História 10 Maneiras de fazer um Coração se derreter - Sizzy - Capítulo 2


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Categorias Os Instrumentos Mortais, Shadowhunters
Personagens Aline Penhallow, Clary Fairchild (Clary Fray), Emma Carstaris, Isabelle Lightwood, Jace Herondale (Jace Wayland), Jonathan Christopher Morgenstern, Jordan Kyle, Lily, Maia Roberts, Maryse Lightwood, Maureen Brown, Max Lightwood, Personagens Originais, Raphael Santiago, Rebecca Lewis, Robert Lightwood, Sebastian Morgstren, Sebastian Verlac (Jonathan Christopher Morgenstern), Simon Lewis, Tessa Gray
Tags Cassandra Clare, Clace, Comedia, Isabelle Lightwood, Izzy, Lightwood, Lovelace, Romance, Romance De Época, Shadow Hunter, Shadowhunters, Simon Lewis, Sizzy, Tmi
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Palavras 3.667
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Hentai, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Heey! Turupom? Me perdoem pelo horário!

Boa Leitura! 💙

Capítulo 2 - One


E o que seriam essas lições, cara leitora, sem um lorde em potencial para conquistar? O cavalheiro para quem a senhorita estudou de forma tão diligente? A resposta, claro, é que seriam praticamente inúteis.
Não somos, então, as damas mais sortudas que existem, já que nossa bela cidade abriga os melhores, mais brilhantes, encantados e encantadores solteiros? Temos um verdadeiro tesouro de cavalheiros ricos, solitários e dispostos a se comprometer andando pelas nossas ruas, querendo apenas uma esposa!
Encontrar essas preciosidades é uma tarefa complicada, mas não tema, cara leitora! Nós assumimos o trabalho pela senhorita – vasculhamos a cidade atrás dos lordes mais dignos da sua inestimável e incontida atenção.
Considere, por assim dizer, o primeiro na nossa lista de lordes eminentemente conquistáveis...

PÉROLAS E PELIÇAS, JUNHO DE 1823


Quando a loura perto da porta piscou para ele, foi a gota d’água.

Lorde Simon Lewis afundou ainda mais no assento, praguejando baixinho. Quem teria imaginado que um exagero veiculado por uma revista feminina fútil seria o suficiente para transformar todas as mulheres de Londres em tolas insistentes?

A princípio, ele achara engraçado – nada além de uma diversão bem-vinda. Aí os convites haviam começado a chegar. E quando o relógio em sua casa em St. James mal tinha batido duas horas, lady Ponsonby se juntara a eles, alegando ter negócios para discutir: algo relacionado com uma estátua que ela havia adquirido recentemente no sul da Itália. Simon sabia que não era nada disso. Só existia um motivo para uma víbora como lady Ponsonby ir à casa de um solteiro – um motivo que Simon tinha certeza de que lorde Ponsonby não acharia nem um pouco sensato.

Então ele havia fugido. Primeiro se refugiara na Sociedade Real de Antiguidades, isolando-se na biblioteca, longe de qualquer um que já tivesse ouvido falar em revistas femininas, quanto mais lido uma. Infelizmente, o jornalista da tal publicação – Simon se encolheu diante do uso generoso do termo – fizera muito bem sua pesquisa, e, em apenas uma hora, o lacaio-chefe anunciara a chegada de quatro mulheres, em separado, variando em idade e posição social, todas necessitando urgentemente de uma consulta sobre suas esculturas de mármore – e todas tendo insistido em que ninguém além de lorde Simon serviria.

Ele bufou com a lembrança. Esculturas de mármore, claro.

Ele pagara uma generosa quantia ao lacaio por sua discrição e fugira mais uma vez, agora sem tanta dignidade, pela porta dos fundos da Sociedade Real. Saíra em um beco estreito e sórdido que pouco fizera para animar seu espírito. Puxando a aba do chapéu para baixo a fim de ocultar o rosto, abrira caminho até o santuário, o Dog & Dove, onde permanecera escondido em um canto escuro durante as últimas horas.

Completamente encurralado.

Em geral, quando uma garçonete voluptuosa flertava com ele, Simon ficava mais do que disposto em atentar para seus fartos encantos. Aquela mulher em particular era a 14ª do dia a atentar para as qualidades dele, e Simon já estava farto. Fechou a cara e permaneceu ali, sentindo-se mais sombrio e irritado a cada minuto.

