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História 50 Tons de Cinza - Larry Stylinson - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Espero que gostem, cometem qualquer erro.
Boa leitura! ♡

Capítulo 3 - Capítulo 2



[...]

— Não exatamente Louis — Ele ergue as sobrancelhas, um brilho frio nos olhos. Não parece satisfeito.

— Peço desculpas. Está... hum... escrito aqui.

É a primeira vez que ele diz meu nome. Minha pulsação se acelera, e minhas bochechas estão esquentando de novo. Nervosa, prendo minha mecha de cabelo desgarrada atrás da orelha. Ele inclina a cabeça.

— Essas perguntas não são suas?

O sangue se esvai do meu cérebro.

— Hum... não. Lee... O Sr. Payne. Ele compilou as perguntas.

— Vocês são colegas no jornal dos alunos?

Ah, não. Não tenho nada a ver com o jornal dos alunos. Essa é uma atividade extracurricular de Liam, não minha. Meu rosto está em brasa.

— Não. Eu divido o apartamento com ele. — Ele esfrega o queixo com calma e deliberação, os olhos verdes me avaliando.

— Você se ofereceu para fazer esta entrevista? — pergunta, a voz mortalmente calma.

Espere aí, quem deve entrevistar quem? Os olhos dele me queimam, e sou compelido a dizer a verdade.

— Fui convocado. Ele está passando mal — falo com a voz fraca de quem se desculpa.

— Isso explica muita coisa. — Ouve-se uma batida na porta, e a Loura Número Três entra.

— Sr. Styles, desculpe interromper, mas a próxima reunião é em dois minutos.

— Ainda não terminamos aqui, Andrea. Por favor, cancele a próxima reunião.

Andrea hesita, olhando-o boquiaberta. Parece perdida. Ele vira a cabeça devagar para encará-la e ergue as sobrancelhas. Ela fica toda cor-de-rosa. Que bom. Não sou só eu.

— Está bem, Sr. Styles — murmura ela, e sai. Ele franze a testa e volta a atenção para mim.

— Onde estávamos, Sr. Tomlinson? 

Ah, agora voltamos a "Sr. Tomlinson".

— Por favor, não quero incomodá-lo.

— Quero saber sobre você. Acho que é muito justo . — Seus olhos estão acesos de curiosidade. Merda. Ele põe os cotovelos nos braços da cadeira e ergue os dedos na frente da boca. Sua boca causa muita... distração. Engulo em seco.

— Não há muito que saber — digo.

— Quais são seus planos para depois que se formar? — Dou de ombros, desconcertado com o interesse dele. Vir para Seattle com Liam, encontrar um trabalho. Não pensei muito além das provas finais.

— Não fiz planos, Sr. Styles. Só preciso passar nas provas finais. — Para as quais eu deveria estar estudando agora , em vez de ficar sentado em sua sala palaciana, pomposa e asséptica, sentindo-me desconfortável com seu olhar penetrante.

— Temos um excelente programa de estágios aqui — diz ele calmamente. Ergo as sobrancelhas, surpreso. Será que ele está me oferecendo um emprego?

— Ah. Vou me lembrar disso — murmuro, completamente confuso. — Apesar de não ter certeza se me encaixaria aqui. — Ah, não. Estou pensando alto de novo.

— Por que diz isso? — Ele inclina a cabeça, intrigado, um esboço de sorriso brincando em seus lábios.

- É óbvio, não é? - Sou desastrado, malvestido, e não sou loiro.

- Não para mim - murmura ele. Seu olhar é intenso, agora desprovido de humor, e músculos desconhecidos dentro da minha barriga de repente se contraem.

Desvio a vista de seu olhar examinador e encaro cegamente meus dedos entrelaçados. O que está havendo? Tenho que ir. Agora. Inclino-me para a frente a fim de pegar o gravador.

- Gostaria que eu o levasse para conhecer a empresa? - pergunta ele.

- Tenho certeza de que o senhor é ocupado demais, Sr. Styles, e tenho uma longa viagem pela frente.

- Vai voltar dirigindo para Vancouver? - Ele parece surpreso, até ansioso. Olha pela janela. Começou a chover. - Bem, seria melhor dirigir com cuidado. - Seu tom de voz é severo, autoritário. Por que deveria se interessar? - Conseguiu tudo de que precisava? - acrescenta.

