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História 365 dias para amar um príncipe - Capítulo 10


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Notas do Autor


Olá, galerinha do meu heart sz *Fazendo dancinha da distração para não notarem a demora para atualizar essa fic* KKKKKKKK Antes de tudo: como sempre, vim agradecer pelos favoritos, comentários e afins. Vocês me motivam a continuar, e estou muuito feliz por estar quase batendo 170 favs, isso pra mim é TUDO. <3 <br />Também queria agradecer à Hyuuga senhorita, pois ela me ajudou a desenvolver uma ideia que estava absolutamente travada em minha mente. Não sabia bem o que dar de presente à Hinata, e ela me veio com uma ideia incrível que acabou desenvolvendo um contexto MUITO BOM para a história, então agradeço a ela: obrigada, vc ajudou >muito< :)))) <br /> <br />Enfim, gente deixa eu contar, faltam 9 dias pro meu niver acreditam? Tô até feliz de postar esse cap sobre aniversário, pq o meu tá chegando :DDDDDDDDD E sim vou contar pra todo mundo, pq adoro quando meu niver tá chegando e eu já falei q meu niver tá chegando????? É dia 28 e eu quero agradecer pelos presentes - esses favoritos e comentários na fic <3 Obrigada.<br /><br />Edit: pessoal, somos 170 favoritos! 🥰🥰 obrigada

Capítulo 10 - Preparativos


Fanfic / Fanfiction 365 dias para amar um príncipe - Capítulo 10 - Preparativos

♕♕

 

— Caramba, achei que não fosse voltar a vê-los ainda hoje — ouvi a voz de Hiashi atrás da porta, fazendo com que eu me sobressaltasse devido ao susto. Entretanto, tanto ele quanto Hinata passaram a rir.

— Papai, não nos assuste desse jeito. Ainda nem são sete horas! — a perolada exclamou, fechando a porta finalmente.

 

— Eu sei, querida. Estava apenas brincando. Gostou de Mullingar, rapaz? 

 

Assenti brevemente, sorrindo. O passeio com Hinata havia sido melhor que o esperado, embora minha mente estivesse completamente cheia de pensamentos confusos acerca de nossa relação. 

 

— É um lugar muito bonito, senhor Hiashi. Já posso ter ideia de como é tranquilo viver aqui — respondi, sincero. De fato, por várias vezes naquele dia havia cogitado a ideia de como seria se não fosse um príncipe e vivesse nesse lugar. 

 

— Olha o que Naruto me deu! — Hinata estendeu o presente à frente de seu pai, saltitante, mas mal lhe dera tempo de avaliar o brinquedo — Vou guardar imediatamente essa preciosidade. Naruto, obrigada! 

 

— Você já... — tentei dizer, mas como um raio a mulher sumiu pelas escadas —... me agradeceu. 

 

Naquele momento, Hana se levantou do sofá e veio ao meu encontro, mantendo um sorriso singelo e carinhoso. 

 

— Já deu a ela o presente de aniversário, então? 

 

— Hum? Não, foi só uma lembrancinha mesmo — expliquei, mas arregalei os olhos em seguida — Hoje é aniversário dela? 

 

Ao meu lado, Hiashi balançou negativamente a cabeça, como se já esperasse aquilo. 

 

— Hinata não gosta de falar sobre o aniversário dela — a mulher explicou baixinho, provavelmente temendo que Hinata a ouvisse — Ela faz aniversário depois de amanhã. Dia 27. 

 

Desviei o olhar, frustrado. Como não soube disso antes? Tinha pouco tempo para preparar algo à altura, e minhas possibilidades estavam extremamente limitadas. 

 

— Nós vamos fazer um bolinho, algo bem simples. Não se preocupe com presentes, aposto que aquele que lhe deu já basta — sorriu, reconfortante, mas não serviu para amenizar minha frustração. Ainda tinha muito o que pensar. Assim, pelo resto do dia mantive-me pensativo e alheio, agora com mais uma preocupação na cabeça.

