História A arma da bailarina - Capítulo 34


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Categorias Once Upon a Time
Personagens August Wayne Booth (Pinóquio), Cora (Mills), Daniel, Emma Swan, Ingrid / Rainha da Neve / Sarah Fisher, Malévola, Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Ruby (Chapeuzinho Vermelho), Will Scarlet, Xerife Graham Humbert (Caçador), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Emma Swan, Ouat, Policial, Regina Mills, Swanqueen
Visualizações 195
Palavras 10.498
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, FemmeSlash, LGBT, Literatura Feminina, Mistério, Orange, Policial, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


🐝🐝🐝ATENÇÃO🐝🐝🐝

Este capítulo contém violência física, verbal e psicológica. Mutilação, drogas, sangue e morte explícitas. Se isto é gatilho para você, NÃO LEIA.

***

“A maior arma que alguém pode usar contra nós, é nossa própria mente. Aproveitando-se de dúvidas e incertezas que ali se escondem. Somos verdadeiros com nós mesmos? Ou vivemos pela expectativa de terceiros? E se formos acessíveis e sinceros, poderemos algum dia ser realmente amados? Poderemos encontrar coragem para liberar nossos segredos mais ocultos? Ou no final, somos todos incompreensíveis até para nós mesmos?”

- Revenge (série).

Capítulo 34 - The truth about Daniel and Emma


O engarrafamento estava péssimo naquela manhã e isso enraiveceu Zelena, pois precisava chegar em casa o quanto antes para dizer a irmã sobre Daniel. A cada minuto que permaneciam dentro do carro, era um risco para Regina. O motivo do engarrafamento era que as saídas da cidade foram bloqueadas pelo FBI e muitos voos foram cancelados devido ao fechamento do aeroporto, gerando então, o congestionamento. Ninguém entrava e muito menos saía da cidade.

Acharam coincidência o FBI na cidade logo naquela manhã. Era raro eles serem chamados, já que os crimes cometidos eram geralmente pequenos. Certamente ocorria uma grande operação e tudo progredia rápido demais.

Havia muitos helicópteros, alguns tão baixos que o som chegava a ser insuportável e os agentes tão bem equipados, estavam em posição de ataque. Os grandes carros e vans da polícia passavam em fileira pelo acostamento e não dava para contar quantos porque parecia não acabar nunca. As ruas da cidade foram literalmente tomadas em questão de segundos. Ambulâncias e corpo de bombeiros também circulavam. Nunca, na história, Oregon estivera tão agitada.

Todas as escolas foram obrigadas a dispensar os alunos para proteção dos próprios, principalmente a escola de Grace. A menina estava bastante preocupada porque não parava de receber mensagens, sequer conseguia mexer no celular de tão sobrecarregado.

Como ainda estava perto de casa, resolveu com Pedro que voltaria andando porque pressentia que a mãe precisava de si. Diante da agonia no olhar da namorada, ele nada pôde fazer, aliás, Grace voltaria da mesma forma. Pediu apenas que desse sinal de vida quando chegasse. Demoraria para que pudesse fazer o retorno.

- Me preocupo…- acariciou o rosto da menina e a olhou nos olhos. Gostava tanto de Grace que o coração apertava ao vê-la angustiada.

Grace sentia fortemente que Regina precisava dela, sentia que aquela confusão envolvia a sua família e sabia, bem lá no fundo do coração, que Emma havia ido embora. Era como se compartilhasse o mesmo coração com suas mães.

- Pedro…- segurou a mão em seu rosto e fechou os olhos ao respirar fundo, soltando as palavras sem pensar. - Eu amo você.

Dito isto, abriu a porta do carro e partiu, deixando-o com o coração na boca, tanto pelo que ouvira, tanto por preocupação. A observou atravessar para o outro lado da pista, passando entre os carros com certa pressa. Estava uma movimentação na calçada, pois outras pessoas voltavam para casa visto que não chegariam ao trabalho, mas, mesmo assim, era inconfundível aqueles longos cabelos escuros ao vento no meio da multidão.  

Percebeu que algumas pessoas estavam sendo revistadas e com ela não foi diferente. Uma mulher, uniformizada de forma diferente das dos agentes, a pediu que parasse. Ela usava um terno e óculos escuros. Pediu que entregasse a mochila, assim, Grace o fez. A observou mexer na mochila e estranhou o fato dela olhá-la por cima do óculos, com as sobrancelhas arqueadas. O semblante dela era duvidoso.

- Grace Mills? - perguntou, devolvendo a mochila. Havia visto a carteira de identidade e motorista da menina.

- Sim, senhora. Algum problema? - a mulher olhou mais um tempo para a garota e negou a cabeça.

- Nenhum...Está liberada. - sorriu fraco e Grace agradeceu.

Desconcertada, continuou andando. Algumas vezes olhou para trás e a mulher continuava encarando-a até que se tornasse um mistério ao meio de outras pessoas. Quando enfim saiu da confusão, fez o melhor que sabia fazer: correu.   

A corrida levou quinze minutos. Chegou cansada, suada e esbaforida, abrindo a porta da mansão tão bruscamente que o som assustou Cora e Ingrid que estavam na cozinha.

- Grace, que susto! Por que a correria? - Cora aproximou-se preocupada com a menina.

- Onde está a minha mãe? - nervosa, largou a mochila no chão sem dar muita ideia para a avó.

- Está no quarto, querida. O que houve? - dessa vez foi Ingrid quem perguntara.

Grace não respondeu. Foi direto ao quarto da mãe, deixando as duas na sala sem entender nada. Ao entrar, encontrou a mãe aos soluços, com o diário em mãos. Regina não aguentou ler muitas páginas. A carta por si só, já havia deixado-a arrasada. Queria ouvir sair da boca de Emma, tudo o que estava escrito ali. Pensava que, se Emma teve coragem de mentir, tinha coragem de dizer em voz alta.

Grace soube, no momento em que a mãe a olhara, que a vida delas acabara de mudar drasticamente mais uma vez. Era notório e palpável o quanto Regina estava abalada e muito confusa com os sentimentos. Tinha de manter-se firme para ajudá-la, fosse o que estivesse ocorrendo entre ela e Emma.

- A Emma foi embora? - deu curtos passos para dentro do quarto. Seu coração batia forte.

Regina não conseguia dizer muita coisa, também não sabia o que pensar. Não encontrava palavras certas para dizer em voz alta que Emma havia ido embora. As lágrimas que molhavam a face passaram de tristeza para raiva, mas Grace ainda esperava respostas e não havia nada melhor que um diário para respondê-la.

Grace leu a página aberta, balançou a cabeça e por mais que estivesse triste, havia o outro lado da história, um motivo para Emma ter feito aquilo, então não tiraria conclusões e nem pensamentos precipitados. Ao contrário da mãe, sabia ter controle das emoções quando necessário. Já Regina, se deixava levar na maioria das vezes.

- Deve ter alguma explicação, mãe…Espere conversar com ela antes de lamentar. - jogou o diário na cama e afundou os dedos no cabelo, pedindo forças a Deus para que não desabasse. Amava as duas igualmente, mas, em todo caso, era ao lado de Regina que estaria, por mais que seu coração dividisse-se ao meio para cada uma. - Não tem ideia de onde ela possa ter ido?  

- Este papel estava dentro. Fiona a entregou no dia do evento. - soltou um longo ar. Agora precisava esvaziar a mente e focar em achar Emma. - É o endereço de nossa antiga casa…- outro ponto que não gostou nada foi de saber que, a sua antiga casa, que ficara sob o controle de seu pai, fora dada nas mãos de Fiona sem que fosse consultada. - Precisamos ir até lá, agora.  

- Você não consegue andar sem sentir dor, mãe. - balançou a cabeça. - A senhora não vai sozinha.

- Há dores maiores nesse momento e por mais que esteja chateada com a Emma, não ficarei sentada ouvindo as reportagens sobre o caos lá fora, esperando receber notícia de que ela está morta. - disse séria. - Escute. Abaixo do tapete do meu quarto há um piso falso. Pegue a mala que está lá.  No meu armário, pegue dois uniformes, os coletes, as botas e a chave do carro blindado.   

