História 50 tons de punição - Capítulo 56


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Categorias 50 Tons de Cinza
Tags Continuação, Fifty Shades, Romance
Visualizações 273
Palavras 4.163
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá amores!
Capítulo novo e hoje eu prometo que iremos encontrar algumas repostas.
Últimos capítulos, estou muito feliz e triste.
Bjs na bunda😘
Capítulo revisado✔

Capítulo 56 - Resultados...


POV ANASTÁCIA

-"faça o que achar melhor" ele diz e sai em direção a sala de reuniões. 

Aparentemente ninguém estava prestando atenção em nós, todos do local estavam ocupados com seus afazeres. Eu tomo uma respiração profunda de ar e caminho para a sala. 

Quando chego, Gregory, Christian, Ros, a 'braço direito do Christian' e algumas outras pessoas que eu não conheço, estão na sala, esperando-me. Três homens estavam presentes, um deles era idoso e uma mulher loira. Estes três, fora o Christian, Ros e Gregory. 

-"a pontualidade é uma virtude, sra. Grey" um homem de trinta anos ou menos diz. 

-"eu peço perdão pela minha demora, senhor..."

-"Hernandez" ele responde. 

Qualquer mulher acharia ele bonito...e chato. Ele tem o cabelo castanho claro, quase loiro, uma barba rala e olhos profundamente verdes. O cabelo dele é longo para um homem, na altura do ombro, mas está preso em um rabo de cavalo baixo. E ele tem a pele clara, talvez um pouco bronzeado.

Já não comecei bem, pelo visto, vou acabar com o evento antes que ele comece. Gregory está escondendo sua ansiedade, ele está tão animado com tudo sobre a festa. 

-"bom, nós não tivemos um começo agradável, dado o atraso da sra. Grey, porém, como a maioria sabe, sou Carlos Hernandez, CEO da editora 'Books' no México. A pedido do sr. Grey, estou aqui para participação, e quem sabe uma sociedade com a PG, mas, eu sou exigente e quero ver se devo investir no negócio, então sra. Grey, mostre-me o seu melhor" o chamado Hernandez diz. Bem que o inglês dele é bom, quase não notei que era estrangeiro. 

Eu levanto-me e apoio as mãos na mesa, primeiramente olho para o Christian, mas o olhar dele está longe de mim. Depois volto meu olhar para ninguém em específico, apenas olho para frente. 

-"senhores..." eu paro e olho para Ros e outra mulher que não retira a porra dos olhos do Christian. 

-"e senhoras" eu me corrijo e continuo. 

-"obrigado por disponibilizar seu tempo, a PG agradece. Serei direta ao dizer que não precisamos do patrocínio de vocês, mas queremos, queremos muito. Assim como a Grey House, ou a Books, ou qualquer empresa independente, dinheiro sempre será bem vindo, não por egoísmo, mas vivemos atrás disso, dinheiro." Eu não termino de falar e o Hernandez me interrompe. 

-"agora nos chamou de gananciosos?" Ele pergunta com a expressão séria. 

-"suponhamos que sim, eu estaria mentindo? De forma alguma. Para entrar no ramo dos negócios, ou você se torna um maníaco por ganância, ou procure outra coisa em que trabalhar" eu respondo. Espero que o Hernandez diga algo, mas ele está sem palavras. 

-"continuando...esse evento não beneficia só a mim, mas todos nós. Pense bem, se isso não beneficia à vocês, o que estão fazendo aqui? Caros patrocinadores, por maior e mais bem sucedida que a sua empresa seja, agregar seus negócios, sempre é bom, ainda mais à uma empresa como a PG, que está em fase de desenvolvimento." Eu concluo. 

Sento-me onde estava, ao lado do Greg. Ele aperta meu joelho com a excitação, bom, acho que consegui. 

-"você é ousada, tem garra para os negócios. Não se interessa em ampliar? Digo, eu lhe daria um ótimo lugar como minha sócia" um senhor diz. Eu acho que ele está brincando.

