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História 7Pecados Capitais: Pecado Original - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo Um: Preguiça


Tão quieto e sossegado, escuro e confortável. Se bem que não posso reclamar, estar deitado em um lugar tão fofo me deixa tão bem, sem escola, sem preocupações, sem nada pra fazer. Era isso, até algo rígido e pequeno atingir minha cabeça me tirando de meu paraíso:

Outra vez dormindo Luís? Já é a terceira vez essa semana, ainda bem que é a última aula do dia se não ia te mandar lavar o rosto. – Disse meu professor, em um tom nada surpreso, mas de saco cheio da situação por ser consideravelmente frequente.

Assim que meu maravilhoso e digníssimo professor termina sua sentença, a sala se envolve por cochichos e risadas enquanto eu estou lamentando por ter sido acordado de um sono tão gostoso... Meu nome é Luís e neste capítulo contarei a minha parte da história, o antes e o depois, de como o mundo entrou em contas contra o relógio.

[5 de setembro de 2019]

[3 dias para o início da contagem regressiva]

Assim que o sinal toca, meu professor nos ilumina com a terceira melhor frase que um estudante almeja, se, não tivesse que acordar cedo para a aula no sábado:

Liberados, bom final de semana. – Disse o mesmo com alegria, pelos dois dias de sossego que teria.

E começam a sair, o professor e os alunos, se eu pudesse não fazia nada, mas vou ser obrigado a ir. Enquanto a avalanche de pessoas uniformizadas passa pelos portões para fora, eu me espreguiço sentado na carteira. Em minha volta estão reunidos sete alunos: Kalú, Diego, Millena, João Pedro, Tayná, Carolina e Ana descontentes com seu sábado ocupado por aulas extras, mas a tristeza logo se vai por lembrarem do fato que semana que vem a partir de terça-feira não haverá aulas devido a reformas que serão feitas na escola. E eu devo dizer que sou o mais contente de todos. A conversa fluía suavemente, com a oportunidade na porta, Kalú aproveitou para falar de sua festa de aniversário no sábado:

Então gente, sábado, quem vai? - Perguntou Kalú, animado e ansioso

Mano eu vou, vai ser muito legal. Respondeu Diego também animado pela festa.

Eu vou também. Fala Millena, com seu tom monótono de sempre.

Bora, aí o Diego leva a bola.  Disse Tayná, que como sempre, assim como Diego, nunca perdiam a oportunidade de jogarem.

Se vai tomar um pau de mim no fut. Apontou Diego para Tayná, cheio de espírito competitivo.

Ta bom, eu que vou te dar um pau. Retrucou Tayná, com também seu espírito competitivo falando mais alto.

Eu não vou jogar. Disse Millena, como sempre, se tirando de um fogo cruzado que seria uma partida com esses dois.

 Ah qual é Mi. Respondeu Diego a Millena, com seu tom de reprovação a exclusão dela.

Carol você vai? Perguntou Kalú, com um tom curioso e animado.

Eu vou sim. Respondeu Carolina, com um tom sem muito foco na conversa já que estava fazendo outra coisa, como sempre.

E você Ana? Perguntou Kalú, ainda mais curioso, já que Ana era a mais difícil de convencer.

Se ela vai eu também vou, mas eu não vou jogar. Respondeu Ana, se referindo a Carolina, em um tom de alívio já que as duas não se desgrudavam por nada.

Ahhh assim eu fico na bad. Disse Diego a Ana, com uma tentativa falha de sair de modo manhoso e pidão.

 Mas eu vou. Respondeu Carolina ao Diego, para sua salvação.

 Aí sim, você e Carol contra Eu e Tata. Soltou Diego, com a tentativa de sair líder e vitorioso em sua partida.

 Eu acho mais provável, eu e você contra elas. Acrescentou Carolina, que na hora fez a alegria da vitória ser tirada das mãos de Diego.

—  Aí sim, ela entendeu. Solta Tayná, se referindo a Carolina, dando risada da situação e animada com o jogo.

Eu sou uma piada para você? Diz Diego, zuando com a situação.

E você Luís? Perguntou Kalú, meio já pronto para a minha resposta.

Eu não sei gente, minha mãe provavelmente não vai deixar. Respondi a mesma coisa, como sempre.

Ah Luís, você não vai em nenhum rolê mano. Disse Tayná a mim, em tom de reprovação.

É Luís, poxa mano, dorme na minha casa e eu te levo no dia seguinte de manhã velho. Colocou Diego a mim, na tentativa de me dar uma opção para eu poder ir à festa.

Gente ela não vai deixar. Insisto.

Quer que eu ligue pra ela? Perguntou Kalú a Luís, também na mesma tentativa que Diego.

—  Não precisa sério. Continuei insistindo.

—  Bora tentar ligar. —  Disse Diego, em determinação.

Por mais que eu me esforçasse, meu protesto foi em vão, Kalú e Diego fizeram o telefonema e pela minha surpresa isso aconteceu.

Sua mãe deixou você ir. Solta Kalú, vitorioso.

Aí sim! Respondeu Diego, com animação, mas também com um tom  vitorioso.

Agora vai ser melhor ainda. Colocou Tayná.

E eu achando que ia relaxar. Bem, acho que vou ter que relaxar na festa então. Assim que acabamos de telefonar, todos nós levantamos e fomos para a entrada da escola esperar por nossas caronas. Diego e Millena se despedem primeiro indo embora juntos como de costume, Carolina se despede depois, já que vai embora a pé. Tenho pena dela às vezes, indo e vindo a pé nesse calor não é para qualquer um. Logo em seguida Ana se despede entrando no carro de sua mãe, depois Tayná fazendo o mesmo e assim sobramos eu e o Kalú encostados no portão da escola. Mas confesso que o que ele disse antes de entrar no carro e seguir em direção a sua casa me deu arrepios...