Grace saiu correndo escada acima e fez como a mãe ordenou. Deu o próprio jeito para carregar as coisas nos braços e tão logo voltou ao quarto, encontrando-a, dessa vez, tentando levantar-se por conta própria, resmungando de dor. Regina fechava os olhos pelas fisgadas que sentia no pé. Poderia fazer aquilo, dizia para si mesma, pois estivera em situações piores durante operações que participara na época que ainda trabalhava.

- Vista-se. Você irá dirigir!  - a chave que Grace a entregou, recebeu de volta, sem acreditar que finalmente ia dirigir.

Regina não pôde deixar de sorrir para a animação, mesmo que contida, da filha. Tinha certeza que ela explodia por dentro. Tinha noção do perigo que seria levá-la consigo, mas não havia outra opção. A filha era a única pessoa que confiava de olhos fechados. Além disso, Grace fizera curso de tiro e defesa pessoal. Era hora de pôr em prática.

Precisou da ajuda da filha para vestir-se. Na maleta haviam três armas carregadas, uma, deu para a filha, depois de dizer tudo o que a menina já havia aprendido no curso, reforçando que deveria obedecê-la, e as duas outras ficaram consigo. Regina não estava tão certa do que encontrariam ao chegar na casa. Fiona se mostrara capaz de fazer o que fosse para machucá-las e, talvez, aquilo poderia ser uma armadilha para Emma. Decerto, sabia que estava mexendo com pessoas perigosas, desde o início da investigação que inciara por conta própria. Sua intenção era achar Emma, depois lidaria com o resto mesmo que fosse a última vez em que olhasse naqueles olhos claros.

Regina optou pelas muletas, após pôr as armas na barra da calça, assim como a filha fez. Com a ajuda dela, deixaram o quarto e Grace achou melhor apanhar o diário, visto que a avó as encheria de perguntas.

- Regina, não sairá antes de dizer o que está acontecendo! - assustada ao ver a filha com o uniforme que usava para treinar, Cora a interrompeu. - Precisa conversar comigo. - disse séria. - Não a deixarei sair sem me dar satisfação sobre essa confusão.  

Regina olhou tanto para a mãe quanto para Ingrid e respirou fundo. Não estava com tempo e nem paciência para mais drama, mas entendia a preocupação de ambas. Aliás, Cora nunca deixara de sentir medo de perder a filha todas às vezes quando ela saía de casa, principalmente quando era para alguma operação. Agora, vendo-a séria e fria, com sangue nos olhos, lembrava-se do sentimento de angústia que vivera desde o dia em que Regina segurou uma arma pela primeira vez e jurou servir o estado e a proteger pessoas que sequer conhecia. Visto que Cora não a deixaria sair sem uma razão, Regina pegou o diário da mão da filha e o jogou na mesa de centro.  

- A Emma tem respostas melhores que eu. - levantou o olhar. - É o diário que a sua filha deixou antes de partir. - olhou para Ingrid. - Vou atrás dela e a Grace irá comigo. Vocês precisam ficar e esperar por Zelena. - olhou firmemente para ambas, deixando claro que era uma ordem. - Se até a noite não voltarmos, por favor, falem com a Ruby ou Zelena e não abram o portão para ninguém. - disse por fim, pondo-se a andar.

- Regina!…- Ingrid chamou, tão entristecida pelo olhar magoado que recebeu. -...O que quer que seja isto, sinto muito. Não sei o que está acontecendo com a Emma... - os olhos de Ingrid pingaram. - Voltem para casa, por favor.

- Farei o possível. - deu as costas, sem dizer mais nada.

Fechou os olhos e quando os abriu, já estava sentada. O trânsito no sentido ‘subir’, estava menos congestionado que antes e havia também caminhos que facilitariam a chegada.

Grace, assim que se viu em segurança, pisou no acelerador. Não lembrava muito bem a estrada para a sua antiga casa, mas Regina estava guiando-a e observando a movimentação ficar um pouco distante conforme o carro corria. Seus olhos refletiam os helicópteros que sobrevoavam e a dor de ter o coração machucado. Uma mentira matava mais que uma arma.

***

- Achei que fosse mais inteligente, Emma Swan. - ainda na mira, Fiona continuava sentada, olhando-a de modo desafiador.

- Não ia deixar a cidade e Regina tão fácil só porque mandou recados por Sônia. Tudo tem um preço e cá estou. Não sabe do que sou capaz de fazer para proteger a Regina. - disse séria, adentrando mais. - Tenho um objetivo e o cumprirei.

- Aquelas duas não serviram pra nada mesmo e eu avisei para o Daniel. Tanto que...- ignorou completamente todo o resto que Swan dissera.

Olhou para o canto da sala, demonstrando desprezo. Sônia estava com o corpo mutilado e as roupas rasgadas devido aos cortes. Estava com os olhos e a boca aberta, a cabeça meio torta e os braços abertos sobre a própria poça de sangue. Sobre o seu corpo, estava o de sua irmã. Beth tomou dois tiros na cabeça e tinha vários cortes pelo pescoço. Também estava de boca e olhos abertos.

Emma não teve reação. Conhecia o tipo de gente com quem Fiona trabalhava e com quem lidava, então, resultado como aquele, infelizmente, era esperado. Mas uma dúvida persistia em sua mente. Por que Fiona, podendo ter uma vida feliz, resolveu vender a própria dignidade a troco de nada, sabendo que uma hora ou outra, o caminho ficaria estreito.

- Por que? - aos seus olhos, Fiona estava tão cega de amor que sequer percebia ser usada pelo Daniel. - Não percebe que está sendo manipulada? - Fiona não suportava olhar para aquele nariz empinado e nem ouvir a voz de Emma, tanto que apertava as mãos com raiva. - O Daniel não ama você, ele ama o trabalho que faz para ele. - balançou a cabeça. - Não vê que o seu destino é solitário e dentro de uma cela?

- Não diga o que não sabe! - disse alto, levantando-se com raiva e totalmente descontrolada. - A Regina tirou tudo de mim!

- Você nunca teve nada, Fiona. - disse cansada das pessoas culpando Regina por tudo. - No fim, ele te deixará sozinha e de nada terá valido o que fez para ficar com ele e serem felizes como imaginou. Ele não a ama de verdade.

Ouvir aquilo foi a gota d'água para Murray. Com todo ódio e raiva, tanto por Regina quanto pelo jeito arrogante e convencido de Emma ao dizer tais palavras, avançou sobre ela, fazendo com que a arma saísse de suas mãos e fosse parar perto do sofá. Na sala ainda haviam várias caixas e móveis cobertos por conta da mudança. Emma rolou ao chão, tentando tirá-la de cima de si, mas Fiona estava tão tomada pela raiva que ganhara força. Se debateram e se machucaram como puderam, até que Fiona a imobilizou contra o chão, apertando com força o pescoço em suas mãos, na intenção de matá-la ou quase isso.  

- Estava tudo bem até você aparecer nesse inferno dessa cidade! - berrou. Emma, por mais que se debatesse, não conseguia tirá-la de cima de si, tampouco apanhar a arma. - Se não fosse você e a infeliz da Regina, eu e o Daniel estaríamos felizes nesta casa, mas desde o dia que surgiu, a nossa vida tem sido um inferno! - disse com ódio nos olhos.

- Essa era a intenção…- riu, ao enrolar os dedos no cabelo de Fiona e puxá-lo com força e raiva, fazendo-a soltá-la.

Emma a jogou para longe de si com toda força que tivera, fazendo-a bater a cabeça fortemente no chão. Apanhou a arma novamente e apontou. Estava com falta de ar devido ao aperto no pescoço. Levantou-se com dificuldade, respirando forte, com os cabelos grudados a testa suja de sangue enquanto Fiona tentava se recuperar da batida.

- Me diz onde ele está, Fiona! Estou dando uma única chance para você.

- Não negociarei com você, Swan. - a arma que fora usada para matar Sônia, estava no chão, ao lado da poltrona onde estivera sentada.  

