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História A aposta - Capítulo 26


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Notas do Autor


Hello babys, como vocês estão? Caraca faz mó cota que não apareço com um capítulo tirado do forno, né? Mas oh, não abandonei vocês não em? Que história é essa? Houve uns contratempo que acabou me tirando do foco da fanfic, mas ao ler ontem vários comentários de "por favor não abandona essa história" me deu um gás, que... O céu foi o limite, rsrs.
Aproveitem esse capítulo, pois está bem bom, a propósito, próximo capítulo sairá bem rápido!
Previsão? Surpresa, hahaha porém pode acreditar que não irá demorar, prometo pelo rio estige.

Boa leitura!

Capítulo 26 - Eu te fiz feliz?


Fanfic / Fanfiction A aposta - Capítulo 26 - Eu te fiz feliz?

Entrei no apartamento e pude ver Noah sentado no sofá, olhando pra fora, parecia estar quase dormindo, ou vegetando. Aproximei-me e me joguei ao seu lado, que sobressaltado me encarou soltando um suspiro alto, voltando a olhar pra fora, fiz o mesmo, deixando minha camiseta no braço do sofá. 

- Gaten está chateado. - Disse Noah, virando seu rosto em minha direção, continuei fitando a paisagem do lado de fora. 

- Eu sei. 

- Você deveria falar com ele. - Assenti em meio a um suspiro. 

- Eu sei. 

- Hm. 

- Eu vou conversar com ele. - Olhei pra Noah e respirei fundo - Eu vou tomar um banho, daqui a pouco temos que ir lá no quiosque, o professor disse 18hr.

- É verdade. 

- Hey, Noah , vamos indo? O Caleb vai demorar um século até lavar toda aquela banha dele. - Ouvi Gaten dizer e virei meu rosto pra trás, ele continuava olhando para Noah, que se levantava preguiçosamente, entendi que ele não queria falar comigo, mas eu não podia esperar. 

- Posso falar com você, cara? - Perguntei. 

- Fala. - Respondeu Gaten, com uma sobrancelha arqueada. 

- Eu espero vocês ali fora, tá calor demais aqui. - Noah disfarçou e saiu sorrateiramente. 

- Gaten, me desculpa ter falado daquele jeito com você. - Comecei e me levantei, Gaten continuou parado, como se esperasse mais de mim. - Eu sei que 'tá difícil me aguentar, eu sei... Eu... Mas também 'tá difícil pra mim, tudo isso, eu nunca tive que passar por isso antes, você sabe.. - Gaten olhou pra baixo e respirou fundo. - Mas você tem direito de ficar bravo porque o problema é meu, eu não tenho que sair descontando em ninguém, então me desculpa. 

- Cara, tudo bem.. - Gaten soltou um suspiro e se aproximou, apoiando sua mão em meu ombro, apertou sem força, em sinal de apoio. - Eu sei que você tá passando por uma fase ruim, mas é difícil pra nós ver você, Finn Wolfhard, assim. Você se lembra de todas as vezes que nós nos uníamos, conquistávamos um grupo de garotas, saíamos com elas uma semana e na outra nem nos lembravamos mais o nome delas? - Sorri, concordando com a cabeça. - A gente saía todo fim de semana e acordávamos sem saber nem onde estávamos, você estava sempre cantando alguém, fazendo piada sobre o corpo das garotas, e cara... A gente sente falta disso, sabe? A gente sente falta de sair com você como era antes e é difícil perceber que você tá sofrendo pela Millie ... - Continuei apenas a assentir, agora sem vontade de sorrir. - Eu sei que ela vale a pena, e eu sei que você merece passar por isso, por tudo o que aconteceu, mas, cara, se você quer esperar por ela, espera vivendo, sabe? Não para tudo por causa dela, porque se você não percebeu, é o que todos eles querem, te afundar, você vai deixar? - Gaten apertou meu ombro e me deu um chacoalhão, ergui meus olhos em sua direção. - Vai deixar? 

- Não. 

- Não? - Ele exclamou e eu ri, rolando os olhos. 

- Não, cara, não vou deixar. 

- Então, ok... - Deu um tapa na minha cabeça. - Eu e o Noah estamos indo pra lá, a gente se encontra no quiosque. 

