História 15 anos de perdão - Capítulo 4


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Aventura, Luta, Mistério, Rebeldia, Reinos, Romance, Shoujo-ai, Yuri
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Palavras 3.815
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Ficção, LGBT, Luta, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo-Ai, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


*ATENÇÃO*
esse capítulo apresenta uma pequena introdução a violência, para quem é mais sensível a esse tipo de conteúdo, sugiro fechar essa fanfic AGORA, pq é a agora que as coisas começam a ficar tensas

~atenção especial para as notas finais, por favor


leiam as notas finais e boa leitura

Capítulo 4 - Sede de Sangue


Elena decidiu que iria segui-los e começou a andar na direção deles. Olhou de relance para o lado e viu que Leo não estava a seguindo, e virou-se para trás. Ao se virar, percebeu que um homem havia o pressionado contra a parede, provavelmente quando ela saiu de perto, e estava mirando uma faca em seu pescoço.

– Eu sei que foi você que me roubou, seu ladrãozinho de merda!

Ela rapidamente o reconheceu. Era o homem que ela chutou que Leo tinha roubado que, pelo visto, era ele sim. De bônus, aquele homem aparentava estar bêbado, bem mais do que eles. Mas era como se a raiva e a intriga que Elena sentia a deixasse completamente sóbria, sóbria o suficiente para cometer outro de seus vários atos de loucura. Iria partir para cima daquele homem. Caso não o fizesse, provavelmente ele  os denunciaria por roubo, ou até pior, podia matar Leo, pelo puro e famoso efeito do vinho. Pelo sim ou pelo não, ela achava que era melhor prevenir do que remediar. 

– Ei! Loirinho ridículo! – Elena chamou atenção do cara, que estava focado em Leo.

– O que é que voc...

Antes que pudesse responder qualquer coisa, Elena já tinha os alcançado, e então, segurou o pulso do homem que estava com a faca e o apertou, afastando a arma do pescoço de Leonardo, enquanto batia o joelho direito em sua barriga, com um combo logo em seguida do encontro de seu pé esquerdo nos países baixos do homem. Ele caiu ajoelhado no chão de tamanha dor, e em seguida curvou as costas, escondendo seu rosto.

Leonardo a olhava totalmente surpreso. Parecia que o efeito da bebida e aquele conflito só pioravam sua dor de cabeça. Mas sua surpresa foi por nem imaginar que ela daria meia volta pra o defender. Com certeza não era porque se importa, afinal, eles se conheceram a o que, horas atrás?

Ela o olhou nos olhos, com um semblante de determinação, e então pisotiou o rosto do homem, que já estava no chão, com seu pé esquerdo. Sangue começou a se espalhar pela terra. No mínimo o nariz ele tinha quebrado, mas Leo achava que ele estava era morto. Talvez ele só fosse um pouco exagerado. “A força dessa mulher é anormal..." pensava. Ele levantou os dois braços bem devagar e caminhou um passo a frente, num movimento para tentar impedi-la de continuar a machucar o homem. Se alguém estivesse acordado e os visse... 

Elena percebeu seu movimento e levantou um pouco o pé. Leo suspirou aliviado e fechou os olhos por um instante, imaginando que ela havia cedido. Nesse meio tempo, Elena pisoteou mais duas vezes a cabeça do homem na velha estrada de terra. Ele só percebeu pois tinha escutado um barulho de ossos se quebrando, e quando abriu os olhos havia um pouco mais de sangue que havia antes.

– Só por precaução, vai que. – Elena disse quando viu o estado apavorado de Leo,  numa tentativa de o tranquilizar. Com certeza ele não esperava que ela fosse tão violenta, e provavelmente não a seguiria mais dali a diante. – Leonardo, acho que nossos caminhos se separam aqui. Eu preciso urgentemente seguir aquelas pessoas, foi um prazer te conhecer. – Logo depois faz um rápido movimento para trás e começa a correr.

Leo ficou parado. Estático. Do lado de um corpo que não fazia a mínima noção se possuía vida ou não. Sua mente estava em branco.