 Hoje, a noite é nossa. – Disse Kalú, quebrando o silêncio de uma forma estranha.

Porque diz isso? Perguntei, suspeitando daquela frase que me fez arrepiar.

— Já esperei tempo demais. Respondeu Kalú, com um tom ainda mais misterioso.

O que? Ok, beleza, ele faz aniversário perto do final do ano, mas precisava colocar tanto mistério numa frase? Logo depois dessas palavras proferidas e o meu arrepio ainda estar consumindo minhas costas, Kalú entra no carro de sua mãe e some na distância. Uns minutos depois, para meu alívio, meu ônibus chega. Ainda bem. Entro no mesmo, sento em uma das poltronas e relaxo meu corpo até chegar no ponto para descer e finalmente ir para casa.

Depois que o ônibus para no ponto eu desço e sigo o caminho para a minha casa. Durante o trajeto eu consigo ouvir muitas pessoas comentarem de uma profecia do famoso vidente da cidade que está perto de se concretizar. Ela diz que depois de cinquenta anos após o homem ter pisado na lua e desde que não haja nenhuma guerra, a humanidade presenciará uma nova era. Eu nunca acreditei muito nessas baboseiras, é a mesma coisa de quando falam que é o fim do mundo tenho mais o que fazer do que ficar prestando atenção nessas coisas.

Assim que avisto um portão enferrujado minha felicidade e animação retornam para meu ser, não é muito atraente, mas é confortável e muito charmosa, minha casa, o lugar onde posso descansar sem ninguém atrapalhar minha procrastinação. Uma pena que não terei muito tempo para aproveitar aquele sofá maravilhoso... BOM, bora fazer o melhor do tempo que me resta então.

Assim que entro em casa, esquento meu almoço já preparado. Minha mãe deve ter pedido para mim antes de sair para trabalhar. Falando nela, ela me deixou uma mensagem avisando que vai chegar tarde então não é para eu espera-lá chegar para eu ir à festa e que eu poderia ir mais cedo, okay né. Depois de comer, vou tomar um banho e coloco a melhor roupa que consigo combinar do guarda roupa e vou para a sala para assistir meu anime favorito da Netflix: Nanatsu no taizai, enquanto não dá a hora de ir para festa. Até que, antes que eu perceba, assisti uma temporada inteira. Quando olhei para o celular já estava dando quase a hora da festa do Kalú. Então peguei minhas coisas, chamei um Uber e fui para lá.

Assim que cheguei em San José, o motorista me leva para o bairro Esplanada, o mesmo da escola, então paramos em frente a uma casa mediana, com portão eletrônico e dois carros na garagem. Uma bela casa hein. Assim que entro, Kalú vem até mim e me apresenta para seus amigos e sua namorada, tenho que admitir a festa foi bem divertida, mas eu realmente quero ir embora não estou me aguentando de sono assim que o parabéns acabou, me despedi de todos e fui em direção para a saída, até Kalú bloquear meu caminho e dizer:

Já vai Luís? Porque? – Perguntou Kalú, de novo de uma forma misteriosa e assustadora.

Estou cansado, a festa foi daora, mas eu realmente quero ir para casa dormir. Respondi, com medo do pudesse vir dessa conversa.

Fica mais um pouco, qualquer coisa minha mãe te leva. Disse o mesmo, insistindo.

 Não vai incomodar? Perguntei, na esperança de algo me tirar dali.

 Claro que não, vem aqui. Respondeu, me puxando para um canto afastado.

E assim, derrotado pela incrível e muito bem elaborada lábia de Kalú, ele me leva para o quintal e tira do bolso uma bala meio estranha:

 Experimenta isso aqui. – Disse Kalú, me entregando uma bolinha multicolorida.

O que é? Perguntei.

Não é nada, relaxa, só experimenta. Respondeu, insistindo naquilo.

Não valeu. Digo, recusando.

Qual é? Ta com medo de uma balinha? Fala o mesmo, me provocando.

Não curto bala. Respondi, tentando fugir da situação de pressão.

Para de ser chato, vai logo. Fala ele, me apressando.

Se eu experimentar você para de encher meu saco? Pergunto irritado.

Sim. Responde Kalú, com convicção.

Então tá. Disse, de saco cheio.

Sem pensar duas vezes, eu coloco a suposta bala na boca e eu tenho que admitir meu corpo sentia uma vontade incontrolável de experimentar aquilo. Foi a pior decisão que eu poderia ter tomado. No começo não era tão ruim, tinha um gosto doce e cítrico, até que tudo começou a derreter na minha frente. QUE MERDA É ESSA?! Meu corpo começa a tremer de medo presenciando tudo aquilo. Saio correndo da casa de Kalú e as coisas continuaram diferentes: Pessoas, casas, animais, objetos tudo se derretendo. Chego no ponto de ônibus perto da casa de Kalú e subo no primeiro ônibus que aparece. QUANDO ISSO VAI ACABAR!? SACO! Quando o ônibus para eu desço, mas não consigo ver nada parece que perdi minha visão, era só o que me faltava, tonto, perdido e cego e para piorar, a cada passo que dou meu corpo parece que puxa qualquer coisa de metal pelo trajeto e os sinto como se fosse parte de mim e, ainda, vejo apenas metais em diferentes formatos, no que parece ser uma rua toda desburacada. Sem contar de uns seres com chifres e rabo estarem espalhados por essa rua. Sem ter para onde ir, eu corro sem rumo até dar em uma rua sem saída, cansado e assustado eu caio no chão e, na minha frente, aparecem sete seres com chifres, asas, alguns com rabo e sem rostos, como se fossem sombras. Eles estão sussurrando e se aproximando!!! Tampo meus ouvidos para não ouvir suas vozes roucas e grossas, mas alguma coisa ecoa em minha cabeça: Use seu poder. Mas que droga de poder mano, como assim? Alguém me ajuda por favor! De repente, as coisas de metal, que antes pareciam ser puxadas por ele, veem até mim. SÓ ME FALTAVA ESSA!! Meu corpo age sozinho então eu jogo os objetos de metal nas sombras, mas não aguento para ver no que deu, meu corpo está pesado, minha cabeça girando e doendo e sinto minha energia indo embora. Ótimo vou morrer aqui, essas coisas vão me matar.