Ainda ao chão, sentindo o sangue pingar de sua cabeça, encarou Emma com fúria. Seu rosto estava vermelho, suas veias do pescoço estavam saltadas e bufava como um animal. Até que em seus lábios nasceu um sorriso maldoso. Emma não teve tempo de processar, apenas se jogou no chão e trocou tiros com Fiona, acabando por acertá-la.

O corpo de Fiona impulsionou para frente quando a bala atravessou o seu peito. Tentou atirar mais uma vez em Emma, mas as balas acabaram. Um silêncio pairou sobre a sala no momento que se encararam. Fiona gemeu alto ao levar a mão ao peito e Emma chorou, pois sua intenção era acertá-la no braço. A blusa de Murray tão logo manchou-se.

Devido o som alto das balas, Emma ouvia um zumbido ensurdecedor que a deixou tonta, impedindo-a de ouvir os passos próximos de Daniel atrás de si. Teve um grande descuido em esquecer de fazer a própria guarda. Mal recuperou o ritmo normal da respiração e perdeu os sentidos. Daniel pressionou um pano com uma substância contra a sua face que a fez apagar por completo.Com cuidado, ele a deitou no chão e prendeu as mãos e os pés, de modo tão frio.

Apesar da dor que sentia, Fiona riu, cuspindo sangue ao ver Swan apagada no chão. Seus olhos levantaram-se para Daniel que mostrava-se frio diante de si, como se não se importasse com o seu peito ferido.

- Daniel...me ajude. - observou que ele arrastou um pouco o corpo de Emma para fora da sala e preocupou-se com a forma que foi encarada. - Me ajude...querido. - disse com dificuldade, desesperando-se. Daniel estava muito frio e os olhos dele tinham outro brilho. - Daniel!...- disse ao gemer em dor.

Daniel, com toda frieza e calma, apanhou a arma de Emma que ainda tinha balas e puxou o gatilho, apontando para a mulher que implorava em meio a choro e gemidos de dor, por ajuda. Fiona não entendia o porquê dele ter mudado tanto de uma hora pra outra, se antes de Emma chegar, haviam combinado de fugir juntos, mas ele sabia que não seria bem assim. A realidade era diferente dos bonitos sonhos que Fiona tinha ao seu lado.

- Isso não foi o combinado... - disse em meio ao choro. - Não pode me abandonar agora que espero um filho seu...não pode fazer isso conosco, Daniel…- chorou tão intenso que doeu a garganta. - E os nossos planos? Por favor, não nos deixe agora…- soluçou, perdendo a voz.

- Pode ser que no início do nosso relacionamento, eu realmente gostasse de você, mas não tanto quanto ainda amo a Regina. - Fiona chorou mais alto. - Queria me satisfazer e você serviu para tal...Tão apaixonada, frágil e tola! - Fiona fechou os olhos com força. Seu peito estava ferido de todas as formas possíveis. - Pouco me importo com vocês. Eu quero a Regina de volta e a minha filha também.

Daniel atirou, uma, duas e três vezes. Fiona morreu olhando em seus olhos, implorando por ajuda. Devagar, o corpo caiu para o lado. Ela sequer proferiu som devido tamanha dor, apenas deitou e sentiu o próprio sangue inundá-la a volta até não sentir mais nada. Três tiros na barriga. Morreu com um mês e poucos dias de gestação.

A preocupação de Daniel, no momento, era levar Emma para longe. Sua intenção era parar não só o estado de Oregon, como Washington e as regiões de Nova Iorque. Não havia escapatória, pois sabia que estava sendo procurado, tinha o conhecimento, mas se o fim havia chegado para si, havia chegado para todos. Não se importava. Só queria Regina para si e, Emma, além de ter assuntos a tratar com ela, era a isca para atrair Mills.

Checou o carro de Emma e percebeu que havia rastreador, tanto no carro quanto no celular. Ficou apenas com o celular, pois era a sua intenção que o FBI os encontrasse também. Depois, resolveu colocá-la na mala de seu próprio carro, trancando-a.

De alguma forma, tinha certeza que Regina chegaria primeiro que a polícia. Por isso, deixou um papel com um número de telefone junto ao corpo de Fiona. Junto ao número, um curto pedido: “Me ligue, querida”.

***

Um trajeto que levaria quase uma hora, levou menos por conta dos caminhos que pegaram para cortar o trajeto pela estrada. Desde quando a casa tornara-se cena de crime, nem Regina e nem a filha, retornaram, mesmo depois da liberação da casa assim que o caso foi encerrado. Regina nem se lembrava tanto dela porque trazia memórias dolorosas e de uma noite sem fim, ficando então no passado.

Devido ao seu estado de saúde na época, aceitou a proposta do pai que ofereceu-se em cuidar da casa e reformá-la no que pudesse, mas ao se mudar definitivamente para a mansão, Regina acabou esquecendo-a de vez.

Agora, olhando-a, estava meio diferente da última vez que a vira. Aquela noite que mudou toda a sua vida e de sua filha, passara viva diante dos olhos. Tanto ela quanto a filha, tiveram bons momentos naquele lugar. Momentos que não dava para excluir da memória, como os que tiveram juntas na cozinha ao fazer um bolo ou no jardim onde brincaram muitas vezes. Apesar de ter novas cores, a casa ainda era uma completa escuridão para Regina.

Estacionado um pouco mais a frente, estava o carro de Emma. Vê-lo, fez o coração de Regina acelerar como se fosse escapar pela boca. Os olhos castanhos, tornaram-se rubros ao refletirem angústia.

- É o carro dela! - disse nervosa.

Abriu a porta e desceu, assim como Grace fez, ajudando-a a andar como pôde. Não revistaram o carro, a maior expectativa era entrar na casa, por isso atravessaram o jardim fazendo o menor barulho possível. Devido o silêncio absoluto partindo da casa, Regina teve certeza de que não havia ninguém mais lá.

Cautelosamente, abriu a porta, atenta aos sons que não partissem delas. Atrás de si, Grace fazia guarda. Regina sabia de cor cada canto da casa, assim, dirigiu-se para a sala após checar que a filha estava bem ao acompanhá-la.

O coração acelerou mais uma vez ao entrar na sala após ver que estava limpa a área. Foi horrível deparar-se com a poça de sangue fresco de Fiona no chão. Olhou para a filha, preocupada com ela, mas Grace já havia presenciado coisas piores e aquela cena não a assustou, por mais triste que fosse encontrar Fiona, Sônia e Beth, mortas.

- Mãe…- apontou o queixo em direção aos corpos de Sônia e Beth no canto da sala, pois Regina não havia percebido. Checou o pulso de Fiona e voltou o olhar para a mãe ao apanhar o papel perto do corpo. - Tem um número...Aqui diz “me ligue, querida…” - franziu o cenho.

- Me dê o seu celular, por favor. Deixei o meu em casa. - sem ter muito o que dizer diante da crueldade, sentou-se no sofá.

Não pensava em ninguém além de Daniel para ter feito aquilo e só de pensar que ele estivesse com Emma, ficava mais tensa. A vontade de Regina era de gritar até perder a voz.

Discou exatamente o número no papel e pôs no viva voz. Grace aproximou-se apreensiva e ajoelhou-se diante da mãe, ambas ouvindo o som da chamada ecoar na sala. Esperaram as duas primeiras chamadas e na terceira, foram atendidas. Olharam-se tensas e Regina fez sinal para a filha ficar em silêncio, não importasse o que fossem ouvir.

- Olá, querida. - Daniel, depois de uns segundos em silêncio, respondeu. - Eu e a Emma precisamos conversar com você, então preste atenção. Estamos há cinco quilômetros partindo de nossa casa. Passará por uma ponte vermelha e entrará na primeira rua à direita e seguirá caminho direto até o fim. Há um local abandonado, como um galpão. Te esperamos lá. Venha sozinha. - a ligação foi finalizada.

Silêncio.

Mãe e filha olharam-se. Ambos corações bateram fora do normal. Engoliram em seco e perderam a voz diante do som que escutaram ecoando do outro lado. Era inconfundível aquele timbre de voz. O que Regina tanto temia, estava acontecendo. Daniel estava vivo.