- Fechado. - Sorri e Gaten foi saindo. 

- Ah, o Caleb deve estar terminando de lavar as tetas, fala pra ele apressar lá. 

Gargalhei, vendo Gaten fechar a porta, e subi rapidamente até o quarto, peguei minha mala e a deixei sobre a cama. Sorri, com as lembranças que Gaten havia atirado sobre mim. Eu bem me recordava de todas as vezes que acordei em cama alheia, eu nem me lembrava o nome daquele corpo nu sobre o meu, então eu ia embora antes que ele ganhasse vida e eu tivesse que chamá-la de "Linda", não tinha erro, mas isso as iludia. Eu realmente não estava acostumado a passar pela situação em que me meti com Millie, eu posso dizer que nunca havia me apaixonado antes, e nunca havia sofrido por isso, mas juro que nos primeiros dias eu achei que nunca ia passar, que ela seria a única garota pela qual eu seria apaixonado a vida toda, e eu ainda me sentia assim, eu precisava tê-la de volta, mas Gaten tinha razão, eu não ia chegar a lugar algum se continuasse sentado, esperando. Eu precisava seguir em frente. 

Tomei um banho gelado, tentando me livrar da queimação nos ombros. Vesti um bodyboard branco listrado de verde e marrom, e uma camiseta branca, a de tecido mais fino que eu tinha. Calcei meus chinelos e tentei, em vão, arrumar meu cabelo, ele estava grande demais pra que eu tivesse sucesso nisso. 

- Hey, Finn, tá pronto? - Caleb quis saber, com a cabeça pra dentro do quarto, enquanto eu enrolava as mangas da camiseta até meu ombro. 

- 'Tô, cara. - Respondi, pegando minha carteira sobre a cama, tirei algumas notas e as guardei na borda da minha boxer, já que o jantar era pago.

 - Por um acaso você não tem um creme desses que alivia queimadura aí não, né? - Caleb começou a rir e assentiu. 

- Tenho, depois do jantar eu te empresto, cara. Vamos, já estamos atrasados. 

Fizemos o caminho até o quiosque, ao que percebi, todos os alunos já estavam lá, pois quando chegamos o professor fez sua melhor cara de repreensão e começou a chamar nossa atenção, pedindo silêncio e proximidade. 

- Vou começar a explicar, está bem? 

Concordei com a cabeça, como se ele realmente precisasse da minha permissão, cruzei meus braços e deitei a cabeça pra trás, esperando uma corrente de ar aliviar meu calor, mas quando voltei a baixar meus olhos, eles se cruzaram com aqueles dos quais eu sentia tanta falta, meu coração disparou subitamente e eu me senti como se não pudesse respirar. Seu rosto estava delicadamente maquiado, uma das laterais de seu cabelo estava presa por uma flor branca, e seu corpo semicoberto por um tecido leve. Gaten pigarreou e eu tratei de voltar minha atenção para o Sr. Dawson. 

- Como eu já havia informado, vamos formar quatro grupos, e antes que vocês comecem a se movimentar, eu vou escolher os membros de cada um deles. 

- Aaaah, isso é injusto! - Alguém gritou, e em seguida começou o alvoroço. 

- Shhh, calem a boca, vocês não são mais crianças! - Exclamou sr. Dawson, batendo palmas, apenas bocejei - Eu decido os grupos, portanto façam silêncio. - Ainda houve suspiros inconformados, ri baixo e neguei com a cabeça - Primeiro grupo é o Vermelho. - Dito isso, ergueu um punhado de lenços da cor citada e os agitou no ar - Alissa Swan, Alex Gear, Finn Wolfhard, Victor Becker, Millie Bobby Brown... 

Ergui meus olhos, até então fixos na tatuagem que havia no pé de uma garota a minha frente, e traguei em seco. Eu quis pedir que alguém o fizesse parar e repetir os nomes do grupo, só pra eu ter a certeza absoluta de que ele havia realmente feito isto, ele havia mesmo cumprido sua promessa. Quis não olhar pra Millie, para não dar na cara que eu estava entusiasmado com o ocorrido, mas meus olhos a flagraram imediatamente, Sadie falava com ela, mas seu rosto estava virado em minha direção, ela parecia ter perdido um pouco a cor. É, ela teria de conviver comigo, se não por bem, por mal. Sadie não podia fazer nada quanto a isso, nem qualquer outra pessoa. 