-"quem sabe" eu murmuro e pisco um olho. 

-"lindo discurso, mas já ouvi tantos dizerem e poucos fazerem. Mostre uma prova, mostre o que fez na PG" tinha que ser o Carlos Hernandez dizendo. 

-"provas? É disso que vive seu negócio? Pensei que arriscar fosse vivificante. O direito é seu de sair por aquela porta" eu paro e aponto para a porta. 

-"e não patrocinar meu evento. Mas, caso queira, irá confiar nas minhas palavras e arriscar. Sou uma mulher de condições, e essa é a minha condição, confiança" eu digo e imediatamente o olhar do Christian me encontra. Ele me encara incrédulo com o que eu disse. 

-"confiança? Então você vive assim? Confinado em tudo?" O Hernandez diz sorrindo ironicamente. 

-"eu sim, e você também. Você dirige confiando no seu carro, você anda confiando em suas pernas, e principalmente, você casa confiando em sua parceira" murmuro e o Christian não retira os olhos furiosos de mim. Sim, estou provocando Grey!

-"absolutamente correto. Mas esse evento é muito grandioso, a PG pode suster tal coisa?" A mulher que estava olhando para o Christian pergunta. 

-"talvez não com seu dinheiro em caixa" respondo sinceramente. 

-"está nos fazendo de palhaços? Como pode pagar, se não com o dinheiro em caixa?" Ela diz visivelmente irritada. 

-"você não sabe? Eu sou bilionária" digo friamente. Isso não me fez sentir bem, pareço uma interesseira que se apossou do patrimônio do marido, mas confesso, o rosto de fúria e derrota dela foi o melhor. 

-"sim, sra. Christian Grey, sabemos" ela murmura. Ela me chamou de 'sra. Christian Grey' para insinuar que tudo é dele, bem, sim, tudo é dele,mas ela não tem a ver com isso.

-"Anastácia...posso lhe chamar assim?" Um homem totalmente desconhecido diz. Eu confirmo com a cabeça e ele continua. 

-"Anastácia, mesmo que não dê certo, eu apostaria tudo o que tenho em você. Você é capaz, bonita, gananciosa, competitiva, bonita, negociadora, valente, bonita. Eu já disse que você é bonita?" Ele brinca, todos sorriem, menos o Christian. 

-"e casada, sr. Patterson" o Christian murmura

-"estou ciente, e feliz por você, parabéns pela esposa, ela é ótima, com todo o respeito. Se minha mulher fosse assim, eu não teria me divorciado" ele brinca novamente, fazendo todos sorrirem. 

-"o senhor Patterson tem bons olhos para os negócios, se ele diz ser bom, é verdadeiramente bom. Eu aprovo e patrocino o evento" um outro senhor diz. Todos ao redor da mesa disseram o mesmo, que aprovam, menos o Carlos Hernandez. Até a mulher que olhava descaramente para o Christian aprovou e esse homem não! 

-"senhor Hernandez, não temos todo o tempo para esperar sua resposta" Ros murmura. Ela é impaciente.

-"eu poderia ter um momento a sóis com você, sra. Grey? Creio que temos algo pessoal para falarmos" ele diz para mim, ignorando a Ros.

-"eu discordo. Qualquer assunto sobre negócios será resolvido aqui e somente" Christian responde antes de mim. Ele sorri de lado e se levanta apoiando as mãos na mesa, assim como eu.

-"eu mais que aprovo, é perfeito. Você, como negociadora é perfeita. Seu modo é mais que profissional, é excitante. Que venha não só esse evento, mas uma longa vida profissional juntos" ele murmura me surpreendendo. Esse é o mesmo cara chato que quase me deu um sermão quando eu entrei? 

-"ótimo. Qualquer dia eu adoraria brindar um champanhe por isso" brinco, mas aparentemente ele levou a sério. 

-"nós faremos" ele diz.

