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História 242 - Capítulo 29


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Notas do Autor


Tanto tempo sem postar que eu nem sabia que os botões coloridos, como o pra add capítulo, tinham mudado de lugar.
Em fim, drama e lembranças aqui, mas tinha que ter. Boa leitura >^.^<

Capítulo 29 - Mundo pequeno


~ Flashback ON ~ 

Depois de atirarem no idoso e na mulher, saíram os homens com as três crianças sedadas em um carro seguindo para a Crystal Phoenix. 

Chegando lá, a adolescente de quatorze anos foi amarrada a uma cadeira. Tanto a bebê como o menino dos cabelos brancos foram colocados cuidadosamente em uma câmara parecida com uma incubadora de bebês.  

Havia apenas a garota e um homem por volta dos trinta e cinco anos em uma sala de laboratório. 

— Então, menina... Você sabe onde seu avô guardava a grana?  

Um homem com uma cicatriz horrível que ia da sobrancelha à maçã do rosto pergunta à garota quando esta acorda. 

— Não sei, nós não temos dinheiro... O... o que vocês vão fazer com a gente? 

Ela responde ainda um pouco desnorteada. 

— Também não sei não. Hm... meninos, o que acham dela? 

Cinco garotos entre doze e vinte anos que aguardavam do lado de fora da sala entram. Um deles era filho daquele homem. 

— Pai, ela não é muito velha para mim? — O menino mais novo analisa a garota da cabeça aos pés. 

— Daqui a dez anos você não vai nem sentir a diferença. Fiquem à vontade, ela está presa na cadeira. 

— Como você se chama? — Um dos mais velhos, Junya, se aproxima um pouco mais. 

De ascendência Italiana, Junya possuía fortes traços ocidentais e olhos e cabelos castanhos. Um jovem muito bonito e com ar de playboy, mesmo que com um aura um pouco sombria. 

— Horiguchi... Honami. 

— Você é bonita. — Outro menino, Subaru, brinca com o cabelo da garota. 

— Tio Karasu, eu quero ficar com ela. 

— Sai pirralho, eu que vou ficar com ela. — Junya também se manifesta. 

— Junya, você tem dezenove né? 

— Dezoito, senhor. 

— E o Subaru tem treze, então você fica com ela, Junya. Eu a mandarei para o quarto cinco. Os outros estão dispensados. 

O homem, cuja autoridade era absoluta perante os mais novos, tinha critérios um tanto duvidosos na escolha.  

Todos os meninos ali eram definitivamente humanos, filhos de integrantes da organização. Como os não humanos demoravam muito a crescer, precisavam garantir que haveriam pessoas para continuar desenvolvendo as pesquisas. Nada seria mais seguro para eles do que meninas sem família para terem filhos que pudessem ser controlados. Para os meninos até os vinte anos, tudo aquilo não passava de um “encontre seu par perfeito”. 

Naquela época, a tão temida pílula ainda não estava pronta. Muitos jovens na mesma situação de Honami haviam sido sacrificados até que conseguissem desenvolver uma pílula nociva aos “novos humanos” que não afetasse os “humanos verdadeiros”. 

Por sorte da menina, ter sido escolhida por um dos meninos lhe poupou da vida de rato de laboratório. 

Enquanto Junya e Honami se conheciam tomando chá em xícaras de porcelana, a incubadora escaneava o corpo das duas crianças e os cientistas já estavam trabalhando na constituição dos novos corpos.  

Logo aquelas duas crianças seriam Ikku e Yuma. 

~ Flashback OFF ~ 

Ayumu e as crianças retornam ao endereço de Mikku mais uma vez, assim o menino pode reencontrar Emilly e a irmã mais velha cujo nome não chegaram a perguntar. Ao abrirem a porta, a menina pulou nos braços de Mikku e pôs-se a chorar. 

— Me desculpa Mii! Eu não devia ter brigado com você, me desculpa! Eu sou muito burra, me desculpa!! 

Sem dizer nada, o garoto só retorna o abraço e chora também. 