- Ele está…- Grace fechou os olhos com força, sem acreditar na realidade. -... e com a minha mãe... - abriu os olhos que derramaram lágrimas de raiva. Regina nunca presenciara os doces olhos da filha, tão selvagens. - Nós precisamos ir, mãe! A Emma corre perigo! - levantou-se e puxou a mãe pela mão.

Regina nem teve tempo de processar o que ouvira. Suspeitava que Daniel forjara a morte, mas não imaginara que ouviria a voz dele tão cedo e nem que isto fosse abalá-la tanto. Literalmente, agiu no automático, ao deixar a casa às pressas, sendo arrastada com cuidado pela filha que estava vermelha e quente.

Todo pingo de perdão que Grace pensou em dar ao pai, depois de descobrir que ele traíra a mãe, se esvaiu no momento em que ouvira sair da boca dele que estava com a Emma na intenção de não só machucá-la, mas machucar Regina também assim que ela visse o estado de Swan. O fato de saber que o pai estava vivo não a surpreendeu muito porque desde pequena, achara todo o desfecho da história estranho, só nunca abrira o coração para a mãe, por puro medo da reação da mesma, com medo de que a saúde da própria piorasse.

Regina ainda estava aérea, mas Grace, não. A menina arrancou o carro de lá e seguiu o caminho como o pai descreveu. E foi bom estar com a mãe naquele momento. Regina parecia fora de si, nem a ouvia quando a chamava. A última vez que Grace presenciou a mãe abalada daquela forma, passaram a noite no hospital.

Vinte minutos depois a saída de ambas, uma van preta parou em frente a casa e, de dentro dela, Debbie saiu armada em direção ao carro de Emma. Atrás da van, carros de polícia pararam e logo a frente da casa estava tomada por agentes, inclusive, pelos policiais do departamento de Oregon, tendo Graham, Kristin, David, Killian e Robin no mesmo lugar.

August, o tenente, deu ordem para entrarem na casa e logo a vistoria foi feita. Acharam apenas os corpos na sala. Nenhum sinal de Emma, muito menos de Daniel, mas alguns documentos largados no chão de um dos cômodos da casa. Documentos estes que continham mais provas sobre a quadrilha que investigavam há anos.

- Desgraçado! - irritada, Debbie aproximou-se da van. - Tente rastreá-la pelo celular.

Chegaram até o endereço através do rastreador do carro estacionado. Agora, o único meio de comunicação que tinham com Emma, era o celular, mas devido ao sinal, estava difícil ter a localização exata de onde ela e Daniel estavam. Também, poderia não ser a localização verdadeira.

A motorista da van adaptada com equipamentos, era ninguém menos que Celeste Wright. Na parte de trás, responsável por localizar Emma e manter não só Debbie informada como o próprio FBI, estava Tammy e Rose.

- O que acharam lá dentro? - Debbie perguntou a August assim que o mesmo aproximou-se tão sério quanto nunca havia o visto.

- Disse que era perigoso. Ela não deveria ter ido tão fundo assim. - olhou bem nos olhos de Debbie, ignorando a pergunta feita. - Interrogaremos os vizinhos enquanto tentam rastreá-la. Agora não é apenas a Emma, mas Regina e a filha também, Debbie.

A mulher nada respondeu. Não deveria ter deixado Grace ir para casa após revistá-la, sem um agente como acompanhante. Esqueceu-se completamente que Regina não ficaria sentada esperando alguém explicar o que estava acontecendo e o pior é que Emma havia avisado-a e pedido que protegesse as duas a todo custo. Estava tudo saindo conforme não haviam combinado e isso a preocupou.

Debbie o observou afastar-se seriamente e conversar com Graham, os dois bem tensos diante da situação. Graham entrara em contato com Cora, alguns minutos antes, e soubera que Regina saíra de casa às pressas à procura de Emma junto a Grace.

- Alvo localizado! - disse Tammy, olhando para o painel a frente onde a localização de Emma piscava. Era uma área grande, não muito distante dali. - Vamos lá…- disse nervosa, observando-os parar de vez. - Estão há cinco quilômetros daqui!

E novamente toda a agitação na rua de policiais, agentes e detetives entrando nos carros, seguindo a ordem dada pelo tenente, para que seguissem a van onde, sentada ao lado de Tammy e Rose, Debbie não tirava os olhos do painel, torcendo para que Emma estivesse realmente para onde estavam indo. As quatro estavam tensas, principalmente Celeste. Não podia perder Swan mais uma vez.

Os helicópteros passaram a sobrevoar as áreas em volta, seguindo os carros e ambulância que corriam pela estrada deserta, inclusive os carros do próprio departamento do estado de Oregon.

Graham estava com Kristin, tentavam se comunicar com Ruby, mas nada. Ele estava bem atento para qualquer atitude suspeita da policial no banco ao lado, assim como prestava atenção em David, Killian, Robin e Ariel. A casa ia cair para todos de uma só vez e o estrago seria devastador. O famoso efeito dominó.

Um grupo de policiais permaneceu no local para fazer a perícia. Novamente, aquela casa com novas cores, tornara-se palco de um novo assassinato, tão brutal quanto o primeiro. Este, até mais triste. Três mulheres assassinadas a sangue frio, estando uma, grávida.

Do alto via-se carros seguindo a van, onde Tammy guiava Celeste que dirigia praticamente com o coração na mão. Não pensava em nada além de Emma, Regina e Grace. Já Debbie, através do rádio, passava as informações para August e os demais oficiais, como o Graham.

****

Daniel teve a frieza de, assim que desceu do carro, após uma curta caminhada até o local como um galpão abandonado, carregando Emma no colo ainda apagada, prendê-la a uma cadeira de madeira. Por último, após checar que a mesma estava bem amarrada, pôs uma fita na boca dela e abriu um sorriso com o resultado. Emma estava frágil, com machucados nos olhos e pescoço. Havia um pouco de sangue em seu cabelo e encontrava-se suja e desarmada, tão vulnerável. O seu celular estava no bolso de Daniel.

Daniel passou bons anos escondido naquele lugar abandonado e aberto, caindo aos pedaços. Passou fome e frio, acompanhado apenas da sua mala de couro onde tinha muitos documentos importantes. Estar de volta aquele local com o ar de vitória, era bem melhor.

A frente de Emma havia uma cadeira, onde sentou-se e pôs-se a esperar Regina. Virou a garrafa de cerveja e quando enjoou-se, após acariciar suavemente o rosto de Emma, observando bem o rosto da mulher que tornara a sua vida um tremendo inferno, despejou com nojo o resto do líquido na cabeça dela, molhando-a. Jogou a garrafa longe e voltou a sentar-se, imaginando as inúmeras formas de machucá-la. O poder estava em suas mãos mais uma vez e era divertido saber que daquela vez, não fora só ele a magoar Regina.

A visão de Emma, embaçada, a impedia de ver nitidamente o que acontecia. Sentiu os pulsos e pernas amarrados, assim como havia uma corda apertada em sua barriga, mantendo-a presa, o que a enraiveceu interiormente. A cabeça doía e o corpo também. Gemeu e forçou a abrir os olhos, encontrando-o sentado a frente, observando-a com um sorriso maníaco nos lábios. Emma não suportou o cheiro de bebida no corpo. Estava completamente irada. Olhou à volta, dando-se conta que estavam num local abandonado, no meio do nada. Tentou soltar-se inutilmente e Daniel achou graça.

- Olhe só para você…- sorriu, inclinando-se para frente. Emma, em momento algum, abandonou os olhos de Daniel. Apesar de muito machucada, fazia questão de encará-lo. - Tão vulnerável…- levantou-se e alisou novamente o rosto de Swan. -Poderia dar fim a você, mas preciso de você viva para quando Regina chegar. Quero que veja a dor nos olhos dela ao olhar nos seus. - segurou o queixo de Emma com força, apontando bem de perto a arma contra a face dela. - Se comporte. - sem avisá-la, puxou com força a fita da boca da mesma. Emma fechou os olhos com força e cuspiu com todo ódio que havia dentro de si, na face de Daniel.

