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História 9 meses - Capítulo 4



Notas do Autor


Oi gente! Mais um capítulo saindo do forno, eu realmente só posso dizer no momento que estou muito apreensiva sobre o conteúdo e com medo de leitores me jogando na fogueira pelo que vai vir...
Espero que não queriam caçar a mim e a @AnneSadWalker, porque é complicado, já basta tá fugindo do coronavírus.

Enfim, boa leitura! ❤️

Capítulo 4 - Resultados


Fanfic / Fanfiction 9 meses - Capítulo 4 - Resultados

Uma máscara, era isso que se considerava usar desde o momento que chegou ao consultório da psicanalista Rose Tico, e Ben Solo não havia conseguido proferido uma única palavras significativa. As mãos ainda na mesma posição sobre os joelhos largos que estavam levemente afastados, somente indicando que era incapaz de seguir uma sugestão simples como a de Hux.

Mergulhado em seu próprio eu, o CEO da Falcon Airlines, projetava suas próprias dúvidas sombrias e receios sem poder externar. Rose, do lado oposto e avaliativa estava sentada, encobrindo diversos prêmios de seu campo de atuação, colecionados durante sua bem sucedida carreira.

Ela ao contrário dele não parecia se importar com sua falta de diálogo, como se fosse capaz de encontrar mais no silêncio respostas do que em falas. Solo sentiu-se tenso, não sabendo dizer se era agora um tipo de experiência ou um animal ameaçado por um predador.

Ben possuía a regra básica de sobrevivência de não se achar a caça, e ele não se achava, mas naquele momento ao ser mirado pelos olhos escuros por das lentes dos óculos da psicanalista, também não sentia o predador.

"Eu não deveria falar alguma coisa?" Estava incerto do que ele mesmo fazia ali.

"Deveria?" Rose o interrogou de um modo tão enfático que ficou confuso.

A expressão da Tico, fria e peculiar chamou a atenção de Ben, percebeu que Rose conseguisse ser tão difícil quanto ele próprio de analisar, não que estivesse ali para isso. Mas de repente, notou que talvez o sutil motivo da relação dela com Hux não ter continuado foi aquela.

A questão ainda assim não era Hux ou Rose, a questão que o afligia era sobre ele.

Sentia necessidade de falar algo? Se ele sentia era sobre o que? Não se lembrava o motivo de estar procurando uma especialista, quando ele mesmo afirmava que não era um homem louco.

"Você é a médica, então por que não me diz?"

A frase foi suficiente para fazê-la remover seus óculos, pousa a peça sobre a mesa e depois de uma longa pausa dizer:

"Se eu me lembro corretamente essa deve ser sua terceira visita. A primeira foi cerca de quatro dias atrás." A observação não parecia fundamental na cabeça do paciente, mas deixou que ela prosseguisse "E me recordo que em nenhum dos três, o senhor fez questão de dividir seus pensamentos, ao contrário, ficou mantendo-se sempre distante do objeto da consulta…" Pausou. "Portanto, como médica estou dando o espaço para que o senhor perceba suas próprias necessidades" 

"Isso é ridículo" Queixou-se. Passou as mãos no cabelos como se fosse inadmissível que o tivesse testando daquele modo.

"Veja senhor Solo, o senhor começou a se questionar se deve ou não falar sobre algo… Já que me pergunta, então eu irei retomar a pergunta sobre outra perspectiva. Se tivesse que falar sobre algum problema, que problema seria esse?" 

A mente dele trabalhou, ele estava tão cansado que sentia os reflexos das noites quase em branco em seus próprios músculos. Era estranho como o estresse e como as lembranças eram capazes de sobrecarregar, alinhando sensação em seu corpo.

"Pesadelos..." respondeu baixou.

"Noites ruins?" Ele assentiu. "Sobre o que são seus pesadelos geralmente?"

"Recordações…" parou e corrigiu "Uma recordação na verdade…" a voz quase falhou.

Rose não precisou anotar o fato para trabalhar, a sua mente era ágil para guardar os dados relevantes, descartar o que fosse meramente irrelevante, e ainda assim, lembrar de um por um dos relatos sem inferência de ordem.

"Uma recordação? O senhor poderia falar sobre?" E ele negou claramente bloqueando a tentativa da psicanalista de descobrir a raiz de onde tudo começava.