- Sim, senhor - respondo, guardando o gravador na mochila. Seus olhos se estreitam especulativamente. - Obrigada pela entrevista, Sr. Styles.

- O prazer foi meu - diz ele, educado como sempre. Quando me levanto, ele fica de pé e estende a mão. - Até a próxima, Sr. Tomlinson - E a frase soa como um desafio, ou uma ameaça, não sei bem o quê. Franzo a testa.

Quando nos veríamos de novo? Aperto a mão dele mais uma vez, impressionado com o fato de aquela corrente estranha entre nós continuar presente. Devem ser meus nervos.

- Sr. Styles. - Faço um cumprimento de cabeça para ele. Encaminhando-se com ágil graça atlética para a porta, ele a abre completamente.

- Só estou garantindo que passe pela porta, Sr. Tomlinson. - Ele me dá um sorrisinho. É óbvio que está se referido à minha entrada nada elegante em sua sala. Fico corado.

- É muita consideração sua, Sr. Styles - digo secamente, e seu sorriso aumenta.

Ainda bem que me acha engraçado. Faço uma cara feia por dentro, enquanto sigo para o saguão. Fico surpreso quando ele vem atrás de mim. Andrea e Olivia olham igualmente surpresas.

- Você veio de casaco? - pergunta Styles.

- De jaqueta. - Olivia levanta-se de um salto e pega a minha jaqueta, que Styles toma de sua mão antes que ela possa entregá-la a mim. Ele a segura e, sentindo-me ridículo e sem jeito, visto-a. Styles põe as mãos por um momento em meus ombros. Suprimo um grito ao sentir o contato. Se ele notou minha reação, não deu bola.

Seu comprido dedo indicador aperta o botão do elevador, e ficamos parados esperando: eu, constrangido; ele, tranquilo e dono de si.

As portas se abrem, e entro correndo, desesperado para fugir dali. Eu realmente preciso dar o fora daqui.

Quando olho para ele, está encostado no vão da porta ao lado do elevador com uma das mãos na parede. É realmente muito, muito bonito. É enervante.

- Louis - diz ele se despedindo.

- Harry - respondo. E, felizmente, as portas se fecham.

[...]

Meu coração está palpitando. O elevador chega ao primeiro andar, e saio às pressas tão logo as portas se abrem. Tropeço de novo, mas, felizmente, sem me estatelar no imaculado piso de arenito.

Corro para as largas portas de vidro e logo estou livre no ar revigorante, limpo e úmido de Seattle. Erguendo o rosto , recebo com prazer a chuva refrescante. Fecho os olhos e respiro fundo, purificando-me, tentando recuperar o equilíbrio que me resta. Homem nenhum jamais me afetou como Harry Styles, e não consigo entender por quê. Será sua aparência? Sua educação? Riqueza? Poder? Não entendo minha reação irracional.

Dou um imenso suspiro de alívio. O que foi aquilo tudo, pelo amor de Deus? Encostado nos pilares de aço do prédio, tento valentemente me acalmar e organizar meus pensamentos. Balanço a cabeça.

[...]

Deixando para trás os limites da cidade, começo a me sentir tolo e envergonhado ao repassar mentalmente a entrevista. Com certeza, estou tendo uma reação exagerado a algo imaginário. Tudo bem, então ele é muito atraente , seguro, autoritário, à vontade consigo mesmo - mas, por outro lado, é arrogante e, apesar de todos aqueles modos impecáveis, é autocrático e frio. Bem, superficialmente.

Um arrepio involuntário desce pela minha espinha. Ele pode ser arrogante, mas tem o direito de ser - já realizou muita coisa, numa idade muito precoce. Não tem paciência para lidar com idiotas, mas por que deveria? De novo, estou irritado pelo fato de Liam não ter me fornecido uma pequena biografia.

Enquanto vou em direção à Rodovia Interestadual 5, minha mente continua vagando.

Estou verdadeiramente perplexo quanto ao que faz alguém ser tão direcionado ao sucesso. Algumas de suas respostas foram muito enigmáticas - como se ele tivesse intenções ocultas.

E as perguntas de Liam... Argh! Sobre a adoção e se ele era gay! Estremeço. Não posso acreditar que eu disse aquilo. Ainda bem que ele é, Quero me enfiar num buraco! Toda vez que eu pensar nessa pergunta, vou morrer de
vergonha. Maldito Liam Payne.

