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História 19 semanas atrás - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Finalmente, a verdade


Fanfic / Fanfiction 19 semanas atrás - Capítulo 17 - Finalmente, a verdade

Finalmente

ou

A verdade

Finalmente, a verdade

 

A sexta chegou, os últimos simulados acabaram, todos ali estavam em êxtase, esperando o último intervalo soar, a última vez em três semanas que iriam ouvir aquele sinal irritante. E quando soou, uma multidão de alunos se sentiu liberto. Por três semanas. Mas ainda assim libertos.

Apesar de quererem fugir de Bright Moon o mais rápido possível, alguns continuaram a conversar pelo pátio. Também seria a última vez em três semanas que muitos ali se veriam, pois iria viajar, ou simplesmente se trancar em casa. Haviam estudantes espalhados por toda a escola, cada um dizendo suas últimas palavras, um até logo, marcando uma saída ao cinema ou ao parque.

Nessa sexta também terminava o prazo que Catra havia dado a Double Trouble. Para descobrir alguma coisa sobre Adora. Catra havia lhe dado um nome. Jordan Prime. Suas suspeitas aumentaram quando descobriu a mentira da loira. Ao reativar o Instagram, Catra foi atrás dos seguidos de Adora. E veja só, Jordan Prime não a seguia. Diferente do que a garota havia dito no baile. Ainda assim aquilo era pouco. Jordan não a seguia, mas a Prime Sports, a divisão esportiva da empresa sim. Poderia ter sido apenas um erro da garota. Catra não sabia se queria pensar dessa forma.

A relação entre Catra e Adora durante essa semana foi estranha. O grupinho de ambas, aos poucos, foram se aproximando, puxados por Entrapta, que tinha sido uma ponte perfeita. Na quarta viu Scorpia conversando com Glimmer, algo que Catra nunca pensou que poderia acontecer. Mas ela e Adora estavam distantes. Sim, havia uma conversa vazia aqui e outra ali, um hey Adora quando passavam pelo corredor, e sim, as coisas estavam bem melhores do que antes, mas ainda assim. Catra e Adora estavam distantes. Fingindo que tudo estava bem, que elas estavam reconciliando. Elas estavam. E ao mesmo tempo não. Porque elas ainda não haviam tido a conversa, e colocado todas as cartas na mesa. Para aí sim, poder seguir em frente.

Catra, Scorpia e Entrapta estavam na biblioteca, agora bem mais vazia, com uma outra alma que ainda insistia em ficar por lá. E as três garotas, que encontraram um local quieto e perfeito para conversarem, longe da barulheira que estava Bright Moon. Momento ideal para Catra contar sobre o que aconteceu com ela e Adora, no baile. E depois dele, na manhã seguinte.

 

- Então vocês duas transaram? Vocês realmente foram apressadinhas... - Scorpia estava embasbacada. - Pelo menos antes o momento foi fofo. Mas eu não posso concordar com a atitude que ela teve deixou, ela iria lhe abandonar em uma casa no meio do matagal.

 

Entrapta parecia bem mais interessada em outros detalhes daquela noite. Apenas para pesquisas científicas futuras.

 

- Então quem foi a top? E a bottom? Eu aposto você sendo top, porque tem mais experiência com isso, mas a Adora também tem essa energia, o que me deixa confusa-

 

- Entrapta, o foco aqui não é minha vida sexual. É minha vida amorosa.

 

- Mas essas informações são importantes para entender o comportamento dela. De vocês. Eu já ouvi de uma sexóloga... - Ao escutar isso, Catra realmente queria saber que tipo de coisa sua amiga estava ouvindo, ou vendo. - ...que o que acontece na cama é reflexo do que acontece fora. Então, como foi? Vocês fizeram o básico? Ela-

 

- Entrapta! Foco. No grande elefante branco do meu relacionamento com a Adora. Que é o fato dela achar que eu sou um brinquedo de bate e volta. - Todas ficaram em silêncio por alguns segundos, Entrapta ainda não satisfeita. Catra suspirou. - Fizemos o básico. E ela fez o que você ia dizer depois.