Assim que viu Elena sumir ao dobrar a esquina se lembrou de tudo. Não poderia ficar mais sozinho, não queria, por mais que ela não fosse uma pessoa na sua maior sanidade, foi a única que não o julgou por seus roubos. Imaginou que quando ela deduziu, no bar, que havia roubado aquele homem, provavelmente teria que suborna-la com parte da quantia para não abrir a boca, todavia estava enganado. Ela era como ele. Mas será que continuaria a não o julgar se soubesse de todos os seus pecados? Leo não achava que não, mas aquela garota era completamente imprevisível afinal. O que esperar dela? 

“Garota” foi uma palavra que ficou rodando em sua cabeça enquanto os segundos que  se passavam mais pareciam com séculos. Ela não poderia ser tão perfeita assim, engraçada, esperta, violenta, ladra como ele, mais alta que ele, e principalmente garota. Ele não a deixaria escapar. Não era como se tivesse segundas intenções, mas queria estar ao lado de alguém que o entende, e de certa forma é como ele. Começou a correr com toda a velocidade que possuía. Assim que virou a esquina, já tinha a identificado a poucos metros dali, batendo no vidro de um casarão marrom.

Talvez Leo se arrependesse de segui-la mais tarde... 



                ~sede de sangue~



Liza estava completamente aliviada. O homem que os encontrou apenas estava preocupado e queria ajudar. Ele até mesmo emprestou seu pano que segurava com tanta cautela para cobri-los.

– Posso acompanha-los até minha casa, podem se lavar, trocar e passar a noite lá. Não desejarei nada em troca, só... relaxem por favor.

Ela estava completamente hipnotizado com a beleza daquele menino. Era um pouco mais baixo que ela, o que era um pouco raro, até mesmo para as garotas. Tinha os cabelos loiros como o sol e repicados nas pontas, com um corte que deixava seu rosto mais aparente e fofo. Tinha olhos cor de mel, que eram parecido com seus próprios, porém mais claros. 

Liza teve a impressão que ele era como um anjo caído na Terra, como os das histórias que seu Pedro  contava, na época que apenas cuidava dela.

– Mas o que você ganha com isso? – Liza finalmente tinha respondido, pegando o menino de surpresa, que pensara que a mulher era muda por demorar tanto a responder. Mas tinha a impressão que ela tem sua idade, pelo timbre de voz. Se ela aceitasse, ele perguntaria mais tarde.

– Nada, eu acho. – Respondeu com um sorriso torto e sincero. – Mas não perderei nada também.

Liza se arrepiou com aquela última fala. Aquele menino só podia ser um anjo. Nunca pensou que fosse achar alguém que os abrigaria sem pedie nada em troca. E por mais que fosse um estranho, e que realmente não devesse ir com ele, se sentia confiante em relação a ele. 

Aceitou sua proposta depois de olhar para Artur, que cambaleava de sono, mas se manteve firme e acordado, prestando atenção na conversa. Não queria ter que fazer qualquer outro tipo de favor ou pagamento para se alojar em qualquer outro lugar. Era melhor para os dois se o seguissem, pois precisava achar um meio de descanso para esse menino o quanto antes. 


Os dois conversavam enquanto caminhavam devagar, rumo a tal casa do anjo que se chamava Miguel. Liza carregava Artur no colo, que tinha enfim cochilado. Enroladaos com o pano, ela encarava o nada aflita enquanto passeava os dedos entre os fios castanhos do menino, numa espécie de cafuné.

– É teu irmão? – Miguel perguntou hipnotizado com a imagem dos dois. Queria poder ter uma relação assim com seu irmão mais novo.

– Não...

– E este teu sorriso tristonho? Parecia aflita antes.

– Estou aflita porque quero encontrar a irmã dele. Nos perdemos quando fugimos, e não faço a mínima ideia de onde ela esteja. Além de que não conheço nada desse reino, paramos aqui por acaso e... Talvez ela nem esteja por aqui... Sua pergunta me lembrou dela.

– Bom... Se ela estiver neste reino te ajudarei a encontrá-la amanhã.

– Jura? – Liza abriu um sorriso radiante. Tinha cada vez mais certeza de que aquele cara fosse um anjo mesmo.

