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História 10 years - Capítulo 31


Escrita por: Anynaty

Capítulo 31 - 130


// Katniss

 O final de semana passou muito devagar, as palavras de Annie naquele dia fizeram minha mente se tornar muito criativa. Passei as últimas duas noites imaginando todos os cenários que eles se encontravam, imaginando se isso não ocorreu pelo menos uma vez ao longo dos nossos nove anos juntos.

Dispensei Johanna do serviço hoje, mandei uma mensagem dizendo que não precisava dela na audiência. Não aguentaria olhar para ela. Tenho que dar a notícia de que ela não vai mais trabalhar comigo, mas antes vou a encaminhar para outro lugar. Estou a demitindo por motivos pessoais, arrumar o outro lugar para ela trabalhar é o mínimo de ética que posso ter no momento.

Nunca me senti tão traída, nem toda aquela história do Peeta sair com outras mulheres, também quando ele disse que gostaria de conseguir estar com outra pessoa doeu tanto como ele e Johanna dói.

É diferente porque o fato dele continuar pensando nela desvalida toda nossa história. Tudo mesmo. Cada olhar, cada abraço, cada decisão é resumida a nada.

 

— Nossa. É tão importante assim? — Finnick finalmente aparece.

 

— Não exatamente importante, mas inexplicavelmente chocante. — Afasto meu corpo da parede e me aproximo de Finnick.

Estava o esperando no corredor de seu apartamento, não estou aqui a muito tempo, dez minutos no máximo.

Finnick abre a porta e faz sinal para que eu passe primeiro. Jogo todo peso do meu corpo no sofá sem piedade. Observo-o colocar a maleta de trabalho na mesa de centro, depois ele tira o blazer e se joga do meu lado.

— Como você está? — Pergunta ele ao desabotoar os três primeiros botões de sua camisa.

— Está com cara de quem cometeu um crime. — Ele me diz.

— Estou estressada.

 Finnick encosta a cabeça no sofá e me olha.

— Faz sentindo, seu trabalho é uma droga.

Penso em defender o meu cargo por um segundo, então percebo que de fato o acho uma droga agora.

— Como você está? — Pergunto por educação.

Finnick olha para frente e pensa um pouco antes de responder.

— Com saudade do Ben.

— E da Annie?

— Podemos não falar da Annie?

— Vocês pareciam bem na boate no final de semana.

Converso com Finnick como se não soubesse que Annie pretende afasta-lo o máximo do Ben.  Prefiro ficar assim, me recuso a interferir novamente. Logo, duvido que ele não vá perceber os objetivos de Annie.

— É. Eu disse a ela que pararia de a incomodar a uns dias atrás. Aquele dia na boate foi uma prova das minhas intenções.

— Você estava a incomodando antes? —Tiro meus sapatos e coloco os pés no sofá.

— Estava sendo o ex inconveniente que pede para voltar —Ele não me olha quando diz, até parece envergonhando.

— Você pedir para voltar depois de fazer o que fez, é realmente muita cara de pau.

— Eu sei. — Com a voz grave e levemente irritada ele me diz. — Eu queria a minha família de volta.

— Vocês vão ser uma família para sempre, vocês têm o Ben. Estão condenados.

— Eu queria a Annie de volta. — Ele especifica.

Uma vez que conversamos, Finnick disse que ainda amava Annie. Naquele momento, eu acreditei, agora não consigo deixar de pensar diferente pois percebi que ele só voltou pelo filho. Talvez Finnick não ame a Annie, talvez esteja se sentindo culpado por ter a deixado a Annie sozinha com o Ben. Aposto que ele pensa que se voltasse para Annie, poderia recompensar Ben por ter os deixado, não exatamente Annie. A existência do Ben o faz sentir culpado, aposto que se o Ben não existisse, Finnick não teria pedido para voltar ou ao menos voltaria para cidade.

— Você tem certeza?

Ele me olha por um tempo antes de responder.

— Tenho.

— Sério?

Ele revira os olhos.

— Olha, eu sei o que eu quero.

—  Não acho que saiba, afinal, você não voltou por ela.

— Eu não quero falar sobre isso. — Seu rosto repleto de confusão apresenta o fato de eu estar certa. — Você que disse que precisava conversar.

— Tudo bem, não vamos falar sobre isso. Só pensa nisso ao menos.

— Tudo bem. Chega. — Finnick se remexe no sofá— Me fala o crime que você cometeu.

 Arrumo a postura no sofá para contar a minha mais recente fofoca.

— Eu fui a vítima, na realidade. — Olho para ele — Vítima de um adultério muito feio.

Finnick levanta uma das sobrancelhas e seu rosto está beirando a algo divertido. Ele luta para não deixar uma risada escapar dos lábios.

