História 90 Por Cento: Los Angeles - Capítulo 7


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Categorias Tom Holland
Tags Homem Aranha, Tom Holland, Vingadores
Visualizações 51
Palavras 3.447
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - 7.


— Lena? Lena? Helena, acorda! — Tom segurava o ombro de Helena, a balançando, tentando fazer com que a garota acordasse logo.

— O que foi, desgraça? — ela falou com a voz rouca, os olhos ainda fechados.

— Levanta, se arruma, vamos sair. — ele continuava balançando a garota.

— É sábado de manhã, Thomas. — ela abriu apenas um olho, esperando que fosse o bastante para que Tom sentisse todo o ódio que ela queria transmitir. — Ninguém sai sábado de manhã. No máximo as pessoas chegam em casa em um sábado de manhã.

— Na verdade eu e o Harrison vamos treinar sábado de manhã, e queremos que você venha conosco.

Helena finalmente abriu os dois olhos, encarando o namorado que a olhava com um enorme sorriso. Ela permaneceu em silêncio, esperando que ele falasse que aquela era uma brincadeira de péssimo gosto e que, obviamente, ela poderia voltar a dormir porque era uma merda de um sábado de manhã. Sem contar que Helena era completamente sedentária, e pessoa sedentárias nunca sequer se mexem – as dores que ela ainda sentia após aprender a dançar Umbrella eram bem claras em seu corpo.

— Vai tomar no cu, Tom. — ela finalmente falou, voltando a fechar os olhos, pronta para dormir.

— Amor! — ela sentiu todo o peso de Tom ser solto em cima dela, a fazendo soltar todo o ar de seu pulmão e se perguntando se ter um namorado era realmente tão importante assim, e se ele realmente faria falta para a Marvel após ela assassiná-lo. — Vamos! Vai ser super divertido!

— Thomas Stanley Holland, em que merda de mundo você vive que te faz pensar que realizar exercícios físicos é divertido? — ela falou entre dentes, tentando empurrar o rapaz de si, mesmo sabendo que ela não conseguiria porque ele bem mais forte que ela, infelizmente.

Será que por que ele praticava exercícios físicos?

Bom questionamento.

— Lena, por favor. — ela sentiu um beijo no rosto. Agradeceu por ter um namorado que entendia que ela não beijava na boca logo após acordar. — Nós não queremos que você fique aqui sozinha. Nem precisa fazer exercícios, só ir.

Ela bufou, concordando e apreciando Tom finalmente sair de cima dela, deixando que ela se trocasse. Helena reclamou enquanto colocava uma calça legging e uma blusa larga, para em seguida prender o cabelo em um rabo de cavalo alto e muito torto e bagunçado, mas ela nem ligava. Ela não pretendia se mexer, mas se precisasse pelo menos estava com roupa adequada.

Quando chegou na sala, viu Harrison e Tom conversando animados, o que a fez querer morrer. Ninguém nunca deveria estar feliz em um sábado de manhã – era muito importante frisar que era sábado. De. Manhã. Ela se sentou com eles, tomando o café de manhã que Harrison – provavelmente – havia comprado em algum lugar perto.

Diferente dos dois, ela colocou uma blusa fina de moletom. Era primavera, claro, mas a Califórnia ainda era um pouco mais fria do que ela estava acostumada, então uma blusa fina não fazia tanta diferença no sol fraco que brilhava no céu incrivelmente azul. Ao seu lado, Harrison e Tom caminhavam animados – aparentemente o local de treino era perto, então eles poderiam já começar o treinamento e ir caminhando.

Ok, Helena havia acordado completamente mal humorada, o que era mais comum do que ela gostava de admitir, mas Harrison e Tom brincando e fazendo piada o tempo todo dava uma levantada em seu humor. Ela tirou o celular do bolso, abrindo o Instagram e deixando que os dois andassem um pouco a sua frente.

Ela conseguiu filmar os momentos em que os dois riam e faziam piadas, parecendo duas crianças animadas – só faltava pular no mesmo lugar –, falando pra Helena andar mais rápido e gravando o seu melhor stories da vida. Digitou rapidamente “o tipinho de gente que fica animado em acordar sábado de manhã pra ir treinar”, marcando tanto Tom quanto Harrison, salvando o vídeo antes de adicioná-lo ao seu stories, colocando o celular de volta no bolso.