 

Entrapta nem conseguiu abrir a boca, antes que Catra a interrompesse.

 

- Foco. - Falou apontando o dedo para a garota.

 

- Bom, pelo menos no fim deu tudo certo.

 

Aquele comentário de Scorpia chamou a atenção de Catra. Tudo certo? Nada estava certo. Ainda. Ao ver a expressão da morena, Scorpia tratou de desviar o olhar. Estava indecisa. Com o quê, Catra não sabia. Mas não ia demorar muito pra saber.

 

- Eu tenho algo a te contar, Catra.

 

- Normalmente não costumam acontecer coisas boas depois dessa frase…

 

- Na verdade se formos pensar metaforicamente seria cinquenta a cinquenta. Ou ela vai lhe falar algo bom ou ruim, mas tem gente da filosofia que é um pessoal mais estóico que acredita… que… - Entrapta foi aos poucos diminuindo sua voz diante do olhar de Catra.

 

Scorpia viu naquele silêncio a oportunidade de falar.

 

- Eu… talvez… você… talvez a… a Adora… talvez tenha... - Scorpia parou. Se recompôs. Pensou nas palavras. - A Adora talvez tenha lhe enviado um print de uma curtida sua no Instagram e a culpa foi minha de ter enviado pra ela! - Falou em um só fôlego, apressada.

 

Catra apenas encarou Scorpia. Por um bom tempo. Aos poucos, bem aos poucos, o que a sua amiga havia dito ia sendo assimilado. Apenas as palavras-chave. Curtida. Print. Adora. Demorou até que a mente da morena conectasse essas palavras em algo coerente.

 

- Você enviou o print pra ela? Você! Porque-

 

- Eu pensei que estava fazendo uma coisa boa! Tipo, eu queria ajudar você, a se resolver com ela então eu fui stalkear pra sei lá, saber mais dela, mas aí no meio do caminho eu encontrei uma curtida sua e eu pensei que Uau, a Catra ainda deve gostar dela ou algo assim e então... - Scorpia falava quase que atropelando as palavras.

 

- Scorpia. Mais devagar.

 

Scorpia suspirou forte, intencionalmente audível. Catra estava irritada, muito irritada, mas estava compreensiva demais, pelo que conhecia da garota. Por essas horas, ela já devia a estar xingando. Ou socando alguma parede.

 

- Então eu peguei o celular da minha mãe. E tirei um print. E enviei pra ela. Eu… eu achei que eu poderia ajudar. Que isso ia fazer vocês duas conversarem. Eu sei isso soa estúpido, mas eu não penso direito nas coisas. Eu só… só enxerguei uma oportunidade. E tentei ajudar. Da pior maneira possível. Por favor, não me odeie por isso.

 

Catra estava calada. Olhando para suas mãos, descansadas na mesa. Desde que se aproximou de Adora, ela buscava controlar melhor o que dizia. Ela nunca vai esquecer as duas vezes em que viu Adora chorar. Por culpa dela.

Entrapta aproveitou aquele momento para voltar a falar.

 

- Bom, as coisas terminaram bem, certo? Tipo, ninguém saiu ferido, ninguém, tipo… estão todos bem. Sabe, a Perfuma falou sobre isso. Ontem. Que a gente tem que aprender a superar as negatividades, os momentos ruins. E tipo, crescer com eles. Eu não entendi bem o que ela quis dizer com isso, mas… isso que aconteceu… não foi um momento ruim, não é? Então deve ser mais fácil ainda de superar.

 

Catra ficou desviando sua atenção entre suas amigas. Queria que as palavras delas realmente fizessem sentido em sua cabeça, que conseguissem colocar algum senso naquele sentimento de raiva e irritação. Adora. Catra não podia se desgastar com isso. É passado. Já foi. Ela teria que se preparar para Adora, hoje, quando DT encontrasse algo sobre ela. E ele iria. Tinha que encontrar.

