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História 826 notas de amor para Emma- Garth Callaghan - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Capítulo - 1



1.
Querida Emma, você não pode
roubar a segunda base e ainda assim
manter seu pé na primeira. Com
amor, papai.

 


TUDO COMEÇOU COM UM
GUARDANAPO
Dobrei lentamente o guardanapo e o coloquei na lancheira de
Emma. Ultimamente, minhas mensagens passaram a focar na
temática do beisebol. Emma estava se tornando uma ávida jogadora
de softball, e eu amava usar essas analogias. Eu me considero um
ladrão de base, sempre procurando por oportunidades, pronto para ver
quais direções novas a vida pode tomar. Mas houve um momento em
que arrastei meus pés. Não estava pronto para correr para a segunda
base, embora fosse o que meu time precisasse.
Minha esposa, Lissa, é cinco anos mais velha do que eu. Sempre
me senti muito sortudo por ela ter me escolhido, um jovem
pretensioso, para ser seu parceiro por toda a vida. (Curiosamente,
minha mãe é cinco anos mais velha do que meu pai.) No entanto, um
dos desafios em ser casado com alguém mais velho é que, às vezes,
tive que entrar de cabeça nas mudanças da vida antes mesmo de estar
preparado. Fui um dos primeiros entre meus amigos a comprar uma
casa. Eu me casei bem antes deles. Agir como um adulto me foi
imposto inúmeras vezes.
No começo de 1999, Lissa veio até mim e disse francamente:
— Já é hora.
Tenho certeza de que houve mais discussões que levaram a essa
declaração, mas aquelas três palavras foram as que mais importaram.
Já era hora de tentar engravidar. Eu tinha somente 29 anos, mas Lissa
estava com 34, e já era hora. Casados há apenas alguns anos, eu não
tinha certeza se estava pronto para o próximo passo. Há muito tempo
eu rezava para ter uma filha, mas era para o futuro. Quando eu
estivesse pronto para crescer.
Eu sabia, Lissa tocaria no assunto. Honestamente, sabia que o
começo dessa aventura poderia ser bastante divertido para mim. Além
disso, parece que todo mundo nos dias de hoje precisa de algum tipo de
aconselhamento sobre fertilidade, e não achei que engravidaríamos de
imediato. Eu teria tempo para me preparar.
Embora a gente não tenha engravidado logo, não demorou muito.
O começo dessa aventura foi muito mais rápido do que o esperado.
Em pouco tempo, eu estava encarando a paternidade.
Os oito meses e meio seguintes foram uma enxurrada de
atividades e preparações. Frequentamos todos os tipos de cursos.
Escolhemos um pediatra. Passamos horas a fio em lojas olhando
macacões e outras parafernálias de bebês. Adaptamos a casa para as
necessidades de um bebê e preparamos o quartinho. (Um conselho
para todos os futuros pais: monte o berço dentro do quarto! Eu gostei
tanto de montá-lo que tive de fazer duas vezes!)
E, claro, lemos todos os livros sobre nomes de bebês publicados
na América do Norte. Eu era fortemente a favor de Elizabeth ou
Matthew. Na verdade, eu queria escolher Matthias, a versão alemã de
Matthew, mas eu sabia que não poderia ganhar esta batalha. Sequer
tentei. Lissa rapidamente vetou Elizabeth por causa de uma antiga
colega de quarto com quem ela não se dava muito bem. Lissa gostava
de Benjamin e Chloe. Infelizmente, tínhamos um gato, o Ben, e
chamar nosso filho de Ben pareceu estranho. Eu vetei Chloe porque
imaginava provocações no parquinho começando com rimas
engraçadinhas.
Após o ultrassom da vigésima semana, descobrimos que minhas
preces haviam sido atendidas. Teríamos uma menina. Meu coração se
encheu de alegria quando pude ver uma imagem mais real do bebê
crescendo dentro da Lissa. Uma pequena menina. Finalmente, a ideia
de se tornar um pai começou a parecer mais atrativa.
E conseguimos escolher um nome. Eu sempre gostei de Claire,
por carregar consigo a noção de claridade. Lissa concordou. Claire
Delany Callaghan seria o nome da nossa garotinha.
Não foi uma gravidez fácil. Lissa teve enjoos matinais por mais
de seis meses. Com frequência reclamava que pouco importavam as
opções de jantar, pois nada permanecia por muito tempo em seu
estômago. A pressão arterial de Lissa continuava subindo, e houve
preocupações em relação a ela e ao bebê. Sentia-me perdido, sem
saber como ajudar, assim como muitos homens. Foi meu trabalho
preparar a casa para a chegada da nossa filha, ir a vários
compromissos e ficar de fora de todo o resto.
Aquela terça-feira de outubro foi um dia como qualquer outro.
