História 30 days to save a love. (Newtmas) - Capítulo 7


Escrita por:

Postado
Categorias Percy Jackson & os Olimpianos, Teen Wolf, The Maze Runner
Personagens Allison Argent, Annabeth Chase, Minho, Newt, Percy Jackson, Thomas
Tags Dylan O'brien, Dylmas, Newtmas, The Maze Runner, Thomas Sangster
Visualizações 160
Palavras 3.661
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Travelers 😍

Tenho até vergonha de dar as caras depois de tanto tempo, que horror. Enfim, tarda mas não falha, como sempre. Desistir nunquinha desse meu xodozinho! Muito menos de vcs ♡ Obg pelo carinho, espero que gostem e obg pela paciência absurda! E BORA VIAJAR!

Que se inicie a missão de salvar um amor em trinta dias!

Boa leitura 🤓❤

Capítulo 7 - 30 days to save a love.


Fanfic / Fanfiction 30 days to save a love. (Newtmas) - Capítulo 7 - 30 days to save a love.

Nowhere, EUA

June, 13 2019


P. O. V. Newt

Entro no carro. Não, não entro, na verdade fui socado para dentro do carro!

- Empurra essa bundinha mais pra lá, semideus de Apolo, anda! – Percy vai me escorando para o outro canto da porta, colando minha estrutura bagricela contra a janela.

- Caralho, vão entrar quantas pessoas aqui dentro? – resmungo incomodado com o aperto.

- Precisamos de muito espaço pra caber a bunda do Minho! – Percy justifica, enfiando almofadas confortáveis pelos bancos e ajeitando os cintos de segurança – E tem a bunda do Thomas ainda! – Thomas vai vir atrás? Inferno... – Aliás, acho melhor você ficar no meio dos dois para equilibrar o peso das bundas.

- Oras, venha você atrás e me deixe ir na frente! – protesto, buscando maneiras de tentar me manter longe do perfume do Thomas o máximo de tempo possível pelos próximos trinta dias.

- Nada disso, senta essa bundinha seca aí – Percy trata logo de me ajeitar no banco novamente e já me prende no cinto de segurança – Annie vai dirigir primeiro e eu vou na frente com ela. Passar bem! – e sai correndo para dentro da casa de Thomas novamente, buscando mais bagagens.

Suspiro irritadiço e um pouco ansioso, confesso. Além dos meus olhos arderem de cansaço. Fiquei num monólogo nauseante durante toda a noite. Ou melhor, o que restou dela. Havia conversado com Allison sobre essa viagem e isso me tirou o sono. Quer dizer... o que eu pensava que estava fazendo, afinal? Aceitando passar trinta longos dias completamente sem rumo pelas estradas do país com antigos (e loucos!) amigos do colégio? Pior, havia aceitado passar trinta longos dias com ninguém menos do que Thomas Filho da Puta Stilinski?

Brilhante, Newton, brilhante.

Filho da Puta quem o chamo de seu aroma fresco e desgraçado, que impregnou covardemente a minha roupa devido ao nosso contato um tanto quanto intenso no seu quarto, e que me maltratou os pensamentos madrugada a dentro, passeando pelas minhas narinas sedentas... por mais daquilo.

E na mesma hora voltei atrás em minha decisão.


- Allison, está acordada?

- Agora estou, Newton...

- Eu decidi não ir...

Ela então virou-se para mim na cama, os olhos carregados de cansaço ao mesmo tempo que denunciavam sua insônia.

- Por que isso agora, Newt? – sua voz soou como um sussurro.

- Não é... – eu balbuciei – Não é justo com você... – menti. Na verdade não menti, definitivamente não era justo com ela. Mas esse não era o verdadeiro motivo pelo o qual estava desistindo.

- Justo? – ela sentou-se na cama abraçando os joelhos, a expressão beirando a seriedade e a tristeza – Quer falar de justiça comigo? Eu que tirei sua liberdade assim tão jovem...

- Allison, pare de se culpar, achei que já havíamos superado isso... – tento consertar as coisas.

- Talvez um dia sim, Newton... Mas ainda é tudo muito confuso e novo pra mim...

