História 7-6-1 (Threeshot) - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys, Brigas, Bts, Depressão, Drama, Jikook, Junghope, Namjin, Romance, Taegi, Vhope, Vkook
Visualizações 96
Palavras 3.835
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), LGBT, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa leitura.

Capítulo 2 - Seis


Fanfic / Fanfiction 7-6-1 (Threeshot) - Capítulo 2 - Seis

S E I S

 

" Apesar da minha determinação, nada está melhorando.." 

 

Foi insuportável. Cada segundo até ali, e todos os que viriam. Mas ele estava ali, ainda que permanecesse sussurrando para cada membro do seu corpo que se comportasse, que não podia chorar ali, e a cada novo segundo era obrigado a lembrar a si mesmo que era forte, que podia suportar aquilo também. Mesmo que não pudesse.

 

E quando ergueu o olhar, quase como se esperasse encontrar o amigo carrancudo pelo penteado perfeitamente alinhado, quase plastificado, que fizeram nele. Talvez já até o tivesse bagunçado.

Essa era a pior parte.

Esperar.

Olhar para a lápide nova, para o nome gravado nela, e torcer com toda a sua força para cada maldita letra gravada ali desaparecesse como em um “ toque de mágica”.

Mas ele não estava mais ali. O Kim Taehyung dos sorrisos quadrados, das risadas escandalosas e das cantorias fora de hora foi substituído por um pedaço de mármore frio e cinzento.

 

Os seis garotos eram os únicos ali, todos a muito já haviam ido. Até mesmo a chuva os havia deixado a sós com seu sofrimento. Vestidos em seus ternos escuros e encharcados. Grudados em seus corpos como se a chuva quisesse deixar um lembrete de que esteve ali.

Taehyung era como a chuva, mesmo depois de ir ainda podiam senti-lo, não sobre a pele fria e úmida ou na grama orvalhada que ela deixou, mas em seus corações.

No fim ele não chorou.

No fim ninguém mais chorava.

Não porque eram fortes, ou por que haviam superado, mas porque já deixaram cair tantas lágrimas a ponto de secar seus olhos sem ter nenhuma a mais para vir.

 

“Kim Tae Hyung - 30/12/1995 † 30/12/2016”

 

 

3 MESES DEPOIS.

30/03/2017 

Outro dia trinta chegou, um dia em que os seis garotos iam até aquele lugar, sem precisar de lembretes no celular ou que um avisasse o outro. Eles faziam isso todas as vezes, uma vez por mês. Carregados de lembranças dolorosas - as quais eram empurradas lá para o fundo, onde ninguém pudesse ver - andavam até o cemitério e lá esperavam uns pelos outros.

Era o dia de visitarem o falecido amigo. De conversar.

Contar para ele tudo que desse vontade. Sobre um briga tola com o pai, uma fofoca da faculdade que, em outros tempos, o próprio Kim estaria contando, sobre notas e até os últimos episódios do dorama que o Taehyung acompanhava - e que o Jung agora assistia junto ao Jimin para poderem contar - porque, de acordo com o próprio Taehyung, ele jamais poderia ir sem saber se o ceifador era mesmo o rei e se o Goblin, no final, ia ficar com a irritante da Ji Eun-Tak.

No começo eles se limitavam a perder o tempo pensando no passado, mas ele já não significava tanto, apenas os machucava mais porque, no fundo, eles sabiam que não ia voltar, tudo havia sido arrancado deles de modo que sequer o prazer das lembranças continuava ali. Mas eles não pararam de vir. Todo dia 30, sem falta, sempre igual. Sempre o primeiro a chegar era o Jimin, depois vinha o Jungkook, de olhar baixo e cabelos bagunçados pela pressa, e então Hoseok, Jin e Namjoon, que vinham juntos. E então, em algum momento chegava o Yoongi, sempre atrasado, muitos minutos depois de todos.

Mesmo atrasado ele nunca se desculpava. Mas os outros sempre esperavam.  

 

Naquele dia 30, porém, o Min já havia chegado, estava sentado em um muro puxando os fios soltos da calça rasgada. Ele chegou atrasado e, pela primeira vez, esperou.

