História A Anatomia do Cacto - Capítulo 14


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), FemmeSlash, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


oie! muito... MUITO obrigada po chegarem até aqui...

boa leitura!

avisos: suicídio e homofobia
∟centro de valorização da vida: 188
∟estou disponível para conversar também! pode me mandar mp por aqui ou me chamar no twitter (@heavydirtyjoon)

Capítulo 14 - Keep holding on (avril lavigne)


A semana seguiu de forma monótona. Tessa e eu trocávamos um breve “olá” quando nos esbarrávamos na escola, nada muito informal, mas mesmo assim a sensação era de que eu estava desafiando as leis do universo e que em algum momento eu pagaria caro por isso. Era inevitável, sabia que sentia algo por Tessa, uma admiração além do esperado talvez, mas definitivamente tinha alguma coisa.

Me virei na cama mais uma vez, era Sábado, 13 de Maio, e a conta não saia de minha cabeça. Há exatamente 6 meses Emma pulara do topo de um prédio, há 6 meses eu ouvira sua voz pela última vez, há 6 meses eu sentiria sua mão encostar em mim pela última vez, há 6 meses ela me abraçara pela última vez. Há 6 meses uma parte de mim morreu e desde então eu estou tentando descobrir como viver sem.

A campainha tocou parecendo uma sirene naquela casa vazia e silenciosa.

- ESTÁ ABERTA! – gritei sem sair do lugar.

Meus planos para o dia eram simples: ficar jogada na cama. Talvez eu levantasse para me alimentar, ou apenas deixasse isso para amanhã. Talvez eu finalmente tomasse vergonha na cara e mandasse um pedido de ajuda a Tessa, ou eu só voltaria a dormir.

Não existiam muitas opções de pessoas para aparecerem em minha casa, minha mãe provavelmente chegaria no final do dia e se nada desse errado, ela estaria com sua própria chave. Não tive tanto tempo para remoer minha curiosidade, pois no instante seguinte ouvi a voz de James dizer:

- Isabelle! Não acredito que você deixa sua porta aberta assim! E ainda nem se dá o trabalho de se levantar e ver quem está na porta! Um louco psicopata poderia entrar aqui e te matar!

Ele falou enquanto atravessava a sala e parava na porta de meu quarto, me encarando caída na cama.

- Você é um louco psicopata que vai me matar?

- Não!

- Então problema resolvido.

Virei o rosto para a parede para mostrar que esse era o fim da discussão. Sabia que Jem tinha um bom ponto, mas eu realmente não me importava.

- Você sabe que dia é hoje? – minha voz saiu abafada pelo travesseiro.

- Sábado?

-Número.

James ficou em silêncio antes de respirar fundo e se sentar no meu lado na cama, murmurando um “treze” mais para si mesmo. Seu cabelo estava maior, cacheando ainda mais nas pontas. O castanho claro era a única coisa que contrastava em sua aparência em comparação a minha, apesar de sermos primos, podíamos ser facilmente confundidos como irmãos. Seus olhos eram tão azuis quanto os meus, os traços do rosto eram bem definidos, o nariz era pequeno e delicado, a boca bem desenhada e fina.

Jem passava as mãos em meus cabelos carinhosamente enquanto pensava. O silêncio se instalava cada vez mais no quarto e eu sabia o que se passava em sua cabeça, ele não sairia dali tão cedo hoje, ou talvez ele só não saísse.

- Tem uma coberta extra no quarto da mamãe.

- O que? – Ele pareceu sair de seu transe.

- Eu sei que não tem como eu te convencer que estou bem e que vou cuidar de mim e blá blá blá... Então... Tem uma coberta extra no quarto da mamãe.

Ele abriu um sorriso de agradecimento.

- O que você comeu hoje, Iz?

- Mas já vai começar a inspeção?! – Tentei tirar a seriedade do momento.

- Isabelle...

- Eu acabei de acordar, não deu tempo de comer.

- São quase três horas da tarde!

Fiquei em silêncio como resposta, me sentia uma criança sendo pega comendo a sobremesa antes do jantar.

- Isabelle, há quanto tempo você está nessa cama?

- Eu fui à escola na sexta...

- Tudo bem, é isto.

Jem se levantou, virando-se rapidamente para mim, no segundo seguinte estava sendo levantada como um bebê gigante em seus braços.

- AIMEUDEUSDOCÉU O QUE VOCÊ ESTÁ FAZENDO?!

- Te levando para ver a luz do Sol!

- Minha janela está aberta! Eu estou vendo a luz do Sol!

- Através de uma cortina! Aliás, você ainda sabe qual é a cor do céu?

- A não ser que meu sonho tenha virado realidade e ele esteja rosa neon com bolinha violetas, acho que ele ainda é azul.

- Rosa neon com bolinhas violetas? – Jem parou no meio do caminho para sala e me encarou, pareceu intrigado com minha imaginação.

- Queria algo LGBTQ.

- Poderia ser a bandeira LGBTQ.

- Acho que não daria para ser vista em todos os países.