Fui trabalhar, como sempre, e Lissa foi ao consultório de seu médico
para medir a pressão. Recebi um telefonema nervoso dela por volta do
meio-dia. O médico estava preocupado. A pressão de Lissa entrava em
uma zona de perigo e foi decidido que tínhamos de ter aquele bebê.
Hoje. Arrumei minhas coisas no trabalho e corri para o hospital. Ao
me ver aproximar-se da sala de espera, Lissa se levantou meio
desajeitada. Seus olhos brilhavam de expectativa. Nós dois sorrimos.
Seria o dia em que encontraríamos a nossa Claire.
Após Lissa ser internada no hospital, o jogo da espera começou.
Ela recebeu ocitocina, e esperamos fazer efeito. Lissa estava com
calor, e eu tremia na sala. Em vão, me espremi no pequeno sofá, todo
vestido e enrolado em um cobertor. Foi uma longa noite. A ocitocina
demorava a fazer efeito. Assistimos às notícias da manhã e aos
programas de jogos. Estava ansioso e me sentia bastante inútil. Pegava
cubos de gelo para Lissa, mas, fora isso, não tinha nada para fazer.
Médicos e enfermeiras entravam e saíam, cada um olhava os gráficos
e as máquinas e observava se as coisas estavam progredindo. Após 24
horas no hospital, finalmente era hora de fazer força.
Eu não estava pronto.
Embora Lissa, provavelmente, relembre o processo como eterno,
tudo o que sei é que, de repente, o médico estava me dando um
instrumento e me ajudando a espremer o sangue do cordão umbilical
para que eu pudesse cortá-lo. Eu não tinha nenhuma intenção de cortar
aquele cordão! Fui bem claro ao dizer ao médico que eu não queria!
Mas lá estava eu, em uma sala cheia de médicos, e não me fora dada
a opção. Trinquei os dentes e fiz o meu dever, recuando com rapidez
enquanto o médico e as enfermeiras conduziam o teste de Apgar.
Nossa bebê, Claire, estava lá.
Eu não estava preparado.
Fiquei lá, paralisado. Além de não saber o que fazer, eu também
não queria fazer nada. Estava indo tudo tão rápido.
Eu não estava preparado.
Lissa logo me tirou dessa situação. “Vá até ela!”, ela suplicou
enquanto deitava imobilizada na cama do hospital. Fui até onde as
enfermeiras cuidavam de Claire e a toquei gentilmente. Eu ainda não
sabia o que fazer, mas estava ali, presente. Percebi o que era isso.
Estava acontecendo. Eu era um pai...
Mas eu ainda lutava com aquela realidade. Depois que Claire
nasceu, fui, enfim, para casa dormir um pouco. Odeio admitir isso,
mas, na manhã seguinte, não me apressei em voltar ao hospital. Tomei
até que um bom café da manhã. Lavei a louça. Levei a cachorra para
passear. Eu não queria mesmo voltar para o hospital.
Finalmente, recebi uma ligação da Lissa. “Hum, querido, onde
você está?” Apressei-me em voltar.
Nosso tempo no hospital não foi fácil. Claire estava com um nível
alto de bilirrubina e teve que passar diversas horas do seu primeiro dia
de vida em uma pequena caixa de plástico para a fototerapia. Lá
estava nossa bebê com poucas horas de vida, deitada com óculos de
proteção amarrados em seu rosto para que os raios não prejudicassem
seus olhos. Não podíamos segurá-la ou tocá-la durante o tratamento, só
podíamos ficar ali, encarando-a pelo vidro. Era uma tortura. Mas, de
alguma forma, isso me fez reivindicá-la. Era minha filha ali, sozinha.
Precisando de mim. Ela começou a parecer como... minha.
O que de fato me ajudou nessa transição foi quando, enfim,
admitimos para nós mesmos que, quanto mais nos conhecíamos e
quanto mais tempo passávamos com a Claire, mais percebíamos que o
nome dela não se encaixava. Cometemos um erro. Nossa bebê tinha o
nome errado e isso era nossa culpa! Timidamente, perguntamos à
enfermeira o que poderia ser feito. Imaginei pilhas de papéis e até um
processo para corrigir esse erro. Ela sorriu de forma gentil e nos disse
que isso ocorre com mais frequência do que imaginávamos e que
deveríamos apenas preencher um formulário antes de deixarmos o
hospital.
Saímos naquela tarde como uma família, com Emma Claire
Callaghan. Não sei qual era o problema com o nome. Mas uma vez
que o mudamos, uma vez que ela se tornou Emma, ela se tornou
minha. Tornou-se real.
Quando a colocamos com cuidado no cadeirão do carro, e
quando Lissa, cautelosamente, sentou-se no banco de trás, ao lado dela,
peguei meu lugar na direção, finalmente com um trabalho importante
para fazer. Eu estava levando minha família para casa. Olhei no
espelho retrovisor. Não pude ver Emma no banco do carro, mas sabia
que ela estava ali. Minha bebê. E seguimos para casa.
Eu estava pronto!
 