 

Sabia que, no fundo, não deveria ser uma tarefa tão preocupante. Hinata gostava do simples, e algo me dizia que até mesmo uma pétala flor seria algo insubstituível para a perolada. No entanto, ainda assim eu queria tentar demonstrar ao menos metade do que sentia. 

 

Sem outra opção, busquei a ajuda de alguém que provavelmente saberia o que fazer. 

 

Coroa 

 

 Pai? Pode conversar? 

   Preciso de um conselho para algo muito importante. >

 

 

Aguardei alguns instantes até que finalmente fosse respondido. Entretanto, pelo contrário do que havia imaginado, acabei recebendo como resposta uma chamada em vídeo.

 

— Posso saber o que quer fofocar com seu pai, mas não pode compartilhar comigo? Hein?

 

— Kushina! Isso é invasão de privacidade, sabia? Ordenarei para que a trancafiem em nossos calabouços por uma hora! 

 

— Espera... nós temos calabouços? — indaguei, surpreso. 

 

— Você não me respondeu, mocinho! — a testa de minha mãe enrugou-se, indicando que estava brava. Suspirei, vencido, e comecei a falar:

 

— Não é isso, mamãe. É só que esperava um conselho de meu pai para um presente…

 

— E por que não me pediu ajuda? Eu sou a mulher aqui! — ainda ofendida, minha mãe continuou a resmungar até que meu pai gentilmente tirasse o celular de suas mãos, finalmente aparecendo com clareza diante a câmera. Atrás de si, mamãe ainda dava alguns pulinhos para tentar me ver também, fazendo com que um sorriso divertido crescesse nos lábios dele. 

 

E, foi nesse pequeno gesto e momento, que me flagrei sorrindo também. Era o tipo de relação que eu ansiava, algo pelo qual sem dúvidas valeria a pena lutar. 

 

Uma cena que eu facilmente podia visualizar... ao lado de Hinata. 

 

— O aniversário dela será em dois dias — declarei, dispersando os dois do clima descontraído particular — E... agora que eu tenho certeza de  que me apaixonei, queria…

 

Ah, meu Deus! — minha mãe exclamou, de forma que afastei os fones de ouvido antes que ficasse surdo — Que lindo o meu bebê apaixonado! Sempre soube que conseguiria, meu amorzinho! 

 

— Mãe... — cocei a garganta, constrangido, e tentei continuar a minha fala — Enfim. Agora que eu realmente sei disso, desejo uma forma de demonstrar ao menos um pouco de tudo isso. Um presente que dê indícios, mas que não a assuste, não sei... não estou pronto para falar tudo agora, mas sinto que devo deixar algumas pistas do que acontece. Estou errado?

 

— Errado, não. Confuso, talvez — meu pai começou a rir antes de levar alguns tapas por sua atitude — Ai! Perdão, perdão. Filho, não entendi o que está propondo. Um presente simples, mas de grande significado, assim como seus sentimentos? 

 

— É... acho que pode simplificar desse jeito. Mas tem muito mais nisso. 

 

— Ai, nosso filho é tão romântico! Isso me lembra de quando você me deu esse colar antes de nos casarmos, Mina. Lembra? 

 

— Claro que sim, Kushi. Foi confeccionado com o brasão de nossa família à seu estilo, para que sempre o usasse — meu pai respondeu no mesmo tom, terno, e beijou o rosto de minha mãe.

 

E então, arregalei os olhos. Era isso!

 

— É isso! Um colar com o brasão de nossa família — exclamei — É de grande valor, mas vale muito mais sentimentalmente. Pai! Pode fazer isso? Acha que chegaria a tempo? 

 

Eu posso providenciar isso ainda hoje, só precisarei saber os detalhes — foi sua resposta, e em poucos instantes eu e meus pais embarcamos em uma conversa rápida sobre as características de Hinata até que a própria aparecesse à porta do quarto. 

