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História 2004: Quando Marte se apaixonou pela Lua. - Capítulo 1


Escrita por: e phemerose


Notas do Autor


🍀 TEMPORADA 07: PANTONE
⠀⠀⠀Cor do Ano 2004: Tigerlily

📂 𝐅𝐈𝐂𝐇𝐀 𝐓𝐄́𝐂𝐍𝐈𝐂𝐀
⠀⠀ História escrita por — @phemerose
⠀⠀ História betada por — @notalicethistim
⠀⠀ Capa feita por — @niiwa
⠀⠀ Capítulos — 1/2

⠀💌 𝐍𝐎𝐓𝐀𝐒 𝐃𝐎 𝐀𝐔𝐓𝐎𝐑
Olá a todos! Aqui é a @phemerose e desejo que todos gostem da história, pois foi feita com muito carinho! Antes queria explicar algo que terá no capítulo que é o sistema binário. Consiste em ser um sistema estelar, onde duas estrelas orbitam no meu baricentro (centro de massas) e cada uma tem uma potência diferente, certo? Enfim, acho que é isso. Espero que gostem da história e tenham uma boa leitura! ♡

Capítulo 1 - Quando marte viu a lua pela primeira vez


Fanfic / Fanfiction 2004: Quando Marte se apaixonou pela Lua. - Capítulo 1 - Quando marte viu a lua pela primeira vez

 

14/09/2020

Chenle estava com o pessoal de astronômicos numa pequena montanha inocente, contudo, perniciosa caso não tivesse responsabilidade. Ele estava com o seu telescópio e uma agenda com pequenos planetas na capa para tomar notas sobre informações e algumas coisas para partilhar com a sua classe.

Ele pôs o seu telescópio para ver as constelações brilhantes no céu sem nuvens e com o satélite iluminador da noite. Ele agarrou uma parte firme do seu molde astronômico e colocou o olho no ocular, vendo claramente cada estrela. Sorriu quando voltou a vê-las, porque na noite antecedente não houvera muita visibilidade delas. Chenle fazia parte de um grupo de astrônomos, onde estudavam sobre o universo, embora ainda não estivessem na universidade —  para ele, não há idade certa para aprender porque a qualquer ocasião uma pessoa pode entender algo sem qualquer problema.

Chenle interessava-se pela astronomia desde pequeno e tornou-se ainda mais interessado por causa da sua avó, que morreu quando ele ainda era jovem. Dissera-lhe que quando crescesse, viajaria no espaço num foguete único para ele, tiraria uma fotografia para enviá-la para sua avó e comprovaria que tinha ido visitar o espaço. No entanto, as fotos seriam tiradas e logo enviadas para o céu. Ele acreditava que a sua querida avó veria que tinha conseguido o que queria desde tenra idade.

Os seus amigos expunham sempre que ele era o mais dedicado no grupo. Chenle não discordava deles. Ele passava horas no telescópio a olhar tanto para o céu e nas redes sociais para se mantiver atualizado sobre coisas astronômicas. Chenle dedicava-se muito a deixar a família e especialmente a sua avó orgulhosos.

Chenle gostava de todos os planetas existentes e desvendados do universo, todos eles mesmo, no entanto, havia apenas um que tinha significado, que era Marte. Na sua infância, Chenle estava brincando no quintal da sua casa quando caiu no chão e magoou a bochecha direita, aproximando-se do olho. A parte lesionada criou uma cor bastante vermelha devido à redução que a parte do seu rosto fez contra o chão. Evitou ir à escola por causa do efeito do rosto, mas a mãe disse que a face dele estava assim porque Marte a tocou enquanto adormecia e deixou-lhe, sem querer, desta cor.

Chenle era demasiado bobinho e ainda era uma criança pura na altura, por isso aceitou que astro tinha tocado na parte do machucado enquanto dormia. E foi assim que Marte se tornou um dos seus planetas preferidos.

— Chenle, Chenle! — Numa exclamação masculina, o rapaz ouviu claramente uma voz familiar. Como estava muito focado nas constelações, não se importou com quem lhe chamava. — Estou falando contigo, Zhong.

