História .2 6 0 4 1 5 (Interativa). - Capítulo 6


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Adolescente, Amor, Assassinato, Assassino, Depressão, Enigmas, Ensino Medio, Escola, Gay, Hentai, Interativa, Lemon, Lésbica, Mistério, Morte, Sangue, Tortura, Yaoi, Yuri
Visualizações 50
Palavras 7.331
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sci-Fi, Seinen, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Sim, eu sei que demorei pra caralho para postar, mas eu precisei de certo tempo para conseguir escreve desse pois a ideia dele era mais vaga do que as dos anteriores. Além disso, também tive que arrumar alguns preparativos para uma nova interativa que estou iniciando, aliás, convido todos vocês a darem uma passadinha lá!
Sinto muito por ter levado quase um mês para postar :(

Bem, não tenho muito o que falar desta vez, então espero que gostem do capítulo!
Boa leitura!

[Recomendo que ouçam as músicas aqui citadas para uma melhor imersão!!]

Capítulo 6 - 04 - Just a Milkshake.


Fanfic / Fanfiction .2 6 0 4 1 5 (Interativa). - Capítulo 6 - 04 - Just a Milkshake.

[Domingo; 17/02/19]

[11h45]


Nervosa. 

Assim se encontrava Maxine. O que não era novidade, mas mais uma vez ela se encontrava com suas mãos trêmulas, perambulando de um lado do cômodo de seu quarto, roendo o resquício de unha que ainda restava em seu dedo. Agoniada, ela lançava olhares curiosos para sua cama de segundos em segundos, a espera de alguma reação da parte das duas garotas que ali dividiam o cômodo consigo. 

Ambas paralisadas, ainda analisavam as mensagens no celular da Andrews, a partir da foto tirada do monitor de Patrick. As duas, concentradas, buscavam o nome do garoto citada na conversa no fundo de suas memórias, imaginando sozinhas se já conheciam o tal.

– E então? – perguntou a que se encontrava de pé, na frente das outras duas sentadas na cama. 

– Não o conheço. – respondeu Megan. 

– Droga… – murmurou Max, desapontada. 

Por outro lado, a ruiva se manteve em silêncio, não olhando para nenhuma das duas. 

Suspirando, ela finalmente tomou coragem para se pronunciar, para então dizer a única coisa que Megan e Max queriam ouvir naquele momento de tensão e nervosismo. 

– Conheço ele. – Megan arqueou suas sobrancelhas, surpresa com a fala desta. – Ele é meio que… um amigo.

Maxine sentiu uma pontada de esperança a atingir, mas ciente de que não deveria comemorar antes da hora, ela apenas conteve sua animação e a vontade de dar pulinhos de alegria, respirando fundo para então, com um sorriso, se dirigir a ruiva. 

– Você tem o contato dele? 

– Tenho, mas… – olhou ambas nos olhos, insegura com a ideia. – Olha, eu não garanto que vá ser uma experiência agradável. – resmungou, sacando seu celular do bolso de sua jaqueta para discar o número e levá-lo até sua orelha. 

Maxine se sentou ao lado de Megan, esfregando suas mãos uma na outra enquanto olhava para a silhueta de Sam, ansiosa. Obviamente, era uma pessoa inquieta demais para esse tipo de coisa, para uma "investigação particular". Mas, o medo de ser a próxima na mão de alguém tão desumano e brutal como aquele que anda à solta pelas ruas de Salem era maior do que qualquer tipo de inquietação que ela pudesse ter, desde apenas um nervosismo até crises de ansiedade. 

– Atende, porra… – sussurrou Sam, brava com a demora do tal Derick ao outro lado da linha. 

Quando finalmente atendeu, as meninas puderam ouvir, do alto falante do aparelho da Jones, uma voz melosa e arrastada falar com certa lábia para cima da garota. Era engraçado, mas confuso ao mesmo tempo para as morenas. 

– Corta essa, Derick. Preciso falar contigo. – se apressou a ruiva, sem paciência para o que quer que o outro estivesse lhe dizendo pelo telefone. – É, ainda hoje… Não, não é isso!

– Que tipo de cara esse Derick deve ser? – Max sussurrou baixíssimo para Megan, curiosa com o que se passava na conversa dos dois. 

De certa forma, para Megan, era engraçado ver como ambas eram. Observando atentamente, via como Maxine e Sam era tão diferentes, mas pareciam se entender de modo misterioso. 

Aliás, quando foi que se tornaram amigas? Quando foi que elas haviam começado com isso, sendo pessoas tão distintas e sem nenhum tipo de laço emocional? 

Claro, ainda era um mistério para Megan. De certo, não iria enchê-las com perguntas nem mesmo ficar martelando isso em sua cabeça. Se fosse para ela saber, então ela deixaria nas mãos dos tempo lhe revelar o que quer que fosse.

– Tudo bem. – falou Sam, por fim, ao telefone, o desligando e guardando em seguida. 

– E então? 

Sam fez uma pausa dramática, olhando o rosto aflito de Max. Não que fosse engraçado, mas era curioso para ela o modo com a Andrews ficava tão nervosa com tão pouco.

– No Jacque's, às duas.

Maxine deu pequenos pulinhos de alegria, comemorando o fato de já conseguirem uma entrevista que, se desse certo, poderia dar a elas pistas a serem seguidas até o possível criminoso. 

Sam apenas rolou os olhos, enquanto Megan continuou com sua expressão indiferente. Quase que automaticamente, a Jones não pode segurar um pequeno sorriso que lhe foi tomando os lábios, vendo a tão simples felicidade, tão ingênua e boba felicidade, tomar a menor a sua frente. 

O modo de ser de Maxine, suas ações e reações, ainda eram um mistério para ela. 

Para Sam, Max ainda era um mistério.

Distante dali, em uma casa localizada a alguns quarteirões de distância de onde as três se encontravam, Melissa mantinha um sorriso no rosto. 

Sentada sobre o sofá de sua casa, acompanhada de seus dois amigos tão queridos, ela mantinha um sorriso em seus lábios, vendo a expressão de curiosidade de apossar do rosto da Bahati ao seu lado. 

