História 134340, stars; - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Palavras 531
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Lírica, Literatura Feminina, Misticismo

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - O brilho morto e infinito das estrelas; capítulo único


Deus...

Por quê me fez tão sozinho?

Sozinho, como as estrelas.

O brilho morto e infinito das estrelas.

As crianças contam nos dedos a eternidade delas.

Mas não entendem que todas elas, apesar de próximas, são solitárias também.

Deus...

Eu poderia ter sido feito como as flores silvestres.

Elas convivem com a brisa que lhe afaga as pétalas, as lagartas e borboletas, os insetos esquisitos, o matinho verde ao lado...

Elas não são sozinhas.

Elas não são as estrelas.

Deus...

Pensaste que, enquanto criava-me, eu seria feliz apenas por fazer parte do universo?

Não pensaste que seria melhor não programar um coração tão frágil como este meu?

Não pensaste que eu sofreria neste mundo, sendo um planetóide tão pequeno e frio como sou?

Por programação sua eu estou distante.

Pela sua vontade eu nego o que o coração frágil costurado em meu peito sente quando, de vez em quando, aparece um cometa para me visitar.

Os cometas vem, os cometas vão.

Eles não ficam, eles são brilhantes e magníficos!

Talvez sejam solitários também, pequenas e grandes rochas de poeira cósmica.

Mas, diferente de mim, cometas podem fazer amizade com outros planetas, meteoritos, estrelas anãs e luas.

Elas estão de passagem, ninguém fugiria delas.

Ninguém pensaria “mas que planetóide antipático!” como pensam quando me avistam, afastado dos outros demais.

E num momento qualquer, talvez um eclipse, talvez numa tempestade em Júpiter, talvez quando Mercúrio terminou sua orbita no Sol, conheci um asteróide.

Era pequeno, cheio de crateras, distraído, girando em sua própria órbita.

Distante, como as demais estrelas.

Eu o admirava, na escuridão da minha individualidade, e ele cumprimentava os meteoros que viajavam. Parecia solitário também, distante de todos com a sua esquisitice opaca, quase sem brilho.

E ele me olhava de volta, com aqueles olhos que não transpareciam nada.

Absolutamente nada.

E transcendia sob as luzes multicoloridas daquela imensidão escurecida.

Era como um encanto, um feitiço.

Deus...

Como ele podia ser tão magnífico?

Como um asteróide insignificante, junto a milhões e milhões de asteróides igualmente insignificantes, poderia ser tão belo a esses olhos malignos?

Como esse sistema em meu peito podia ter se tornado tão fraco a um simples asteróide, que olhava-me e sorria docemente todas as vezes que o sol nascia?

E as vezes, quando o sol descansava também?

As estrelas presenciavam esse teatro natural.

Àquelas estrelas, das quais me comparo.

As estrelas solitárias.

Mas, de fato, nunca pude cultivar essa dor engraçada em meu coração.

Planetas pequenos e distantes como eu não precisam dessas complexidades.

Nós não precisamos, por lei universal, de companhia.

E mesmo que minha gravidade natural tenha puxado esse asteróide esquisito para ser minha lua e, anos mais tarde, quatro outros miudinhos tenham entrado em minha órbita, a angústia e a solidão interna nunca de fato me deixou.

Talvez a minha capacidade emocional seja uma mera falha.

Talvez o estresse e a pressão sobre a minha cabeça seja insignificante.

Talvez o nó em minha garganta, a dor no peito, o desanimo de estar nesse mundo, a falta de fé seja insignificante.

E talvez minha existência seja insignificante também, pois sou, assim como bilhões e bilhões de corpos celestes, apenas uma poderia cósmica que cairá e desaparecerá.

Eu, porém, estou fadado a escuridão e a observar de longe todas as explosões de galáxias, buracos negros engolindo sistemas, astros se chocando, meteoros rasgando o cosmo, todos presos em suas órbitas, em seus destinos.

Deus...

Por que me fizeste tão solitário?

Solitário, como as estrelas.

Todas estas estrelas do céu.



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