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História 19 Andar - Seo Kang-joon - Capítulo 10


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Notas do Autor


Desculpem por estar postando tarde, eu refiz diversas vezes esse capítulo, porque quero trazer algo com qualidade. Se estão gostando, comentem para mim ❤️

Capítulo 10 - Jung Hae In


Fanfic / Fanfiction 19 Andar - Seo Kang-joon - Capítulo 10 - Jung Hae In

Tinha passado os últimos dias reservada. Desde que voltara de Jeju, passei a concentrar minhas energias só em mim, buscando desviar meus pensamentos do inconveniente incidente com Seo Kang Joon no centro de eventos. Quanto o vi abraçado com aquela mesma garota do hotel, tinha sentindo um desconforto indescritível. Lembrava de como minha cabeça rodara e como meu estômago ficou embrulhado quando percebi que aquela menina não era só um caso de uma noite. Eu não a reconheci antes, mas vendo-a naquele dia, ela estava em várias propagandas de roupas, cosméticos e até mesmo o soju que eu tomava era divulgado por ela. Ver a forma confiante com que ela tinha se jogado para ele, me fazia pensar que talvez eu tivesse ocupado um lugar que não me pertencia, nem ao menos deveria fazer parte da relação que os dois tinham.

Depois de vê-los agir intimamente em minha frente, naquele dia, Seo Kang Joon tentou fazer contato comigo algumas vezes, mas eu não tinha coragem de ter com ele. Suas mensagens pedindo para que eu o atendesse eram frequentes, da mesma forma que o celular sempre tocava, anunciando o seu nome. Meu coração pesava quando imaginava trocar qualquer palavra com ele. Estava envergonhada pela posição em que ficara, e irritada, principalmente por saber que tinha direito de ter conhecimento daquela situação antes de me deixar cair em seus braços. Sentia que ele havia sido desonesto comigo, ao mesmo tempo que sentia que não tinha o direito de cobrá-lo qualquer coisa a respeito. Como eu tentava me convencer, em Jeju, estávamos apenas carentes e envoltos por uma onda de desejo, talvez por causa das constantes provocações que tínhamos vivido, um para com o outro. 

Eu sabia que não era nada demais entre nós, e que eu deveria me manter em meu lugar, mas ainda assim, não conseguia evitar ficar chateada, e se eu o visse, depois do vínculo que conseguimos criar durante a viagem, eu o estaria desperdiçando. Pensava que tinha vontade de brigar com ele e fazê-lo me pedir desculpas enquanto explicava sua situação, mas ao mesmo tempo me cobrava maturidade e discernimento para diferenciar as relações. Minha mente insistia em me dizer que eu já era uma mulher adulta, e depois de tanta coisa que eu tinha vivido, deveria saber que a maioria dos homens faz esse tipo de coisa, que não estão muito a fim de viver baseados em verdades. Ao mesmo tempo, meu coração estava em prantos, como uma adolescente fica quando briga com o menino que gosta. Eu não gostava dele, eu não tinha sentimentos nenhum por ele, mas mesmo assim me sentia traída. Pensava também em como aquela menina se sentiria se soubesse o que aconteceu. Se para mim, aquela confusão de sentimentos estava sendo difícil, se ela soubesse, poderia ser pior para ela.

Minha agenda para os dias antes das primeiras gravações estavam pouco preenchidas, e entre algumas fotos aqui e ali, eu tinha muito tempo de sobra. Como dizia o ditado: mente vazia é oficina do diabo, e para não permitir que o mesmo se apossasse de meus pensamentos e me fizesse refém da minha própria melancolia, tentava me ocupar com coisas básicas. Um dia, tirei tempo e limpei meu apartamento, mudando os móveis da sala de lugar. Também, quando cansei de ver a mesma almofada de nuvem em cima do sofá, fui às compras e redecorei minha sala, com novas cores, novas artes, novos ares. No outro dia, depois de dar uma pequena entrevista para a equipe de marketing da agência, fui ao spa, cuidar de minha pele e fazer uma massagem relaxante, rezando para que aquilo me mantivesse calma quando tivesse que contracenar com Seo Kang Joon no outro dia. Ainda naquele dia, quando saí do spa, fui ao salão de beleza, cortar as pontas do meu cabelo e fazer as unhas. Pensando bem, me manter ocupada daquela forma me fez bem.