[...]

Quando estaciono na frente de casa, sei que Liam vai querer um relato detalhado, e ele é tenaz. Bem, pelo menos ele tem o gravador. Espero não ter que elaborar muito além do que foi dito na entrevista.

- Lou! Você voltou. - Liam está sentado na nossa sala de estar, cercado de livros. É óbvio que andou estudando para as provas finais. Está usando o pijama de flanela Branca com preto estampado com símbolos do Batman que ele reserva para quando rompe com os namorados, para todo o tipo de doenças e para o baixo-astral em geral. Ele se levanta num salto e me dá um abraço apertado.

- Estava começando a ficar preocupado. Esperava que você voltasse antes.

- Ah, achei que fiz um bom tempo, considerando a duração da entrevista. -Aceno para ele com o gravador.

- Lou, muito obrigado. Fico lhe devendo essa. Como foi? Como ele é? - Ah, não, lá vem a Inquisição de Liam Payne. Faço um esforço para responder à pergunta dele. O que posso dizer?

- Ainda bem que acabou, e não preciso vê-lo de novo. Ele é bastante intimidador, sabe? - Dou de ombros. - É muito focado, chega a ser intenso... e jovem. Muito jovem.

Liam me olha inocentemente. Lanço um olhar desdenhoso para ele.

- Não faça essa cara de bobo. Por que não me deu uma biografia? Ele fez com que eu me sentisse um idiota por não ter feito sequer uma pesquisa básica. - Liam tapa a boca com a mão.

- Nossa, Lou, desculpe. Eu não pensei nisso. - Bufo de raiva.

- No geral, ele foi educado, formal, ligeiramente antiquado, como se tivesse envelhecido antes do tempo. Ele não fala como um homem de vinte e poucos anos. Quantos anos ele tem, afinal?

- Vinte e sete, ou vinte e oito, acho. Nossa, Lou, desculpe. Eu devia ter preparado você, mas estava muito apavorado. Passe o gravador para eu começar a transcrever a entrevista.

- Você parece melhor. Tomou a sopa? - pergunto, querendo mudar de assunto.

- Tomei, e estava uma delícia, como sempre. Estou me sentindo muito melhor. - Ele sorri agradecido para mim. Olho o relógio

- Tenho que correr. Ainda dá para eu pegar meu turno na Clayton's.

- Lou, você vai ficar exausto.

-Vou ficar bem. Vejo você mais tarde.

[...]

Trabalho na CLAYTON'S desde que entrei na WSU. A Clayton's é a maior loja de material de construção na área de Portland e, nos quatro anos em que trabalho aqui, passei a conhecer um pouco sobre quase tudo o que vendo -embora, por ironia, eu seja um zero à esquerda quando se trata de execução de trabalhos manuais. Deixo isso para meu pai.

começou a temporada de verão, e as pessoas estão reformando suas casas. A Sra. Clayton fica aliviada em me ver.

- Lou! Pensei que não fosse conseguir vir hoje.

- Minha reunião não demorou tanto quanto eu esperava. Posso trabalhar algumas horas.

- Estou muito feliz em ver você.

Ela me manda para o depósito a fim de começar a reabastecer as prateleiras, e logo a tarefa me absorve.

[...]

Mais tarde, quando chego em casa, Liam está com fones de ouvido e trabalhando em seu laptop. Tem o nariz ainda rosado, mas está totalmente envolvida com o artigo; concentrado, digitando com fúria. Estou esgotado - Atiro-me no sofá, pensando no texto que preciso terminar e em tudo que não estudei hoje porque estava entocada com... ele.

-Você conseguiu um bom material, Lou. Ótimo trabalho. Não posso acreditar que você não aceitou quando ele quis levá-lo para conhecer a sede. Ele obviamente queria passar mais tempo com você. - Ele me lança um olhar rápido e intrigado. Fico vermelho, e minha pulsação inexplicavelmente se acelera.

Percebo que estou mordendo o lábio, e espero que Lee não note. Ele parece absorto na transcrição da entrevista.

- Ouvi o que você disse sobre ele ser formal. Anotou alguma coisa? - pergunta ele.