– Vai, conta! – pedia a mesma, entusiasmada com todo aquele segredo que a Cooper insistia em manter sobre os acontecimentos. 

Não que ela tivesse que lhe contar, mas possuir um laço de amizade específico com a Mautner possuía, sem dúvida, o privilégio de compartilhar coisas de sua vida e saber da alheia. Seja coisas banais, engraçadas, patéticas e, até mesmo… coisas mais quentes. 

– Eu nunca vou me esquecer daquela noite… – se orgulhou a menor, se jogando de costas no estofado do sofá enquanto mantinha seus braços abertos. – Foi simplesmente… mágico! 

– Meli, você me conhece. – a outra cruzou os braços. – Sabe que eu não trabalho com tão pouca informação assim!  

– Melissa, Melissa… – cantarolou Kevin, lançando para esta um olhar de desconfiança. – O que há de tão especial desta vez que te faz ficar tão calada sobre o assunto? – perguntava ele, também curioso, como se fosse um detetive interrogando um possível suspeito de crime, com lábia em sua voz. 

– Não sei do que está falando, Kevin. 

– Não sabe, uh? – desconfiou ele, fazendo uma careta que expressava isso enquanto falava brincando. 

Melissa parou para pensar, por poucos segundos, se indagando mentalmente sobre que o garoto lhe dizia. De fato, não poupava detalhes quando seus amigos lhe cobravam algum relatório de uma noite de festa, então por que agora? 

Por que ela sentia que, estranha e curiosamente, não queria liberar informações sobre os acontecimentos dentro daquele banheiro?

Rolou os olhos, deixando aquilo de lado. Talvez só fosse o fato de não estar a fim de relatar mais uma de suas transas, poderia ser algo normal… pelo menos ao seu ver. 

Se arrumando no sofá, se aconchegando ao lado de sua amiga morena, ela passou a encarar os dois com um certo brilho em seu olhar. 

– E vocês? 

Os dois pareceram paralisar, buscando em suas mentes algum momento da noite passada, na qual eles haviam feito algo de mais... interessante. Mas não pensaram em nada. De fato, diferente de Melissa, eles não tiveram tanta diversão assim. 

– Gente, que caras são essas? – brincou ela. – Não me digam que… – raciocinou, ligando uma coisa a outra. – Sério? 

Encarava os dois, alternando entre um e outro, ainda surpresa. Sabia que ambos tinham seus "planos", mas saber que nenhum deles foi executado, ou melhor, bem sucedido, era deprimente. 

– Ainda não tive a coragem, sabe?... – se pronunciou Aisha, fazendo um biquinho tímido enquanto encarava o carpete no chão a sua frente. – Com o Thomas… 

– Mas, por que? – perguntou Meli, afim de querer ajudar a amiga em algum momento que fosse possível.

– Não sei, eu só… – suspirou. – E se ele me rejeitar?

– Se ele te rejeitar? Então teremos certeza de que ele é um completo babaca. – rodeou o pescoço desta com seu braço, a puxando para perto em um abraço. 

– Ah, meu Deus… – brincou ela, sentindo um déjà vu. Tinha certeza de que, em algum momento no passado, ela já havia ouvido palavras muito parecidas.

– E você, Kevin? 

– Sim? – perguntou ele, como quem não tinha nada a falar sobre. 

– E aquele garoto? 

– Não sei do que está falando. – brincou ele, olhando ao redor, mas por dentro ele realmente queria fugir daquele assunto. 

Não sabia o que "sentia" em relação a Éden, e por mais que fosse uma atração ou não, ele gostaria de apenas deixar acontecer e, caso algo viesse a evoluir entre os dois, aproveitaria a oportunidade que o destino lhe entregasse nas mãos de bom grado. 

Melissa, vendo a decepção com a vida amorosa de ambos os seus companheiros de vida, estalou sua língua diversas vezes, em desaprovação. 

– Estão precisando aprender com o mestre… – brincou, jogando seu cabelo para trás e fazendo ambos os dois rirem. – Mas, não se preocupem, a primeira aula é de graça. 

Por um segundo, Kevin torceu sua feição. 

O que Melissa havia acabado de falar, sobre aulas, o havia lhe feito lembra de algumas coisa… 

Rapidamente, as memórias de mais cedo lhe vieram e mente. 

Lembrou-se perfeitamente do momento em que, sentado sob a mesa, tomando seu café da manhã, ele recebeu uma mensagem de Raven em seu celular, onde ela propôs de estudarem no início da tarde, que seria um horário mais tranquilo para ambos.  

Direcionou seus olhos para o relógio encontrado no corredor, arregalando os mesmos quando viu os números indicando que faltavam apenas meia hora para uma da tarde.

– Droga… – murmurou ele, jogando a coberta que antes estavam em suas pernas para o auto e dando um pulo do sofá. 

– Céus, que isso? – perguntou Melissa, vendo que a coberta havia parado por cima dela. Ela logo tratou de se descobrir, vendo Kevin vestir seus tênis rapidamente, buscando sua mochila jogada sobre algum canto da sala logo em seguida.

– Desculpem, mesmo! Mas eu tenho que ir! 

– Mas que p… – Melissa estava prestes a terminar sua fala quando, sem aviso algum, ele simplesmente se aproximou das duas, beijou suas bochechas como despedida e saiu correndo até a porta. 

Sem entender absolutamente nada, as duas se entreolharam. Confusas, ficaram estáticas. Melissa ficou pensando em algum motivo que explicasse ele sair desta forma de sua casa, tão rápido quanto um trem bala, mas nenhuma teoria plausível conseguia se formar em sua mente. A não ser uma.

– Parece que ele tinha um compromisso… 

– Começaria com "E", esse tal compromisso? – brincou a menor, vendo a outra lhe encarar e depois começar a rir, a puxando no embalo para começarem a ter uma crise de risos seguida de vários pensamentos do que realmente seria o compromisso de Kevin. 

Enquanto isso ele, que andava o mais rápido que podia, tomava o caminho para a casa da Montgomery, rezando mentalmente para que ela também tivesse se esquecido dos planos para aquela tarde, para que assim ele não fosse punido por seu atraso. 