Ser chamado pelo apelido era algo que só vinha de Jaemin, um dos seus melhores amigos do grupo de astronomia. Tinha um dos sorrisos mais atraentes e um cabelo com uma incrível cor loira. Ambos eram amigos desde a escola primária e juntos acabaram por seguir o mesmo caminho de se tornarem astrônomos.

 — Ah, olá, Jaemin. — Olhou para Chenle com uma expressão repugnante, pretendia receber uma saudação mais entusiástica, mas como era sobre observar as constelações, ele raramente apresentava atenção a qualquer outra coisa. Chenle reparou no semblante de Jaemin quando o congratulou, então tirou o olho do ocular e a sua atenção foi diretamente para o Na. — Perdoe-me, Na. Nos últimos dias tenho estado muito entusiasmado e não tenho prestado atenção a outras coisas.

— Sem problemas — Jae proferiu, cruzando os braços e apoiando-se numa pedra grande ao seu lado. — Mas mudando de assunto, notou algo diferente no céu? Constelações ou algo assim?

— Infelizmente não. Queria ajudar o nosso grupo a obter informações rápidas e novas, mas está tudo intacto há muito tempo. — Suspirou, olhando para o céu escuro com inúmeros pontos brilhantes. — Nestes últimos dois dias, as constelações são as mesmas, embora eu pensasse que Sirius tinha perdido parte da sua magnitude, mas era apenas a minha ilusão.

— O professor disse que raramente as estrelas principais e as mais visíveis no céu perdem a sua magnitude, por isso deve ser apenas a sua ilusão — Jaemin disse, enquanto sorria. — E já sabe que um novo aluno vai chegar ao nosso grupo?  — Zhong negou. — Dizem que ele se parece com você, sempre dedicado e focado na astronomia.

— Interessante, mas ninguém vai me igualar — Chenle falou com um tom orgulhoso. Jaemin soltou uma pequena gargalhada quando ouviu o seu amigo. Em seguida, apalpou o telefone que vibrava no bolso, tirando-o e vendo uma notificação através do ecrã principal.

Ele percebeu o sorriso de Jaemin ao ver a notificação que estava na tela principal de seu celular. Chenle estreitou os olhos com um sorriso perverso, já sabendo de quem se tratava o assunto.

— Chenle, eu tenho que ir agora — Jaemin falou. Olhou para Zhong, que concordava com a cabeça, então sorriu para o mesmo, despedindo-se com a mão e logo desaparecendo a cada passo que dava.

Zhong tinha a certeza que ele tinha ido atrás de Jeno, o seu amigo. Ambos tinham uma ligação muito forte, como se fossem namorados, mas o Jaemin sempre negou e sempre negaria. Chenle sabia que o loiro estava apaixonado por Jeno desde o primeiro ano do ensino médio, embora ainda tivesse medo de confessar que sentia atração por pessoas do mesmo sexo para os pais, já que os mesmo queriam ter uma família padrão. Homem e mulher juntos.

Para Chenle, isso era apenas besteira, até porque o casal perfeito não se vê apenas composto por um homem e uma mulher, mas sim por um casal apaixonado. O amor é fundamental, basta. Se você ama uma pessoa que é do sexo oposto, simplesmente ame-a e ignore completamente os comentários que as pessoas irão fazer. Deixe-os cuidar da própria vida.

Chenle se declarou gay em seu segundo ano do ensino médio, quando ainda era menor de idade. Apesar de receber muitos comentários malévolos dos estudantes, ele não reagiu a eles e continuou a seguir sua vida. Zhong queria saber qual era o problema de ser gay, era a única coisa que ele queria saber da pessoa mais sincera do mundo. Para ele, atração pelo sexo oposto não era pecado e nunca seria. Embora acreditem que de certa forma é uma profanação, em sua opinião não há nada de errado nisso. Mas tudo o que Chenle fez e faria eternamente é respeitar a opinião de cada pessoa.

Ele passou a olhar para o celular, que vibrara apenas uma vez acima da sua mochila. As mensagens eram provenientes de Haechan, seu atual parceiro com o qual dividia o aluguel do apartamento em que estavam hospedados.