- Hum... não, não anotei.

- Tudo bem. Ainda posso fazer um ótimo artigo com isso aqui. Pena que não temos fotos. O filho da mãe é bonito, não é?

- Acho que sim. - Tento soar desinteressado, e acho que consigo.

- Ah, o que é isso, Lou! Nem você pode ficar imune à beleza dele. - Ele ergue para mim as sobrancelhas. Droga! Sinto minhas bochechas esquentarem, então o distraio com bajulação, sempre um bom estratagema.

- Você provavelmente teria arrancado muito mais dele.

- Duvido, Lou. Qual é! Ele praticamente lhe ofereceu um emprego. Considerando que eu avisei em cima da hora, você se saiu muito bem. - Ele me olha, especulativo. Faço uma retirada apressado para a cozinha.

- Então, o que achou dele realmente?

Droga, ela é inquisitiva. Por que não pode simplesmente deixar isso para lá? Pense em alguma coisa -rápido.

- Ele é ambicioso, controlador, arrogante, assustador mesmo, mas muito carismático. Dá para entender o fascínio -acrescento sinceramente, esperando que isso a cale de uma vez por todas.

- Você? Fascinado por um homem? É a primeira vez. -diz ele, com desdém. Começo a separar os ingredientes de um sanduíche para ele não poder ver meu rosto.

- Por que quis saber se ele era gay? A propósito, essa foi a questão mais embaraçosa. E ele ficou irritado com a pergunta. -Fecho a cara ao me lembrar.

- Quando aparece nas colunas sociais, ele nunca está acompanhado.

- Foi uma saia justa. A entrevista toda foi uma saia justa. Ainda bem que nunca que ele é Gay e nem me matou com a pergunta e nunca mais vou ter que olhar para ele.

- Ah, Lou, não pode ter sido tão ruim. Pela voz dele, acho que ficou bastante impressionado com você.

impressionado comigo? Agora Liam está sendo ridículo.

- Quer um sanduíche?

- Por favor.

[...]

Não falamos mais de Harry Styles naquela noite, para meu alívio. Quando acabamos de comer, sento-me à mesa de jantar com Liam e, enquanto ele trabalha em seu artigo, escrevo meu texto sobre Tess of the d'Urbervilles. Droga, aquela mulher estava no lugar errado, na hora errada e no século errado.

Quando termino, é meia-noite, e Liam já foi se deitar há muito tempo. Vou para o quarto, exausto, mas feliz por ter feito tanta coisa numa segunda-feira.

Encolho-me em minha cama de ferro branca, enrolado na colcha da minha mãe, fecho os olhos e adormeço na mesma hora. Sonho com lugares escuros, desolados, pisos brancos frios e olhos Verdes.

[...]

Pelo resto da semana, dedico-me aos estudos e ao meu trabalho na Clayton's. Lee está ocupado também, compilando sua última edição do jornal antes de ter que cedê-lo à nova editora enquanto se esforça para as provas finais.

Na quarta-feira, ele está muito melhor, e já não tenho mais que aguentar aquele seu pijama de flanela rosa cheio de Batmans. Ligo para minha mãe na Geórgia a fim de saber como ela está, mas também para ela poder me desejar boa sorte nas provas finais.

- Como você está, meu filho?

Por um momento, hesito, e tenho toda a atenção de minha mãe.

- Estou bem.

- Lou? Você conheceu alguém?

Uau... como ela faz isso? A empolgação em sua voz é palpável.

- Não, mãe, não é nada. Você será a primeira a saber se eu conhecer.

- Louis, você precisa realmente sair mais, querido. Você me preocupa.

- Mãe, eu estou bem. Como está Daniel? -Como sempre, distrair é a melhor política.

[...]

Sexta-Feira a noite, Liam e eu estamos discutindo o que fazer, queremos descansar um pouco dos estudos, do trabalho e dos jornais dos alunos, quando a campainha toca.

Parado à nossa porta está meu grande amigo Niall, segurando uma garrafa de champanhe.

- Nialler! Que bom ver você! -Dou-lhe um abraço rápido.

- Entre.

Niall foi a primeira pessoa que conheci quando entrei para a WSU. Ele parecia tão perdido e solitário quanto eu. Sentimos uma enorme afinidade um pelo outro naquele dia, e somos amigos desde então. Não só temos senso de humor, mas também descobrimos que Mark e o pai de Niall serviram juntos na mesma unidade do Exército. Consequentemente, nossos pais também se tornaram grandes amigos.