 

Como eu estava de costas para a porta, meus pais foram os primeiros a vê-los, silenciando-se por alguns instantes até que pudesse compreender o que estava acontecendo. Assim, consegui me virar bem a tempo de encontrar a Hyuuga na ponta dos pés, extremamente próxima a mim. 

 

O impacto foi tão grande que acabei derrubando o celular no chão, enquanto arregalava os olhos diante a sua repentina proximidade.

 

— Desculpe! Queria te dar um susto, mas quem levou o susto fui eu — murmurou, abaixando-se — O-Olá! 

 

A perolada me entregou o aparelho, mas sua expressão estava confusa. 

 

— Já conhece minha mãe, Hina… então esse é o meu pai — tentei amenizar o clima, nervoso. Ao menos eles não estavam usando a coroa, e pareciam à vontade em seu quarto. Assim, torci para que ninguém entrasse ou batesse em sua porta, ou minha identidade seria jogada por água abaixo. 

 

— É um prazer conhecê-la, senhorita Hinata! Como meu filho e esposa contaram, é muito bonita. 

 

— Obrigada, senhor — desviou o olhar com um sorriso em minha direção. 

 

— Por favor, pode me chamar de Minato. Quero aproveitar para lhe agradecer por hospedar tão gentilmente nosso filho, sabemos o quanto deve ser duro conviver com alguém que mal conhece… principalmente esse alguém sendo o Naruto.

 

— Ei! — franzi a testa, intrigado — Isso não é verdade. Hinata, diga a ele o quanto sou um ótimo inquilino! 

 

— Tem razão, senhor Minato — ela brincou de volta, fazendo com que minha boca escancarasse e meus pais rissem. — Mas seu filho é muito gentil, eu é quem agradeço por essa oportunidade única de conhecê-lo melhor — completou — E vocês também são bem vindos, totalmente bem vindos. Meus pais mesmo os convidaram para o próximo Natal, não é Naruto? 

 

Como? Não temos conhecimento desse convite… Naruto? — minha mãe pareceu surpresa, enquanto eu tentava me encolher. Talvez tenha esquecido totalmente daquele detalhe…

 

— Bem, de qualquer forma, falta muito tempo para o próximo Natal. Ainda tenho muito tempo para fazer o convite mais uma vez — Hinata foi ao meu socorro rapidamente, e em seguida mirou meu rosto timidamente — Volto outra hora, então. Quando puder, pode me encontrar? 

 

Sem dizer mais nada, meus pais desligaram a chamada, o que foi algo completamente inesperado. Afinal, onde estava a etiqueta? Boas maneiras? Nem ao menos se despediram? 

 

Observei, chocado, a mensagem seguinte:

 

Coroa 

 

< Estarei providenciando o que pediu. 

   Só precisaremos de sua localização, e fique atento. 

   Aliás… foi tudo para lhes dar privacidade. Contudo, não se esqueça:

   Pense bem no que está fazendo. Você me entendeu, certo? Sem pressão.

 

— Provavelmente você já sabe, né? — murmurou, fingindo estar impaciente — Meus pais nunca perdem a oportunidade de me explanar, então é melhor dizer que é verdade. Mas por favor, eu sei como você é e… não quero nada. Juro. Já recebi o suficiente, creio que não esteja pronta para outra surpresa.

 

Desviei o olhar, desapontado. Mal tínhamos começado e já estava levando um fora. 

 

— Peço perdão, nesse caso. Não tentarei mais nada, entendo que não posso comprometê-la aos meus sentimentos — respondi com um suspiro. Estava triste, decepcionado e desapontado comigo mesmo. O que havia feito de errado? 

 

— Hein? Estamos falando da mesma coisa? 

 

— Eu entendo, absolutamente — afirmei, sentando-me na cama enquanto passava aos mãos pelo cabelo. Por fim, criei coragem o suficiente para encará-la mais uma vez. — Mas por quê? Acredita que não há possibilidade? 

 

— Naruto? 

 

— Por acaso eu a pressionei, de alguma forma? 

 

— Naruto!

 

— Ao menos poderia me dizer seus motivos? 