 “Brother, você está demorando muito. Estou morrendo de sono e não quero abrir a porta para você à meia-noite. Por favor, venha!"

Chenle suspirou ao ver a mensagem. Visualizou e não respondeu, antecipando já as queixas que o amigo faria no futuro quando chegasse a seu apartamento. Começou a arrumar sua mochila, desmontando cuidadosamente o telescópio para não deixar cair quaisquer utensílios. Após alguns minutos, ele havia arrumado tudo, pegou suas coisas e saiu daquela pequena montanha atento a cada passo que dava.

O resto do pessoal do grupo ainda estava na montanha. Zhong deveria ficar, no entanto, estava muito cansado e resolveu seguir em direção a seu apartamento. Esperava que seu professor não pensasse que o mesmo tinha caído da montanha ou que algum pé grande tinha pegado ele.

Ele lembrou que o dia da hidratação de seus cabelos estava próximo e o que creme acabara no dia anterior por causa de Haechan. Então, em vez de ir direto para seu apartamento, ele mudou de caminho e se dirigiu à farmácia. Entrando no pequeno comércio, foi em direção à seção de cosméticos capilares e encontrou uma parte dos cremes hidratantes. Ele pegou o creme que sempre usava e funcionava perfeitamente em seu cabelo.

“Chenle, esse não é momento.” Pensou enquanto seu olhar parou nas sessões de tintas para cabelos. Tentou recusar, mas acabou se afastando dos cremes hidratantes e parando de frente a variedades de tintas.

Ele queria uma coloração bonita, uma que significasse algo em sua vida. Um evento, momento ou algo parecido. Havia fileiras organizadas de acordo com a variação de cor, ele procurou a fileira de cor vermelha e pegou a caixa que uma que tinha uma cor semelhante à de Marte.

Tiger Lily era o nome da tinta que ele havia escolhido. A cor era impressionante, talvez não fosse algo muito relacionado a Marte, mas nunca custava tentar.

Ele estava indo em direção ao caixa, segurando firmemente a tinta solicitada e o pote de hidratação. Agora, ele estava apenas esperando para chegar em seu apartamento e fazer a mágica acontecer, ou talvez, esperar que a mágica funcionasse.

 

15/09/2020

Chenle prometeu a si mesmo que nunca pintaria o cabelo de um vermelho longe de ser a coloração de Marte. Agora, ele olhava para a tela do telemóvel desligado, podia ter uma noção do seu semblante atual e especialmente do seu cabelo. Mexeu as madeixas, querendo encontrar uma bonita posição para voltar em direção ao seu apartamento.

Teria sido apenas uma hidratação longa para o seu cabelo parecer-se com o do seu amigo Jaemin, mas também escolheu pintá-lo. Primeiro, foi a loucura total de Chenle e talvez a pior da sua vida. Na esperança de que parecesse bom, ele saiu apressadamente do seu apartamento e foi à farmácia escolher a tinta certa que se assemelhava à cor de Marte. Não só ficou intrigado com o resultado final do cabelo, mas também com o dinheiro que tinha gasto.

Quando o Chenle estava pintando o cabelo, não tinha pensado que desde o momento em que mudasse radicalmente algo nele, haveria pessoas prestes fazer gozações em relação à sua cabeleira e nada mais do que os seus amigos do grupo de astronomia e o seu amigo Haechan.

Aturar os amigos gozarem com o seu cabelo era uma chatice, e o desejo de dar um murro na cara deles era gigantesco, mas ele sabia que podia perdê-los. Embora o assunto fosse demasiado aborrecido, o melhor era evitar erros envolvendo amizades. Chenle escolheria falar com os amigos e dizer o quanto estava zangado com o escárnio, mas sabia que em breve perderia a paciência, de forma que não houvesse soluções.

A única maneira era não se importar mais, porque no futuro estaria com uma nova cor de cabelo, mas até isso acontecer, ele teria que aturar isto.

Quando o cabelo chegou a uma posição legal, colocou o telemóvel no bolso das calças e começou a caminhar em direção ao apartamento.