– Tenho que sair desta maldita cidade – bufou.

A risada profunda e retumbante do outro lado da mesa não melhorou seu humor.

– Não duvide nem por um momento de que eu possa mandá-lo de volta para a Turquia – rosnou Simon.

– Espero que não faça isso. Eu odiaria perder a conclusão desse divertido enredo. – Seu amigo, Jonathan, mais conhecido como Jace, virou-se e olhou por cima do ombro, avaliando preguiçosamente a linda jovem. – É uma pena. Ela nem se dá conta da minha existência.

– Garota inteligente.

– O mais provável é que ela apenas acredite em tudo o que lê em suas revistas. – Jace riu quando Simon franziu a testa. – Vamos, Simon, será que isso é tão terrível assim? E daí que as mulheres de Londres foram informadas sobre as suas... qualidades?

Simon se lembrou da pilha de convites à espera de que ele os respondesse – cada um deles de uma família com uma filha solteira – e deu um longo gole na cerveja. Apoiando a caneca de estanho na mesa, resmungou:

– Pois é. Será?

– Eu tiraria vantagem disso, se fosse você. Agora você pode ter qualquer mulher que quiser.

Simon fixou os olhos castanhos e frios no amigo.

– Eu estava me saindo muito bem sem essa maldita revista, obrigado.

A resposta de Jace foi um grunhido prudente enquanto se virava para chamar a jovem garçonete. Ela veio rápido como uma flecha e num instante chegou à mesa deles. Inclinando-se bem por cima de Simon para exibir as curvas provocantes, ela sussurrou:

– Milorde? Está... necessitando de algo? 

– Estamos, de fato – respondeu Jace.

A mulher insolente sentou-se no colo de Simon e pressionou os seios contra o peito dele.

– Serei qualquer coisa que quiser, querido – falou, a voz baixa e sedutora. – Qualquer coisa.

Ele afastou o braço dela que estava sobre seus ombros da maneira mais delicada que conseguiu e tirou uma coroa do bolso. 

– Uma oferta tentadora, com certeza – afirmou ele, colocando a moeda na mão dela e fazendo-a se levantar. – Mas temo que eu só queira mais cerveja. É melhor você procurar companhia em outro lugar hoje.

A decepção tomou o rosto dela por uma fração de segundo antes que redirecionasse sua atenção para Jace, admirando seu tórax largo, sua pele morena e seus braços fortes.

– E você? Acho que vai servir muito bem. 

Jace não se mexeu.

– Vá para outro lugar – disse o turco, dando as costas à garçonete.

Ela empinou o nariz ante a recusa dos dois e se retirou para buscar a cerveja – ou pelo menos era isso que Simon esperava. Enquanto a observava abrir caminho pelo salão, ele sentiu sobre si a atenção entusiasmada das outras mulheres na taverna.

– São predadoras. Todas elas.

– Parece justo que o bulan finalmente saiba o que é ser caçado.

Simon fez uma careta diante do nome turco e da longa história que o acompanhava. Havia anos ninguém o chamava de bulan – caçador. O termo não significava nada agora, era só um resquício de seus dias no Oriente, no Império Otomano, quando ele fora outra pessoa – alguém sem nome – com apenas uma habilidade que no final seria sua ruína.

A ironia não lhe passou despercebida. Sua estada na Turquia terminara de forma brusca quando uma mulher voltara a atenção para Simon e ele cometera o erro de se permitir ser capturado – literalmente.

Havia passado 22 dias em uma prisão turca antes de ser resgatado por Jace e despachado para a Grécia, onde jurara deixar o bulan para trás.

Na maior parte do tempo, ficava feliz por ter feito isso. Agora vivia apaziguado pelo mundo de Londres, os negócios relativos a sua propriedade e suas antiguidades. Mas havia dias em que sentia saudades daquela vida.

Ele preferia caçar do que ser caçado.

– As mulheres sempre ficam assim perto de você – observou Jace, fazendo Simon voltar ao presente. – Você só está mais consciente disso hoje. Não que eu entenda o interesse delas. Você é um sujeito bem fei...