— Adultério? O que foi? Peeta arrumou uma namorada? Katniss, isso iria acontecer uma hora ou outra. Você que pediu o divórcio, lembra? Viu ele com outra e se arrependeu?

— Olha, cala a boca. Peeta estava saindo com outras mulheres antes de divorciar.

— Mas não era sério, você sabe. Agora é sério e você está amargosa. — Finnick se deixa rir

— Peeta não tinha coragem de beijar aquelas mulheres. Se eu fosse o Peeta, teria as amado em cima de um monte de tinta, seria sexy.

— Cala a boca! Você é nojento, sabia?

Eis aqui o verdadeiro Finnick Odair. Sem as rédeas de Annie para doma-lo.

Graças a ele, a imagem de Peeta rolando em tinta com a Naya é perfeita na minha cabeça agora, depois vem seguida do beijo nojento da Rachel, depois o imagino fodendo com a Johanna.

— E você ficava flertando com caras aleatórios nessa pira de tirar a aliança. — Finnick suspira — Gosto de pensar nos erros de vocês, me faz sentir menos canalha.

— Eu não dormi com ninguém, ao menos. — Digo com o objetivo de o alfinetar. Então, volto ao assunto desejado: — O problema não é o fato dele estar namorando, o problema é quem é a namorada.

É verdade que eu teria problemas com qualquer mulher que ele namorasse, mas essa mulher ser Johanna é o maior caos.

— Quem é a sua vítima? — ainda bem humorado Finnick me pergunta.

— Johanna Mason. — Digo a ele.

Toda diversão de seu rosto vai embora em questão de segundos. Finnick tem os olhos levemente arregalados e eles piscam duas vezes. Ele entende o quanto isso é sério, o quanto é desastroso, e quanto é destruidor.

— Isso é mentira — Ele diz a mim, duvidoso.

— Annie me contou, mas não me disse quem contou a ela. Talvez o próprio Peeta tenha contado, não sei.

O estresse pesa nos meus olhos, coço-os com as duas mãos. Então percebo que preciso fumar.

 

— Então, eles não sabem que você sabe?

— Não. Eu soube que ela estava com o Cato, e eu tinha visto umas camisetas na casa dela a alguns meses atrás, acreditei que era o Cato. — Me levanto e vou até a maior janela que ele tem na sala. — Talvez ela tenha ficado com o Cato no passado também, e ainda tem o Gale.

Acendo meu cigarro e me encosto na janela. Finnick me olha por um tempo, ele está chocado. Também fiquei muito surpresa, mas não devíamos ficar, afinal é Peeta e Johanna.

Peeta e Johanna sempre.

Tenho que falar com Johanna ainda hoje, pois ela não vai trabalhar comigo amanhã. Não quero falar com o Peeta, sinto muita raiva dele e da Johanna, mas com ele eu sei que as lágrimas serão de tristeza, não de fúria. Penso que tenho que manter o controle ao falar com ela, ou eu posso acabar esbofeteando o seu rosto e ela o meu, temo que Johanna seja melhor de briga do que eu.

— E o que você vai fazer? — Ele me pergunta.

O Marvel me deu a oportunidade perfeita para foder tudo de uma vez, hoje ele encaminhou uma mensagem para todos nós irmos em seu apartamento para falar do aniversário da namorada dele, e ninguém nega nada ao Marvel. Todos vão estar lá, inclusive Gale e infelizmente o Peeta.

— Eu vou contar para o Gale na frente dela. Eu vou foder ela por completo. No mínimo alto o suficiente para o Cato escutar também, mas duvido que ele se importe.

Assopro a fumaça para fora do apartamento.

Eu sei que Johanna não é a única culpada, talvez Peeta seja o maior culpado. No entanto, Johanna cansou de me garantir que não sentia mais nada por ele, ela era extremamente envolvida na minha vida, quase que literalmente o meu braço direito. Sem contar aqueles dias na minha casa, ela foi até o Texas porque estava com saudades de mim. Que merda é essa? Ela faz tanta questão de um jogo do duplo assim? O que ela queria, se certificar ao desespero que eu não queria mais o Peeta?

A quanto tempo ela quer o Peeta?

A quanto tempo ele a quer de volta?

— Ah, vai fazer isso hoje? Tipo no Marvel?

— Sim. Vou aproveitar a oportunidade. — Tiro o cigarro dos lábios — Vou demiti-la também.

— Isso está beirando a humilhação, Katniss. — Finnick fica de pé. O seu tom de voz não vem com julgamento e nem com empatia.

— Que pena, não é? — Digo com o máximo de sarcasmo para que ele perceba que eu não dou a mínima.

