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História A Aposta - Capítulo 12


Escrita por: YndiMacedo

Notas do Autor


E surge o rival do Piero. Sr. Oscar Isaac. Aqui eu emprestei o nome e a imagem, mas trata-se de um personagem que nada tem a ver com o verdadeiro Sr. Isaac. Esperem a reviravolta da Scarlett. Ela vai dar trabalho pra Chiara e principalmente pro Oscar, mas ambos vão convencer a ruivinha. Enquanto isso, Piero está numa fase emocional nada boa, sem conseguir esquecer a namorada sumida no mundo. Este capítulo é curtinho, é a apresentação do Oscar no contexto. Esta é uma história para quem ainda acredita em contos de fadas. Chiara é a fada madrinha e Oscar seria "o fada padrinho", ou como quer que se chame. A gata borralheira sempre foi uma das minhas favoritas.
Boa leitura.

Capítulo 12 - Oscar


Fanfic / Fanfiction A Aposta - Capítulo 12 - Oscar

O Caribe era um lugar de sonhos. A despeito de seu estado depressivo, Scarlett não teve como não se maravilhar com as águas claríssimas, os dias quentes e ensolarados e a hospitalidade de Punta Cana. Bem, talvez dias um pouco quentes demais para uma londrina e com a pele tão clara. No primeiro dia aproveitaram pouca coisa, pois estavam ocupadas com check up, onde comer, etc. No segundo dia, Chiara arrastou Scarlett para umas compras. A ruiva resistiu, mas Chiara foi firme.  

- Você precisa sair desse luto pelo Piero. Nada como dar uma repaginada no visual. Você disse que não tinha roupa para o Caribe e pelo jeito não tem mesmo. 

- Não posso gastar muito, Chiara. Estou desempregada, lembra? 

- Não vamos nos exacerbar. Só umas coisinhas... 

Chiara e Scarlett voltaram cheias de pacotes para o hotel. Foi um custo fazer a ruiva escolher modelos mais claros e mais condizentes com seu manequim e idade.  

- Não gosto de mostrar meu corpo...  

- Você não está comprando nada indecente. Roupas para lugares tropicais são assim mesmo, mais alegres e decotadas. Não está nada exagerado, bambina! 

  No terceiro dia, foram à praia bem em frente ao hotel. Scarlett passou tanto bloqueador solar que seu corpo quase brilhava. Ela estava totalmente não à vontade no biquíni que Chiara a obrigara a comprar. Scarlett tinha escolhido um maiô adequado para uma senhora de 70 anos do início do século XX. Chiara arrancara a peça horrorosa das mãos da jovem e a fizera experimentar alguns biquínis. Por fim, a ruiva escolheu um pretinho que para ela era muito revelador.  

- Está linda! - Disse Chiara ao vê-la, no provador.  - Nossa Scarlett, você tem um corpo bonito. Só está muito magra, bambina. - observou a mulher.  

  Agora, na praia, Scarlett queria desaparecer, parecia que o mundo inteiro olhava pra  ela.  

- Bobagem, Scarlett. - Chiara riu – As pessoas estão se divertindo. Não estão nem aí pros outros. Ok, talvez um ou outro cara possa te dar uma secada, mas isso também é normal. Você não é uma freira, bambina.  

Scarlett e Chiara estavam em duas espreguiçadeiras debaixo de um guarda-sol, ambos alugados ao hotel. Chiara usava uma mini canga amarrada à cintura e Scarlett pensou que sua amiga estava muito bem para uma cinquentona. Parecia bem mais jovem. Ela escolhera uma canga comprida e nas cores mais discretas que encontrou. As duas amigas conversavam, tomando água de coco, quando, de repente viram um homem saindo da água. Era uma visão e tanto: estava bronzeado, tinha os cabelos bem escuros, um corpo invejável. Ele andou na direção das espreguiçadeiras. Chiara riu. 

- Ele está vindo pra cá... ai, ai ai, se passar perto de nós vou puxar assunto... 

- Chiara, pelo amor de Deus. É um estranho...  

- Deixe de ser boba, Scarlett. Ai, Madona Mia. Está mesmo vindo nesta direção. 

Scarlett não gostava do temperamento atirado da amiga italiana. Graças à repressão dos pais, a ruivinha era muito enrustida. Tinha medo das pessoas. O homem se aproximava mais e a ruiva começou a se inquietar. Ele se parecia muito com alguém que conhecera recentemente. O convidado invasivo e abusado da casa de Paolo e Cesco. Quando o homem estava bem perto, Scarlett arregalou os olhos. Era o próprio! Mas o que raios estava fazendo ali?! Ela encolheu-se na espreguiçadeira e trocou os óculos de grau pelos óculos escuros. Com sorte ele passaria pelas duas sem notá-las. 