Menos de dois minutos depois eles estavam chegando em um local enorme. Primeiro que não era uma academia, como Helena havia achado que seria. Era um espaço aberto, com vários colchões espalhados, alguns “obstáculos”, sacos de areia e até mesmo uma parede de escalada. Pelo menos não seria um treinamento de levantar peso, menos pior.

Assim que chegaram, um homem mais velho foi recebê-los, aparentemente o personal trainer de Tom. Ele os levou até um vestiário, onde deixaram chaves e celulares, para então seguir de fato para o tal treinamento. Logo o rapaz foi levado para um dos colchões, onde ele logo começou a treinar seus saltos e piruetas, deixando Helena boquiaberta. Certo, ela sabia que ele tinha um pouco de conhecimento em ginástica, já havia visto vários vídeos dele fazendo aqueles movimentos, mas ver pessoalmente era totalmente diferente.

— Quer bater um pouco no saco de areia? — ela sentiu Harrison cutucá-la e apontar para o saco preto que estava a poucos metros dos dois.

Helena havia prometido a si mesma que não faria nenhum exercício físico.

Mas bater em um saco de areia parecia tão divertido…

Ela concordou, abrindo um enorme sorriso e balançando a cabeça. Então seguiu Harrison até o saco de areia preto, vendo-o pegar dois pares de luvas de boxe, estendendo um deles para Helena. Ela colocou as luvas, que pareciam um pouco grandes demais para suas mãos, mas logo Harrison ajustou, deixando-as perfeitamente encaixadas.

— Já lutou boxe? — ele esperou que ela negasse antes de se posicionar atrás de Helena. — Vou te ajudar a ficar na posição certa, tudo bem?

Ela apenas confirmou com a cabeça, sentindo Harrison segurar seu antebraço, empurrando-os para cima. Em seguidas as mãos dele encontraram a cintura dela, fazendo com que ela ficasse levemente virada para a esquerda, o braço esquerdo parecendo estar um pouco mais para frente que o direito.

— Agora flexiona só um pouco os joelhos, e distribui bem o peso nas duas pernas. — ele se afastou dela, indo para o seu lado e abrindo um sorriso de aprovação. — Perfeito. Agora… Bate.

E foi exatamente o que Helena fez.

Ela começou a socar o saco de areia sem nenhuma piedade, fazendo-o balançar levemente para frente e para trás. Ela tinha certeza que seus socos não possuíam técnica, e se alguém que entendesse do esporte a visse provavelmente sentiria bastante vergonha alheia, mas honestamente ela não se importava. Aquilo estava divertido, e ela nunca imaginaria que praticar um esporte fosse ser divertido.

— Olha só quem decidiu praticar um esporte. — Helena ouviu a voz de Tom atrás de si após o que pareceu apenas cinco minutos, mas ela sabia que havia sido quase uma hora.

Ela parou de bater no saco de areia, se virando e vendo o namorado com os cabelos molhados, provavelmente de suor, a blusa também molhada na região do pescoço. O rosto de Tom estava levemente avermelhado e completamente seco, então ele provavelmente já havia secado o suor com alguma toalha, o que a lembrava que ela não havia levado nada para se limpar, mas mesmo assim ele mantinha um enorme sorriso no rosto. Ela pensou em o abraçar – ela também estava suada a essa altura – mas decidiu que misturar suor não era exatamente algo que ela queria.

— Até que é divertido. — ela balançou os ombros. Tentou tirar as luvas, mas falhou miseravelmente. Tom riu e segurou as mãos delas, tirando as luvas com facilidade. — Acabou o treino?

— Ainda preciso fazer barra. Só vim ver o que você estava aprontando. — ele riu e deu um rápido selinho em Helena. — Quer vir também?

Ela ponderou continuar sua sessão de socos, mas Helena não seria idiota de perder a oportunidade de assistir Tom Holland fazendo barras, então o acompanhou até a outra ponta do salão, onde o personal trainer já o esperava. E ele começou as barras como qualquer pessoa normal, apenas subindo e descendo. Até começar com os malabarismo. Ela encarou de boca aberta enquanto ele girava, se pendurava com apenas uma mão, dava pulos…

— Tom, isso é muito legal! — ela estava se segurando para não começar a bater palmas quando ele dava mais um giro na barra, parando de ponta cabeça, pendurando-se pela parte de trás dos joelhos. Então ele sorriu e fez um sinal com o indicador para que ela se aproximasse.

