1. Spirit Fanfics >
  2. 106, A Room to Forget >
  3. Obras do Destino

História 106, A Room to Forget - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Olá!
Antes de qualquer coisa, aqui vai meu sincero agradecimento para o @AnjoCritico2511, essa pessoa que teve uma paciência de Jó para me aturar mandando mensagem a cada cinco minutos perguntando se o desenvolvimento da história estava bom. Obrigada, coisa fofa!
E, bem, aqui está o último capítulo dessa história que se tornou uma das minhas preferidas. Espero que gostem e tenham uma ótima leitura!

Capítulo 3 - Obras do Destino


Fanfic / Fanfiction 106, A Room to Forget - Capítulo 3 - Obras do Destino

 

   Os feixes luminosos atravessavam o vidro da janela, iluminando e aquecendo o quarto 106 quando um novo dia começou. Ainda de olhos fechados, Baekhyun esticou o braço em meio aos lençóis em busca do homem com quem havia dormido, abrindo-os aos poucos somente quando não o encontrou.

   Ergueu o tronco com esforço, sentindo uma dor incomoda por quase todo corpo, para logo passar as costas das mãos pelas laterais do rosto ao se dar conta de que estava sozinho. O sentimento ruim da decepção chegava pouco a pouco, como se apenas aguardasse uma oportunidade de destruir qualquer expectativa que ele tinha de se sentir melhor naquela manhã. Era péssimo estar solitário mais uma vez.

   As lembranças dos momentos que passou com Chanyeol vinham à sua mente como fragmentos de memórias curtos e fora de ordem enquanto ele olhava para alguns cantos do cômodo. Havia sido tão incrível que chegava a temer que fosse apenas uma ilusão criada por seu imaginário.

   Seguiu para o banheiro com passos lentos, contemplando o reflexo do seu torso desnudo no espelho. Suspirou em alívio por saber que não tinha sonhado com aquele acontecimento, mas o tinha vivido, e as marcas espalhadas por seu corpo eram prova disso. Não se importava de tê-las, não quando estas lhe traziam recordações tão boas.

   Retirou as lentes de contato e as higienizou antes de guardar. Seus olhos estavam vermelhos por ter dormido ainda com elas, mas o detalhe de tirá-las nem se passou por sua cabeça quando estava tão imerso na ideia de colocar seu plano em prática e muito menos quando estava aconchegado ao corpo quente do Park como na noite passada.

   Tomou um banho rápido e vestiu roupas cômodas para a viagem que teria dentro de pouco tempo.

   Não sentia fome naquela manhã. A única coisa que verdadeiramente sentia era a decepção de não encontrar Chanyeol deitado ao seu lado naquele amanhecer.

   Acabou por deitar novamente na cama, puxando boa parte dos lençóis para si na intenção de aspirar do cheiro natural do camareiro que havia se impregnado ali. Aquilo estranhamente o acalmava.

   Passou minutos seguidos daquela forma, mantendo os olhos cerrados enquanto não pensava em nada que não fosse referente àquele homem. Foi então que uma ideia veio à cabeça, como um clarão repentino, que chegou a assustá-lo com a própria constatação. Seu desapontamento não era causado pelo fato de não acordar ao lado de Sehun, mas pelo Park não estar ali. Não era do Oh que se recordava, pelo menos por alguns instantes, enquanto seu corpo fervia na madrugada passada... era de Chanyeol.

   Então era disso que precisava? Não de reviver todos os acontecimentos daquela data, mas de reencontrar o mesmo sentimento forte que sentia por Sehun em outro alguém?

   Respirava fundo, sem ter uma resposta certa para aquelas indagações ainda. Era tudo muito confuso e cedo demais para chegar a qualquer conclusão.  Só tinha uma única convicção naquele momento: de que desejava ver o Park novamente. Ele lhe traria esclarecimentos.

   Levantou-se com pressa, na esperança de ainda encontrá-lo pelo hotel, reunindo seus pertences na mala e saindo do quarto.

   Podia jurar que ver aquele corredor do High Wave naquela manhã, na mesma data e horário em que a maior tragédia da sua vida ocorreu seria um desafio. No entanto, conseguiu andar por ele calmamente, o sentimento de superação ganhando força sobre seus traumas aos poucos.

   Chegou à recepção, cumprimentando o funcionário que estava ali e iniciando o check-out. Seus olhos divagavam nervosos para encontrar o rosto do Park dentre as pessoas que passavam pelo local.

— Você sabe se o funcionário Park Chanyeol ainda está pelo hotel? — perguntou.

— Creio que não, senhor — informou o rapaz. — Ele costuma terminar seu turno e ir embora por volta das sete horas.

   Baekhyun olhou imediatamente seu relógio de pulso, vendo que os ponteiros já marcavam 08:17. Estava devastado com a ideia de que o Park provavelmente já estava bem longe do hotel naquele horário e nunca mais o veria.

   Forçou uma expressão simpática para o recepcionista e virou-se, caminhando devagar com a mala na mão até a saída do hotel depois de ter concluído o check-out.

   Sentia a cabeça doer e a ânsia por fumar vir com tudo, mas a reprimiu com êxito. Queria rir com escárnio frente às ironias do destino, da forma como ele pôs Chanyeol em seu caminho e o retirou sem mais nem menos, de como dormiu acolhido em seus braços e no outro dia despertou sozinho, tal como se aquele homem fosse apenas um remédio com a função única de curar suas aflições e que não precisasse mais dele depois disso. Mas estava enganado... precisa sim dele, e muito.

   Como se já não bastasse sua angústia por não poder vê-lo, o tempo também conspirava contra o Byun. Contava somente com pouco mais de uma hora para chegar ao aeroporto e pegar seu voo no tempo certo.

