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História A Árvore de Cerejeira - One Shot - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Opa! Olha eu aqui de novo :3
Não me lembro de ter citado esse projeito meu pra vcs, mas aqui está! Tenho trabalhado nele a muuuuuuuuuito tempo kakakka
Fiz com carinho.
Se curtirem, escutem uma música relaxante, relaxe, senta no sofá, deita na cama... N sei ksksks Apenas apreciem

Capítulo 1 - A Árvore de Cerejeira


Fanfic / Fanfiction A Árvore de Cerejeira - One Shot - Capítulo 1 - A Árvore de Cerejeira

Pvo's Autora

Estava um dia lindo lá fora, pássaros cantando e a temperatura ideal, nem tão quente e nem tão frio. O Sol iluminando tudo e invadindo a brecha da janela do quarto de um garotinho quietinho e muito criativo. Um menino loiro que adorava tocar e cantar… Mas que infelizmente fazia parte de uma família que exigia demais dele, fazendo que ele estudasse por muitas horas seguidas e se desobedecesse teria sérias consequências. O filho mais velho de Karlheinz, Shu Sakamaki, vinha de uma família privilegiada, mas sua vida não era tão boa como muitos outros pensavam. Trocaria tudo por um pouco de liberdade

Mas hoje foi um dia muito diferente de todos os outros, pela primeira vez na vida, sua mãe permitiu que ele visitasse um parquinho… Se arrumou tão rápido que calçou um tênis sem as meias.

No caminho estava tão ansioso que não parava de se mexer… Comportamento muito estranho pra uma criança tão introvertida.

Chegando lá, viu várias crianças, de diferentes idades, correndo e brincando por aí… Um vento forte passou por Shu, e pétalas rosas dançavam junto com o vento, todas indo pra uma única direção. O vento lhe mostrou um caminho que levava a uma enorme árvore de cerejeira e sentada debaixo dela havia uma pequena garotinha… A atenção dele se voltou a ela e ele resolveu se aproximar, mas ao chegar perto, notou que a menininha estava chorando e seu choro era tão baixo que realmente só quem estava perto podia escutar.

- Oi… Por que está chorando? - ele se aproxima e se senta ao seu lado.

- U-um grupo de garotos zombou de mim – ela limpou o rosto, mas as lágrimas não paravam de escapar – E roubaram a minha boneca.

- Não acredito. - Ele se levanta – Eu vou pegar sua boneca de volta… Me espere.

Avistou o grupo de meninos e viu um deles com uma boneca na mão.

- Ei vocês aí! - Shu se aproxima.

Para os olhos dos adultos, aquilo não passava de uma briguinha boba de criança, mas para o pequeno Shu, era como se ele tivesse invadido um navio pirata inimigo e queria recuperar o tesouro que lhe foi roubado, tudo isso por causa de uma bela donzela que havia encontrado no meio da floresta. Para conquistá-la precisava recuperar aquilo, custe o que custar.

- Devolvam essa boneca para a menina! - Ele diz cheio de coragem.

- Claro que não, seu bobão! - Disse um marujo do grupo.

- Vem pegar. - o capitão deles o desafiou e mostrou a língua.

Nunca ninguém havia tido coragem de realizar tamanha ofensa contra Shu… Mostrar a língua é quase um pecado! Que horror.

Shu podia até ser menor que todos aqueles piratas, mas ele sabia que sua força podia derrubar todos eles. Então corajosamente, empurrou alguns marujos pra fora do barco e focou no capitão deles, o que possuía o tesouro em suas mãos.

Depois de uma longa batalha de espadas, Shu saiu vitorioso e com o tesouro em mãos. Abandonou o navio inimigo, voltou para a floresta para reencontrar a garotinha que estava chorando e terminar com o motivo de suas lágrimas.

- Olá de novo… Recuperei a sua boneca! - ele estendeu a mão e devolveu a boneca com um sorriso enorme no rosto.

- O-obrigada! - a menininha enxugou as lágrimas e pegou seu brinquedo de volta - Qual seu nome? - ela se levanta.

- Meu nome é Shu Sakamaki, e o seu?

- Bonito nome… O meu é-

A menina é interrompida por uma voz conhecida dele.

- Shu, onde está você? - sua mãe lhe procurava pelo parquinho, até que finalmente o avistou - Ah, finalmente te achei… Vamos voltar pra casa, já está na hora. - A mulher toma Shu pela mão e o leva para longe, sem dar chance dele escutar o nome da garota.