E com punição, já podia imaginar que teria que ficar parado por horas para que ela fizesse um desenho seu, sendo considerada a pior tortura para ele que, impaciente do jeito que é, não conseguiria ficar parado por muito tempo em uma pose só. 

Claramente, a pior punição de todos os tempos.

Finalmente, após mais ou menos cinco minutos caminhando de seu modo mais rápido, ele chegou ao seu destino. Levemente ofegante, ele levou seus dedos até a campainha, a tocando e esperando que fosse atendido. 

E, assim que a porta foi aberta a sua frente, pode ver o rosto de uma garota ruiva o encarando, torcendo sua feição a fim de demonstrar seu descontentamento com a demora deste para chegar. 

– Tá atrasado. 

– É, eu sei… – respondeu se abaixando, se apoiando em seus próprios joelhos a fim de tomar fôlego. 

– Você veio correndo? 

– Quase isso… 

Com o fôlego recuperado finalmente, Kevin de levantou e, encarando a ruiva a sua frente, lhe lançou um largo sorriso forçado, como se apenas com esse gesto ele pedisse mil desculpas por não ter chegado na hora marcada pela garota. 

Não achando isso o suficiente, ela sorriu maldosamente para ele colocando sua mão sobre a porta e, de modo rápido, tentou fechá-la no garoto. 

– Ah, Ray, espera aí! – sabia ser uma brincadeira, que ela não iria realmente fechar a porta na cara dele, mas isso não o impedia de entrar na brincadeira e fazer uso de seu drama. – Desculpa, eu só não percebi a hora passando. 

Raven se manteve quieta por algum tempo, antes de sorrir para ele e deixá-lo entrar em sua casa, por fim. 

Assim que entraram, Kevin não pode deixar de sorrir para os pais da garota que se encontravam na sala. Já sendo um conhecido da família por ser amigo da Sawyer, não demorou nada até que Jenna, a mãe desta, fosse até ele para o cumprimentar. Trocaram breves palavras antes que Raven puxasse o garoto para o andar de cima, o levando até seu quarto onde eles dariam início aos seus estudos.

Quando chegaram ao cômodo, a garota fechou a porta e logo foi até sua bolsa, a jogando sobre a cama onde, agora, Kevin se encontrava sentado, já pegando as coisas em sua própria mochila. 

Em pouco tempo, os dois já estavam completamente mergulhados e concentrados naquele pequeno ambiente que criaram, aprofundados na matéria escolhida de modo que aquelas paredes conheceram uma quietude nunca antes vista. Sequer viram o tempo voar, imersos em seus livros e cadernos, procurando entender melhor o que fora antes passado em aula, não puderam perceber os ponteiros rodando e rodando no relógio, sem qualquer descanso.

Mas essa quietude foi quebrada, após um tempo, vendo que esta já era meio agoniante, a garota se pronunciou: 

– Então… como foi a festa? 

– Ah… – Kevin passou a olhar para a menor, levando uma de suas mãos para o colar em seu pescoço para brincar com ele. – Foi boa, eu acho. 

– Ele tava lá? – as mãos do moreno paralisaram com a pergunta, num ato de confusão. 

– Quem? 

– Você sabe, o garoto que você vem "stalkeando". 

– Oh, ele… – soltou seu colar e levou sua destra ao seu cabelo, mexendo nele num claro ato de desconforto. – Sim, ele estava. 

– E então? 

– Ray, eu não tô apaixonado por ele ou algo do tipo, olha… eu nem conheço ele direito e… – disparou, vendo a garota sorrir enquanto ele cuspia suas palavras. – O que? 

– Quem foi que disse algo sobre você estar apaixonado? 

Kevin ficou estático, sentindo suas bochechas ficarem levemente vermelhas. Com sua mão em seus cabelos, ele bagunçou seus curtos fios negros e se jogou sobre as almofadas amontoadas na cabeceira da garota, desacreditado.

– Você não existe, sabia?... 

Com isso, a garota pôs-se a rir, apenas achando engraçado o desconforto do menino quando o assunto era aquele que ele vinha olhando com outros olhos, por assim dizer, de acordo com o modo que agia quando o menino estava presente. 

Era claro, para Raven, que Kevin não o via como um qualquer. 

Claro como a luz do dia. 

Antes mesmo que Kevin pudesse tentar se defender ou que Raven pudesse lhe lançar mais alguma indireta para que ele ficasse ainda mais nervoso, um som familiar fez os dois pararem o que estavam fazendo para direcionarem seus olhares para o lado. 

A porta, na parede oposta à cama onde estavam, foi aberta sem aviso algum, rapidamente, revelando um garoto alto e ruivo, despido de camiseta e com uma expressão séria. 

Kevin sentiu seu corpo paralisar, enquanto olhava para o mesmo. Já Raven, torceu sua feição em descontentamento ao vê-lo em seu quarto. 

– Meu Deus, Sean, não sabe mais bater? – buscou uma almofada pequena em sua cama para arremessá-la no garoto, que achou o ato engraçado. 

– Calma, Raveny. – sorriu ao tentar, descaradamente, acalmar a irmã, usando o apelido dado a ela, cujo menos gosta. 

– Primeiro, não me chama assim. Segundo, o que quer? – se adiantou ela, sem muita paciência com o mais velho. 

Neste momento, Kevin se encontrava paralisado, como um soldado desarmado no meio de um tiroteio entre ambos os ruivos. E, de fato, era como estar em meio a uma troca de farpas, e eles ainda estavam considerando ter uma pessoa de fora da família presente, assim mostrando mais calma durante seus argumentos.

– Quero saber se pegou meus fones. – respondeu ele, sendo direto desta vez. 

– Estão ali, na mesinha. 

Sem muito pudor, ele adentrou o quarto da garota em passos rápidos, cruzando o cômodo até chegar ao móvel e agarrar aquele emaranhado de fios que notou, de longe, serem seus tão procurados fones de ouvido. 