— Então, vamos até o Marv. — Com o tom animado, ele tira a camisa e veste outra aleatória que tinha deixado na poltrona.

 

Eu nunca senti tantas coisas ruins por alguém como estou sentindo agora, não é ódio. É algo ainda mais forte do que um extremo nojo, é mais forte do que repulsa. Olhar Johanna me faz sentir um gosto amargo subir da garganta para a língua.

Agora, estou sentada no sofá de Marvel e Cato, ao lado de Finnick e convenientemente de Gale. Peeta me olha às vezes, mas o único motivo dele me olhar é por estar próxima de Gale. Também não aguento olhar para o Peeta, mesmo com tudo que aconteceu entre nós eu não sentia que a nossa história tinha sido em vão, agora eu sei que foi tudo uma grande merda. Eu sou uma idiota ingênua e a Annie sempre esteve certa.

Quando meus olhos caem sobre Peeta, o meu estomago embrulha. Ele é um estranho. Tive essa sensação com ele outras vezes, mas agora é forte demais. Eu não faço ideia do que o Peeta é capaz. Eu não o conheço, Johanna o conhece.

Quais são as chances de ele ter voltado com ela só para me destruir? Se esse for o objetivo dele, o mínimo que posso fazer é forçar uma indiferença em relação a isso, talvez isso o afete.

— Tudo bem, Annie disse que não pode vir. Então vocês estão encarregados de passar o recado para ela. — Marvel se vira para nós ao enfiar o celular de volta no bolso da calça.

Estamos todos aqui, espalhados pelo sofá, poltrona e chão.

Johanna está longe de mim e longe de Peeta. Acho que nunca ficamos tão quietos reunidos, todos sabem que está acontecendo algo, mas algumas pessoas não sabem o que.

Nick está sentado no chão, mas os olhos dele me alcançam às vezes. Você quer me contar algo, Nick?

— Então, eu pedi para vocês virem aqui por que eu preciso pedir um grande favor a todos vocês. — Marvel começa sorridente. Ele enfia as mãos nos bolsos — No final do mês que vem é aniversário da Anne, e o sonho dela sempre foi fazer uma grande festa a fantasia. Então, eu a encorajei a fazer uma nesse ano e ela amou a ideia, mas ainda está insegura por conta de algumas pessoas que disseram que ela está velha demais para isso — Marvel começa a falar rápido — Então eu queria saber se vocês poderiam…

— Eu topo — Diz Cato interrompendo o Marvel. — Nem precisa terminar.

Provavelmente Cato sabia o que seria dito. Estranho Clove não estar aqui também, será que Marvel também não gosta dela?

—  Você chamou todo mundo aqui só para fazer um convite, não podia mandar mensagem? — Gale.

— Eu preciso de uma garantia de que todos vocês vão estar fantasiados. — Marvel — É o sonho dela, eu quero que seja perfeito.

— Vocês dois já não fazem essas coisas de cosplay e tudo mais? — Johanna.

— Mas a festa a fantasia é o sonho dela, é diferente. No ensino médio pregaram uma peça nela em uma festa de halloween, todo mundo foi com vestimenta normal e ela estava fantasiada de Edward mãos de tesoura. — Marvel explica — Isso é traumático, vocês são todos bonitos, não sabem o que é sofrer bullying por ser nerd ou magro demais, ou gordo demais ou ter espinhas demais.

Sorrio com a preocupação do Marvel.

— Eu vou — Digo a ele — Só quero saber qual vai ser a fantasia dela, só para não ter risco de estragar tudo.

— Isso! — Marvel comemora e depois olha para o Peeta, esperando sua resposta a partir da minha.

— Tudo bem. — Peeta diz.

— Eu vou de Mia — Johanna.

Poderia levantar mais uma questão neurótica na minha cabeça por Johanna ter confirmado depois de Peeta, mas eu sei que ela não negaria nada ao Marvel. Finnick não precisa dizer nada, pois sabemos que ele também adora o Marvel.

— Eu também nunca fui em uma festa a fantasia, pode contar comigo. — Nick.

— Se a Johanna vai, eu vou — Gale.

— Vocês são as melhores pessoas do mundo! — Agitado Marvel nos agradece — A fantasia dela vai ser de Emma Frost, então todas as meninas longe da Vampira e da Feiticeira Escarlate também da Jean Grey pois são mais poderosas e…

Quem é Emma Frost?

— Elas já sacaram Marvel, está tudo bem. — Cato interrompe o amigo novamente.

— Vocês são incríveis. Eu comprei cerveja caso vocês topassem, é um agradecimento. — O sorriso bate de orelha a orelha quando ele se vira em direção a cozinha.

— Por que vocês são assim com ele? — Pergunta Gale — Todos estavam olhando como se ele fosse um adolescente quase inocente.