– Sim, claro. Não é como se tivesse muitos amigos para visitar ou algo para fazer, então, seria um prazer. Mas diga-me uma coisa, se não for muito invasivo para a senhorita claro. Como conheceu a irmã deste rapaz e do que, exatamente, estavam fugindo?

– Então... Eu fugi da Igreja em que morava no Reino de Arena, e estava perdida, com nada em mente. Conheci Artur porque ele foi gentil comigo... Pensei que sua irmã ou mãe também seria, e o segui até em casa, na esperança de que pudessem me acolher. Mas conheci sua irmã de uma maneira, digamos, não muito agradável. E é bem provável que ela me odeie por ter a trazido tanta confusão. Basicamente, o padre que cuidou de mim não é um santo nem nada, nunca foi, ele atirou uma flecha que acertou a casa deles quando tentava me acertar, porque eu tinha fugido de “casa” – Liza dizia essa última palavra com ênfase na repulsa que ela sentia.

– Entendi... É uma situação um tanto quanto complicada... Um padre que não é santo, huh – Miguel olhou para trás e viu que um cara ruivo os encarava muito e automaticamente pôs a mão no ombro de Liza. Ele reconhecia o rosto daquele cara de algum lugar, e tinha certeza que não era nenhum artista, pela expressão que ele fez ao encará-los. Talvez fosse aquele ladrão de Arena que ouviu falar. – Venha, vamos conversar lá dentro, já estamos chegando. Ester pode ser menos perigoso que Arena, mas não é tão segura assim durante a noite.

Assim que trancaram a casa, algo que Miguel se certificou duas vezes de fazer, conduziu Liza para dentro. A casa que não era bem uma casa, e sim um casarão. Tinha apenas um andar, mas logo ao entrar tinha uma lareira a esquerda com alguns sofás, a direita tinha o corredor que levava aos três quartos, perto da lareira tinha uma porta que levava ao lugar de se limpar e mais a frente tinha uma cozinha enorme. Ela estava chocada com aquilo tudo, não imaginava que o homem que os acolheu apresentava um casarão tão espaçoso e grande. “Deve ser dono de alguma terra...” pensava.

Liza tirava a roupa molhada de Artur e o secava, enquanto Miguel ia procur roupa para os dois. Assim que Artur estava trocado, eles o acomodaram no segundo quarto de casal do lado esquerdo do corredor, enquanto Liza foi acomodada no quarto maior, que tinha vista para a rua.

– Não há necessidade de me deixar com o quarto maior. – Liza quase sussurrava de tão desconfortável que estava.

– Claro que há. – Miguel a respondia sem parar de arrumar a cama, sabendo que ela ainda estava perto da porta. – É a única dama desta casa, merece o maior quarto para ter o melhor descanso, afinal, amanhã vamos procurar aquela moça por aqui e nas vilas vizinhas. Se quiser, posso passar Artur para cá.

– Não, não precisa, tenho medo de matá-lo sufocado... – Miguel soltou uma pequena risadinha pelo nariz. – E como posso agradecê-lo por isso? Antes que você insista que não precisa, sim, precisa.

Ele parou de arrumar a cama e a olhou nos olhos. Tinha uma feição triste e esperançosa ao mesmo tempo, fato reparado por Liza. Desviou o olhar para baixo quando começou a falar, um pouco envergonhado. 

– Talvez... Possamos ser amigos... Sabe, não sei por que você fugiu, mas eu fugi também, fugi porque não me encaixava naquela família, naquele lugar. Me sentia só como uma... Marionette, pronto para ser...

– Usado. – Liza o interrompeu completando sua frase, o fazendo voltar a olhar para cima. – Sei como se sente... 

Miguel sentiu seus olhos marejarem. Ficou emocionado por não ser o único que se sentia perdido no mundo, usado, como um objeto. Ficou tão feliz por tê-la encontrado, sendo alguém que é simpático e que o entende. Estava mais esperançoso em questão de se tornarem amigos. 

Não gostaria que Liza percebesse que estava ficando emocionado, até porque geralmente homens não demonstram suas emoções abertamente como as mulheres.  Tinha aprendido isso. Então, mudou de assunto para escapar dessa situação. 