- Grupo Azul! - Gritou o professor, só então ouvi sua voz novamente - James Bourne, Caleb Mclaughlin, Meg Lutteron, Sadie Sink, Sammy Cohen…

- PROFESSOR! - James gritou, com o braço erguido - Não é justo! - Sussurrou pra Millie ao seu lado, ela fechou os olhos e abaixou o rosto - Millie não pode vir para o meu grupo? A gente troca alguém! - Pediu ele, trinquei meus dentes e olhei para o lado. 

- Millie, você quer ir para o grupo Azul? - Sr. Dawson a questionou, tornei a olhá-la, agora curioso por sua reação, ela piscou algumas vezes e encolheu os lábios, pressionando-os um no outro. Sem perceber, cruzei meus dedos em uma figa, ela não faria isso, era o que eu dizia pra mim mesmo. 

- Não, tudo bem, professor. - Sua voz saiu fraca, James se virou bruscamente, posso jurar que ele ia explodir a qualquer minuto, Millie arqueou as sobrancelhas e disse algo em tom baixo, os dedos de James rodearam-lhe o pulso e eu suspeitei que estivesse doendo, por sua expressão assustada, dei um passo e recuei dois com o puxão de Caleb. 

- Cara, não faz isso, não vale a pena. - Ouvi-o dizer e concordei com a cabeça, ainda com os olhos vidrados naquela atitude escrota de James. Eu tinha a breve sensação de que ele não sairia daquele resort com todos os dentes. 

O professor continuou a falar os grupos, notei que nenhum de nós quatro ficou no mesmo grupo. Afinal, acho que a idéia do professor era desfazer as pequenas "panelas" e nos fazer relacionar com pessoas que ainda sequer sabíamos o nome. Achei a idéia interessante, podia ser muito válido. Ou não, ele deveria ter feito isso antes. 

Sr. Dawson pediu que cada grupo se unisse em um canto pra que ele pudesse entregar nossos lenços. Assim fizemos, olhei pra Millie, que fitava os próprios pés, distraída. Ignorei e dei atenção à professora, que nos entregava os lenços, enquanto o professor voltava a explicar.

- Enquanto a professora Hale entrega os lenços, vou falar sobre a liderança. - Disse ele, agradeci à professora que acabara de passar por mim - Cada grupo terá um casal de líderes - Olhei pra ele enquanto tentava amarrar o lenço em meu pulso - Os líderes também serão de minha escolha. Minha e da professora Hale. O grupo Amarelo... - Apontou para o grupo que estava do lado contrário, dele eu só conhecia Rico Lewis e Noah - Os líderes serão Samantha Fox e Patrick Hanson. - Os dois comemoraram entre si e o resto do grupo pareceu completamente insatisfeito, até eu fiquei insatisfeito por eles, Samantha e Patrick, o casal mais antigo e mais imbecil de toda a escola, batemos palmas por obrigação - O grupo Verde! - Apontou para o outro grupo, que fez silêncio, apreensivos - Os líderes serão Suzy e Gaten. - Assoviei e bati palmas, ouvindo Noah gritar idiotices com a entonação afeminada - Grupo Azul, James Bourne e Sadie Sink. - Ri sozinho e irônico, enquanto eles se abraçavam, comemorando - E por fim, do último grupo, Vermelho... - Assenti com indiferença e cruzei os braços - Millie Bobby Brown e Finn Wolfhard. 

Jurei que ia cuspir meu coração naquele momento. Millie e eu nos entreolhamos por automaticidade e, como se algo nos proibisse de quebrar o contato visual, o mantivemos. Meu estômago parecia se encolher a cada minuto que passava, provavelmente assustado com o turbilhão de sensações que me assolavam sem uma gota de piedade. Notei que seus seios subiam e desciam rapidamente, ela estava tão nervosa quanto eu. O professor conseguiu o que queria, que era nos aproximar. Bastava saber se daria tão certo quanto ele achava que sim. 