...............................
Querida Emma, às vezes, quando preciso de
um milagre, eu olho em seus olhos e percebo
que já tive um.
Com amor, papai.
...............................

 


Enquanto, no início, meu papel como pai envolvia muitas fraldas,
embalos e silêncio, e o foco era alimentá-la, acalmá-la e fazê-la
dormir, quando Emma cresceu e se transformou em uma pequena
menina, meu papel mudou. Não demorei a perceber que ser pai é
muito mais que escolher um nome (algo que já fiz errado) e mantê-la
alimentada. Eu estava ajudando a formar uma pequena pessoa. Dos
primeiros sons aos primeiros passos e palavras, minha Emma
começou a ter personalidade. Havia uma pequena pessoa ali. E era
meu trabalho prepará-la para o mundo.
Começou com a percepção de que nós realmente deveríamos
ensiná-la o certo e o errado, o que significava impor disciplina. Eu
mesmo nunca fui muito bom nisso. Ela apenas olhava para mim com
olhos cheios de esperança e, não importava o que ela tivesse feito, eu
queria encobri-la.
Antes mesmo que eu percebesse, ela já estava indo para escola, e
minhas horas com ela ao longo do dia diminuíam. Passávamos um
tempo juntos pela manhã antes da escola e do trabalho, mais um pouco
no jantar e na hora de ir para cama, e também em qualquer momento
entre um lugar e outro, dirigindo pela cidade ao longo do dia. Eu tinha
somente três momentos no dia para estar em contato com minha filha:
café da manhã, jantar e hora de ir para cama. Quando somei tudo isso,
notei que talvez desse uma hora por dia.
Enquanto eu sabia que isso fazia parte de deixar minha criança
crescer e ganhar independência no mundo, eu sentia falta dos
momentos em que ficávamos mais próximos. De sentir como se eu
tivesse delineado o dia dela. Eu sabia que, agora, amigos e escola
ocupavam a maior parte de seu tempo, tornavam-se mais e mais
importantes. Gostaria de encontrar um jeito de me inserir em seu dia
atarefado.
Emma sempre foi focada nas refeições. Eu não sei se outras
crianças têm essa fixação. Ela pulava da cama, cobertorzinho em
mãos, e perguntava:
— O que tem para o jantar?
Eu tinha sorte por trabalhar em uma empresa que nos encorajava
a passar o tempo que precisávamos com a família. Então, me tornei
um voluntário para o almoço do jardim da infância. Abria as caixinhas
de leite, apertava o ketchup, distribuía canudinhos e limpava o que era
derramado. Era a hora mais árdua do dia. Mas isso significava que eu
conseguia sentar com minha filha por um instante, encontrar os amigos
dela e ver como eles interagiam.
Isso também significava que podia ver o que ela estava comendo
quando comprava o almoço na cantina. Rapidamente me tornei a
favor de fazê-los em casa.
Como em casa eu era o primeiro a me levantar, então me
transformei em um especialista em preparar almoços. Eu cortava,
picava, misturava e empacotava. Eu tentava dar um toque especial que
ela apreciaria, como cookie ou copinhos de pudim. Qualquer coisa
para fazer seu rosto alegrar-se.
Constantemente, eu incluía um bilhetinho escrito em seu
guardanapo.
Os bilhetes começaram de forma simples. Te amo. Tenha um bom
dia. Seja amiga de alguém.
Eu sequer sabia se eles eram lidos. Muito menos se eram
importantes. Mas eu queria que cada dia fosse especial. Um dia, eu
tinha acabado de preparar o almoço dela. Eu ainda não tinha escrito o
bilhete. Emma viu o pacote do almoço no balcão sem o recado, e eu vi
os neurônios pipocando em seu cérebro. Ela vasculhou o pacote, veio
até mim com grandes olhos suplicantes e simplesmente perguntou:
— Bilhetes no guardanapo?
Foi quando descobri que isso importava para ela.
A partir daí, virou uma rotina para mim. Uma prática paterna.
Não importava o que estava acontecendo, eu garantia que Emma
tivesse um bilhetinho. E quando ela cresceu, os recados tornaram-se
mais específicos. Mais reflexivos. Às vezes, incluía citações que eram
importantes para mim, como “Por que se ajustar quando você nasceu
para se destacar?”, de Dr. Seuss. Percebi que esses foram momentos
em que eu pude conduzi-la, guiá-la para se tornar uma jovem mulher.
Ser pai significa ajudá-la a tornar-se alguém que faça a diferença no
mundo. Esse era o meu pequeno jeito de tentar moldar seu cotidiano.
Eu não tinha ideia que um dia os guardanapos se tornariam o meu
legado.
 

 


Lição 1:
APRENDA A RECEBER CRÍTICAS COM CORTESIA.
Crítica é uma oportunidade para melhorar. Você não precisa
adotar um modelo defensivo. Primeiro, agradeça à pessoa que te
oferece uma crítica. Ouça o comentário. Há algum jeito de torná-lo
positivo?
Lembra quando eu comentei sobre o seu rebate? Mencionei que
você deveria tentar manter as duas mãos mais alongadas no taco de
beisebol. Eu achei que talvez estivesse lançando o taco muito cedo e
perdendo força com o longo balanço do movimento. Eu vi resistência
em seus olhos. Você se contrariou com a crítica. Eu não estava te
dizendo que você é uma má pessoa. Não estava te perseguindo. Eu não
estava atacando sua personalidade.
Crítica não é um insulto. Aceite-a. Pode ser valioso ouvi-la.

 

 

         
Que você possa viver todos os dias de sua vida.
— JONATHAN SWIFT

 



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