Enquanto Shu era puxado pela sua mãe, ele olhava pra trás, se despedindo da menina com apenas o olhar... Durante o percurso de volta pra casa, ficou imaginando qual seria o nome da donzela, observando pela janela do carro as árvores que passavam.

Quando chegou em casa, não perdeu tempo e pegou um papel e lápis de cor, para contar uma boa história através de um desenho. Usou toda sua imaginação e fez um desenho incrível, mas o que ele não conseguia nem imaginar era justamente o nome da garota. Tudo o que conseguia pensar era se ele a encontraria novamente, no dia seguinte no mesmo parquinho.

 

...

 

Shu estava sendo obrigado a ficar sentado em uma mesa, estudando. Quando estava quase no mesmo horário de quando estava ontem no parquinho, resolveu procurar a sua mãe e pedir para ir se aventurar novamente no parque.

- Mamãe! Quero ir ao parquinho de novo, por favor! - ele diz puxando o vestido da mãe.

- Ontem foi a primeira e última vez que você verá o parque… Agora volte a estudar. - disse firme.

- Mas mãe…

- Nada de "mas", não vamos ao parque e ponto final.

- Tudo bem. - Shu abaixa a cabeça, triste.

- Tsc, idiota. - Resmungou seu irmão, que estava ao lado de Beatrix, lendo um livro. - Olha mãe, eu já terminei de decorar este. - Reiji fecha o livro e espera ansioso pela resposta da mãe.

Beatrix mal deu ouvidos ao garoto, estava concentrada na pequena discussão que estava tendo com Cordélia.

Agora Shu era um prisioneiro e queria escapar da prisão que a delegada o estava mantendo. Ele queria a liberdade e não ficar trancado em sua cela, sendo rigorosamente punido.

Como sua mãe disse, ele voltou para seu quarto, mas se negou a ficar estudando. Ele queria apenas descobrir o nome de uma menina que estava do lado de fora dos grandes muros da prisão…

Ele fugiu de sua cela e desceu até os túneis antigos que ligavam a mansão e o mundo exterior. E sem pensar duas vezes ele correu por essas passagens subterrâneas e conseguiu chegar do outro lado… E como Shu era um garotinho esperto, já tinha decorado todo o caminho e sabia como chegar ao parque.

E ao chegar lá, abriu um enorme sorriso ao avistar a mesma menina, sentada debaixo da mesma árvore. Ele correu até ela e a menina também abriu um sorriso.

- Sabia que você voltaria. Olha, eu trouxe minha boneca… - a menina se levantou e mostrou a boneca.

- Eu precisava saber o seu nome. - ele se senta ao lado da garota.

- É Hana.

Ela sorri docemente… Um sorriso cativante, demonstrava uma felicidade pura, exatamente como o sorriso de toda criança deveria ser.

- Vamos brincar com os outros? - Ele aponta para o grupo de crianças que estavam no centro do parque.

- É que… Eles não gostam muito de mim… Por isso eu prefiro ficar por aqui, brincando sozinha. - sorri fraco.

Um silêncio fica entre os dois, Shu se sentiu mal por ela, se sentiu mal por que as crianças rejeitavam Hana… E Hana se sentiu mal por ele, que queria brincar com mais crianças.

- Bem, eu posso tentar brincar com elas de novo. - ela se levanta - Vamos lá.

Chegando lá, as crianças concordaram brincar com eles e resolveram brincar de espiões secretos dessa vez… Mas, Hana muita das vezes era excluída pela maioria das crianças. O motivo? Ninguém sabe, crianças podem ser maldosas as vezes, não são uns completos anjinhos como os adultos pensam que são.

Ela que era uma garota tão calma, começou a se irritar. “Ei, eu quero poder participar também!” Hana interrompeu a brincadeira e gritou, arruinando a missão secreta dos pequenos agentes.

- Você estragou a brincadeira! - um dos garotos disse.

- Não queremos você brincando com a gente mesmo, vá embora. - a garota vira de costas.

- Vocês estão me excluindo, quero poder brincar com vocês. - Hana já estava com lágrimas nos olhos, fazendo biquinho.

O pequeno Shu toma uma iniciativa e pega na mão de Hana e a leva pra longe daquelas crianças mimadas.

