História 99 Dias - Fillie - Capítulo 3


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Categorias Stranger Things
Tags Eleven, Fillie, Finn Wolfhard, Mike, Mileven, Millie Bobby Brown
Visualizações 23
Palavras 2.432
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Suspense
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Gente pode demorar um pouco para eu postar o próximo, pq tenho prova amanhã e sexta, e na semana que vez tenho todos os dias ai fica um pouco complicado, mas juro que vou tentar.
Bjs espero que gostem do capítulo <3

Capítulo 3 - Dia 4


Sadie também não. Quando pensava na minha sentença de verão em Star Lake, a ideia de vê-la era a única coisa que tornava tudo suportável, mas até agora minhas mensagens de "oi, voltei"  e "vamos marcar alguma coisa" não haviam sido respondidas. Talvez ela também me odeie. Sadie e eu fomos amigas desde nosso primeiro anos na escolinha, e ela ficou do meu lado e me apoiou no fim do segundo ano do ensino médio , sentada comigo na cantina da escola até quando todo mundo desapareceu misteriosamente da nossa mesa na hora do almoço e os cochichos se transformaram em coisas bem piores. Mas a verdade é que nem falei com ela antes de sair de Star Lake para cursar o último ano do ensino médio em Bristol, num colégio interno feminino plantado igual a uma cápsula de míssil no meio do deserto na periferia de Tempe, Arizona.

Eu meio que fugi, escondida pelo manto da escuridão.

Hoje completo noventa e seis horas mantendo o mínimo de contato humano, então quando minha mãe bate a porta do quarto para avisar que a faxineira está vindo, decido vestir um short limpo e tiro a pilha de tralhas já acumulada no chão. Camisetas e roupas íntimas ainda estão na bolsa de viagem. Vou ter que desfazer as malas em algum momento, provavelmente, mesmo que prefira viver de roupas tiradas de valises pelos próximos três meses. Enquanto estava agachada, notei que meus velhos tênis estão escondidos embaixo da cadeira da escrivaninha, os cadarços ainda amarrados como da última vez que os usei - no dia em que o artigo foi publicado, eu me lembro de repente como se pudesse correr mais rápido que uma publicação nacional. Eu havia corrido muito, corrido tanto quanto podia.

E tinha vomitado no acostamento da estrada de terra.

Ufa. Faço um esforço para esquecer a cena, pego minha foto com os Wolfhard, ainda virada para baixo em cima da mesa, onde a deixei na outra noite, e a enfio no fundo da gaveta do criado-mudo. Depois, amarro as botas e dirijo meu velho e abandonado Passat até Star Lake.

Está suficientemente fresco para abrir as janelas, e consigo sentir o cheiro de umidade que vem do lago até entre os pinheiros que acompanham a Rota 4, enquanto sigo em direção à pequena faixa de civilização que compõe o centro da cidade. A rua principal é pequena e movimentada, com todos os restaurantes e armazéns e um rinque de patinação fechado desde 1982, mais ou menos. Essa também é a época em que esse lugar foi um destino interessante, até onde sei. A margem do lago e a interminável faixa verde eram importantes destinos turísticos nas décadas de 1960 e 1970, mas, desde que consigo me lembrar, Star Lake tem esse ar de alguma coisa que foi mas não é mais, como se você caísse de paraquedas na lua de mel de seus avós por engano.

Pisei mais fundo no acelerador quando passei pela Pizzaria dos Wolfhard´s, me abaixando no assento até parar na frente do French Roast, o café onde Sadie trabalhava desde que entramos no ensino médio. Abro a porta para o cheiro de grãos torrados do lugar e a voz de uma cantora emotiva no rádio. O café está vazio, meio quieto naquele fim de manhã. Sadie está atrás do balcão, o cabelo ruivo caindo nos olhos, e quando ela levanta a cabeça ao ouvir a sineta da porta, vejo flashes de culpa e pânico passando por seu rosto antes que ela consiga se controlar.

-Ai, meu Deus - diz ela quando se recompõe, saindo de trás do balcão para me dar um abraço rápido e insosso, e depois me segura com os braços esticados igual a uma tia-avó avaliando quanto eu cresci. No meu caso, meu corpo se desenvolveu mais - obrigada hormônios - meus seios estão maiores, minhas curvas mais definidas e minha bunda está mais empinada - mesmo assim ainda me sinto insegura comigo mesma - sinto ela me analisando. -Você está aqui!

-Sim - concordo com uma voz estranha e falsa. Ela usa um vestido de gaze embaixo do avental do French Roast, e tem uma pequena mancha azul-escura na lateral de sua mão, como se tivesse ficado acordada até tarde trabalhando em um dos retratos que desenha à tinta desde que éramos crianças. Todo ano, no aniversário dela, compro um conjunto novo de marcadores, desses que a gente encontra em lojas chiques de material artístico. Quando estava em Tempe, eu fazia a compra on-line e mandava entregar na casa dela. - Recebeu minhas mensagens?

Sadie mexe a cabeça, e o movimento é uma mistura de sim e não.