- Escolhidos os líderes, vamos às funções. - Millie e eu desviamos os olhos e encaramos o professor, eu mal podia controlar minha ansiedade - Os líderes terão de me trazer uma poesia, uma composição, ou uma cena. Seja o que for, temos de ter uma prévia na quinta-feira à noite, valerá 40% dos pontos, junto com a apresentação, que será na sexta-feira à noite. - Nós assentimos devagar, não seria tão difícil pra mim - O grupo não poderá ajudar, por isso, eu irei escolher um olheiro de outro grupo para vigiá-los. - Deitei a cabeça pra trás, fechando meus olhos e dando um suspiro alto - Para os líderes do grupo vermelho... - Voltei a olhar para o professor, torcendo pra ele fazer a coisa certa - Caleb Mclaughlin , do grupo Azu…

- HEY! - Sadie interrompeu - Eles são amigos, professor, Caleb e Finn são amigos! 

- Sadie, isto é só uma brincadeira, em primeiro lugar. E depois, Caleb não vai querer que seu grupo perca, se ele ver algo suspeito de outro grupo, vai denunciar, estou errado, Caleb? 

- Não, senhor. Também quero a vitória. - Disse ele, com um sorriso convincente, Caleb é um bom mentiroso e eu nem sabia. 

- Muito bem, para os líderes do grupo Azul, Noah Schnapp, do grupo Amarelo. - Não contive uma gargalhada alta, Sadie não ia gostar muito disto e eu não podia evitar minhas palmas - Para os líderes do grupo Amarelo, Alicia Cohen, e por fim, para os líderes do grupo Verde, Max Thorton. - Sorri, alegre com as escolhas do professor, voltei então a cruzar meus braços - Os olheiros não precisam ficar perto dos líderes, pelo contrário, para evitar plágio, é preciso distância e ética... - Disse ele com um sorriso irônico - Os líderes terão apenas duas horas de cada dia para a realização de sua tarefa, então nestas horas os olheiros deverão apenas se certificar de que eles estão trabalhando sozinhos, sem o grupo, e no fim do horário os líderes me trarão o esboço da tarefa, ficará comigo até o dia seguinte. 

- Que rígido! - Gaten gritou e eu dei risada, concordando com a cabeça, mas achando aquilo tudo muito positivo pra mim. 

- Vocês são trapaceiros! - Sr. Dawson acusou com bom humor, nós rimos e ele sorriu, retirando seu óculos de grau - Alguma pergunta? - Ergui minha mão e, subitamente, todos se voltaram pra mim. 

- Qual o horário que os líderes de cada grupo poderão trabalhar na tarefa? - Eu quis saber. 

- Boa pergunta, sr. Wolfhard. - Disse o professor, assenti uma vez e esperei por minha resposta - Vocês podem escolher um horário entre vocês, o que for melhor para os dois, e vale lembrar que não precisam trabalhar 2 horas consecutivas, vocês podem trabalhar da seguinte forma, das 2 às 3 da tarde, e depois das 7 às 8 da noite, combinado? Só preciso que vocês me avisem e que os olheiros também sejam informados. 

- Certo, valeu. 

- Mais alguma pergunta? - Olhei para os lados, mas não houve respostas - Então vamos para a prova do dia, professora Hale. 

- Ok, crianças. - A professora tomou a palavra - A prova é o seguinte, temos 100 balões naquela piscina, o grupo ficará do lado esquerdo dela, e apenas um dos líderes ficará do outro lado com um saco. - Explicava, gesticulando excessivamente, eu acabava sempre me perdendo na frase - Um por um, do grupo, vai entrar, pegar um balão, jogar no saco e sair da piscina, até acabarem todos os balões, estão prontos? 

Sorri e assenti. Saí logo atrás do meu grupo até a borda esquerda da piscina, onde todos os outros estavam posicionados. Millie parou ao meu lado, cabisbaixa, talvez envergonhada, fingia estar distraída com o lenço que segurava entre a ponta dos dedos, ela não queria falar comigo, mas ela não tinha escolha, certo? 

- Quer que eu amarre no seu pulso? - Apontei para seu lenço, ela me olhou e voltou a olhar para o tecido vermelho. 