- Viu? Eu te disse… Ninguém quer brincar comigo. - Hana deixa as lágrimas rolarem pelo seu rosto.

- Eu quero brincar com você. - Ele sorriu e secou as lágrimas da mesma - Aquelas crianças eram chatas mesmo, nem sabiam fazer uma missão direito.

Os dois riram e voltaram pra debaixo da árvore de cerejeira, logo depois iniciando outra brincadeira muito melhor do que aquela outra.

Brincaram e deram risada a tarde toda.

- Eu tenho que voltar pra casa, está ficando escuro. - Disse Shu.

- Já está na hora de meus pais chegarem também, eu te vejo amanhã... No mesmo horário. - ela se despede e sai correndo, mas para no meio do caminho - Shu!

Ele que já estava meio distante, se vira novamente pra ela.

- Obrigada por hoje. - Ela sorri e volta a correr em direção aos pais.

Shu vê Hana correndo e quando chega perto deles, seu pai a recebe com um abraço apertado e sua mãe beija a garota na testa. Uma família feliz e unida... Ao ver aquela cena, Shu desejou de todo o coração que sua família fosse feliz também… Até desejou que Reiji e ele parassem de brigar.

Shu voltou para casa e correu de volta para o seu quarto, felizmente ninguém viu que ele tinha fugido. Fechou o grande livro que havia em cima da sua mesa de estudos e foi tomar um banho, pra logo depois ir descansar. Afinal, tinha brincado tanto que toda a sua energia tinha ido embora.

 

 

Um mês tinha se passado e todos os dias da semana os melhores amigos se encontravam… Hoje seria outro dia normal, Shu escaparia e fugiria para o parque.

Mas, sem que Shu percebesse, seu irmão descobriu o caminho que Shu usava para fugir. De longe, Reiji seguiu Shu até o parque e o observou de longe.

Reiji descobriu sobre a garota que Shu visitava e contou tudo para sua mãe... Claro que Beatrix ficou irada e mandou que Reiji acabasse com esse problema.

No dia seguinte, Reiji chegou mais cedo que Shu e avistou a garota encostada na árvore.

- Olá Hana. - Reiji se aproxima.

- Como sabe meu nome?… - ela se levanta.

- Meu irmão fala bastante sobre você.

- E-ele fala? - Hana fica envergonhada, com o rosto todo corado.

- Mas não do jeito que pensa… Todo dia reclama que tem que ficar brincando com uma garota irritante.

- O-o que?! Mas ele diz que adora brincar comigo… - Ela fica cabisbaixa e seus olhos começam a lacrimejar.

- Mas eu te observei de longe, e não acho isso… Deixe ele e venha comigo. - O pequeno sorri.

- O que está acontecendo aqui? - Shu aparece - Ele te fez chorar Hana? - era a primeira vez que Hana tinha visto Shu tão irritado.

- Saia daqui, seu falso. - ela estava brava, mas lágrimas escorriam pelo seu rosto delicado - Pensei que fosse diferente, mas agora sei que é igual a aquelas crianças.

- M-mas eu não fiz nada!

- Não se finja se desentendido, eu contei a ela que é um duas caras. - Reiji toma a frente e segura a mão de sua nova amiga - Vamos Hana, ele não merece nossa atenção - Ele a leva pra outro canto do parquinho e eles brincam juntos.

Ao ver aquela cena, Shu fica triste por ter perdido sua amiga e desapontado com seu irmão que destruiu tudo o que havia construído… Ele olha pra grande árvore ao seu lado e lembra da batalha que tinha enfrentado no barco pirata, se lembrou do sorriso de Hana quando ele devolveu sua boneca. Chorou em silêncio e não suportou ver seu irmão e Hana brincando, voltou pra casa.

Horas depois, seu irmão chega em casa.

- O que disse pra ela?

- O necessário para separar vocês. - ele arruma os óculos.

- Por que fez isso!? Ela era a única alegria que tinha. - franze a testa.

- Por que assim, virarei o favorito da mamãe e ganharei a atenção dela… Deveria aprender a valorizar o que tem.

Shu nunca foi de gostar de brigas, pelo contrário, era tranquilo e odiava brigar… Mas ali o seu sangue ferveu, fechou a mão e feriu seu irmão no rosto. Ele podia ser apenas uma criança, mas sua força já podia vencer um adulto humano…

Reiji limpou o sangue que escorria do nariz e se preparou para devolver o soco, mas Beatrix chegou e o repreendeu.