Chiara, porém, tinha outros planos. Quando o homem passava bem do seu lado, ela chamou sua atenção, em Inglês. 

- Sir, what time is it? (*Senhor, que horas são?) 

- Almost  noon ... (Quase meio dia) respondeu ele com um sorriso simpático. Chiara ia dizer algo mas viu que o olhar do homem se dirigia à moça ao seu lado. Ele parecia surpreso. 

- Senhorita sem nome? 

Scarlett tentou encolher-se mais, diminuir para o tamanho de um micróbio, se possível fosse.  

- Vocês se conhecem? - Chiara olhou de um para o outro. O sorriso do homem se alargou. 

- É você sim... - ele olhou para Chiara – Nos conhecemos em Chianalea di Scilla, na casa de Francesco Biagi.  

- Que mundo pequeno! - Chiara riu. - Scarlett, não me contou que tinha conhecido alguém. 

- E não conheci. O senhor Oscar e eu apenas trocamos meia dúzia de palavras. - Scarlett evitava olhar para o homem. Ele riu. 

- Ora, lembra do meu nome. E agora eu sei o seu, graças à sua amiga. - Oscar piscou. - Miss Scarlett. 

 Os três falavam em inglês. Chiara com o sotaque Italiano, Oscar com um ligeiro acento espanhol, mas falava muito bem. Scarlett puxou a aba do chapéu para proteger o rosto. Oscar estava claramente interessado em Scarlett, notou Chiara.  

- Eu tenho uma ideia. - disse Oscar. - Que tal almoçarmos juntos. Conheço um restaurante excelente, aqui. Gostam de frutos do mar? 

- Adoramos! - Chiara apressou-se a responder. - Aceitamos! 

- Ótimo! Estão em que hotel? 

- Neste aqui! - Chiara apontou para o hotel bem atrás deles. 

- Ok. Venho buscá-las a uma da tarde! Até mais, senhora... - ele dirigia-se a Chiara. 

- Chiara Donatti. Sem o “senhora”. Só Chiara.  

- Muito bem, até mais Chiara e Miss Scarlett.  

Scarlett resmungou um até logo que fez Oscar quase gargalhar. Quando ele se afastou Chiara olhou para Scarlett. A jovem estava furiosa. 

- Não tinha nada que aceitar o convite dele! 

- Por que não?! Um gato desses e obviamente interessado em você!  

- É um estranho! Ele estava na casa do Francesco e do Paolo. É um abusadinho que deve se achar irresistível!  

- Scarlett – Chiara riu – Ele É irresistível.  

- Bem, não gostei do jeito dele. Você vai sozinha a esse almoço. 

- Ah, essa é que não! Nem que eu tenha que te arrastar pelos cabelos! Hora de sair da casca, garota! Não pode viver o resto da sua vida como um avestruz, com a cabeça enfiada na terra! 

Scarlett e Chiara tiveram uma bela discussão, da qual Chiara saiu vencedora. De mal grado, a ruiva colocou um vestido leve e florido que Chiara comprara pra ela. O tecido era branco com delicadas estampas de flores. Teimosamente, Scarlett manteve os cabelos presos num rabo de cavalo bem esticado. E usava os óculos enormes, a cara lavada, nem mesmo um gloss incolor.  

Oscar veio buscá-las em um carro esporte prata, belíssimo. Scarlett imediatamente lembrou-se de Piero e sua paixão por velocidade e carrões. Aquilo não era um bom sinal, pensava a moça.  

O restaurante que oscar escolhera era intencionalmente rústico, mas os preços eram de tirar o fôlego. A preocupação deve ter se estampado no rosto das duas mulheres, porque Oscar disse:  

- O almoço é por minha conta.  

Scarlett abriu a boca para protestar, mas Chiara deu-lhe um chute na canela e a jovem não disse nada.  

- Obrigada, Oscar. - Chiara agradeceu.  

  Para Scarlett estava sendo difícil escolher. Ela não tinha o menor costume de comer frutos do mar. Oscar sugeriu Keri-Keri,  preparado com peixes brancos. Entre eles, a barracuda ou o tubarão. As iscas de peixe são salteados na manteiga com legumes como o tomate, aipo e pimentão, tudo temperado com muito manjericão, pimenta e urucum. Ele pediu um delicioso vinho branco, mas Scarlett quis um refrigerante, recusando-se a beber álcool. 