Rose sabia que o que fazia não era fácil, quanto maior um trauma em um paciente, maior seria a dificuldade com que lhe daria com as sessões. Já havia tratado inúmeras pessoas com sintomas similares, casos complexos que levaram anos, ela achou que com Solo foi até mais fácil do que mesmo idealizou, ainda assim a barreira frustrou a solução. O limite mostrando-se ali. 

Tentou se conformar, pois conseguir extrair um dado de alguém como Solo era um tipo de milagre, e isso já era um avanço que certamente podia ser superficialmente o ponto para tratá-lo.

"Seja qual for o tipo de recordação que esteja o atormentando, creio que foi algo relativamente recente que aconteceu, que trouxe a frequência de pesadelos… Um tipo de gatilho" 

Ele somente pode assentir, porque sabia o que era o descritivo, mas ele não falaria, ou pelo menos, não ainda.

"Se quer que a crise pare, então, você terá que testar métodos sobre aquilo que causa a lembrança primária." Rose explicou. "Se puder saber a fonte, aprender como conviver ou mesmo afastar; então já estará no caminho ideal para conter as crises." 

Embora fizesse completo sentido, afastar o que gerava o estresse e a crise não era uma opção. 

Ben estava entre a necessidade de ter um monstro interior que destruiria tudo a sua volta por sobrevivência e que nunca poderia voltar a ser contido, ou, entre matar o monstro interior para proteger os que estavam à sua volta e com isso pagar com sua própria vida.

"Eu não sou uma psiquiatria, por isso não irei receitar medicações. No entanto, eu posso indicar que tente comprar alguns relaxantes musculares e remédios que podem o auxiliar a dormir. Deve ajudar a diminuir as crises de insônia e agitações cotidianas" Rose recomendou e completou. "Crises de ansiedade misturadas com estresse pós traumático são geralmente comuns, porém se não quiser perder o controle, é bom que esteja ciente que necessita de acompanhamento." 

E aquele foi o fim da sessão.

*

Um mês… Isso indicava que ainda faltavam certo prazo… E ele sabia que o próximo passo seria decisivo e sem retorno.

Ali em pé estava Hux, a beira do píer da Battery Park, local do qual partiam rotineiramente balsas em direção a monumental ilha da liberdade. Intrigado, mantinha os olhos focados ao longe onde era possível mirar da baía, a histórica estátua colossal que foi presente dos franceses para os americanos em 1886.

"Nós vamos até lá?" A voz de Rey surgiu rapidamente em indagou, ela parecia curiosa ao mirar a ilha com certa admiração juvenil.

"Hoje não." Hux não tinha aquele propósito "Mas se quiser, nós podemos ir outro dia." Ela assentiu concordando. "Você sabe o que quer dizer a estátua da liberdade?" 

Confusa, Rey balançou a cabeça negativamente.

"A estátua da liberdade é um projeto do escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi, que se baseou no Colosso de Rodes, construída por Gustave Eiffel. Um presente dos franceses em homenagem a Declaração da Independência dos Estados Unidos em 4 de julho de 1776" ele soprou o seu cigarro para relaxar enquanto explicava. "A figura feminina representa Libertas, a deusa romana, que carrega a tocha e a própria constituição" ele parou soprando mais uma vez a fumaça pelo nariz como se necessitasse dizer: "Venham a mim as multidões exaustas, pobres e confusas, ansiosas pela liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade... Eu guio-os com a minha tocha." citou a frase de Emma Lazarus colocada aos pés da criação.

Rey não soube o que dizer, nunca havia parado para pensar no propósito da estátua de seu próprio país, ela nunca havia ido além do Texas e nunca esteve envolta do cenário revolucionário americano. Mas para alguém de dupla nacionalidade nunca havia se sentido tão constrangida como agora, principalmente porque pelo olhar de Hux poderia facilmente detectar que não era um ponto sem nó ir a um local turístico como aquele.

"O que quero dizer é que…" 

"Está tudo bem" ela disse o interrompendo.

Dias de convivência era suficientementes para que tivesse aprendido bastante sobre o advogado metódico e gentil.