Quando recobro a consciência, minha visão volta aos poucos e consigo ver que estou deitado numa cama em uma espécie de quarto. Quando Kalú percebe que acordei ele para de mexer no computador e se vira para mim e diz:

Você está bem cara? – Perguntou Kalú, preocupado.

Kalú? Onde eu estou? O que você está fazendo aqui? Falo desnorteado.

Você está no meu quarto. Respondeu o mesmo, com simplicidade.

 Como eu vim parar aqui?! O que eram aquelas coisas de ontem?! O que você me deu?! Perguntei assustado.

Desculpa ter feito você passar por aquilo, eu precisava ter certeza. Diz, com remorso.

Certeza do que? Isso já está passando dos limites. Respondi, irritado e assustado.

Quando você saiu correndo, eu fui atrás de você, estive do seu lado o tempo todo. Quando você desmaiou te trouxe para a minha casa, e sabe, a sua brincadeirinha rendeu notícia. Fala Kalú, orgulhoso.

Brincadeirinha? Mas...aquilo...não pode ter sido real... Do que você está falando? Digo tremulo.

Olha só. Diz.

Kalú me mostra um vídeo em seu computador onde um desmoronamento num bairro próximo de Jacarehy que, por causas desconhecidas, ocasionou em sete mortes. S... SETE MORTES?! DES... DESMORONAMENTO?! Eu fiz isso? Como? Sem saber o que dizer, meus olhos fitam o cobertor e eu seguro minha vontade de sair correndo e vomitar. Até que Kalú senta na cama ao meu lado e se explica. Eu juro que na hora eu quis matar ele.

 Você viu sete sombras, não é? Pergunta Kalú, sem mesmo uma mudança em seu tom.

Como você sabe? Pergunto, ainda assustado.

 Não eram sombras, e sim o vulto de demônios. Disse o garoto na minha frente, com simplicidade, como se fosse normal.

COMO??? Digo, incrédulo.

Eu sou o Demônio Da Luxúria, um dos sete vultos que você viu e um dos Sete Pecados Capitais. disse  — E você é o Demônio da Preguiça, também um dos sete vultos e um dos Sete Pecados Capitais. – Acrescenta.

Certo e como você sabe? pergunto, querendo extorquir mais informações.

Desde o dia em que trocamos de uniforme por engano, os hormônios do seu suor na sua camisa me deixaram cansado e como uma das habilidades de Demônio da Luxúria que possuo, é controlar e identificar hormônios e feromônios. Eu tinha certeza que os seus batiam corretamente com os do Demônio da Preguiça, sem contar que a alma de um demônio é tão poderosa que seu pecado influência os outros indiretamente. Eu só precisava confirmar. – Explica.

Uau — Digo, meio impressionado com a história.

Meu plano, era te trazer para a minha festa e te dar o LSD para que seus poderes despertassem e você conseguisse despertar a sua alma demoníaca. O que deu mais ou menos certo devido ao desmoronamento. Seu poder é controlar qualquer tipo de metal. Diz Kalú, ainda me explicando.

Eu posso fazer isso? Pergunto, curioso.

Sim, é só você aprender a controlar e a usar do jeito certo. Responde o mesmo.

Porque? Pergunto, ainda mais curioso.

Quando você abusa de seus poderes e habilidades demoníacas, sua alma pode consumir seu corpo, eliminando sua consciência fazendo com que só o demônio exista. Explica ele.

Tá... Digo, não mais tão curioso e animado.

Eu consigo fazer tudo isso, é sério? Todo esse poder, eu vou causar muito. Minha cabeça se enche de pensamentos, até que, sou tirado de meu devaneio pelo som da televisão do quarto de Kalú que está no canal de notícias falando sobre crimes em Jacarehy e nos arredores de San José. Quando olho para Kalú logo em seguida, o vejo jogando LOL em seu computador e uma ideia maluca e insana me vem à mente:

Vamos combater o crime. Digo, com ambição.

Que foi? Pergunta.

Vamos acabar com essas ondas de crimes. Respondo, com convicção.

Como vamos fazer isso? Pergunta Kalú, querendo muito saber a minha resposta.

Ué, você mesmo disse que temos poderes, podemos começar a usá-los para combater o crime, como os heróis nos quadrinhos. Coloco, com simplicidade, explicando meu plano.

Nós não somos heróis, somos demônios e esse é o mundo real. Refuta Kalú, o meu plano.

Qual é, vamos. Podemos treinar e ir atrás dos bandidos a noite. Insisto, animado com a ideia.

Essa é a ideia mais estúpida, insana, irresponsável e inacreditável que eu já ouvi. Responde Kalú, em tom de reprovação.

Essa frase drena todo o meu entusiasmo, isso era o que eu pensava até ouvir isso:

Eu topo. Diz o mesmo, concordando.

Vendo hoje minha história daqui, consigo ver o quão ingênuo e idiota eu era, com o sonho de erradicar o crime do mundo, salvar vidas e travar as batalhas que a humanidade não conseguia sozinha. Era um sonho bem besta, mas valeu muito a pena, por causa dos momentos que vieram com ele. Vamos voltar a história. Dito isso e com Kalú concordando com o meu plano doido, combinamos de nos encontrar para começar a treinar mais tarde, assim que ele me deixa em casa, concordamos em juntar roupas discretas e de fácil camuflagem por razões óbvias, claro não queríamos ser descobertos, e armas. Confesso que fiquei animado demais com minhas novas habilidades, um pouco até demais. Que armas eu escolho? Existem tantas opções. Como eu controlo metais, talvez uma lança e umas facas seriam mais interessantes. É isso, decidido.