– Está querendo levar um soco, não está? 

O rosto do turco se abriu em um sorriso largo.

– Lutar comigo em um bar não seria um comportamento adequado a um cavalheiro exemplar como você.

Simon franziu as sobrancelhas para o amigo.

– Eu arriscaria minha reputação pelo prazer de tirar esse sorriso do seu rosto.

Jace riu mais uma vez.

– Todo esse interesse feminino perturbou sua cabeça, se você acha que poderia me derrubar. – Ele se inclinou para a frente e apoiou os braços na mesa entre eles, destacando sua força. – O que aconteceu com seu senso de humor? Você teria achado isso extremamente divertido se tivesse acontecido comigo. Ou com seu irmão.

– Pois é, mas aconteceu comigo.

Simon inspecionou o salão e grunhiu quando um homem alto de cabelos morenos entrou, cruzando a porta do estabelecimento. O recém-chegado fez uma pausa assim que colocou os pés no salão, correndo os olhos pelas pessoas e parando, finalmente, ao avistar Simon. Então o sujeito ergueu uma sobrancelha, achando graça, e começou a se dirigir à mesa deles, abrindo caminho pela multidão.

Simon lançou um olhar acusador para Jace.

– Você está pedindo para ser mandado de volta para a Turquia. Não, implorando.

Jace olhou por cima do ombro para o recém-chegado e abriu um sorriso amplo.

– Teria sido muito antipático de minha parte não convidá-lo para a diversão.

– Que sorte. Confesso que não achei que seria capaz de chegar perto desse lorde londrino disponível para conquista – disse uma voz baixa e divertida.

Simon ergueu os olhos e viu seu irmão mais velho, George Lovelace, o marquês de Ralston, parado próximo à mesa. Jace se levantou e deu um tapinha nas costas de George, convidando-o a se juntar a eles. Depois que se sentou, George continuou:

– Embora fosse de esperar encontrá-lo aqui... – Ele fez uma pausa. – Se escondendo. Covarde.

Simon franziu as sobrancelhas enquanto Jace ria.

– Eu estava justamente comentando que, se você fosse eleito um dos lordes londrinos disponíveis, Simon teria desfrutado imenso prazer com seu sofrimento.

George se recostou na cadeira, sorrindo como um idiota.

– Sem dúvida, teria. E, ainda assim, você não parece muito animado, irmão. Por quê?

– Suponho que você esteja aqui para rir da minha provação – falou Simon. – Mas sem dúvida tem coisas melhores a fazer. Ainda tem uma esposa para entreter, não tem?

– Decerto que tenho – disse George, o sorriso se suavizando. – Apesar de ela quase ter me expulsado, para ser sincero, estava ansiosa demais para que eu o encontrasse. Ela vai oferecer um jantar na quinta-feira à noite e reservou um lugar para vocês dois. Não quer lorde Simon perambulando melancolicamente pelas ruas nessa noite, sem destino, atrás de uma esposa.

Jace deu um sorriso afetado.

– É perfeitamente possível que ele fosse fazer exatamente isso se esse convite não tivesse surgido.

Simon ignorou o amigo.

– Beatriz é leitora daquele lixo?

Ele esperava que a cunhada estivesse acima dessas coisas. Se ela tivesse lido, não havia esperança.

George se inclinou para a frente.

– O artigo desta semana todos nós lemos. Você trouxe respeitabilidade para o nome Lewis, Simon. Finalmente. Bom trabalho.

A garçonete voltou e deixou outra rodada de bebidas na mesa. Olhou para Simon, depois para George e para Simon de novo, enquanto uma expressão de surpresa e, em seguida, de prazer tomava conta de seu rosto. Ambos eram muito parecidos, e as pessoas tendiam a encarar os irmãos Lovelace quando eles se aventuravam em público juntos. Simon percebeu que não tinha paciência para a curiosidade dela. Desviou o olhar enquanto George pagava a garota generosamente, dizendo:

– É claro que mulheres que me cobiçavam devem estar felicíssimas por terem uma segunda chance. Com ou sem título, você pelo menos tem a minha beleza, ainda que seja uma versão menor e mais jovem dela.

Os olhos castanhos de Simon se estreitaram na direção do irmão e do amigo, que agora gargalhavam como idiotas. Erguendo sua cerveja, ele brindou à dupla.