 

Parecendo frustrada, a perolada tomou meus lábios com um movimento rápido, deixando-me ainda mais confuso - embora tivesse respondido o beijo no mesmo instante. Como os outros beijos, havia sido doce e envolvente, como se fosse apenas naquele gesto que pudéssemos responder o que não conseguíamos pôr em palavras. Assim, estávamos envoltos em um misto de paixão, preocupações e ansiedade pelo que viria a seguir. Não fazíamos ideia de para onde estávamos indo, mas permanecíamos juntos. 

 

Quando nos separamos, demorei longos instantes mirando sua face corada e preocupada antes de declarar o que persistia em meus pensamentos:

 

— Ainda não entendi! Em nome das aparências e sentimentos alheios, pode por favor clarear a mente deste homem desprovido de inteligência o suficiente para compreender o universo tão complexo e diversificado que denominamos “mulheres”? 

 

Minha resposta foi sua risada. Não era ao todo uma resposta ruim, já que serviu para me distrair por longos instantes. 

 

— Eu gosto de você, Naruto. Eu gosto de nós, mesmo que não saiba como denominar o que temos — a perolada falou olhando em meus olhos, desarmando as mais rígidas armaduras que eu pudesse ter. 

 

— Então sobre o que estava falando? 

 

— Sobre meu aniversário. 

 

E mais uma vez, havia passado vergonha. Sem dúvidas, eu era um poço de estupidez na maior parte do tempo, e me envergonhava profundamente por isso. Contudo, Hinata não parecia se importar, o que era de grande alívio. 

 

Se ela me aceitava como era, certamente aceitaria o outro lado que tive de omitir: a coroa. 

 

Eu não podia perder aquela mulher. Nem ao menos queria que tivesse essa chance. 

 

♕♕

 

 

Ainda que Hinata dissesse a todo instante que não estava ansiosa, percebi que não era ao todo uma verdade. Ela sorria constantemente ao ser lembrada do pouco tempo que faltava para seu aniversário, e insistia que apenas a presença dos familiares lhe bastava, embora um bolo não fosse fazer mal. 

 

Na manhã seguinte, parti em segredo ao lado de Kiba: tínhamos uma missão. 

 

— Tem certeza de que está tudo sob controle? — indaguei, temeroso. Não bastava ter que tomar todo o cuidado possível para não ser descoberto por quem quer que estivesse tentando sabotar meu disfarce, agora também tinha que me esconder de Hinata. 

 

— Cara, fica tranquilo. É só compras — Kiba bufou, empurrando-me ao notar que havia estancado pela milésima vez no lugar. — Ela não vai nos mandar para a guilhotina, mas é bom que tenhamos cuidado… é só isso. Por que está com tanto medo, gringo? 

 

— Pensei que fosse uma missão secreta, afinal, ela não pode nos descobrir — dei de ombros, decepcionado. Por um instante, realmente pensei que pudesse fazer parte de uma cena de filmes que tanto adorava. 

 

— De onde você saiu? De um livro de contos de fada? — perguntou enquanto ria — A Hina tem um gosto muito eclético para amizades, não acha? E falando em gosto esquisito… 

 

Uma figura encapuzada saltou silenciosamente de um dos muros, mas enquanto Kiba cruzava os braços, eu refiz meu posicionamento de alerta. Seria um assaltante? Um espião?

 

Finalmente haviam me encontrado?! 

 

— Revele-se! — ordenei, sério. Contudo, mantive minha posição rígida por não querer ser pego de surpresa caso houvesse tentativa de violência. — Quem é você? Quem te enviou até aqui? O que quer?

 

— Paz mundial e um pouco de limonada. Pode conseguir para mim? — respondeu despretensiosamente, ao passo que o Inuzuka curvava-se de tanto rir ao meu lado. 

 

Confuso, ousei me aproximar um pouco mais do homem que havia baixado seu capuz. 

 

— Quem lhe enviou até aqui? — repeti, verificando se não estávamos no meio de uma emboscada. 