Kevin, ainda calado, não conseguia tirar os olhos do garoto por um instante sequer, vistoriando as marcas de seus músculos sob seu corpo desnudo durante cada movimento, quase sem piscar no processo. 

Raven, notando isso, apenas riu da cara que o amigo fazia, hipnotizado pelo corpo de seu irmão que, como ele mesmo vinha se vangloriando, era musculoso e atraente. Ray não podia discordar, já que via diversas garotas, das mais variadas desde aparência até idade, virem cobiçando o jovem pelo seu corpo tão jovial.

Assim que pegou o que queria, Sean deixou o quarto da irmã, rapidamente e sem sequer olhar para os dois na cama. O moreno manteve seu olhar na porta até segundos depois dela ter se fechado, e foi preciso que Raven estalasse os dedos na frente de seu rosto para que ele finalmente retornasse ao mundo real, deixando seus devaneios com o corpo alheio de lado. 

– Se já parou de babar pelo meu irmão, vamos continuar? – brincou ela, vendo a expressão no rosto do menino, ainda bobo.

Ray não conseguiu segurar o riso ao ver o rosto do amigo, antes paralisado de cobiça, agora tomar uma melancolia exagerada seguida de uma simulação de choro, conforme ele se jogava novamente sobre suas almofadas. 

– Por que ele é hétero!?... –  choramingava com voz arrastada, dramaticamente enquanto Raven ria. 


[12h19]


Lá se encontrava ele, sentado sob o estofado do sofá de sua sala, a encarar o nada em sua frente. Não sabia por que estava tão hipnotizado, estagnado, naquela posição, mas se mantinha daquele jeito. De certo, estava de cabeça meio cheia nos últimos dias. Tinha matérias para rever, das quais estava indo mal por pura preguiça, tinha atividades extracurriculares das quais participava e precisava, pelos seus pais, mostrar algum interesse, mesmo que este fosse nulo. Além disso, ainda tinha aquele que ainda se encontrava a solta, talvez pronto para fazer mais vítima por aí. 

Estranhamente, não era algo que interferisse diretamente em sua vida, mas já não era a primeira vez que se encontrava pensativos desde que o cadáver de Chris havia sido encontrado. 

Estranhamente, aquilo ainda incomodava Kai, de certa forma. 

Finalmente, foi desperto de seus devaneios quando sua irmãzinha, Yindi, se sentou ao seu lado no sofá, segurando uma folha de papel e alguns gizes de cera em mãos. O esverdeado não conseguiu segurar o sorriso leve, bobo, que se apossou de seus lábios ao ver a figura tão inocente da pequena se aproximar. 

Se virando para ele, ela sorriu de forma adorável, voltando a colorir a folha em suas mãos com vários rabiscos que, mais tarde, formariam um de seus mais bonitos e trabalhosos desenhos. 

Mas o sorriso bobo nos lábios do descendente asiático logo se desfez, voltando a sua indiferença habitual, quando ouviu a porta da frente abrir revelando o homem alto, cujo Kai, com toda certeza, não se dava bem. 

Não estava com cabeça para aguentar sequer uma palavra da boca do homem, do qual tratava como estranho e, se possível, queria que não estivesse vivendo na mesma casa que ele. Não tardou em se levantar do móvel e contornar o homem, saindo dali o mais rápido possível para não ter que olhar na cara deste. 

Newt não fez diferente, ignorando a presença do menino que passava por ele como um rio por uma pedra, evitando o máximo de contato possível. Sem se importar, o chinês seguiu seu caminho, atravessando o cômodo para ir até o sofá, se sentando à uma certa distância de Yindi, ainda concentrada em sua obra prima, buscando o controle remoto da televisão para ligá-la em um canal qualquer. 

Kai, ignorando as ações deste, por mais que ficasse com um pé atrás ao vê-lo tão próximo de sua irmãzinha, seguiu seu caminho pelo corredor comprido que levava aos quartos. E ele teria seguido direto se, infelizmente, não tivesse ouvido um som estranho vindo detrás de uma das portas do corredor.

Parando por alguns segundos, ele tentou identificar que tipo de som seria aquele, mas sentiu repulsa assim que o fez. A porta em questão se tratava do quarto de seu irmão, e o som que tanto o indagou vinha da garganta de uma garota dentro do cômodo, que parecia estar se divertindo bastante com Christopher lá dentro. 

Apertando seus olhos em sinal de pura reprovação pelos atos de seus irmão, que vivia levando garotas para a casa agora, ele seguiu seu caminho até seu quarto o mais rápido que pôde. 

Claro, Kai não tinha nada a ver com a vida sexual de seu irmão, mas seu quarto tinha que ser logo ao lado do seu? Obviamente, ele devia ter cometido uma atrocidade para ter tal punição… 

Ao chegar ao seu destino, ele fechou a porta e alcançou seus fones numa mesinha ao lado de sua cama, conectando o fio no celular e nos seus ouvidos com uma velocidade nunca antes alcançada, a fim de afastar aquelas grunhidos vindo do cômodo vizinho. Deu play em sua playlist favorita e aumentou o volume no máximo, se jogando de costas sob seu colchão. 

Fechou seus olhos, apenas se concentrando na rápida letra ditada pelo cantor em seu aparelho. Estranhamente, sentiu uma pressão em seu peito e, assim que abriu os olhos assustado, notou ser apenas sua bolinha de pêlos branca, também conhecido como seu gato de estimação, Holly. 

Este subiu sob seu peito, o encarando enquanto emitia um ronronando tranquilizante de seu peito cheio de pelos branquinhos. Kai lançou a ele um sorriso ladino, fraco, antes de levar sua mão até a cabeça do felino para fazer um pouco de carinho no animal.

 E, como se já não bastasse seu gato para lhe fazer companhia e atrapalhar seu momento de ouvir suas queridas músicas, sentiu seus celular vibrar em sua outra mão. Levou o aparelho até seus olhos, vendo uma notificação brilhar sob a tela bloqueada. 

Raven. 

Desbloqueando o celular, pode ver que a mesma havia lhe mandado uma mensagem. Ou melhor, uma imagem. Se tratava do tão aguardado desenho que ela havia feito dele, agora terminado e retocado com caneta preta, estava pronto. 