– Que os dois vão direto para o inferno.

George ergueu sua caneca.

– Creio que valeria a pena só para vê-lo tão irritado. Não é a pior coisa do mundo ser rotulado como solteiro disponível, Simon. Posso atestar que o casamento não é a prisão que eu acreditava ser. É muito agradável, na verdade.

Simon se recostou na cadeira.

– Beatriz o amoleceu, George. Não se lembra das mães aos gritos e filhas enjoativas, todas esperando atrair sua atenção?

– Nem um pouco.

– É porque Beatriz é a única mulher disposta a ficar com você apesar de seu histórico de devassidão – observou Simon. – Minha reputação é bem menos maculada do que a sua costumava ser. Sou um partido muito mais valioso, que Deus me proteja.

– Acho que o casamento pode lhe fazer bem.

Simon ficou em silêncio, apenas fitando sua cerveja, por tempo suficiente para que seus companheiros achassem que ele não responderia.

– Acho que todos nós sabemos que o casamento não é para mim – disse, enfim.

George soltou um grunhido evasivo.

– Devo lembrá-lo de que eu achava o mesmo. Nem todas as mulheres são como a megera sem coração que quase fez com que você morresse, Simon – comentou George.

– Ela era só uma entre muitas – respondeu Simon, e em seguida deu um longo gole na cerveja. – Obrigado, mas aprendi a interagir com minhas mulheres da melhor forma possível: em encontros breves e sem emoção.

– Eu não me vangloriaria por ser breve se fosse você, Lewis – falou Jace, dando um sorriso largo para George antes de continuar. – O seu problema não são as mulheres que o escolhem, mas as que você escolhe. Se não fosse tão atraído por aquelas que bancam a vítima, poderia ter mais sorte com o sexo oposto.

Jace não tinha dito nada que Simon já não soubesse. Desde a juventude ele tivera uma queda por mulheres em apuros. E, ainda que entendesse que isso era uma de suas maiores fraquezas – tendo lhe causado mais problemas do que soluções –, parecia incapaz de resistir a damas do tipo.

Então ele mantinha suas mulheres a distância. As regras eram claras: nada de amantes, nada de encontros regulares e, definitivamente, nada de casamento.

– Bem, de qualquer modo – completou George, com leveza –, vou me divertir imensamente enquanto você passa no meio desse corredor polonês.

Simon fez uma pausa, dando mais um gole antes de se recostar e colocar as mãos espalmadas na mesa.

– Sinto decepcioná-lo, mas não pretendo passar no meio de corredor polonês nenhum.

– Ah, é? Como espera evitar as mulheres de Londres? Elas são caçadoras do mais alto calibre.

– Elas não podem caçar se a presa se esconder – retrucou Simon.

– Você vai embora? – George não parecia feliz. – Para onde?

Simon deu de ombros.

– Obviamente já fiquei mais do que devia em Londres. Posso partir para o continente. Ou para o Oriente. Para as Américas. Jace? Você está se coçando por uma aventura há meses. Para onde gostaria de ir?

Jace ficou pensativo.

– Não para o Oriente. A última vez que estivemos lá não foi nada boa. Eu preferiria manter distância.

– É justo – disse Simon. – Às Américas, então.

George balançou a cabeça.

– Você ficaria fora por um ano, pelo menos. Já se esqueceu de que temos uma irmã que acabou de debutar e que precisa de um par? Não vai me deixar sozinho para lidar com um evento que pode ser um desastre só porque teme a atenção de um punhado de damas. Rebecca precisa de nós.

– Um punhado! – protestou Simon. – Elas são um enxame. – Ele fez uma pausa, considerando as opções. – Não me importo muito com o lugar para onde irei... desde que não haja mulheres por lá.

Jace pareceu alarmado.

– Nenhuma?

Simon riu pela primeira vez naquela noite.

– Bem, não nenhuma, obviamente. Mas seria pedir muito que não houvesse mulheres que tenham lido aquela revista ridícula?

George ergueu uma sobrancelha.

– Muito provavelmente.

– Lewis.