Depois de pegar um cabo de mangueira que já não era utilizado a muito tempo, minha mãe não ia sentir falta disso, nunca mais foi usado. E por incrível que pareça ela realmente não sentiu falta mesmo. Para facas, eu não posso pegar as facas da cozinha se não é aí que ela me mata e não existe poder nenhum que consiga escapar do castigo de mãe. Bom... Eu poderia pegar as pontas afiadas do portão e é isso mesmo que vou fazer. Eu nunca achei que pegar aquilo fosse tão complicado, estou acabado.

Depois de uma brincadeira de escaladas e várias tentativas de puxar aquelas pontas desgraçadas, eu consigo finalmente juntar materiais para as minhas armas, só tinha um problema: Como eu vou fazê-las? A resposta, tinha uma loja de construção aqui por perto, o Dono, Seu Isaias poderia fazer. O problema, explicar porque eu as queria... Eu penso nisso lá. Levanto meu corpo cansado de pegar as pontas do portão, junto aos materiais e vou em direção a loja do Seu Isaias, chegando lá, o mesmo me cumprimenta com um sorriso. Bem daqueles sorrisos de avô:

Bom dia garoto, o que posso fazer por você? – Pergunta Seu Isaias, em tom de recepção.

Bom dia Seu Isaias, eu vim saber se o senhor poderia fazer uma lança e umas facas de arremesso com esses materiais. — Respondo.

Consigo sim, mas porque você quer essas ferramentas? — Pergunta seu Isaias, curioso.

Ah... É para uma fantasia... Respondo, em meio desespero de ser descoberto. É sério? Foi a pior desculpa de todas, mas deu pro gasto. Penso, me reprovando.

Ah entendi, claro garoto, espere só um instante. Diz Seu Isaias, pronto para fazer as armas.

Claro. Respondo, aliviado. — Ufa, foi por pouco. Penso, conseguindo finalmente relaxar o corpo.

Depois de esperar o que pareceu ser uma meia hora, Seu Isaias sai dos fundos, com as minhas armas prontas e bem afiadas.

Aqui estão. Diz Seu Isaias, trazendo as armas.

Valeu, quanto fica? Pergunto, com medo do preço.

— Fica 150. Responde o senhor.

Que isso tio, tenho que vender um rim para pagar esse troço. Penso, surpreso  Okay. Resmungo, inconformado.

Com muita dor no coração, dou o resto da minha mesada para pagar as armas. Se eu soubesse que era tão caro eu fazia em casa, mas não tinha jeito eu precisava delas bem feitas e isso precisava ser feito por um profissional.

—  Aproveite a fantasia. Diz o senhor de idade, em seu tom feliz. 

Muito obrigado. Respondo, ainda meio inconformado com o preço.

Pego as armas e volto para casa, quando volto para casa, encontro minha mãe dormindo no sofá. Coitada ela trabalha demais. Pego um cobertor e a cubro,  depois vou para meu quarto separar meu uniforme de ação, assim que abro o meu armário e as gavetas eu consigo juntar um peitoral medieval que eu usava  como cosplay do jogo Fire Emblem, uma máscara do Jason do filme sexta feira 13, um casaco preto, coturnos, luvas de jardinagem e uma calça jeans azul. Isso é ridículo, mas acabou ficando não tão ridículo quando coloquei todos juntos. Quando me olho no espelho com o uniforme e as armas não sei se me dá mais vontade de rir ou de ficar envergonhado, então tiro o celular do bolso e vejo a hora: 18:30, hora de treinar um pouco. Vou para meu quintal e começo a treinar minhas novas habilidades, o que tenho que admitir, não é nada fácil. Então decido treinar pontaria com a lança. Depois de umas boas miras e uns fracassos hilários, Kalú chega de fininho e eu quase o acerto com a lança:

Ôu!! Cuidado aí. Diz Kalú, assustado e meio irritado porque quase perdeu a cabeça.

Foi mal não te vi, cê tá bem? Pergunto, meio que segurando minha risada em tom de preocupação, apesar da situação hilária.

Quase perdi a cabeça, mas estou sim. Guarda essa energia toda quando a festa realmente começar. Responde o garoto alto.

— Tem razão. O que você está vestindo? Pergunto, olhando sua escolha de guarda roupa para hoje.

E eu achava que era o único ridículo, Kalú estava usando um protetor de futebol americano, calça jeans preta, um moletom, sapato e meia da Nike, cinto e com um soco inglês de arma. Caramba, isso é bem mais engraçado do que parece. Nós dois no sentamos no chão do meu quintal e começamos a conversar:

Curtiu meu uniforme? Pergunta o garoto, orgulhoso do que criou.

É bem, diferente. Você parece um jogador de futebol americano aposentando. Respondo, com tom de piada.

 E você um jardineiro psicopata Refuta Kalú, no mesmo tom que eu.

É, estamos estranhos. Coloco, olhando a minha situação de guarda roupa junto com a dele.

É estilo, depois que começarmos a lutar o uniforme vai servir como protetor para reações agressivas. Diz, tentando fazer com que a situação fique menos ridícula e mais útil.

Bom ponto. Respondo, concordando.

Conversa vai, conversa vem, mas a noite não espera ninguém.

Vamos? Pergunta ele, animado e ansioso. Temos delinquentes para dar um pau. – Completa determinado.

Com certeza. Respondo, em mesmo tom.

Nós dois nos levantamos para ir, até que olhei para o meu portão na saída.

Só uma coisa. Digo meio sem jeito.

 O que? Pergunta ele, curioso.

Não posso deixar meu portão nesse estado, minha mãe ficaria uma fera. Então uso minhas habilidades com metal e concerto meu portão meio detonado após minha seção de treino.