Assim que terminou de analisar o que seria seu retrato, tratou de respondê-la:


Raven:

"[foto]

Então? Está aprovado?" 

Kai:

"Precisa aprimorar os traços…"

Raven:

"É sério isso? :l"


Era como se o garoto pudesse ver, claramente, o rosto de Raven em sua frente com a expressão exatamente igual ao emoji enviado. Claro, estava apenas brincando com ela, o desenho estava realmente bem feito e bem detalhado, mas não que ele fosse simplesmente dizer isso… 

Ao largar o celular de lado, ainda fazendo carinho no bichano em seu peito, ele virou sua cabeça para a janela, vendo o forte sol brilhar do lado de fora. 

E longe dali, assim como o esverdeado observava o que havia por detrás de sua janela, Adrian também se encontrava de frente para a vidraça na parede de seu quarto, a observar o céu limpo e azulado através desta, vendo o sol já dar início a sua descida após atingir sua posição mais alta, ele mergulhava em seus devaneios tão singelos. 

Em sua mão, Amália se enroscava entre seus dedos, se entrelaçando entre suas falanges enquanto percorria sua epiderme lentamente. Ele alternava seus olhos entre a paisagem por detrás do vidro e sua tão amada cobra de estimação em sua canhota. Em sua mente, nenhum dos dois era presente. As únicas memórias que ocupavam sua cabeça eram as da festa, na noite passada. Mais especificamente, o próprio ato entre ele e Melissa que poderia ser considerado o melhor momento de sua noite. 

Mas, ele se sentia estranho. 

Já havia tido várias outras transas, e em todas nada passou do ato carnal, nada além de sexo e, depois disso, cada um seguia seu rumo para longe do outro. Então, por que e estaria pensando nisso agora? Qual havia sido a última vez que ficou relembrando o ato em seu subconsciente? Qual foi a última vez que ficou pensando em uma garota, mesmo após tudo terminar? 

Amália já não se encontra mais em sua mão, agora rastejando pelo seu antebraço vagarosamente. Notando isso, ele logo tratou de pegá-la com cuidado para colocá-la de volta em sua caixa de vidro. Se levantou da cadeira onde estava sentado, puxando seus cabelos com ambas as mãos para trás, para então se jogar sob sua cama, como alguém casado após um dia cheio. 

Por que estava pensando em Melissa, no modo como seu corpo havia reagido aos seus toques, o som que suas pela faziam ao se chocar e todos os grunhidos que deixavam a garganta da menor de forma tão sensual, por que não conseguia esquecer, como sempre fez? Por que aquilo continuava martelando em sua mente? 

– Ah, merda… – praguejou ele, desistindo de tentar apenas ocupar sua mente com qualquer outra coisa. 

Era inevitável, sabia porque estava se lembrando. O motivo era simples: havia sido maravilhoso, para ambas as partes, e seu corpo clamava por mais. 

A Cooper, com toda certeza, havia sido uma de suas melhores, sabia reconhecer isso. Se encontrando com sede por mais, mais de seu corpo, sua voz, seu toque, ele se decidiu. Daria um jeito, mas iria repetir a dose, mais cedo ou mais tarde. 


[14h00]


Éden ouviu o sino do estabelecimento soar pelo mesmo assim que saiu pela porta, sentindo o ar quente da rua entrar em seus pulmões, antes cheios com o ar gelado do ar condicionado e o cheiro de café. Como de costume, tomou rumo até uma lanchonete próxima, a qual tinha costume de frequentar durante seus intervalos. 

De certo, estava deveras feliz com seu emprego. Trabalhava apenas de domingo, mesmo que a carga horária fosse integral, era próximo a sua casa e havia diversos estabelecimentos localizados nas redondezas onde podia comer antes de voltar, quando seu almoço viesse ao fim. Estava satisfeito, vendo que o salário oferecido era suficiente para pagar todas as despesas de sua casa. 

Enquanto caminhava, sentindo o sol sob sua cabeça, puxou o celular de seu bolso, checando se suas últimas notificações recebidas não eram coisas importantes, além de e-mails de operadoras e mensagens de joguinhos, quando sequer notou que estava andando às cegas pelas calçadas de Salem, que se encontravam estranhamente quietas naquele dia. 

Reduziu seus passos, a fim de se precaver de bater em alguém ou em alguma árvore, enquanto terminava de rolar a tela de seu telefone para logo desliga-lo e seguir caminho. 

Mas então, sentiu um impacto forte contra seu ombro direito. 

Uma pessoa, alta e vestida com um moletom escuro, havia trombando consigo, já que estava andando bem mais rápido que o Bazoni mas parecia bem mais distraído que este. 

– Olha por onde anda. – disse o mesmo, um pouco bravo com o ocorrido, parando com seu celular em mãos e encarando o mesmo. 

Entretanto, aquele não deu importância. Continuou seu rumo para onde quer que fosse, sem sequer olhar para trás ou se preocupar com aquele com quem esbarrou. Ele o ignorou completamente. 

O capuz de seu moletom estava sobre sua cabeça, impedindo Éden de ver seu rosto. Estranhamente, não foi preciso que ele visse a face deste para sentir que aquilo havia sido um erro. Uma sensação estranha o tomou, como uma pressão interna, apertando seu peito. Pensou ser uma de suas tão costumeiras crises de ansiedade, mas não. 

Não era algo que já estava acostumado, era algo novo e...amedrontador. Ainda encarando aquela silhueta que se distanciava, ele se sentia paralisado. De modo algum, sentiu que deveria manter distância daquela pessoa, por mais confuso que parecesse, sentia isso… 

– Mas, que… – murmurou, sem conseguir terminar. 

Determinado a esquecer aquilo, simplesmente se virou e tomou seu rumo, ignorando aquela silhueta tão macabra e esquisita. 

Aquela pessoa, fosse quem fosse, de certo, era alguém com quem ele nunca mais gostaria de esbarrar novamente.