- Se quiser. - Disse simplesmente, sorri e estendi minha mão, então ela me entregou a dela com a delicadeza costumeira. 

- Você quer pegar os balões ou prefere ficar com o saco? - Questionei, dando um nó frouxo no lenço em torno de seu pulso, ela encolheu os ombros como quem não se importa. 

- O que você prefere? - Ergueu sua cabeça em minha direção, parecia um pouco mais segura de uma hora pra outra - Posso ficar com a piscina? - Pediu, sorri e concordei com a cabeça. 

- Tudo bem. 

Andei até o outro lado da piscina e segurei o saco grande de estopa, abrindo sua boca o máximo que pude, facilitando a colocação dos balões. O professor apitou, dando início à prova. Vi Bill saltar para dentro d'água e segurar um balão com as duas mãos, nadando rapidamente até a borda, estiquei o saco e ele o colocou lá dentro, então o ajudei a subir e assim outro membro do grupo fez o mesmo. Millie foi uma das últimas, saltou e nadou rapidamente até onde eu estava, emergiu e esticou-se, fiz o mesmo com o saco e ela conseguiu depositar seu balão ali, então apoiou suas mãos na borda e tentou erguer-se sozinha, dei risada e estendi minha mão, ela rapidamente a agarrou e se ergueu de lá, o tecido de seu macacão ganhara um tom mais claro, transparente, estava colado ao seu corpo, desenhando cada curva dele de forma perturbadora, suspirei alto quando me dei conta de que ela já estava do outro lado da piscina. 

- Vamos à contagem! - Disse o professor, segurando o saco do grupo Amarelo com uma mão, e uma agulha com a outra - Me ajudem... 1! - Começamos a contar, enquanto ele estourava, um a um, os 31 balões. 

O grupo Verde havia recolhido apenas 17, o Azul 27 e nós, consequentemente, 25. A equipe Amarela marcou os 10 pontos da primeira prova e as pessoas começaram a se dispersar, ir para seus bangalôs e se arrumarem para o jantar que já estava sendo servido, segundo Sr. Dawson. 

- Cara, você espera a gente no restaurante? Vamos precisar ir trocar de roupa, a nossa tá molhada. - Disse Caleb, torcendo sua camiseta. 

- Eu espero vocês aqui, mas anda logo! 

- Tá, a gente já volta. 

Caleb correu atrás de Noah e Gaten, logo eu estava sozinho, exceto pela presença do professor Dawson, cruzei meus braços e andei até ele devagar, certificando-me de que não havia ninguém por perto. 

- E então, sr. Wolfhard, o que achou da separação dos grupos? - Perguntou com um sorriso cúmplice, ri e assenti. 

- Muito boa, professor. - Entrei na brincadeira por um instante - Agora sério, obrigado pelo que o senhor fez, acho que não teria outro jeito de ficar perto dela. 

- Eu sei que não, espero que Caleb esteja disposto a ajudar. 

- Ele não vai atrapalhar. - Neguei com a cabeça, seguro. 

- Certo, eu vou jantar, você não vai? 

- Vou esperar os caras. 

- Ok, Finn, boa noite. 

- Boa noite, professor. 

Assim que ele se afastou, acerquei-me da borda da piscina, com as mãos na cintura, aproveitando o vento úmido que parecia soprar por ali. Olhei as ondas leves que água fazia, e no fundo da piscina notei um objeto branco, não tardei a reconhecer a flor que Millie trazia no cabelo mais cedo, provavelmente ela sequer notou sua perda. Olhei para os lados, não havia ninguém ali, suspirei, acho que me atrasaria para o jantar. 

- Finn? - Caleb perguntou assim que entrei pela porta de casa. 

- Vão indo, vou trocar minha bermuda. 

Os garotos foram à frente, como eu havia dito. Troquei meu bodyboard molhado por uma bermuda seca, xadrez em escalas de cinza, e coloquei um cinto de couro preto para segurá-la no quadril. Vesti a mesma camiseta que usava anteriormente, também os chinelos, agora apenas úmidos, e fiz meu caminho de volta até o restaurante. 