Com um enorme sorriso no rosto, Helena foi até o namorado praticamente aos pulos, finalmente chegando perto o bastante e colando seus lábios no famoso “beijo do Homem-Aranha”. Com o Homem-Aranha. Se ela não era a garota mais sortuda do mundo, ela não sabia quem era. E era maravilhoso, era bom acrescentar. Talvez porque no geral os beijos de Tom fossem simplesmente incríveis, mas Helena diria que a posição também era bastante boa.

— Ok, eu preciso voltar pra posição normal. — Tom disse após se separarem, rapidamente se mexendo na barra e finalmente voltando para o chão.

Helena apenas continuou assistindo Tom, sabendo que havia atingido sua cota de exercícios físicos pelo resto do ano, apesar de vez ou outra o rapaz fazê-la participar de algo que fosse fácil o bastante. No fim era quase hora do almoço quando ela, Tom e Harrison finalmente puderam pegar suas coisas e ir para a casa descansar um pouco.

Ao recuperar o celular, Helena viu que havia recebido dezenas de notificações no Instagram. Sem entender muito bem, pediu que os dois esperassem um pouco, abrindo o aplicativo e indo até suas mensagens. Todas pareciam ser respostas ao stories que ela tinha gravado mais cedo de Tom e Haz no caminho para a academia. Ela franziu as sobrancelhas, estranhando. Ela não tinha nem dez seguidores no Instagram, já que era privado e ela deixava apenas conhecidos a seguirem. Então abriu as mensagens uma por uma, tentando ver do que se tratava.

“OMG vocês conhecem o Tom Holland?!”

“MENTIRA QUE VOCÊS SÃO AMIGAS DO TOM HOLLAND!!!”

“Vocês estão em Los Angeles? COM O TOM HOLLAND?”

“Meninas, mentira que vocês são amigas do Tom!”

“OMG É O TOM E O HARRISON, VOCÊS CONHECEM ELES!!”

E todas as mensagens seguiam aquela linha.

Vocês? Plural?

E então Helena finalmente percebeu.

Ela não havia publicado o stories no próprio Instagram. Ela havia publicado no Instagram do blog. Que havia acabado de ganhar mais ou menos duzentos seguidores apenas nas horas que ela estava na academia treinando. Helena respirou fundo, pensando no tanto de coisas que aquele simples stories faria em sua vida. Ela havia acabado de anunciar para todo mundo que pelo menos uma das donas do Loli Ruri era no mínimo amiga de Tom Holland.

Helena estava tão fodida.

 

***

 

Tom e Harrison não entendiam muito bem o que estava acontecendo. Absolutamente do nada Helena havia praticamente saído correndo, indo para casa o mais rápido possível sem nem ao menos tentar explicar para os dois o motivo de tanta pressa. Ao chegarem em casa, a garota começou a andar de um lado para o outro sem parar, sussurrando para si mesma em português, o que era um tanto irritante.

Eles haviam tentado perguntar para a garota o que estava acontecendo, mas Helena simplesmente não respondia. O celular dela estava sobre superfície da ilha na cozinha e cada vez que ela passava ali o desbloqueava, provavelmente esperando alguma notificação que não aparecia. Tom se sentou em um dos bancos, o olhar acompanhando cada movimento de Helena, parecendo realmente preocupado.

Helena, por sua vez, estava esperando uma ligação. Havia mandado mensagem para Eduarda e Gisele – que havia ido correndo para a casa da amiga – e agora apenas aguardava que as duas lhe ligassem. Seu estômago estava gelado. Ela não conseguia acreditar em como havia sido idiota! Como era possível ter simplesmente soltado um vídeo de Tom e Harrison no stories do Loli Ruri? Ela poderia estragar tanta coisa daquele jeito.

E então o celular finalmente vibrou com uma chamada de vídeo de Eduarda. Helena correu até o aparelho, atendendo rapidamente e vendo do outro lado Eduarda e Gisele com feições preocupadas.

— Me diz que eu ‘to vivendo um pesadelo. — foi a primeira coisa que Helena falou, em português mesmo. Não era o momento que Tom e Harrison precisavam entender e honestamente ela estava sem cabeça para prestar atenção ao falar em inglês.

— Não, amiga. — Gisele fez uma careta triste. — Mas não é exatamente um pesadelo… Nós conseguimos quase duzentos e cinquenta seguidores nas últimas horas!