-é, meu telefone anda meio esquisito - diz, e sua entonação dá a impressão de que ela não tem muita certeza do que diz. Depois dá de ombros, sempre estranhamente graciosa, apesar de ter um metro e oitenta desde que estávamos no fim do fundamental. De algum jeito, nunca debocharam dela. - Ele apaga algumas coisas. Preciso de um celular novo. Vem, vou te servir um café. - Ela volta para trás do balcão, passa pela prateleira de canecas que eles dão às pessoas que planejam passar um tempo em um dos sofás e me serve em um copo descartável para viagem. Não sei se é um recado. Ela não aceita quando tento pagar.

-Obrigada. - Meu sorriso é meio desconcertado. Não estou acostumada a ter conversas vazias com ela. - E aí, RISD, mesmo? - Tento achar um assunto. Vi no Instagram que ela vai para lá no outono, uma selfie na qual ela sorri satisfeita vestida com um moletom da Rhode Island School of Desing. Mal acabo de falar e já percebo como é totalmente bizarro que eu tenha descobrido isso por uma rede social. Houve um tempo em que contávamos tudo uma a outra... ou quase tudo. - Vamos ser vizinhas no outono, Providence e Boston.

 -Ah, é - responde ela com ar distraído. - Mais ou menos uma hora, não é?

-Sim, mas uma hora não é muita coisa. - Parece que existe um rio entre nós, e não sei como construir uma ponte. - Olha, Sadie... - começo, mas paro meio sem jeito. Quero pedir desculpas por ter desaparecido sem deixar rastro, quero contar sobre minha mãe e sobre Maddie, sobre ter vindo para passar mais noventa e cinco dias na cidade e estar apavorada, precisando de todos os aliados que puder encontrar . Quero contar tudo a Sadie, mas, antes de falar qualquer coisa, sou interrompida pelo som de notificação de mensagem dentro do bolso do avental dela.

E isso porque o celular está apagando as coisas... Sadie fica vermelha.

Respiro fundo.

-Tudo bem - digo,ajeitando meu cabelo castanho e ondulado nas pontas atrás das orelhas bem na hora em que um grupo de mulheres com roupas de ioga entra na loja, todas falando com entusiasmo sobre qualquer coisa descafeinada e sem gordura - A gente se vê por aí - falo e Sadie olha para baixo.

Volto para onde deixei o carro estacionado, ignorando o enorme display de AUTORA LOCAL! na vitrina da única livraria de Star Lake, do outro lado da rua. Um milhão de cópias de Driftwood à venda por um preço bem baixo, mais a minha dignidade. Estou tão dedicada a ignorar os livros que demoro para perceber o bilhete preso embaixo do limpador de para-brisa. É a caligrafia da Maddie em tinta cor-de-rosa no verso de um cardápio de comida chinesa para viagem:

"Vadia suja"

O pânico é frio e úmido e escorregadio por um segundo, imediatamente substituído pela onda quente de vergonha; meu estômago se contrai. Tiro o cardápio do para-brisa e amasso o papel mole e pegajoso no punho fechado.

E, claro, lá está ele, parado no sinal fechado no final do quarteirão: o Bronco dos Wolfhard, velho, grande e verde, ainda com o amassado da batida de Noah na caixa do correiro quando estávamos no primeiro ano do ensino médio. O mesmo carro em que os três aprenderam a dirigir, o mesmo em que todos nós entrávamos para Finn nos levar à escola durante o nono ano. O cabelo loiro escuro de Maddie brilha ao sol quando o sinal abre e ela vai embora.

Eu me obrigo a respirar fundo três vezes antes de jogar o cardápio no banco do passageiro do meu carro, e mais duas vezes antes de deixar o estacionamento. Seguro o volante com força para minhas mãos pararem de tremer. Maddie já era minha miga antes de eu conhecer os irmãos dela. Talvez faça sentido que ela me odeie mais que todo mundo. Eu me lembro de tê-la encontrado aqui pouco tempo depois da publicação do artigo, de como ela me virou e me viu ali em pé com o meu latte, o ódio eloquente estampado em seu rosto.

-Por que diabos tenho que te ver em todos os lugares, Millie? - perguntou ela com um tom muito frustrado, como se realmente quisesse saber para poder resolver esse problema, para impedir que ele continuasse se repetindo. - Pelo amor de Deus, por que você não vai embora?

Voltei para casa e liguei para Bristol naquela mesma tarde.

Mas agora não tem nenhum lugar para onde eu possa ir, Só quero voltar para casa e me enfiar embaixo das cobertas com um documentário  sobre o fundo do mar, ou qualquer outra coisa assim, mas me obrigo a parar no posto de gasolina para encher o tanque e comprar mais tubinhos de alcaçuz, como havia planejado.

Não posso passar o verão inteiro desse jeito.

Posso?

Eu estou colocando o cartão de crédito na bomba de gasolina quando uma grande mão toca meu ombro.

- Cai fora daqui! - diz uma voz profunda.

