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História 93 Million Miles - Capítulo 3


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Notas do Autor


O próximo não demora, eu prometo.

Capítulo 3 - Stars constellations


POV Ana Paula

Eu estava perdida nos dias, não sei quantos passaram, a minha vontade de aproveitar cada segundo, decorar cada risada, traço e olhar, fizeram a minha noção de tempo esvair. Estávamos em nossa casa de praia, era recente, eu tinha dado a ideia após conhecermos Salvador, por que não ter uma casa de praia na Bahia? parece loucura no meio da semana vir para outro estado, mas eu precisava, meu corpo pedia essa reconexão com o mar, a natureza e meu eu.

Paola deu um tempo do restaurante, e por sorte Fran estava com um recesso da escola, tiveram que realizar algumas adequações e liberaram os alunos enquanto a obra ocorria. Se não fosse por isso, teria que usar a velha desculpa: Preciso ficar com minha filha, estou indo ser correspondente em uma guerra. Balancei minha cabeça em meio a um riso contido, meu humor super ácido não tinha controle.

Com meus pés tocando a água do mar, senti a energia que tanto queria, senti a brisa em meu rosto e automaticamente fechei meus olhos, fui para o lugar que mais amava, os braços das minhas estrelas guias. Chamo-as assim, desde que Paola, disse que daqui para frente elas me guiarão.

Flashback on

Paola havia preparado uma noite romântica no terraço de seu restaurante, não sei como conseguiu essa proeza, mas eu amava sua determinação. A noite estava linda, o céu mais estrelado do que jamais havia visto, poderia até os astros estarem conspirando, para a noite perfeita?

- Eu não acredito que você fez isso! – falei incrédula ao ver, ela havia tirado o pano que cobria um telescópio, um pouco velho, mas era tão lindo, não conseguia parar de olhar.

- Lembra que eu mencionei uma surpresa? – Paola chegou próxima e segurou a minha mão – Vem mi amor.

Eu comecei a passar minha mão pelo equipamento, tinha medo de quebrar, nunca tinha chegado tão perto ou até mesmo usado um. Senti seus braços me envolverem pela cintura, e sua voz um tom abaixo em meu ouvido guiar minhas ações. O telescópio já estava posicionado, Paola me fez curvar para conseguir ver com clareza.

- Consegue ver algo?

- Amor, estou vendo três estrelas... é uma constelação? Não entendo muito bem de astronomia, e nem sabia que você era uma expert no assunto – Falava enquanto mantinha meu olhar curioso – Há quanto tempo você tem esse hobby?

-Ana... esqueço como você se empolga – Falou entre risadas, não aguentei e cedi ao riso, eu realmente começava a falar e não conseguia parar.

- Vai me responder pelo menos? – Tentei forçar uma expressão séria, mas ao ver Paola se afastar fiquei confusa. – Paola?? – comecei a seguir seus passos. – Oiii???

Paola virou e tinha um sorriso tímido em seus lábios, em suas mãos uma espécie de fotografia, quando viu meus olhos curiosos, logo tratou de esclarecer.

- Ana, as estrelas que você viu, representam nossa família – Estendeu a fotografia – Eu consegui fotografa-las, e elas guiam, uma a outra, assim como eu, você e nossa filha. Quando descobri esse terraço e a linda vista para o céu, essas três me chamaram atenção, e desde então quando venho aqui para esvaziar a cabeça do estresse do restaurante, lembrava e ainda lembro de nós três. Sempre juntas, não importa a situação. Eu sei que daqui alguns dias, estaremos separadas por uma terrível distância, mas quero que sempre ao olhar para o céu, essa seja mais uma forma de reforçar o nosso amor e nossa presença em seu coração.

Eu chorei, um choro de amor e felicidade, os nossos olhos se encontraram e eu afirmo, a cada dia que passa, a certeza que eu sempre fui dela. Ela me beijou, suas mãos que antes eram sutis, tornaram-se firmes e pressionaram a minha cintura, transpassei meus braços em seu pescoço, e o amor vibrava dentro de mim, eu só queria ser dela ali, deixar o relato de nosso amor gravado no céu.

Flashback off

Senti um arrepio... despertei das minhas lembranças, estava na hora de voltar, quando me virei vi uma cena linda, implorei que meus olhos fossem potentes câmeras fotográficas, Paola e Francesca, deitadas e sendo banhadas pelo sol, tão serenas em profunda paz. Andei vagarosamente pela areia, ao chegar perto, apenas sentei de frente e fiquei observando. Não sei quanto tempo passei, mas o pôr do sol nos cumprimentava, resolvi acorda-las.

*

Hoje eu coloco essa pequena para dormir, Paola me enviou um beijo no ar, e eu apenas retribuí, fui guiando Fran até quarto, segurando em sua pequena mão.

- Mamãe, conta uma história? – Pediu enquanto pulava na cama, e eu claro não neguei.

- Posso contar a história de chapeuzinho amarelo? – Fran riu, me disse que eu havia trocado as cores. – É chapeuzinho amarelo mesmo, e sabe o motivo de ser diferente? – Franziu a testa e começou a mexer seus dedinhos e por fim me questionou a razão.

- Fran, você acredita que ela se tornou chapeuzinho amarelo, porque ficou amarela de tanto medo? Tinha medo de tudo filha, tanto medo, que a menina, a tal chapeuzinho, não sorria. Ela não saia, não brincava, e nem ouvia mais conto de fadas. Estremecia, para ela tudo era bem pior do que aparentava ser.

- Nossa como era medrosa, se ela me conhecesse aprenderia a ter coragem! – Levantou os braços para forçar seus músculos, e eu só consegui rir de Fran, tinha tanto de nós, mas tinha tanto dela.

- E você não faz ideia, o maior medo dela, era o lobo, que ela nem sabia se realmente existia, ela pensou tanto, sonhou tanto, e de tanto esperar... ele apareceu. – Fiz uma pausa dramática e Fran com seus olhos atentos me fizeram continuar. – Um lobo grandão com um bocão Fran... e sabe o que aconteceu?

- Ele a devorou? – Disse sussurrando.

- Não...

- Ela o devorou? – Disse entre risadas e eu não me contive.

- Melhor Fran, ela perdeu o medo, ele foi diminuindo tanto que no final restou só um lobo, não era mais grande e nem tinha um bocão, na realidade, o lobo foi deixando de ser um lobo, ele até tentou filha... gritou para que ela tivesse medo novamente, mas não funcionou... a chapeuzinho entendeu que o lobo só era lobo, porque ela tinha medo.

- Então ela o devorou, se ele deixou de ser lobo... eu acertei – se jogou em mim em meio a risadas.

- É... podemos dizer que você acertou, eu só quero Fran, que você seja assim, devore todos os lobos que aparecerem. – Enchi seu rosto de beijos e fiquei ali deitada ao seu lado, esperando o seu sono vir.

- Filha...

- Oi mamãe – disse com a voz de sono.

- Me dá a mãozinha?

Fran uniu nossas mãos, e disse um eu te amo bem baixinho, mas audível para mim, fiquei ali por quase uma hora, vi seus olhos fecharem e sua respiração pesar. Era uma das minhas maiores sortes na vida.


Notas Finais


Para quem interessar, a história de chapeuzinho amarelo é de Chico Buarque e está disponível online.


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