– Irei pegar tuas roupas. – E assim, caminhou até o armário. 

As palavras de Miguel fizeram com que Liza levasse um choque de realidade, algo que ela tentava esquecer a todo custo. Se lembrou de como ela havia conseguido aquela roupa, aquele vestido azul claro que por algum motivo cabia nela. Subitamente começou a se abraçar, não queria ter que tirar aquele vestido, por mais que estivesse ainda um pouco molhado. 

Caminhou até a cama e se sentou, observando pela janela a rua desértica e pouco iluminada. Várias memórias passaram por sua cabeça, estava tão concentrada em seus pensamentos que não percebeu Miguel sentando-se ao seu lado, com a roupa no colo.

Ele colocou a mão em seu ombro, tentando conforta-la, o que fez ela de imediato o encarar, fazendo com que seus olhares se entrelaçassem. Tentavam desvendar o que se passava na cabeça do outro. Era como se ele soubesse o que ela tinha passado. Liza percebeu que os olhos de Miguel procuravam entender nos seus, o que tinha acontecido. Mas tinha a impressão que, ele tinha quase certeza do que se tratava, só queria confirmar. 

– Esse vestido... Era de alguém? – Miguel não tira seus olhos do dela, tentando perceber cada detalhe de sua feição enquanto perguntava.

– Sim... Era de uma menina muito doce, que tinha um futuro brilhante pela frente.

A imagem de Emanuelle passou pelos pensamentos de Miguel. Um sentimento estranho dominava seu corpo. Teve a impressão de que falavam da mesma pessoa. 

Estavam tão perdidos em seus próprios pensamentos, que não perceberam que alguém os encarava da janela. A única pessoa já vista naqueles dois reinos com heterocromia. As batidas eram cada vez mais fortes, fazendo o vidro quase se rachar. 

Quando Liza percebeu de quem se tratava, correu até a porta. Precisava contar para ela como havia ficado aflita, como temia que nunca mais fosse vê-la. Gostava de Artur, mas não era como se ele fosse aceitar conviver com ela se Elena não estivesse por perto. Queria a perguntar como foi que sobreviveu ao rio, e como os tinha encontrado. Queria mostrar que cuidou bem de Artur, para que talvez, Elena gostasse um pouco mais dela. Precisava disso, até mesmo para deixá-las quites do que tinha acontecido. Pelo menos, era o que pensou que sentia.

Ao chegar na porta, Miguel veio logo atrás de si, com a chave entre seus dedos, que a pressionavam contra seu peito. Preocupado, perguntou quem era, Liza disse que era a irmã do garoto, ele então abriu a porta.

– Elena se acalme por favor! – Leo quase gritava.

Foi a primeira coisa que os dois ouviram quando a porta se abriu. Não deu nem tempo de processar as palavras, Elena já havia voado para cima de Liza.

– E eu que estava aqui aflita, pensando que você e Artur tinham se machucado, ou estavam perdidos por aí, sem ter o que comer! Mas parece que a comida está de muito bom grado... – Ela olhou de canto para Miguel, movimento que só Liza percebeu, por estar a sua frente. – Você aqui, nesse casarão, de pouca vergonha com qualquer um num quarto! Que exemplo 'pro Artur... 

– O que?! – Miguel disse sem pensar, pois estava prestando muito atenção na “conversa” e não queria atrapalhar. Mas já que estava envolvido no diálogo, se pronunciou automaticamente, que foi completamente ignorado por Elena. 

Leonardo estava completamente nervoso, aquela hora não era uma boa para discutir. Sem falar que não estava entendendo mais nada. Não sabia de quem aquela moça se tratava, já que Elena não havia comentado nada. Ela, que foi abortada de repente com tanta violência, se sentiu completamente boba e decepcionada. Esperava que Elena ficasse contente por saber que estava bem, não que chegasse quase quebrando tudo a acusando de uma interpretação completamente errada e fora de contexto.

– Eu não estava de pouca vergonha! Não fazia nada de errado, se é isso que pensa! Só estava conversando com Miguel! – Raiva começou a escorrer por suas palavras, que ficavam cada vez mais altas. Estava completamente indignada com Elena. Começou a cuspir as outras. – Ele, que sim ME ACOLHEU! Não esperando nada em troca! Apenas estávamos tendo uma conversa sobre...