 

— Meus pais costumavam dizer que foi uma cegonha, mas infelizmente encontrei aos 10 anos uma gravação que mostrava de onde eu vim. Foi aterrorizante e traumatizante. Nunca mais fui o mesmo. 

 

Frustrado, bufei. Kiba não parava de rir, e ao que parecia aquela figura misteriosa não conseguia responder nada com seriedade. 

 

— Sério, gringo… eu realmente  estou curioso para saber mais sobre você. Não é possível que seja tão comédia assim — suspirou, tentando se recompor. Por fim, bateu em meu ombro para em seguida bater no ombro do outro homem antes de completar: — Esse é o Shino, também um dos maiores amigos da Hina. E está em nossa… “missão super secreta" — fez aspas com os dedos enquanto sussurrava, provando que estava realmente tirando sarro da situação. — E esse é o gringo que te falei, Shino. O nome dele é Naruto, e ao que parece, a criatura é dinamarquesa. 

 

— Olá, Naruto. Tem mais questionamentos filosóficos, ou podemos seguir nossa jornada? Aliás, você ia mesmo me bater? 

 

— Era só uma posição de combate — resmunguei, caminhando entre os dois — Para o caso de… você sabe.

 

— Não, não sei. E você, Kiba? Sabe? 

 

— Eu não sei é de nada. Como saberia? — rebateu, formando uma concha com suas mãos envolta de sua boca antes de gritar: — Ei! A senhora sabe? 

 

— De quê?! — a idosa que estava do outro lado da rua gritou de volta para meu maior constrangimento, enquanto Shino dava de ombros antes de voltar a me observar por baixo dos óculos escuros.

 

— Bem, eu não sei. O Kiba não sabe. E nem a senhorinha ali sabe. 

 

Balancei a cabeça negativamente. Eu, o futuro rei da Dinamarca, sendo alvo de piadas dos dois amigos de Hinata… 

 

O que eu não faria pela minha morena? 

 

Minha morena…

 

Talvez nem mesmo a coroa fosse o suficiente para representar o peso de meus sentimentos por ela. Eu sabia que, de uma forma ou de outra, eles cresceriam ainda mais com o passar do tempo. O único problema era que eles não eram o suficiente… não quando se tratava da minha vida. Assumindo uma relação com Hinata, estaria pondo em risco sua liberdade, sua identidade e tudo o que ela sempre prezou por toda a sua vida. Seria justo jogar em suas costas tudo aquilo? Tantas coisas que nem mesmo ela havia sonhado? 

 

Tinha tanto a pensar, mas algo me dizia que o tempo não estava tão a favor assim. Já não estavam ao meu dispor 365 dias. 

 

 

♕♕

 

 

As horas passaram completamente ligeiras devido aos preparativos às escondidas de Hinata, e logo o dia 27 - o seu dia - havia finalmente chegado. Felizmente, Hanabi estava a mantendo extremamente ocupada para que suspeitasse de nossos planos, de forma que não nos falávamos à sós há dois dias. 

 

No dia anterior, um embrulho chegou pelo correio às cinco da manhã em ponto, bem como meu pai instruíra. Não havia ninguém acordado naquela hora, então pude escondê-lo entre os travesseiros do quarto com um alívio expresso. Estava tudo certo, só precisava saber como lhe diria. 

 

A família Hyuuga já entoava o parabéns matinal no quarto de Hinata, e por isso resolvi aguardar mais alguns instantes para que só então fosse a seu encontro. E, enquanto isso não acontecia, tentei repassar mentalmente tudo o que deveria e o que não deveria dizer. 

 

Não era nada se comparado com todas as coisas que lhe ocultara, mas ainda não era o momento de deixá-la entre a cruz e a espada. Precisava me certificar de seus sentimentos, pois por um erro meu a Dinamarca poderia correr riscos. Além de tudo, existia alguém que estava contando comigo.

 

A felicidade e liberdade de Shion também dependiam de mim. Não podia falhar. 

 

Contudo, se não fosse Hinata a pessoa certa… teria mais 365 dias para curar um coração partido? Quanto tempo levaria? 