 

- Quer saber, OK. Tudo bem. Sem problemas. Passado.

 

- Você realmente tá se segurando pra não gritar com a gente. Tipo seus punhos tão fechados, e você tá balançando a perna numa velocidade que eu nunca vi antes… - Entrapta analisou.

 

- Sim, eu não nego. Tem como vocês me agradecerem por isso?

 

As duas amigas se entreolharam antes de pularem em Catra, dando um abraço, enquanto a morena arranjava mais uma lista de motivos para xingar as duas durante as férias. Férias. Mesmo sabendo que as duas estavam liberadas para visitarem Catra em sua casa, Catra ia sentir falta de vê-las quase todos os dias.

 

- Desculpa atrapalhar o momento de despedida antes das férias, por mais que elas durem apenas três semanas…

 

DT.

 

- Mas eu tenho um assunto pra conversar com você, Catra. Eu encontrei algo. E não sei se você está preparada pra ouvir.

 

Adora.

Hora da verdade, Adora.

 

____________________________________________

 

A cobertura do prédio principal havia se tornado um point para as duas, recentemente. Foi onde Adora pediu para ir sua casa, e desenrolou toda uma história depois disso, e também foi onde Catra aceitou ir ao baile com ela. O que resultou em mais história, e dor de cabeça. Catra não sabia se gostava ou não daquele lugar. Porque mais uma vez ele iria lhe dar motivos para não dormir a noite. Por bem ou por mal.

 

- Eu fiquei preocupada. Você me chamou de repente. Eu já estava indo embora.

 

Catra não chamou. Catra praticamente arrastou Adora para aquele telhado. Sem se importar com olhares de Glimmer, Bow, Mermista ou da diretora Angella. Aquilo ali era sobre elas duas.

 

- Nós temos que conversar. Na verdade, você vai me responder algumas perguntas.

 

Adora sentiu o chão cair e voltar em uma fração de segundos. Ali? Agora? E quando Catra disse conversar, Adora sabia que não estavam ali pra falar de algum encontra nas férias.

 

- O que-

 

- Porque você é noiva de Jordan Prime? Porque você mentiu sobre seu sobrenome? Você não é Adora Smith. Smith. O sobrenome mais comum? Não, seu sobrenome é estranho. Pomposo. Seu nome é Adora Grayskull. Grayskull. Da família. Que tinha uma rede de hotéis e-

 

- E um pai alcóolatra decidiu jogar tudo a perder. - Adora havia a interrompido. As lágrimas já podiam ser vistas. Terceira vez. Mas Catra não podia voltar agora, não agora, em que estava tão próxima de descobrir a verdade. Toda a verdade.  - Como… como você descobriu?

 

- DT. Como? Pergunte a ele. Então… não é mentira? Você… você realmente é… você realmente vai…

 

Adora se apoiou na grade de proteção. Não queria encarar Catra. Não. Ela havia tomado as precauções. Para que essa conversa, essa cena não acontecesse. Havia tomado mesmo? Quando teve coragem de olhar para Catra, pensou que iria ver algum sinal de fúria, de raiva. O mesmo olhar daquela noite, do lado de fora da festa.

Adora não enxergou nada disso. Adora viu Catra. Sua melhor amiga. A garota por quem havia se apaixonado. E feito a questão de tirá-la da sua vida. Por três anos.

Adora não havia tomado nenhuma precaução. Não nessas últimas semanas. Não depois da curtida. De uma simples curtida. Só isso. E era mais do que o suficiente para Adora baixar todas as suas defesas, para se aproximar e tentar consertar tudo. Para que Catra chegasse até ela. Porque estar ao lado de Catra era a melhor sensação que ela já teve em toda a sua vida.

