História 30 Dias Na Alemanha - Capítulo 5


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Categorias Manuel Neuer, Thomas Müller
Personagens Manuel Neuer, Personagens Originais, Thomas Müller
Tags Thomas Muller
Visualizações 89
Palavras 2.189
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hallo, anjos
Capítulo novo para vcs
Boa leitura

Capítulo 5 - Primeiro Café da Manhã na Alemanha


Fanfic / Fanfiction 30 Dias Na Alemanha - Capítulo 5 - Primeiro Café da Manhã na Alemanha

Eu não tinha motivos para estar acordada àquela hora da madrugada.

O quarto de hóspedes da casa de Thomas era extremamente confortável, o ronco de Vincent era facilmente ignorável e a cama de casal que dividíamos era bastante espaçosa. Além disso, não havia diferença de fuso horário entre Verona e Munique. Logo, eu não sabia bem o motivo pelo qual estava de pé às 04:30 da manhã.

Vincent estava desmaiado ao meu lado e o seu ronco me fez rir por alguns minutos. Não era atoa que Rosália e Juanes reclamavam tanto do amigo. Peguei meu celular e abri o aplicativo de mensagens para gravar o ruído ensurdecedor. Finalmente, desisti de dormir e fui até o banheiro no canto do quarto. Era um espaço pequeno e, assim como o resto da casa, tinha um design meio rústico.

Tomei banho quente para tentar me livrar do frio intenso que fazia na minha primeira manhã no país e vesti uma blusa verde e um jeans confortável acompanhado por um casaco quentinho. Meus tênis pretos de cano alto completavam o “look” e eu esperava ser adequado para o que faríamos pelo resto da manhã porque não planejava trocar de roupas por algumas horas.

Saí do quarto, tentando fazer o mínimo de barulho possível para não acordar Vincent, e decidi andar um pouco pela casa, já que ontem quando chegamos, Thomas só nos mostrou o caminho da sala até os quartos.

Desci a escada, notando pela primeira vez que aquela não era a única. Uma linda escada coberta por um carpete escuro ligava o andar inferior até o superior, terminando em uma segunda sala de estar que continha alguns troféus, prêmios e fotos de Müller. Ali encontravam-se ainda mais duas escadas em lados opostos da sala. A da esquerda era a que eu descia no momento e que levava ao corredor com os quartos de hóspedes. Supus que a escada da direita levasse à suíte do casal ou algo do tipo.

Passei alguns minutos encarando as fotos de Thomas sem perceber que sorria com suas expressões de comemoração, esforço e raiva. Ele era muito expressivo no campo, o que contrastava com sua personalidade fora dele, sempre gentil e sorridente. Eu estava tão entretida com a pequena exposição naquela sala que não escutei o jogador descendo as escadas da suíte principal.

Só dei-me conta de sua presença quando o mesmo me cumprimentou com um “Guten Morgen” rouco e ainda sonolento.

Assustei-me com a voz do alemão, chegando até mesmo dar um pequeno pulo para trás e chutando levemente a mesinha de vidro ao meu lado.

Thomas vestia uma camiseta azul e calça moletom preta, e seu rosto exibia traços de quem acabara de acordar. Ao me  ver me atrapalhar quando escutei sua voz, um pequeno sorriso de canto surgiu em seus lábios e os olhos azuis sonolentos fecharam-se ainda mais numa expressão risonha que eu particularmente achei adorável.

-Desculpa, o que acabou de dizer? -Perguntei quando finalmente me recuperei do meu pequeno infarto.

-Bom dia. -Repetiu dessa vez em inglês,  ainda coçando os olhos ao se aproximar do local onde eu estava. -Por alguns segundos, esqueci que você não era daqui.

Sorri, murmurando um bom dia.

-Não tem problemas. Eu sinto que isso é uma espécie de lição da vida por não ter aprendido o seu idioma antes. Durante os últimos anos sempre surgiram oportunidades para estudar o alemão mas acabei recusando todas por falta de tempo.

-Bom, pelo menos agora você já sabe algo em alemão.

-Sim… Guten Morgen. -Repeti o bom dia alemão vendo uma expressão satisfeita surgir em seu rosto.

-Como digo isso em sua língua?

-Buongiorno.

-Buongiorno, Luna.

Ri e o cumprimentei de volta.

-Buongiorno, Thomas. -E prossegui. -La tua faccia assonnata è la cosa più carina che abbia mai visto. (Seu rosto de sono é a coisa mais fofa que já vi.)

Eu não sei de onde tirei coragem para dizer isso mas quando percebi, já tinha pronunciado as palavras e minha sorte foi que utilizei minha língua materna. Isso foi suficiente para fazer meu rosto corar e Thomas me encarar curioso.

-Não vai traduzir? -Perguntou e eu dei de ombros timidamente.

-Talvez depois.

Ele ainda queria saber o que eu tinha dito mas, provavelmente por notar meu desconforto, decidiu mudar de assunto:

-Caiu da cama?