Quando o meu dia estava chegando ao fim, sentia que talvez, aquele restinho de paz poderia ser aproveitado para encarar a realidade. Abri a porta de meu apartamento, sentindo o cheiro de limpeza impecável invadir minhas narinas. Encostei minhas costas na porta, sentindo o peso do cansaço de dias incessantes. O apartamento estava vazio, assim como meu peito estava. No fim, todas aquelas ocupações apenas serviram para atrasar o sentimento de inferioridade que se escondia guardado em algum lugar da minha mente. Eu estava me sentindo culpada por algo que não deveria ter me envolvido, e mesmo que mascarasse esse sentimento, ele estava visível em cada passo que eu dava, em casa mensagem que eu ignorava, em cada nova ocupação que eu arrumava. Suspirei fundo, pensando que eu deveria deixar isso guardado em uma caixa qualquer no intelecto. Precisaria estar entregue em cena no outro dia, e minhas emoções não poderiam transparecer às emoções de minha personagem, que sem que eu pudesse escolher, contracenava com Seo Kang Joon.

Convenci a mim mesma outra vez, de que seria capaz de adiar aqueles sentimentos mais uma vez, e que só os enfrentaria de verdade quando eu soubesse o que sentiria estando frente a frente àqueles olhos castanhos claro, fugindo de sua hipnose inebriante. Arrastei meus pés calçados em uma pantufa quente, cruzando a sala, cozinha e corredor, entrando em meu quarto em seguida. Tirei minha jaqueta e joguei-a no chão, deixando com que minha calça a fizesse companhia em seguida. Deitei no colchão, lençóis macios e cobertor quente aconchegando meu corpo magro no meio de todos aqueles travesseiros. Peguei meu celular, para acompanhar as poucas notícias que estavam ligadas a meu nome. Até o momento, pouca tinha sido a repercussão da minha chegada na Coreia, e por isso eu agradecia. Era menos um problema para me preocupar. Os comentários e matérias sobre a minha contratação pela SOOP Management eram concentrados em revelar expectativas e admiração pelo pouco que conheciam do meu trabalho, vez ou outra citando alguns prêmios que eu já recebera. Faziam questão de deixar claro que apesar da minha carreira já ter começado em outro país, onde eu fora aclamada, eu estava em um mundo novo, e que eles olhariam para mim de perto, torcendo para que meu talento florisse naquela terra também. 

Enquanto lia as palavras de incentivo que recebia do novo público, meu coração se enchia de esperança outra vez. Tinha vontade de dar tudo nesse trabalho com o qual estava envolvida, para que fosse notada por outros diretores também, apesar de saber a influência que tinha por ter sido convidada por um dos diretores mais premiados da televisão coreana. Eu estava começando bem. Mesmo que meu papel fosse coadjuvante, era um grande trabalho. Suspirei, sabendo que aquela era uma grande oportunidade e eu tinha que aproveitá-la ao máximo. Meus olhos correram por mais alguns comentários, antes que começasse a tocar, revelando a ligação de Jung Hae In.

— Alô. — respondi ao segundo toque, sorrindo automaticamente. Fazia alguns dias que não ouvia a voz de Hae In, pois o mesmo também estava ocupado com o seu trabalho.

Você está bem? — a voz grossa soou pelo auto falante. Seu tom parecia cansado. 

— Uhum. — resmunguei virando meu corpo para o outro lado da cama. — Como você está? Tá trabalhando muito, né?

Sim, têm sido dias cheios. — o ouvi bocejar do outro lado da linha. — Queria ter mais tempo para podermos ficar juntos um pouco mais, conversar. — meu coração se aqueceu com a forma doce que ele dizia querer dividir seu tempo comigo. — Onde você vai gravar amanhã?

— Gangnam. — respondi. — Você vai gravar amanhã também? — perguntei ouvindo-o resmungar um "sim". Ele parecia exausto.

Vou te acompanhar num café amanhã, o que acha? — sua voz parecia a de uma criança que acaba de ganhar um novo brinquedo. Dei uma gargalhada. Concordei com ele. 

— Vai ser ótimo. — disse, soltando um bocejo. O sono estava me pegando também. 