Não tinha dúvidas de que teria vizinhos batendo na porta do seu apartamento devido à música alta que o seu amigo Haechan estaria ouvindo. A situação era complicada, Chenle tinha se mudado para o apartamento por causa da sua independência, pois queria conquistar tudo sozinho, sem depender de ninguém, e também queria um lugar agradável para fornecer ao seu conhecimento astronômico, entre outras disciplinas do ensino médio. No caso de Donghyuck, foi expulso de casa pelos pais por causa do embaraço que ocorreu na celebração do 30º aniversário da empresa de seu pai.

Tudo aconteceu de repente, sem aviso prévio, então a única opção era deixar Haechan ficar no seu apartamento até que os pais o aceitassem de volta para sua casa.

Chegou ao seu prédio, abrindo a porta central e começando a subir os degraus da enorme escadaria que levava ao seu apartamento. Ao subir as escadas, ouviu música alta vindo de lá e já conseguia ouvir os gritos do vizinho enquanto batia na porta do seu apartamento. Disposto a ouvir as queixas do homem, suspirou profundamente, aproximou-se da porta e depois retirou as chaves do bolso esquerdo.

— Chenle, é a última vez que bato nesta porta por causa desse barulho que penetra no meu ouvido todo santo dia. Por favor, avise a esse garoto que pelo menos coloque um fone de ouvido! — Por falar em barulho que penetra no ouvido, as queixas estavam sendo reclamadas bem próximas da parte inferior da orelha, doendo pra caramba.

 — Eu vou avisá-lo, pode deixar, e peço desculpas pela altura do som, também direi a ele para diminuir um pouco. Isso não será repetido novamente! — ele falou, forçando um sorriso, vendo o vizinho sair e ir para o seu apartamento.

Claro que isto se repetiria, porque conhecia bem o seu amigo e ele não obedeceria tão facilmente. Recebia queixas que chegavam a um ouvido e saiam pelo outro, ou seja, um completo pestinha adulto que não era independente e depois vinha e dizia que era.

— Vamos, Haechan! — Chenle exclamou em voz alta, para que se o seu amigo pudesse ouvir, e logo deixou cair a mochila no sofá e caminhou na sua direção. — Já disse várias vezes que não se ouve música muito alta, que temos vizinhos! — Queixou-se à frente do amigo, passando a mão esquerda no cabelo, vendo-o soltar uma gargalhada baixa. — O que foi desta vez?

— Tenha cuidado para não ficar muito zangado e acabar queimando o cabelo. — Era tão insuportável. Chenle mordeu os lábios inferiores para encontrar a paz naquele ambiente e não dar um murro na cara de Donghyuck na época. Mas ele não se conteve o suficiente e começou a correr atrás do Haechan pelo cômodo, a ver o maior fazer o mesmo.

Começaram a correr por toda a casa. Chenle havia pegado um livro pesado enquanto Haechan segurava uma almofada, protegendo-se das garras maléficas de Chenle. O engraçado era como odiava e amava o seu amigo ao mesmo tempo. Não podia expulsá-lo de casa, embora fosse o que mais queria, era o seu único companheiro em casa, incluindo também a companhia dos seus outros amigos da faculdade.

— Chenle, falando sério agora. — Pôs a mão no peito, agachando e tentando recuperar o ritmo da sua respiração normal. — Foi aquele vizinho irritante batendo na porta novamente? Que vizinho irritante, hein.

— Sim, era ele. Mas ele estava absolutamente certo em bater na porta porque estava incomodado com a altura da música. Hae, por favor, coopere comigo e com os outros! — Seu semblante entristeceu-se. Ele ficou muito desapontado com o amigo. Pensou por um momento querer expulsá-lo de seu apartamento, mas sabia que logo ficaria triste por não ter a sua companhia favorita.

Haechan sentiu um pouco de desgosto de si mesmo, pela sua cara dava para perceber. Ele apenas fez questão de sentar-se no sofá, cabisbaixo.

— Desculpe, Chen... De novo — ele falou com voz rouca. Começou a se entreter com os dedos, talvez ainda envergonhado. — Faça o que quiser comigo. Diga-me para lavar a louça, dobrar a roupa no varal, ou até mesmo lavar o banheiro. Mas não me mande para a rua.