Contudo, distante dali, onde o Bazoni acabara de ter uma experiência um tanto quanto distinta em sua vida, a porta branca à frente dos dois amigos foi, novamente, esmurrada por um deles. 

Eve, parada ao lado do garoto, se enconstava no batente de madeira branca, a espera de qualquer sinal de vida que fosse emitido de dentro da casa. Já Mick, sem paciência para esperar, deu um último e forte soco sob a madeira, assustando a loira ao seu lado. 

– Max! – tentou gritar, mas foi em vão. 

– Vai derrubar a porta dela, desse jeito… – murmurou a menor. 

– Tá, tem uma idéia melhor? 

– Sim, tenho sim. – se desencostou, cansada de esperar, resolvendo ir embora. – Voltamos mais tarde, ou ligamos. – começou a andar para fora dali, sendo acompanhada do Richmond. 

Após tudo que havia acontecido, desde a descoberta do cadáver até a festa na última noite, tanto Mick quando Eve estava deveras preocupados com a Andrews, que parecia agir mais estranha a cada dia. 

Cansados de apenas fazer perguntas sem respostas, haviam decidido passar na casa desta, a fim de acharem alguma justificativa e, se fosse o caso, oferecer auxílio a amiga em qualquer que fosse a situação. 

Mas, como já comprovado após Michael quase colocar a porta desta abaixo, ela não estava em casa. Derrotados e por intermédio de Eve, agora eles tomavam o caminho para fora dali.

– Isso tá muito estranho… 

– Nem me fale. – acrescentou ela. 

Andavam em passos lentos, isentos de pressa enquanto ainda deixavam o quintal dos Andrews. Ambos olhavam apenas para baixo, sem se encararem.

– Ela vem agindo dessa forma desde que acharam o Chris e… – Mick não conseguiu continuar após citar o nome deste, vendo que ainda estava abalado mesmo depois de tantas semanas. 

– Ontem, ela… entrou no quarto do Patrick, durante a festa. – comentou ela, recebendo o olhar de surpresa de Mick sobre si de imediato. 

– O que ela tava fazendo lá? 

– Eu não sei. – respondeu, usando um tom que indicava o óbvio. – Mas isso não parece bom… 

– Ela chegou com a Samantha, lembra? Teria alguma ligação? 

Eve sorriu, o encarando por poucos segundos antes deste notar e encará-la de volta. 

– Que foi? 

– Tá com ciúmes? 

– O que? Não! Por que eu teria ciúmes de alguém como a Samantha? Eu só… estranhei o fato de ela não ter ido conosco e sim com ela, só isso… 

Fez uma longa pausa, contemplando o ambiente pelo qual passavam. O sol morno sob suas cabeças projetava suas sombras no asfalto, os acompanhando durante o caminho. 

Carros passavam para lá e pra cá, crianças corriam pelas ruas. 

Todos, desde os moradores a própria cidade, sabiam fingir que tudo estava bem, escondendo por debaixo dos panos todo o caos e pavor que preenchiam aquelas ruas após os últimos acontecimentos.

– Acha que ela deve estar se metendo em alguma encrenca? 

– Ah, conhecendo Maxine Andrews como conheço, não é uma hipótese a ser descartada. – brincou Eve, vendo Mick sorrir. – Eu tô preocupada com ela… 

Já se encontravam mais afastados da casa de mesma, agora seguindo por um caminho qualquer pelas ruas da cidade, sem rumo, destino ou objetivo a seguir, apenas a colocar um pé após o outro.

Mick passou o braço pelos ombros da mesma, demonstrando compreensão de sua parte. Estavam ambos preocupados, obviamente, mas se até agora o destino não havia lhes revelado todas as respostas para suas perguntas, bastava a eles apenas esperar e tentar conversar com a garota.

Então, Eve parou, fazendo Mick fazer o mesmo, enquanto olhava para o nada a sua frente com um sentimento de confusão em seu semblante. 

– Espera. 

– Que foi? – perguntou Mick, arrumando o porkpie de tom vinho em sua cabeça enquanto a encarava, curioso. 

– Sabe da Megan? 

– Não… – Mick a encarou por alguns segundos, ligando os pontos assim como a loira também fazia. 

Eles podiam não saber onde Max se encontrava, ou Megan, mas para sua surpresa estavam mais perto do que podiam imaginar. 

A apenas algumas quadras dali, uma lanchonete popular e muito conhecida na cidade, se não a melhor de Salem, por possuir o tema tão retrô que muitos adoravam, acolhia em sua frente, estacionado há um bom tempo, uma velha picape de cor azul clara.

Dentro dela, ambas as três detetives mirins em treinamento se mantinham a espera daquele que seria o primeiro entrevistado de toda sua investigação. Sam apertava o volante em suas mãos, os sangue deixando seus dedos que ficavam brancos no ato, nervosa pelo fato do garoto estar demorando tanto para chegar. 

Maxine roía sua unha, já em seu limite, pelo mesmo motivo que a ruiva enquanto Megan, um tanto quanto mais calma que as duas, apenas observava o movimento da rua através do vidro do carro. Tudo parecia calmo demais para as três, dotadas de uma pressa inexplicável por respostas ou pistas que lhe fossem úteis, a calmaria era tortuosa para elas. 

Então, finalmente, a silhueta alta e robusta se fez presente na frente da lanchonete de fachada vermelha.

– Ali. – indicou a ruiva, ouvindo a menor suspirar aliviada. 

– Vamos então. – completou Megan, abrindo a porta ao seu lado e descendo primeiro, dando espaço para que Maxine descesse em seguida. 

Sam bateu sua porta assim que saiu, enfiando a chave do automóvel em seu bolso. As três marcharam para a entrada, ouvindo o sino do estabelecimento soar para todo aquele espaço quando cruzaram a porta de entrada. 

Os olhos da Jones fizeram uma limpa por todo o local, encontrando o garoto em uma das mesas do fundo. Perfeita, alvo de poucos olhos, ela seria a mesa mais discreta possível. Sem hesitar, as três logo seguiram até ele, andando pelo corredor entre as mesas e cadeiras vermelhas, além das garçonetes que usavam vestidinhos brancos e com bandejas circulares equilibradas em suas mãos. 

