda falar aquele tipo de coisa na frente do Jimin. Se bem que, na verdade, eu também disse algo contra ele…

.

" — Eu nunca fui um usuário de drogas. — Recebi uma sentença de morte via expressão facial.



— Vai ser assim? — Tae segurou o copinho com força e zangado. Muito zangado.



— Eu nunca — Era a vez de Tae e sua voz ainda saía meio falhada. — Escondi sobre meu passado para o Jimin. "


.

— Ele vai me pagar… — Fechei os olhos com força, tentando acalmar um pouco. Me virei para o lado onde Jimin dormia como um bebê.


Seu lábios estavam entreabertos, estava em posição fetal – o que lhe deixava parecer que era menor ainda –, seus olhos estavam um pouco vermelhos por causa do sono e seus cabelo desarrumados, dando-lhe um ar sexy. Mas ainda assim, parecia um anjo. Era uma tentação. O pecado encanado.

Ele dormia tão calmamente… não se importaria se eu encostasse nele, não é? Bem, eu sou o Rei, toco em quem eu quiser. Seus cabelos esbranquiçados estavam a mostra, brilhando por causa da claridade que adentrava o quarto. Comecei a acariciar suas madeixas, prestando atenção na maciez dos fios. Uma obra de arte.

Algo me veio à cabeça novamente. O verdadeiro motivo pelo qual este ômega está aqui.

.

" — Quer saber? Pega ele.


— É o que? — A falta de vergonha na sua cara me surpreendeu.


— Isso mesmo, transa com ele, daí você o esquece. — Ele expressava como se fosse óbvio. — Todos os ômegas que você se sentia atraído você fez isso... É sério, foram quantos só esse mês?


— Eu não conto essas coisas inúteis!


— Viu?! — Sentou novamente ao meu lado e passou o braço pelos meus ombros.


— Mas depois de hoje eu não vou ver mais ele. E não quero também! — Empurrei seu braço.


— Vai Jeon, é meu desafio para você. Não acabou o nosso jogo ainda, lembra? — Um sorriso com malícia abriu-se em seu rosto.


— O que eu ganho com isso?


— A última espada feita pelo meu tio. — "


.

Definitivamente não seria fácil. Não mesmo. Jimin era diferente das minhas outras experiências, ele não se entregava fácil. Algo me diz que Jimin vale muito a pena, muito mais do que aquela espada.

Novamente, me peguei olhando fixamente para os seus traços. Seu rosto era angelical e não dava para focar em apenas um ponto, meus olhos percorriam sua face inteira. Parei de acariciar seus cabelos e voltei a encarar o teto, dessa vez, me perguntando o porquê das coisas. Porque sou um rei? Porque minha vida é tão difícil? Porque Jimin tinha que estar aqui?


Claro, nenhuma resposta. Como você é tolo, Jungkook. Mas o que mais me preocupa… Jimin também estava em perigo ao meu lado?


Ok, não estou bem, ainda estou meio alterado. Aquele filha da puta me fez beber muito álcool, provavelmente eu era o mais bêbado do grupo. Meu corpo inteiro doía, meus olhos mais ainda e eu continuava com sono. Ah, que ótimo estado, sendo que eu ainda tenho muito trabalho pela frente. Mas eu não me arrependi não, eles se safaram dessa.
Fiquei encarando o teto por mais alguns milênios e resolvi ir até a cozinha, pois essa maldita ressaca me deixou com a boca ressecada.


— Se esse baixinho não acordar, eu jogo ele no estábulo. — Sussurrei para mim mesmo, terminando de fechar a porta do quarto.


Ainda eram seis e meia da manhã, mas na minha visão parecia ser meio dia, por tamanha clareza que fazia. Andei mancando, andei devagar e tropeçando às vezes, finalmente chegando na dita cuja cozinha, onde me deparei com Namjoon cozinhando. Uau.


— Namjoon? — Levei uma de minhas mãos até meus olhos e comecei a coçar. — Que porra é essa?


— Olha a boca, Kook. — Ele me espetou com um olhar altamente mortal, sorte a dele por ser mais velho e eu ainda ter senso de educação. — Isso aqui é uma sopa.


— Pra que? Não vamos jantar ainda, se você não percebeu. — Me dirigi até os pequenos bancos da cozinha, me apoiando na bancada.


— É uma sopa para ressaca. Te ajuda a melhorar, é bem eficaz. — Pude ver um sorriso que ia de orelha a orelha em seu rosto. Não confio muito na culinária dele, mas irei arriscar dessa vez. — E o Chimmie?


— Está dormindo como uma pedra. — Na hora me veio a imagem de seu semblante calmo e fofo. — Desde quando o apelidou assim?


— Desde que o conheci. — Botou aquela sopa meio amarelada numa cumbuca pequena e me serviu. — Não posso dar-lhe uma apelido? Tá com ciuminho?


— Não é isso…


— Uhum, sei.


— É sério!


— Ok, ok. — Gargalhou alto. — Mas, você já sabe né…


— O que eu já sei? — Na verdade, sei exatamente do que ele vai falar, e não me agrada nem um pouco. Não estou com muito humor


— Você está comprometido à Senhorita Hyuna. — Namjoon evitava olhar para o meu rosto, que eu já devia estar vermelho de raiva. — Vocês são noivos e sua mãe, a Rainha Hyokook, quer isso. Não vai bater de frente com ela, vai?