Hae In e eu nos esforçamos para ficar mais tempo conversando, mas eventualmente um de nós pegou no sono e a ligação continuou contando por mais ou menos duas horas enquanto dormíamos, até o celular vibrar novamente e me acordar. Eu estava um pouco confusa, pelo horário, mas desliguei a chamada e fui ver a notificação que tinha recebido. Seo Kang Joon tinha mandado outra mensagem. Respirei fundo antes de tomar coragem para abrir. Era talvez, a quarta mensagem que ele mandava desde a última vez que nos vimos. Meu coração se apertou. Talvez eu devesse dar uma chance para aquelas mensagens.


O que aconteceu?
Eu não sabia que ela viria me buscar, desculpa o desconforto.
Me atende.
Bom trabalho amanhã. Vamos fazer bem.


Li suas mensagens com o peito arfando em nervosismo. O que aconteceu? Eu não sabia. Realmente ter visto os dois naquele momento foi deveras desconfortável, mas não era esse o problema. Eu não teria feito nada daquilo se eu soubesse que ele tinha uma namorada. Estava me sentindo culpada por me meter na vida de alguém que não tinha ideia do que acontecia. Também não queria atendê-lo. Tinha muitas perguntas e muitas emoções, e eu sabia que uma hora minha boca me trairia e falaria coisas as quais não queria dizer. A única coisa que nós dois concordávamos naquelas mensagens, era sobre termos que fazer um bom trabalho. Contracenaríamos juntos e era imprescindível que fizéssemos um bom trabalho apesar de tudo. Olhei as horas. O ecrã mostrava que se aproximava das três da manhã. Eu ainda tinha tempo para dormir e descansar, então antes que ficasse muito pensativa sobre o desconforto vivido nos últimos dias, me deixei dormir novamente.

Meu despertador tocou às 6h. Acordei sentindo meu corpo dolorido pelo tempo na cama, então busquei me alongar. Tomei um banho e selecionei as roupas que usaria para ir até o local da gravação em Gangnam. A calça jeans clara e a blusa vermelha fizeram uma boa combinação com as botas de couro preta que iam até a canela, e a jaqueta jeans. Sentei em frente a minha penteadeira, repassando meu texto mentalmente, enquanto me fazia uma maquiagem básica. Estranhamente tinha acordado bem disposta naquele dia, com a sensação de que se eu me esforçasse bastante, seria um bom trabalho. Tomei meu café, relendo o script pela décima vez em horas, redecorando minhas falas e reações programadas. Um pouco depois de eu estar pronta, Park Jae Hwa mandou uma mensagem avisando que estava me aguardando na garagem. Peguei minha bolsa e meu óculos de sol, saindo confiante de casa. Enquanto passava pelo corredor até o elevador, olhei para a porta de Seo Kang Joon, sentindo a familiar pontada em meu peito. Eu não tinha mais como adiar qualquer coisa. Estaríamos frente a frente em poucos minutos.

A viagem até o local da gravação não foi longa, mas me mantive em silêncio a maior parte do tempo, controlando os batimentos acelerados em meu peito, por fora fingindo que estava apenas concentrada no texto em minha mão. Jae Hwa, assim como eu, também estava em silêncio, correndo seus dedos pelo tablet, hora ou outra apenas comentando o essencial, como o meu figurino ou possíveis agendas de entrevista. Disse que tinha recebido uma proposta de entrevista para uma rádio, e que seria uma boa que eu a fizesse. Apenas concordei silenciosamente, acreditando na competência de seu trabalho.

Saí da van, quando chegamos ao local onde gravaria, e estiquei meus braços, me alongando e olhando em volta. Alguns já estavam trabalhando em suas cenas, e eu pude enxergar Seo Kang Joon recebendo as orientações do diretor para refazer sua cena. Ele parecia bastante entregue ao trabalho, e quando seu rosto se virou para a frente e ele pode me ver, piscou algumas vezes, mantendo sua expressão séria. Pude ver sua respiração mudar quando seu peito subiu pesadamente. Dentro de mim, o enjôo desconfortável do outro dia renasceu, junto ao descompasso latente em minha garganta. Desviei meus olhos dele, respirando fundo, buscando outra vez apenas me concentrar em meu trabalho. Jae Hwa me chamou para dentro do prédio, para que trocasse de roupas e refizesse a maquiagem enquanto alguém arrumaria meu cabelo.  Segui seu caminho, evitando olhar para onde estava sendo atraída magneticamente.

