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História '- Fora de Sintonia -' - Capítulo 2


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Notas do Autor


Bem-vindos 🖤

Capítulo 2 - Capítulo: 2; Pombinhos apaixonados nem tão assim


2



 RECONHEÇO UM MONTE DE CARROS da escola no estacionamento da Waffle House. Alexy desliga o motor e pega o celular.

 A primeira coisa que vejo ao chegar é o cabelo louro reluzente da Bia. 

 - Castiel! Não sabia que você vinha. Pensei que fosse só o pessoal do teatro mesmo, mas que legal!

 Ela aperta o botão na chave, e o carro dá uma piscadinha. Engraçado... que eu saiba, Bia não tem um jipe. E muito menos: um jipe com testículos balançando no para-choque.

 - Seu carro tem bolas muito realistas, Bia.

 - Ai, é constrangedor, né? Meu irmão veio para por causa do recesso de primavera, e ele bloqueou a saída do meu carro. Tive que pegar o dele. 

 - Que merda, hein? Ou melhor: que saco.

 - Pois é, fiquei bolada - responde ela, dando uma risadinha marota. 

 Está bem, serei o primeiro a admitir: às vezes eu adoro demais a Bia. 

 Entramos na Waffle House e, nossa, como eu amo esse cheiro. É a combinação perfeita de manteiga, xarope de bordo, bacon e talvez... cebolas? Seja o que for, eles deveria patentear e fazer canetas com esse aroma, assim eu poderia escrever one-shots de personagens safadinhos com o cheiro desse lugar maravilhoso. Mal chegamos e já vejo uma galera do teatro sentada em um canto. Entre eles está Dakota Walker. 

 Eu me viro para Julie e falo:

 - Não vou me sentar lá. 

 - Nem eu. 

 - Por causa do Dake? - pergunta Bia. 

 - Vamos sentar ali - falo, quase sem mexer os lábios. 

 Tudo bem, eu sei que a história com Dake são águas passadas e que talvez eu devesse deixar isso para lá, mas não consigo. Não dá mesmo. O cara praticamente arrancou Alexy do armário no ano passado. Na verdade, ele descobriu que Alexy era gay, fez uma chantagem barata e tirou Alexy do armário. Eu mal troquei uma palavra com Dakota desde então. Julie também. Nem Aantron. Nem Skye. Nem Armin. 

 Eu me sento ao lado de Julie a uma mesa perto da entrada, e Bia na mesma hora ocupa o lugar que Alexy claramente estava guardando para Aantron. Quando a garçonete aparece para anotar os pedidos, todo mundo pede waffles, menos eu, que só quero uma Coca. 

 - Está de dieta? - pergunta Bia. 

 - Hein?

 Sério, quem faz uma pergunta dessas? Antes de mais nada, acabei de comer uma tonelada de M&M's. Depois, que tal ficar de boca calada um pouquinho? As pessoas não conseguem assimilar o conceito de um garoto tecnicamente gordo que não faz dieta. É difícil acreditar que eu possa realmente gostar do meu corpo?

 Julie me cutuca e me pergunta se estou bem. Talvez eu tenha fechado a cara. 

 - Ai, meu Deus, você está doente? - pergunta Bia. 

 - Não. 

 - Nossa, estou superparanoica com medo de pegar alguma doença. Tenho me entupido de chá e descanso a voz sempre que não estou ensaiando, é claro. Imagina se eu perco a voz esta semana? Nem sei o que a Sra. Albright faria. 

 - Aham. 

 - Porque, tipo, eu estou em quase todas as músicas. 

 Ela dá uma risadinha aguda. Não sei se está nervosa e fingindo que não está ou o contrário.

 - Talvez você deva mesmo descansar a voz - sugiro. 

É tão fácil tolerar a Bia quando estamos ensaiando para um concerto... Até porque uso fones de ouvido ótimos, que isolam todo e qualquer barulho. 

 Ela abre a boca para falar alguma coisa, mas então Nathaniel e os meninos chegam. Kim se instala ao meu lado, Aantron vai para perto da Bia e Nathaniel, Armin e Skye vão para as pontas. É engraçado, porque Bia estava sentada ali com aquele seu ar parasiense afetado de sempre, mas agora ela se inclina tanto na direção de Armin. Que está praticamente deitada na mesa.