Chenle suspirou de pena do amigo e de seu tom de voz. Ele também estava certo. Se o expulsasse daquele apartamento mínimo, não teria para onde ir, pois seus pais não o queriam em sua própria casa e ele também era muito generoso com Chenle, dividia o aluguel do apartamento e ajudava na limpeza. Portanto, ele não faria nada que cortasse o contato diário com seu amigo.

— Eu deveria estar dando desculpas para você — ele falou enquanto se sentava ao lado do amigo. — Eu sei que também te devo tudo o que fizeste por mim e por este lugar em que vivemos, mas tenha em mente que este lugar não foi feito apenas para nós. Eu gostaria de ter uma casa só para mim. — Ele formou um sorriso simples no rosto, dando tapinhas no ombro de Haechan duas vezes enquanto ajustava a camisa que estava vestindo e se dirigia para a porta.

— Acabou de chegar e já está de saída? Onde senhorito vai? — Haechan sorriu perversamente, perguntando ao amigo.

— Estou indo para a Biblioteca. Estou procurando um pouco de paz já que você não respeita muito minha privacidade. Veja se você tem cuidado e use um fone de ouvido se for ouvir música! — ele falou enquanto pairava a maçaneta da porta, dando uma piscadela antes de sair. — Ora, senhorito, mora comigo e ainda me apelida.

~

Chenle andou pela biblioteca enquanto carregava um livro nas mãos, que não estava lendo porque não era nada interessante. Ele só estava a prestar atenção a algumas palavras definitivas e desconhecidas por alguns, por essa razão, ele tentaria mantê-las na sua consciência para usar em textos descritivos mais tarde.

Mas o seu plano naquele ambiente era encontrar a paz e a biblioteca era o lugar ideal para isso. O seu amigo já não respeitava a sua privacidade — na verdade, ninguém, para clarificar — e isso deixou-o muito melancólico, saber que já não teria a sua vida particular desejada.

Quando pôs os seus pensamentos de lado, percebeu que tinha esbarrado com um rapaz que caminhava na mesma direção que ele, onde caiu no chão com o quadril já dolorido.

— Está bem? — Num tom preocupante, a voz masculina foi ouvida no meio das queixas murmuradas do menor caído, reclamando da dor que vinha do seu quadril.

Tentou içar-se, mas foi interrompido pelo rapaz que estendeu a mão para ele, o incentivando a levantar com a sua ajuda. Quando se levantou, deparou-se com o semblante do rapaz, que mostrava um sorriso fino. Ele agachou-se para pegar o livro que trazia antes mesmo de cair.

— Estou bem, obrigado. — Os lábios de Chenle abriram-se em um sorriso incrivelmente elegante, o rapaz também sorriu quando ouviu que o garoto à sua frente estava bem.

O jovem se curvou, saindo da vista de Chenle em pequenos passos. Virou para trás, olhando o garoto interagir com algumas pessoas por poucos segundos e sair pela porta central da biblioteca. Segurou firmemente o livro, apoiando seu queixo sobre a capa dura dele, em sua mente passou o momento em que aquele menino olhou para ele e logo formou um simples sorriso meigo e encantador.

Para, Chenle! Pensou o garoto, levando a sua mão até a parte lateral de sua cabeça, depositando pequenos e leves murros nela. Piscou o máximo de vezes para voltar a controlar em seus sentimentos.

O garoto era extremamente generoso — e muito bonito, por sinal. Ele tinha um cabelo semelhante ao seu, mas com uma coloração cinza no qual ficava muito bonita.

O seu celular vibrou em seu bolso, fazendo-o sair do seu transe e sacar o dispositivo para ver a notificação.

“Amanhã não haverá aula, pois irei viajar à noite com minha família. Então, estarei antecipando a aula de amanhã para esta noite, espero ter vocês no terraço da casa da professora Kim, que nos deu permissão para observar o céu noturno. Levem os telescópios e um caderno de anotações!”