   A contragosto, teve que dar voz a razão e se encaminhar até a calçada na esperança que passasse algum táxi por perto logo. Não podia se dar ao luxo de arriscar permanecer ali por mais tempo como se o Park fosse aparecer em algum momento. Para sua infelicidade, isso era bastante improvável.

   Estendeu o braço quando avistou um táxi a certa distância. Infelizmente, havia chegado a hora de partir e retornar para sua vida banal longe dos encantos de Los Angeles.

   Abriu a porta do carro, cumprimentando o condutor antes de adentrar o veículo, quando sentiu seu corpo travar no momento em que estava prestes a fechar a porta ao ouvir um grito. Aquela voz era inconfundível.

   Afastou a porta e retirou parte do corpo do carro, olhando na direção em que ouviu seu nome ser chamado. Era ele. Chanyeol vinha apressado em sua direção ainda com o uniforme do hotel.

— Você estava no hotel o tempo todo, Chanyeol? — questionou, com um sorriso que não pôde conter estampado no rosto.

— Estava — disse ofegante, como se tivesse corrido bastante para chegar ali. — Me desculpe por não ter ficado com você até de manhã. Eu realmente queria, mas...

— Senhor, precisamos ir — o motorista advertiu.

— Só um segundo — pediu ao homem, trocando seu semblante de alegria por um de tristeza por não ter o direito de ao menos ter uma despedida decente. — Não precisa se desculpar. Fico feliz que tenha vindo se despedir — sorriu fraco.

— Eu queria te ver uma última vez — respondeu sem jeito. — Você... pode me dar seu número?

   O Byun não perdeu tempo e logo falou todo o conjunto de números para o outo, que o digitou rápido e salvou em seu celular.

— Preciso ir agora — disse baixo, olhando para Chanyeol com os olhos marejados, se recusando a piscar uma única vez para que as lágrimas não caíssem. — Adeus, Chanyeol.

   Aquela imagem fez o coração do Park doer, e saber que não poderia fazer mais nada do que dizer adeus só piorava tudo.

— Até a próxima — esboçou um sorriso mínimo, vendo o outro entrar novamente no táxi enquanto passava a mão na frente dos olhos.

   Chanyeol ficou parado na calçada, observando o veículo tomar distância até sumir de sua vista. Sentiu quando uma lágrima solitária escorreu por sua face, esta que estava contendo para que Baekhyun não a visse. Tinha consciência do quanto o outro já estava abalado e de como ver suas lágrimas agora só iria contribuir para dificultar tudo.

   Já no caminho rumo ao aeroporto, o Byun não conseguiu impedir aquelas lágrimas teimosas de escaparem de seus olhos. Sentia como se cada uma delas tivesse uma razão para estar ali. Seja por sua superação, pela saudade que sentiria de Los Angeles, por alegria, por tristeza e pela possível história que mal teve um começo entre ele e Park Chanyeol.

   Estava confuso sobre os próprios pensamentos, mas algo em si o fazia acreditar que estaria bem em breve. Tentou se distrair olhando em direção a rua através do vidro quando sentiu o celular vibrando no bolso da calça. Pegou o aparelho e não conteve um sorriso quando viu a mensagem que havia recebido.

 

“Oi, Baekhyun! Aqui é o Chanyeol.

Sei que isso pode parecer repentino, talvez até inconveniente, mas senti a necessidade de esclarecer por aqui o que não tive coragem de te falar pessoalmente.

Acho que nada acontece por acaso. Foi todo um conjunto de coisas que nos levou àquele momento, desde seu retorno para Los Angeles até o momento que, acredito ser obra do destino, eu acabei indo levar o vinho em seu quarto. Não creio que isso seja algo do acaso, principalmente quando você disse que estava esperando justamente por mim noite passada.

Talvez não tenhamos nos conhecido nas melhores circunstâncias, mas isso não precisa significar um ponto final na relação que temos. Tudo pode ter um novo começo, não?

Posso parecer dramático ou exagerado falando essas coisas, mas há muita sinceridade nessas palavras

Espero poder te reencontrar novamente em breve em uma situação melhor. Faça uma boa viagem!"

 

   Baekhyun suspirou, apertando o aparelho na mão enquanto mantinha um sorriso discreto nos lábios. Aquela mensagem mexeu consigo, fazendo-o imaginar como seria se o tivesse conhecido em circunstâncias melhores, com os pensamentos não tão presos aos seus fantasmas do passado.

   Porém, de certa forma, estava satisfeito por ter sido daquela maneira. Recordaria do Park como aquele que o fez abrir os olhos novamente e redescobrir o sentimento que um dia dedicou somente a uma única pessoa. Ele o ajudou a perceber que, mesmo depois de tanto tempo, ainda era capaz de amar alguém.

   Lembrou-se de quando Chanyeol proferiu um ‘até logo’ ao invés de um ‘adeus’ antes da porta do carro ser fechada. Havia o desejo implícito naquela despedida de que eles se reencontrassem logo desde aquele momento. Tal possibilidade fez o coração de Baekhyun palpitar em alegria, sabendo que um dia poderia dar continuidade àquela história que teve início na Cidade dos Anjos.

 


Notas Finais


Então, é isso... acabou :(
Confesso que não foi o melhor final possível e eu mesma não fiquei muito satisfeita com ele, mas preferi fazer simples e curto mesmo para poupar de ser algo muito fantasioso ou dramático demais. De toda forma, espero que tenham gostado de 106, A Room to Forget! <3
Queria adiantar que já estou escrevendo minha próxima história, que será bem maior e com uma trama mais envolvente e interessante. Tenho quase certeza de que não vou demorar a publicar, pois a ansiedade está imensa para ver as teorias que vão criar sobre esse suspense que estou desenvolvendo haha
Até a próxima!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...