A reunião durou cerca de três horas, o Christian permaneceu quieto todo o tempo. Falamos sobre os preparativos, nessa parte o Gregory assumiu e assim, tudo foi resolvido. Christian só começou a falar quando o assunto foi segurança, ele foi categórico nos detalhes. 

Eu tomei dois copos de água, minha garganta estava seca todo o tempo. Quando eu estava falando, meus pensamentos estavam ocupados, mas quando eu me calei e me desliguei do mundo, as palavras do Christian vieram a tona e junto com elas, minhas lágrimas. 

Então, eu fechava os olhos, respirava e tomava um grande gole de água para despistar minha mente. 

Agradeci aos céus quando a reunião acabou, não que estivesse ruim, mas eu não aguentava mais aquela mulher descaramente cobiçando o meu marido, certo que estamos brigados, mas isso não muda o fato de sermos um do outro. O Christian evitou olhar para mim todo o tempo, isso só fez-me ter mais vontade de chorar. 

-"vamos" Gregory me tira dos meus devaneios. 

-"sim." Concordo. 

-"onde está esse pensamento? Aqui nos Estados Unidos que não é" ele diz passando o polegar no meu rosto.

-"eu falei com o Christian" falo resumidamente. 

-"oh. Pensei que fosse esperar o resultado dos exames"

-"eu errei, na verdade, foi uma sucessão de erros. Eu só preciso de descanso, esse dia está acabando comigo"

-"entendo. Vamos para a sua casa, eu tenho boas novidades para contar, o lado ruim é que são boas para mim. Sabe aquele homem que..." ele continua, porém eu paro de ouvir. 

Não sei o que há de errado comigo, eu apenas quero chorar, chorar muito. 

Ryan levou-nos para casa. Eu ouvi Greg falar sobre seu 'passatempo' que eu nem sei como se chama. Ouvi poucos trechos do que ele disse, para ser sincera, eu não sei se ouvi ou imaginei, meus pensamentos estão tão longe, que eu mesma tenho dificuldade de encontrá-los.

-"Ana" Greg me chama já irritado. 

-"desculpa, eu não consigo Greg. Estou tentando, mas te ouvi está difícil" murmuro. 

-"sabe do que você precisa? Daquele vibrador rosa florescente que nós encontramos quando fomos comprar o presente do Christian" ele diz, me fazendo sorrir alto. 

-"e parabéns, você foi ótima na reunião. O que é aquilo ,menina? Pisou com salto 15 centímetros naquela mulher" ele murmura. 

-"ela foi uma..." eu paro, buscando a palavra certa para descrevê-la

-"uma vadia. Mas você superou. 'Você não sabia? Eu sou bilionária'" ele murmura imitando minha voz. 

-"não era eu. Foi espontânea, acho que nasci para os negócios"

-"e você duvida? Claro que nasceu!"

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Chegamos em casa e logo Gregory teve de ir embora, não ficou mais que vinte minutos. Como o Christian pediu, eu tenho que retirar as minhas coisas do nosso quarto.

Vou até a cozinha e a sra. Taylor está preparando o jantar. Gail está cozinhando algo com um ótimo cheiro, apesar de eu não querer nada. Na nossa cozinha, a arquitetura é a seguinte; logo na entrada, um balcão de mármore preto onde fica o fogão. No mesmo balcão, ficam três cadeiras altas do lado contrário ao fogão. 

As paredes são revestidas por armários planejados na cor preta. A parede frontal, acomoda uma janela de vidro claro que dá vista ao prado inteiro. 

Eu me sento em uma das cadeiras altas e observo ela por um tempo antes de dizer algo. 

-"boa tarde" eu murmuro

-"boa noite" ela diz sorrindo olhando pela janela, já estava escuro. 

-"gostaria de jantar?" Ela pergunta. Na verdade, eu não quero comer, meu estômago rejeita até o nome 'comida'

-"não, obrigado" respondo. 