Assim que passei pela porta avistei a mesa de meus amigos, não satisfeito, busquei por outra, suspirei alto ao ver Millie sentada ao lado de James, que tinha seu braço colocado ao redor do encosto da cadeira dela, trinquei meus dentes e no caminho até lá controlei meu sistema nervoso, a ponto de explodir. Quando estava próximo o suficiente ouvi James dizer "Se ele fizer isso, acabo com ele". Então apoiei uma de minhas mãos sobre a mesa e o encarei com um sorriso. 

- Acaba com quem, James? - Ri debochado e coloquei a mão livre no bolso de minha bermuda. 

- O que você quer, Wolfhard ? - Ele quis saber, já se levantando. 

- Com você nada, não seja pretensioso. - Sorri divertido e me abaixei lentamente ao lado da cadeira de Millie, novamente seus seios subiam e desciam rapidamente, ela parecia assustada com minha aproximação - Achei isso. - Estendi sua presilha na palma da minha mão, ela sorriu sem jeito e a resgatou com a ponta dos dedos. 

- Obrigada. 

- Por nada. - Respondi com um sorriso sincero - Nos vemos às 9? - Ela me olhou como quem não entende - Para começar nossa tarefa, Gaten disse que ele e Suzy se encontrarão às 9, achei um bom horário. - Olhei pra Suzy por um momento e voltei meus olhos para Millie, ela parecia angelical naquele instante. 

- Tudo bem. - Concordou em um tom de voz quase inaudível. 

- Então a gente se encontra aqui em frente ao restaurante. 

- Wolfhard, se você ficar de graça... 

- Relaxa, Sadie . - Interrompi-a, me levantando - Você conseguiu o que queria, aliás, meus parabéns, ninguém sabe ser vadia como você. - Houve uma exclamação muda dos demais, sorri forçado e dei-lhe as costas. 

- VADIA É SUA MÃE! - Trinquei meus dentes, girei sobre meus calcanhares e, quando dei por mim, estava com meu indicador apontado frente ao rosto de uma Sadie ofegante. 

- Lava essa tua boca suja antes de falar da minha mãe, garota, pois faça o que quiser fazer, você nunca vai ser metade da mulher que ela é! - Setenciei entredentes, Sadie juntou toda sua petulância e se levantou, dando um tapa em minha mão. 

- Não mesmo, sou bem bonita pra ser comparada à metade dela. - Sadie respondeu, tentando, em vão, ser ofensiva. 

- Uau... Uau! - Bati palmas e soltei uma gargalhada alta, irônica - Sadie, você sabe mesmo como deixar alguém arrasado, vou até chorar. - Continuei rindo enquanto andava lentamente até minha mesa, ela havia sido muito infeliz, e ela não teria paz se dependesse de mim. 

Sentei, as coisas começavam a clarear de alguma forma. Bastava eu criar uma meta e então eu a alcançaria. Acho que eu precisava dos chacoalhões - no sentido literal da palavra - de Gaten para me lembrar que eu era melhor que isso e que eu podia resgatar um pouco de um Finn que eu deixei pra trás para merecer Millie, eu comecei a perceber, de repente, que ser um otário não a traria de volta e não era motivo para que eu me orgulhasse de mim mesmo. Lastimável perdê-la, mas seria muito gratificante recuperá-la. 

Depois do jantar, compramos um sorvete e fomos para a beirada da piscina, onde algumas pessoas estavam aproveitando para se refrescar, inclusive Caleb, ele tinha certa atração por água, qualquer balde e ele já queria molhar a bunda. 

O tempo parecia não passar, exatamente como quando Millie e eu namorávamos e faltava apenas uma hora para nos encontrarmos, era sempre a hora mais longa do dia. 

- Hey, caras, eu vou indo. - Saltei da cadeira assim que meu relógio de pulso marcou 20:52. 

- Vai, antes que você desenvolva um tipo de TOC de tanto chacoalhar a perna. 

É claro que Gaten não podia perder a oportunidade, ri forçado e fechei a cara antes de me afastar. 

Enquanto eu caminhava até lá, com minhas mãos escondidas no bolso da bermuda, eu sentia meu estômago revirar, como se protestasse a quantidade de comida ingerida, mas na verdade eu sabia que não passava de ansiedade. Eu sabia que eu podia colocar tudo a perder naquele primeiro encontro, bem como eu poderia consertar muita coisa, mas as porcentagens eram exatamente iguais e qualquer deslize ou palavra errada poderia desabar com a minha chance. 