— Mas tudo isso não foi escolha minha! — Desferi um soco forte na bancada de mármore. Fazendo minha cabeça voltar a latejar e sentir fraqueza em todos os meus músculos. — De qualquer jeito, do que adianta você me lembrar disso? Todo mês já levo outras mulheres para cama. — Me esforcei para me manter forte na discussão.


— Ah... Se sua mãe descobre... — Namjoon balançava a cabeça em negação.


— Tudo bem que somos amigos desde muito pequenos, crescemos praticamente juntos, mas eu definitivamente não quero me casar com ela. Com todo o respeito. Eu entendo a minha mãe… mas eu quero ficar com alguém que eu ame de verdade.


Namjoon olhou rapidamente para mim e percebi o que eu tinha falado.


— Não esqueça da sua promessa, Jeon. — Pareceu me repreender. — Come logo sua sopa.


Fiquei um pouco em silêncio, analisando sua reação e pensando no que eu tinha dito.


— Não estou com fome. — Empurrei o recipiente a direção do mais velho.


— Ah! Mas vai comer! — Ele pôs a mão na cintura e ficou me encarando. — Come logo, vou acordar os outros.


— Boa sorte com o Yoongi. — Falei alto quando ele já estava virando o corredor.


— Ah… — suspirei. Não pude deixar de olhar mais uma vez para aquela sopa, com medo de comer.


Então eu decidi que iria acordar o Jimin primeiro.


Andei novamente até o meu quarto e abri a porta vagarosamente. Ele ainda dormia, mas dessa vez parecia mais tenso.
O pequeno era tão fofo dormindo que todos os meus planos de acordá-lo com um susto, foram para o espaço (claro que minha dor de cabeça também contribuiu).


— Não… — Park falou baixinho, ainda dormindo.


— Com o que será que você está sonhando? — Sussurrei e dei a volta na cama. Me aproximei mais e ajoelhei ao seu lado, na cama. Ele definitivamente era radiante enquanto dormia.


— Não! — O dorminhoco falou mais alto se remexendo na cama, freneticamente. — Se afaste! — Ele virou e deitou no meu colo, com os braços agarrados à minha cintura.


Era melhor eu o acordar logo, ele estava mesmo tendo um pesadelo, e parecia ser daqueles pesadelos bem tensos.


— Não… Jungkook… — Falou baixo novamente.


Espera, ele está sonhando comigo? E está desse jeito quase infartando? Que diabos que ele está sonhando? Ah, não vou tolerar nenhum sonho estranho, apesar de que… Aish! Não.


— Lo-lobo negro…


Tá, isso me surpreendeu! Como ele sabia disso? Eu havia cometido algum erro? Deve ter sido o Taehyung aquele miserável! Ele vai me pagar se tiver dito algo para esse ômega.


— EI! — Falei o mais alto que conseguia, sem sentir dor de cabeça, para fazê-lo levantar.


Jimin abriu os olhos rapidamente, mas nem se mexeu, continuava agarrado em mim com uma posição que parecia confortável. Mas sabe… gostaria de sentir esse toque dele por mais tempo.


— Jungkook?




•PoV Jimin•



— Jungkook? — Perguntei, assustado. Porque esse ser está no meu quarto? Não sabia que dentro das regras havia “O Rei pode invadir seu quarto e fazer o que lhe der na telha”


— É, sou eu. — Ele, porém, respondeu sério e seco. Nitidamente raivoso; uma fera.


— O-O que vo-você está fazendo na minha cama? — Será que ele é mais pervertido do que eu imaginei? Não posso nem relaxar no meu quarto, que bosta.


— Está é minha cama. — Proferiu destacando o "minha" — E o que você está fazendo grudado em mim? — Ele parecia estressado. Bastante estressado. Quase um demônio (pelo menos era essa a expressão dele)


Olhei em volta com cuidado, prestando atenção nos detalhes. Ih caralho, não é meu quarto não. Instantaneamente arregalei os olhos quando vi os móveis extremamente caros ao meu redor.


— Não vai desgrudar? — Senti aquele olhar sobre meus cabelos, e imediatamente parei de apertar.


— Pe-perdão… — Jimin gago chega nas horas mais complicadas possíveis. Só ouvi um “hum” vindo do rei. — Mas...po-porque estou aqui?


— Pensei que você soubesse mais que eu. — Gargalhou. — Infelizmente fiquei bêbado demais, você me trouxe até aqui e nós dorm-


— Tudo bem! Eu já lembrei! — Falei o mais rápido possível, tentando esconder meu rosto totalmente vermelho. Como pude dormir com ele desse jeito?


— Acho que já pode se retirar, não é? — Indicou a porta com a cabeça


— Ah… E-eu tenho uma coisa para lhe pedir. — Tratei de descer da cama e ficar parado na sua frente, sem muito contato visual.


— Pois diga.


— Eu poderia visitar minha mãe no hospital? — Olhei para ele dessa vez, que franziu o cenho e suspirou.


— Tá, tudo bem. — Foi mais fácil do que eu imaginava. Onde está Jeon Jungkook e o que fez com ele? — Mas você tem muito trabalho pela frente, branquinho. Então volte antes do almoço, pois você vai ficar comigo no escritório arrumando mais papéis.


— Pode deixar, pode deixar. — Me curvei, e pude ver um sorriso mínimo em seu rosto. — Muito obrigado, Jungkook! — Fui rápido até a porta. Fiquei parado na parte de fora por um tempo, até ouvir um murmúrio.