- Eu sei e pra mim também, mas não foi culpa sua, tá legal? Foi uma imprudência minha também, nós dois agimos sem pensar e...

- Newton, eu não quero discutir isso denovo... – ela enxuga uma lágrima solitária dos olhos – Ok? Já está feito. E eu quero que vá nessa viagem. Eu realmente quero. Aceite isso como meu pedido de desculpas...

- Allison... – insisto tentando confortá-la.

- Vá! E quando voltar, vamos nos casar e nunca mais tocar nesse assunto denovo. Certo?


Levo um susto, despertando do meu devaneio da noite passada, quando Percy volta ao carro e soca mais coisas encima de mim.

- Comida? – pergunto, reparando na quantidade absurda de salgadinhos, latas de refrigerantes, biscoitos, chocolates, tudo quanto é porcaria de açúcar, sódio e gorduras saturadas que enchiam duas mochilas no meu colo – Não vamos sobreviver trinta dias só com isso, não é?

- Você reclama demais, Newton Reed! – aquela voz... – E se preocupa o dobro da dose. Tente só relaxar por trinta dias, pode ser? – Thomas Stilinski.

Tentei não reparar no quanto ele parecia leve e despojado naquela camiseta branca básica, na calça justa de moletom preta e seu tênis all star azul. Tentei não reparar no seu jeito pleno de caminhar até o carro, carregando uma mochila. Tentei principalmente ignorar o cheiro fresco que emanava dele quando se sentou bem ao meu lado no banco. Lutei contra todas as sensações aguçadas que buscavam meus sentidos.

Mas o sorriso...

Falhei miseravelmente.

- Você está todo dark! – ele comenta risonho reparando nas minhas roupas escuras enquanto eu continuo observando abobado a desgraça do seu sorriso – Preto cai muito bem em você.

- A-ah... e-eu... – me embanano todo quando paro de encarar seu sorriso e tento agir normalmente, quase encarando meu próprio colo, me preocupando em disfarçar meu desconserto, ajeitando as mochilas de comida no chão do carro – E-eu não sabia pra onde íamos, então escolhi uma roupa difícil de sujar... – raspo a garganta e volto à minha pose mais séria e carrancuda, eu diria.

Afinal, não posso dar corda.

- A gente não tem bem um lugar pra ir, tem? – ele indaga, como se aquilo fosse a coisa mais obvia e natural do mundo – Então na verdade qualquer roupa é uma boa ou péssima ideia.

- Sim, mas... – não sei o porquê insistir numa discussão com um discípulo de Sócrates – Um all star preto como o meu, permanecerá limpo por mais tempo do que o seu azul claro.

- Bom isso! – ele exclama extasiado, como se tudo o que quisesse era que eu chegasse a esse ponto específico da conversa – Um all star sujo é um contador de histórias!


...


Quarenta minutos passaram-se devagar. Thomas sentou-se no meio e Minho do outro lado do banco. Annabeth dirigia e Percy seguia no banco do passageiro controlando as músicas do pendrive. Todos pareciam estar completamente imersos nessa aventura, riam e cantavam o tempo todo, não paravam nem por um único segundo. Mesmo Annie, que manteve-se concentrada na estrada, ainda assim sorria e fazia comentários aleatórios. Percy estava possuído pelo ritmo ragatanga, Minho acompanhava as piadas com sarcasmo, era o que mais enchia a pança de guloseimas e Thomas... Bem, Thomas era um espírito livre.

Parecia fazer reflexões profundas com as letras das músicas e compartilhava pensamentos filosóficos com muito humor. Esbarrava os braços fortes em mim o tempo todo, e o tempo todo pedia desculpas por isso. Até parece que fazia de propósito, mas desconsiderei. Não queria causar discórdia, mesmo que aquele roçar de pele mexesse comigo...

E eu? Oras, eu era o planta da viagem. Ficava observando todos, mas não conseguia me enturmar. Era como se toda aquela diversão fosse algo estranho pra mim. Não me deixo levar por brincadeiras e risadas há muitos anos, está sendo uma experiência contraditória. Acabo por ser uma sombra, olhando tudo de certa distancia, às vezes fico apenas olhando a estrada passar pela janela.

