História 7 minutos no paraíso sem perder o juízo - Capítulo 2


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Categorias Histórias Originais
Tags Adolescente, Colegial, Romance
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Palavras 1.526
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Olá, de novo! Aqui estamos nós em mais um capítulo. Então, Boa leitura!

Capítulo 2 - Meu garoto não é honesto.


– 2 –
              Meu garoto não é honesto

O porão do Josh é na verdade um anexo. Tem uma sala espaçosa, banheiro, quarto e cozinha. Aos quinze anos ele fez um trato com os pais que resultou nele morando no porão, em troca levaria a irmã para a escola todos os dias. Ele foi muito esperto nessa, Josh geralmente tomava péssimas decisões.  

Ele havia se empenhado bastante na festa, comprou copos coloridos e vários tipos de salgadinhos, também organizou uma mesa de beer pong e espalhou vários pufes. Mesmo agora o lugar ainda parecia o mesmo de quando eu tinha doze anos, exceto pelos novos pôsteres de futebol do Josh. Foi aqui, debaixo da mesma luz alaranjada, que dei meu primeiro beijo, com Marcus Andrade. Estávamos jogando verdade ou desafio e Mike o desafiou a beijar a garota mais bonita da roda, eu fiquei tão surpresa quando ele se aproximou de mim que, quando ele me beijou de fato, eu me engasguei com um chiclete. Perfeito. O primeiro pensamento que eu tenho quando coloco os pés no porão do Josh é justamente sobre quem eu estou tentando tirar da cabeça. Belo jeito de começar uma festa.

A festa, na verdade, era uma reunião com o pessoal de antigamente – Josh, Mike, Isabela, Samuca, Melissa, Marcus, Naomi e eu. A gente quase não se falava mais, mas na infância éramos os donos da rua oito ou, pelo menos, a gente achava que era. Todos estavam lá, exceto Marcus. Isso não era surpresa. Nós nos cumprimentamos e trocamos histórias sobre a época de criança e a vida de agora. Mike jogava no time de futebol da Creek, nossos rivais. Melissa também estudava na mesma escola, ela estava diferente, os cabelos loiros estavam cumpridos e lisos, ela havia tirado o aparelho e ostentava um sorriso perfeitamente alinhado, estava bem bonita, mas ela já era bonita antes então só ficou mais, sorte a dela. O resto não havia mudado muito, entretanto ouvi Isabela dizer:

– Você foi quem mais mudou, Naomi.

Naomi tem traços orientais, seus pais vieram do Japão para São Paulo quando ela tinha nove anos. Ela havia deixado seus cabelos negros crescerem, os fios grossos alcançavam sua cintura e seu rosto, antes muito redondo, agora tinha uma expressão suave que combinava muito bem com seus olhos puxados.

– Naomi está linda – eu falei para Isabela – Ainda mais.

E era verdade. Isabela continuava a mesma garota mimada que conheci com doze anos, mas ela sempre foi divertida, na maioria das vezes. Isabela tem pele morena e olhos num castanho claro que sempre me deixou com inveja, eram quase dourados. Isa ficou feliz em nos dizer que era líder de torcida na Hawk, para o azar dela o time não era, nem de longe, o melhor no quesito futebol, não chegavam nem perto. Ela sabia disso, assim como todos que estudavam lá.

Samuca é, com certeza, o mais animado da noite. Quando éramos crianças era ele quem inventava as brincadeiras e parece que isso foi a única coisa que não mudou. Samuel joga no time de basquete da nossa escola, ele foi o último a crescer da nossa turma, contudo foi quem ficou mais alto. Ele tem cabelos encaracolados e usa moletons largos quase sempre. Como ele não gostava de ficar parado era o melhor incentivo para nos animar.

Todos perguntaram sobre Marcus, Josh disse que havia o convidado, mas Marcus respondeu do jeito dele que tentaria ir. Apesar disso nós nos divertimos jogando beer pong com a cerveja que Josh havia surrupiado do seu pai. Mike, que tinha uma identidade falsa, trouxe duas garrafas de vodca. O suficiente para nos deixar bem alegres. Foi quando já tínhamos esvaziado uma dessas garrafas que Marcus apareceu.

– Vocês não iam se reunir sem mim, não é? – ele falou com um sorriso no canto dos lábios e só então acreditei que meus olhos não estavam me pregando uma peça. Marcus estava aqui. Ele cumprimentou a todos com um abraço e disse que estava surpreso por todo mundo estar juntos. Ele agiu como se fosse a coisa mais normal do mundo, o que era típico dele.

– Vamos aproveitar que todos estão aqui e jogar verdade ou desafio, pelos velhos tempos – Samuca falou animado e todo mundo concordou como se fosse uma ótima ideia, mas não era. Também era tarde demais para eu me opor, todos já tinham sentado em um círculo, no meio a garrafa de vodca vazia.

Samuca começou girando a garrafa, argumentando que ele deveria ser o primeiro porque ele quem teve a ideia, ninguém o contrariou. A garrafa parou em Melissa.