O restaurante estava fechado, e suas luzes haviam sido apagadas, então a escadaria estava iluminada apenas por alguns holofotes acesos no jardim, pude vê-la sentada em um dos degraus, com a cabeça encostada no corrimão e os olhos perdidos em um ponto inexistente. Acerquei-me o suficiente para que ela pudesse notar minha presença, e então obtive sua atenção. Estava adorável, com seus cabelos amarrados em um rabo-de-cavalo, e uma roupa seca. 

- Oi. 

- Oi. - Respondeu ela, com indiferença. 

- Quer ficar aqui? Ou podemos ir procurar um lugar mais claro. - Sugeri, sentindo minhas bochechas arderem, como se eu estivesse envergonhado, mas eu não poderia estar, certo? 

- Vamos procurar outro lugar. - Deu de ombros e se levantou, saindo à minha frente, mordi meu lábio e a seguir. 

- E então, o que achou das tarefas, digo... Desse negócio todo de líder. 

- Legal. - Novamente indiferente e minhas bochechas queimavam, como se estivessem em chamas. 

- Também achei... Uma boa idéia. - Murmurei, mas no fundo eu sentia que ela não se importava com o que eu achava ou não. 

- Hm. - Suspirei e vi ela se encaminhar para um banco de madeira que ficava logo em frente à cerca de madeira, do outro lado havia apenas barrancos de areia e então, o mar. 

- O que vai ser? Poesia, composição ou teatro? - Perguntei ao me sentar ao seu lado, ela deixou os chinelos na grama e encolheu os pés sobre o banco. 

- Composição. Não é o que você faz? - Perguntou áspera, fechei meus olhos por um instante, apenas para controlar a vontade de deixá-la ali... Ou de beijá-la até fazê-la desistir daquela hostilidade. 

- É, eu gosto de compor. - Respondi com indiferença e relaxei contra o respaldar do banco. 

- Imagino, tem alguma composição sobre apostas? - Seu rosto virou-se em minha direção e um sorriso sarcástico desenhou-se em seus lábios, umedeci os meus, procurando uma resposta boa o suficiente. 

- Não. - Dei de ombros - Mas tenho algumas sobre arrependimento, se quiser ouvir. 

- Se ao menos fossem sinceras. - Continuava usando aquele tom que eu já detestava e não iria me acostumar nunca. 

- Ok, podemos fazer isso do jeito fácil, ou do jeito difícil. - Eu disse e me ajeitei no banco, olhando-a nos olhos - Podemos deixar nossas diferenças e mágoas de lado e ganhar os 40 pontos, ou podemos ficar discutindo sobre algo que nenhum de nós quer lembrar e afetar o grupo todo por isto. - Falei sem trepidar, Millie pareceu surpresa com minha atitude, mas logo se recompôs. 

- Perfeito, Wolfhard, vamos começar logo com isso. 

Millie logo cedeu à pressão dos meus olhos e desviou os seus para o mar. Eu não sabia se havia feito o correto, mas eu precisava deixá-la segura antes de começar a me explicar, se eu fizesse isso no primeiro dia, certamente ela não retornaria no segundo, ou se o fizesse, estaria preparada para me atacar de todas as formas possíveis. Respeitei seu silêncio e a única coisa que ouvia agora era as ondas se quebrando não muito longe dali, suspirei e fechei meus olhos, desfrutando da sua presença imóvel ao meu lado. 

Olhei para Millie , ela tinha o queixo apoiado em seus joelhos e os olhos fixos na vista à frente, seus cabelos levados fortemente para trás pelo vento, chicoteando suas costas e o respaldo do banco. Ela estava tão próxima de mim que eu podia tocá-la, mas tão longe que eu mal podia falar com ela. 

- Posso te fazer uma pergunta? - Me ouvi pedir e mordi meu lábio em seguida, reconhecendo que havia falado demais. 

- Uhum. - Respondeu sem me olhar, aproveitei disso para me sentir mais confortável. 