— E o site Tom Holland Brasil entrou em contato com a gente oferecendo parceria! — Eduarda abriu um animado sorriso. — Acredita nisso? Quase seis anos de com o Loli Ruri e é a primeira vez que alguém quer ser nosso parceiro!

Helena piscou algumas vezes. Era impressão sua ou suas amigas não estavam entendendo o quanto aquilo não era bom? Quer dizer, não que fosse o fim do mundo, mas ela e Tom não queriam falar pro mundo todo sobre o namoro deles. Primeiro porque Tom passaria a ter uma vida de entrevistas sobre namorar uma fã brasileira e isso seria um saco. Segundo porque ela não queria lidar com as fãs do Tom, era isso.

— Vocês não podem estar falando sério. — ela balançou a cabeça, desacreditada.

— Lena, a gente sabe que você não planejou nada disso. — Gisele franziu as sobrancelhas, a voz calma. Helena gostava de como Gisele era sempre delicada, o completo oposto de Eduarda que possuía zero papas na língua. — Mas não tem como negar que foi bom para o Loli Ruri.

— Mesmo que tenha sido, não posso deixar isso acontecer de novo. — Helena desviou o olhar da tela, encontrando o olhar de Tom. Ele a olhava em completo silêncio, parecendo levemente preocupado com a namorada. Ela nem tinha falado para ele tudo o que estava acontecendo. — Isso não vai acontecer de novo.

— Mas… A parceria com o Tom Holland Brasil. — Eduarda fez uma careta chateada. Claro, a vantagem da parceria seria notícias frescas sobre Tom. — Essa seria a oportunidade perfeita pro blog crescer. Além do que…

Eduarda e Gisele se encararam cúmplices, como se estivessem escondendo algo de Helena, o que foi o bastante para fazer com o que o sangue dela fervesse. Não era possível que as duas amigas estavam planejando algo pelas costas dela.

— Além do que o quê? — Helena travou o maxilar, a voz soando realmente nervosa.

— Bom… Sabe como a gente sempre quis ter um canal no YouTube? — ah não. Helena sabia o que vinha pela frente e já não gostava. — Então… Talvez você pudesse começar ele aí, sabe? Em Los Angeles e tal… E…

— Casualmente pedir pro Tom aparecer e atrair inscritos assim. — Helena balançou a cabeça, negando. — Vocês querem que eu use o meu namorado pro Loli Ruri ficar famoso. Uau. Isso não vai acontecer, eu não sou esse tipo de pessoa.

— A gente sabe que isso é horrível, Lena, mas… — Gisele respirou fundo, parecendo tentar tomar coragem. — Você sabe que daria certo, talvez não o blog, mas o YouTube… Você sabe que a gente conseguiria bastante inscritos. E… Se a gente ganhasse dinheiro o bastante, talvez você nem precisasse voltar para o Brasil.

Helena mordeu o lábio inferior e balançou a cabeça. Doía porque era verdade. Ela sabia que as amigas estavam certas, que ter Tom Holland aparecendo em seu canal seria o bastante para que ela conseguissem elevar o blog e conseguir visualizações para o canal. Na verdade ela poderia assumir o namoro com Tom e ter um canal solo e conseguir bastante dinheiro com isso, era verdade. Ah, e não precisar voltar para o Brasil, continuar ali em Los Angeles com ele.

Mas ela sabia que nunca poderia fazer isso. Não era nem uma questão de não querer porque havia sim uma parte de si absurdamente tentada a aceitar a ideia, mas ela não era esse tipo de pessoa. Ainda lembrava de como Tom havia ficado chateado quando ela brincou sobre espalhar em seu blog um spoiler que ele havia soltado sem querer. Ela não estava com Tom porque queria aproveitar de sua fama; estava com ele porque havia se apaixonado.

Ela sentiu o rosto queimar. Novamente a facilidade com que ela chorava aparecendo. Ok, ela tinha motivos para chorar. Helena tinha a oportunidade perfeita de finalmente conseguir realizar o sonho de ter o blog reconhecido e de continuar em Los Angeles com Tom, mas ela simplesmente não poderia aceitar porque isso iria contra tudo o que ela acreditava como ser humano. E aquilo era uma merda porque tudo em sua vida sempre, sempre dava errado, e Tom era a única coisa constante e boa que estava acontecendo nos últimos tempos. Mas em três semanas ela iria embora porque ela precisava voltar para o Brasil e seu trabalho de merda em um bar de merda com um salário de merda e só deus sabia quando ela veria seu namorado de novo.