 - Quer dizer que você e o Alexy vão para Boston no recesso de primavera?

 Pois é. A garota estava há uns vinte minutos quase sentada no colo do Alexy, mas é claro que teve que esperar Armin chegar para fazer essa pergunta. 

 - Isso mesmo - responde Armin. - Vamos conhecer as últimas universidades da nossa lista... Tufts e Boston primeiro, depois Wesleyan, Nova York, Haverford e Swarthmore. Então, vamos de avião para Boston, alugamos um carro por lá e depois pegamos outro avião para a Filadélfia.

 - Melhor viagem! - diz Alexy, inclinando-se para dar um high-five em Armin. 

 - Com as mães de vocês - comenta Nathaniel. 

 Jamais vou entender a quantidade de dinheiro que as pessoas gastam com essas viagens: passagens, hospedagem, aluguel de carro... e eles ainda nem sabem se vão conseguir entrar em alguma dessas universidades. Sem contar que Alexy gastou centenas de dólares só em taxas de inscrição, embora esteja determinado em ir para a Universidade de Nova York, o que com certeza não tem nada a ver com o fato de Aantron já ter sido aceito na Columbia. 

 - Que maravilha! - exclama Bia, animada. - Vou para Cambridge, visitar Harvard. Vamos marcar de fazer algo por lá!

 - Hã... vamos, sim - diz Armin, e Alexy quase engasga com a água. 

 - Nathaniel, você também está vendo universidades nessa região? - pergunta Bia. 

 - Não. - Nathaniel sorri. - Vou para a universidade da Bullworth. 

 - Ué, não vai tentar ficar perto da Skye?

 - Não quero pagar para ficar perto da Skye. 

 É meio estranho ouvi-lo dizer isso em voz alta, principalmente porque vou para lá também. A Universidade da Bullworth foi a única em que eu me inscrevi - eles me aceitaram meses atrás, e consegui uma bolsa. Já está tudo certo. 

 Nunca sei como me sentir quando tenho algo em comum com Nathaniel Loughling. E, principalmente, não sei como me sentir quanto à perspectiva de irmos para a mesma universidade. Aposto que ele vai fingir que não me conhece. 

 Quando dou por mim, Kim está tagarelando sobre a sua prioridade do Instituto de Tecnologia de Bullworth em relação à Universidade de Bullworth. Não estou nem aí para esse papo, mas fico aliviado de Ambre não ter vindo. É bem curioso, porque ela é superpolitizada e intelectual, mas ela e Nathaniel vem de uma daquelas famílias obcecadas pela Universidade de Bullworth. Eles são completamente fanáticos por futebol americano, a casa é toda decorada em branco e azul (as cores do time da universidade), e em todos os cantos tem uma gaivota  que é o mascote do time. Sem falar que os pais deles sempre fazem aquelas festas no estacionamento do estádio, antes dos jogos. Futebol americano é algo que foge da minha compreensão. Nada contra o esporte, mas me interesso mais pela instrução e pelo conhecimento que a universidade pode oferecer. 

 Quero ficar na minha e pensar em outras coisa, mas Kim continua me perturbando. 

 - Castiel, quais são os anos mais longos da vida de um aluno da Universidade da Geórgia?

- Sei lá.

 - O primeiro. 

- Haha.

 Kim Greenfield. Sempre. 

 Finalmente, todos começam a falar sobre o jogo de futebol de Aantron e Kim no último fim de semana. Armin parece um pouco melancólico, e eu entendo. Não é que ele nunca mais vá jogar futebol. Armin vai voltar aos campos assim que a peça estrear, na semana que vem, mas é um saco quando a vida continua sem você. Às vezes, eu me sinto deixado de lado até quando a vida continua junto comigo. 

 A garçonete chega para anotar a segunda rodada de pedidos e, em vinte minutos, temos uma montanha de comida na mesa. Alexy está concentrado discutindo sobre a peça, e eu aproveito para roubar um pedaço de bacon do prato dele. 

 - Sei lá, estou com medo de dar tudo errado, agora que finalmente temos a orquestra e os cenários. Só que os cenários tinham que estar prontos há uma semana.