 Pronto. Digo, mais tranquilo.

 É sério? Pergunta Kalú, olhando e não acreditando que eu usei meus poderes só para fazer aquilo.

Minha mãe ia me matar se visse aquilo. Respondo com tom de medo já que eu conheço a raiva da pessoa que é a minha mãe.

Eu mereço, vamos logo. — Diz ele, ainda não acreditando.

E assim Kalú sai na frente e eu saio atrás meio apressado para acompanhar seus passos.

Um Momento! Grito.

A noite foi bem agitada, impedimos assaltos, assassinatos, agressões de todos os tipos e motoristas bêbados de dirigirem. Kalú foi baleado, mas não surtiu efeito, a bala se desintegrou em seu tórax. Manipular os próprios hormônios parece mais útil do que pensei. E, acidentalmente, quase destruo uma lojinha 24 horas. É, foi um quase desastre, mas conseguimos nos levantar e defender as ruas de Jacarehy contra os crimes. Eu diria que foi um sucesso para a primeira noite, até eu acordar no dia seguinte, meu corpo doendo por inteiro e exausto. Com muito sono e falta de vontade eu levanto e me preparo para ir para escola. Assim que desço do ônibus em San José, vou andando até a escola. Ah quero minha cama. Quando chego ouço as pessoas vendo vídeos nos celulares e falando sobre as figuras heroicas de ontem, caramba a mídia corre mesmo, eu e o Kalú agimos ontem à noite e já somos notícia. Passando pelos corredores consigo ouvir algumas conversas dos alunos, alguns falando bem, outros falando mal e a maior questão do momento correndo solta pelas notícias: Eles são ou não uma ameaça a nossa sociedade? Claro que não, que pergunta idiota, mas parece que isso está sendo motivo de profundos debates por aí. Ganhamos até nomes, eles chamam Kalú de Corpo Fechado por causa da bala desintegrada quando atingiu seu tórax e me chamam de Magneto Brasileiro por causa da minha habilidade com metais, sinceramente, a criatividade está faltando hein. Assim que chego na sala, me encontro com Kalú, que me leva para fora para conversar comigo:

Você viu as notícias? – Pergunta Kalú, animado.

Tem como não ver? Estamos em todos os lugares. Respondo, com o mesmo tom, mas também surpreso.

Foi bem mais rápido do que eu pensava. Diz ele, compatível ao meu tom de surpresa.

— Temos que tomar mais cuidado agora. Respondo, preocupado.

Concordo, agora que aparecemos nos holofotes é mais um motivo para agirmos nas sombras e tomar precauções se nos verem. Diz Kalú, também preocupado e concentrado.  

Será que isso vai atrapalhar nossas patrulhas a noite? Pergunto, ainda preocupado.

 Tenho certeza. Mas não é só isso que eu quero falar com você. Responde ele, acrescentando mistério a frase.  

O que foi? Pergunto curioso.

Tem mais uma pessoa, fazendo patrulhas a noite nos arredores de San José. Diz Kalú, sério.

Você conseguiu descobrir quem é? Pergunto, também meio sério.

Não, mas estão lhe chamando de Bicho Papão. Responde ele, meio frustrado.

Um vilão? pergunto, preocupado.

 Não, tenho uma suspeita que é um dos Sete Pecados também. Responde Kalú, mais calmo.

Ué, então vamos nos encontrar com ele. — Digo, ansioso.

Não sabemos do que ele é capaz. É perigoso. Coloca ele, em tom de preocupação.

Olha, o que fizemos ontem também é perigoso, e é mais um motivo para estudarmos e garantirmos terreno. Temos que saber do que esse Bicho Papão é capaz e se ele é Aliado ou Inimigo. Digo, em tom de estrategista.

É você tem razão, vamos hoje à noite. Concorda, suspirando mesmo preocupado.

Okay. Digo, com convicção.

Depois de formarmos nosso plano para a patrulha de hoje à noite, voltamos para dentro da sala para esperar o professor, o dia se resumiu em bem, nós dois, todos estavam falando sobre isso e eu e o Kalú não escapávamos de nos gabar as vezes, mas tudo bem discreto para não levantar suspeitas de nada. Quando as aulas finalmente acabaram, todos se despediram e foram embora, eu e Kalú reforçamos nosso plano e cada um foi para a sua casa. Quando cheguei, minha mãe já tinha saído para trabalhar. Então, aproveitei que estava sozinho para almoçar, tomar banho, arrumar minhas coisas para hoje à noite, treinar um pouco no meu quarto o controle de metais e depois fui dormir para esperar a noite chegar. Assim que acordei, o céu já estava escuro e a lua bem ali no meio, como uma lanterna, uma luz no meio do breu. Levantei da cama, coloquei meu uniforme, peguei minhas armas que tinha deixado embaixo da cama e então subo em cima de minha lança, do mesmo jeito que se sobe numa prancha de skate, e voou até o encontro de Kalú que, já estava agindo nos arredores de San José:

Chegou bem na hora da festa. – Diz Kalú, com sua determinação no máximo.

 Foi mal o atraso. Respondo, com o mesmo nível de determinação e piada.

A noite seguiu como a primeira: assaltos, tráficos de drogas, brigas, mas sem sinal do bicho papão. Cansados, eu e Kalú fomos descansar em um galpão abandonado que era usado para fabricar vidro, que ficava ali por perto.

Hoje foi bem agitado também. Fala o garoto, cansado.

É, mas nenhum sinal do Bicho Papão. Digo, decepcionado.

Relaxa, uma hora ou outra vamos esbarrar nele, vamos relaxar já que a patrulha está mais calma. Responde, tentando me animar e me distrair.

Era o que pensávamos...