Eu me viro com o coração disparado e pronta para brigar, mas percebo que o comentário é uma exclamação, não uma ameaça.

Antes de perceber que aquela voz é do... Finn

-Você voltou? - pergunta incrédulo, o rosto pálido iluminado por um sorriso largo, relaxado. Finn usa um short cáqui desfiado, óculos de sol e camisa do The Police, e parece mais feliz por me ver do que qualquer pessoa que encontrei até agora.

Não consigo me controlar: começo a chorar.

Finn não se abala.

-Ei, ei - diz ele com tranquilidade antes de me abraçar. Finn tem  cheiro de sabonete de fazenda e de roupa seca no varal. - Millie Bobby Brown, por que está chorando?

-Não estou - respondo, apesar de já ter molhado a frente de sua camiseta. Recuo e enxugo os olhos, balançando a cabeça. - Ai, meu Deus, não estou, desculpa. Isso é constrangedor. Oi

Finn continua sorrindo, embora pareça um pouco surpreso.

-Oi - diz, limpando meu rosto com uma das mãos. - Bem, seja bem-vinda de volta. Como tem passado? Dá pra ver que está curtindo o retorno à atmosfera afetuosa de Star Lake.

-Aham. - Fungo uma vez e me controlo, ou quase... caramba, não sabia que estava tão desesperada por um rosto amigo, isso é ridículo. Ou melhor , eu sabia, mas não esperava desabar desse jeito quando o visse. - Tem sido incrível. - Enfio o braço pela janela aberta do Passat e entrego a ele o cartão amassado. - Por exemplo, aqui está o cartão de boas-vindas que sua irmã mandou para mim.

Finn pega o cardápio, desamassa o papel, olha para ele  e assente.

- Estranho - diz, calmo como a superfície do lago no meio da noite, - Ela deixou a mesma coisa no meu carro hoje de manhã,

Arregalo os olhos.

-Sério?

-Não - Finn da uma risada quando faço uma careta, depois seus olhos escurecem. - Você está bem? Isso e meio maluco e horrível da parte dela, na verdade.

Suspiro e reviro os olhos para mim mesma, para a situação, para o absurdo da confusão que arrumei.

-É... tanto faz - respondo, tentando me mostrar fria ou superior ou qualquer coisa assim. - Estou bem. É assim mesmo.

-Mas é injusto, não é? Quero dizer, se você é uma vadia suja, eu também sou.

Dou risada. Não consigo evitar, embora seja muito estranho ouvir Finn falando daquele jeito. Nunca conversamos sobre o que aconteceu, nem mesmo quando o livro e o artigo foram publicados e o mundo desabou sobre a minha cabeça. Talvez já tivesse passado tempo suficiente para ele não dar mais tanta importância a tudo isso, embora aparentemente fosse o único a pensar assim. Para mim, tudo ainda é muito grande e importante.

-É, você é- concordo, e o vejo amassar e jogar o cardápio por cima do ombro, errando a lata de lixo ao lado da bomba de combustível.  -Jogando lixo no chão? - comento com uma careta.

-Põe na lista - responde, como se não se preocupasse com esse ou outros deslizes em seu histórico de bom cidadão. Finn era presidente do conselhos de estudantes no terceiro ano. Noah, Maddie e eu colocamos os cartazes de sua campanha na escola. - Olha, as pessoas são babacas. Minha irmã é uma babaca. E meu irmão... - Ele para e dá de ombros. Os cabelos negros cacheados cobre suas orelhas, com aquele tom de badboy, diferente do cabelos de seus irmãos. O de Noah é castanho quase mel. - Bem, meu irmão é meu irmão, mas ele não está aqui. Aliás, e você, o que ta fazendo? Trabalhando? 

-Eu... ainda não - confesso, me sentindo repentinamente envergonhada por ter me tornado uma reclusa, humilhada por não ter praticamente ninguém aqui que queira me ver. Finn tem um milhão de amigos desde que a gente se conheceu. -Estou me escondendo, principalmente.

Ele balança a cabeça como se me entendesse. 

-Acha que vai se esconder amanhã também?

Eu me lembro de uma vez, eu tinha uns dez ou onze anos, quando pisei em um caco de vidro na beira do lago, e Finn  me carregou para casa de cavalinho. Lembro que mentimos para o Noah por um ano inteiro. Meu rosto está meio inchado, com aquela sensação de pós-choro, como se alguém  tivesse enfiado algodão no meu cérebro.

-Não sei - respondo cautelosa, intrigada apesar de tudo. Talvez seja a dor constante da solidão, mas dar de cara com Finn me fez sentir que alguma coisa vai acontecer, uma curva em uma estrada de terra. - Provavelmente. Por quê?

Ele sorri para mim feito um mestre de cerimônias, como alguém que suspeita de que preciso de um pouco de animação na vida e se prepara para suprir essa necessidade.

-Pego você às oito - é tudo o que ele diz.


Notas Finais


Eu to muito feliz reescrevendo esse livro para Fillie AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA

XOXO, Nadi


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