— Por que é o Marvel, sabe o Marvel. — Respondo a ele.

— Ele usa xampu de bebê e simplesmente não se importa de cheirar como um bebê, ele é paciente, simples e bondoso.  — Diz Cato — Você nunca vai conhecer alguém como o Marvel.

— Não custa nada se fantasiar para deixá-lo feliz. — Acrescenta Johanna.

Gale ainda nos olha meio sem entender o carinho que temos pelo Marvel. Acho que Marvel gera a mesma empatia que sinto com relação a ele em todos os outros. Ele é simplesmente adorável.

Marvel tem uns trinta anos e ainda tem aquele ar puro em sua volta. Anne loira é sortuda.

Marvel volta em pouco tempo e nos entrega cervejas, não demoro cinco minutos para acabar com a minha. Fico ansiosa para falar o que tenho para dizer, mas fico indecisa se começo pela Johanna ou Gale. Sinto vontade de fumar, mas seguro pelo fato de Gale puxar conversa comigo. É um sinal.

— Posso adivinhar do que você vai se fantasiar? — Ele pergunta com um leve sorriso.

— Eu ainda não pensei em uma fantasia.

Ele bebe um pouco de cerveja.

— Então eu posso dizer as que você consideraria?

— Sinta-se a vontade. — Me encosto no sofá e o observo pensar.

— Trinity do Matrix, Sandy transformada é claro. Talvez aquela personagem do jogo que eu tinha na minha casa, você era obcecada por ela.

Pisco algumas vezes. Eu totalmente consideraria todas elas.

— Lara Croft. Não se lembra?

— Lembro, — Ele sorri e olha nos meus olhos — Queria saber se você lembraria. Enfim, eu apostaria que você se vestiria de Sandy de novo. Lembra no colégio?

— Lembro. — Digo a ele envergonhada.

Foi uma das poucas festas que fui no colegial, me deu um trabalhão para cachear meu cabelo.

—  Vai usar o Danny Zuko de novo? O seu cabelo está perfeito para um topete.

Gale foi meu par na festa. Sandy e Danny. Nessa época eu acreditava que seria para sempre.

— Não, eu quero algo ainda mais fácil. Talvez Bruce Springsteen no Born in the USA.

— Um lenço vermelho no jeans?

— Exatamente — Ele da risada — Só vai me custar cinco dólares, no máximo.

Depois de leves sorrisos o silêncio fica entre nós novamente.

Olho para o Peeta e depois para Johanna.

Vai se foder e vai se foder.

— Gale — Digo em um tom mais alto que o normal. Viro topo meu corpo em sua direção. — Eu tenho uma coisa para te dizer.

O pescoço de Finnick quase quebra ao se virar em nossa direção. O meu tom de voz chama um pouco a atenção de Johanna, o que é ótimo.

— A Johanna está dormindo com o Peeta, de novo. Eu até acho que eles voltaram.

Ouço um engasgo muito alto atrás de mim, seguido de um palavrão quase gritado e cerveja cuspida no tapete. Me viro para ver Cato tossindo e me olhando.

O silêncio é pesado nos primeiros minutos, tenho tempo de olhar o rosto de cada um deles. Marvel está com os olhos super arregalados. Nick está pálido e Johanna nem ao menos pisca.

— Eu não contei! — Nick fica de pé e vai em direção a Johanna;

Então foi ele que contou a Annie.

— O que? — Gale fica de pé e vai devagar até a Johanna. Seu olhar é de extrema confusão. Aposto que ele vai querer arrumar uma briga com o Peeta.

— Que simples — Ouço Finnick sussurrar em quanto fico de pé.

— Vamos embora. — Digo a ele.

— Quando crescer quero ser que nem você — Ele diz baixinho em quanto acompanha os meus passos até a Johanna.

— Está demitida. — A olho nos olhos — Não precisa buscar suas coisas, eu mando entregar.

Johanna apenas pisca para mim, seus olhos ficam vermelhos. A possibilidade de lágrimas não me comove, apenas me faz sentir mais nojo. Gale está falando com ela, mas ela não parece ouvir nada. Apenas me encara.

Passo reto pelo Peeta até chegar na porta. Seus olhos apenas me seguem. Peeta não se da o trabalho de dizer algo, mas não importa. Não estamos juntos.

— Eu não estou dormindo com o Peeta, eu estava saindo com o Cato. — Johanna me alcança na porta.  — Isso é loucura, você sabe que eu nunca faria isso com você e…

— Eu não acredito em você. — Me viro totalmente para ela, irritada e pronta para gritar se for necessário.  — Você ainda tem coragem de mentir, é surpreendente.