– Conversa?! Nada em troca?! Em cima de uma cama?! Não mente ‘pra mim... Acho que Artur já te avisou que odeio isso. – Elena tinha ignorado completamente a ataque a ela. Liza engoliu o seco. De fato, não sabia o que era aquele clima, mas não parecia ser aquele tipo de clima. E Miguel realmente não parecia querer nada em troca. – Olha, você é bem mais ingênua do que imaginei.

Aquela frase foi a gota d’água para Liza. Elena não a conhecia, como poderia dizer isso? Ela não sabe como se sentiu, e nem como foi sua conversa com ele, como poderia especular as coisas? E como ousava amassar seu vestido e a ameaçar, sendo que não sabia  de nada de sua história e nem do que era capaz?

– Tenho pena de seu irmão, sabe. Será que ele tem que passar por suas especulações ridículas ou por questionários sobre do porquê qualquer coisa que faça? Ou sou só eu, a ladra que roubou sua vida medíocre e normal de você?

Assim que Elena processou aquelas palavras, sentiu uma pontada no peito. Sabia que era verdade, sabia que ela era desse jeito, que diz qualquer coisa e interpreta tudo do seu jeito. Liza poderia afirmar qualquer coisa que quisesse, até mesmo sobre Artur, sendo verdade ou não, Elena não ligaria. Mas nunca poderia dizer como foi sua vida até então. Medíocre e normal? Ela, ladra de sua vida? Sua vida não foi assim. Ela foi cercada por adrenalina e emoção, ser perseguida e caçada por todo mundo não era para qualquer um, sem dizer que sua cabeça custava caro, tinha felicidade por chegar em sua humilde casa e ter quem a acolher, que não a julgaria por seus pecados, sempre como todos faziam, inclusive, era algo que Liza estava fazendo neste exato momento. Aguentou calada tudo isso, a vontade de se expressar e sempre ser calada por alguém, de dizer o que pensa, o que acha e como enxerga as coisas, e sempre ser cortada, de ninguém nunca, exceto Artur e Leo, a olhar com um sorriso, mesmo sabendo do que faz. Desejou por alguns instantes que Liza fosse como esses dois, afinal, ela queria ter alguma amiga também para conviver, por mais que ela tenha feito várias coisas que fizessem sua vida sim, virar de ponta cabeça. Não queria mais aguentar isso calada. Não iria. Não vai.

No momento de auge da sua determinação, deu um tapa no rosto de Liza, que saiu mais forte do que esperava, e a fez cair no chão. Foi com o barulho que elas saíram do transe. Elena tinha batido em Liza. A que ponto aquilo chegou? As duas estavam completamente arrependidas. 

Porém, antes que pudessem dizer qualquer outra coisa como desculpa, ouviram um barulho de uma janela ser quebrada, e de uma porta se fechando, aparentemente de dentro da casa. Elena arregalou os olhos. 

– Onde está Artur, Liza?! Liza ele está ali ‘pra dentro?! – Começou a perguntar com voz de quem estava prestes a chorar.

Uma flecha de fogo, igual a de quando fugiram, atingiu a parede ao lado de Miguel, que veio da direção da cozinha. Leonardo foi o único que conseguiu se movee depois daquele ataque súbito. Puxou Miguel para fora de casa junto com Liza. Enquanto fazia isso, Elena corria e entrava no corredor da casa. Abriu todas as portas e na última que abriu, viu uma imagem que nunca pensou que aconteceria, nem em seus pesadelos. Pessoas vestidas com uma blusa (de manga comprida) e calças justas e pretas, junto com uma capa que tinha um capuz que tampava um pouco do rosto. Eram duas pessoas que estavam naquele quarto. O cômodo estava todo molhado. Mas o pior, era a pessoa que saltava a janela.