— De nada… — Mesmo não estando cara-a-cara com ele, sabia que havia um sorriso no seu rosto e…


...Porra, isso me deixa tão estranho. Eu definitivamente odeio ele.


  Agora eu tenho que encontrar o Tae, já que ele continua sendo meu único amigo e pessoa na qual confio bastante aqui, já que eu não tenho ideia de onde fica o hospital.   Quero muito poder ver o rosto da minha mãe, mesmo que não tenha passado tanto tempo assim. Sinto saudade. Trabalhar como empregado do castelo está sendo um pouco mais complicado do que eu pensava, já que não tenho o apoio de algumas pessoas (vulgo mãe e irmã) . Dei sorte de entrar pro grupo dos nobres, dei sorte de eles terem gostado de mim.

  Comecei a andar pelo castelo à procura de algum dos bebuns, mas só encontrei dois empregados que não haviam visto eles.
Pensei que pelo horário e pela noite anterior, eles estavam dormindo.

E agora?

  De repente senti cheiro de comida. Teria alguém na cozinha, a essa hora? Ontem não comemos direito no bar, só alguns petiscos com as bebidas. Então tenho razão para buscar comida. Não é gordice!
  Segui até a cozinha, e lá, comecei a me lembrar que quase fui atacado pelo Jungkook sonâmbulo. Tomara que isso não aconteça mais com ele, pelo meu bem!
Alguém estava preparando algum tipo de sopa e tinha uma tigela com essa mesma sopa em cima do balcão, esperando ser comida.

— Eu não queeeeero! — Ouvi a voz de Yoongi soar, manhosa, em algum dos corredores.

— Vamos Yoongi! — A voz de Namjoon mostrava que ele estava se esforçando para alguma coisa.

  Curioso, fui até os corredores da onde pensava que vinham as vozes e me deparei com Namjoon carregando um Hobi sonolento nas costas e arrastando um Yoongi manhoso pelo pé. Nunca entenderei essa força sobre-humana do mais velho.

— Q-Quer ajuda? — Me ofereci, pois ele parecia estar com dificuldades.

— Pega o Hobi! — O mais alto falava com dificuldade, enquanto puxava o pé do Yoongi, que segurava em um móvel para não ir. Ah, pode ser que dê trabalho

.
.
.

Depois de quase meia hora tratando de sentar Hobi e e Yoongi na cadeira, finalmente eles sossegaram. A ressaca bateu forte demais neles dois. Eram cerca de sete da manhã.


— Obrigado mesmo, Jimin. — O Kim se apoiou na cadeira, exausto. — Pode continuar seja lá o que estava fazendo.


— Certo. Obrigado. — Agradeço em uma suave reverência e me pus novamente a procurar por aquela criança em corpo de adulto, a.k.a Kim Taehyung.


Sabe-se lá onde aquele ser podia estar. Já havia passado por quase todos os corredores daquele castelo, até naqueles que eu não tinha conhecimento algum. Minha última opção foi entrar na floresta, arriscado talvez, mas era o último lugar que eu precisava procurar.

Foi um pouco tenso adentrar aquela imensidão. Estava claro por causa do sol fraquinho, a floresta estava um pouco menos branca, já que não nevou na noite anterior, mas o vento gelado continuava o mesmo, diria que até pior. Aquelas minhas blusas já não estavam tendo efeito.


— Taehyung? — Perguntei com um tom de voz moderado. — Tae?


Era...perigoso um ômega ficar aqui, certo? Mesmo estando dentro das áreas reais. Havia muitos empregados mal-encarados neste castelo, e eles não me pareciam nada legais, vez ou outra ficavam me encarando com o canto dos olhos. Realmente, não sei o que eles tanto olham.

Tá, eu devia desistir de procurar por ele. Provavelmente foi até a cidade para comprar algum ursinho de pelúcia de alien ou coisa do tipo. Me virei, voltando - ou pelo menos tentando voltar - ao castelo, mas ouvi um baque bem na minha frente e paralisei na mesma hora. Era uma lâmina. Uma lâmina muito afiada, enfincada na árvore à minha frente, refletindo minha imagem em seu aço perfeitamente polido.


— Jimin.


Sai de meus devaneios e pude sentir aquele odor cítrico. Taehyung. Estava parado à alguns metros de mim, me observando com a expressão mais calma do mundo, como se não houvesse uma lâmina a minha frente implorando para me cortar.


— Tae-taehyung. — Me permiti gaguejar. — E-ess-ssas fa-cas s-são suas?


Riu baixo, por incrivelmente, tímido. — São lindas, não são? — Puxou a lâmina a minha frente e passou seus dados ágeis por toda a estrutura de aço cromado. — São umas das coisas mais preciosas que eu tenho.


— Dá pra perceber toda essa sua paixão. — Tentei ser o mais amigável possível, apesar de estar realmente assustado.


— Por pouco eu não te acertei Jimin! — Começou a gargalhar alto, eu só pude lhe lançar um sorriso de nervoso. — Então, porque me chamava?


— Ah, s-sim… — Ajeitei minhas roupas e adotei uma posição mais ereta. — Eu não sei onde fica o hospital, pode me ajudar?


— Claro, mas… Nenhum dos outros caras te ajudou? — Pow. Eu bem que poderia ter peguntado para o Namjoon, mas resolvi vir até aqui.


— Não… Eu nem perguntei para eles, na verdade. — Desviei meu olhar para o lado, sutilmente. — Eu meio que qu-quis vir até aqui, perguntar direta-tamente para vo-você.