Além de ser um planta, sou também o garçom.

- Newt, passa mais refrigerante! – Minho exclamou, a boca cheia de salgadinhos.

Entrego mais uma lata de Coca Cola para ele, que já enchia um saco de lixo debaixo dos pés. Minho logo abre o lacre e compartilha a lata com Thomas, que passa para Percy, que passa para Annie e retorna para mim.

- Ah... – fico olhando a lata que passou pela boca de todos – Não, obrigado.

- Newt, somos todos limpinhos aqui! – Minho resmunga e solta um arroto.

- Estou evitando liquido para adiar minha vontade de ir ao banheiro... – minto, mas no fundo tinha um pinguinho de realidade. A estrada que nos cercava era completamente ladeada de mato, árvores, floresta, verde, muito verde.

- Porque foi dizer isso, cara? – Minho entrega a lata de Coca Cola para Thomas e começa a saltitar sentado no banco, segurando as partes íntimas – Agora lembrei que preciso ir ao banheiro, fodeu.

- Porque “fodeu”? – Thomas questiona simplório – Não estamos indo pra lugar nenhum, esqueceu?

- Exato! – Percy exclama animado – Qualquer hora é hora, qualquer lugar é lugar! Sabidinha só precisa parar o carro.

Annabeth fez um sinal positivo e andou mais alguns metros até parar no acostamento. Antes mesmo do Ford Ranger estacionar devidamente, Minho já abriu a porta e saiu em disparada para dentro do mato.

- Muito refrigerante... – comentou Annie.

- Muito refrigerante! – confirmaram juntos Percy e Thomas.

Percy abaixou a música. Ficamos então parados por alguns poucos minutos no meio do nada. As árvores balançavam tranquilas diante de uma brisa serena. Uma calmaria profunda pairava no lugar e não pude evitar observar Thomas de rabo de olho: estava com a cabeça jogada para trás, encostada no banco, os olhos fechados. Um sorriso leve emoldurava seu rosto e sua respiração era mansa. Thomas estava em total estado contemplativo.

Observando-o, reprimi sentimentos.

- Não é incrível? – ele pergunta, ainda em sua imersão.

- O que é incrível? – Annie indaga.

- O silêncio... – ele responde imperturbável – O quanto ele soa esplêndido quando é devidamente apreciado...

Annabeth e Percy se entreolharam risonhos, mas nada disseram. Acho que já estavam acostumados com as filosofias de Thomas. Eu é que era o estranho ali, longe deles por dez anos, perdendo toda a evolução e amadurecimento dos meus amigos. Mas acabo tentando pensar no que Thomas acabara de dizer.

Para mim, o silêncio nunca foi algo muito bom. Silêncio profundo me fazia pensar demais. E pensar demais me deixava triste, angustiado. Se para ele o silêncio era esplêndido de se apreciar, para mim, o silêncio era sempre perturbador.

Quase iniciei um monólogo, mas então Minho volta a passos lentos, parecia aliviado.

- Deuses do Olimpo, já estava achando que tinha ido cagar! – Percy exclama, chamando atenção de Minho pela demora.

- Lamento desapontá-lo se isso ia te render uma história cômica! – Minho se defende – Eu estava olhando o lugar, parece ótimo para andar de bicicleta.

- Jura? – Thomas desperta de sua meditação, animado.

- Sim, há um gramado vasto entre as árvores e pude ver o início de uma trilha mais ao leste. Talvez tenha algum lago ou cachoeira por aqui.

Não demorou dois segundos para todos saírem do carro, empolgados. Fico um pouco desnorteado. Abro a minha porta com cuidado e saio.

- Gente, e-eu... – observo todos retirarem suas bicicletas da carroceria, felizes da vida – Eu não moro mais em New Hampshire... então eu meio que não tenho bicicleta por aqui...

- As bicicletas são minhas e do Minho, Newt – Thomas explica já entregando uma a Annabeth – Mas só temos quatro, então...