Os três cavalheiros se viraram ao ouvir o nome de Simon. O duque de Leighton estava parado ao lado da mesa. Alto e de ombros largos, ele teria sido um excelente viking se não fosse um duque, com os cabelos negros e a expressão dura. Mas hoje Simon percebeu que o homem parecia ainda mais rígido do que o normal.

– Daniel! Junte-se a nós. – Simon puxou com o pé uma cadeira próxima. – Salve-me desses dois.

– Sinto muito, mas não posso ficar – disse o duque, as palavras saindo entrecortadas. – Vim procurar você.

– Você e quase toda a população feminina de Londres – falou George, rindo.

O duque o ignorou enquanto se sentava e colocava as luvas na mesa arranhada. Depois de se virar para ficar de frente para Simon, quase bloqueando Jace e George da conversa, ele falou:

– Acho que você não vai gostar do que eu vim lhe pedir.

Simon pediu à garçonete um copo de uísque, profundamente consciente da angústia no olhar do amigo.

– Envolve fazê-lo se casar? – perguntou George com a voz seca.

Daniel pareceu surpreso.

– Não.

– Então acho que Simon vai atender seu pedido.

O duque deu um longo gole no uísque e buscou a atenção de Simon:

– Não tenho tanta certeza. Veja, não vim aqui atrás de Simon. Vim aqui atrás do bulan.

Um longo silêncio se seguiu. Jace e George se enrijeceram, mas não disseram nada e se limitaram a observar Simon atentamente. Simon inclinou-se para a frente, colocou os antebraços na mesa e juntou os dedos. Quando respondeu, foi em voz baixa, sem desviar os olhos de Daniel:

– Eu não faço mais isso.

– Eu sei. E eu não pediria se não precisasse de você.

– Quem?

– Minha irmã. Ela sumiu.

Simon se recostou na cadeira.

– Não vou atrás de fugitivos, Daniel. Devia chamar as autoridades.

A frustração de Daniel o fez se inclinar para a frente em um movimento precipitado.

– Pelo amor do Anjo, Lewis. Você sabe que não posso fazer isso. Vai estar nos jornais assim que eu for à polícia. Preciso do bulan.

Simon se encolheu diante da palavra. Ele não queria ser o caçador de novo.

– Eu não faço mais isso. Você sabe.

– Pagarei o que você quiser.

George riu disso, e o duque deixou escapar um rosnado.

– O que há de tão divertido nisso?

– Só a ideia de que meu irmão aceitaria pagamento. Não creio que você vá convencê-lo oferecendo dinheiro, Daniel.

O duque fechou a cara.

– Sabe, Lovelace, você nunca foi o meu irmão favorito.

– A maioria das pessoas acha a mesma coisa – retrucou George. – Eu lhe garanto que isso não me incomoda nem um pouco. Na verdade, confesso que estou até um pouco surpreso por você estar aqui, dignando-se a falar conosco, considerando a nossa “linhagem duvidosa”. Não é assim que você se refere a nós?

– George, já chega – disse Simon, evitando que o irmão fosse longe demais mexendo no passado.

Daniel Roberts pelo menos teve a decência de ficar envergonhado.

Por muitos anos, os irmãos Lovelace, apesar de serem aristocratas, haviam sido o alvo principal do desprezo do jovem Daniel. O escândalo que havia se abatido sobre a casa Lovelace quando os irmãos eram pequenos – sua mãe abandonara o marido e os filhos – tornara-os a presa ideal para as famílias mais imaculadas da alta sociedade, e Daniel, que era da turma dos dois irmãos em Eton, nunca deixara de lembrá-los dos atos desonrosos de sua mãe.

Até que um dia Daniel passou dos limites e Simon o imprensou contra a parede.

Esmurrar um duque não era algo de que o segundo filho de um marquês pudesse se safar em Eton; Simon sem dúvida teria sido expulso da escola se o irmão não tivesse assumido a responsabilidade pelo ocorrido. O futuro marquês de Ralston fora mandado para casa antes do fim do período, e Daniel e Simon chegaram a uma trégua hesitante, sem que ninguém soubesse o que de fato ocorrera.

A trégua se transformara em uma espécie de amizade, que florescera nos anos seguintes em Eton e murchara durante o período que Simon passara viajando pelo continente. Daniel já ascendera ao ducado e sua fortuna havia financiado, em grande parte, as expedições de Simon e Jace aos recessos obscuros do Oriente.