— Haha, que adorável! — Passou seus mãos por meus cabelos, fazendo um breve carinho no local, me deixando completamente vermelho. — Você está se sentindo tão mal de ontem?


— Não, eu quase não bebi. Eu só quero ver minha mãe… — Pelo menos uma coisa para se orgulhar, né? — Mas e você? Você bebeu até mais que o Yoongi e está super bem!


— Que nada! Estou acabado. — Ele se espreguiçou e ouvi suas juntas estalarem. — Só estou "bem", porque já me acostumei. — Deu um sorriso como pedido de confiança. — Mas, Jimin… — Fez uma expressão meio preocupada.


— Hum?


— Você vai mesmo visitar sua mãe depois de tudo aquilo? — Perguntou enquanto brincava, manuseando as facas em suas mãos.


— É claro! — Respondi até rápido demais. — Foi apenas uma discussão… Eu ainda a amo…— Na verdade eu não estava com tanta confiança que ela também estaria com vontade de me ver. Eu queria vê-la por preocupação e me desculpar…


— Hum, ok. — O beta deu de ombros com um pequeno sorriso fechado. — Não sei como funciona essas coisas de amor de mãe, mas acho que entendi.


— Por que?


— Vamos dizer que eu nunca tive uma mãe… — Ele coçou a nuca, sem jeito. — Mas então, para sua sorte, o melhor hospital da região, fica aqui mesmo,  na capital.


—É muito longe do castelo? — Minhas esperanças de ir a pé, evaporaram.


— Eu te levo. — Tae segurou e meu ombro, me apoiando com seu carisma.


— Então vamos. — Apressei.


— Agora?


— É…


— Mas não estão em horário de visita ainda. — O jeito que ele mexia nas lâminas, começou a me assustar.


— Mas com você pedindo, eles abrem, não? — Insisti.


— Sim, mas ainda são sete e pouco da manhã, deixa a sua mãe descansar. — Ele olhou em meus olhos, pôs a mão na minha cabeça e se agachou um pouco, por causa da diferença de altura.


— Tudo bem… — Aceitei de cabeça baixa.


— Quando formos ver sua mãe, diga a ela que ela é uma boa sogra.


— Como assim?!


— Brincadeira! — Um bico gigantesco e uma cara emburrada resolveram se formarem em mim. — Se cuida Chimmy, até depois. — Me puxou para mais perto de si, dando-me um forte abraço e eu, como um bom amigo, retribui aquele abraço, mais forte. — Não fique muito tempo pela floresta, pode ser perigoso. — Tinha sentido em sua frase, mas ele aparentava só querer me assustar.


— Tá! — Falei alto por causa da distância.


O vi sumindo pelas árvores à passos lentos.

Tá, você está sozinho numa floresta escura e possivelmente cheia de traficantes, mantenha a calma.

De repente, ouvi galhos sendo quebrados atrás de mim. Paralisei de medo. Seria hoje que eu iria morrer?
Notei em volta da minha visão começar a ficar turvo, as cores do ambiente começaram a ficar menos saturadas e minha respiração pesar.

O que estava acontecendo? O que é esse sentimento?

Comecei a ouvir baixos rosnados curtos, ainda trás de mim. Engoli seco e arranjei coragem para olhar. Lá estava um lobo similar ao que aparecia meus sonhos. Branco e com olhos multicolor que brilhavam como jóias.
Mas era um lobo diferente, sem penas penduradas e sem símbolos no pelo, além de também parecer ser mais jovem.
Ele começou a me rodear, com seu focinho franzido e ameaçando mostrar os dentes.


— Q-Quem é você? — Mesmo com tanto medo, consegui perguntar, só recebendo mais um grunhido animal como resposta.


Eu não conseguia correr, não conseguia me mexer, não conseguia gritar, só estava paralisado em seus olhos. Era uma conexão como a que aconteceu com Kardia, mas era de um jeito ruim e assustador, uma sensação de aprisionamento , que me fez sentir sua ansiedade.


— Jimin! Jimin! — Abri os olhos e Taehyung me chacoalhava no chão.


Eu estava sonhando?


Sentei e percebi que eu estava, sim, na floresta. E no mesmo lugar onde Tae me deixou sozinho.


— Você está bem?! — Tae parecia acelerado e olhava em volta.


Também olhei aos redores e meus olhos se depararam com árvores repletas de marcas de garras, flores totalmente pisoteadas e pequenos animais assustados.


— Jimin! — O loiro apertou meus ombros enquanto olhava em meus olhos. — Você está bem?!


— Acho que sim… — Continuei meio atordoado e sem entender nada.



— O que aconteceu aqui?! — O loiro parecia realmente inquieto.


— E-Eu não sei. — Comecei a buscar o lobo branco por lá, mas ele tinha sumido. — Um lobo… branco…


— Vá para o castelo! — Taehyung ficou sem desviar os olhos em direção a mais dentro da floresta. Suas íris adquiriram uma cor verde claro invejável, que chegava a brilhar. E o ouvi rosnando, sim, um rosnado grosso e baixo. Em seguida ele disparou para dentro da floresta.

Só o que pude fazer foi também correr, só que dessa vez, para dentro do castelo.