Jeon Jungkook ainda não tinha aparecido.

 

– Onde ele está? - perguntou Jin, a voz fraca denunciando o cansaço, fitando um Jimin distante, que olhava o tempo todo para a rua da qual Jungkook devia sair.

– Eu não sei - Respondeu sincero. – Disse ontem que eu poderia vir direto pra cá..

– Não vamos deixá-lo esperando.- Hoseok se pronunciou, um pouco triste, como se o sol estivesse coberto por nuvens cinzas e cruéis enquanto seu olhar se direciona aos portões do cemitério

– Sim, vamos - falou Yoongi e passou indo na frente, logo todos os acompanharam.

Jimin dessa vez entrou por último.
 

*   *   *

 

Assim que saiu do cemitério, Jimin foi a casa do “namorado”. Sim, os dois estavam juntos. Depois da morte de Taehyung, um encontrou refúgio no outro, a carência e a dor pela a perda foram diminuídas graças ao amparo de ambos. Agora estavam juntos, porém, o relacionamento sempre foi conturbado graças a depressão alastrada em Jungkook, ocasionada pela a culpa que sentia.

 

– Olá Sra. Hani - cumprimentou docemente sua… sogra?

– Olá Jiminie - respondeu no mesmo tom calmo de sempre.

– O Jungkook está?

– Está sim! Entre - pede já o dando espaço para entrar.

– Obrigado - agradeceu tímido – Posso subir? - pediu receoso, sabia o quanto a mãe do outro era rígida.

– Pode sim - permitiu, talvez estivesse de bom humor naquele dia – Tente tirá-lo de lá, ele ainda não comeu..- seu olhar caiu, mas logo tratou de disfarça-lo.

 

Jimin subiu e ao chegar no quarto abriu a porta sem bater estranhando o som alto. Encontrou Jungkook… Não, aquele já não era ele a muito tempo, era apenas um reflexo do que restou do garoto dos dentes de coelho, estava muito magro, com roupas enormes e sujas, o cabelo castanho, com a raiz aparecendo um pouco, e totalmente desgrenhado, largado em uma poltrona que fora arrastada pelo quarto bagunçado até em frente a TV, jogando videogame. Não conseguia acreditar em seus olhos. Sentia-se indignado.

 

– É sério isso Jungkook?! - perguntou ainda da porta.

– É sim, finalmente vou finalizar esse jogo - respondeu sem ao menos tirar os olhos da tela o que deixou Jimin ainda mais irritado. Park foi até a tomada e a puxou sem dó desligando TV, Som e Videogame.

– PUTA QUE PARIU! - jogou o controle, ainda olhava pra tela inconformado.

– Não, você não fez isso.- Falou baixo, tentando manter a calma mesmo que estivesse arrasado – Você só pode tá de brincadeira Jeon Jungkook. - fechou a porta atrás de si e caminhou até o outro parando a apenas alguns passos. O quarto cheirava mal, as janelas estavam fechadas mesmo com o dia quente, até o mais novo parecia feder. o moreno se levantou e, como se o namorado não existisse, pegou uma latinha de cerveja em cima da cômoda. Agora Jimin entendia o porque do cheiro. – Não consigo acreditar que trocou o Tae por isso, não quero... - Jungkook permaneceu em silêncio tomando o líquido enquanto se abaixava perto da TV.

Naquela posição dava para ver os ossos da coluna do Jeon, começando na nuca e indo até aonde a calça de moletom velho permitia a vista. Aquilo doía no loiro.

– Você está pisando no fio. - Ele puxou a tomada de baixo dos pés do mais velho e recolocou no lugar se erguendo e soltando a latinha.

– Como você consegue? - Não percebeu quando começou a gritar – Como consegue fazer isso com o Tae!?- Nem quando suas bochechas começaram a ficar vermelhas de raiva. – Você prometeu, nós prometemos que nunca o deixariamos sozinho. Seu filho da mãe! - começou a bater no peito do maior, descontroladamente, tentando descontar ao menos um pouco da sua raiva no outro – Como pôde fazer isso com o Tae?  