Enquanto eu estava terminando de me arrumar, Nam Ji Hyun entrou no camarim, me cumprimentando com seu sorriso habitual. Ela já estava desde cedo por ali, gravando suas primeiras cenas. Perguntou se eu estava nervosa, enquanto se trocava, e conversamos por alguns instantes, até que bateram à porta, e a voz grossa de Seo Kang Joon perguntou se poderia entrar. Olhei para os nós dos meus dedos, enquanto minha colega sinalizava que estava tudo bem se ele entrasse. Ele entrou pedindo licença, sua postura relaxada. Nossos olhos se encontraram atravéz do espelho, e como se quisesse disfarçar o momento embaraçoso que só pertencia a nós dois, nos cumprimentamos com um sorriso. Seo Kang Joon sentou-se em Uma cadeira ao meu lado, ficando entre Nam Ji Hyun e eu e me olhou, espreitando meus movimentos.

— Você está bem? — sua pergunta foi simples, como se me perguntasse se eu estava nervosa, do mesmo jeito que nossa colega tinha feito, mas suas palavras diziam mais que isso. O olhei novamente pelo espelho, e apanhei seu olhar tranquilo, como se tivesse dormido bem por todos esses dias. Concordei com a cabeça, em silêncio, o que ele fez também. — Nossa cena é a próxima, eu queria…

— Eu sei. — o cortei, sabendo onde ele queria chegar. Sorri leve, sentindo uma pontada de irritação em meu peito, pela forma calma que ele tinha vindo falar comigo. Soltei um riso fraco entre os lábios. — Vamos fazer um bom trabalho. — O silêncio prevaleceu depois desse momento, enquanto terminávamos de nos arrumar.

Minha personagem era uma escritora em ascenção, que se inspirava nos romaces escritos por Kim Jae Hyun. Tomava conselhos com ele várias vezes, e por nutrir uma paixão secreta pelo seu ídolo, fizera de tudo para se aproximar dele, criando por fim um laço de amizade com o homem. Durante o tempo em que eram amigos, sentia que sua paixão estava cada vez mais entregue ao nada, quando não conseguia se concentrar para escrever o novo romance que a editora lhe cobrava. A cena que gravaríamos constava em um diálogo corriqueiro da garota tentando impulsioná-lo a fazer seu trabalho, enquanto ele continuava se distraindo com qualquer coisa, fugindo das suas responsabilidades. 

Com bastante profissionalismo, mesmo que meu coração estivesse se revirando do avesso, e a forma confiante que Kang Joon impunha em suas ações me irritassem pouco a pouco, a cena saiu sem problemas. Enquanto olhávamos a mesma repassada na pequena tela com o diretor, ouvindo os conselhos de meu tio que nos apontava os pontos que precisavam sair com mais naturalidade, senti os olhos de Kang Joon correrem em meu rosto. Logo sua mão alcançou alguns fios da minha franja, que estavam bagunçados. Eu o olhei, percebendo que minhas bochechas estavam queimando. Seus olhos encontraram os meus e instantaneamente senti a adrenalina correr meu corpo como se fôssemos velhas conhecidas. Engoli em seco, desviando o olhar, enquanto meu colega fazia o mesmo, parecendo se dar conta do que estava fazendo. Repetimos a cena mais uma vez, enquanto eu sentia que meus ossos pareciam querer sair correndo de dentro de mim quando Seo Kang Joon se aproximava. Tentava fazer tudo para não demonstrar que de repente, eu estava nervosa. Não pelo trabalho, mas por saber que ainda teria várias cenas como aquela para fazer, e que nem se eu quisesse eu teria como fugir dele.

Ao se aproximar das 13h, conseguimos terminar a primeira parte das gravações do dia. Me juntei a Jae Hwa, que me esperava por trás das câmeras com um copo de suco. Ela sorriu para mim, sinalizando que eu tinha feito bem aquela cena. Peguei o copo que ela estendeu para mim e dei um gole, tirando meu celular de meu bolso, que vibrava recebendo uma mensagem.


Vamos almoçar.