 


                ✵Aurora Boreal✵







Algumas horas depois do café da manhã, eu e Tae pegamos o carro e partimos em direção à cidade.
Fiquei sem comentar sobre o acontecido de mais cedo, mas pegava ele me olhando uma hora ou outra, preocupado.
Para me distrair comecei a pensar no nosso destino, onde com certeza minha mãe estaria esperando por uma visita de seu filho. Não vou mentir, estava muito nervoso, quero muito que, apesar de seu ódio para com a coroa, ela sinta orgulho de mim. Não só minha mãe como minha irmã também e, quem sabe, até mesmo meu pai, que mesmo não o conhecendo, sei que ficaria muito orgulhoso.
Ela se recusou tanto quando falamos que ela seria levada àquele hospital… Será que ela estava bem lá? Feliz? Se divertindo com algum colega de quarto? Esperei até o momento que o carro parou, para começar a sorrir e ficar mais ansioso.

— Mãe... — Murmurei para mim mesmo quando desci na calçada e encarei aquele belo e enorme centro hospitalar.


— Ansioso? — Kim se aproximou e pôs o braço envolta de meu pescoço, trazendo-me mais equilíbrio, tanto mental quanto físico.


— Sim… — Admiti.


— Por quê? Faz só uma semana que você veio morar com a gente. — Deu um sorriso, que por minha parte, considerei galanteador.


— Mas nunca fiquei mais de uma noite longe dela! Estou com saudades. — Dessa vez quem sorriu foi eu, mas nervoso.


— Aish! Nunca vou entender essa relação de mãe e filho! — Balançou a cabeça e franziu o cenho, de brincadeira. — Vamos logo ver a Park Sunhee!

Daquele mesmo jeito, entramos no hospital. Muitos  médicos, enfermeiras e até mesmo pacientes andavam - ou passeavam de cadeira de rodas - calmamente pelo local. Não é nem semelhante a imagem de pânico de cirurgiões e medo de pacientes que eu imaginava em minha cabeça.
Na verdade, é um lugar super tranquilo que esvái sorrisos e risadas. Instantaneamente me senti mais relaxado, seria muito difícil ela não estar gostando de ficar aqui.


— Filho? — Olhei para o lado e mais distante estava ela. Minha mãe procurando meu cheiro pelo ar.


— Mãe! — Corri para abraçá-la — Me desculpe pela última vez! Eu não queria ter dito aquelas coisas horríveis! — Acabei deixando algumas lágrimas escaparem na emoção.


— Ah, Jimin… Tudo bem… — Ela retribuiu meu abraço, me confortando de todos os jeitos com sua mãos gentis e seu sorriso que senti acima de minha cabeça, cabeça a minha que se localizava afundada entre seu pescoço e seu ombro. Um conforto que eu sentia saudades.


Taehyung nos observava de longe, apoiado na parede, de braços cruzados e com um sorriso amável e bondoso, como se estivesse vendo a cena mais fofa que já viu.


— Senhora Park, você é a mãe dele? — Uma menininha muito fofa de maria-chiquinhas, que aparentava ter pela faixa dos cinco anos, se aproximou.


— Sou, sim! — Minha mãe sorriu. Parecia já estar familiarizada com aquela criança humana.


Em seguida a criança olhou em outra direção e abriu a boca como se tivesse visto um doce gigante.


— Titio Taehyung! — Ela parece ter um problema na perna, então se esforçou para andar até o beta distante.


Ele esperou pacientemente ela chegar, de braços abertos. Depois pegou ela no colo e começou a beijar suas bochechas, enquanto a menininha ria. Sunhee pareceu se distrair com as gargalhadas da pequena. À quanto tempo não a via sorrir assim?


— Ela gosta de você, hein! — Comentei, olhando a alegria da pequenina nos braços fo Kim.


— Sou famoso na ala das crianças. — Apertou as bochechas da menina. — As crianças me amam.


  E finalmente aquele clima pesado entre Sunhee e Taehyung se rompeu, graças às estrelas.


— Ela me lembra sua irmã quando mais nova... — Tinha seus pensamentos na menina no colo de Tae.


— Tem razão…


—  O que você veio fazer aqui? — A mulher em meus braços desviou a atenção de volta à mim.


— Eu vim te ver, oras!


— Ah, então lembrou da sua mãe? — Me provocou.


— Eu nunca te esqueci. — Abracei-a novamente. — A semana inteira fiquei arrependido pelo o que te disse... — Meu rosto enterrado em seu peito abafava minha voz. — Eu realmente não queria dizer aquilo… — Nas pausas da minha fala, eu podia ouvir o som aconchegante de seu coração.


— O que importa é que você veio e estou podendo te abraçar, agora. — Sua respiração estava calma. — Mas você tinha razão em uma coisa… — De repente seu tom ficou sério. — Eu sou mesmo uma topeira que não enxerga nem 30 centímetros à frente! — Ela substituiu a seriedade por risadas em segundos.

 
Eu me esforçava para não rir, por estar me sentindo mal ainda.


— Então filho, como vai? — Olhou em meus olhos. Seu olhar estava sem muita vida, como sempre. Mas afinal, ela uma vez me explicara que ela não é totalmente cega. Então com a presença de certa luminosidade, ela consegue ver o borrão de alguém à sua frente. — Como vai o trabalho?


— Ah, até que o trabalho é bom. — Não sabia muito bem o que falar, já que por enquanto eu só assinava papéis e ajudava em algumas pequenas tarefas dos outros criados. — Está sendo melhor do que eu pensava.

— Fico feliz. — Seu sorriso foi morrendo aos poucos. — Esse lugar está sendo bom para mim. Me sinto bem mais disposta.


— Mas, porque parece triste? — Minha mãe nunca foi de mostrar seus sentimentos, mas sempre foram visíveis suas ações que entregavam suas emoções.