– Para! Para Jimin!! - O moreno gritou segurando com força os braços do outro – Chega! - respirou fundo o olhando nos olhos, se obrigando a não desviar  – Eu não aguento mais isso. - Falou firme, porém baixo, com sinceridade. – Tae não está lá!

– Como pode dizer algo assim? Ele era seu amigo - o menor questionou, em um fio de voz, sentindo o choro arder em sua garganta.

– O meu amigo não está lá! - se afastou indo até a janela  – Lá só tem ossos, não é ele..- sua voz tremeu, não conseguia falar mais, porém sabia que era verdade e não importava o quanto os amigos, seus pais ou até desconhecidos que sequer sabiam a história todos dissessem, Kim Taehyung não estava lá. Aquela pedra cinza não era seu amigo colorido e gritante.

– É onde Tae está - disse o menor segurando o choro. – Não pode abandoná-lo assim...

– Para Jimin! - bradou – Chega de falar isso! Tae não está lá, ele não está aqui, ele não está em nenhum lugar e sabe por que?! -  virou-se pra ele, os olhos vermelhos e fundos – Por que fui eu quem roubou o filho da família Kim! Eu roubei o Tae da escola! EU ROUBEI ELE DA PORRA DO SONHO DE SE TORNAR UM CANTOR!! - a esse ponto seus olhos já estavam pesados em lágrimas e ele gritava a plenos pulmões – Não consigo - Afirmou mais calmo, encarando o mais velho. – Eu não consigo ir…- passou a mão na testa se virando para o nada. Jimin chorava. Sabia o peso que cada uma daquelas palavras tinha para Jungkook, a realidade que ele carregava – Não tenho direito de visitá-lo... eu não tenho Jiminie - Soluçou, tão baixo quanto possível – Eu..- olhou pra baixo, estava chorando, não conseguiu evitar que as lágrimas viessem de novo, assim como todos os dias. Jimin que também estava aos prantos, encerrou a distancia entre eles e o abraçou fortemente deixando com que suas lágrimas se misturassem outra vez.

    Não era a primeira vez que os namorados choravam juntos, que Jimin passava por um desses ataques do outro ou o via chorar. Era tão comum quanto o sorriso um dia foi.

Foi o Park quem cortou o abraço, levando as as duas mãos ao rosto de outro fazendo-o o encarar.

– Pare de por o peso todo em você, por favor.

– Não Jimin, não começa com isso - já sabia o que o outro lhe diria.

– Nós seis somos culpados, não só você - acariciou seu rosto – Não se torture assim, Kookie.

 

Aquilo não era verdade. Certo? Os seis agora eram culpados?

Quando foram chamados para depor na delegacia, nenhum deles conseguiu entregar o amigo, mesmo na hora, no calor do momento, com o corpo ainda quente no chão, ninguém conseguiu culpá-lo, pois, no fundo, sabiam que a idéia da “brincadeira” não tinha vindo só do Tae. Os outros também queria que o amigo se confessasse de vez para Jimin até contribuíram com comentários provocativos para influenciar Jungkook a agir e, por Deus, eram os mais novos, as duas crianças do grupo, mas ninguém os parou. Esse foi o motivo para inventarem que naquele dia na varanda, Taehyung estava dançando bêbado e escorregou.

“Foi um acidente”

 

Depois de um selar demorado nos lábios, Jungkook ficou mais calmo.

– Não quero que fique sozinho.. não quero que morra nesse quarto - soltou preocupado.

– Eu vou ficar bem..

– Não, não vai se continuar assim - pegou o pulso do maior e o mostrou revelando as marcas que a depressão lhe trouxe – Hoje vou falar com a Sra. Hani e pedir permissão pra vir morar com você.

– Não Jimin. Já conversamos sobre isso - se afastou do outro.

– Por que? Por que não posso? Jungkook você precisa de mim! - foi atrás dele o segurando pelo o braço, esse que foi jogado para longe.

– Não! Eu não preciso de um babá!- respondeu irritado.

– Eu não sou um babá Jungkook, sou seu namorado!.- respondeu no mesmo tom.

– Meu namorado? - deu uma risadinha – Quando eu te pedi em namoro? Quando oficializamos alguma coisa? Hein?! - questionou jogando pergunta por cima de pergunta fazendo o menor ficar constrangido.