Olhei por entre as pessoas, encontrando Seo Kang Joon, que me olhava como se esperasse uma resposta. Franzi a testa, pensando em como ele podia simplesmente tratar esse drama que estávamos envolvidos com tanta naturalidade. Meu celular vibrou outra vez, podia ver que ele estava digitando no seu. "É só um almoço. Vamos conversar.", pude ler assim que abri a mensagem. Respirei fundo, pensando que talvez fosse bom se conversássemos. Começava a digitar sua resposta, quando numa vibração constante, o celular anunciou uma ligação de Jung Hae In. Atendi imediatamente, pensando que talvez aquele fosse um sinal de que eu poderia continuar fugindo de qualquer estresse que aquela conversa poderia me causar. 

Bom trabalho. Você ainda é ótima na TV. — ouvi a voz brincalhona de Jung Hae In e automaticamente olhei ao redor para encontrá-lo próximo a porta da sala em que estávamos, com um sorriso, me olhando. Sorri para ele também, pensando que essa poderia ser a oportunidade perfeita para ignorar Seo Kang Joon. Meu colega seguiu meu olhar e encontrou também Jung Hae In.

— Quando você chegou? — perguntei para Jung Hae In, indo em direção a ele. Seo Kang Joon seguiu meus passos, e chegou antes. Pude ouvi-lo cumprimentar meu amigo antes de mim, que teve como resposta a habitual carinha de felicidade que só Jung Hae In tinha. Fechei os olhos e cocei minha testa. Minha cabeça começava a doer.

Tudo o que eu queria era fugir de Seo Kang Joon. Ele passara a manhã inteira, desde que me viu, tentando se aproximar, conversar normalmente, parecia ignorar o fato de que eu estava incomodada. Mesmo quando eu era poucas palavras, ele insistia, como se só sua perseverança fosse capaz de arrumar as coisas. Tinha sido gentil e educado, até mesmo se dado ao trabalho de me arrumar a franja bagunçada. Não parecia interessado no fato de que eu estava fazendo de tudo para ignorá-lo, e com ele próximo, isso ficava difícil. Vi os dois amigos em minha frente se cumprimentarem e iniciarem uma pequena conversa a respeito do drama, quando eu me aproximei e outra vez, ignorei a presença do meu vizinho. Sorri para Jung Hae In, tentando parecer alegre por estar ali com ele.

— Você parece que nasceu fazendo esse trabalho. — Hae In passo as mãos em meu cabelo, me fazendo carinho enquanto me elogiava. Sorri sem graça e o agradeci. Ele era uma das pessoas que tinham acompanhado meus trabalhos nos últimos anos. — Tá com fome?

— Sim. — fiz um biquinho para ele. — Mas quando você chegou? Achei que viesse mais tarde.

— Você não tem gravações hoje? — Seo Kang Joon perguntou, impaciente. Hae In confirmou com a cabeça, colocando as mãos no bolso.

— Estou com um pouco de folga agora, então eu vi. Vamos almoçar? — ele sorriu para mim e me pegou o pulso, me deixando mais próxima dele. Concordei com a cabeça, pensando que me livraria do cara indesejado naquele instante. — Kang Joon, você vem? — senti meu peito levar uma pancada. E disfarcei uma careta, desejando internamente que o garoto fosse recusar o convite, mas percebendo como eu ficara, ele aceitou. Suspirei fundo. O Kang Joon legal foi invenção de uma realidade paralela, pensei, lembrando que ele parecia estar voltando a ser um idiota, e que sua fase legal só tinha durado até o dia em que o vi com aquela garota. 

Jung Hae In nos guiou para fora da sala cheia de técnicos e fomos ao restaurante que ficava em frente ao local da gravação, onde ficamos em uma sala reservada como da última vez, para evitar fotógrafos e possíveis comentários descabidos. Seo Kang Joon, enquanto estávamos sentados escolhendo o que comeríamos, não tirava os olhos de mim, procurando uma brecha para falar alguma coisa. Eu evitava fazer contato visual com ele, como tinha feito a manhã inteira, para não cair em mais uma de suas armadilhas hipnóticas. Jung Hae In sabia puxar conversa como ninguém, e mesmo que talvez percebesse o clima estranho que nos rondava, parecia buscar uma forma de amenizar as coisas. Ele estava contando a história do drama que estava gravando, cujo personagem tinha uma noiva, mas se apaixonava uma outra pessoa, sem perceber. Não pude deixar de rir ironicamente da forma como vida e arte se misturam. Sem nos dar conta, nossa conversa mudou para falarmos de relacionamentos, e nem Seo Kang Joon nem eu, parecíamos estar a vontade para aquele tipo de conversa.