"Senhor Hux, eu já estou decidida" na declaração era explícito que não havia necessidade que ele continuasse a falar. "Entendo a sua preocupação, já discutimos inúmeras vezes a seguridade do contrato e mesmo que confesse que estou muito nervosa hoje, porque o procedimento será feito amanhã. Eu não quero voltar atrás" e ele assentiu.

"Se é o que deseja" concordou "Então não irei mais intervir na sua decisão" E ela tocou em sua mão de modo sensível.

"Agradeço sua preocupação, que esteja sendo um bom amigo para mim" e Hux olhou para as mãos pequenas dela levemente nas suas.

"Seja corajosa" pediu, e ela sorriu concordando. 

Queria de algum forma que o mundo fosse mais gentil com ela, porém se o único meio era aquele, então tentaria o seu melhor ainda assim.

*

Na manhã do procedimento como esperado Rey estava realmente nervosa ao ponto de sentir que fosse desmaiar. Os olhos apressados percorrendo o espaço em direção aos homens usando terno preto. Não conseguia escutar exatamente o que diziam, mas o tal Ben Solo, o homem com quem ela mal conversava estava toda hora andando de um lado para o outro com as mãos na cintura.

"Ben, você sabe que isso começa com você, não sabe?" Hux disse mais como uma contratação.

Foi sua própria exigência. Por mais que soubesse o quanto a clínica era séria, ele não queria arriscar congelar seu material genético, sendo assim, obrigado a coletar o sêmen no dia inseminação. 

Passou as mãos nos cabelos grossos ponderando e às vezes olhando para a mulher que estava sentada. 

"Tem que me lembrar isso a cada meio segundo?" Com as mãos saindo e entrando no bolso da calça, indicava o seu estado de nervos bagunçados.

"Eu apenas…" Hux quis se defender.

"Senhor Solo" alguém interrompeu. A pessoa era baixa e trajava um macacão azul. "Aqui está" Aproximou-se e entregou a ele um recipiente embalado em saco plástico. "Precisa vir comigo"

Solo tratou de pegar o pote e enfiá-lo por dentro do paletó para não pensar no que viria a seguir, ao acompanhar a mulher que indicava o setor de coleta.

"Ben…" Hux disse depois de ter se afastado e indicou o celular.

E quando Ben abriu o aplicativo de mensagens, se deparou na janela do ruivo com um GIF pornô.

"Pode ser que ajude" balançou as sobrancelhas dando sugestiva ideia. Não era engraçado, era somente um modo de constrangê-lo e Hux conseguiu.

Para sua sorte, o cético chefe não tinha como xingar sua mente capaz de desvirtuar contextos, embora o próprio advogado tivesse visto o ensaio de uma balbucia para tal até que saísse para a coleta.

A espera poderia demorar um pouco, Hux resolveu sentar-se então ao lado de Rey, aguardar a retomada do processo.

"Está tudo bem?" Perguntou repentinamente após alguns curtos segundos para a moça que mantinha os olhos fixos na parede. "Não vai demorar muito, dependendo do Ben… Acho que pode ser até mais rápido do que ele mesmo prevê" e o advogado tentou não pensar muito sobre o todo, sobre seu amigo ser um alguém trancado em uma sala sozinho a fazer estímulos solitários para um propósito biológico.

"Eu não…"

O telefone de Hux vibrou antes de Rey falar o que precisava, e ele pediu um minuto. Se afastou e discutiu alguma coisa que pela sua expressão parecia bem urgente.

"Desculpe Rey"  comunicou ao retornar "Eu terei que ir. Um dos acionistas idiotas da Falcon acabou fazendo uma burrada sem tamanhos e mais uma vez terei que resolver confusão antes que isso acabe com a empresa." A mulher piscou seus olhos pequenos para ele sem ter ideia do problema que se tratava. "Diga ao Ben para ligar assim que ele sair. O manterei informado" 

Ela assentiu calmamente concordando, vendo o ruivo girar as chaves no dedo e sumir por entre um dos corredores.

Sozinha, a texana sentiu o medo mais uma vez crescer em seus sentidos, não conseguia se imaginar naquele lugar, em uma sala estranha passando por algo desconhecido… O medo a fez lágrimas levemente e secar teimosamente a face. 

"Rey?" A voz de Ben a atingiu. Demorou a perceber que havia voltado e que ele veio apressado até ela.