Chenle bufou enquanto fechava os olhos lentamente. Ele planejava passar a noite assistindo anime enquanto comia junk food, mas agora ele tinha o dever de ir para casa da sua professora de algoritmo e, pelo lado bom, observar o céu noturno.

Não sabia o motivo de ainda ter aulas, sendo que desde sempre as pessoas do grupo não obtinham novidades. Mas seu professor continuava insistindo que haveria algo que poderiam ver futuramente. Ao menos, esperava ansiosamente para que ele pudesse ver uma novidade e, finalmente, compartilhar com seus colegas.

~

O professor havia combinado de encontrar os alunos na esquina da casa da professora e ainda tinha marcado a localização. No momento estava garoando pouco e ele queria pegar um táxi para não se molhar. Na última olhada que deu antes de deixar seu apartamento, Haechan estava assistindo a todos os filmes de Toy Story enquanto comia pipoca com refrigerante. Portanto, não haveria nada para se preocupar sobre a criança crescida.

Viu uma pequena aglomeração de pessoas na esquina e com certeza seriam eles.

— Você pode parar bem aqui. — Chenle quebrou o silêncio que reinava dentro daquele carro. Levantando o corpo para mais perto do banco da frente, deu uma pequena e exata quantia em dinheiro ao motorista, que o agradeceu logo em seguida. — Muito obrigado, boa noite! — Ele proferiu suas últimas palavras, abrindo a porta, dando a seu corpo liberdade para entrar em contato com o vento frio, e logo em seguida fechou a porta do carro.

Ele se aproximou de seus colegas e cumprimentou a todos com um simples sorriso em seu rosto. Havia um garoto novato, ele estava um pouco afastado daquela pequena multidão e usava uma jaqueta preta que continha um capuz cobrindo metade do rosto, dificultando Chenle de analisar seu rosto e saber se o conhecia. Ele viu Jaemin conversando com Jeno, uma conversa que era sobre um assunto muito legal, pelo visto, pois eles sorriam um para o outro e riam. Chenle torcia para que este couple desse certo.

— Oh, Chenle! — O de cabelo vermelho aproximou-se de seu amigo, que sorria enquanto em seguida fazia uma cara nada bonita. — Meu deus, Chenle! O que fizeram com o seu cabelo?!

Chenle ficou imediatamente envergonhado, pois a fala de Jaemin soou alto e isso chamou a atenção da maioria dos presentes. Ele só queria um buraco para enfiar a cabeça de tanta vergonha.

— Fala baixo na próxima vez — murmurou Zhong para seu amigo, que engoliu o seco da saliva que nem tinha. — E, bem, eu queria apenas hidratar meu cabelo, mas eu resolvi também pintar da coloração de Marte e meio que nada deu certo — ele explicou próximo ao ouvido de seu amigo. — Aliás; olá, Jeno!

O menino sorriu quando seu nome foi finalmente colocado no meio da conversa, mas logo depois, Jaemin se atreveu a começar a falar novamente.

— Zhong, da próxima vez, tente não fazer besteira — Jaemin falou e logo em seguida soltou uma risada baixa. — Acho que já devíamos ter entrado na casa da professora. Renjun ficou doente hoje, talvez ninguém saiba disso. — Ele mudou de assunto, colocando as mãos no bolso do seu casaco e suspirando.

— Acho que nosso colega Renjun não virá hoje. Então, já podemos entrar na casa da professora. Nós vamos! — O professor falou em voz alta, indo em direção à casa, e como os alunos não sabiam exatamente o caminho, começaram a seguir em sua direção também.

Chegando perto da casa da professora, a maioria deles se surpreendeu com a beleza dela, mesmo que fosse um pouco pequena. Poderia atrair a atenção de qualquer pessoa se estivesse à venda. Pena que não estava. Viram a professora de algoritmo abrir a porta antes mesmo de tocarem a companhia. Além de ser boa em decifrar códigos, também era boa saber quando as pessoas chegariam em sua casa? Possivelmente.

— Boa noite! — disse ela com um sorriso no rosto, abrindo mais a porta para que todos passassem. — Por favor, entrem!