Niall estuda engenharia e é o primeiro de sua família a chegar à faculdade. Ele é um aluno brilhante, mas sua verdadeira paixão é a fotografia. Niall tem um ótimo olho para fotografar.

- Tenho novidades. -Ele ri, os olhos Azuis brilhando.

- Não me diga. Conseguiu não ser posto para fora por mais uma semana -provoco, e ele fecha a cara para mim de brincadeira.

- A Galeria Portland Place vai expor minhas fotos no mês que vem.

- Que incrível! Parabéns! - fico feliz por Niall, torno a abraçá-lo. Liam também sorri para ele.

- Parabéns, Niall! Eu devia colocar isso no jornal. Nada como mudanças editoriais de última hora numa sexta-feira à noite. -Ele finge aborrecimento.

- Vamos comemorar. Quero que vá à inauguração. - Niall me olha fixamente e eu enrubesço.

- Vocês dois, claro -acrescenta ele, olhando nervoso para Liam.

Niall e eu somos muito amigos, mas, no fundo, sei que ele gostaria de ser mais que isso. Ele é bonito e divertido, mas não é para mim. É mais como o irmão que nunca tive. Liam vive me provocando dizendo que me falta o gene "preciso de um namorado", mas a verdade é que eu simplesmente nunca conheci alguém que... bem, me atraia. Às vezes, me pergunto se há algo de errado comigo. Talvez eu tenha passado muito tempo na companhia dos meus heróis literários românticos e, consequentemente, tenha ideais e expectativas elevados demais.

Não me interesso por alguém, Até muito recentemente, murmura a inoportuna e ainda fraca voz do meu inconsciente. NÃO! Expulso o pensamento de imediato. Não vou cair nessa, não depois daquela entrevista penosa.

"O senhor é gay, Sr. Styles?"

Estremeço com a lembrança, graças a Deus ele é.

Observo Niall abrir a garrafa de champanhe. Ele é alto e, com aquela calça jeans e aquela camiseta, é só ombros e músculos, a pele Branca macia, o cabelos tingidos de louro e ardentes olhos Azuis cristalinos.

Sim, Niall é bastante atraente, mas acho que, enfim ele está entendendo o recado: somos apenas amigos. A rolha espoca ruidosamente, e ele ergue os olhos e sorri.

[...]

Sábado é um pesadelo. Somos assediados por amantes da bricolagem querendo consertar suas casas. O Sr. e a Sra. Clayton, John e Patrick -os outros dois funcionários que trabalham meio expediente -e eu corremos de um lado para o outro.

Sento-me no balcão, então, por alguma razão, ergo a vista... e sou capturada pelo atrevido olhar esverdiado de Harry Styles, que está parado no balcão, encarando-me atentamente. Parada cardíaca.

- Sr. Tomlinson. Que surpresa agradável. - O olhar dele é firme e intenso. Droga. Que diabo ele está fazendo aqui todo despenteado e esportivo, com um suéter grosso, jeans e botas? Acho que meu queixo caiu, e não consigo encontrar meu cérebro nem minha voz.

- Sr. Styles - murmuro, porque é só o que consigo. Há a sombra de um sorriso nos lábios dele, e seus olhos estão cheios de humor, como se ele estivesse curtindo uma piada íntima.

- Eu estava pela área - diz ele, à guisa de explicação. - Preciso me abastecer de algumas coisas. É um prazer tornar a vê-lo, Sr. Tomlinson. - Sua voz é quente e encorpada como caramelo e chocolate derretido... ou algo assim. Balanço a cabeça para pôr as ideias em ordem.

- Louis. Meu nome é Louis - murmuro. - Em que posso servi-lo, Sr. Styles?

Ele sorri, e mais uma vez é como se estivesse guardando um grande segredo. É muito desconcertante. Respirando fundo, assumo minha fachada profissional Já Trabalho Nessa Loja Há Anos. Posso fazer isso.

- Estou precisando de alguns artigos. Para começar, gostaria de umas braçadeiras de plástico - murmura ele, sua expressão ao mesmo tempo calma e descontraída.

Braçadeiras de plástico?