 

- Você… você vai me escutar? - O silêncio de Catra era o sinal de que a garota tinha o dia inteiro. - Não é mentira. Eu estou noiva de Jordan Prime. E eu estou pretendida para casar com ele, no dia seguinte que algum de nós terminar a faculdade. Eu… ele… eles me encontraram. Você lembra o que te disse faz três anos?

 

Catra não poderia esquecer.

 

- Você disse que me desprezava. Que as coisas iam ficar bem melhores na sua vida sem me ter por perto. Que minha família era um bando de… imigrantes nojentos. Eu posso continuar, você quer?

 

- Você era tudo pra mim Catra! - Adora tratou de dizer, não querendo que Catra levasse em consideração aquelas palavras horríveis que havia dito. - Você… quando nos conhecemos, naquele parquinho, lembra? A gente devia ter uns sete anos. Eu era uma medrosa. Uma idiota. E você… você veio até mim. Você perguntou se eu queria brincar no balanço. Eu… eu não era nada sem você. Nunca fui.

 

- Você é uma Grayskull, você é algo. Mais do que eu.

 

- Não, não depois de meu pai começar a falir. Eu acho que ele era fraco da cabeça. Ele… ele só teve tudo de bom. Desde o início. Porque nossa família era rica. Prestigiada. E as coisas sempre deram certo. E na primeira vez que as coisas começaram a falhar, na primeira crise que ele teve de enfrentar, ele… quebrou. Quebrou nossa família. Se quebrou. Quebrou todos nós. Uma pessoa realmente pode destruir um legado. Quando a gente se mudou pra cá, foi com a ajuda de alguns parentes por parte dos Grayskull. E eles fizeram por minha causa. Porque… minha mãe… nunca foi bem vista. Dentro da família dela. E fora também. Eles nos ajudaram para que a gente chegasse como meras desconhecidas. Éramos apenas mais uma família Smith. Eu estava... totalmente destruída Catra. Mas aí… você apareceu.

 

Catra não iria chorar. Lembrar dessa época era pior do que lembrar de quando eram um pouco mais velhas. Porque quando conheceu Adora, ela era apenas uma garota tímida, com medo de tudo, e completamente sem noção do mundo. Catra tinha aqueles pensamentos filosóficos de que aquela pequena Catra de apenas sete anos não sabia o que iria acontecer quando perguntou a uma loirinha sem dente se queria brincar no balanço.

 

- Por todo esse tempo um bando de velho e gente metida cuida do que sobrou dos Grayskull. Os hotéis. E eu queria que continuasse assim. Eu era a herdeira. E a primeira coisa que eu ia fazer quando completasse dezoito era vender. Quando eu te conheci, eu tive mais certeza de fazer isso. E as coisas estavam caminhando para isso… até os Prime. Horde Prime. Ele me encontrou.

 

Horde Prime. Uma figura midiática. Apresentador de TV. Que construiu uma fortuna. E foi barganhando empresas falidas aqui e acolá para fazer seu nome. E fez. Logo, os Prime encontraram seu negócio. Hotéis. E fincaram seu nome. Eles eram o sinal da modernidade, diferente dos Grayskull, que eram conhecidos por sua elegância e por seu aspecto antiquado.

Mas Horde Prime não tinha um sobrenome tão forte quando Grayskull. Grayskull não era só um nome diferente, era algo que representava uma história. De uma família ligada inclusive a fundação daquele país.

 

- Prime me encontrou na pior hora possível. Uma semana antes do meu aniversário de quinze anos. Que até hoje é a pior e a melhor semana da minha vida. Você sabe da minha mãe, não é? Que ela sempre me protegeu, que ela nunca gostou de ninguém. Eu não sei o que meu pai viu nela. Ela estava se caminhando para se tornar uma velha dondoca. Dessas que vão passear com um poodle na bolsa e fazer comprar no shopping... até…até ela descobrir um câncer.