- C-Certo, eu fico no carro... – até preferia, não sabia mais andar de bicicleta e odiaria admitir isso.

- De jeito nenhum! - ele se adianta – Você vai andar comigo – puta que pariu...

- N-Não, s-sério... eu f-fico no carro... – dá pra imaginar o que seria ficar colado na garupa de Thomas Stilinski? Deus me livre desse mal!

- Não mesmo. Nós vamos caçar uma cachoeira, você não pode ficar de fora.

- Mas eu não tenho roupa pra nadar...

- Zeus, e você acha que alguém aqui tem? – Percy entra de gaiato na conversa, já subindo na sua bicicleta – A regra era vir completamente despreparado e deixar as coisas acontecerem, lembra?

- Mas... – insisto, confuso e assustado – C-Como vamos nadar, então?

- Não é óbvio? – Percy pondera, como se aquilo fosse a coisa mais simples do mundo – Vamos começar a riscar os itens das listas: nadar sem roupa, pelados, completamente nus!

Espero que seja uma brincadeira.


...


- EU VOU TE MATAR, THOMAS! EU VOU TE MATAAAAAAR! – grito apavorado colado em suas costas, firmando minhas pernas envolta da sua cintura e quase sufocando seu pescoço com o aperto dos meus braços desesperados.

- Então vou aproveitar meus últimos minutos de vida! – ele grita risonho em resposta e volta a descer ladeira abaixo com a bicicleta na velocidade de Barry Allen.

Eu já estava suado de medo há séculos, tamanha foi a trilha irregular que seguimos até essa ladeira, que até agora está nos levando para lugar nenhum. Galhos velhos, folhas secas, mosquitos, teias de aranha, tudo ia batendo na minha fuça conforme ele avançava mato a dentro, a bicicleta completamente fora de controle, derrapando a cada curva que fazíamos. Mas somente eu estava apavorado, é claro.

Minho vinha logo atrás de nós, berrando “uhuul” a cada pedalada violenta. Logo depois vinha Percy Jackson, exclamando os nomes de todos os olimpianos possíveis, bradando feliz. E por último, Annabeth seguia um pouco mais sóbria, “tomando conta” de todos e chamando atenção dos motoristas desvairados, embora também desse risadas o tempo todo.

Estou certo de que ao aceitar essa viagem, eu carimbei meu passaporte para a morte.

Quando pensei que o inferno já me esperava no fim da trilha, a visão e o som de uma pequena cachoeira, surpreende a todos nós. Não só a audição e a visão, mas o olfato também. O cheiro de natureza invade meu nariz. E finalmente Thomas começa a diminuir a velocidade, logo estamos desviando da água, parando as bicicletas bem na encosta da cachoeira.

Ouço gritos de comemoração à distância, pois eu estou completamente paralisado pelo medo que passei nessa trilha tortuosa e violenta, na garupa do cara mais biruta que existe!

Stilinski... porquê justo você?

Desço das costas... largas, de Thomas, minhas pernas estão trêmulas. Foi uma experiência tão insana que só agora tive tempo para reparar no detalhe disgramento que acabei de vivenciar: ficar enganchado nele.

Não dê corda, Newt... reprima o que está sentindo, não dê corda.

Ele vem em minha direção para amparar meu corpo cambaleante, mas eu logo o impeço com gestos apressados, tentando firmar as pernas.

- E-Eu estou bem, estou bem... – digo, evitando que Thomas pusesse suas mãos... másculas em mim...

Maldição.

- O que achou? – ele então me pergunta, ofegante pela aventura na floresta. Isso também mexeu comigo, mas ignorei, balançando a cabeça.

- Foi... – me recomponho, limpando a garganta e demonstrando meu olhar imparcial – Foi legal - concluo simplista.

Thomas me olha com um sorriso frouxo nos lábios. Acho que o decepcionei de alguma maneira, mas não entendo como.


...


Minha vontade era de desaparecer.