- Temos de vários tamanhos. Posso lhe mostrar? - digo baixinho, a voz trêmula. Controle-se, Tomlinson. Um ligeiro franzido toma a bela testa de Styles.

- Por favor. Vá na frente, Sr. Tomlinson - diz ele. Tento parecer indiferente ao sair de trás do balcão, mas realmente estou me concentrando muito em não tropeçar em meus próprios pés. Minhas pernas de repente adquirem consistência de gelatina. Ainda bem que hoje de manhã resolvi usar minha melhor calça jeans.

- Estão na seção de artigos de eletricidade, corredor oito. -Minha voz está um pouco alegre demais.

Olho para ele e me arrependo disso quase na mesma hora. Droga, ele é bonito.

- Vá na frente -murmura ele, indicando com um gesto de sua mão de dedos esguios muito cheios de anéis e bem-cuidada.

Encaminho-me por um dos corredores em direção à seção de eletricidade. Por que ele está em Portland? Por que está aqui na Clayton's?

- Está em Portland a trabalho? -pergunto, e minha voz está muito aguda, como se eu tivesse prendido o dedo na porta ou algo do tipo. Droga! Tente ficar calmo, Lou!

- Eu estava visitando a divisão agrícola da WSU. Fica em Vancouver. No momento, estou financiando umas pesquisas em rotação de culturas e ciência do solo -diz ele, impassível. Está vendo? Ele não está aqui para ver você, diz com desdém o meu inconsciente, alto e bom som, orgulhoso e amargo. Enrubesço diante de minhas tolas ideias impertinentes.

- Tudo parte do seu plano de alimentar o mundo? -provoco.

- Mais ou menos -reconhece ele, e seus lábios se contraem num breve sorriso.

Ele olha a seleção de braçadeiras que temos no estoque. Que diabo ele vai fazer com isso? Não consigo de jeito nenhum imaginá-lo como um praticante de bricolagem.

Seus dedos passeiam por vários pacotes expostos e, por alguma razão inexplicável, preciso desviar o olhar. Ele se abaixa e escolhe um pacote.

- Estas vão servir -diz ele com aquele sorriso muito misterioso, e eu enrubesço.

- Mais alguma coisa?

- Eu gostaria de fita adesiva.

Fita adesiva?

- Está fazendo uma reforma? - As palavras saem antes que eu possa detê-las. Com certeza ele contrata operários ou tem gente para ajudá-lo na decoração.

- Não, não estou reformando - diz ele depressa, depois dá um sorriso forçado, e tenho a estranha sensação de que está rindo de mim. Será que sou tão engraçado? Tenho uma cara engraçada?

- Por aqui - murmuro, embaraçado. -As fitas adesivas ficam no corredor de decoração. Olho para trás enquanto ele me segue.

- Trabalha aqui há muito tempo? - A voz dele é grave, e ele está me olhando, olhos verdes muito concentrados. Enrubesço mais ainda. Por que diabo ele me causa esse efeito? Sinto como se tivesse quatorze anos.

- Quatro anos - murmuro quando chegamos ao nosso objetivo. Para me distrair, abaixo-me e escolho duas larguras de fita adesiva para pintura que temos em estoque.

- Vou levar essa - Styles diz em voz baixa apontando para a fita mais larga, que passo para ele. Nossos dedos se encostam muito brevemente, e a corrente se manifesta de novo, percorrendo todo o meu corpo como se eu tivesse encostado num fio desencapado.

Reprimo um grito involuntário, bem lá no fundo de mim, num lugar escuro e inexplorado. Desesperado, tateio em volta procurando me equilibrar.

- Mais alguma coisa? - Minha voz é rouca e arfante. Os olhos dele se arregalam ligeiramente.

- Um pedaço de corda, eu acho. - A voz dele espelha a minha, rouca.

- Por aqui. - Abaixo a cabeça para esconder meu rubor recorrente e sigo para o corredor. - De que tipo procura? Temos cordas de fios naturais e sintéticos... barbantes... cabos... -Emudeço diante da expressão dele, de seus olhos ficando sombrios. Caramba.

- Vou levar quatro metros e meio de corda de fios naturais, por favor.