A conversa durante a refeição foi basicamente entre Chiara e Oscar. Scarlett mantinha-se quieta e casmurra. Oscar não se dava por vencido. Chiara, que agora tinha certeza que ele estava interessado em Scarlett, fez bastante perguntas sobre a vida dele. Oscar era empresário do ramo da moda. Quando ele disse o nome da griffe, Chiara quase caiu para trás. Era mundialmente famosa e contava não apenas com vestuário, mas com perfumes, calçados, bolsas, carteiras... 

- Sua marca é um dos meus sonhos de consumo! - disse Chiara. - Um dia compro nem que seja um lenço! 

- Temos loja aqui em Punta Cana, mas é mais voltada para moda litorânea. Vocês precisam ver a filial em Roma. Aliás, também temos negócios em Milão, Turim, Firenze... estou abrindo mais uma loja em Nova York. Aliás, quando vocês vão embora daqui de Punta Cana? 

- Mais dois dias, só. - Chiara deu de ombros, suspirando.  

- Isso me alegra. No próximo sábado é a inauguração. Gostariam de ir comigo? - ele sorriu um daqueles sorrisos que derreteriam um iceberg. Menos Scarlett. Ela levantou-se bruscamente. 

- Já chega disso. Chiara, estou lá fora esperando você. Senhor Oscar, agradeceria se me mandasse a minha parte da conta através da Chiara. Com licença. 

- Ela se retirou, deixando Chiara e Oscar mudos e atônitos. 

- Desculpe, Oscar. Acho que me precipitei aceitando este almoço. - Chiara suspirou. - Não leve Scarlett a mal. Ela está passando por um momento difícil. Eu a arrastei aqui para o Caribe, estou tentando de tudo, mas... 

- Não se preocupe. - Oscar deu um sorriso compreensivo. - Eu percebi que ela vive na defensiva, já na Itália, mas sou um homem que não se detém quando vê uma promessa. 

- Promessa? - Chiara franziu a testa.  

- Meu trabalho é lidar com moda e beleza. Desde a primeira vez em que vi a Scarlett, vi mais que uma garota desengonçada, uma “nerd”. Eu vejo além daqueles óculos absurdos, das roupas largas, do cabelo descuidado. Eu não sei ainda o porquê, mas Scarlett não se cuida para se proteger. Ou por algum outro motivo. Mas, eu tenho certeza que atrás da couraça tem uma mulher linda e um ser humano sensível.  

- Oscar, você andou investigando a Scarlett? Praticamente resumiu a personalidade dela.  

- Não. Só a personalidade que ela criou ou que foi criada para ela. - respondeu Oscar.  

- Eu só sei que os pais dela são muito rígidos. - Chiara balançou a cabeça. - E para completar... bom, não sei se devo te contar. 

- Por favor. Creia-me, não vou machucar essa moça.  

Chiara avaliou bem o homem a sua frente. Parecia sincero. Assim, a mulher contou-lhe, sem muitos detalhes, sobre a decepção de Scarlett com Piero. 

- Eu não conheço esse sujeito a não ser por sua fama no mundo da música. Lamento a cafajestagem que fez com Scarlett. Isso só aumentou os escudos de defesa dela. - Oscar pegou as mãos de Chiara. - Por favor, me ajude a convencer essa moça a irmos para Nova York. Eu posso ajudá-la a recuperar a autoestima. Talvez conquistar uma, porque pelo que você fala ela não é nada confiante.  

- Bom... - Chiara ficou em dúvida. Aquilo era loucura demais até pra ela.  

- Chiara, você é esteticista. Eu, do mundo da moda. Você tem as ferramentas, eu tenho ferramentas e dinheiro. Pode me chamar de doido, mas alguma coisa nessa moça me atraiu e me sensibilizou. Desde que a vi chorando sozinha na noite de Natal. 

- Oscar, não sei se ela vai querer algo com você. Ela está muito machucada... - Chiara foi totalmente sincera. 

- Eu não me importo. Não estou fazendo isso para atraí-la para minha cama.  Conheço muitas mulheres que me dariam menos ou nenhum trabalho.  

- Acredito. - Chiara recostou-se na cadeira, ponderou pro um momento. - Olha, eu te ajudo. Mas se eu perceber que essa menina vai se machucar de novo, fim de papo. E nem toda a sua segurança vai me impedir de te dar uma surra. 

- Oscar riu e estendeu a mão para Chiara. 

- Parceiros? 

Ela apertou a mão dele. 

- Parceiros. 



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