-"poderia me ajudar? Bem...a retirar minhas coisas do...você sabe" pergunto. 

Eu abaixo a cabeça e imperceptíveis lágrimas rolam pelo meu rosto. E quando o exame sair? E se for um 'sim'? O que o Christian vai fazer? Pedir o divórcio!

Eu ponho as mãos no rosto e deixo algumas gotículas de lágrima cair, na esperança de cessar meu choro, porém piorou tudo e logo meu choro era compulsivo, simplesmente não conseguia mais parar

-"Ana, coma algo e durma, por favor. Vocês vão se acertar, eu aprendi que a distância não cura, ela alivia. O que realmente cura é conversar e concluir o que beneficie ambos. Vocês são jovens, inexperientes, dêem um tempo um ao tempo" Gail diz do outro lado do balcão, se esticando ao máximo para segurar meu rosto em suas mãos. 

-"ele...não quer falar comi-migo" eu digo soluçando. 

-"em um momento, ele vai ouvir. Não é amor se não houver momentos de ódio" Gail sussurra a última parte. 

Eu saio da cozinha e vou diretamente ao meu quarto. Talvez seja idiotice e ocasione outra briga, porém vou esperar ele chegar e tentar uma conversa. 

Vou até o banheiro e começo a retirar minha roupa, encaro a mulher na frente do espelho. Bom, o espelho ocupa toda uma parede, nós tomamos banho, ou fazemos amor vendo tudo. 

Lembro-me perfeitamente da última vez que fizemos amor aqui, tem exatos três dias. Ainda posso ver minhas mãos segurando o mármore da pia enquanto o Christian segurava minha cintura e me 'amava' ou 'fodia', talvez os dois. 

Meu cabelo molhado respingando na pia após termos tomado banho. A boca dele mordendo e chupando meu ombro, sua língua correndo meu pescoço...

Sorrio para o meu reflexo relembrando. Retiro minha blusa e ainda está visível a marca de um chupão no meu ombro esquerdo.

Christian, você poderia me perdoar...

Termino de despir-me da minha saia, sutiã e calcinha. Coloco meu sapato no canto, e minha meia 7/8 juntamente com a roupa. Entro no box e ligo o chuveiro em uma temperatura fria, refletindo meu estado de espírito. 

A água fria não incomoda, estou tão fria quanto ela. Lavo o cabelo, não com o meu shampoo, e sim com o dele. O aroma do seu cabelo, é esse o que eu quero sentir, o cheiro dele, não o meu. Estou me sentindo uma adúltera, uma vadia que não é capaz de se lembrar da noite passada. 

Me sento no canto do box e puxo minhas pernas contra o peito. Enquanto a água passa por mim, leva consigo meu choro para o ralo. 

Como na cozinha, choro baixo, calma, apenas derramando água. Depois não controlo mais, começo a arfar e perder o ar, assim como as palavras. Meu choro pode ser ouvido em todo o banheiro, eu o ouço extremamente alto. 

Termino meu banho e seco-me no banheiro. Seco todo o cabelo com o secador, o que demorou muito, considerando que está abaixo da cintura. 

Procuro pela roupa mais confortável do closet. Optei por um short jeans branco com uma blusa de manga comprida preta que cobria metade do short. 

Sento-me na cama e espero o que parece uma eternidade. Olho constantemente para o relógio, as horas passam mais rápido do que o normal. Pego uma foto minha que estava na cabeceira, é uma miniatura de uma das fotos de José. 

Atrás da foto, há uma mensagem, eu nunca a li antes, aliás, nunca notei. Retiro a foto do porta retratos e leio. 

ESTOU PERDIDO NO AZUL DO TEU OLHAR, TÃO PERDIDO QUE ME ENCONTRO NELE. É CONFUSO, PORÉM É ASSIM QUE ME SINTO, PERDIDO EM MEU PRÓPRIO UNIVERSO, PERDIDO NA MINHA MELHOR METADE, PERDIDO EM VOCÊ. EU TE AMO, MAIS DO QUE A SANIDADE PERMITE. 