- Me mate, mas dessa vez não terá escapatória, Daniel. Você mordeu a isca. - riu, deitando a cabeça. - A minha equipe está vindo, a Regina está me procurando e todas as saídas dessa cidade estão bloqueadas. Há helicópteros sobrevoando por toda a parte...Nem você nem o Henry e qualquer outro que faça parte dessa quadrilha, terão como fugir. - disse satisfeita. - Oregon, Washington, Nova Iorque, Arizona e todo o país, está acompanhando essa investigação neste exato momento. Todas as emissoras estampam a cara de vocês. - riu, não importando-se com a arma encostada em sua pele. - Agora, me diz. Está mesmo no controle? Porque se estivesse, não teria sido pego. Você está é sem caminho e não sabe como reagir. - fez um minuto de silêncio e tornou a falar. - Me solte e se entregue. É o melhor a se fazer.

- Não vou negociar com você, Swan. - balançou a cabeça, bastante irritado com a petulância no olhar dela. O estado de Emma era deplorável. - Você me verá saindo desse lugar com a Regina, isto se ela não matá-la antes de mim e, qualquer movimento do FBI, eu a mato na sua frente e além de conviver com o tormento de ter matado a própria filha, conviverá com o tormento de ter matado a Regina. É isso o que quer, sua vadia? - aproximou bem o rosto. Daniel queria que Emma implorasse, mas isto ela não faria. Sabia que ele não tinha coragem de machucar Regina daquela forma.

- A Regina não tem culpa pela confusão que causou para a sua vida, muito menos a Grace. Deixe-as em paz! Não acha que já causou dor o suficiente?

- Quem é você para falar de dor, Swan? - aquilo foi um soco no estômago de Emma, então, silenciou-se.

Daniel odiava a forma como Swan falava o nome de Regina. Lembrava-se sempre de ambas aos beijos na cama. Na noite do aniversário de Regina, estivera lá. Ele quem deixara as fotos sobre a cama. Ele quem instalara uma câmera para filmá-las e manter controle de como andava a tal investigação de Regina. Isso o deixava com um enorme ódio em relação a Emma. Além dela atrapalhá-lo, pensava que ela havia tirado Regina de si e isso o fazia encará-la com tanta raiva que os olhos estavam esbugalhados enquanto continuava a apontar a arma pra ela que, em momento algum, abandonou o olhar superior, como se estivesse vencendo mesmo estando vulneravelmente em suas mãos. Daniel, até então, não havia pensado na filha e ouvi-la citando Grace, o abalou. Emma sabia o quanto falar sobre filhos, naquela situação, abalava.

- Não fale o nome da minha filha como se ela fosse sua! - sacudiu o rosto de Emma, puxando bem forte o cabelo dela para trás, fazendo-a gemer. - Você é uma desgraçada. Se tivesse ido embora, nada disso estaria acontecendo. As pessoas que se machucarem, Swan, será totalmente por culpa sua. - a olhou nos olhos. - Principalmente a Regina. - bateu com o cano da arma tão forte na face de Emma que a mesma apagou mais uma vez. Tão logo o sangue quente escorreu do nariz de Swan, chegando a boca onde se espalhou e escorreu pelos cantos.

***

Assim que Grace estacionou o carro logo atrás do que julgaram ser de Daniel, Regina apanhou a arma e olhou para a filha, impedindo-a de sair. Já havia colocado-a em bastante risco até chegarem lá. Agora, a batalha, por mais que envolvesse Grace, era apenas dela, Daniel e Emma.

- Você ficará aqui dessa vez. - disse séria, com a voz bastante tensa. - Não sei o que ele é capaz de fazer, Grace. Então fique, por favor. Qualquer coisa, corra e não pare. E, seja o que acontecer, saiba que a amo muito e você é a melhor coisa que me aconteceu. - seus olhos estavam cheios de lágrimas, assim como os de Grace.    

- Mãe…Não se despeça. Não aceito isso. - respirou fundo e trêmula. - Faça o que tiver de ser feito, mas não deixe a sua chateação com a Emma, cegá-la. - ouvir Grace importando-se mais com Emma do que com Daniel, desmanchou o coração de Regina. - Por favor, eu imploro. Ajude a Emma, mamãe. Cuide dela, por mim... - disse mais séria, deixando o medo tomá-la de vez. Agora que estavam ali, a ficha havia caído como uma grande rocha sobre seus corpos, esmagando-os. - Lembre-se quem realmente é o culpado e traidor.  

Regina sorriu fraco ao apertar o rosto da filha e deixar o carro. Confiava que ela ficaria bem. Ainda não sabia como prosseguir diante da afirmação de que Daniel estava vivo, talvez só fosse cair a ficha para si quando pusesse os olhos nele. Tampouco sabia como seria a reação ao vê-lo.

A notícia mexera tanto com sua mente, que andava no automático, assustada e tensa pela mata, vendo já o local que Daniel descrevera. Com muita dificuldade por conta do pé, foi se arrastando para dentro do local, era grande e silencioso, bastante abandonado e fedido. Apontava a arma em posição de defesa e ataque. Sempre atenta aos lados, cada vez mais perto do fundo, onde ouvia a voz de Daniel ficar cada vez mais nítida, chamando-a. A cada passo arrastado, uma dor maior em seu peito. A dor de estar revivendo o eterno pesadelo.

***

Zelena chegou a mansão esbaforida, assim como Ruby, chamando por Regina com a esperança de encontrar a irmã em casa, mas ao chegarem na sala, perceberam que o clima não era bom. A televisão estava no volume máximo e nela passava toda a investigação sendo operada em Oregon naquele instante, explicando o porquê do caos na cidade que não era a única a estar enfrentando os grandes congestionamentos, sustos e tensões. O mundo parecia estar acabando. Um desespero total!

Cora chorava e chorava no colo de Ingrid, incapaz de pronunciar uma palavra. Na mesa de centro, o diário aberto de Swan. Zelena engoliu em seco. Sabia o que aquilo significava. Era tarde demais para chegar até Regina ou Emma. Era tarde demais para salvá-las.

***

O som do coração batendo forte, era a única coisa que Regina ouvira no momento em que deparou-se com a cena que sequer estava preparada psicologicamente para ver. Emma estava amarrada, o rosto sujo de sangue, a região dos olhos já com hematomas, os cabelos e a roupa suja e rasgada, olhando-a com os olhos borbulhando dor e vergonha. A imagem dela, sendo obrigada a manter a cabeça erguida, quando queria abaixá-la para não ter que olhar em seus olhos, foi horrível. Mas a pior parte, era ver que Emma não conseguia chorar, por mais que desejasse. Enxergava nos olhos dela o quão mal estava por toda situação e isto refletiu em Regina. Ao lado de Emma, com um leve sorriso, estava Daniel, amando a interação.  Amando ver que Emma estava destruindo o coração de Regina. Sentia-se honrado em presenciar a cena, pois agora, poderia ter Regina. Pensava que ela finalmente estava abrindo os olhos e enxergando quem Emma era: mais uma mentirosa. Regina sentiu tanta dor por vê-los, que esqueceu-se das dores físicas, agora, apenas sentimentais.

A sua frente estava o homem que a enganou durante anos enquanto o seu corpo movia-se sobre o dele, suado e cansado, gozando amor e felicidade, apenas de sua parte, sendo usada e traída diariamente, mas que a deu o melhor presente: Grace. Também estava a mulher que a mostrou o que era o verdadeiro amor. Que esteve ao seu lado, que a cuidou, ajudou e amou de todas as formas que não pensara que poderia ser amada. Que a fez voltar a amar a si mesma e lhe levou a conhecer a liberdade que nunca deveria ser anulada. Liberdade para ser e fazer o que a fizesse bem, porque, vê-la livre e feliz, era o que tornava Emma ainda mais apaixonada. Regina nunca se sentiu tão livre como sentiu-se nos braços de Emma e isso a fez amá-la ainda mais forte. Mas não dava para ignorar o fato de Daniel estar vivo e Emma saber disso e mentir para si, por mais que houvesse um motivo para tal atitude dela. Regina não gostava de mentiras e todos sabiam disto.