Rapidamente, com dedos trêmulos, meço quatro metros e meio com a régua fixa, consciente de que seu olhar quente e verde está sobre mim. Não ouso encará-lo. Por algum milagre, consigo não amputar um dedo com o estilete.

- Você foi escoteiro? - Pergunta, os lábios esculturais e sensuais repuxados num sorriso. Não olhe para a boca dele!

- Atividades organizadas em grupo não são minha praia, Sr. Styles. Ele ergue uma sobrancelha.

- Qual é a sua praia, Louis? - pergunta ele, de novo com aquela voz suave e o sorriso misterioso. Olho para ele incapaz de me expressar. Estou em placas tectônicas móveis. Tente ficar calmo, Lou, implora de joelhos meu inconsciente torturado.

- Livros - murmuro, mas, no íntimo, meu inconsciente está gritando: Você! Você é a minha praia! Faço-o se calar instantaneamente, aflita com as aspirações exageradas que minha psique está tendo.

- Que tipo de livros? - Ele inclina a cabeça. Por que está tão interessado?

- Ah, você sabe. O normal. Os clássicos. Literatura inglesa, principalmente.

Ele esfrega o queixo com seus esguios polegar e indicador ao contemplar minha resposta. Ou talvez só esteja muito entediado e esteja tentando disfarçar isso.

- Precisa de mais alguma coisa? - Tenho que me livrar desse assunto; seus dedos naquele rosto são muito sedutores.

- Não sei. O que mais você recomendaria?

O que eu recomendaria? Eu nem sei o que você está fazendo.

- Para um praticante de bricolagem?

Ele balança a cabeça, os olhos cheios de malícia. Enrubesço, e meu olhar desvia espontaneamente para sua calça justa.

-  Macacões - respondo, e sei que já perdi o controle do que sai da minha boca. Ele ergue uma sobrancelha, achando graça de novo. - Você não ia querer estragar sua roupa. - Faço um gesto vago na direção da sua calça.

- Eu sempre poderia tirá-las. - Ele dá um sorriso afetado.

- Hum.

Sinto meu rosto ficar novamente vermelho. Devo estar da cor do Manifesto Comunista. Pare de falar. Pare de falar agora.

- Vou levar uns macacões. Deus me livre de estragar qualquer roupa - diz ele, secamente. Tento descartar a imagem inoportuna dele sem jeans.

- Precisa de mais alguma coisa? -dou um grunhido ao lhe entregar os macacões azuis. Ele ignora minha pergunta.

- Como está o artigo? Ele finalmente me faz uma pergunta normal, sem insinuações e fora da confusa conversa sem pé nem cabeça... uma pergunta à qual posso responder. Agarro-a com unhas e dentes como se fosse uma tábua de salvação, e escolho a honestidade.

- Não o estou redigindo, Liam é que está. O Sr. Payne. A amigo com quem divido a casa, ele é o redatoro. Está muito feliz com ele. É o editor do jornal, e ficou atrasado por não ter podido fazer a entrevista pessoalmente. - Sinto como se tivesse subido para respirar. Finalmente, uma conversa normal.

- A única preocupação dele é que não tem nenhuma fotografia sua.

- Que tipo de fotografia ele quer?

Tudo bem . Eu não contava com essa resposta. Balanço a cabeça, porque simplesmente não sei.

- Bem, estou por aí. Amanhã, talvez...

- Estaria disposto a fazer uma sessão de fotos?

Minha voz está de novo estridente. Lee ficará no sétimo céu se eu conseguir isso.

Lee vai ficar encantado, se a gente conseguir encontrar um fotógrafo. Estou tão satisfeito que abro um largo sorriso para ele. Ele entreabre os lábios, como se estivesse sugando o ar com força para os pulmões, e pisca. Por uma fração de segundo, ele parece de alguma forma perdido, e a terra se desloca ligeiramente em seu eixo, as placas tectônicas deslizando para uma posição nova. Minha nossa. Harry Styles parece perdido.

- Fale comigo amanhã. - Enfiando a mão no bolso traseiro, ele saca a carteira. - Meu cartão. O número do meu celular está aí. Você vai precisar ligar antes das dez da manhã.

- Tudo bem. - Sorrio para ele. Lee vai ficar elétrico.

- Louis...



Notas Finais


História disponível com mais capítulos no wattpad: https://my.w.tt/oCGTIRlEh3

Até a próxima ♡


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