 

Aquilo fez Adora se aproximar dois passos de Catra. A morena estava surpreendentemente calada. Quieta. A ouvidos. Talvez seja pelo que DT falou antes dela arrastar Adora até aqui.

 

- Antes de você fazer qualquer loucura e surtar, que tal você escutar ela? Não é a verdade que você quer saber? E você não vai conseguir afastando ela ainda mais de você.

 

- E… eu pensava que nunca ia me importar com ela, mas… ela era minha mãe. Quer dizer, ainda é. Eu já havia perdido meu pai. Eu… eu não ia perder mais ninguém. Eu não ia aguentar. Ela é minha mãe e perder ela… eu iria ficar sozinha. Ou pior, eu teria que voltar a ser uma Grayskull. Foi então que Horde Prime me encontrou, ainda no hospital. E ele disse que sabia quem eu era. E disse que poderia pagar por tudo, por todo o tratamento da minha mãe. Eu não teria que ver ela agonizando esperando um leito.

 

Catra se sentia cada vez mais desconfortável. Adora… carregou todo esse peso? E nunca havia lhe dito, nem naquela época. Catra era completamente ignorante da vida de Adora. Sentia que nunca havia conhecido a garota. De verdade.

 

- E ele fez isso?

 

- Gente rica e metida não faz coisas por caridade. Ele sabia quem eu era Catra! Ele sabia… que eu era uma Grayskull. Ele estava começando a crescer nesse negócio dos hotéis. E o meu nome lhe daria legitimidade. Popularidade. Os Grayskull eram quase uma família real aqui. O sobrenome dele podia nunca valer nada e ser apenas mais um no meio de tantos outros endinheirados. Mas o meu valia. Para os endinheirados. E para o povo. Ainda. Então… - Adora não conseguiu segurar e voltou a chorar. Soluçar.

 

Catra buscou abraçá-la, mas a garota a impediu, se afastando. Adora queria fazer isso sozinha. Ela era contra ela mesma.

 

- Então ele me deu uma proposta. Proposta. Você não faz propostas para garotas de catorze anos. Você diz o que você quer. E pronto. E ele… ele queria me casar. Com o segundo filho dele que era da mesma idade. Em troca. Em troca do tratamento. Ele queria um sobrenome em troca da vida da minha mãe.

 

- E você aceitou?

 

- Não! Eu não aceitei! Eu.... Eu tinha catorze anos, Catra, o que você acha que passa na cabeça de alguém com essa idade? Quando alguém diz algo assim? Não se passa nada! Eu não entendia aquilo, não entendia aquele alvoroço em torno do meu nome. E ele me deu um prazo. Terça. Esse era o tempo que eu tinha pra pensar numa saída. Aquela semana tinha sido horrível… eu não sabia o que fazer, quer dizer, eu… eu tentava achar alguma solução, alguma solução que não envolvesse me revelar como Grayskull. Eu ainda tinha confiança de que eu achar algo. Tola. E… você estava lá. Domingo. Lembra?

 

Como Catra iria se esquecer. O aniversário de quinze anos. A dança. O primeiro beijo. Conversas e promessas jogadas ao vento. Sentiu a garganta embargar. Abraçou seu próprio corpo, como se tentasse abraçar aquela Catra de catorze anos, que estava alheia a tudo que estava acontecendo com Adora.

 

- Aquele dia… de vez em quando eu lembro ele. Sonho. Aquele foi o último momento em muito tempo. Que eu pude ser feliz. Que eu pude ter alguma esperança. O nosso beijo, aquele momento… eu sei lá, na minha cabecinha estúpida eu achei que era uma forma do universo dizer que tudo ia ficar bem. Independente da minha escolha. E assim eu achei. Eu achei que talvez… se eu não aceitasse, minha mãe ainda poderia encontrar um leito. Eu até poderia me revelar como Grayskull, chamar a mídia, os jornais. Que tudo ficaria bem. Mas… você se lembra do que aconteceu no dia seguinte?