No momento em que apontou a arma, conheceu o que era pôr na balança, os sentimentos. Às vezes era necessário.

- Como senti sua falta, querida…- ouvir isto, estremeceu Regina. Foi como ouvir o sussurrar malicioso do seu assassino bem perto de seus ouvidos, pronta para matá-la.

Daniel, sem deixar de apontar a arma para a cabeça de Swan, disse aquilo com lágrimas nos olhos, com o coração palpitando. Achava que amava Regina, mas, na verdade, era obsessão, só não entendia isto. Daniel estava completamente diferente, quase irreconhecível, mas a voz era a mesma e isto não dava para confundir.

Regina deu pequenos passos a frente, adentrando de vez no local, sem abandonar os olhos do homem que destruiu com toda força a sua mente, destruindo então, a sua vida por um tempo.

- Não sentiu a minha? - ele riu, erguendo a cabeça de Emma que acabou vacilando por estar fraca, com fome e muita sede. Também, de nada adiantou os anos de treinamento e preparo, pois deixava os sentimentos mais altos que a razão, incapaz de raciocinar o que era melhor a ser feito ou não. - Quero que olhe bem para Regina e veja o quão magoada ela está com você. - da boca de Emma pingava sangue, muito mais que o sangue que transbordava os seus olhos de tanta raiva. - Diz pra ela…- apertou mais o rosto de Swan.

Daniel não via a hora de ver a feição destruída de Regina ao ouvir o que Swan tinha para falar. Para ele, depois que Regina ouvisse toda a história, era possível negociar com FBI e os dois fugirem juntos com Grace e voltar a viver a vida que deixaram de viver.   

- Sinto muito, Regina…- gemeu de dor, quase fechando os olhos. - Eu sinto...muito. Meu coração está em prantos...- as lágrimas de Regina corriam como um rio.

- Diz a verdade em voz alta. Temos tempo e Regina não está com pressa. - riu, gostando muito de vê-las se destruindo, como Fiona dissera que aconteceria. - Querida, sente-se de frente para Emma, por favor. Verá agora que apenas eu posso fazê-la feliz, mesmo depois de ter errado. - ordenou, fazendo-a encará-lo com ódio. Para Regina, Daniel estava insano! Visto que se não o obedecesse, Emma sofreria, sentou-se sem dizer uma palavra. - Ponha a arma no chão e chute-a para mim.

- Eu não vou fazer isso. - disse séria e Daniel apertou o pescoço de Emma, causando dor em Regina também.

- Faça. Não machucarei você, Regina. Esta não é a minha intenção. - Regina olhou bem para Emma e a mesma não implorou que o fizesse. Emma a deixaria decidir por si mesma o que faria. Então Regina fez como ele ordenou, tremendo inteiramente. - Você continua sendo uma boa garota. Ponha estas mãos atrás da cabeça, por favor. - disse com sorriso malicioso ao apanhar a arma, em completa segurança ao afastar-se de ambas.

Sabia que Regina não fugiria nem tentaria nada contra, pois Emma seria machucada. Daniel amava ver Regina obedecendo-o sem dizer nada. Ele gostava de estar no controle. Aquilo o excitava.

- Por que, Daniel? - depois de um tempo olhando para Swan, direcionou-se para ele, ainda com as mãos atrás da cabeça. O observou apanhar uma barra de ferro e deixá-la perto, o que a fez estremecer. Não aguentaria vê-lo machucar Swan a sua frente, por mais triste que estivesse com ela também. Isso não justificava.

- Talvez seja melhor que Emma conte após mim. Regina, precisa saber que o que fiz, foi para proteger você e Grace. - aproximou-se, parando ao lado de Emma. A tensão era péssima. Arrancava o brilho dos olhos de Regina. - Lembra-se da investigação que eu fazia? - Regina assentiu, observando andar devagar de um lado ao outro, com a arma numa mão e a barra na outra. - Eu investigava o seu pai, pois sabia que ele não era uma boa pessoa, por isso estávamos sempre brigando, até certo dia em que ele me apresentou o tipo de negócio que ele e outros empresários e advogados mantinham e me propôs a participar, em troca, esqueceria a investigação que fazia. - Daniel não queria enrolar muito o assunto. - Fui seduzido pelas palavras, pelas coisas que mostrou e pelo dinheiro que ganharia sem precisar pôr as mãos. - Regina não sabia de onde estava tirando força para ouvir aquilo. - Uma rede grande, que atuava há anos, sendo ele e o pai de Emma, os principais donos. - ouvir aquilo foi um choque para Emma. Suspeitava que o pai não era boa pessoa, mas não tinha noção de que ele realmente estivesse fazendo parte da quadrilha. O que explicou o medo no olhar de sua irmã. Certamente, ela já havia presenciado coisas terríveis e pensar nisso fez Emma chorar com força, não importando-se se seria machucada. - Precisei forjar a morte porque o meu irmão, naquela noite, estava indo se despedir de vocês antes da viagem que faria de volta para casa. Como nunca haviam tido contato direto, ele achou que seria uma boa hora conhecê-la melhor, mas apenas eu estava em casa, no escritório, com Fiona. - Regina abaixou a cabeça. - Ele chamou, entrou, mas não ouvi. Então foi para o quarto onde encontrou algumas pastas com documentos e recibos das vendas das drogas. Fiona parou ao ouvir passos na casa e, quando cheguei ao quarto, achando que era você, o encontrei transtornado ao ler os documentos e descobrir a minha traição, tanto com Fiona quanto pela mentira que eu escondia. Ele quis procurar você e contar, mas não o deixei. Você não sabia da minha relação com Fiona nem a minha relação com o seu pai. Então brigamos e o deixei desacordado na nossa cama. A Fiona se apavorou e tivemos que ser rápidos, pois além de você poder chegar, ela precisava voltar ao departamento. Foi então que tive de fazer o que não estava nos meus planos: forjar a morte. Queimei as pontas dos dedos para não deixar minhas digitais enquanto Fiona colocava todos os documentos e coisas importantes dentro de uma mala, usando luvas. Limpamos e pegamos o que era necessário, após isso, deixamos o corpo do jeito que fora encontrado, como Ruby descrevera na autópsia e colocamos fogo em tudo, assim faria com que não prestassem atenção numa possível forja. - dizia tranquilamente. - Fugi e Fiona foi para o departamento. Ela precisava trocar os exames para que eu não pudesse ser achado. Usei a forja como fuga para não contar a você sobre a traição, pois queria tê-la para mim, mesmo estando com outra. O seu pai também estava me pressionando, pois dei uma volta nele, então foi uma forma de afastá-lo um pouco também. - disse com raiva de Henry. - Nosso plano era vivermos felizes e ganhando dinheiro como estávamos, mas aí, certa princesa salvadora, resolveu aparecer na história e, infelizmente, você me viu no evento. Naquela noite, estava buscando dinheiro que o pai da Emma e o Henry me deviam. Sinto muito ter jogado o carro em cima de você e machucado-a. -Regina olhou para Emma e a mesma continuava a chorar, mas agora em silêncio. - Esta é a sua vez, Swan. Diz em voz alta a sua verdadeira intenção de ter vindo para cá. - passou a arma pelo rosto de Emma, deixando-a quente de raiva e afastou-se.

Regina estava aterrorizada e com muito ódio por ter ouvido tudo aquilo. E Daniel ainda tinha a audácia em dizer que fizera para protegê-la e proteger a Grace, quando queria proteger a si próprio, seja do seu pai, seja da polícia.