- O que pensa que está fazendo? Vá para o seu quarto e pense nas suas atitudes.

Reiji sai irritado e vai pro quarto.

- Tudo bem meu filho? - Shu afirma com a cabeça e Beatrix passa a mão em sua cabeça – Vá se arrumar por que hoje temos visitas.

- Uhum – Shu afirma novamente com a cabeça e se retira.

O que preocupava o pequeno era se sua amiga o perdoaria, nunca se deu tão bem com outra criança, apenas com Hana.

Todos os dias ele passava pelo parquinho e não a via em nenhum lugar, nem mesmo debaixo da árvore de cerejeira, o lugar que eles mais gostavam dali. E foi assim por uma semana, Shu chegava no parque e nada da garota chegar… No dia seguinte estava chovendo muito, mas, mesmo assim, resolveu escapar e esperar no parque - debaixo da árvore - para não se molhar.

Quando estava quase desistindo e voltando pra casa, ao longe vê Hana se aproximando…

- Oi Shu. - ela diz cruzando os braços, ainda chateada com o amigo.

- Oi Hana… - ele sorri abertamente – Pensei que não viria de novo.

- De novo? - a garota fica confusa.

- Sim, eu te esperei aqui todos os dias. Eu quero esclarecer as coisas… Meu irmão mentiu sobre mim.

- Por que eu deveria acreditar? - teimosa como era, quis manter a pose de durona, mas o seu coraçãozinho estava apertado.

- Se eu não me importasse, não ficaria te esperando por tantos dias.

Os dois sorriram e se abraçaram.

- Desculpa. - ela o aperta mais forte.

- Não precisa se desculpar. - se desfazem do abraço.

- Eu tenho que ir, meus pais não me deixam ficar na chuva… Não tem medo de pegar um resfriado?

- Eu não fico doente, eu sou forte. - sorri.

- Todos ficam doentes bobinho, deve voltar pra casa também, não quero que pegue uma gripe.

Shu concordou, por mais que ele soubesse que era um vampiro e não ficaria doente… Mas ele teve medo de que se contasse a ela quem ele realmente era, ela ficaria com medo e se afastaria. Então para manter sua amizade, resolveu esconder que era um vampiro.

Eles de despediram e pegaram caminhos opostos. Mal sabiam eles que ao longe, Reiji os observava… Isso aumentou a inveja que ele sentia de Shu.

- Shu tem o amor da mamãe e ainda por cima uma amiga que gosta dele. - ele encostou na parede onde estava se escondendo e deixou que seu corpo escorregasse, sentando no chão.

O céu chorava e dentro do pequeno Reiji chovia… Rejeitado pela própria mãe e feito como escravo do seu irmão, desde pequeno ele se sentia só e injustiçado.

Reiji tinha que fazer algo, tudo para orgulhar sua mãe… Inteligente como era, pensou em uma solução bem rápida para esse problema.

Na semana seguinte, Shu chegou alegre até o parque e se encontrou com Hana, já fazia parte da rotina. Hana chegava primeiro e esperava debaixo do ponto de encontro deles, ficava o procurando com o olhar e quando o via, abria um sorriso enorme e acenava… Mas hoje foi diferente, Hana não estava tão alegre quanto de costume.

- Aconteceu alguma coisa Hana? - disse Shu, preocupado.

- Está tão estranho lá em casa, meus pais estão colocando tudo em sacos e caixas… Desmontaram até meu armário. - ela diz cabisbaixa.

- Não me diga que… Você vai embora… - ele se senta e encosta na árvore.

- Ouvi meu pai no telefone, disse que vamos nos mudar pra uma outra cidade… Bem longe. - Hana se senta ao lado do amigo

- Você não pode ir… Com quem eu vou ficar, Hana?

- Um dia, quando formos maiores, eu venho te encontrar. - ela diz com lágrimas nos olhos.

- Se nos esquecermos? Como vamos nos encontrar?

- Deixaremos um lembrete pra nós mesmos! - Hana sorri, se levanta e pega uma pedra no chão – Essa árvore é muito importante pra gente né?

Hana escreve no tronco da árvore “Nunca se esqueça, S H”

- Pronto, sempre quando ver essa árvore vai se lembrar.