"O que houve? Não está se sentindo bem? Onde está o Hux, como ele a deixou aqui?" Ela queria explicar mais vê-lo foi pior.

"Ele teve uma emergência na empresa e disse que explicaria…" Ela puxou a respiração com mais força antes de falar. "Não brigue com ele por isso, eu só estou… Um pouco…" 

"Assustada?" Ele podia ver em seus olhos verdes e borrados sua hesitação. "Não se preocupe vai dar tudo certo."

"Senhorita Rey Johnson?" E ambos viraram em direção a enfermeira que mais uma vez retornava "Agora é você quem deve me acompanhar" Rey assentiu de modo estranho, tentando ficar calma.

"Eu não sei se consigo..." Olhou para Ben, e ele segurou suas mãos frias por instinto. Estava pálida.

"Você quer que eu peça para esperar?" Ela negou no mesmo momento.

"Eu só não quero ir lá sozinha..." 

Teria pedido a Hux que ficasse ao seu lado, pois apesar de todo o processo era a figura mais próxima que conhecia de um amigo, mas ele havia ido embora daquele modo, e ela estava realmente assustada ao pensar no que iria encontrar do outro lado da porta.

"É possível que alguém acompanhe o procedimento?" O homem questionou.

"Sim, não há problema se isso for deixar a paciente mais calma" concordou a funcionária, notando o nervosismo da moça. "Me sigam, por favor."

O caminho percorrido não foi longo, apenas a ansiedade no estômago da futura mãe que refletia também em sua garganta desconforto, que foi capaz de criar a sensação que o espaço havia sido dobrado e o tempo passava mais devagar em um relógio grande. 

O procedimento de fertilização não era complicado, mas o fervilhar das mentes redobrava qualquer circunstância negativa, tornando o momento um pesadelo que não se podia fugir.

Quando Rey já estava devidamente vestida foi acomodada em uma cadeira inclinável e recebeu uma manta para cobrir as pernas nuas. O peito estava tão acelerado que subia e descia apressado, enquanto esperavam a médica adentrar no espaço austero.

Era difícil manter-se confortável e confiante, não porque fosse uma pessoa medrosa ou tivesse dúvidas sobre o que precisava fazer, era apenas porque tudo naquele lugar era sufocante começando pelos equipamentos metálicos e as mobílias que a faziam se sentir dentro de um laboratório de ciências.

"Como acontece exatamente? Machuca?" Ben achou que ela soubesse a resposta, que houvesse perguntado sobre isso antes de se pôr naquela posição… Foi um equívoco, porque se apresentava como uma virgem disposta a ter seu primeiro contato sexual. "Eu não sei exatamente" confessou de modo que mostrava que nem ele queria admitir seu rude desconhecimento.

O fato era que Ben não havia se preocupado como seria, ele não achava que precisaria conhecer aquela informação ou as estáticas de sucesso sobre os procedimentos, ele havia deixado tudo na mão do advogado, até perceber que somente isso já não bastava. 

"Mas acho que não será doloroso" tentou tranquilizar a jovem mulher

Era muito nova, inexperiente e inocente para um mundo tão cruel… E os olhos verdes dela o fitaram como se a gravidade neles o atraísse para o centro do universo.

"Tente não pensar tanto" nunca se imaginou dizendo isso. Ele nunca foi bom em dar conselhos, nunca foi a parte a sustentar alguma coisa, no entanto a fragilidade dela o obrigava a tomar posições que não se viu antes. "O que você gosta de fazer?" Pensou em algo aleatório.

Foi um método de distração, que confusa, ponderou.

"Andar a cavalo… Ver o pôr do sol… Sentir o cheiro da terra depois da chuva… O modo como as folhas das árvores caem e se decompõem durante o outono." 

E toda a paisagem descrita fez sentido. Mesmo sendo um homem tipicamente da cidade, podia imaginar Rey sob o lombo de um animal, o sol queimando sua pele morena e seu sorriso se misturando ao vento. A simplicidade dela cativava e a tornava alguém muito mais real. Ficou absorvido pela idealização que o consumiu, ainda que desconhecesse esse poder nela.

Percebeu que levemente sorria, contraída como se estivesse compartilhando a mesma visão que ele tinha dela, ainda que soubesse que as sensações eram diferentes. Engoliu o seco que estava se formando na garganta por constatar a sensibilidade. Com os dedos formigando, pensou em tocar a face sonhadora da texana.