O plano até poderia ser jogar a bomba e ir embora, ser indiferente. Só que o gosto amargo na minha boca se tornou mais forte. Olhar para Johanna com essas lágrimas nojentas nos olhos faz meus dedos coçarem.

— Como ficou sabendo disso? — Ela se aproximou ainda mais de mim. — É mentira. É loucura, você sabe que é loucura.

— Annie me disse. Ela não tem motivos para mentir.

— Ah, merda… — Nick resmunga atrás de Johanna.

— Eu não acredito que você contou — Johanna se vira para Nick.

— Eu não sabia que vocês estavam dormindo juntos, eu falei do beijo. — Nick explica com pressa, se afastando da Johanna.

— Eu não dormi com o Peeta! — Johanna se vira para mim novamente.

— Mentira. Eu duvido que vocês não estejam transando — Olho para o Peeta — É isso que vocês fazem, não é? Fodem da forma mais nojenta possível.

Peeta está calmo, como se não fosse com ele. Eu o odeio por isso. Ele queria me machucar, deve estar aproveitando o show.

— Eu estava dormindo com a Johanna, não era o Peeta. — Cato me diz ao se aproximar.

— Johanna! — Gale passa por mim e a alcança — Com quem você não dormiu?

Johanna aperta os olhos quando Gale se aproxima.

— Johanna! — Gale diz mais alto e a segura pelo braço.

Gale está furioso, ele está vermelho. Falta pouco para sua cabeça começar a sair fumaça.

— Eu realmente tenho que esclarecer as coisas agora, está bem? —Johanna abre os olhos e o responde alto — Depois agente conversa. — Ela o olha nos olhos.

— A gente vai conversar agora — Gale a puxa pelo braço.

— Agora não! — Johanna balança o corpo tentando se soltar, mas Gale a segura forte demais. Posso ver as pontas de seus dedos ficando brancas na pele da Johanna.  — Eu não quero falar com você agora. — Mais uma vez, Johanna tenta se soltar, mas Gala continua a puxa-la. — Me solta!

Annie também estava certa sobre Gale, talvez ele seja realmente levemente perigoso.

— Cara, você não vai sair da aqui com ela. — Finnick fica na frente da porta com a postura intacta. Ele olha para Gale irritado.

— Solta logo ela — Peeta diz ainda de longe.

O olhar do Gale vai como laser até o Peeta. Então, com brutalidade ele solta a Johanna. Finnick a puxa para perto de si e eu posso ver a marca dos dedos de Gale em seu antebraço. Acho que agora odeio mais Gale do que odeio Johanna e Peeta, o odeio por ser assim. Odeio por a tratar assim. Sem contar que se alguém fosse deixar uma marca nela hoje, teria que ser eu.

—Você está adorando isso, não é? — Gale diz a Peeta. — Isso foi vingança? Você precisa crescer Peeta, passaram-se anos e você não estão mais juntos. Tem que superar, sem contar que não foi culpa minha — Gale diz com o mais doloroso veneno nos lábios — Sua esposa que correu até mim, não se lembra?

A respiração do Peeta pesa, e eu sei que com mais um passo eles vão começar a brigar. Conheço o limite dos dois.

Eu deveria deixar Peeta tirar sangue do Gale de novo, mas dessa vez eu não tenho nada a esconder. Tenho que admitir que adoraria ver Peeta sangrar um pouco hoje também.

— Cala a merda da sua boca — Vou até o Gale — Você sabe o que você ficou fazendo comigo naquele dia. Eu sei que fui eu que tive a iniciativa, mas você ficou insistindo o dia inteiro, ficou enchendo a minha cabeça de coisas sem sentido, você sabia que eu estava com saudade do Texas e da nossa amizade, então você se aproveitou de mim. Você se esqueceu? — Fico mais perto do Peeta e de frente para o Gale — ‘’Você tem certeza que quer ficar com ele?’, ‘’ Eu e você somos melhores’’, ‘’ você deveria ouvir sua mãe’’, ‘’ isso foi rápido demais, não tem a mesma segurança que nós ‘’, ‘’ ele não pode gostar de você como eu ainda gosto’’.  — Tento imitara voz dele, mas sai de forma ridícula. —  Isso é assédio psicológico.  — Concluo.

Sem estar aqui, Annie Cresta se torna a heroína da noite.

Lembro que Gale disse que Peeta estava atrasando a minha vida, exatamente como a minha mãe. Ele disse esse tipo de coisa durante aquela tarde inteira, eu sei que não absorve a minha culpa, mas ao menos me sinto menos suja.

— Por que você nunca me contou essa merda? — Peeta diz ao meu lado, seu olhar está diferente em cima de mim.

Eu o ignoro.

— Você é um nojento — Digo a Gale.

