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História 4 Seasons - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Vida vazia


Capítulo 2: Vida vazia

10 anos depois:

Bip Bip

O alarme do meu celular começa a tocar,viro para o lado ignorando-o.

Bip Bip.

O aparelho continua obedecendo sua programação.

Bip Bip.

Vencida pela irritação,finalmente me levanto e desligo o mesmo,tirando o telefone,que estava carregando,da tomada.

_Eu só queria dormir!_ Choramingo,não estava nem um pouco afim de ter mais um "maravilhoso dia de aula" em minha escola.

Vou praticamente me arrastando até o banheiro,onde me encaro no espelho.

_Nossa..._ Suspiro ao ver meu reflexo.

Eu estava horrível, havia olheiras em meus olhos e meu cabelo parecia uma vassoura velha. Isso sem contar minhas "queridas" amigas espinhas.

Tomo um banho,gelado,pois era a única coisa que me acordava,acordava entre muitas aspas,pois eu tinha o incrível dom de sentir sono 24 horas por dia.

Após sair do chuveiro e vestir meu uniforme,que consistia em uma calça jeans preta e a camisa do estado do Rio de Janeiro,passo um pouco de creme em meus cachos recém lavados e os penteio com os dedos.

Saio do banheiro,torcendo para que minha mãe não estivesse acordada,ela provavelmente me obrigaria a tomar café,o que para um ser humano que nunca sente fome é como a morte.

A casa estava em silêncio,sinal de que hoje eu teria paz.

Mesmo assim calcei minhas meias e tênis all star pretos na velocidade da luz,o que me permitiu saír logo de casa.

Durante o caminho para o ponto de ônibus eu observava a paisagem bem natural da minha rua.

Nós havíamos nos mudado para uma cidade do interior,quebrando a "tradição" da família.

Não que eu seja uma adolescente revoltada,mas eu realmente não gosto daqui.

Não é que eu sinta falta dos shopings e centros comerciais,não ligo pra isso.

O problema é que estando aqui eu não posso cuidar do piano.

Agarro a chave do cadeado,que hoje é o pingente do cordão,que eu sempre estou usando por baixo da camisa.

"Estou falhando na minha promessa."

Suspiro.

O ônibus que me levaria a escola finalmente chega.

Embarco no mesmo,dou bom dia ao motorista e passo o cartão,que libera a roleta.

Dirijo-me aos bancos.

Em minutos meus olhos mapeam todo o veículo,na busca de uma "zona segura",que seria um banco vazio e o mais afastado possível.

Por fim acabo optando por ficar em pé,todos os lugares vagos eram ao lado de pessoas.

Tento me equilibrar da melhor forma,eu não queria cair,não na frente de todos,mas eu também não queria fazer nenhuma pose "estranha",na minha cabeça todos estavam olhando para mim e julgando cada movimento,então eu não podia errar,seria vergonhoso.

Coloco meus fones de ouvido,conectados ao celular.

Meu coração acelerava cada vez que alguém decia e acabava olhando para mim sem querer,eu era a única em pé,o ônibus estava vazio,provavelmente eu estava fazendo papel de palhaça.

Esses pensamentos,eram uma espécie de transe do qual eu só conseguia despertar quando estavas sozinha

A música servia como refúgio,mesmo assim eu ainda me questionava se as pessoas à minha volta podiam ouvir o que saía de meus fones.

Quando meu ponto finalmente chegou,agradeci mentalmente por ter conseguido não surtar dentro do coletivo,ao mesmo tempo eu me preprarava,pois a verdadeira batalha começaria agora.

Quando chego ao portão do colégio,o mesmo está fechado.

Isso já não é novidade,já que eu sou sempre a primeira a chegar,me encosto á parede,xingando mentalmente a empresa de ônibus por me fazer acordar tão cedo e ficar praticamente meia hora plantada ali.

Quando os portões finalmente se abrem, depois de longos 25 minutos,eu já tinha praticamente gravado a letra da música que estava escutando.

Entro na escola,cruzo o pátio,praticamente fugindo do sol,pois a génetica havia decidido que minha pele seria tão pálida,que ficaria vermelha comqualquer raozinho de sol,e então finalmente chego a minha sala.

_Eu não sei se agradeço ou se choro._ Observo ao encarar a inifindade de carteiras azuis,que logo estariam misturadas ás carteiras amarelas da outraturma.

Escolho o primeiro lugar, não por opção,eu preferia as do fundão já que elas te permitiam dormir sem ser incomodado,mas por causa da minha miopia.

Minha maldita miopia,que tornava meus olhos azuis-claro meros enfeites.

Aos poucos os outros alunos chegam,todas as filieras vão se enchendo,incluindo a minha.

As quatro garotas que ali sentam são a personificação de um livro/filme adolescente padrão.Elas estavam sempre  falando sobre seus namorados e planos para o futuro.

Eu me dava bem com duas delas,Ana Clara e Khadja.

A primeira,tinha apenas 1,54 de altura,mas não se engane.A maturidade daquela garota a tornava maior que qualquer gigante.

A segunda voltava no mesmo ônibus que eu ,tínhamos gostos parecidos para músicas e séries,ela era divertida. Mas não éramos muito próximas. A culpa disso era minha, já que eu era péssima em me relacionar com os outros.

_Oi Lucianna._ Khadja tentou puxar assunto,ela eventualmente fazia isso, já que eu nunca tinha coragem.

_Oi._ Respondi,sem muita emoção.

_Você viu os vídeos do show do BTS?_ Ela perguntava com empolgação._ Ah!Eu estou sofrendo!Queria tanto ter ido!_

Seu pequeno surto me faz soltar uma risada.

Khadja era o que você pode chamar  de fanática,mas não no mal sentido.Ela só era muito apegada a essas coisas,era o que a fazia feliz.Ela tinha uma vida um tanto complicada e esse era seu alívio. Eu a admirava,ela era corajosa,não ligava muito para regras bobas ou para rótulos,era uma pessoa que não julgava as outras e eu gostava muito disso.

Ela Ia para a escola de calça camuflada,mesmo sendo proíbido e seu cabelo era roxo,mas já tinha sido verde também. Era uma boa pessoa. O que fazia eu me sentir mal por não conseguir me aproximar mais.

_Sim,eu vi._Disse,brincando com meus dedos polegares,girando-os para cima._Mas não se preocupe,eles provavelmente virão de novo._ Afirmei com a cabeça.

_Aí eu espero!Eu sou ARMY desde 2014 e nunca fui a um show,cara!_ Ela afundou a cabeça na mesa._O Taehyung tava tão lindo cara!Ele se chamou de Mr.Lindo.Teve até texto no Twitter e em português cara,eles escreveram em português...Por que eu não fui?_Ela choramingava e eu tentava não rir.

Eu gostava desses pequenos surtos,eles deixavam meus dias mais coloridos É uma pena que todo resto fosse cinzento.

Eu era uma jovem estranha,sem sonhos,sem namorado,sem amigos.

Isso tudo porque,nada mais importava para mim.

Eu me odiava por isso,me odiava por estar presa dentro de mim mesma.


A única coisa que eu queria era encontrar o piano da minha tia e dar-lhe um destino adequado.

Por causa disso eu decidi fugir,assim que eu completar 18 anos,para ir atrás daquele piano,eu iria vendê-lo a um conservatório e então finalmente dar um fim a minha vida inútil.

Eu só não sabia ainda como eu faria isso.


Notas Finais


Capítulos novos todo sábado.(sem horário definido)


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