Assim que Sam entrou no campo de visão de Derick, um sorriso largo e branco se instalou nos lábios do negro, que pareceu ter seu dia feito pela visão da ruiva, majestosamente, desfilando até ele. As três se sentaram no banco contrário que o mesmo, que pereceu um pouco surpreso por sua tão querida amiga ter trazido outras garotas consigo. 

– Achei que viesse sozinha. – comentou ele. 

– Nem começa, Derick. 

– Tudo bem, gatinha. – sorriu de modo malandro para ela, tendo maliciosidade em seu tom. – A que devo a honra de te ver hoje, princesa? 

– Queremos falar com você sobre Chris. – Sam pode ver o sorriso em seu rosto ser interrompido, vendo o assunto abordado, o garoto hesitou em continuar.

– Como assim?

– Temos só algumas perguntas rápidas, ok? Não se preocupe, não vou tomar seu precioso tempo. – debochou a ruiva. 

– Ah, amor, você nunca toma meu tempo. 

Maxine e Megan se encaram por poucos segundos, mas esses segundos de silêncio foram suficientes para que entendessem uma a outra, como se conversassem por telepatia. Este silêncio entre as duas valeu por milhares de palavras, principalmente voltadas ao modo como Derick tratava Sam, com tanta lábia e jogando flertes para cima dela. 

De modo infeliz para o negro, Sam não dava a mínima para o charme jorrando de sua boca, se negando a cair em seu papo ou sequer dar-lhe uma chance. 

Sam olhou para Max, trocando um olhar cúmplice com esta, depois assentindo com a cabeça. Esse sinal foi suficiente para entender que aquela seria sua deixa, tomando a frente do interrogatório. 

– Bem, nós descobrimos que Christian estava pegando drogas com Henry. – disse ela, vendo o garoto parar estático, assustado.

– E também descobrimos que o seu nome estava no meio. – completou Megan, em um tom sério. – Vocês estavam comprando com Henry e com outro alguém. 

– Não sei do que estão falando. – respondeu, simplista, direto. 

– Sim, sabe sim. – continuou Megan. – Se não fizesse, Patrick não teria motivos para ter citado seu nome.

– Espera aí, Patrick? D-do que estão falando? 

– N-nós descobrimos a partir de uma conversa dele com Chris. – respondeu a Jones. 

– Sam… eu já disse, não sei de nada!

– Derick. – Sam o olhou nos olhos. – Eu te conheço. Sei que tá mentindo, vejo nos seus olhos. – o garoto engoliu em seco, enquanto a encarava. – Pra quem eram as drogas? 

O garoto ficou em silêncio por alguns segundos, tomando fôlego após gastar todas as cartas que tinha em sua manga para tentar encobrir o que sabia. Passou a encarar a mesa a sua frente, indagando a si mesmo se deveria ficar calado, se deveria contar ou se deveria apenas sair dali, dar as costas para as três e fingir que nada havia acontecido. Mas ali, encarando Sam nos olhos, ele sentiu que não podia fazer isso, que não podia simplesmente omitir aquilo. 

Conhecia a ruiva, sabia que ela não perguntaria aquilo a ele se não fosse algo sério ou importante e, por mais quieto que ele deveria ficar sobre o assunto, ele se sentia seguro para dizer isso a ela. Mesmo que não soubesse o motivo de ela estar lhe perguntando, confiava o bastante nela para a responder, mesmo a cegas. 

– Tá legal… – murmurou. – Posso te contar. 

Sam sorriu, vendo que ali ainda prevalecia a amizade entre os dois, por mais distantes que haviam ficado nos últimos tempos. 

– Mas… – ele sorriu ladino para ela, que paralisou. – Não vou fazer de graça. 

Minutos se passaram, e logo a garçonete trouxe o pedido tão aclamado pelo negro que logo atacou aquele canudo, sugando fortemente o líquido rosado daquela taça. 

– Um milkshake de morango? – perguntou Sam. – É sério? 

– Ah, eu não tomava um desse há meses… – colocou o mesmo de lado por alguns instantes, pronto para finalmente ceder às perguntas das três. 

– Pra quem eram as drogas? – a pergunta foi refeita, mas dessa vez por Megan. 

– Eram… pra muitas pessoas da escola. Usavam Chris para conseguirem. – Maxine não conseguiu controlar sua expressão de espanto. – Ele comprava e eles passavam a diante ou usavam, eu sei lá.

– Maldito bom coração! – murmurou a Jones, se referindo ao falecido. 

– Por isso aquela quantia de dinheiro com Henry… – sussurrou Megan para Max, que pensou sobre. 

– Patrick mencionou outro fornecedor além de Henry. – disse a ruiva. – Quem é? 

– Olha, Sam… 

– Quem é, Derick? – aumentou seu tom de voz, a fim de intimidar o garoto. Este suspirou, olhando para cada uma das três antes de continuar. 

– Anton Crown.

Max reconheceu aquele nome. 

Este era um dos 4 suspeitos principais presentes no documento de seu pai sobre o caso, classificado como um dos homem perigoso da cidade, com passagem tanto por drogas quanto por homicídio. 

– Mas que merda… – murmurou a menor. 

– Sam, vai ter que me desculpar, mas… isso é tudo que eu sei. 

Por mais que fossem poucas informações, a ruiva não podia estar mais agradecida por tudo que ele lhe falou. Aquilo, sem sombra de dúvida, ajudaria ambas as três a darem mais um passo em direção a resposta que tanto queriam. 

– Não pode contar isso pra ninguém. 

– Pode deixar, Derick. – respondeu ela. 

Mesmo estando muito apreensivo por ter contado tudo aquilo a ruiva, depositava tamanha confiança nela que sentia, inconscientemente, que aquelas informações não deixariam aquela mesa vermelha. 

– Então… – começou ele, fazendo um bico fofo enquanto Sam o encarava confusa. – Eu contei o que queria saber, acho que mereço mais do que um simples milkshake, não? 