Gale me pediu desculpas por essas palavras na época, mas a atitude dele com Johanna mostra o quanto o pedido de perdão foi vazio. Não houve mudança.

O peito de Gale levanta e abaixa com muita força. O ódio está queimando lá dentro agora. Tudo bem ele estar com raiva por ter sido traído, mas arrastar Johanna daquele jeito foi o cúmulo. O que ele teria coragem de fazer sem ninguém por perto? Cada mínimo sinal de violência deve ser observado.

O clima está pesado, silencioso e beirando a violência física. Gale olha em volta, talvez ele estivesse considerando começar uma briga, mas ele não é burro, sabe que seriam três contra ele. Tirando Marvel e Nick da conta.

— É melhor ir embora, cara. Não queremos um massacre. —  A voz sensata de Marvel ecoa no silêncio.

Finnick abre a porta e a Johanna da espaço para que o meu melhor amigo de infância passe.

Depois que Gale se vai, ainda nos encontramos intactos parados no mesmo lugar. Olhares farpados sendo trocados, desconfiança e receio.

— A gente precisa conversar — Peeta é o primeiro a quebrar a corrente de silêncio pesado. Ele está perto de mim, por pouco sinto o calor de seu corpo nas minhas costas.

Não sei se é a decisão certa ficar e ouvir. Aposto todas as minhas cartas que não será bom ouvir as façanhas mentirosas que eles vão criar pelo nervosismo. Eu escolho ficar. Essa é a última vez que vou ficar por eles. É a última vez que fico pelo Peeta.

O ar se torna denso ao entrar no meu corpo, é difícil respirar. No entanto, eu me viro para ele. Junto forças para olhar em seus olhos.

— Pode falar.

— Só nós dois. —  Seu tom de voz é certeiro, não tem brechas. Peeta não se mostra incomodado ou nervoso em momento algum, ao meu ver ele não tem arrependimentos.

— Não. Não. — Johanna se põe entre mim e Peeta. — Se todos nós estamos aqui, vamos esclarecer juntos.

Não consigo conter o meu sorriso de sarcasmo assim que seus olhos caem em cima de mim. Estava incomodada antes, mas esse teatro repleto de falsa empatia de Johanna desperta algo a mais.

Com convicção demais, ela olha nos meus olhos. Se mentira fosse algo que pudesse ser tocado, seriam essas lágrimas escassas em seu rosto.

Johanna continua a insistir nas mesmas palavras como se eu fosse completamente idiota. Johanna diz que não aconteceu nada, que é mentira e que eu não sei de tudo. Johanna está tão agitada que está um pouco soada.

— Não estamos juntos. Não aconteceu nada. — Ela diz ainda insistindo.

O quão idiota ela pensa que eu sou?  Johanna é inacreditável.

— Johanna…— Peeta diz devagar. — Chega. Se você não falar, eu vou.

— Eles se beijaram na minha frente, Johanna ficou me aterrorizando para não contar, mas eu contei para Annie. Eu também não fazia ideia de que eles estavam transando — Nick diz tudo isso muito rápido. Ele explode. — Eles esqueceram que eu estava presente e aconteceu, eu não tenho nada a ver. Me desculpa. — Nick chega perto de mim. — Sinto muito mesmo.

Uma troca de olhares ocorre entre os três, mas a última reação de Nick é ir embora. Nick se vai visivelmente aliviado.

Eu não tenho palavras, não há nada que eu possa dizer. O que seria válido? Xinga-la? Chama-la de mentirosa?

Não demora muito para Johanna começar outro discurso de arrependimento. Vejo Peeta revirar os olhos. Vejo Johanna em seu pleno desespero.

O que ela quer? Ela sabe que não existe nada que amenize essa situação. Não é só sobre o Peeta, é sobre o fato de ela ter se tornado a minha amiga, minha irmã, minha parceira de trabalho. Se ela me contasse que o Peeta estava flertando com ela ou tivesse a roubado um beijo, eu a defenderia e ela me ajudaria a matá-lo. Eu a escolho, mas Johanna não me escolhe.

— Katniss, não significou nada. Não estamos transando, não estamos tendo nada. — Ela repete olhando nos meus olhos.

Eu estou cansada, estou remoendo isso a tempo demais para ao menos considerar a acreditar em tamanhas falácias. A atitude de Johanna apenas faz o incomodo ferver, faz as pontas dos meus dedos coçarem. Ela está perto demais, a oportunidade é clara demais. Eu disse para mim mesma que não, mas a fúria às vezes pode ser mais rápida que a racionalidade. Em tempo recorde, consigo acertar o rosto de Johanna com a palma da minha mão. Ela me olha ao colocar as mãos na bochecha em que eu acertei. O meu corpo inteiro se torna mais leve, a adrenalina toca meus pulsos implorando que eu faça mais disso e eu faço. Nunca fui do tipo que gosta de protagonizar espetáculos violentos, mas o show de hoje foi longe demais mesmo.