Leio várias vezes. Não pode ser que isso mude, um amor como o que está escrito aqui não pode deixar de existir, não assim...tão depressa. 

Novamente, as lágrimas rolam pelo meu rosto como cachoeiras. Deito abraçando a foto, ou melhor, o amor descrito na mensagem e molho meu travesseiro com minhas lágrimas. 

Estou tão cansada, fisicamente e mentalmente. Hoje foi um dia do qual eu imploro por esquecimento. Fecho os olhos para um sono conturbado, sonhos ruins, lágrimas avulsas, frio, não frio pela temperatura, e sim por dentro. Meu coração estava trincado, sangrando e frio, tão frio que todo meu corpo sente.

Acordo e ainda está escuro. Estou coberta até a altura dos seios. A luz do quarto foi apagada, apenas a luz do abajur está acesa e para minha surpresa, Christian está lá...me observando dormir

-"eu pedi para você..." ele começa, porém eu o interrompo. 

"para eu sair, eu sei. Mas, Christian, quando você escreveu isso" eu mostrei o nexo da foto "você me amava, e dizia ser incondicionalmente, e agora? Simplesmente não me ama mais?"

-"não funciona assim" ele diz.

-"não? Quando a Charlotte me apresentou todas as provas de que você me traiu, eu fiquei com raiva, fui para a Geórgia, mas Christian, eu te perdoei e não quis nem ao menos ouvir a história. Apenas fiz amor com você e no outro dia, voltei" eu murmuro chorando. Parabéns Anastácia, o prêmio de descontrolada já é seu!

-"eu disse, eu disse! Eu disse que você iria me deixar assim que eu fizesse besteira. Desculpa, está bem? Eu..." não termino de falar, sou completamente incapaz. 

Fecho os olhos e quando os abro novamente, o Christian se levanta e vem até mim. Ele segura meu rosto em suas mãos e desce seus lábios próximos a mim. 

-"eu te amo" ele diz e me beija, um beijo calmo, pedindo passagem. Eu libero seus lábios a minha boca e nossas línguas se encontram. Seguro firme no seu cabelo e puxo-o mais contra mim.

Minha mão percorre todo ele. Agarro seu cabelo, arranho suas costas, na verdade, eu quero tudo dele. Christian desacelera os movimentos do nosso beijo e retira suas mãos do meu rosto

-"mas não posso. Não posso ir para a cama com você. Não quero fazer amor, quero punir. E se eu punir você, vai ser pesado, eu vou te machucar" ele diz suavemente. Não sei se vi ou imaginei, mas ele estava sorrindo de lado. É isso? Ele está me punindo? Punindo com sua ausência, com rispidez, com frieza.

Neste momento, até o 'eu te amo' que ele disse a poucos minutos eu acho que foi mentiroso. Não consigo reconhecer o homem com o qual eu me casei

-"boa noite, Christian" eu digo e saio correndo dali. Passo pelo corredor ,entro no último quarto do corredor e tranco a porta atrás de mim.

Me sento no chão com as costas na porta e puxo as pernas para o meu peito. As perguntas como 'ele queria me machucar?' e 'ele seria capaz de me machucar?' rondam minha mente. 

O beijo...ele não queria me beijar, estava brincando comigo, vingando-se de mim. O 'eu te amo' não foi espontâneo, foi forçado! 

O quarto está escuro, mas eu prefiro assim. As lágrimas silenciosas caem, molhando minha blusa e todo meu rosto. 

Abaixo a cabeça e coloco meu rosto entre os meus joelhos. O tempo passa...e a minha dor só aumenta, as perguntas vão se acumulando e quando eu mesma penso na resposta, doe mais. 

Confesso, eu esperava que ele viesse aqui e pedisse desculpas. Mas não! Fiquei o restante da noite aqui, da mesma forma, sentada contra a porta e totalmente desolada. 