Todos entraram, incluindo Chenle. A casa era verdadeiramente organizada e bonita. Havia móveis, sofás, poltronas entre outros cômodos. Tudo combinava. Ele esperava que seu futuro lar fosse assim e também que quando chegasse a hora Haechan já tivesse deixado sua casa, pois ele não viveria o resto da eternidade cuidando de uma criança mimada e crescida.

— Subam as escadas e abram a porta no final do corredor. Ela irá dar acesso ao terraço — disse a professora, cruzando os braços e estremecendo um pouco devido ao frio da sala.

O professor acenou com a cabeça e então subiu as escadas, indo em direção à porta que a professora mencionou. Os demais faziam questão de segui-lo enquanto outros paravam para admirar em pouco tempo as majestosas pinturas que a professora fazia e colocava em retratos espalhados pela casa.

Chenle foi um dos primeiros alunos que entrou no terraço e viu aquele grande território com uma vista incrivelmente magnífica do céu. Esse espaço era grande o suficiente para acomodar todos os alunos e compartilhar as experiências de todos. Zhong segurou firmemente a alça da bolsa onde guardava seu telescópio, procurando um pequeno espaço para montá-lo e começar a escrever algumas coisas em seu bloco de anotações.

Jaemin e Jeno, que eram seus acompanhantes hoje, ficaram em um canto ao lado dele, mas apenas se certificaram de tirar o telescópio da bolsa e começar a montar. Não demorou muito para que Chenle fizesse o mesmo, retirando da sua bolsa peça por peça e montando com cuidado.

Pegou uma peça média que, por falta de cuidado, acabou caindo no chão e começando a rolar. Ele correu sem hesitar duas vezes. Quando a peça se acalmou e parou mais de rolar, ele levou sua mão para pegá-la, mas foi surpreso por uma grande mão que pegou-a. Antes de erguer os olhos para ver quem era a pessoa, viu que a estrutura de sua mão era semelhante à do professor, mas não era tão bonita quanto.

— Esta parte do seu telescópio é esperta. — A voz rouca veio daquela pessoa. Em sua imaginação, era a imagem do menino que antes estava na biblioteca. E não é que realmente foi. Quando ele ergueu o rosto, viu o rosto do menino sorrindo exatamente como algumas horas atrás e nada havia mudado, exceto suas roupas. — Não vai dizer nem um  obrigado? — O menino riu, mas imediatamente ergueu as duas sobrancelhas como se tivesse se surpreendido.

— Obrigado — Chenle falou com uma voz tímida. Foi a única coisa que conseguiu dizer naquele momento de constrangimento. Ele pegou a peça que estava nas mãos do menino e deu pequenos passos voltando para seu lugar. Ouviu outros passos seguindo-o, era para ser o garoto e novamente ele estava certo.

— Ei, posso te ajudar? — perguntou aquele rapaz enquanto esperava a resposta do ruivo apontando para as outras peças que ainda estavam na bolsa, com o objetivo de ajudar na montagem do telescópio. Talvez fosse essa a sua intenção.

Chenle moveu a sua cabeça, aceitando a ajuda daquele rapaz.

— Certo — ele falou. Começou a ajudar Chenle, pegando as peças e colocando nos devidos lugares na montagem do telescópio. — Desculpe-me, eu nem me apresentei. Eu sou Jisung, o mesmo menino que esbarrou em você na biblioteca e que a partir de hoje irá fazer parte desse grupo.

— Hm, interessante — disse Chenle, pegando uma das últimas peças e encaixando no telescópio. — Eu sou Zhong Chenle.

— Mas enfim, há quanto tempo você está neste grupo? Acho que não deve ser muito jovem, nem muito velho — Jisung perguntou de braços cruzados e observando o garoto montar o resto do telescópio.

— Estou há dois anos. Não tenho certeza se esse grupo é muito antigo ou novo, mas com o passar dos meses ele tem ganhado mais destaque na cidade e mais alunos — Chenle respondeu, sorrindo tentando expor suas pequenas covinhas. — Sonho em estagiar em astrobiologia ou arqueoastronomia. Duas áreas em que roubam meu tempo livre para estar pesquisando melhor.