-Acho que sim. Minha noite se resumiu a escutar os roncos de Vincent, jogar um joguinho bobo no celular e tirar pequenas sonecas entre esses dois feitos. E você? Por que acordou tão cedo?

-Eu sempre acordo nesse horário, desde adolescente.

-Uau, isso é admirável… e também um pouco triste. Quer dizer, eu também gosto de acordar cedo mas não tão cedo assim. -Comentei encarando a tela do celular que mostrava que ainda faltavam 10 minutos para as cinco.

-É, acho que é um dom e uma maldição. -Respondeu, dando de ombros. -Café da manhã?

-Ahn… claro. Obrigada.

Descemos a escada principal e ele me indicou o caminho até a cozinha, que era bastante normal. Bonita mas normal. E eu amava isso. Aquela era uma cozinha na qual você se imagina cozinhando e não estampada na capa de uma revista sobre design de interiores.

 Estava começando a me perguntar se Thomas cozinhava quando uma senhora adentrou a cozinha com uma cesta de pães nas mãos. Ela tinha baixa estatura, pele clara como porcelana e bochechas extremamente rosadas. Dava vontade de guardá-la num potinho e levá-la para Itália comigo!

O camisa 13 da seleção alemã sorriu abertamente quando viu a senhora e lhe deu um beijo na bochecha.

Dio! Será que ele poderia ser menos fofo?

-Guten Morgen, Magda. Wie kannst du am Morgen so schön sein? - Murmurou apoiando o queixo no ombro da senhora.

As palavras fizeram ela rir e revirar os olhos, acariciando o seu rosto carinhosamente.

-Oh, Junge Thomas! immer verspielt. Guten Morgen.

Fiquei ali parada apreciando a cena fofa na cozinha até que Thomas comentou mais alguma coisa em alemão, fazendo a senhora me encarar pela primeira vez. Sorri envergonhada e tentei pronunciar as palavras que aprendi minutos atrás com Müller.

 -Gu… Guten Morgen. -Devo ter soado muito ridícula pois a mulher riu com o meu cumprimento e veio em minha direção, tocando minhas bochechas, agora rosadas.

E eram os Alemães que ficaram conhecidos com frios e rudes?

-Du hast fügsame Augen, mein Kind.

Sorri educadamente e lancei um olhar confuso em direção a Thomas.

-Ela gostou dos seus olhos, Luna. -Explicou me deixando ainda mais confusa.

Decidi retrucar.

-Mas ela tem olhos azuis incríveis. Aliás, vocês dois têm. E os meus são comuns. Castanhos.

Thomas negou enquanto se sentava em um dos banquinhos da ilha de mármore branca.

-Não aqui. Na Alemanha, a maioria das pessoas tem olhos verdes ou azuis. Para nós, olhos como o seu são… -Ele parou por um instante, parecendo me analisar antes de prosseguir. -Bem fascinantes.

Eu não consegui falar nada que deixasse aquele momento menos constrangedor. Afinal, como reagir quando o seu ídolo do futebol te diz que você tem olhos fascinantes? Acho que ninguém nunca chamou meus olhos de fascinantes.  Ouso dizer que nunca chamaram nada meu de fascinante.

-Obrigada. -Sussurrei envergonhada e lembrei-me da senhora parada na minha frente. -Como digo “Obrigada” em alemão?

-Danke.

Repeti a palavra da maneira mais correta que consegui e em troca ela  bagunçou meus cabelos e saiu da cozinha.

Senti-me uma criança novamente.

-Quem é ela? -Perguntei ainda admirada com a pequena senhora. Ela me lembrava as avós perfeitas dos filmes americanos.

-Magda. Ela me impede de morrer de fome quando Lisa está fora.

Assenti ainda pensativa. Eu nunca conheci nenhum tipo de avó. Mamãe não gostava de falar sobre os próprios pais e os do meu pai morreram antes mesmo de eu nascer. Sendo assim, sempre fui uma criança que conviveu com tios, primos e amigos da família porém nunca com avós. Aquela mulher me fez pensar pela primeira vez em 23 anos como seria essa experiência.

-Luna? -Thomas chamou-me de uma maneira que me fez perceber que aquela não era a primeira vez que o fazia. -Está tudo bem?

Foi então que notei a pequena mesa de madeira um pouco afastada da ilha da cozinha. E não estava vazia. Na verdade, estava repleta de pães, café, suco, frutas, ovos mexidos, queijos entre outros alimentos que eu não sabia bem dizer o que eram.

-Sim… sim, eu estava apenas distraída.

Ele riu e indicou a mesa para que nos sentássemos.

-Eu te conheço há menos de um dia mas já percebi que você costuma fazer isso com frequência.

-Isso? -Perguntei vagamente ainda analisando o café da manhã farto diante de mim e assustei-me com sua gargalhada.

-Viu só? Acaba de fazer de novo. Você vive com a cabeça na lua, Luna?