- Eu…- Emma iniciou, tentando controlar o choro. Precisava dizer, antes que Daniel a machucasse. - Eu e minhas amigas, tínhamos mania de conversar sobre casos e investigações não concluídas. - respirou fundo, cuspindo um pouco do sangue na boca. - Até então, era apenas uma diversão criar teorias, mas ficou sério quando conhecemos August, tenente do FBI que se tornou amigo nosso. - Regina abaixou a cabeça e a balançou. Não conseguia olhar para Emma por bastante tempo, não só por estar chateada, mas por vê-la tão machucada e não poder fazer nada. - Dentre Celeste, Debbie, Tammy, Rose e Lou, eu era a que mais se destacava depois de Debbie em questão de ter um olhar mais profundo sobre isto. Soubemos que desde há muito tempo, eles investigavam uma das principais quadrilhas de colarinho branco e narcotráfico, envolvendo o seu pai. A coisa ficou mais séria ainda quando não parávamos de falar e pensar sobre isto em nossas reuniões semanais. Criamos um grupo secreto sobre casos não solucionados ou encerrados sem explicação. - deu uma pausa, pois era difícil lembrar de sua gravidez. - Na época que eu estava grávida, tive de me afastar do balé e enquanto Celeste trabalhava, eu ficava em casa pesquisando coisas sobre o Henry e me preocupava o fato da minha mãe trabalhar para a sua família. Apesar da distância e a dificuldade que tínhamos para estarmos sempre em contato, me preocupava bastante com ela, justamente por saber que nossas mães eram amigas, indo além da relação de patrão e empregado, tendo o seu pai, um homem possessivo, por perto. Tinha medo dele machucá-la, o que ocorreu. Certa noite, eu e as meninas viajamos e fomos levadas por August, até o quartel-general do FBI sediado em Washington, D.C. Lá recebemos a proposta de trabalharmos para eles secretamente, já que tínhamos aparências perfeitas para tal. Mulheres que geralmente passam despercebidas, ótimas para serem espiãs. Mas eu estava grávida e não podia me submeter ao esforço e treinamento árduo, aliás, eu e Celeste lutamos muito para que daquela vez desse certo, mas não deu. Nós brigamos e eu aceitei treinar, aliás, eu era a arma perfeita para o FBI. A minha mãe trabalhava na casa dos Mills e isso era uma ótima desculpa para a minha vinda a Oregon e o fato de eu ser bailarina e ter aqui uma academia de dança, foi bom. Assim, teria algo para me ocupar e disfarçar. - Regina voltou a olhar nos olhos de Emma. - A Celeste tinha a revista junto com a Debbie Ocean, por isso “Oceans”, e isso poderia ser usado como disfarce, entende? Assinamos um tipo de contrato e, mesmo que Celeste não estivesse de acordo, passei a treinar porque não aguentava ficar parada. Para uma pessoa que sempre mexia as pernas, ficar parada era um incômodo enorme. Fizemos isto em Nova Iorque mesmo, mas comigo era diferente porque envolvia o balé. Fui treinada para usá-lo como disfarce. Recebia e recebo todo cuidado deles, mas era teimosa demais na época. Achava que nunca me machucaria, que ficaria tudo bem com Olívia, mas quando atingi certo mês de gravidez, durante o treino com o balé, meu pesadelo começou. - disse chorando, com muita angústia na voz. - Caí e perdi Olívia. - Emma não ia falar daquela fase justo ali. Regina sabia o que ocorrera desde então. Toda a dor que contara a ela sobre a perda da filha, foi real. - Depois disso, passado um bom tempo, a Celeste foi embora, fiquei sozinha e descontei a minha culpa em fazer o que havia sido me dado. Investigamos essa quadrilha e, quando saiu a notícia de que Daniel havia morrido e o caso encerrado depois de longo tempo sem respostas, achamos estranho. Justamente por ele ter ligação direta com o Henry através do casamento de vocês, ficamos com um pé atrás. E mais uma vez se passaram alguns anos, onde minha vida sofria reviravoltas constantemente, principalmente quando não ganhei a bolsa e fui acusada, o que atrapalhou a investigação, de certa forma. Foram épocas difíceis, muito mais na minha vida amorosa. - fechou os olhos brevemente. - Eu poderia pagar a academia, o próprio governo se ofereceu, mas gosto de conquistar com mérito meu. A dança é algo pessoal demais para mim. Ninguém podia saber que eu era uma “espiã”. Haviam muitos pontos soltos ainda, não podíamos, mesmo que soubéssemos que seu pai era criminoso, dizer nada, pois perderíamos todos os outros integrantes da quadrilha. Tive que jurar silêncio antes de entrar no meu carro e dirigir-me para cá. - olhou bem nos olhos de Regina. Mesmo com a vista embaçada, Emma sabia que continha lágrimas nos olhos de Mills. - Havia escutado muito sobre você, Regina, através da minha mãe e por ser filha do Henry, mas não profundamente como agora. Em hipótese alguma, podia contar a verdade a você porque ainda era cedo demais e quando você soubesse, era capaz de pôr tudo a perder e, mais uma vez, Daniel e todos os outros escapariam. - Regina não contrariou. Realmente, se Emma tivesse contado, era certo que não ficaria quieta. Sua raiva pelo Daniel era grande demais para sentar e esperar o tempo passar. - Sabíamos que o Daniel estava vivo, mas não sabíamos onde ele estava localizado, até Fiona dar as caras e desejar me conhecer. Isto foi suspeito. - Emma estava cansada, a boca seca e sem fôlego. - Não pensei que aceitar a proposta, me faria conhecer você profundamente e amá-la como amo...E sinto muito por ter deixado chegar até esse ponto, mas não podia contar porque se contasse, todo os anos de trabalho, iam embora. - Regina assentiu, olhando-a nos olhos. Ambas choravam. - Henry, Conrad, ex marido de Victoria, Daniel, Fiona, Kristin, David, Robin e Killian, fazem parte desta quadrilha e Graham soube disso porque, na época que Daniel foi morto, o FBI entrou em contato com ele, após investigá-lo, e passamos a trabalhar juntos. Por isso foi montado, após autorização do governo, uma pasta do caso de Daniel, que no caso era verdadeira apenas para você, porque Graham a conhecia bem e sabia que tentaria pegá-la, mas a história real, só nós sabíamos. Por isso nunca achou nada que a fizesse progredir e no dia que Ruby entrou na sala dele, a pessoa que ligou para o Graham, foi eu. Perguntei a vocês sobre esse plano e me disseram que entrariam perto do almoço, quando Graham saísse, por isso toda a facilidade. Você mesma disse que Graham não era descuidado daquela forma e se admirou por Ruby pegar algo que você tentou durante anos. - os pontos ligaram na mente de Regina. - Quando cheguei aqui, as coisas ficaram apertadas para Daniel e o seu pai, por isso ele não gostou de saber que estávamos juntas e fez de tudo para acabar com o nosso relacionamento, pondo dúvidas em sua cabeça, suspeitando que eu era mais do que uma bailarina. Henry também contratou um homem para me seguir, aquele que causou o meu acidente no shopping. Ele e Daniel são os principais procurados por crime do colarinho branco, lavagem de dinheiro e narcotráfico. As drogas vendidas são feitas na fazenda de seu pai, localizada no Arizona, a qual vocês nunca tiveram conhecimento, fornecida e vendida para muitas áreas do país, principalmente nas fronteiras dessa cidade; nas florestas. Existem muitos grupos espalhados trabalhando para eles. Kristin e os demais, eram usados. Como são policiais, era raro suspeitarem deles. São usadas também pessoas consideradas “normais” e que passam despercebidas no dia a dia, facilitando o transporte das drogas de um lado ao outro. São pessoas perigosas, no geral. - respirou fundo, não aguentando mais. - Realmente sinto muito, Regina...Devia ter sido sincera a partir do momento em que começamos o relacionamento, mas não tive coragem, tive bastante medo...medo de pôr tudo a perder e, principalmente, de pôr você e Grace ao maior risco, mais do que estiveram durante esses anos. - Regina estava muito decepcionada, mas não suportava ouvi-la chorar. - O tempo esgotou e eles ficaram sem saída, por isso Fiona tentou fazer um acordo comigo, mas eu não deixaria a cidade assim. Se fosse para perder você, que fosse colocando-os na cadeia. Acredito que o Daniel tenha sentido raiva de mim, não só pela investigação, mas por estarmos juntas. Acredito também que o motivo de ninguém ter contado nada a você sobre a traição, é que se contassem, eles cairiam junto ao Daniel. É uma teia, assim que se puxa um fio, tudo desmorona. Regina, não estou arrependida de pôr Daniel na cadeia, mas arrependida de machucar você e deixá-la com a sensação de que fora usada por mim...Eu nunca tive essa intenção, de verdade. Tudo o que disse a você, tudo o que vivemos...isso foi real. Eu menti sim, sobre a minha intenção real de vir para cá, mas não menti quando disse que a amo e que faço de tudo para protegê-la, inclusive em dar minha vida para que saia daqui a salvo. - disse séria e Regina engoliu em seco ao ouvir tais palavras. - Daniel, agora que já me viu magoar a Regina, me mate como deseja. Eu não suporto mais isso. - o encarou e Regina chorou forte. Seu coração doía muito. - Me mate, mas a deixe em paz de uma vez por todas. - disse cansada e rosnando de raiva.