– Para de falar assim...

– Eu sei me cuidar! Me deixa em paz! - foi até a porta a abrindo – Pode sair? Eu quero ficar sozinho - pediu rudemente.

Jimin totalmente decepcionado e abalado com as coisas que ouviu foi até a porta assim como outro queria e passou por ela em passos rápidos.

– Jimin! - Jeon o chamou, Jimin já estava fora do quarto, nos primeiros degraus da escada, mas parou para o escutar. – Termine, sei lá o que temos.. eu não mereço você..- pediu com pesar.

– Taehyung tinha razão - falou ainda de costas – Você guarda tudo pra si e nunca fala o que realmente quer falar..- respirou fundo e desceu as escadas. Jimin foi embora. Novamente, Jungkook não fez nada.

 

 

UMA SEMANA DEPOIS

 

Era fim de tarde quando Hoseok ligou para Jungkook.

– Alo?

Jungkook! Onde você tá? - perguntou nervoso.

– To em casa, por que?

Sai dai o mais rápido que conseguir!

–  O que? Por que?

Os policiais vieram até minha casa e também na dos meninos, eles acharam algo..

– Acharam??! - se levantou da cama assustado.

Um barulho de sirene foi ouvido. Ao olhar pelas persianas Jungkook logo viu ser uma viatura e se agoniou

Avenia 6, antigo parque de diversões. Corre pra lá! - disse rapidamente Hoseok e desligou.

Jungkook foi novamente até as persianas vendo dois policiais saírem do carro. Ligeiramente colocou uma blusa preta e correu para os fundos da casa passando pela a cozinha.

 

– Filho? Pra onde vai com tanta pressa? - sua mãe estranhou.

– Tenho que sair - parou por um instante –Mãe, se perguntarem sobre mim, diga que viajei, ok?

– Quem ? Você tá me assustando - pôs a mão no coração.

– Só diga isso, ok?

– Ok…

- Eu amo você! - beijou a testa de sua mãe e saiu às pressas pelos os fundos.


*  *  *

 

Chegou ao local, todos os cinco estavam presentes. Olhou para o Jimin - que ainda emburrado pela a briga da semana passada - preferiu não se aproximar do maior.

 

– Alguém pode me explicar que caralho tá acontecendo? - pergunta Yoongi, a fala mais enrolada que o normal pelo nervosismo.

– Por que depois de três meses os policiais voltaram a nos interrogar com aquelas perguntas estranhas?- inda gou Namjoon sem compreender.

– Jin, fala pra eles o que você descobriu .- pediu Hoseok.

– Gente, a parada é mais séria do que eu pensava - começou pálido. Todos se aproximaram para ouvir – De acordo com o que ouvi da ligação entre meu pai e um colega de trabalho dele, o pai do Tae encontrou uma câmera escondida na varanda, ele havia a esquecido pois as folhas a cobriram, mas com a mudança dos Kim, acabaram achando..

– Ai meu Deus! - disse Jimin com as mãos na boca.

– Eles checaram a câmera, e pelo o que eu entendi, ela não gravava imagens, só áudios ruins.. - O mais velho apertou a mão do outro Kim junto a sua, triste por não poder dar mais informações mesmo sendo filho do policial do caso, afinal, ele mesmo era visto como suspeito, então não podiam contar nada para ele.  

– Por isso fizeram aquelas perguntas sem sentido pra nós - citou Hoseok com os olhos confusos.

– Na câmera foi gravada a discussão, mas não sabem ao certo o que aconteceu de verdade - olhou para eles – Mas, se eles foram nos interrogar é por que desconfiam que foi um de nós, e querem ter a certeza.

– O pai do Tae não vai descansar até conseguir.. eu conheço aquele cara.- falou Jimin preocupado.

– Ele vai acabar  incriminado a todos nós se não achar o culpado..- se pronunciou Jungkook baixo, porém sério. – Se eles sabem que o assassino está entre nós, vocês serão vistos como cúmplices por o ocultar.

Todos ao redor ficaram pensativos com o comentário.