— A casa em que morávamos…. — Fungou. — Batalhei tanto para consegui-la, e tive que abandoná-la.


— Aish…. — Cocei a nuca. Não sabia muito o que fazer, também estava com saudade de lá. Muitas saudades. — Mas a Haneul não está lá?


— Ela deve estar se sentindo sozinha. Antes, eu estava lá. — E a partir daí parei de falar.


Por um lado, gostaria de não ter arranjado esse trabalho. Mesmo com o Tae e ou outros, mesmo com os outros empregados, eu me sinto sozinho, bem mais sozinho do que antes. Taehyung estava acompanhando nossa conversa, apenas ouvindo. A criança ora ou outra lhe distraia; ele tinha muita habilidade com crianças, me deixa feliz. Esboçou aquele sorriso quadrado único dele.


 Minha mãe levantou a mão, sorrindo, e começou a acariciar minha cabeça. — Porque está sem seu gorro? — O sorriso sumiu.


— Ah, isso… — Queria muito que ela entendesse. — Eles falaram que gostam do meu cabelo e que não preciso ficar usando ele.


— Jimin…


— Mãe, eles disseram que não farão nada. — Não era um bom lugar para sair do controle. — Acalme-se


— Como pode confiar neles desse jeito? Ainda mais no rei?! Você vai usar esse gorro sim, eles queiram ou não!


— Park Sunhee, senhora… — Não sei se era uma boa ideia o Tae entrar na discussão, mas apenas deixei ele continuar. — Peço para que, por favor, não levante muito a voz nesse ambiente e… confie em mim.


Ela ficou calada, apenas ouvindo o que o marquês tinha a dizer.


— Jimin, além de servo, tem um lugar especial dentre nós da nobreza e, caso alguém se aproxime do seu filho com outras intenções, nós vamos protegê-lo. — Seus olhos, agora com um brilho esverdeado mínimo, se mantinham em minha mãe. — Não sei porque se importa tanto com o cabelo de Jimin, mas se isso for um problema, daremos conta.


E pela primeira vez na vida, Park Sunhee abaixou sua cabeça a concordou com as palavras de um nobre. — Dês que ele use o gorro pelo menos na rua. — Ela podia até ter cedido, mas foi firme ao dar a condição

Encarei ela, confuso, minhas mãe sempre odiou a realeza, sentia um ranço gigantesco, mas o que teria feito ela ceder tão fácil?


— Cuidarei para que seu pedido seja atendido. — Tae se reverenciou para ela (só um pouco), até porquê, ele tem um nível bem superior ao nosso na pirâmide social.


— Bom mesmo.


— Se você me permitir, quero apresentar algumas pessoas para os dois. — O Kim falou de modo educado.


— Não posso deixar de achar suspeita, essa sua oferta. — Mesmo com a educação do Kim, minha mãe continuava afiada.


— Você vai gostar da companhia. — O loiro afirmou com confiança.


— Se tem tanta fé em sua palavra… — A mais velha estendeu a mão, que depois foi segurada pela de Tae.


 Agora que minha mãe havia se acalmado, pareciam conversar de uma maneira cheia de etiqueta.
 Sem nem falar nada, comecei a andar atrás deles pelo hospital. Tae dava passos largos e graciosos, enquanto segurava a mão da mamãe, com o o braço erguido acima da cintura, e carregava a menininha no colo. Minha mãe era outra que nem parecia mais a mesma.
 Não estava compreendendo nada. Aquele não parecia mais o Taehyung infantil e inquieto que eu conhecia. Já minha mãe andava como uma rainha, é como se ela realmente já tivesse sido uma.
 Continuamos andando por corredores super longos, até chegar em frente a duas portas de vidro bem grandes, que em cima delas constava "Ala Infantil".
 Tinha uma enfermeira com aparência bondosa guardando a porta. Quando nos aproximamos, ela olhou para Taehyung e nós dois, confusa. Tae fez um sinal com a cabeça e ela se apressou em abrir a porta para entrarmos.
 Lá dentro, se ouvia bastante barulho de conversas e risadas de crianças. Quando entramos, notamos que eram todas comportadas, pois ninguém rolava no chão ou saia dando piruetas. Todas estavam nas suas camas de hospital. Claro que tinha aquelas que iam conversar na mesa do colega, mas todos pareciam tão amigos e tão simples. Apenas satisfeitos com boas conversas. Sem brinquedos ou correria.
 Quando as crianças perceberam o loiro, a sala ficou quieta imediatamente. Alguns segundos em silêncio, para depois estourar a gritaria o chamando de múltiplos apelidos. Eram tantos sorrisos, que chegava a ser bonito de se ver. A felicidade causada de maneira muito fácil, em crianças que perderam muita coisa na vida.
 Ele pôs a menina na primeira cama, que estava vazia, e sentou ao seu lado.
 Todas as crianças começaram a se reunir perto dele em uma roda. Devia ter mais de vinte delas no local.
 

— Que tipo de história vai nos contar hoje, Tio Tae? — Um menino, também pequeno, perguntou, animado.


— Hoje não serei eu. — O loiro se inclinou e apoiou as mãos nos joelhos. — Eu trouxe dois amigos meus para contar dessa vez. — Apontou para nós, nos trazendo olhares animados.

 
 Taehyung se levantou, se aproximando de nós com a mão estendida em minha direção.


— Jimin, quer ser o primeiro? — Se curvou puxando minha mão.