Não conseguia compreender qual sentimento me era mais sobressalente. Se por um lado meus olhos estavam vidrados enquanto observava a cena, meu coração tentava saltar pela minha boca e meu pau começava a latejar de um jeito ridiculamente desconfortável, pelo outro, uma raiva sem precedentes começava a apoderar-se do meu corpo e da minha mente. E eu não conseguia me decidir se sentia mais raiva dele ou de mim mesmo.

Definitivamente ele estava me provocando!

E definitivamente eu fui um imbecil por ter caído em sua armadilha covarde!

Levanto de supetão, tendo eu ficado grudado nas pedras lisas por um tempo considerável, incapaz de mover um único músculo. Saio pisando firme em direção a trilha mato a dentro, decidido a encerrar logo toda essa palhaçada e voltar para a casa nem que fosse a pé!

- Hey, Newt, volte aqui! – ouvi a voz de Minho me chamando, mas o ignorei por completo e continuei caminhando até a trilha – Não precisa tirar a roupa se está com vergonha!

Sigo meu caminho deixando Percy, Minho e O FILHO DA PUTA STILINSKI completamente nus para trás, mergulhando na cachoeira como se essa porra fosse uma praia de nudismo. Começo a seguir a trilha, embrenhando-me pela mata, vou caminhando a passos quase cegos, perfeitamente atordoado com os sentimentos conflituosos que acabo de vivenciar, uma terrível mistura se desejo, angústia e ódio!

Como pode ele ter tido a coragem de exibir a porra do seu corpo todinho para mim, esfregando sua nudez na minha fuça, depois de tudo o que descobrimos um do outro na noite passada? Como pode Thomas Stilinski ter feito a filha da putagem de me expor a tamanha humilhação, tendo em vista o quanto meu pau se enrijeceu como nunca antes na vida, depois de admirar a perfeita obra de arte que era seu sexo desinibido? MALDITO SEJA THOMAS STILINSKI!

E maldito seja Newton Reed por ter vindo parar nessa furada!

Mas onde é que eu estava com a cabeça? Não tenho mais quinze anos. Não tenho mais se quer vinte! Sou um homem de vinte e cinco anos, noivo e cheio de responsabilidades na vida, histórias tristes pra contar e nada mais do que lamúrias a oferecer! Sou uma grande piada por pensar que esta viagem me faria bem ou que pudesse simplesmente passar longe dos sentimentos que escondo no peito. Não consigo esconder nem de mim mesmo.

Ando por mais meio metro e sinto a necessidade de um cigarro. Vasculho meus bolsos e retiro dali um maço com isqueiro. Sento-me no chão úmido da mata, pouco me importa minha roupa suja e trago a desgraça que vai me matar dez anos mais cedo. Expiro a fumaça feita pelo diabo, mas que consegue anestesiar minha fúria. Acabo me desligando por alguns minutos.

Então... ela veio.

A cara meio de quem não quer nada, mas que na verdade queria era tudo. Sentou-se ao meu lado e ficou em silêncio comigo. Mal posso acreditar que não abriu a boca nem pra reclamar da fumaça sufocante.

- Você é a pessoa mais inteligente que já conheci em toda a minha vida, Annabeth! – exclamo, apesar do tom de amargura, mas meus olhos continuam fixos no cigarro em minhas mãos – Não é possível que veio me perguntar o que houve pra que eu saísse de lá correndo...

- Não, não vim perguntar. Já disse que você devia ser corajoso ou burro por ter voltado a New Hampshire, sabe disso... – disse simplista, acariciando uma florzinha próxima aos seus pés descalços.

- Voltei por pura teimosia e orgulho, se quer saber... – disse ríspido, tragando a nicotina – Só para provar a mim mesmo de que aquele sentimento era só coisa da minha cabeça. E que estava tudo acabado.

- Oras... se está prestes a se casar e ainda assim aceitou vir viajar com ele, acredito que não exista nada mais do que um desejo físico.

- Que seja! Foi burrice ter vindo, e não coragem.

- Se já está tão certo de que foi burrice, então assuma as responsabilidades de suas escolhas, Newt. Nós não vamos voltar, sinto muito. E está sendo completamente irracional por achar que pode voltar por si só. Sabe que não é isso o que realmente quer.