De alguma forma, eu e Johanna acabamos no chão. Ela diz coisas em quanto tenta manter minhas mãos afastadas de seu pescoço, mas eu preciso tanto machucá-la que ao menos consigo dar ouvidos. O meu erro é ter o cabelo maior que o dela, Johanna alcança os meus fios e me puxa de uma vez para esquerda. Logo, ela está em cima de mim. Tento acertá-la com tapas, mas suas mãos tomam meus pulsos. Uso uma força que estava fora do meu conhecimento para me soltar, a acerto algumas vezes, Johanna me acerta em outras. A puxo pelo cabelo e ela faz o mesmo.

Por mais que seja doloroso, eu gosto de agredi-la. Pensar em todas as coisas quais dividi com ela na vida, me faz ter mais força. Pensar em todas vezes que ela e Peeta provavelmente mentiram para mim, me faz ter vontade de matá-la e depois caçar Peeta para matá-lo também.

A verdadeira traição em sua melhor faceta é essa. O gosto é amargo demais.

A alcanço no pescoço, aperto meus dedos em sua pele até sentir os músculos da região. Suas mãos tocam as minhas na tentativa de me fazer parar. Talvez eu não a mate, mas posso machucá-la o suficiente para que ela não se esqueça. Os olhos dela estão começando a ficar maiores, sua pele beira a palidez. Estou determinada a estrangulá-la até que fique roxa.

Agora Johanna não quer evitar nossas agressões, agora ela está irritada, agora ela também quer me acertar, mas duvido que sua vontade seja maior que a minha.

Johanna é tirada de cima de mim, mas luto contra os braços que também estão me tomando para a alcançar novamente. Dou uma cotovelada em Marvel que me segura pela barriga, mas ainda não é forte o suficiente. Piso em seu pé e depois dou uma cotovelada na altura de seu pescoço, Marvel me solta. Sou rápida para alcançar Johanna na minha frente de novo, ela está sendo segurada por Finnick, mas isso não me impede de puxá-la pelo cabelo.

Você quer irritar uma mulher? A puxe pelo cabelo.

É fácil fazer Johanna se soltar de Finnick, afinal nenhum dos homens da sala vai nos segurar com muita força com medo de nos machucar. Empurro Johanna na parede atrás de nós. Finnick se aproxima de mim dizendo meu nome, pronto para tentar me controlar também, mas minha reação reflexiva é o chutar na barriga, pode não ter machucado, mas sem dúvidas doeu, pois isso é o suficiente para afastá-lo.

Johanna me derruba no chão, acho que a queda faz todos os ossos da minha coluna doerem. Não tenho força por uns segundos, então recebo socos em meu rosto. Exatamente como eu suspeitava, Johanna é mais forte do que eu. Não sei exatamente como, mas acabo em cima dela novamente. Meu primeiro soco é certeiro demais em seu nariz, acho que é o meu golpe mais forte até agora.

Estou pronta para dar o meu melhor segundo golpe, mas sou tomada nos braços de uma pessoa não tão gentil quanto Marvel e Finnick. Peeta me segura com força de verdade, os braços dele em minha volta fazem minhas costelas doerem. Tento me soltar, tento dar cotoveladas e remexo minhas pernas que nem ao menos tocam mais o chão. A sensação de irritação é tão extrema que toma meu corpo por inteiro, tudo que sinto agora é algo pegando fogo em todas as minhas juntas. Odeio o fato de ele estar tocando em mim. É nojento. Se eu tivesse oportunidade de enforcá-lo, eu não soltaria quando sua pele estivesse roxa, eu o soltaria quando estivesse desacordado.

Alcanço seu cabelo de mal jeito e estou pronta para puxá-lo, mas Peeta tem vantagem por eu estar de costas para ele. Peeta junta meus braços em meu corpo, e os seus braços fazem uma volta completa ao redor do meu corpo. Ele me segura com muita força, estou imobilizada.

— Você é louca!  — Johanna grita para mim. Ela se solta nos braços de Cato e depois limpa o sangue que eu fiz sair de seu nariz. — Olha, eu não estou apaixonada pelo seu marido idiota se é isso que você está pensando. Eu gosto do Cato de verdade.

Gosta tanto do Cato que decide namorar o Gale e transar com o Peeta. Claro. Honesto e verdadeiro amor. Se esse é o jeito de amar dela, tudo faz sentido agora.