 

Algumas batidas apressadas na porta ressoaram pelo ambiente. 

 

— Pode entrar — respondi, levantando da cama no ato. 

 

A cabeça de Hanabi surgiu lentamente pela fresta da porta.

 

— Hina pediu para que não fosse falar com ela agora. Está ocupada — sua voz revelava falta de entusiasmo, e quando pensei que tivesse ido embora, finalmente adentrou do quarto — Na verdade, eu é que quero falar com você.  

 

Franzi a testa. O que poderia ser? 

 

— Claro, fique à vontade. 

 

A Hyuuga mais nova suspirou antes de trancar a porta atrás de si. Então eu soube: seria uma longa conversa. 

 

 

 

Quando a porta do quarto voltou a bater e me vi sozinho, finalmente relaxei. Entretanto, não era o momento para voltar a me perder em pensamentos, então agarrei a caixa rústica e decorada por debaixo dos travesseiros, verifiquei mais uma vez minha aparência e respirei fundo antes de caminhar em direção ao quarto de Hinata. 

 

— Por obséquio, teria eu a honra de alguns minutos ao lado dessa linda dama? — indaguei, brincalhão. 

 

A perolada, que estava distraída enquanto penteava seus longos cabelos, se virou para por fim me encarar.

 

— Mas é claro, senhor. O que este belo cavalheiro teria para me dizer? 

 

— Ora, bela dama. Temo que nem mesmo a junção de todas as palavras existentes em nosso mundo poderiam ser o suficiente para resumir o que quero lhe dizer. 

 

Hinata sorriu, deixando a escova em cima da penteadeira para caminhar em minha direção. Logo, estava a tomando em meus braços, envolvendo seu corpo em um abraço caloroso e significativo, de forma que mesmo meu coração que era escondido por camadas de pele, carne e ossos, palpitava freneticamente diante aquela proximidade. 

 

— Feliz aniversário, minha princesa irlandesa — disse com a voz abafada, pois meu rosto estava absorto na pele macia de seu pescoço. Ali cheirava a doces e flores, acariciando meu olfato a cada respiração e salpicando bolinhas de calafrios na pele dela. 

 

Relutante em romper o contato físico, finalmente levantei o rosto e depositei um beijo demorado em sua bochecha antes de voltar a mirar seus olhos brilhantes. 

 

— Eu tenho algo para lhe dar. 

 

— Naruto! Eu disse que não precisava — resmungou, arrancando um enorme sorriso de meus lábios. Estava soando como uma garotinha fazendo birra, mas uma birra para não receber presentes. 

 

— E desde quando eu ouço o que você diz? Só acatarei suas ordens quando chegar a… hm, um metro e meio — provoquei, recebendo em troca uma tentativa de golpe que foi prontamente interceptada por mim. Deixando a caixinha acima do seu móvel, agarrei sua mão e girei seu corpo até que estivesse de costas para mim. — Mais alguns centímetros e finalmente vai conseguir me fazer cócegas, pelo menos — continuei provocando, divertindo-me com as suas frustradas tentativas de se livrar de mim, mesmo que não a estivesse apertando. 

 

— Quando foi que ficou tão implicante, hein? Deixe só eu me soltar, e vai levar uma surra daquelas — sibilou, mas eu sabia que estava tentando evitar uma risada. 

 

Com o braço livre, estendi a mão até a caixinha e de lá retirei o cordão delicado e significativo feito para ela. 

 

— O que… Ah, meu Deus. É… é um colar — sussurrou assim que sentiu o pingente gélido tocar em sua pele, então finalmente a soltei para prender a jóia. Suas mãos foram até os próprios cabelos, levantando os longos fios facilitando assim o meu trabalho. Quando finalmente prendi as correntes, Hinata puxou delicadamente o pingente para observá-lo, e caminhou até o espelho.

 

Seu reflexo olhou para mim, agradecido. 

 

— É lindo, Naruto. Muito lindo. 