- Bom ponto! É POR ISSO QUE VOCÊ PRECISA DE LUZ DO SOL! Para ter essas grandes ideias.

Ele parou no meio da sala por um momento, observando minhas inúmeras caretas ao excesso de claridade repentino.

- Juro que não dói. – Ele disse enquanto colocava meus pés na faixa de luz que entrava pela janela.

- AAAAAAAAA! – Gritei assim que senti o calor nos meus pés.

James pulou para trás, minha queda sendo evitada pelo fato de eu estar abraçando firmemente o seu pescoço.

- O QUE FOI ISSO?!

- Nada, você tem razão, não dói... A luz do Sol, quero dizer.

Comecei a rir conforme a indignação dele crescia.

- Você não fez isso!

- Eu de fato não fiz nada. – Falei rindo ainda mais de sua cara.

- Eu quase morri do coração!

- Ainda bem que foi só quase, a queda dessa altura não seria muito boa. - James sempre fora alto para a idade, como um trato não dito, ele me zoava por ser pequena demais e eu o irritava por ser alto demais. Assim que parei de crescer nos meus orgulhosos 1,55 metros, Jem ainda chegou nos 1,83 metros, seus músculos levemente desenvolvidos se contrastavam com meu corpo desnutrido. – Aliás, James Moraes, você andou malhando?

- Eu?! Na... E... Eu não... – Ele pareceu um pouco desconcertado.

- Ok, quem sou eu para julgar suas decisões estéticas para chamar a atenção das garotas... Ou garota.

- Ei!

- Qual é o nome dela?! – Não deixei ele terminar a frase.

- Ok, senhorita espertinha, eu vou arrumar alguma comida de verdade para você comer, porque se eu bem te conheço, e eu sei que eu conheço, você deve ter passado a semana a base de negresco e achocolatado.

- Também teve algumas maçãs...

- Então nós sentaremos naquele filete de Sol e eu te contarei... Espera, maçãs?

- Tessa anda observando se eu estou me alimentando direito, então tenho comido muitas maçãs na escola. – Soltei meio sem pensar.

Jem me colocou no chão, bem no filete de Sol.

- Entendi. – Ele se virou para ir a cozinha, mas parou de repente, virando-se para mim por um segundo. – Quem é Tessa?

...

- Bom, ela parece ser uma boa pessoa. – Jem juntava nossos pratos e deixava em um canto enquanto continuava seu interrogatório sobre Tessa.

- Ela é. – Falei enquanto encarava o chão e brincava com as rachaduras.

Em minha mente se passava a primeira vez que a vi até o final de semana em que eu dormira em sua casa. Sorria genuinamente com a lembrança dela me olhando.

- Mas espera... O que foi que aconteceu com a Laura?

- Não foi nada importante... – Tentei soar descontraída. - Quero dizer... Vida que segue.

- Mas eu não entendi. O que ela fez? O que aconteceu?  – Jamie sempre fora meio devagar para entender certas coisas.

- Jem... Eu não quero ficar pensando nisso, mas ela falou umas coisas que não deveria.

Ficamos em silêncio por um segundo, James me encarando firmemente a fim de me encorajar a terminar o pensamento em voz alta.

- Ela falou demais sobre Emma.

- Oh.

- É, então eu fiquei sozinha de vez e quase cai no meio da escola... Mas a Tessa me achou e... Você sabe o resto.

Amava ter James por perto, por algum motivo eu só não filtrava os acontecimentos antes de contar para ele, por isso ele sabia literalmente tudo que acontecia. Mesmo assim, eu não conseguia falar o que eu de fato estava sentindo, além da minha “vida romântica”, o máximo que eu dizia era quando estava com fome.

- Então... Essa Tessa é da sua sala?

- Que? Ah! Não, ela é minha professora de inglês.

- Você está apaixonada pela sua professora de inglês!?!

- Falando desse jeito até parece algo absurdo...

- Isabelle...

- Calma, primeiro, ela é recém formada então sim, eu ainda tenho um gosto melhor que o seu. E segundo, não é como se eu fosse escrever cartas de amor! – Comecei a rir da cara dele. – Eu vivo no mundo real, sei que é absurdo, não vou “dar encima dela” nem nada, relaxa.

- Isabelle...

- É só que... Ela me viu. Eu estava mal e ela me viu.

- Izzy, eu não...

- Ela me levou ao hospital, Jamei. Eu estava mal e ela me ajudou... Sem hesitar. – O interrompi antes que ele pudesse falar algo. – Sim, ela é minha professora, ma não é como se eu planejasse viver uma versão lésbica de Romeu e Julieta!

- Eu fico feliz que você tenha deixado ela te ajudar. - Jem aproveitou minha pausa para finalmente dizer o que tinha em mente.

Ficamos nos encarando por um momento. James sorria de forma meiga deixando suas covinhas aparecerem, alguns cachos rebeldes caiam sobre seus olhos tão azuis. Estávamos sentados no chão atrás do sofá na sala, ainda no filete de Sol, a louça do almoço descansava logo ao nosso lado.