— Ambas as áreas são ótimas. Nunca pensei que alguém tivesse certa confiança nas áreas em que pretende estagiar. Você é a primeira pessoa — disse Jisung, fazendo Chenle sorrir timidamente.

— Tenho confiança nas coisas que quero. Isso sempre é fundamental para minha vida, mesmo que ela seja controlada por desafios e decepções, quero a ter sobre meu domínio. Mas enfim, você já sabe em qual área quer estagiar? A não ser que você ainda esteja ainda decidindo.

— É verdade, não sei em que área eu quero estagiar. Queria fazer estágio em astronáutica, sempre gostei dos filmes e documentários sobre a vida no universo. Talvez seja isso que eu queira continuar com minha vida — Jisung disse e então seguiu seu olhar para o chão.

— Ser astronauta era o meu sonho, mas acabei virando essa página do meu livro. — Chenle riu.

Um silêncio constrangedor invadiu aquele pequeno espaço em que eles estavam, e passaram apenas ouvindo a fala dos outros alunos. Tanto Jisung quanto Chenle não proferiram uma palavra, apenas olhavam para o céu e às vezes seus olhos se encontravam dando um pouco de pressão.

Chenle começou a pensar que estivesse do lado do menino que horas antes admirara sua beleza. Talvez ele pudesse oferecer seu número a Jisung, mas seria uma grande vergonha para ele. Então, ficaria na dele porque os dois ainda estavam se conhecendo, ou pelo menos, isso era o que Zhong pensava.

~

Já era tarde e todos os alunos estavam quase dormindo em pé. Chenle era quase o mesmo, percebendo no rosto de cada um que eles só queriam ir para casa e dormir, mas, ao mesmo tempo, gostariam de estudar um pouco mais. O professor, percebendo também o rosto de seus alunos cansados, resolveu começar a falar com as pessoas completamente dopadas de sono.

— Alunos, eu entendo que vocês estão muito cansados, então estão todos liberados — disse o professor por fim, ouvindo gritos curtos dos alunos que estavam festejando muito sonolentos.

Chenle comemorou mentalmente, pois já estava em um estado precário e o único remédio que resolveria seria sua cama. Ele começou a desmontar seu telescópio com cuidado e preguiçosamente.

— Chenle? — Era aquele menino novamente chamando-o. Chenle não odiava a presença dele, mas tinha o fato dele causar muita timidez e constrangimento. Tirando o fato de sua beleza também, tão bonito que parecia ser um falso humano. — Quer ajuda?

Chenle ergueu a cabeça em direção a ele, que carregava uma bolsa que possivelmente parecia muito pesada, então negou com a cabeça.

— Ótimo — ele falou em relação à resposta do menor. Começou a assobiar uma música aleatoriamente. Então ele parou de assobiar logo depois, provavelmente diria algo em seguida. — Chenle, não sei se irei para a próxima aula, porque só estou visitando para ver como funciona a sistematização do grupo. Talvez eu volte — falou sorrindo. — Talvez não... Tudo depende da minha disponibilidade. Mas posso lhe dar meu número ou você pode me dar seu número, se quiser.

Aquele garoto de cabelos grisalhos era talvez um vidente e lendo sua mente? Possivelmente sim. Chenle, depois de ouvir isso, abriu um sorriso discreto e vitorioso.

— Posso te dar meu número — Chenle disse e então viu um sorriso aparecer no rosto mais alto. Jisung tirou o celular do bolso e o abriu na lista telefônica, onde gostaria que Chenle salvasse seu contato. — Pronto! — falou quando terminou de salvar seu contato como ‘Marte’ e entregou o celular de volta ao garoto.

Ele viu seu olhar estranho ao ver o nome do contato salvo, mas então percebeu que era por causa de seu cabelo. Ele colocou o telefone de lado novamente e sorriu como se fosse a última vez que se viam. Chenle não desejaria que fosse o último momento com ele, mas sim o primeiro de vários.


Notas Finais


🍀 Não entende o que é isso das cores Pantone? Leia o nosso jornal sobre esta temporada:
⠀⠀ https://www.spiritfanfiction.com/jornais/temporada-06-pantone-21489603


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