A mão dele levantou, por segundos em que os olhos dela estavam fechados, podia visualizar a ponta dos seus dedos quase tocando a bochecha repleta de sardas, mas a porta se abriu e  a médica entrou, impedindo que avançasse. Ben soltou o ar retido nos pulmões. Agradeceu que não houvesse acontecido, já que mais um pouco estaria perdido e constrangido.

"Olá…" A recém chegada disse aos dois ocupantes com um sorriso largo.

"Onde está a Dr. Muller?" Achou estranho não reconhecer na figura morena, a loira que estava fazendo o acompanhamento desde o princípio.

"Muller teve um pequeno problema essa manhã, por isso pediu que viesse em seu lugar realizar o procedimento. Sou Jannah Calrissian" Apresentou-se. "E você deve ser Rey" ela deduziu ao fitar a moça pronta.

"Olá" Rey a cumprimento.

Agora com a figura de branco ocupando a sala, a técnica de Ben sobre pensar em outras coisas para diminuir as preocupações não ajudava mais. Porém tinha que agradecer porque se sentia melhor com a presença do futuro pai de seu filho.

"Será o primeiro bebê?" O modo que ela perguntou pegou Ben desprevenido. Era uma estranha tentando penetrar em uma situação já o suficientemente fora do comum "Devem estar bem ansioso, eu entendo. Alguns casais tem mesmo certa dificuldade para conceber na vias tradicionais, vocês tentaram por quanto tempo?"

Foi inevitável perceber os olhares desconfortáveis.

"Se não quiserem, não precisamos falar disso" foi ela quem se esquivou da área restrita. Não era uma mulher de cometer indiscrição, nem tampouco se considerava invasiva. E por notar a falta de interação entre o casal, entendeu que talvez estivesse cometendo um pecado sem intenção.

Ben e Rey, definitivamente poderiam ser qualquer coisa, menos um casal feliz tentando conceber. A percepção deixou-a confusa, mas Jannah era uma médica de reprodução assistidas paga para realizar seu trabalho, não uma policial investigativa para fazer perguntas.

"Bem, eu vou ter que colocar isso em você" mostrou o equipamento que lembrava uma seringa. "Não irá sentir nada de muito desconfortável, eu prometo" ela colocou a máscara e as luvas.

Gentil, sentou na cadeira baixa ficando entre as pernas abertas da moça por debaixo de um lençol azul.

A médica então iniciou a introdução do equipamento enquanto Rey mantinha suas costas duras e as coxas trêmulas. Ela não deveria sentir aquilo ser doloroso, mas sentia e contraia sua face de modo que Ben segurou sua mão por uma fração de segundos.

"Seja corajosa, logo irá terminar" a médica comunicou. "É só um momento… Shiu… Shiu…" Fez o som para acalmar a mulher submetida, tal qual o homem que ficou rígido ao ver a face dela contorcida de desconforto. "Já está acabando" garantiu.

O equipamento permaneceu sendo usado em seu interior e ela podia sentir algo sendo injetado nela, enquanto buscava não pensar nos motivos disso estar acontecendo daquele modo.

"Só mais um momento" Jannah continuou a pedir a fazendo suportar.

Foi então que terminou e puxou devagar o pequeno molde e constatou que havia um pouco de sangue. Jannah não podia estar errada sobre o que veio a seguir, ela sabia que o sangue não era um erro de procedimento, ela já havia ministrado a mesma técnica em diversas mulheres.

"Você está bem?" Jannah pareceu confusa ao olhar as duas figuras na sala. 

"Sim…" As pernas de Rey ainda tremiam pela dor aguda em seu canal.

"Você vai ficar bem…" coletou o material para fazer o descarte.

"Quanto tempo leva agora?" Ben perguntou para Jannah se aproximando.

"Doze dias… Após isso ela deve fazer o teste gestacional" respondeu parecendo indisposta de olhar para ele. 

"Algo errado?" Identificou que a morena estava estranha, não se parecendo mais com a mulher que entrou pela porta sorridente.