Depois que os dois se acalmam, Ayumu foca no objetivo. 

— Senhorita Clarice Akiyama? 

— Nunca te falei meu nome, como sabe? — Fica desconfiada. 

— Perdão, ainda não nos apresentamos. Eu sou o detetive Horie, mentor do Ikku, e estes são Kou, Yuma e Shuusei. Eu gostaria de falar com uma pessoa que mora nesta casa. Por acaso a sua mãe teria um momento para falar conosco? 

As irmãs se entreolham enquanto um suave ranger de metal começa dentro da casa. Logo uma mulher, sobre uma cadeira de rodas, aparece.  Com pele bem cuidada, cabelos castanhos bem compridos, a mulher de quarenta e nove anos reconhece o detetive de algumas memórias antigas. Clarice fica relutante em deixar sua mãe falar com Ayumu. 

— Está tudo bem, querida. Eu o conheço de longa data, e eles trouxeram seu irmão devolta, não? — Coloca sua mão sobre a da filha, que estava em seu ombro. — Há quanto tempo. No que posso ajudar, detetive Horie? 

Ela os convida para conversar na sala, uma vez que Clarice não havia deixado ninguém passar da porta de entrada, exceto Mikku. 

A mulher se espanta com o menino dos cabelos brancos e a menininha que vê à sua frente. Sua respiração fica mais forte e seus olhos se arregalam deixando as filhas preocupadas e assustadas. 

— Mãe?! Você está bem? — Emilly segura a mão da mãe. 

— A-Ami?! I-Ikuya?! 

Os dois obviamente não tinham lembrança alguma de ter visto aquela mulher em suas vidas, tampouco faziam ideia de como se chamavam antes de reviverem. 

— São eles mesmos, Sra. Akiyama. Ou melhos, Honami Horiguchi. Como o Junya deve ter te explicado, as memórias de Ami e Ikuya não existem mais. Eles são Yuma e Ikku. 

Ayumu explica em um tom de bom humor que chega a ser até insensível. 

— Não foi tão simples descobrir sua ligação com estes dois, então por que não conta um pouco sobre você? 

A mãe se vira para as meninas e pede para voltarem à seus quartos. Elas obedecem sem retrucar. 

Honami respira fundo e pede para que Ikku e Yuma se aproximem, querendo chorar, querendo abraçar, querendo fazer tudo que não pôde fazer para proteger aquelas vidas no passado. Ela toca seus rostos como quem toca um vaso caro de porcelana. 

— Me desculpem, me desculpem... Eu não pensei em nada para dizer a vocês além disso, mas eu sempre tive esperança de vê-los novamente. 

Respira fundo novamente tentando parar as lágrimas. 

— Ami... Digo, Yuma, minha irmãzinha... Você está igualzinha a mim quando eu tinha meus oito anos de idade. Nunca parei de pensar um segundo em como você estaria depois de grande, se estaria bem ou o que estaria fazendo. Digo o mesmo a você, Ikku, como éramos vizinhos, você frequentava nossa casa quase toda semana. Quase não falava, mas era uma criança muito inteligente e sempre queria dar a mamadeira para a bebê. 

Mudando para uma expressão mais séria, Honami continua. 

— Alguns meses depois que me prenderam naquele lugar, eu tentei fugir para pedir ajuda. Não achei que seriam tão cruéis, mas olhem vocês mesmos. 

Honami ergue a perna revelando uma cicatriz no tendão. Se asseguraram de que ela nunca mais fugiria. 

— O outro pé está igual. Me lembro que o Junya chorou comigo quando soube. Eu fui casada com um homem mais velho chamado Junya, de dentro da Crystal Phoenix. A única coisa boa de lá foi tê-lo conhecido. Ah, Horie-san, você conhece bem essa parte da história.  

Ao escutar o nome, Shuusei discretamente muda a direção de seu olhar. 