- Você precisa de algo pra se lembrar de mim também. - Shu tira a pulseira que carregava – Me dê seu braço.

Hana estende o braço e Shu amarra sua pulseira no pulso de sua amiga. Os dois se abraçam e Hana deixa que rolem algumas lágrimas.

- Que tal irmos logo pra nossa última brincadeira?

Shu concorda e os dois voltam a brincar… O dia passou tão rápido que nenhum dos dois perceberam. As horas se tornaram minutos, foi tudo como num piscar de olhos. Shu e Hana não se conheciam a muito tempo, mas sua amizade era tão pura que parecia que eles se conheciam faziam anos.

- Não olhe pra trás quando for embora, por favor.

- Não quero que me veja chorando, eu não vou virar. - ela ri. - Não se esqueça de mim Shu. - Hana beija a bochecha de Shu e ele cora na hora – Até algum dia…

Hana vira as costas e segue seu caminho, por mais que quisesse, não olhou pra trás…

Antes de ir embora, Shu pegou uma pedra e em volta da mensagem que Hana escreveu pra ele, desenhou um coração. Sorriu fraco e tomou o caminho de volta pra casa.

Os anos se passaram, Hana cresceu e não conseguiu fazer uma amizade que se parecesse com a relação que tinha com Shu… Ela fazia parte de um grupo, mas era a mesma coisa que não estar. Gostava de desenhar, assistia animes e adorava ler. A relação com os pais já não era a mesma, eles se amavam, claro, mas agora as preocupações da vida adulta eram bem mais importantes. Ou seja, desde que se mudou pra aquela cidade, seu mundo virou de cabeça pra baixo e nunca mais se arrumou.

Pvo’s Shu

Logo depois que Hana foi embora, descobri que não foi uma coincidência ela ter ido embora, mas, por mais uma vez, a culpa foi de Reiji. Me sinto culpado por isso, se não tivesse fugido de casa tantas vezes, talvez Hana ainda estivesse por aqui e não teria que ter passado por um processo de mudança e readaptação na nova cidade. Aprendi que quando me aproximo de alguém, de alguma forma, um dia ela vai se machucar. Minha mãe continuava me pressionando e Reiji continuava com seus golpes zombadores… Com o tempo, perdi o interesse de fazer qualquer coisa.

Os anos se passaram e meu pai se casou com mais duas mulheres – Cordélia e Christa – e delas, vieram mais quatro irmãos. No início, até que tínhamos uma boa relação, mas foi piorando ao longo dos anos.

Nunca me esqueci de Hana, e as vezes passo no mesmo parque e sento encostado na árvore, escutando música. Apenas lembrando daquela época… O parque mudou bastante, os brinquedos foram tirados daqui, mais sakuras foram plantadas e esse lugar virou ponto de encontro de amigos e casais. Me pergunto onde aquele par de olhos verdes foi parar… Deve estar feliz com uma dúzia de amigos ao seu lado, festas e sorridente, como sempre foi. Com minha pulseira em alguma caixa dentro do porão, junto com nossas lembranças, totalmente esquecido.

Agora tenho 18 anos e repetindo o terceiro ano. Do jeito que estou, vou ficar no terceiro pra sempre… Temos uma noiva de sacrifício e seu nome é Yui. Ela é irritante e barulhenta, mas insiste em ficar me enchendo.

Estávamos indo pra escola, como todos os dias, mas a limusine resolveu quebrar no meio do caminho. Eu não quis mais ficar ouvindo Reiji reclamar e ouvir mais discussões entre meus irmãos, então resolvi ir a pé e sozinho. Durante o percurso, eu passei pelo parque das cerejeiras… Muito escuro pra poder ver a mensagem de Hana de longe, resolvi continuar andando. Me arrependi de ter saído do carro, agora vou ter que andar até a escola e só de pensar na distância já me canso. Olho pro ponto de ônibus do outro lado da rua, mas acho que está muito tarde para os ônibus estarem circulando… Percebi que estava errado quando ouvi o transporte chegando perto da parada. O veículo para e lá dentro vejo uma mulher se levantar, a única passageira que estava sentada ali. O barulho irritante do ônibus volta a me perturbar e ele parte, revelando a moça que me chamou atenção.