Se ela o visse de novo.

Se eles continuassem namorando.

— Não, eu não posso fazer isso. — ela balançou a cabeça rapidamente, sentindo o rosto queimar, as lágrimas prestes a cair. — Eu simplesmente não posso fazer isso, meninas. Não… Não dá. — e lá estavam as lágrimas.

Helena sentiu dois braços a envolvendo. Tom estava atrás dela, lhe abraçando, dando um beijo em sua bochecha molhada porque ele era uma pessoa incrível. Ele não fazia a menor ideia do que estava acontecendo – porque o diálogo inteiro com as amigas estava acontecendo em português – mas mesmo assim, ao ver Helena chorando, ele não pensou duas vezes antes de confortá-la. Ela nunca poderia machucar aquele garoto. Nunca.

— Tudo bem, Lena. — Eduarda tentou sorrir, mas Helena conhecia a amiga o bastante para saber que ela estava chateada. — A gente entende. Na verdade não esperávamos algo diferente. Mas tínhamos que pelo menos tentar, né.

— Desculpa. — Helena sentiu a voz tremer um pouco.

— ‘Tá tudo bem, miga. Nós vamos resolver isso sem precisar expor você ou o Tom. — Gisele também deu um sorriso cheio de tristeza. E então abriu ainda mais o sorriso para Tom, que estava com o queixo apoiado no ombro de Lena. — E você, cuida dessa louca aí.

— Eu vou fazer meu melhor. — a voz de Tom parecia baixa, chateada. — O que está acontecendo?

— A Helena te explica. — Eduarda entortou a boca, se despedindo dos dois e finalmente desligando o celular.

Após desligar o aparelho, Helena se virou e abraçou Tom, chorando um pouco mais. A mão dele fazia um carinho leve na cabeça dela, confortando-a. Ele não havia perguntado de novo o que havia acontecido, apenas focando em ajudar a namorada a se acalmar. O que era péssimo, porque só fazia Helena sentir ainda mais conflitos internos.

Ela não queria ir embora, não queria deixar Tom, mas ela iria. Ou ela poderia transformar o namoro deles em uma constante publicidade e ter dinheiro o bastante pra continuar em Los Angeles. Ideia horrível e tentadora que só fazia com que ela chorasse ainda mais.

— Quer deitar um pouco? — ela ouviu Tom perguntar, o carinho constante.

— Não, eu… — ela se afastou um pouco, fungando e secando as lágrimas. Virou a cabeça, encontrando Harrison a encarando, parecendo preocupado.

— Você ‘tá preocupando a gente, Lena. O que ‘tá acontecendo?

Então finalmente ela explicou para os dois tudo o que havia acontecido, desde o stories que ela havia gravado no caminho para o treino até a conversa que havia acabado de ter com as amigas. A expressão de Tom era de puro choque, o que fez o coração de Helena gelar.

— Eu juro que não vou fazer isso, Tom! Eu prometo! E desculpa ter sido tão descuidada, te prometo que nunca mais acontecer!

— Se isso desse certo você poderia ficar aqui em Los Angeles comigo? — foi o que ele perguntou, parecendo ignorar as desculpas de Helena.

— Sim, mas… — ela franziu as sobrancelhas. Um brilho diferente passou no olhar de Tom. — Não. Não, não, não. Isso não vai acontecer, Tom.

— Mas é a chance de você ficar aqui.

— Não. Não assim, não.

— Eu tenho que concordar com a Lena, Tom. — Harrison falou pela primeira vez desde que haviam entrado no apartamento. — É tentador mas pode acabar virando um problema em algum momento. Pra vocês dois.

Tom balançou a cabeça, concordando a contragosto. Infelizmente era a verdade e eles precisavam entender. Por mais triste e frustrante que fosse.

— Eu queria um cigarro. — Helena murmurou, fungando novamente.

— Eu compro pra você. Tem preferência por marca? — Harrison já estava com a chave em mãos, pronto para sair de casa.

Helena apenas balançou a cabeça, negando. Nem sabia quais marcas de cigarro existiam nos Estados Unidos, não iria exigir muito. Harrison saiu, deixando apenas Tom e Helena na cozinha. Ele segurou a mão da namorada e deu um sorriso quase animado. Quase.

— As coisas vão dar certo, amor. Acredite.

Ela balançou a cabeça concordando. Apertou um pouco a mão de Tom e sorriu. Enquanto durasse tudo daria certo.

 



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