– Sendo assim.. é melhor eu me entregar..

– Ta maluco? - gritou Yoongi – Nós não fizemos tudo aquilo pra parar agora! Sabíamos dos riscos e mesmo assim o fizemos!

– Porra! Parem de querer bancar os legais comigo! - Jungkook respondeu no mesmo tom – Fui eu quem tirou a vida do Taehyung! Fui eu quem fodeu com a vida dele e não vou foder com a de vocês também.

– Que se dane isso, já estamos todos fodidos. - se meteu Namjoon – Fizemos isso juntos. - Ele falava devagar, mesmo que estivesse tão nervoso quanto todos ali, mas era um adulto, não podia se descabelar. Não ainda. – Sabíamos do perigo quando decidimos mentir e não vamos desistir agora!

– É Jungkook, não vamos te entregar! - acrescentou Jimin.

– Se for pra prender, que prendem todos nós - concluiu Jin com um quase sorriso nos lábios.

Jungkook com os olhos vermelhos tanto de raiva como do choro os olhava abismado.

– Eu matei Taehyung. - Hoseok levantou a mão e pôs no ombro do Jungkook.

– Seu.. - tentou contrariar mas foi interrompido por Namjoon.

– Eu matei Taehyung - o Kim se aproximou com um pequeno sorriso de covinhas e fez o mesmo gesto que Hoseok colocando sua mão sobre o ombro do Jungkook.

– Eu matei Taehyung - foi a vez de Yoongi.

– PAREM COM ISSO!! - gritou Jungkook , mas seus pés tinham travado e ele não conseguia sair dali.

– Eu matei Taehyung - Jin com seus olhos brilhando em lágrimas fez o mesmo.

– Eu matei Taehyung - foi a vez do Jimin segurar em seu ombro chorando ao mesmo tempo que dava um atrapalhado sorriso sincero.

 

Estavam assustados, mesmo que sorrissem ou segurassem as lágrimas com toda a força, não podiam conter o medo, mas estavam decididos. Tanto quanto algum dia estiveram em toda a sua vida.

– Vocês são uns tremendo filhos da puta! - Jungkook escondeu o rosto, mas os ombros trêmulos e os soluços, por mais baixos que fosse, o denunciavam.

Os meninos ao redor se aproximando e o puxando para um abraço torto e estranho, mas cheio de significado. Tal ato não durou muito tempo pois logo ouviram sirenes ao longe.

 

– Droga! - Yoongi resmungou olhando por cima do muro. – É a polícia!

– Qual é a casa mais próxima? - Jungkook perguntou.

– A do Jin - Hoseok respondeu.

– Ótimo. Jin, você ainda tem aquela lata velha? - Jin o olhou confuso.

– Tenho mas..

– Ela serve - disse já caminhando – Vamos?!

 

Os meninos tinham ido de bicicleta até o parque, menos Jungkook que tinha ido a pé, por esse motivo acabou indo na bicicleta do Jimin levando-o na garupa. Mesmo que a situação deles fosse tensa, o clima entre os dois estava mais leve agora.

Park abraçou a cintura do namorado e o mesmo fez questão de segurar com uma mão as suas mãozinhas a redor de si.


*  *  *

 

Chegaram a casa do Jin e correram para dentro da garagem para pegarem o carro.

Jin subiu para o quarto depressa procurando a chave, quando a achou, jogou pela a janela para os meninos e pediu para Jungkook que fosse com o carro até a esquina e o esperassem lá. A polícia estava vindo.

 

– Entrem, rápido! - gritou Jungkook que entrou sentando-se no banco do motorista e apertou seu cinto, Jimin foi ao seu lado e o restante na parte detrás.

Jin lembrou da arma que o pai guardava em casa e começou a procurar. Ela não estava carregada, jamais teria coragem de atirar em alguém. Mas ao menos assustaria e isso era o bastante.

 

JIN! - ouviu lá debaixo Namjoon o chamar uma última vez enquanto o carro se movia indo para a esquina.

VAMOS JIN! - gritavam pra ele descer, mesmo que estivessem a umas 4 casas depois da dele.