Elena raciocinou tudo em câmera lenta. Artur estava no colo daquela pessoa, ele gritava e chorava de dor. Elena deduziu que, por a segunda pessoa estar ainda com a mão na perna dele, haviam acabado de quebrar. Artur abriu os olhos com dificuldade para ver por que eles ainda não saíram do quarto, e viu de relance Elena, que estava com o olhar mais assustador que já viu em toda sua vida. Não sabia dizer se era tristeza ou fúria, mas era mais assustador do que o olhar de seu pai quando fazia experimentos nele. Ela, que iria começar a correr para impedi-los de saltar a janela, foi pega por trás e puxada.

– Não! NÃO! Artur! Devolve ele agora! – Se sentiu sem forças para debater, e começou a chorar. Sua ficha tinha caído, Artur estava sendo levado, pelo mesmo grupo que tinha os atacado e destruído sua casa. A coisa mais importante de sua vida, estava sendo tirada dela.

Seu peito doía, suava frio e não conseguia enxergar mais nada, por conta das lágrimas que embaçavam sua visão. Continuou sendo arrastada contra sua vontade para fora, pois mesmo sem forças, nunca iria parar de lutar. Quando então, a pessoa que a arrastava chegou na porta, se jogou no chão ainda segurando Elena, disse com uma voz serena:

– Ei! Calma, calma... – No momento em que reconheceu a voz parou de se debater. Era Leonardo. Tinha o conhecido em pouco tempo, mas já o considerava muito, e ficou muito aliviada por saber que era um conhecido, por mais que desejasse ser alguém daquele grupo. Queria ser levada para o mesmo lugar onde Artur seria.

Todos os quatro que estavam lá fora começaram a sentir cheiro de queimado. Nenhum deles entendeu porquê, Elena nem prestava atenção nisso, porém Leo começou a se afastar mais da casa.

– O líquido que eles jogaram no quarto onde o garoto estava pega fogo! Eles provavelmente só estão usando esse tipo de flecha por isso! A casa vai...

Antes que ele pudesse terminar de concluir, cavalos saiam de trás da casa com aquelas pessoas montadas. Elena saiu rapidamente dos braços de Leo e correu na direção deles, sendo logo impedida por seus braços, segurados por Miguel e Liza, que estavam um pouco mais afastados da casa. 

Os cavalos iam sumindo a medida que se os segundos passavam. Ninguém tinha percebido, mas estava começando a clarear, e atrás delas, já podia se ver alguns raios de sol surgindo. Os barulhos que se escutavam era apenas de choro e  de fogo se espalhando. Entre os quatro só tinha silêncio. 

Elena estava furiosa, como nunca esteve em sua vida toda. Seu ódio transbordava em forma de lágrimas, que pareciam ser feitas de arrependimento e de desespero. A medida que desciam por sua bochecha, queimavam sua pele. Sentia vontade de matar TODOS os integrantes daquele grupo. Queria cortar suas gargantas. Ver sua mão suja com o sangue de todos eles. Queria quebrar os ossos da costela de todos eles e rachar aqueles crânios no chão com seus pés. Faria isso até ouvi-los implorar por perdão. Os queria ver chorando e queria causar sofrimento. Sentirem algo tão terrível quanto o que estava sentindo naquele momento. Estava sedenta por sangue, e não desejava isso para ninguém. Uma vez que você tem esse vontade, nunca mais passa. 

Tinha certeza de uma coisa:




Aqueles caras mexeram com a garota errada.


Notas Finais


ei, o que acharam do capítulo?

se não gostaram eu realmente sugiro parar de ler por aqui, pq não gostar do arco principal e continuar lendo é meio... estranho sla kk

enfim, queria dizer que estou muito feliz por finalmente conseguir colocar esse capítulo no "papel", pois até no momento ele é o mais importante de todos

já tenho programado até o capítulo 8 ent até lá a história vai continuar yey :)


FATOS q talvez te interesse sobre os PERSONAGENS (me senti na necessidade de falar isso)

_ Elena: 1,73 m
_ Leo: 1,69 m
_ Liza: 1,65 m
_ Miguel: 1,63 m


até o próximo capítulo, bjs



fatos sobre a autora que ninguém se importa: a mamãe descobriu o relacionamento homo afetivo da filha O.o n reagiu bem, pediu pra Deus tirar o demônio do corpo dela kk ;-;


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