— Mas eu não tenho nenhuma história… — Hesitei.


— É só inventar uma história que as divirta. O que importa é deixá-las felizes — Falou de uma forma simplista. — Eu sei que você pode ser criativo.


— E-Eu vou tentar... — Aceitei, com vergonha.


Me sentei onde ele estava anteriormente.


— É… Meu nome é Park Jimin… — Comecei me apresentando, sem saber o que falar direito.


— Moço, por que seu cabelo não ter cor? — Perguntou outra menina de cabelos lisos e ela segurava uma pelúcia, que não consegui identificar o que é.


— C-Como? — A pergunta me pegou de surpresa.


— Sim! — Uma outra criança concordou.


— Antes de você nascer, esqueceram de terminar de te pintar? Acabou o lápis de cor? — A garota com a pelúcia, continuou de um jeito muito fofo.


  Eu e os outros dois, não conseguimos segurar a risada.


— Eu acho que é algum tipo de maldição! — Um menino que parecia adorar super-heróis se exaltou.


— Não… — Ri mais uma vez. — Eu só sou diferente. — Pela primeira vez, falei isso sem sentir nenhuma vergonha.


— Tio Park, você já foi zoado alguma vez por isso? — Uma das crianças, com a pele bem escura e sem cabelo, levantou a mão e perguntou.


— Eu? Eu já. — Sorri.

 
 Mesmo eu usando o gorro no meu tempo inteiro de escola, uma vez que deixei escapar foi o suficiente para começarem a me zoar. Davam apelidos maldosos por causa da cor. E mesmo as pessoas que não sabiam o porquê dos apelidos, também entraram na onda e sem motivo, se afastaram de mim.


— É que… — O menino olhou para baixo. — Eu vim para o hospital à alguns anos, por terem descoberto que tenho uma certa doença. Então todos aqui, são meus melhores amigos... — Contava hesitante. — Mas na minha escola… Eu não tinha nenhum amigo e ainda ficavam me irritando, por eu ter uma cor diferente. — Ele parecia frustrado.


— Você é um lúpus… Um ômega, né? — Perguntei com um sorriso confiável.


— Sou… — Afirmou o moreno, tentando entender por que era relevante.


— O que você disse… Me ajudou a pensar numa história. — Eu disse olhando para cima. — Havia uma loba branca qu-


— Um lobo branco?! — Uma pequena alfa de olhos grandes, se surpreendeu. — Isso existe? — Ela abriu um sorriso de esperança.


— Se ninguém nunca viu, como você sabe que não existem? — Tentei convencer.


— Uau… — A pequenina voltou a se sentar, boquiaberta.


— Continuando... — Eu não conseguia parar de sorrir para aquelas crianças. — Ela nunca chegava perto de um certo lobo negro que ela gostava, por ser diferente dele. — Uma hora ou outra, eu parava para pensar a história. — Então ela tomou coragem para  falar com o lobo, mas ele se afastou, pois ela era "estranha".


— Qui malvadu! Si fossi eu, batia nessi malditu! — Uma menina e loira muito novinha, se agitou.


— Mas ela não se deixou magoar e continuou o observando de longe. — Continuei, tentando não achar aquela menina uma graça. — Um dia, falaram para ele que tinha um fungo que deixava quem comesse, super forte. Ele, sendo muito curioso, comeu um cogumelo, que só o que fez, foi deixar sua visão toda embaçada.


— E o que aconteceu?


— Ele, sendo um lobo com um ego muito grande, achou que ficar sem a visão não seria nada por ter seus instintos. Passou o dia e ele andava pela floresta sem trombar ou se machucar em nada. No final do dia, o lobo acabou escorregando. E se não fosse pela loba esbranquiçada, ele teria caído de um penhasco. Ele ficou muito agradecido e de primeira se apaixonou pela loba, que ele ainda não enxergava. Quando sua visão finalmente voltou, ele viu quem realmente era sua salvadora, descobriu que o dia inteiro ele não se machucou por que ela o protegia de longe e suplicou perdão pela suas ações. — Olhei para as crianças, que estavam todas com um sorriso.


— Moço... Por que o lobo preto só se apaixonou pela loba branca quando ele não estava enxergando? — A portadora da pelúcia parecia triste.


— Por que ele era alguém que só via os outros por fora. — Ajeitei minha postura. — Pode parecer confuso, mas só depois que ele perdeu a visão, que ele enxergou de verdade. — Minha última afirmação fez ela arregalar os olhos. — Então… O que vocês conseguem entender pela história, é: Uma boa pessoa não tem rosto, cor, tamanho, espécie, idade ou aparência específica. Seu maior benfeitor, pode ser qualquer um.


— Ai! Como você fala palavra difícil, tio Park! — Um menino com uma grave cicatriz de queimadura cobrindo metade do rosto, balançou a cabeça.


— Você é meu lobo alma-gêmea. — A alfa de olhos grandes abraçou o menino de pele escura, em seguida dando um beijo estalado em sua bochecha.


 Essas crianças são as mais doces que já vi.


— Mãe, sua vez! — Fugi, me levantando rápido e a chamando.


— Mas eu não sei inventar bem como você. — Desviou.


— Conta aquelas histórias que você contava para mim quando eu era criança. Que a vó também te contava. — Eu sempre fui muito medroso, então passava noites em claro. — Por favor! — Insisti.


— Tá bom, tá bom, Jimin. — Pôs as mãos para cima, se rendendo e indo em direção da cama.