- Não será eu a matá-la. Será a regina, Swan. - Regina o olhou assustada, querendo entender onde ele queria chegar. - Sei que dentro dela há muito ódio por você agora e sabemos que no fundo, ela também a usou para curar a dor e falta que sentia de mim. Você sabe disso, aliás, fora comigo que ela viveu mais tempo e formou uma família. Foi por mim que ela chorou e implorou durante anos para voltar. Acha mesmo que ela a ama verdadeiramente? Eu é quem posso dar a ela uma família de verdade. - riu, fazendo Swan gritar o quanto o odiava. - A Regina sairá daqui comigo. - disse mais sério. - Negociaremos com a polícia, pois tenho documentos e provas que ajudarão a prender outros criminosos, e fugiremos para um lugar totalmente distante do seu túmulo. Sei que a Regina me ama e é por isso que ela a matará! - gritou. Estava descontrolado, com a mente doente e cansado de Emma. E se fosse para a casa cair para si, que fosse para todos.

Daniel olhou para Regina, empurrou a arma dela de volta e a obrigou a ficar de pé e apontar a arma para Swan. Regina foi obrigada a obedecer. Um lado seu estava triste com Swan, mas compreendia, mesmo sendo difícil, porque o seu lado profissional, como ex-policial, entendia perfeitamente o motivo dela não ter contado, mas havia também o seu lado sentimental que falava muito mais alto.

Estava quebrada, mas o sofrimento que Emma causara não chegava perto do tormento que Daniel a fizera passar. Lembrou-se do pedido de Grace e fechou os olhos com força enquanto Daniel, não deixando-a dizer nada, a obrigava a atirar e Regina nunca esteve tão certa de sua escolha. Não precisava pensar sobre quem amava, sobre quem escolheria. Não era preciso.

Em sua mente, fez seu próprio e primeiro julgamento e isso aliviou um pouco a tensão em seus ombros. Com cuidado, abaixou a arma, a deixou no chão e levantou as mãos, causando silêncio absoluto.

Em volta do local, os vários carros de polícia foram estacionados, os agentes saíram armados e os helicópteros passaram a sobrevoar em cima do local. Dentro de um deles, havia um sniper, pronto para atirar em Daniel.

Grace correu para os braços de Celeste, sem entender nada, e chorou apertado contra o peito dela, assustada e com medo de perder as mães. E Celeste acalentou a garota como se fosse a sua própria filha.

Tanto Emma quanto Regina, sentiram alívio ao ouvir as sirenes, mas o que saiu da boca de Regina, fez o batimento de Emma vacilar.

- Venha, Daniel. Venha para mim…- abriu os braços, fazendo-o estranhar. - Não era isto que queria? Escolho você, querido. Há muito tempo sinto a sua falta. - disse, segurando as lágrimas. - Fugiremos e seremos felizes com a nossa garotinha. Eu prometo isto a você... - Regina mudou completamente a feição. Tornou-se apaixonada e carinhosa. Daniel aproximou-se, rindo da cara de Emma que assistia tudo aquilo com muito sofrimento. - Por favor, acredite em mim. Não há vingança maior do que ver Swan nos vendo partir juntos...Como a odeio por ter mentido pra mim! Agora vejo quem sempre verdadeiramente me amou!... - disse com bastante raiva, chamando-o para perto.

Daniel aproximou-se com um ar convencido de que conseguira controlá-la. Deixou a barra ao chão, ficando apenas com a arma em mãos e olhou bem nos olhos de Regina. Ela se forçou a sorrir e aproximou-se, abraçando-o de vez.

- Sabia que faria a melhor escolha, querida…Nunca deixei de amá-la, sinto muito por tê-la machucado...Não sei onde estava com a cabeça. - Daniel parecia não se importar com o fato de estarem cercados e de estar na mira de um sniper. No momento, tudo o que pensava era em sair vivo com Regina em seus braços, pôr Henry e os outros na cadeia e ser feliz bem distante do estado de Oregon.

- Eu sei, eu sei…- sussurrou, alisando os cabelos crescidos do homem em seus braços.

Por cima do ombro de Daniel, Regina olhou para Emma. Estavam destruídas. O olhar de dor que trocaram fora intenso. Regina nunca sentiu tanto nojo de um abraço. Olhou para cima, viu o helicóptero e o sniper apontando diretamente para Daniel e respirou fundo, como se o tempo estivesse em câmera lenta. O abraçou mais forte e sussurrou coisas doces, como fazia após uma longa noite entre os lençóis, até fazê-lo dormir, mas, por dentro, seu coração explodia ódio, por isso, a segunda arma que estava na barra de sua calça, fora sacada. Daniel podia ser esperto e inteligente o suficiente para forjar uma morte, mas foi tolo em não revistá-la e confiar tão veementemente em suas doces e mentirosas palavras.

Daniel havia controlado-a por muitos anos, agora, era diferente. 

- Mas você não me controla mais, desgraçado. - disse friamente, puxando o gatilho. Seus olhos ardiam.

Sentiu o sangue sujar toda a sua face. Em seu olhos, havia muita ira. Tanta ira que tremia por inteiro, pois uma bala só não era suficiente. Pela primeira vez, em muitos anos, o controle estava verdadeiramente em suas mãos. Com todo ódio dentro de si e os piores sentimentos do mundo, atirou mais vezes, sem parar, na região da virilha, até que a bala acabasse.

Silêncio sob os olhos de Emma.

Regina olhou para cima, o helicóptero ainda sobrevoava e o agente passava as informações sobre o que estava acontecendo para Debbie e August, desistindo então de acertar o Daniel que já encontrava-se morto, estirado em meio ao sangue.

Mills largou a arma e levantou as mãos, fazendo novamente o seu próprio julgamento mental. Ajoelhou-se e entrou num choro compulsivo. Então fez o que estava com muita vontade de fazer desde o seu sair de casa: gritou. Gritava porque doía. Gritava porque matara quem por muitos anos matara a sua saúde mental.

Diante do corpo, ajoelhada, lembrou-se mais uma vez de ter estado naquela posição em cima da lápide, achando ser Daniel dentro do caixão, mas essa, era a última vez que se ajoelharia em relação a Daniel.

Não implorava para que ele voltasse. Regina agradecia por Daniel finalmente ter ido embora e deixado sua mente em paz. Agradecia por, naquela vez, Daniel não ter tido poder sobre sua vida.

Agradeceu por ter sua liberdade concebida. Por estar livre. 


Notas Finais


alguém vivo? Sem querer me matar? Espero que sim! Ê galera, finalmente a verdade sobre ambos.

Como eu disse, essa parte foi dividida em três. Ficaram algumas coisas pendentes, que deixei pro próximo capítulo. Eu não queria que ficasse tão gigante, pois já está, então dividi.

Me perdoem se ficou uma formatação ruim ou se passou algum erro.

🐝🐝atenção🐝🐝

Como inspiração, foi usado o primeiro episódio da décima quinta temporada de Lei e Ordem, SVU. ( se não me engano).

Os temas abordados possuem maior profundidade quanto a descrita. Caso seja de seu interesse, pesquise. O conteúdo não é fiel ao que realmente acontece em relação ao narcotráfico nos EUA. Abordei superficialmente e de acordo com a minha imaginação.

Vejo vocês no próximo! Obrigada.


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