-Acho que não recebi o nome à toa, afinal. -Respondi dando de ombros e provocando mais risadas.

Eu gostava de sua risada. Era contagiante.

-Acha que devo acordar meus amigos? Não quero que ninguém atrase seus compromissos hoje.

Thomas estendeu o pulso para analisar o pequeno relógio dourado em seu braço.

-Não é necessário. Ainda são cinco da manhã. Nós dois que somos muito apressados para o início do dia.

Encarei pelas janelas de vidro o céu de Munique que fragmentava-se em diferentes tons de azul enquanto o sol surgia no horizonte. Era possível avistar também uma parte da propriedade dos Müller decorado por flores dispersas e gramíneas esverdeadas. Era primavera mas ainda assim, eu sentia tanto frio.

-Gostaria de ter visto esse lugar no inverno. -Comentei enquanto Thomas servia-se de uma espécie de cereais estranhos e uma xícara de leite.

-Ah, sim. É adorável porém trabalhoso. Temos que limpar a neve no chão da entrada todos os dias e assegurar que os cavalos esfriem os músculos corretamente depois de serem montados.

-Quando vamos visitar os seus cavalos? -Perguntei animada com a ideia de voltar a ver meus animais favoritos da infância.

-Na verdade, hoje. Por isso falei que iríamos acordar mais cedo. O percurso daqui até lá demora um pouco e eu preciso encontrar com um comprador.

Finalmente, passei a me concentrar na comida e devo confessar que enchi Thomas de perguntas sobre os diversos tipos de pães na mesa mas não posso fazer nada se os alemães inventaram mil e uma tipos de um alimento tão simples quanto pão. Nem nós italianos comíamos tanto. Era pão branco, pão escuro, pão com gergelim, pão com queijo, pão com pedaços de frutas secas, pão com pedacinhos de chocolate, pão com sementes de não sei o quê, e mais mil e duzentas opções!

-Esses do café da manhã são chamados de Brötchen e os do jantar são Brot. -Explicou enquanto eu suspirava de satisfação ao experimentar um pão de formato estranho e cor escura. -E esse que você está comendo é um Brezen.

-É maravilhoso. -Murmurei embolado pois minha boca ainda estava ocupada pelo Brezen.

Thomas parecia se divertir com o meu fascínio pela comida alemã porque já tinha interrompido o seu próprio café da manhã apenas para me observar comer o meu.

Passamos muito tempo assim, eu comia e me apaixonava por cada novo alimento experimentado e Müller brincava e me oferecia outra coisa da mesa. Em um dado momento, ele me ofereceu até mesmo os cereais em seu prato e isso me roubou o fôlego porque ao invés de colocar um pouco no meu prato, Thomas pegou sua própria colher, encheu com os grãos e levou em direção aos meus lábios. Sem ter muito o que fazer (eu não seria louca de recusar!), abri a boca e comi o alimento oferecido. Um silêncio constrangedor se instalou por alguns instantes mas logo passou quando o jogador fez algum comentário engraçado enquanto eu bebia um pouco de leite, o que resultou em eu me engasgando e sujando o queixo com o líquido.

Não vou dizer que me arrependi de ter passado por aquele mico porque no final as nossas risadas fizeram tudo valer a pena. Eu até mesmo deixei algumas lágrimas cair de tanto rir e precisei explicar para Thomas que essa era uma coisa que ele precisava se acostumar se fosse conviver comigo por trinta dias. 

Luna Blanco era a pior chorona do universo!

Eu não sabia quanto tempo tinha se passado quando Rosália, Juanes e Vincent juntaram-se a nós para o café. Era perceptível as expressões confusas dos três ao nos encontrar ali tão entrosados rindo e isso foi o que me fez ficar quieta e agir como uma pessoa educada pelo resto da refeição. Thomas até tentou me fazer comer mais algumas coisas mas neguei tudo, agradecendo logo depois.

A chegada dos meus  amigos me fez lembrar que aquele sentado ao meu lado não era um amigo mas sim Thomas Müller, camisa 13 da seleção alemã, camisa 25 do Bayern de Munique e foco do meu trabalho pelos próximos 30 dias. Não podia confundir as coisas.

Foco, Luna. Muito foco.

Quando todos deram por encerrado o café da manhã, já eram 6:40 e Thomas avisou que sairíamos em alguns minutos.

Eu e Vincent voltamos ao quarto para preparar o equipamento de filmagem necessário. Não era muita coisa porém eram instrumentos delicados que precisavam ser arrumados com paciência. Além disso, peguei meu gravador e alguns papéis com o meu planejamento inicial para a matéria. Eu era uma garota antiquada, o que poderia fazer? Quando finalmente terminamos, fomos até a saída da casa onde o carro de Müller nos aguardava. Novamente sentei-me no fundo, entre a janela e Juanes, mantendo-me calada pelo resto do percurso.

Dessa vez, não olhei pelo espelho retrovisor para ver se Thomas me encarava… mesmo sabendo que ele o fazia.


Notas Finais


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