 Julie encara o primo, irritada. 

 - Eles teriam ficado prontos antes, se mais alguém tivesse se dedicado a eles, e não só Cal e eu. 

 - Eita - diz Kim. 

 - Mas, no fim das contas - diz Bia. -, os cenários nem importam tanto. O que conta mesmo é a atuação. 

 Julie suspira e força um sorriso. 

 Ficamos mais um pouquinho ali, e então a garçonete traz as contas separadas, o que achei bem legal da parte dela. Odeio quando vem tudo junto, porque alguém sempre quer dividir por igual - e, sem querer ser babaca mas já sendo, eu tenho motivos para não pedir um sanduíche de vinte e poucos dólares, já que dá última vez que comprei algo caro perto dos meus amigos eles acharam que eu estava querendo ser mais do que qualquer um deles. Vamos até o caixa, um de cada vez, e então deixamos a gorjeta na mesa. E é claro que Kim, que pediu waffles com todas as coberturas possíveis, e mais linguiça e batata com queijo e bacon deixa exatamente um dólar. Francamente. Deixa uma gorjeta de verdade, sabe? Jogo uns dólares extras na pilha para compensar. 

 - Bela gorjeta por uma Coca - comenta Nathaniel, e disfarço um sorriso.

 Os outros já estavam perto da saída, mas ele fica para trás, abotoando o casaco. 

 - Eu já trabalhei como lavador de pratos - falo. 

 - Isso é bem legal da sua parte. 

 Dou de ombros e sorrio, meio desconfortável. Sempre me sinto assim quando estou com Nathaniel, não sei por quê. Acho que algumas coisas nele me irritam: em primeiro lugar, não suporto pessoas tão bonitas. Nathaniel tem olhos de princesa da Disney, sardinhas salpicadas nas bochechas, cabelo louro e lábios finos. Para completar, ele é fofo e simpático. Basicamente, Nathaniel é um algodão-doce humano. É bom em pequenas doses - mas em excesso, dá vontade de vomitar. 

 Nós dois saímos do restaurante. Bia e seus testículos já partiram, e Kim também, para a aula de piano. Os outros só estão parados por ali. Alexy e Aantron então mais ou menos de mãos dadas, mas só com as pontas dos dedos entrelaçadas, o que é o máximo de contato a que os dois se permitem em público. 

 Skye, por outro lado, praticamente se gruda a Nathaniel, como se tivesse que compensar a hora que haviam passado em lados diferentes da mesa. Típico. Bem, acho que estamos no clássico momento pombinhos-apaixonados-melosos-no-estacionamento-da-Waffle-House.  E talvez Julie e eu devêssemos nós agarrar também, só para não ficarmos de fora.

 Mas Nathaniel se desenrola de Skye e se aproxima de mim. 

 - Nossa, que linda - diz, apontando para a capa do meu celular. E uma fanart minha, que algum fã me enviou pela caixa postal. - Está muito bem feita, não acha? Ei, tenho escutado suas músicas... Uau, são muito boas.

 - É. - Engulo em seco. - Obrigada, Nathaniel.

 Ele arregala um pouco os olhos, como se estivesse desconcertado só de ter me ouvido falar seu nome. Acho que não conversamos muito. Não fora do grupo. Não mais. 

 - Então, hein. Universidade de Bullworth... - diz ele. 

 - É uma universidade...

 - Pois é.

 Ele ri... e de repente me olha com doçura e hesitação. 

 - Eu meio que queria perguntar para você...

 Ouvimos uma buzina e olhamos para o automóvel que se aproxima. Reconheço o carro de Nathaniel - ou do pai de Nathaniel, acho. Mas hoje a motorista é uma mulher com os olhos mais lindos que eu já vi. Ela é baixa, loura e deve ter uns quarenta e poucos anos. 

 - Ai, meu Deus, minha mãe já está em casa! Pensei que ela só fosse chegar mais tarde. - Nathaniel sorri e toca meu braço de leve. - Amanhã a gente conversa melhor, tudo bem?

 Um instante depois, ele está beijando Skye e se despedindo. Desvio o olhar na mesma hora, sem conseguir enxergar direito por causa do farol do carro. 




Notas Finais


Obrigada por ler ❤️


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