Sam se aproximou vagamente dele, devagar e sem muita agilidade, para então agarrar a taça com o líquido cor de rosa pela metade e colocá-la a frente dele com voracidade. 

– Só um milkshake!

A rispidez e seriedade dela não conseguiram arrancar nenhuma reação do garoto senão a de assentir, logo depois voltando a tomar seu milkshake de morango. 


[16h10]


O sol já se encontrava perto de se pôr, liberando sua cor alaranjada por todo o céu enquanto tomava seu caminho, deixando Salem de modo lento. A picape de cor azul clara rodava pelas ruas desta cidade, abrigando três pessoas ao total. O vento que batia em Max a partir da janela era refrescante, a acalmando, em sintonia com a música que tocava a partir do rádio do carro. 

Dogfight, de Current Joys, tocava em tom baixo, criando uma atmosfera relaxante para as meninas. 

Suspirando, se deleitando do toque tão conceitual da música tocada, Sam fez a pergunta que estava se remoendo a um tempo, após o silêncio reinar entre elas. 

– Então, voltamos para sua casa? – se pronunciou, falando com Max. 

– Sim, eu acho. 

– Não. – interferiu Megan, atraindo o olhar confuso de ambas para si. 

– E por que não? 

– Não podemos ficar em um lugar tão óbvio. – Maxine tentou acompanhar a linha de raciocínio da mais alta. – Se ficarmos falando sobre isso e nos reunirmos em lugares tão simples e abertos, mais pessoas vão acabar descobrindo sobre. Eu sou um exemplo vivo disto. 

– De fato. – respondeu Maxine, se lembrando do quão desleixada foi a ponto de usar sua casa como área de trabalho. 

– Precisamos de algum lugar mais isolado, desconhecido, para podermos fazer isso com mais calma. 

Pararam um pouco para pensar, mas, para a sorte das três, uma delas já tinha um lugar perfeito em mente. 

– Conheço um lugar. – comentou Sam. 

Maxine comemorou internamente, quase não acreditando que não teriam o trabalho de procurar por aí por qualquer estabelecimento ou local calmo para tal. Já Megan ficou impressionada pela Jones, tão inconvenientemente e prontamente, ser a salvação delas pela segunda vez naquele dia. 

– E onde é? – perguntou a Di Ângelo.

– Não se preocupem, logo vão saber. 

Sem aviso algum, a picape fez uma curva brutalmente rápida para a esquerda, jogando Megan por cima de Max e a esmagando contra a porta por alguns milésimos. 

Por mais curiosa que Maxine estivesse, resolveu entrar no jogo de Sam, esperando pela surpresa de onde seria o tal local secreto reservado desta. 


[16h50]


– É aqui? – perguntou Max, desviando de algumas peças de metal largadas pelo chão. Foi, de fato, uma surpresa para ela quando Sam parou exatamente em frente ao ferro-velho desativado, local onde tudo se deu início. 

– Espera, estamos quase lá. – disse ela, mais a frente, guiando ambas as garotas pelas pilhas de sucata e carcaças de carros antigos. 

Sorrateiramente, Megan se aproximou de Max, enquanto mantinha seu olhar fixo naquela que assumira o papel de guia. 

– Confia nela? 

– Que razões teria para não confiar? 

– Sei lá, talvez o fato de terem se conhecido a pouco tempo e ela estar nos levando a um lugar desconhecido no meio de um monte de sucata? – Maxine a encarou, admirando a resposta tão elaborada que havia construído em tão pouco tempo. 

– Qualquer coisa, nós corremos. – respondeu por fim, continuando seu caminho atrás da Jones que, milagrosamente, não havia ouvido nada do que diziam. 

Então, todo esse mistério finalmente veio ao fim, no momento que fizeram a curva em uma pilha de carros sujos e enferrujadas, tendo uma visão que parecia ser de mentira. 

– É aqui. 

A frente delas, localizada em uma área um pouco mais limpa de todo o ferro-velho, havia uma pequena cabana, construída de madeira escura e, aparentemente, antiga. Em algumas partes de suas paredes era possível ver algumas peças de ferro, planas, tampando antigos buracos onde os cupins haviam devorado. Sua porta, feita com uma grande plana chapa de ferro, se encontrava aberta dando a visão para seu interior. 

Dando um passo para entrar nesta, seguida das outras duas, Maxine ficou impressionada com seu interior. Dois puffs velhos estavam largados ao chão, onde tapetes de mesma idade forravam a terra. Uma cortina com diversos furos era uma das poucas decorações das paredes, além de um sofá esverdeado que parecia ser a peça de mais idade em tudo ali. Tudo isso era iluminado por algumas lâmpadas amarelas presas ao teto de forma desajeitada, com milhares de emendas em fios para lá e pra cá.

– Como…? – começou Max, mas interrompeu a si mesma, sem conseguir continuar o que falava. 

– Achei isso a alguns anos. – respondeu Sam. – Comecei a cuidar e reformar e então… ficou assim. 

– Acho que vai servir. – respondeu Megan, ainda explorando o lugar. 

Após terminarem sua perícia por toda a cabana, Max buscou ao chão um pedaço de papelão grande, rasgado ao seu redor, o colocando apoiado sobre uma peça de ferro num dos cantos da cabana. Buscando uma caneta no bolso de seu moletom, ela passou a riscar o papelão, escrevendo nomes e desenhando setas. Em segundos, estava pronto seu novo "quadro investigativo".

– Tudo bem. Nosso próximo passo… 

Apontou com a caneta, já tampada após terminar seu quadro, para o canto do pedaço amarronzado de papel, onde um nome bem específico estava escrito em um tamanho maior. 

– É Anton Crown.






Notas Finais


Então? O que acharam?
Espero que tenham gostado!

Realmente sinto muito pela demora para postar, tentarei não demorar assim da próxima vez!
Obrigada por todo apoio que já vêem dando até aqui, isso realmente me deixa muito feliz e me anima muito para continuar!

Peço desculpas caso seu personagem não tenha recebido muito destaque nessas capítulo, continuarei me esforçando para fazer todos terem uma boa aparição durante toda a história.

Vejo vocês no próximo capítulo!
<3


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...