 

Claro. Eram dois momentos, dois dias que Catra foi do céu ao inferno. Na noite de domingo ela se sentia a garota mais feliz do mundo, nos braços de Adora. Na madrugada de segunda, ela estava chorando nos braços de sua mãe, se sentindo a garota mais abandonada.

 

- Na terça, Prime ligou. Ele… eu não sei como. Ele sabia de você. Ele sabia que você… você era a única que eu ainda tinha. Minha única amarra. Que se você se fosse, eu quebraria. Ele disse pra eu pensar rápido porque meu tempo estava acabando. E então ele me disse… Catra, eu…

 

- Por favor Adora, não me diga que você tem algo haver…

 

- Seu pai não foi preso por uma briga. Ele foi preso por ser um imigrante. Ilegal. Assim como você e sua mãe. Prime me contou isso. E foi naquele momento que acabou a última esperança que eu tinha. Pois depois disso e depois de ver você… eu… eu não tinha o que fazer. O que sonhar. Eu não podia deixar ele te machucar. Ele… ele me prometeu que iria acertar a situação de você e sua mãe… se eu aceitasse. Eu… eu não sei se sua mãe sabe que vocês eram ilegais, ou se ela sabia e nunca te contou, eu só não podia arriscar.

 

- Porque você não me contou? Antes. Porque você não me disse-  - Catra chorou. A primeira vez desde em muito tempo, chorou ao lado de Adora. Ela precisava ser mais forte do que isso, mas o mundo dela tinha caído. Ela não sentia forças nas pernas, a visão dela embaçava.

 

O abraço de Adora era a única coisa que estava lhe mantendo em pé. Fazendo se sentir ainda viva, ainda presente.

 

- Porque você falou aquilo tudo pra mim? Porque-

 

- Eu queria que você se afastasse! Eu não conseguiria fazer isso sozinha, então eu te machuquei. Pra que você fosse embora, pra que você me odiasse. Eu não queria… eu queria que você me esquecesse. Eu não queria que você me visse, que depois de anos você olhasse na TV e tivesse uma notícia minha. Casando com alguém que eu nem conhecia. Porque…

 

Adora não confiava mais nas suas palavras. Não confiava que o que ela realmente sentia ao dizer aquilo iria chegar em Catra. Porque ela tinha que fazer acreditar. Então Adora lhe deu um beijo. Sem nenhuma intenção além de acalmar Catra. De trazê-la mais pra perto, de abraçá-la, de cruzar todas as linhas, todos os limites que ainda poderia haver entre elas.

 

- Eu não queria ter você como minha amiga de compras. Eu não queria ter você como minha confidente, do quão horrível era meu casamento, de reclamar do mau hálito de Jordan Prime quando ele acordava ou do quão era estressante era cuidar de filhos. Eu não… você não… essa não é sua posição. Na minha vida. Não a que eu queria. A que eu quero. Eu quero você do meu lado. Não sendo uma amiga. Mais do que isso. Eu tentei te afastar, quando você se transferiu, mais do que nunca. Te ver quase todos os dias, ver que você tava nas arquibancadas, e saber que você estava bem… era o suficiente. Para eu acreditar que fiz o certo. Até... você curtir aquela foto minha. Até você me beijar naquela festa. Ali eu vi que não, eu não queria ter você longe da minha vida. Nunca mais.

 

E ao ver Adora, chorando pela quarta vez, por sua causa, Catra tomou novamente outra decisão estúpida em sua vida. A beijou de volta.

 

- Vai ser difícil me ter longe sua vida, loirinha.


Notas Finais


perdi total a noção do tempo pois resolvi rever hora de aventura desde o início. mas ok. amanhã não vai ter upload. só terça. mas terça eu já envio o ultimo capitulo (18) e o epilogo (19). foi uma longo caminho até aqui.


~spacibo


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