Quando finalmente tomo coragem para levantar,as luzes  do sol já estavam inundando o quarto. Após o choro, meu humor está longe de bom, está péssimo. Minha deusa interior? Simplesmente morta, sangrenta, intocável.

Tudo em mim dói, tanto interno como externamente. Meu blackberry indica 6:59, eu passei a maior parte da minha madrugada chorando, Deus, como cheguei a esse ponto? 

Tomo um banho demorado, na verdade, estou demorando propositadamente. Quero sair daqui somente quando tiver certeza que o Christian saiu. 

Me enrolo em uma toalha que estava aquecida e macia no banheiro e permaneço enrolada nela até poder pegar algo para vestir no meu quarto. 

POV CHRISTIAN

Giro a caneta na minha mesa, buscando algo indecifrável, que nem eu mesmo sei. Meu escritório está vazio, mesmo com a presença de Taylor, estou sozinho. Preciso dela tanto quanto esta caneta precisa de tinta para ser útil. 

Talvez eu seja taxado como rude ou injusto, bom, eu gostaria de estar na posição de juiz, não de réu. Eu quero, mas não posso simplesmente entrar no quarto em que ela está e pedir perdão, ou perdoar. Se eu fizer isso, ela vai se machucar, não quero amar, quero punir. 

Por isso não vou, porque não vou machucar a pessoa mais importante no meu universo. 

Estou na porra desse escritório desde quatro da madrugada, apenas pensando. É isso o que eu me tornei, um filho da puta que chega tarde do trabalho, toca piano até metade da madrugada e dormi cerca de duas ou três horas por dia.

Permaneço no trabalho só para não estar em casa, porque, francamente, sou tão inútil sem ela que não sei trabalhar se não vir seu sorriso de manhã, se não ouvir seu 'bom dia'. Daqui a pouco vou me tornar um Monge e levitar de tanto que eu penso. 

-"caralho" murmuro meu epitáfio. Mas do que a falta, as lembranças sabem doer. 

Todos os mais sujos e anti - éticos palavrões do mundo parecem fracos perto do que eu sinto. É raiva, é saudade, amor, dor de perda, lágrimas não derramadas...

Levanto-me da minha poltrona e olho pela janela, onde posso ver todo o prado e...Anastácia. Ela está brincando com o Alff de jogar e disco e esperar até que ele o pegue. Ela está magra, mais do que poderia. Foram o que? Uma semana ou três anos? Porra!

Esse é o problema, se ela não está bem, automaticamente ela deixa de se alimentar. Eu sou fodidamente estúpido, como eu posso fazer tão mal para alguém que amo? Mas, ao mesmo tempo, ficar distante é indiretamente bom. Se eu machucá-la, vou me sentir mais merda do que agora.

Sou interrompido pelo meu BlackBerry vibrando. É uma chamada da Mia.

-"oi, Mia" saúdo tentando ao máximo conter minha voz tristonha e mostrar meu lado 'estou bem'

-"Christian, eu avisei antes sobre o jantar e você não respondeu. Você e a Ana virão?" Ela pergunta entusiasmada. Merda!

-"Mia, eu acho melhor você falar diretamente com a Anastácia" murmuro

-"Estão brigados? Christian, eu amo a Ana, ela é minha irmã, porém, não vou ligar para ela. Qual o problema em falar com a mulher com quem você é casado?" Mia e sua insistência. 

-"Então a resposta é simples, não vamos já que nenhum de nós irá falar com ela" eu digo. É uma característica Grey ser insistente, competitivo

-"tudo bem! Eu falo com ela. Agora, adeus, eu te amo"

-"adeus, também te amo"

Antes que eu desligue, Anastácia adentra no meu escritório. Ela está segurando um envelope pardo e suas mãos. Ela está vestindo uma saia branca com listras pretas horizontais e uma blusa rósea juntamente com um casaco jeans escuro. 