— Mas e você, — Hae In chamou a atenção de seu amigo, depois de contar sobre o escândalo de separação que um de seus colegas estava vivendo. Seu amigo olhou para ele temendo o que fosse dizer. — Ainda está com So-ra? — nós dois engolimos em seco ao ouvir aquele nome. Se Jung Hae In conhecesse metade da história que estava nos envolvendo, eu poderia facilmente deduzir que estava querendo nos provocar. Eu olhei para os meus dedos e soltei uma risada fraca, sabendo que teria ali a resposta que estava esperando.

— Sim. — Kang Joon respondeu num sopro, fazendo meu estômago revirar outra vez, como naquele dia. Senti que todas as borboletas que cresciam com a ansiedade da resposta negativa, morriam uma a uma. Fechei meus olhos com força, sentindo a cabeça latejar mais forte que antes. — Não… — ele parecia enrolar a resposta ao ver minha reação, mas não tinha muita diferença. Qualquer coisa que falasse, sem ser a verdade, estragaria tudo. Engoliu em seco outra vez, e suspirando respondeu. — Eu não sei, acho que pode se dizer assim. — ele parecia envergonhado quando o olhei. Os ombros estavam murchos e seus olhos estavam vagos, com a cabeça baixa em direção a mesa. 

— Pois é, vocês são assim. — Jung Hae In riu. Ele parecia conhecer o casal. Era óbvio que conhecia, talvez todos conhecessem. Ri mais uma vez, pensando que todas as borboletas tinham nascido em vão, que todas as vezes que senti meu coração palpitar foram em vão, e que, mais do que isso, Seo Kang Joon tinha me usado apenas como uma distração para o fim de semana. O bolo já se formava em minha garganta, quando dessa vez, a pergunta fora direcionada para mim. — Ah, é mesmo! Choi Yuna, — seu rosto se virou para mim, ansioso, como se fosse um segredo guardado em seus lábios. — não vi mais as fotos daquele cara no seu perfil. — ele disse, comentando sobre Andréa. Respirei fundo, lembrando que tinha apagado todas as fotos com meu ex namorado das minhas redes sociais, como uma terapia para me livrar de todos os pedaços de lembrança que poderiam me fazer pensar que tinha dado certo em algum momento. — Vocês terminaram mesmo? — ele sorriu calmo, esperando pela resposta. Foi a vez de Seo Kang Joon rir pelo nariz.

— Sim. — concordei com a cabeça. — Não daríamos certo de qualquer maneira. — sorri forçadamente. — Ele não tinha olhos só para mim. — disse isso e olhei para Kang Joon, que recebeu a sentença como um tapa na cara. Eu estava tão irritada por ter sido feita de idiota, que mesmo sabendo que isso não era exatamente o motivo para que tenhamos terminado, usar essa colocação naquele momento tinha sido perfeito. 

— Eu sempre soube que ele era um idiota. — meu amigo riu. Ele realmente sempre tinha me perguntado se eu estava bem com meu relacionamento, mas eu estava perdida de amor, não reconhecia um palmo a minha frente. — Você está bem agora? — ele me perguntou, afagando meu cabelo com a mão.

— Ah, sim. Já faz alguns meses, então tudo bem. Estou bem melhor agora. — sorri para ele, sendo sincera. Mesmo que estivesse entre tantas armadilhas com Seo Kang Joon, estava melhor. O garoto me olhava sem nada a dizer. Ele sabia que estava errado e que não tinha muitas desculpas para me dizer.

— É mesmo? — Hae In perguntou mais uma vez, apenas como forma de checar se eu realmente estava bem e que podia ouvir sua próxima pergunta. Eu concordei com a cabeça, e ele se recostou sobre as costas da cadeira, relaxando a postura. — Então… — olhei para ele enquanto tomava água. Ele mordeu sua boca, buscando as palavras e olhou para Seo Kang Joon e abriu um sorriso. — Agora podemos ter um encontro de verdade?


Notas Finais


Ai ai, como lidar com o sentimento de culpa, hein?
Será que Choi Yuna vai aceitar sair com Jung Hae In?

Comentem o que vocês estão achando, qual dos dois vocês preferem... ❤️

Eu vou buscar agilizar minha produção de capítulos ❤️


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