 

Seu olhar era verdadeiro, assim como suas palavras. Por isso, me aproximei calmamente dela antes de jogar seu cabelo para o lado para que visse melhor as correntes adornadas da jóia, que contrastavam perfeitamente em seu tom de pele alvo. Em seguida, estávamos frente a frente, fazendo o que mais gostávamos: olhar nos olhos um do outro. 

 

— É o brasão de minha família — expliquei, vislumbrando seu olhar se abrir ainda mais — Meu pai deu à minha mãe e… bem, achei que seria um presente perfeito para você. É feito com base em suas características, pois sempre que vejo a cor lilás e flores eu lembro de você. E as pérolas espalhadas pela correntinha… são seus olhos. Magníficos, assim como a dona deles.

 

— Eu não sei nem o que dizer, Naruto — desviou o olhar, corada — É de grande valor, não sei se poderia aceitar uma jóia tão importante.

 

— Acredite, vale mais sentimentalmente. Por favor, fique com esse colar — pedi, abaixando o rosto ligeiramente enquanto buscava por seu olhar mais uma vez — Por favor. É o mais perto que posso chegar de simbolizar o que sinto por você. 

 

Nós nos entreolhamos por longos segundos até que percebi que Hinata prendia a respiração. Eu tinha dito algo errado? Passado dos limites? 

 

— Eu… desculpe, Hina. Não quis te constranger, eu só… — franzi a testa e me afastei brevemente, esfregando a zona T de meu rosto. Era óbvio que uma hora ou outra eu estragaria tudo.

 

— Não estou constrangida. Estou sem palavras — ouvi sua voz dizer, e seus passos se aproximarem de mim antes que suas mãos tocassem meu braço, retirando-o de meu rosto. — Naruto? É recíproco. Você sabe que é. Então eu… usarei seu brasão, porque veio de seu coração e também toca o meu. 

 

Voltei a sorrir, tocando seus cabelos antes de me agachar para um beijo. Entretanto, uma grunhida à porta me fez estancar antes de concretizar o toque de lábios.

 

— Sua mãe quer sua ajuda na cozinha, Hinata. 

 

— Sério, pai? — a perolada bufou, enquanto eu assumia os mais diversos tons de vermelho no rosto por ter sido flagrado. O que faria em seguida? Seria obrigado a pedir a mão de Hinata no mesmo instante? Um duelo contra seu pai, pela sua bênção? Uma luta até a morte?

 

Estremeci, até que ouvisse a risada já conhecida de Hiashi. 

 

— Não pude perder a oportunidade, mas já que atrapalhei, por que não vamos logo? 

 

Mesmo sabendo que fazia parte do plano, não pude deixar de fazer um bico ligeiro. Todavia, o beijo poderia esperar mais um pouco. 

 

Deixamos que Hinata fosse à frente, de forma que foi recebida ao pé da escada pela decoração e chuva de palmas assim que surgiu.

 

— Hinata! Viva a Hinata! 

 

— Não acredito. Tramaram contra mim… de novo — estreitou os olhos, virando-se para trás — Está envolvido nessa, Vossa Alteza? Hum? 

 

— Tudo para minha princesa irlandesa — assoviei despretensiosamente enquanto juntava-me à comemoração. A família de Hinata era excepcional, e mesmo seus amigos embora fossem implicantes demais, eram boas companhias. 

 

Se tudo desse certo, além de voltar para casa com uma futura esposa, levaria novos amigos e boas lembranças. 

 

 

♕♕

 


Notas Finais


Foi isso no episódio de hoje, tañaaam *0* Espero que tenham gostado, pessoal. Eu já disse que meu niver é dia 28 agora, daqui 9 dias? Não? Pois é. o_o' <br /> <br />Brincadeiras a parte, foi isso mesmo gente. Obrigada, mais uma vez, aos que acompanham essa fic e comentam, vocês significam muito para mim. <3<br /><br />Edit1: comentar não vai cair a mão, viu fantasminhas? Saibam que vocês me desanimam 🤡🤡🤡


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