-"Anastácia" saúdo friamente. Ela me ignora totalmente e continua andando até mim, então quando está frente a mim, apenas com a mesa entre nós, Anastácia joga o papel em minha mesa, em uma distância suficiente para que eu o pegue

-"primeiro o anti-doping" ela diz. Eu pego o envelope e retiro um papel, um exame. Leio as entrelinhas e antes de formular algo,

O exame é claro, diz que ela estava altamente dopada, tão drogada que poderia morrer de overdose. Filho da puta! Ela estava certa! 

ela continua:

-"eu disse, não uma e ou duas vezes, mas sim várias vezes que não me lembrava. Você, como o egocêntrico que é, não acreditou. Agora Christian, leia isso com atenção e tenha a tão desejada prova de que eu estava completamente dopada"

Permaneço sem palavras. Como eu pude duvidar dela? o pior é que as minhas desculpas serão inúteis e ridiculamente desnecessárias agora. 

-"sem palavras? O que aconteceu com o homem que cuspiu palavras humilhantes em mim? Sabe, o melhor não foi o anti-doping, o melhor foi isso" Anastácia murmura e deixa outro papel na minha mesa, desta vez sem envelope

Eu o pego e leio rapidamente, atencioso ao mais importante...o resultado! 

Anastácia Rose Grey...portadora do tipo sanguíneo -O (o negativo)...tem em seu organismo, para especificação, órgão genital reprodutor feminino, uma única espermática...sendo assim, por meio de dois recentes exames, comprova-se que, Anastácia Grey, esteve contatada em relações sexuais com um único indivíduo (o portador do 'DNA' presente na escova de dentes) em toda sua suástica existência.

Em outras palavras, isso só comprova que o único sêmen dentro dela, é o meu. 

-"pegou minha escova de dentes?" Pegunto acusatório, se bem que não estou em condições de acusá-la de algo. 

-"Christian, atente aos fatos. Uma escova de dentes é o menor dos meus problemas" ela responde calmamente. 

-"okay, tudo bem. Ana, eu sei que..." começo, porém ela me interrompe. Porra Anastácia! 

-"Agora sou Ana? Durante a semana eu fui a Anastácia, é incrível como um papel muda todos os rumos. Quer saber? É nisso que você baseia nosso casamento, em um papel, e não no que eu digo?! Para mim Christian, todo meu universo gira em torno de você, e eu nunca dependi de um fodido papel!" Anastácia para de falar e caminha de um lado para o outro mal contendo as lágrimas. 

-"por favor, não chore" primeiro, eu detesto vê-la chorar, e segundo, sou um filho da puta desmerecido de suas lágrimas. 

-"eu passei horas chorando, madrugadas e você não se importou! Depois de um resultado que mostra que não te traí, você me vem com falsa preocupação!" Ela grita chorando rios. Estou imóvel e as palavras não saem da minha boca. 

-"se os papéis são tão importantes na sua vida, tudo bem, eu vou lhe dar mais um! O papel do divórcio" Anastácia sussurra a última parte. Eu realmente ouvi? Ela disse...divórcio? Deus, eu não quero, não posso porra! Leve a minha vida, mas não a minha mulher, meu casamento! 

Não ouço ou vejo nada, só consigo me atentar as vozes que ecoam na minha cabeça. Parabéns Grey, fodeu tudo! Sua vida começou quando viu Anastácia pela primeira vez e você simplesmente conseguiu foder tudo em menos de dois fodidos anos! 

"Eu não o culpo por duvidar inicialmente de mim e sim por jurar algo diante de Deus e dos nossos mais próximos e queridos, mas fazer ao contrário na nossa casa. Fico feliz por ter me expulsado do nosso , ou melhor, seu quarto, afinal, eu não vou voltar para lá" essas são suas últimas palavras antes de deixar a minha sala batendo a porta atrás de si.

 

 

 

 


Notas Finais


Comentem...
Bjs na bunda e até segunda♥


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