Jin achou a arma e desceu rapidamente as escadas. Os meninos já o esperavam com o carro ligado.

O loiro saiu às pressas em direção a rua, mas antes que pudesse chegar, os carros da polícia o alcançaram. Ele continuou correndo até ouvir aquela voz familiar.

– PARADO! - a voz grave e forte do pai o fez ficar estático no chão. – Diga a seus amigos para saírem do carro e peça que venham devagar até a viatura!

O filho permaneceu imóvel ainda de costas, enquanto seu peito subia e descia pelo o esforço de mais cedo.

– Jin, entregue-se! - pediu o pai – Vocês estão cercados agora, não há para onde ir! - Jin respirou fundo olhando para o carro na esquina da rua, onde seus amigos estavam, eles estavam o esperando. Eram muitos policiais, Jin sabia que os pegariam se não fugissem agora.

Olhou nos olhos do namorado e, mesmo longe de mais para vê-lo sabia que ambos eram rodeados por olheiras fundas e pequenas linhas de expressão das quais, em outra ocasião, ele tiraria sarro, mesmo sabendo que estavam ali pelo sonho dele. Namjoon era, provavelmente, o amor de sua vida tanto quanto um gênio, e merecia mais do que a prisão por algo que nenhum deles tinha culpa de verdade. Todos no carro mereciam.

Eles precisavam de tempo para fugir e Jin daria isso a eles. Apertou os olhos com força, precisava de muita coragem para o fazer.

E então sorriu, mesmo naquela situação aquilo parecia engraçado. Nunca havia contestado qualquer ordem do progenitor, o considerava um herói. E ali, com a arma dele apontada para si, não deixou de pensar nele como um. Mas agora Jin seria o vilão.

Namjoon sentia-se afogar em um velho pesadelo que parecia nunca querer deixá-lo. Como se por um instante, apenas um mísero instante estivesse novamente em 30 de dezembro, abraçando o corpo pequeno e inerte em seus braços, o maldito som das viaturas aos fundos arrancando-lhe a paz.

– Se não vieram dentro de cinco minutos, iremos atirar! - outro policial, que estava ao lado de seu pai, gritou de longe. Agora havia uma fileira de carros na rua e vários policiais tinham suas armas apontadas pro Jin, incluindo seu pai.

 

No carro o clima não podia estar pior, mesmo o mais velho, Min Yoongi, parecia estar perdendo a pose de forte diante do medo.

– Temos que ajudá-lo, temos que pegar o Jin! - Namjoon falava nervoso assistindo a cena.

– Nao podemos sair daqui! A primeira coisa que vão fazer é atirar na gente - disse Min, em um fio de voz, segurando a mão trêmula de Namjoon que estava prestes a abrir a porta.

– Mas temos que fazer alguma coisa, quem vai acabar levando tiro é ele! - persistiu o Kim, a voz subindo algumas oitavas, totalmente inconformado enquanto encarava o amigo.

– O Pai dele está ali, não atiraria nele.. - Jimin disse receoso.

Hoseok e Jungkook olhavam sem ao menos piscarem para Jin.

 

Perto das viaturas, após abrir os olhos, Jin tinha certeza do que iria fazer. Pôs a mão no cós da calça a pondo por cima da arma.  Com o movimento os policiais se alarmaram.

– Coloque suas mãos na cabeça. Agora! - gritou de longe um policial.

– Jin, faça o que ele disse! - o coração do pai começou a ficar agitado com toda aquela atmosfera que estava se formando sobre os policiais. Temeu pelo o filho.

– Pai! - o chamou ainda de costas – Você me ensinou a ser fiel! - sua voz saiu trêmula, porém ele estava sorrindo, orgulhoso de si mesmo pelo o que ia fazer.

– Jin.. - seu pai estava aflito.

– Então, me desculpe pai..

– MÃOS ACIMA DA CABEÇA! - polícias insistiam

– Mas sou fiel aos meus amigos – dito isso, virou-se rapidamente, a arma descarregada apontada em direção ao seu herói como nas brincadeiras da sua infância, mas, diferente de antes, quando era criança, os policiais atiram de verdade contra ele.

 


Notas Finais


Obrigado por ler <3


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