— Yes!


— Bom… como posso começar…? — Já sentada onde eu estava, colocou uma de suas mãos no queixo, adotando uma posição pensativa.— É uma história que aconteceu a muito, muito, muito tempo atrás e é uma história que minha mãe costumava me contar.


 As criança se animaram. Ao perceber a ação das crianças, ela esboçou um sorriso acolhedor.


— Há muito tempo, num reino todo coberto por neve e gelo, existia uma flor muito bonita chamada Lótus Aureus. Era extremamente rara e, por isso, os reis de todos os reinos e muitos caçadores de recompensa a queriam para si, para fabricarem tintas, roupas, adornos e jóias. — Ela está bem empolgada ao contar a estória. — Havia uma mulher encarregada, pelo clã dela, de proteger essa flor com todas as forças, por isso, os reis queriam a prender para poder pegar o Lótus.


 Não aguentei e entrei na rodinha junto com as crianças e Tae fez o mesmo. A história era bem cativante e interessante, e cada vez mais crianças se juntavam a nós. Lembro-me quando ela me contava essas histórias, que a mãe dela também contava para ela quando criança. Minha mãe contava a história no intuito de me ajudar a dormir, mas eu gostava tanto, que despertava mais ainda.


— Quando ela soube que os reis estavam atrás dela, correu o mais rápido que podia para dentro da floresta, para proteger aquele Lótus valioso. A toda hora os reis estavam atrás dela, e ela só podia correr o mais rápido que conseguisse.


— Tia Sunhee! — Um garotinho exclamou, erguendo seu braço. — Porque os reis eram tão maus?


— Porque eles só estavam pensando na beleza daquele Lótus para coisas ruins, não viam o quão frágil aquela flor era e pensavam em maltratá-la. — Manteve uma expressão serena.


— Eu não gosto deles! — Uma menininha fez um bico muito fofo.


— Prossiga, Senhora Sunhee — Tae pediu.


— Ela acabou entrando na parte da floresta com espinhos. Para proteger o Lótus, envolveu a flor em suas roupas e permitiu que os espinhos a ferissem.  Depois que viu que eles não estavam atrás dela, resolveu voltar.
 Após muito andar, encontrou uma cabana, na qual ela entrou para se esconder. Mas barulhos lá fora, revelaram que tinham a seguido. O líder dos caçadores de recompensa que atacaram seu clã, tinha seguido-a.


— Ele roubou a flor? — A menininha que estava com Tae se apoiou nos joelhos de minha mãe.


— Ela não deixou. — Falou com convicção. — Ela não deixaria nunca, ele pegar aquela flor. Ela usou até suas últimas forças e conseguiu matar o violento lobo. — Minha mãe falou com emoção na ultima


 As crianças começaram a comemorar.




          ✵Aurora Boreal✵





— Foi bom ver você, Jimin. — A mais velha se aproximou, me envolvendo em seus braços. — Venha me visitar mais vezes, sim? E não se esqueça de sua irmã.


— Claro, pode deixar. — De fato, tentaria vir visitá-la mais vezes, mas agora… não tenho certeza se conseguiria visitar Haneul.


— Chim, vamos! — Tae me chamava desde a entrada do hospital, com aquele sorriso dele.


— Já vou! — Gritei de volta, lhe retribuindo o sorriso. — Vou sentir saudades mãe. Farei o possível para vir te ver quando eu tiver tempo livre.


— Fico feliz! — Esboçou um sorriso simples.


— Tenho que ir. — Fiz uma reverência e a abracei novamente. Poderia demorar até nosso reencontro.


— Ah, Jimin...antes de ir..


— Sim?


A mais velha ficou tensa e segurou meu pulso com força. Pude sentir suas unhas quase rasgando minha pele frágil, me fazendo morder o lábio inferior numa tentativa de conter a dor.


— Trate de usar aquela maldição de gorro. Pode até ficar sem ele dentro do castelo… Mas se eu souber que anda por aí sem ele…


— Si-sim senhora…! — Soltou meu pulso, e saí correndo. Definitivamente não era normal aquele tom dela. Falava com agressividade e raiva.


— Chim… — Passei reto por ele, o ignorando.


— Apenas vamos embora.


— Ah… tudo bem. — Ele deve ter notado minha inquietação, já que eu parecia uma pedra.


Nos afastamos do hospital e em pouco tempo o castelo era visível. Taehyung dirigia sorrindo, na verdade, ele estava sempre sorrindo. Depois do que minha mãe disse, toda a minha insegurança voltou a me assombrar, não era bom, eu poderia acabar voltando a usar o gorro mesmo dentro do castelo e Jungkook provavelmente me faria tirá-lo. Mas, enfim, tinha que me preocupar com outra coisa: Como olhar para a cara do rei depois de dormir na cama do mesmo.


Notas Finais


Kkkk eae men?
O que acharam??? Gostamos de ler as teorias! Façam quantas quiserem ^^

Trailer: https://youtu.be/_0nl7D9rghI

Grupo da Fanfic (Whatsapp): https://chat.whatsapp.com/5shZ1pEk84jG9EJUMiNuvH

Chocolate & Pimenta(Ask): https://spiritfanfics.com/historia/nosso-blog-chocolate-com-pimenta-10967222


Outras Fanfics:
•Intelligence, Strength and Sex:  https://spiritfanfics.com/historia/intelligence-strength-and-sex-jikook-10665297

•Musicalmente: https://spiritfanfics.com/historia/musicalmente-11044473


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