- E como vai a faculdade, Pequeno Gênio?

- Vou trancar.

- O quê? Por quê?

- Ei, calma! – Ele riu descontraidamente.

James tinha conseguido um feito raro de passar direto em engenharia em uma dessas super Federais que tinha perto da cidade. Na teoria, ele vivia o sonho de todo adolescente fã de cálculo do ensino médio, mas eu podia ver no rosto dele que não havia nada de espetacular nisso, pelo menos não para ele.

- Não tenho certeza do curso.

- Sério? Jamie... Me fale a verdade.

- Eu não sei, estou cansado. Não quero mais entrar em nenhuma das aulas e ainda tem mais três anos. Só de pensar me dá vontade de gritar. Eu vou terminar as provas finais e trancar, já decidi.

- Ah... Vai com calma, Jem. Não força só porque as pessoas falam que quanto antes você se formar, maior será seu sucesso. Isso é só lenda.

Jem abriu seu sorriso acolhedor e se sentou mais do meu lado.

- Eu agradeço por isso, Izzy, de verdade. Queria te contar também que decidi passar o resto desse ano aqui na cidade.

- Sério?! – A ideia de ter James por perto encheu meu peito de alegria, meu sorriso era inevitável. – Mas onde você vai ficar? Você precisa de ajuda? Eu posso falar com a mamãe para você ficar aqui, se precisar!

- Ei, ei! Respira! – Jem começou a gargalhar. – Eu aluguei um apartamento aqui perto, algumas quadras de distância, então se precisar de mim é só gritar que eu venho. E meus pais estão me ajudando financeiramente, mas boa parte está vindo das economias dos meus estágios.

- Ah! Isso é sensacional!

Dei um pulinho me levantando apenas o suficiente para cair encima dele num abraço. Jem estava encostado no sofá usando jeans e apenas uma camiseta azul marinho básica, era como se ele não sentisse o ar frio de outono chegando. Eu estava ainda de calça do pijama e um agasalho fino por cima, meus pés descalços ainda caçavam um fio de Sol. Ajeitei-me melhor nos braços de Jem e me aninhei nele como uma criança de 4 anos se escondendo do mundo no colo dos pais.

Eu ainda sentia aquele vazio dentro de mim e aquela tristeza ainda estava me colocando para baixo, mas ali, nos braços de Jem, com ele passando os dedos em meus cachos, eu sentia que podia respirar de novo. Seus braços me envolvendo eram como uma fortaleza para deixar o mundo real para fora, como se eu pudesse me isolar dele até conseguir ficar em pé novamente.

Emma ainda aparecia em cada pensamento que eu tinha, mas dessa vez uma figura ruiva aparecia junto. Era inevitável pensar que a única vez que eu me senti tão calma e segura assim nesses últimos meses fora do lado Tessa.

Eu sabia que era errado, não precisava de James surtando do meu lado para perceber isso. Nem toda a ironia do mundo poderia me fazer ignorar meu sentimento de culpa. Tessa era minha professora e as coisas continuariam assim, não apenas porque ela é profissional, mas principalmente porque não era algo recíproco. Eu a ajudara em um momento crítico e ela sentira a necessidade de retribuir o favor. Era simples.

Mesmo assim, inevitavelmente, as lembranças insistiam em dominar cada momento. Tessa me abraçando para evitar que eu caísse na escola e todo o meu corpo sendo invadido por essa corrente, deixando apenas um calafrio na nuca. Quando eu andava pelos corredores na hora do intervalo e meus olhos procuravam os dela minha respiração parava. Eu não queria que essas coisas acontecessem, mas já era tarde demais.

Minha última experiência com esses sintomas foram com Emma e minha negação no assunto foi o suficiente para mantê-los afastados tempo o suficiente para eu não precisar me preocupar com a hipótese de pô-los em ação. De qualquer jeito, Emma nunca teria os aceitado.

James continuava fazendo cafuné em mim e não parecia se importar com o fato de eu estar quase dormindo novamente, pelo menos, se o fazia, ele não estava demonstrando.

- Você sabe que eu vou acabar dormindo assim, não sabe? – Falei de olhos fechados.

- Está tudo bem, Iz.


Notas Finais


aaaaaaaaaaaaaaa MUITO obrigada pelos comentários!!!!

desculpa qualquer coisa.....

desculpa qualquer coisa.....

fiquem à vontade para me mandar um feedback ou falarem comigo sobre os problemas de vocês!


a board da história no pinterest caso vcs queiram ver: https://br.pinterest.com/thornedhope/a-anatomia-do-cacto/

o link da playlist caso vocês queiram ouvir (atualizarei conforme eu posto): https://open.spotify.com/user/vml3fcpotijuss0m8p4qyepgg/playlist/182SFIFnbRiBcalh82IXuG

Ah! eu também posto no wattpad... caso aja interesse... :
https://www.wattpad.com/story/148176555-a-anatomia-do-cacto


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