— Jovem Junya, homem elegante, mestiço nascido em uma família de pessoas bem sucedidas. Não só um profissional de sucesso, mas também um ser humano de bom coração. O casamento de vocês foi bonito, foi a primeira vez que os vi pessoalmente. Faleceu após uma tragédia na Crystal Phoenix no dia em que acompanhava a manutenção do sistema eletrônico dos portões, deixando esposa e três filhos.  

— Depois que adotamos o Mikku, aliás, quando o vi na rua, me lembrei imediatamente do Ikku e tive que trazê-lo para casa. Estava todo sujo e encolhido em um beco, sozinho. Quando escutei sua história, liguei os pontos e o Junya me contou sobre a verdade por trás da Crystal Phoenix. Eu fiquei horrorizada e meu marido odiava aquele lugar também, mas por causa de seu pai, ele tinha que continuar trabalhando lá de tempos em tempos... E isso lhe custou a vida. 

— Eu sinto muito por seu marido, Sra. Akiyama. Quando descobri o que ia acontecer, tentei avisá-lo para sair de lá, mas era tarde demais. Só consegui salvar duas das seis pessoas que valiam a pena.  

A tragédia a qual se referem é a destruição da Crystal Phoenix. Assim como nem todos os maus foram mortos, nem todos os bons foram salvos. Uma pessoa que Ayumu conseguiu avisar a tempo é um sobrinho de sua falecida esposa, que fornecia dados para que as crianças perdidas pudessem ser identificadas. O outro era Haruyuki, seu filho adotivo humano. 

Fragilizados com as emoções, Ikku segura firme a mão de Kou e encosta sua cabeça no ombro do maior. Quem segura firme a outra mão de Ikku é Mikku. 

Após um breve silêncio, Yuma se pronuncia. 

— Eu sinto muito por não conseguir lembrar de nada disso, Sra. Akiyama. 

— Por favor, não vou pedir para me chamar de irmã, mas peço que ao menos me chame de Honami. 

— Honami-san, até hoje não sabemos se somos ou não aquelas crianças porque nós não conseguimos nos lembrar de forma alguma do tempo em que éramos humanos. Eu entendo como se sente sobre mim e o Ikku, por isso eu gostaria que essa fosse sua despedida final da Ami e do Ikuya. 

Honami fica arrasada com as palavras da menina. 

— M-mas depois de tantos anos... Isso tudo é muito repentino! Digo, eu não faço ideia do quanto sofreram até aqui, e foram longos anos para encontrar uma mulher desconhecida de quase cinquenta anos que viveu quase a vida toda na esperança de encontrar vocês. Pedir para brincarem de casinha comigo e fingir que tudo está como trinta e cinco anos atrás é impossível, mas não posso nem mais vê-los? O Mikku vai estar aqui também... 

— Honami. — Mikku interrompe. — Você sempre cuidou de mim e me deu muito amor. Eu nunca fui tão feliz na minha vida como fui aqui ao seu lado, do Junya, além de ter duas irmãzinhas maravilhosas. Mas agora eu preciso ficar com eles e ajudar outras crianças resgatadas.  

— Mikku, até você...? — Honami se desespera ainda mais e chora. 

— Nem todos tiveram a sorte que eu tive, por isso estou indo com um grande pesar no meu coração. Eu te amo, mãe. 

O garoto termina suas palavras com os olhos novamente cheios d’agua. A mãe enterra o rosto no ombro de Mikku ao abraça-lo e chora mais. Honami sempre teve a sensação de que o menino iria embora um dia. 

— Eu também te amo, Mikku, meu filho...  

Ela chora por pouco mais de dois minutos abraçada ao Mikku até que consiga falar novamente. 

— Por favor, nos visite sempre que puder, estarei te esperando. Agora vá se despedir das meninas também. 

 As únicas coisas que se passam na cabeça de Honami no momento. “Por que isso está acontecendo? Acabei de rever as pessoas que eu havia perdido e elas já estão me deixando novamente, e desta vez por conta própria.” 


Notas Finais


O título tinha que ser casos de família kkk eu tenho que parar com piadinhas ruins e fora de hora...


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