— Não é por causa desse idiota, é por causa de nós duas. — Digo a ela, ainda tentando me soltar do Peeta. — Você também era a minha família, Johanna. Você era a minha outra metade quase que literalmente.

Nossa conexão costumava ser forte demais, eu e ela tínhamos uma sintonia quase que perfeita. Esses pontos de laços fortes foi o que fez a ex-namorada do meu marido se tornar a minha melhor amiga. Johanna era minha, simples assim.

— Peeta, me solta agora! — Ordeno, cansada de lutar contra seus braços.

— Não. — Ele diz, e simplesmente não me solta.

Piso em seu pé uma, duas, três e quatro vezes, mas ainda continuo imobilizada.

— Eu achei que ele queria me beijar, então eu beijei. — Raivosa, Johanna dispara.

Mesmo que Peeta a implorasse um beijinho, ela não poderia. No entanto, pelo o que eu entendo, ela o queria de qualquer jeito.

— Eu não queria — Peeta diz baixo.

— Aposto que também não queria transar com ela.

— A gente não transou. — Ele me diz pausadamente.

— Olha, eu não sei o motivo de vocês dois ainda estarem tentando mentir para mim e eu particularmente estou até com medo de descobrir. Então, foda-se, tanto faz. Espero que vocês fiquem juntos. Aliás, até peço desculpa por atrapalhando vocês dois no passado, sério, isso tudo é minha culpa. — Viro meu pescoço para tentar olhar para Peeta — Me desculpa por ter feito você ficar nove anos longe do verdadeiro amor da sua vida.

Lembro como me senti quando descobri sobre eles dois, eu estava casada com ele, mas ainda sentia que estava o tomando dela. Porém, essa parte, não é sobre a Johanna, é sobre ele. É sobre como a culpa é dele.

— Para de falar besteira — Ele diz baixo o suficiente para que só eu possa ouvir.

— Me solta agora — Rosno de volta a ele.

— Vai conversar comigo se eu te soltar?

— Não. Não tenho nada para falar com você.

É perigoso me deixar com ele agora, hoje estou realmente disposta a matar alguém. Por incrível que pareça, Peeta é o primeiro da lista.

— A gente precisa conversar. — Ele diz com calma.

Quando me dou conta, também estou sendo arrastada em direção a porta. Olho para Finnick esperando uma posição e defesa como ele fez com a Johanna, mas ele ignora completamente meu olhar apelativo. Não tento lutar contra Peeta, pois agora estou sentindo as dores das agressões de Johanna no meu rosto, também sei que a minha força jamais seria o suficiente para espancar Peeta.

— Eu juro que se você não me soltar, eu vou começar a gritar.

— Pode gritar. — Ele diz ao fechar a porta que acabamos de passar.

Me solto quando ele me segura apenas com o braço. O olho com seriedade apenas para tentar o convencer de não conversar. Eu não chorei pelo o acontecido até agora e quero permanecer assim. Vou ter que tentar o agredir com o auge da minha toxidade e atirar qualquer objeto que encontrar a minha volta em sua direção, para tentar descontar com força e não com lágrimas.

—  Eu realmente não quero conversar com você, não quero agora e nunca mais. Estou muito cansada, Peeta. Você não tem ideia do quanto eu estou cansada.

Eu estou com raiva dele, mas estou ainda mais triste porque a nossa história inteira foi reduzida a uma decisão falha dele. Os momentos reconfortantes que eu fazia questão de guardar na minha memória foram reduzidos a ilusões. Agora parece que o meu Peeta, o homem que casou comigo, nunca existiu.

Engulo todos os nós dolorosos que se formaram na minha garanta e luto com tudo que posso para não deixar nenhuma lágrima escorrer. Não consigo olhar para ele.

— Katniss, eu sei o que você está pensando. Precisamos esclarecer. —  A voz dele é doce e paciente, e ainda tem a ousadia de soar empática. — Por favor?

— Peeta, não precisamos disso. — Digo sem o olhar — Eu não vou te desculpar, eu não preciso te ouvir. É o suficiente. Fomos o suficiente. Vamos poupar um ao outro dessa vez, por favor?

Eu me viro e Peeta não tenta me segurar, pela primeira vez me sinto agradecida por ele não vir atrás de mim. Peeta não emite nenhum som em quanto ando até as escadas para ir. Fecho os olhos quando estou parada em um degrau, longe e segura o suficiente para chorar.


Notas Finais


Monas, me desculpe pela demora. Essa semana vamos ter mais dois capítulos pq decidi jogar minha vida para o ar e viver de fanfic kkkk
Agora, se voces estiverem achando a história confusa podem me dizer que eu posso tenta melhorar o desenvolvimento e tudo mais.
Muito obrigada por ler e pelos comentários de apoio no capitulo anterior.
Beijo! <3


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