– Verdade ou desafio? – Samuel perguntou.

– Verdade.

– É verdade que na oitava série você beijou uma garota no banheiro feminino?

Ela não ficou vermelha quando respondeu:

– Não, beijei duas – ela deu de ombros girando a garrafa em seguida. Tentei ignorar a expressão boquiaberta de Marcus e fiz um esforço tremendo para concentrar minha atenção no jogo. Dessa vez seria Naomi quem responderia, ela também escolheu verdade.

– Você era afim do Mike antigamente? – Melissa perguntou tão rápida como se a pergunta não coubesse mais dentro de si, tamanha sua curiosidade.

Eu olhei para Naomi, ela riu.

– Sim, ele era um gato – respondeu divertida – Mas agora não é tudo isso – ela piscou para Mike.

– O quê? – ele disse encabulado – Quer dizer que não sou mais bonito? Isso é um ultraje.

Todos riram. Era fácil rir de Mike, ele sempre foi engraçado por natureza. Era por isso que Naomi foi por tanto tempo a fim dele, não só porque, de fato, ele era um gato.

– Você supera – Naomi disse por fim, pegando a garrafa e girando-a. A boca apontou para Mike, Naomi ergueu uma das sobrancelhas numa pergunta silenciosa.

– Desafio – Mike respondeu imitando o gesto.

Naomi não demorou muito para pensar, virou a garrafa com a boca para cima antes de dizer:

– Desafio você dançar na boquinha da garrafa – ela disse em um tom provocante, Mike sorriu satisfeito, mas ela completou: – Sem camisa.

– Se queria me ver sem camisa era só falar, Ikeda – ele brincou tirando a camisa e atirando-a na direção de Naomi.

Isabela colocou a música do É o Tchan no celular e Mike esbanjou seu rebolado. Dizem que homens que sabem dançar são bons de cama, depois disso eu não duvidava que Mike fosse – não que eu entendesse muito. Naomi deve ter pensado a mesma coisa pois piscou para mim.

Depois de dançar, Mike girou a garrafa, continuou sem camisa e eu só consegui desviar os olhos do seu abdômen quando a garrafa parou em Marcus.

– Desafio – ele respondeu sem esperar a pergunta.

– Já que estamos nesse clima nostálgico – Mike começou – Desafio você beijar a garota mais bonita dessa sala.

Meu coração parou. Por um pequeno instante eu tinha voltado no tempo quando Mike fez o mesmo desafio. Porém Marcus nem olhou para mim. Ele beijou Melissa e ela retribuiu. Durou uns 10 segundos, mas pareceu uma eternidade. Ver o cara que eu gostava beijando outra garota era o pior tipo de tortura. Melissa deu uma risadinha quando terminaram o beijo, ela não tinha culpa, muito menos era idiota para rejeitar o beijo do cara mais bonito de todos os caras bonitos.

Nem percebi quando ela tinha girado a garrafa, só reparei quando a garrafa parou apontada para mim, tampouco ouvi quando ela perguntou “verdade ou desafio?”, mesmo assim as palavras saíram da minha boca.

– Desafio – respondi sem pensar.

Melissa demorou alguns segundos para analisar suas opções, por fim pegou a garrafa de vodca, que estava pela metade, de cima da mesa e disse:

– Desafio você virar.

Depois de ver o que eu vi não era muito difícil, peguei a garrafa e tomei como se me encher de álcool pudesse me fazer esquecer o que eu tinha visto, todos estavam gritando “vira, vira” e nem um minuto depois a garrafa estava vazia. Para surpresa de todos e para minha própria surpresa.

– Caramba, Olívia – Josh falou – Por essa eu não esperava, você era a certinha, esqueceu?

– Cala boca, Josh – falei e girei a garrafa o mais rápido que consegui.

Eu odiava beber e, agora, odiava Marcus mais que tudo. Pro meu azar a maldita garrafa parou apontada para ele. Ele sorriu.

– Verdade – disse.

O que eu iria perguntar? Eu sabia tudo sobre ele, talvez ele tivesse esquecido desse fato como esqueceu que cinco anos atrás era eu quem ele estava beijando nesse mesmo jogo.

– É verdade que você levou um fora da Ágata Guedes? – perguntei mesmo já sabendo a resposta.

– Mentira – ele disse simples girando a garrafa.

Era verdade, Marcus tinha 14 anos e Ágata 17, qualquer um sabia que ela não iria querer nada com ele. A única coisa que eu consegui pensar foi que o Marcus que eu conheci odiava mentiras. E naquele momento eu percebi que estava na frente de um completo estranho, ao menos eu sabia uma coisa sobre esse novo Marcus: com certeza, ele não é honesto.

Pelos próximos minutos nem prestei atenção no jogo. Olhei a hora no meu celular achando que se a encarasse ela passaria mais rápido. Não era nem meia-noite, teríamos uma longa madrugada pela frente e eu não podia mais suportar olhar na cara de Marcus.


Notas Finais


Obrigada por ler esse capítulo, se você gostou desejo que encontre dinheiro na rua jkjsa
Até mais!


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