Daniel tivera um papel importante na criação do bulan.

Mas Simon não era mais aquele homem.

– O que você sabe?

– Simon... – começou Jace, falando pela primeira vez desde a chegada do duque.

Mas Simon ergueu a mão para silenciá-lo.

– Mera curiosidade – disse, apenas.

– Sei que ela sumiu – começou Daniel. – Levou dinheiro e um punhado de objetos que considera inestimáveis.

– Por que ela iria embora?

Daniel balançou a cabeça.

– Não sei.

– Sempre há um motivo.

– Pode ser que haja, mas eu não sei qual é.

– Quando?

– Há duas semanas.

– E você só veio me procurar agora?

– Ela havia planejado uma viagem para visitar uma prima em Bath. Passaram-se dez dias até eu perceber que ela havia mentido para mim.

– E a criada dela?

– Eu ameacei demiti-la e ela acabou confessando que Maia foi para o norte. Ela não sabia nada além disso. Minha irmã foi muito cuidadosa em cobrir seus rastros.

Simon se recostou na cadeira, a mente a mil, o corpo retesado de energia contida. Alguém havia ajudado a garota. Ainda a estava ajudando, já que ela não desistira e voltara para a casa do irmão. Fazia anos desde que ele localizara alguém pela última vez – havia se esquecido da emoção de uma nova busca.

Mas esta não era mais sua vida.

Viu o olhar preocupado do duque.

– Ela é minha irmã, Simon – disse Daniel. – Você sabe que eu não lhe pediria se fosse outra pessoa.

As palavras atingiram Simon profundamente. Ele também tinha uma irmã. E faria o que fosse preciso para mantê-la em segurança.

Maldição.

– Milorde?

Simon se virou ao ouvir uma voz feminina hesitante e viu duas moças de pé ao lado da mesa, observando-o avidamente.

– Pois não? – disse, cauteloso.

– Nós... – começou a falar uma delas, mas parou, insegura. A outra a empurrou na direção dele.

– Sim? – perguntou Simon.

– Somos fãs.

Ele piscou.

– De...?

– Do senhor.

– Minhas.

– Sem dúvida! – exclamou a outra garota, com um sorriso largo.

Então ela se aproximou, estendendo algo que parecia uma...

Simon praguejou baixinho.

– Estaria disposto a autografar nossa revista?

Ele ergueu a mão.

– Eu estaria, meninas, mas estão falando com o irmão errado. – Então apontou para George. – Ele é lorde Simon.

Jace bufou enquanto as duas desviaram a atenção para o marquês de Ralston, uma cópia deslumbrantemente linda de sua presa, e balbuciaram seu entusiasmo.

George mergulhou de imediato no personagem, dando um sorriso brilhante para as garotas.

– Eu ficaria feliz em autografar sua revista. – Pegou o periódico e a pena que elas estenderam e acrescentou: – Sabem, devo confessar que esta é a primeira vez que chamei a atenção de damas estando na presença de meu irmão. George sempre foi considerado o mais bonito de nós dois.

– Não! – protestaram as garotas.

Simon revirou os olhos.

– É verdade. Perguntem a qualquer um. Todos vão lhes dizer que o marquês é o mais bem-apessoado. Tenho certeza de que já ouviram isso. – Ele ergueu os olhos para elas com um sorriso sedutor. – Podem admitir, meninas. Não ficarei magoado.

George levantou a revista, exibindo a capa, que alardeava: Nesta edição: Os Lordes Londrinos Disponíveis!

– Sim... não há dúvidas de que isso vai fazer maravilhas pela minha reputação. Fico tão feliz em ver que está correndo a notícia de que estou à caça de uma esposa!

As garotas quase morreram de prazer.

Sem achar aquilo nem um pouco divertido, Simon olhou para Daniel.

– Norte, você disse?

– Sim.

Norte é um lugar enorme. Poderíamos levar semanas para encontrá-la – advertiu Jace.

Simon olhou para as duas garotas entusiasmadamente perto de George e então de volta para os homens à mesa.

– Estou disposto a fazer a viagem.


Notas Finais


Gostaram? Continuo ou não?
Críticas são bem-vindas!

Bjss de Luz! <3


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