"Senhor Solo…" A voz buscava uma clara neutralidade, mas os olhos que direcionava para a jovem mulher na cadeira eram de quem estava apiedada. "Não sei o que levou a moça a fazer isso, porém espero para o seu bem, que isso não tenha sido uma coação" 

"Do que está falando?" Os olhos dele dançaram de cima abaixo como se estivesse insultado a especialista em uma técnica mental.

"Do fato que acabei de inseminar uma mulher virgem" e ele ficou tão chocado quanto ela.

"Virgem?" 

Como Rey poderia ser virgem? Hux não havia dito nada daquilo ou mesma a própria interessada. O quanto isso complicaria as coisas? Lembrou do contrato, que não  havia nada especificando sobre virgindade… Ela tinha vinte anos e era natural não ser para qualquer mulher naquela fase da vida, por isso em nenhum momento passou por sua cabeça desesperada que ela tivesse tais condições.

"Eu preciso de ar" ele tremeu como quem estava passando mal. Saiu apressado da sala, e não conseguiu olhar para ela, já que não poderia, não naquele momento.

*

Doze dias como solicitado se passaram e Ben sentia que as crises haviam se aprofundando, agora era difícil trabalhar no escritório, por isso optou ficar em casa, no compacto apartamento ao centro da cidade. 

Outro detalhe importante foi que depois do procedimento, Ben não conseguia mais encarar Rey e isso o levou a se afastar. Não nutria raiva pela moça interiorana, apenas se sentia desconfortável porque a presença dela causa culpa, e ele não sabia como administrar um sentimento novo como aquele, afinal nunca se sentiu assim por ninguém. 

Mesmo que pouco a conhecesse Rey, ela parecia um ser humano decente e raro, não como a maioria de todos os que passaram por sua vida, que tentaram o derrubar. Admitia, tamanha doçura e delicadeza eram uma ferramenta que o intimidavam e o deixavam frustrado de se aproximar. 

Para Ben Solo, Rey era luz, e isso o fazia sentir como mais intensidade a sua própria escuridão, assim como, o fazia olhar para si mesmo e odiar ver o tipo de homem que era.

Antes da mulher aparecer em sua vida não havia dúvidas, apenas propósito, propósitos estes que ela lentamente como um veneno foi se apoderando, destruindo e  substituindo por medo.

"Rose disse que faltou na consulta de novo" Hux sentou-se na sala recoberta de móveis pretos. "Ainda está pensando sobre a Rey?" 

Ben negou, mesmo que fosse inútil tentar esconder que a raiz de seu estado transmutado era por causa da mulher se olhos verdes.

"Sinto muito, eu também não sabia" logo ele, a pessoa mais sensata naquele trio. Definitivamente teria sido o primeiro a recusar a texana como candidata para aquele propósito sujo se soubesse todas as condições.

"Hux…" Ele estava perdido, as pernas inquietas. "E o tio dela falando nisso?"

O ruivo suspirou.

"Nenhuma reação ainda ao tratamento até onde soube, ele precisa mesmo ser transferido." 

A estranha consciência o atingiu, Ben pensou no quanto havia desgraçado a vida da sobrinha do homem desconhecido a ponto de terem um tipo de compromisso com ele.

"Providencie a transferência dele para Suíça, já foi adiado por tempo demais. "Precisamos cuidar disso" e o Hux assentiu entendo a necessidade. 

"Como quiser Ben"

O celular do advogado então apitou, checou o recebimento. 

"Rey está na portaria, acabei de receber uma confirmação do motorista que esteve com ela no hospital" o homem teve que respirar fundo quando o ruivo falou "Tem certeza que tudo bem em vê-la assim?" 

Não queria forçar Ben a encarar tudo quando se sentia de um modo tão afetado, além disso, Hux se sentia perfeitamente capaz de ministrar tudo que fosse necessário com sua competência e profissionalismo.

"Estamos fazendo isso juntos, não estamos?" A dúvida pareceu-lhe uma carta defensiva. "Só mande-a subir" pediu.

Então os dois homens que sentiam ter um plano perfeito ficaram a espera da mulher, que ao chegar fez Solo sentir uma agitação forte em seu estômago. 

Hoje Rey Johnson mantinha o estilo simples: macacão jeans, os cabelos presos no alto da cabeça de um modo desleixado e os olhos como sempre escuros e aflitos. 