- Como pode ter tanta certeza?

- Porque você parou para fumar. – disse certeira, indicando o cigarro com os olhos - Quis pensar melhor na sua decisão. Se realmente quisesse partir não tinha parado, tinha apenas seguido seu caminho, simples assim.

Fico pensativo. Annabeth era de matar. Acabo por apagar o cigarro antes mesmo de consumi-lo por completo.

- Como Perseu consegue ganhar uma discussão com você? – pergunto irônico.

- Ele não ganha – ela dá de ombros.

Fico cinco segundos em silêncio olhando para seus olhos cinzentos e então começo a rir. Ela me acompanha. Depois ficamos em silêncio novamente, mas eu não estava pensando em nada. Já não sei se posso dizer o mesmo de Annie. Ela sempre pensa em alguma coisa. E seu silêncio é sempre inquietante.

Mas confio nela.

- Ninguém está tentando te provocar, Newt... – diz de repente, como se lesse meus pensamentos de minutos atrás - Sabemos que você está diferente. Não entendemos o motivo, não sabemos sobre nada da sua vida desde aquela noite que enterramos a cápsula. Mas ainda amamos você e queremos que se divirta um pouco. Esqueça as coisas que aconteceram, ok? Pelo menos por esses trinta dias. Só tenta relaxar e curtir com a gente. Pode parecer provocação, mas só estamos tentando ser nós mesmos, os adolescentes de dez anos atrás.

- Não temos mais quinze anos, Annie...

- Exatamente, não temos. E é por isso que às vezes precisamos nos permitir fingir que sim. A vida é muito chata sem algumas loucuras.

- Nem parece Annabeth falando... – brinco, mesmo reflexivo.

- Estou tentando ser meio Percy Jackson, pelo menos durante esses trinta dias... – ela responde risonha. Sorrio devolta.

É claro que entendo o que ela diz. Mas não é fácil assim pra mim. A vida me ensinou a ser resistente. E quebrar essa barreira no meu peito será muito mais difícil do que ela imagina. E sinceramente... acho que não quero quebrar. Porque tenho medo do efeito que esse desmoronamento irá provocar.

- Eu não sou mais o mesmo, Annie... – acabo por concluir desgostoso, mesmo depois de tudo o que ela disse – E devido às circunstancias nas quais me encontro, não quero voltar a ser como eu era. Preciso continuar firme pra suportar tudo o que vem acontecendo comigo. Vou insistir na viagem por vocês e não por mim. Devo muito a vocês depois de tanto tempo longe. Principalmente ao Minho. Mas depois desses trinta dias, tudo vai permanecer como está, em seu devido lugar. Inclusive eu mesmo.

- Então vai continuar sendo essa coisa chata que você é?

- Sim.

- Legal.

- Legal.

Annie ficou ali comigo em silêncio por muito tempo. Era tamanha quietude que de longe eu podia ouvir os três brincando animados na cachoeira. Ficava tentando entender como pode ainda haver motivos para me despreocupar de tudo e tentar participar dessa loucura. Se ele não estava me provocando, qual seria então o motivo da minha raiva diante dele? Acho que não ter motivos pra ter raiva me deixava com mais raiva ainda. Definitivamente eu era uma pessoa difícil de se lidar.

- Que lindas florzinhas essas aqui! – Annabeth comenta distraída para as flores próximas aos seus pés – Já estão quase todas abertas. Menos aquela ali – aponta para a flor mais próxima de mim – Acho que ela se sente solitária e diferente das outras...

- São flores, Annabeth, porque diz isso? – digo impaciente e ranzinza.

Ela ignora minha chatice aparente e continua serena, sorrindo na direção da flor fechada ao meu lado, admirando-a com ternura, e responde minha pergunta quase que para si mesma.



- Deve estar sendo difícil para ela se abrir para o mundo ao seu redor. Talvez tenha medo. Mas tenho certeza de que quando ela desabrochar, será a mais bela de todas.


Notas Finais


Eu entendi a referência! Annabeth é minha fav ❤

Ate logo, beijinhos 😘


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...