Quando estava tudo calmo e em silêncio, nosso descanso foi interrompido por um estrondo de vidro quebrado vindo de um espelho atrás de nós, em resposta levantamos do chão depressa e olhamos em direção para onde o barulho veio... cacos de vidro no chão... um espelho quebrado e vazio e uma “pessoa” segurando um espelho, vindo dele. Olhei para Kalú confuso e ele fitava a figura do espelho assuado:

Que visão. Diz a figura misteriosa, com um ar de apreciação por sua imagem.

V... Vaidade Solta Kalú, aterrorizado.

Ah, Olá Luxúria, quanto tempo. Você nunca foi de apreciar boas paisagens e depois que viajei pelo mundo do espelho... nunca mais vi meu reflexo e muito menos o seu. Fala Vaidade, em tom de deboche.

Preferia ter ficado desse jeito. Retruca Kalú, com tom de raiva.

Se conhece ela? Pergunto, curioso e meio surpreso.

Vaidade, um dos Sete Pecados Adicionais e um Demônio. Responde ele, com raiva e medo.

Então ela pode nos ajudar a encontrar o Bicho Papão. Digo, ingênuo.

Ela não é nenhum pouco amigável, muito menos aliada Retruca ele, com raiva.

 Que? Solto. ... É sério isso? Agora que aparece mais um, temos que lutar contra ela? – Surpreso.  

 Uma pena que não vão sair vivos de nosso encontro – Satiriza, a figura denominada Vaidade.

 É isso que você pensa, vamos! Grita Kalú.

Eu e Kalú atacamos ao mesmo tempo, mas vaidade cria dois espelhos iguais ao que ela teve sua entrada dramática e reflete nossos ataques, nada surte efeito, todos nossos ataques ofensivos são devolvidos para mim e o Kalú. Sem contar nos disparos de raios sombrios sendo diaparados contra nós pelos espelhos. Não conseguimos nos focar devido ao fato de não conseguirmos olhar para nada além dos nossos reflexos nos dois espelhos. Até que, depois de um tempo lutando, ficamos esgotados e mais machucados do que antes, Vaidade fala mais um pouco: 

 Você era mais forte que isso, Luxúria. – Diz Vaidade, com seu tom de deboche e decepção.

Eu tenho outro nome agora. Retruca Kalú.

 Eu fiquei sabendo, desistiu de ser um demônio por inteiro e escolheu essa forma e aparência nojenta. Que dó dos seus espelhos. Fala Vaidade, com um tom manhoso e ignorante.

Em compensação você adora um reflexo.  Solto.

 Olha só, o seu amiguinho tem a língua afiada. Diz ela, com um tom de surpresa e satisfação.

Vaidade, o deixe em paz! Grita ele.

Que desperdício de um rostinho tão bonito. — Fala a figura cheia de si, em tom manhoso e decepcionado.

Ainda bem que quando eu acabar com você não vai ser um desperdício. Retruco, com um sorriso no rosto, em tom rebelde.

 Uau, que coragem. Eu amo homens que se arriscam sabia? Uma pena que vocês vão morrer agora. Responde Vaidade, a minha rebeldia.

Eu e Kalú tentamos levantar, mas a dor e os machucados sugam muito mais da nossa energia do que pensávamos.

Hahaha que ridículo, vocês não servem nem para entretenimento chego a ter pena de vocês. Hum... acabou a pena. Ri Vaidade, com tom de deboche. 

Vaidade prepara seu último ataque. É, é aqui que morremos e a história acaba. Foi o que pensei, até ver uma rajada de luz em forma de flecha passar por mim e Kalú atingindo o espelho central o resumindo a cacos e logo em seguida uma rajada negra atinge Vaidade constantemente, e ela, para se proteger, cria um espelho no formato de um escudo grande. Assustados e imóveis por causa dos ferimentos conseguimos ver uma garota usando um capacete de moto vindo em nossa direção. Pronto... É agora que estamos mortos. Até que eu começo a sentir algo quente fluir pelo meu corpo e minha visão volta ao normal, a garota está usando magia para nos curar! Aí sim! Agora podemos lutar! Eu e Kalú nos levantamos, curados e prontos para lutar. As rajadas negras continuam a atingir Vaidade que continua atrás de seu espelho escudo e, do meio da fumaça, aparece Bicho Papão, segurando uma metralhadora, quando a garota motoqueira nos cura completamente a arma do Bicho Papão que antes era uma metralhadora volta a ser seu braço. O cara é um transmorfo? É isso mesmo que eu estou vendo? A metralhadora era o braço dele?! E assim, nós quatro nos juntamos para derrotar Vaidade, que não estava muito contente não:

 Eaí? Chegamos atrasados para a festa? Pergunta Bicho Papão, todo feliz.

 Melhor tarde do que nunca. Respondo, aliviado.

 Obrigada por aparecerem. Diz Kalú, também aliviado. 

 E obrigada por nos curar. Digo a Garota Motoqueira.

Que isso, relaxa. Responde ela, com um tom doce.

 Vamos acabar com isso de uma vez. Diz Bicho Papão, determinado.

Sua duplinha desgraçada! Arruinaram minha apresentação perfeita! — Grita Vaidade, com a raiva presente em seu tom de voz.

O Show acabou Vaidade, você não vai escapar dessa vez! Diz a Garota Motoqueira.

Eu vou matar todos vocês!!! Grita Vaidade, mais uma vez com fúria.  

Nós atacamos os quatro juntos, Vaidade poderia ser forte para mim e para Kalú, mas não para nosso quarteto, tínhamos mais duas cartas no jogo e era o que ela não estava esperando. Bicho papão seguia quebrando os espelhos centrais com seu braço que virava espada, uma bola de espinhos, um machado duplo e até um punho gigante; junto com Kalú e seu fortalecimento por hormônios. E eu, com minhas facas e lança, junto a Garota Motoqueira, curando todos e usando seu arco e flecha feitos de luz; ficamos de suporte.  Depois de racharmos o espelho que ela estava segurando e Vaidade cair quase sem vida no chão, ela decide falar:

 Vocês quatro... nunca achei que seria derrotada por meras crianças. – Diz ela quase sem forças.