Vê-la fez Ben perceber que não era o único quem estava passando por dias de tormenta, fantasmas que tiravam o seu sono ou o receio do desconhecido. Teve vergonha de si. Assumiu-se em papel patético e egoísta ao ver o estado dela.

Mas quando observar as pessoas, ou melhor, mais especificamente ela começou a ser tão importante para ele? Quando algo que era para ser um contrato frio começou a ser tão significativo, não no sentido de estar buscando atingir somente uma cadeira administrativa, mas a importância que isso o fazia sentir sobre a vida de outro ser humano… Fosse esse o bebê ou…

"Rey…" A voz dele falhou atraindo atenção dela.

"Senhor Solo…" Respondeu.

Hux os observou, inativo por um momento e  como sempre, contratando que aquela interação era desconcertante. 

"Trouxe os resultados" ela falou.

Ben quase não respirou, ele esticou as mãos no intuito de pegar o envelope, mas não teve coragem e retraiu as mãos quase imediatamente.

"Dê ao Hux" Solicitou se virando.

O homem ruivo que sempre intermediava, então segurou o resultado lacrado e o abriu. Puxou os papéis e leu cuidadosamente o que estava ali.

"Rey… " Hux falou baratinado. "Sinto muito… Mas… Você não conseguiu… Você não está grávida..." 

Foi um baque, e ela afundou sobre o sofá em choque, tentando absorver assim como Hux e Ben a informação.

Quando a ficha caiu finalmente, levou a mão a boca abafando seus sons e os olhos começaram a protestar a tristeza com lágrimas. Por que não consegui? A médica disse que deveria dar certo.

Depois de todas aquelas semanas, depois da dor que sentia, depois de tudo o que passou, por quê? Era tão injusto. 

Não pode também deixar de pensar no tio que dependia dela para ser transferido para Suíça. Aqueles homens acreditavam nela, acreditavam que estivesse grávida. Mas a realidade era amarga como remédio intravenoso, e o seu ventre estava tão seco quanto o seu coração.

A sensação para Solo também era congelante ao segurar agora o papel, mirando o negativo em negrito. 

"Você não está grávida" ele falou repassando o papel para Hux, ainda em choque.

Como era impossível uma mulher daquela idade não dar o filho que necessitava?

"Eu sinto muito" choro desconsolada.

Sentia-se tão envergonhada e culpada, mas isso não aliviava o imenso buraco que colocava os três em check. Cada um necessitava que aquela gravidez tivesse êxito, mesmo que por motivos diferentes.

Rey precisava para garantir a transferência do seu tio, e Ben… Quanto tempo havia restado? Ele precisava de um filho, e ela não estava grávida. O tempo estava correndo, e se eles fossem fazer outra tentativa teriam de esperar mais um mês o que indicaria um alto risco para Ben se ela não engravidasse novamente.

"Marque uma consulta médica para ela, Hux…" Ele somente disse isso e se foi pelo corredor, deixando advogado atônito.

Com o choro de Rey reverberando da sala, Ben prosseguiu. Esteve portanto tempo certo que teria a criança dela, que depois de dias em branco pensando no quanto era um miserável a realidade parecia mais surreal que seus pesadelos.

Mas se ainda restava algum saldo, ele pensou que pelo menos, agora tinha a chance de tentar afastá-la do turbilhão, porém só poderia fazer isso se tivesse a confirmação que Johnson tinha dificuldade de conceber… E mesmo que fosse egoísta, mesmo que isso doesse em seu interior a ponto de levá-lo a crises e mais crises de pesadelo, não sabia se estava disposto a colocar o seu pescoço em jogo pelo bem de uma mulher virgem que estava tentando lhe dar um filho.


Notas Finais


Gente esperando as pedras serem jogadas. Sentimos muito! Mas queremos que vocês sintam a frustração dessa situação toda. Prometemos que isso vai ser melhor a medida que for desenvolvido, então não nos julgem (tudo tem um motivo).
Também preciso avisar que provável atrasos podem ocorrer na sequência, porque infelizmente o coronavírus vai parar transportes públicos e para não me prejudicar terei que mudar minha rotina para chegar ao trabalho, então isso indica menos tempo para produzir, mas não necessariamente que tudo vai parar... Então, por favor, sejam compreensivos.
Se cuidem! Usem álcool em gel, tomem água e se puderem fiquem em casa.
Até a sequência.


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