- Eu te fiz feliz? - Millie não se moveu, nada disse também, apenas piscou algumas vezes, lentamente. 

- Que diferença isso faz? Minha resposta vale uma palheta? - Respondeu sem hesitar, mas continuou a olhar pra frente. 

- Eu te fiz feliz? - Repeti uma vez mais e o faria até obter uma resposta, positiva ou negativa. 

- Por que quer saber? - Virou-se pra mim, com os dentes trincados - Isso não muda nada! 

- Muda pra mim! - Afirmei, ela tornou a olhar pra frente, notei que seu queixo tremia, eu não queria fazê-la chorar de novo, mas eu precisava saber - Vou te perguntar uma última vez, e se você não responder vou considerar como um não. Está bem? - Nem um gesto partiu dela - Eu te fiz feliz? - Traguei com força a bolha de saliva presa em minha garganta, ela não ia me responder - Eu te fiz feliz aquela noite antes que Sadie estragasse tudo? 

- Você estragou tudo! - Ralhou - Será que não vê? 

- Eu te fiz feliz antes disto? Eu quero saber se antes de você chorar tanto por minha causa... Se por um momento, um único momento, eu te fiz sorrir com os olhos. 

Eu falava com a entonação embargada, esperando que ela não notasse o desespero que parecia se propagar em meu peito. 

- Eu... Não quero falar sobre isso e se você quer deixar mágoas e diferenças de lado, podemos começar agora. 

- Ok, eu entendi. 

Calei-me. Eu não ia pressioná-la, até porque eu não havia nada mais a dizer. Se ela preferia ser infantil, eu deixaria que ela fosse sozinha. Eu não entraria em seu jogo a menos que fosse pra ganhar, e pra isso eu precisava ser cuidadoso. 

Peguei o bloco de papel e a caneta que eu trouxe no bolso, olhei para as linhas em branco e rabisquei o canto da folha enquanto pensava em algo bom o suficiente pra escrever. 

- Finalmente, se nós pudermos apenas ter algum tempo, então você poderia conversar comigo... - Eu senti seus olhos sobre mim enquanto eu lia o que havia sido escrito e reescrito algumas vezes - Você não consegue ver que não temos tempo para desperdiçar nossas vidas? - Terminei de ler e mordi meu lábio, eu não diria que tinha ficado ruim, mas retratava minha realidade, e esta não estava nada boa, o que resulta em tristeza, no final das contas. - Você entrega? - Perguntei deixando o bloco de notas ao meu lado, então me levantei. 

- Aonde vai? 

- Boa noite, Millie. 

Eu precisava sair dali antes que ela reconhecesse meus olhos marejados. Eu não gostava que as pessoas me vissem sofrer daquela maneira, umas porque teriam pena de mim, mas no caso de Millie, ela provavelmente se sentiria satisfeita e eu não permitiria nenhum sorriso dela sobre minhas lágrimas. Eu não sabia bem porque estava me sentindo daquela forma, mas eu precisava ficar sozinho, foi então o que fiz. Arrastei-me até o bangalô, vazio, como eu esperava, e subi até o quarto. Retirei minha camiseta e me dei a permissão de fuçar nas coisas de Caleb até encontrar o creme que ele iria me emprestar, despejei uma boa quantidade em meus ombros e nas bochechas, talvez toda a ardência que eu havia sentido fosse efeito do sol. Certo, não enganei a ninguém. 

Peguei meu iPod e desci, lancei-me contra o sofá, que pareceu me abraçar. Dali eu podia olhar o quiosque através da parede de vidro, dando-me uma sensação de conforto indecifrável. Coloquei os fones em meus ouvidos e por ali fiquei, sentindo-me seguro. Não havia mais vontade de chorar, apenas de ir pra casa, mas antes que eu planejasse qualquer coisa, adormeci.





Notas Finais


Convenhamos que o professor Dawson é tudo né? Quem não queria um professor desses pelo amor de Merlin, enfim espero que tenham gostado, podem comentar bem muuuito, eu amo ler cada comentário e responderei cada um com muito carinho.
Aliás, comentem o que estão achando dessa nova fase do Finn e a Millie, vocês acham certo o que ela está fazendo?
#JamesBabaca


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