 Somos um grupo, podemos ser fortes separados...  Começa Kalú.

 Mas somos invencíveis juntos. Completa Bicho Papão, com um sorriso no rosto. 

 E nada vai nos deter. Nem mesmo você. Solta a Garota Motoqueira, determinada.

 Estou vendo... Boa sorte...  Termina Vaidade, sem mais energia para continuar neste plano.

Com suas últimas palavras, Vaidade deixa seu espelho principal cair e o mesmo se quebra em vários cacos de vidro sobrando só o molde vazio e assim, seu corpo começa a pegar fogo dos pés à cabeça transformando a figura poderosa que antes era, em um monte de cinzas. 

 Finalmente acabou. Solta Bicho Papão. 

 Ainda bem, não estou me aguentando em pé. Responde Kalú, exausto.

 Foi uma luta bem pesada. O que eu não daria por uma cama macia para eu dormir. Diz Garota Motoqueira, em tom de alívio e cansaço, meio que reclamando.

Enquanto todos conversam eu fito o espelho de vaidade ao lado de suas cinzas... quase morrermos hoje... se eles não tivessem aparecido eu e o Kalú... Meu devaneio é interrompido pelo grito do mesmo que ecoou pelo galpão todo:

 DIEGO?! Grita Kalú surpreso.

 É, sou eu mesmo Diz ele, com simplicidade.

E você? pegunta Kalú a Garota Motoqueira, em tom de surpresa misturado com medo. 

Bicho Papão desfaz sua máscara e a Garota Motoqueira tira seu capacete 

MILLENA?! Grito surpreso. 

 E aí? Diz ela a mim, com um sorriso e simplicidade em seu tom.

Diego, você é o Bicho Papão?! Digo surpreso a ele.

 Sim, isso mesmo. Responde Diego, com seu sorriso em tom de normalidade. 

 Mas o que?! Diz Kalú surpreso e espantado.

 Quando descobri os poderes do Diego, também decidimos patrulhar e treinar, só não sabíamos que o Corpo Fechado e o Magneto Brasileiro eram vocês. Solta ela, sem estar surpresa com a situação.

Como despertaram seus poderes?  Pergunta Diego, curioso e espantado. 

Eu já tinha os meus desde sempre, eu só precisava despertar os do Luís. Responde Kalú, sendo óbvio em seu tom.

É... não foi muito legal. Completo, me arrepiando com a lembrança.

 Eu não quero nem saber... Diz Millena. 

 E vocês dois? Pergunta Kalú, também curioso.

Não vamos conversar sobre isso aqui, vamos para a minha casa. Fala Diego, atento ao lugar e os arredores. 

Dito isso, Diego cria uma moto com dois assentos para nós quatro Millena coloca seu capacete e senta na garupa atrás de Diego que está de motorista, então o mesmo cria para mim e para Kalú dois capacetes e então subimos na moto e fomos em direção para a casa do Bicho Papão. Eu juro que até hoje eu mal consegui superar esse choque. A casa de Diego localiza-se no Bairro Colina em San José, um bairro de alto escalão com várias casas chiques, bem arborizado, com um lago bonito ao centro e um shopping. O bairro tem mais ou menos o tamanho de Jacarehy. Cidade pequena fazer o que.

Ao chegarmos, Diego estaciona e todos nós saímos da moto que volta a se desmaterializar e voltar para o corpo do mesmo.

 Materialização. Digo olhando impressionado.

— Mais ou menos Isso, daora né?  Diego se gaba.

 Muito. Respondo, ainda maravilhado com aquilo.

 Vamos entrar, lá dentro explicamos tudo. Fala Millena. 

 Okay. Responde Kalú.

Eu devo ir? Eu não sei se quero continuar com isso hoje. Penso, meio dividido.

Luís, você vem? Pergunta Diego.

Claro, já estou indo. Respondo. — Deve ser só cansaço, vou ficar melhor. — Penso

Quando entramos, fomos para o quarto de Diego e ele logo começou a se explicar junto com Millena:

Meus poderes começaram a se manifestar quando a minha fome ficou difícil de controlar. Eu fui comendo, mas nada acontecia, minha fome não passava de jeito nenhum. Então, do nada, o que eu achava ser a minha alma, começou a materializar tudo o que  eu pensava ou no que eu comia. Desde então, fui treinando esse poder. – Explica Diego, concentrado.

E você Mi? Pergunto, curioso.

Eu sou um anjo, assim como Kalú já nasceu com os poderes e sabendo ser o Demônio da Luxúria, eu nasci com os meus poderes e vim para a terra com um objetivo. – Responde a garota, explicando.

Ah então é por isso que você possui magia de luz. Você é um anjo. Solta Kalú.

 Sim. Responde ela.

Quando meus poderes estavam fora de controle, ela me ajudou e me contou seu segredo e desde as suas aparições, patrulhamos juntos a noite. E você Luís? pergunta Diego, ainda mais curioso.

O Kalú me deu uma bala de LSD. – Digo com arrepios.

 Que horror. Não tinha um jeito melhor? Pergunta Millena, surpresa.

Não, nem todos nascem com berço de ouro princesa. Retruca Kalú.

Kalú, sem brigas. Digo.

 Estou sendo sincero. — Completa ele.

Não importa, tem mais uma coisa que vocês precisam saber. — Diz Diego, preocupado.

 O que? Pergunto, com medo do que pode vir.

Mi. Chama Diego.

O fim do mundo vai acontecer em poucos dias. Começa ela. — Fui enviada para a terra para tenta impedir que a profecia do fim do mundo se concretize. A contagem regressiva para o fim do mundo começa à meia noite com uma lua de sangue. – Completa Millena, séria.

Quando? – Pergunto.

Queria nunca ter perguntado isso, quando olhamos no relógio era 00:00 então saímos correndo para a sacada e o que vimos me arrepiou por inteiro: A lua, que uma vez estava branca e reluzente começou a ficar em um tom de vermelho forte de sangue.

Parece que é a meia noite de hoje. Fala Kalú, com desgosto e preocupação.

O relógio começou a contagem regressiva. Diz Millena, com medo.

 O que faremos agora? Pergunto assustado e preocupado.

 Eu não sei, mas não podemos ficar sem fazer nada. Responde Diego, preocupado

 Vamos dormir, amanhã decidimos o que fazer. Fala Millena, cansada e preocupada.

Uma...lua de sangue... eu...

 AÍ Luís.  Solta Kalú.

 O... Oi.  Respondo tremulo.

 Está tudo bem?  Pergunta ele.

 S... Sim claro. Vamos dormir. Falo tremulo e assustado.

Está bem. Diz Kalú, me observando. 

Assim que todos deitaram para dormir, eu não conseguia fechar os olhos, passei a noite em claro lembrando do incidente com a Vaidade e a imagem da lua de sangue me assombrava. Assim que deu 6:30 da manhã, ainda acordado e assustado decidi ir embora, eu não mais fazia parte dessa loucura já deu para mim. Então, juntei minhas coisas e peguei o primeiro ônibus de volta para Jacarehy. Pelo trajeto, ouvi as pessoas falando de como os vigilantes da noite: Bicho Papão, Corpo Fechado e Magneto Brasileiro, ajudaram a deixar as ruas  muito mais seguras e que não tem mais perigo em alguns bairros das duas cidades. O assunto me deixava meio enjoado mas ao ouvir as palavras de carinho e agradecimento confesso que meu peito se alegrou e se apertou ao mesmo tempo. Quando desci no ponto, estava a caminho de casa. Até que, de repente, ouvi algumas crianças brincarem com seu cachorrinho:

 Parado aí, seu cientista maluco!  Grita o garotinho.

 Você está muito encrencado.  Diz a garotinha.

 Eu, Corpo Fechado... O Garotinho começa.

 E eu, Magneto Brasileiro... Completa a Garotinha.

Vamos acabar com sua onda de crimes de uma vez por todas! Diz o Garotinho, determinado.

E assim o cachorro saiu correndo e as crianças foram atrás. Aquela cena me deu uma alegria enorme. Nós realmente estávamos ajudando as pessoas e elas gostavam da nossa ajuda. Antes mesmo de perceber, eu já estava em frente ao portão enferrujado de casa, mas quando vou tirar as chaves para abrir... pera... onde estão as minhas chaves?! Procuro loucamente por elas, mas nada, até ouvir uma voz atrás de mim:

 Está procurando por isso aqui? – Fala alguém atrás de mim.

Me viro para o mesmo encostado em um carro preto, surpreso.

 Kalú, o que está fazendo aqui? Pergunto surpreso.

E assim a janela do carro se abre.

 Chegamos aqui uns minutos antes de você. – Diego fala explicando. 

 Diego? Você também.  Pergunto, meio surpreso som a situação.

E assim outra figura aparece na janela do carro.

 E eu também.  Completa Millena, com um sorriso. 

 O que vocês estão fazendo aqui? Pergunto surpreso e sem jeito.

 Assim que você saiu, eu recebi uma mensagem via Instagram de outro pecado, a Inveja. Ela está vindo pro Brasil e quer nos encontrar no aeroporto de Guarulhos perto de São Paulo. – Explica Kalú.

Inveja? Quer se encontrar conosco? Pergunto.  

— Claro, isso se você quiser vir conosco... Responde Kalú, esperançoso

Kalú abre a porta do carro para mim e consigo ver quatro malas prontas, uma para cada um de nós. Os sorrisos nos rostos deles me fazem lembrar do das crianças brincando. E então eu só consegui fazer uma coisa: Entrei no carro e coloquei o cinto...

 E o que estamos esperando? – Digo animado.

 Agora sim! Responde Diego, animado e feliz.

 Rumo ao encontro com a Inveja! Fala Millena, com determinação e animação

E assim, durante o trajeto, Kalú me explica que após a minha saída ele liga para seu amigo João Pedro perguntando se a sua casa de férias em Monte Verde estava disponível e perguntou também se a Giovana, namorada de Kalú, podia realizar um acampamento lá. Depois de João confirmar e o aceitar participar desse acampamento, Kalú acorda Diego e Millena e os conta seu plano como forma de proteger a todos, e então, Kalú, Millena e Diego ligam para seu grupo de escola e os convida, e eles, de imediato, aceitam. Depois disso ligam para seus pais, incluindo a mãe de Luís, pedindo permissão, e eles permitem.

É um bom plano.  Digo, espantado com a genialidade.

 Agora, só falta encontrarmos a Inveja no aeroporto, e irmos rumo a Monte Verde preparar as coisas. Completa Kalú.

Depois disso, Diego e Millena caem no sono e eu fico acordado, por um tempo, com Kalú dirigindo. Até onde Kalú sabe, através do Instagram da Inveja, ela mora na Guiana Francesa e é, ou se identifica, uma bruxa... sem contar que ela curte qualquer coisa relacionada a Harry Potter e stalkeia publicações antigas de J.K.Rowling... Assim foi o início do primeiro dia até o Fim do Mundo, e agora me pergunto: O que será que vai acontecer agora?


Continua no Capítulo Dois: Luxúria



Notas Finais


- The Next Level -


Direção: LuizG

Roteiro: Titu

Revisão: Diogo D

Perfil no site/app Wattpad: @NextGZ

Perfil no app Manga Dogs: NextGeneration'Z

Nota do autor: Um Novo Capítulo a cada mês.

 
Vejo Vocês Next Time !!!!


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