Estava bem agasalhada e com uma mala pequena nas mãos… Seu celular toca e a mesma rejeita a ligação, olha ao redor e seus olhares se encontram com os meus. Foi questão de segundos, mas senti que a conhecia. Ouço uma buzina e levo um pequeno susto… Era a limusine parada bem na minha frente.

- Congelou aí? - Laito abriu a janela do carro.

Não respondo nada, apenas entro dentro do carro e seguimos viagem. Talvez, se eu tivesse mais alguns segundos, saberia quem era a moça.

Fiquei com a imagem daquela mulher na cabeça… Por conta da distância e a falta da luz, não pude reconhecê-la. Pode ser minha mente pregando uma peça em mim, tenho pensado muito sobre minha infância nesses dias.

Bem, no dia seguinte resolvi ir pra lá, ao meio dia e meio. Vi alguns casais andando juntos e amigos estendendo uma toalha listrada no chão, prontos para um piquenique. Fazia frio e por causa do outono, pétalas rosas voavam pelo céu e logo aterrissavam no chão, pintando todo o caminho com tons de magenta.

Indo em direção a minha árvore, encontro uma garota observando o desenho na árvore. Ela se agacha e coloca uma das mãos por cima do desenho… Cabelos castanhos, o corte curto realçando seu belo rosto e seus olhos verdes, feito esmeralda, um sorriso se forma em seu rosto e ali eu tive a certeza de que se tratava da mesma menina que eu havia esperado a muito tempo. Hana ainda se lembra de mim… Esse fato fez com que uma euforia surgisse dentro de mim, coisa que nunca mais senti, desde quando ela foi embora.

Mas talvez seja melhor que eu me afaste, aprendi a não me aproximar demais dos humanos. Só trago desgraça pra eles… Edgar e Hana, não atrapalharei suas vidas. É bom saber que ela está bem, forte e bonita… Não posso estar ao seu lado então só posso lhe desejar boa sorte, Hana, seja feliz.

Mesmo se eu fosse apenas trocar algumas palavras com ela, o que diria? Quando ela me perguntasse sobre o que eu fiz no tempo que ela estava longe, o que falaria a ela? Que deixei que a vida me levasse e não fiz nada além das minhas obrigações? Melhor que ela ainda pense que sou determinado como era antes.

Dou meia volta e sigo o caminho de volta pra casa… Um vento forte bate nas minhas costas e uma folha de papel voa por cima de mim. Ouço passos rápidos vindo na minha direção e logo vejo Hana ir buscar o papel de voava junto com o vento. Ela saltou e conseguiu recuperar o papel.

A garota se vira e se depara comigo. Por alguns segundos ficamos em silêncio.

- S-Shu? - ela me olha incrédula

- Oi Hana – sorri levemente

- Eu disse que vinha atrás de você – ela sorri, mas lágrimas escorrem pelo seu rosto.

- Hana, por que está chorando? - disse levemente preocupado

- Só estou alegre, são lágrimas de alegria. - ela limpa seu rosto – Como cresceu Shu, da última vez que te vi, eu era maior que você.

- O que? Claro que não. Eu sempre fui o maior – cruzei os braços.

Hana ri

- Ah nossa, você mudou demais…

- Já eu, diria que você não mudou nadinha. Continua sorridente como sempre.

- Se você acha isso… Tudo bem. - ela desvia o olhar – Quer tomar um café? Sei que tem uma cafeteria por aqui – Hana procura ao redor.

- Não vai precisar Hana, eu já estou de saída. - coço atrás da cabeça

- M-mas já? Eu praticamente acabei de chegar. - ela estala a língua contra o céu da boca – Tudo bem, fique com o meu número… Não deixe de ligar, ou mandar mensagem, okay? - ela sorri sem mostrar os dentes.

- Tudo bem.

Eu estava prestes a sair e deixar o meu adeus, mas alguém conhecido chega e acaba com meus planos.

- O que você faz aqui? - Reiji chega por trás de Hana

- Reiji? - Mais uma vez, Hana fica impressionada.

- Olá Hana. Fico feliz em vê-la. - ele age educadamente, como sempre.

- Bem, que sorte poder encontrar os dois.

- Pensei que tinha lhe visto ontem a noite e vim até aqui verificar - ele faz uma pausa – Deve estar um pouco decepcionada ao ver seu amigo Hana.

- Não entendi, por que eu me sentiria assim? - ela ergue uma das sobrancelhas.

- Então parece que ele não te contou sobre como virou um preguiçoso e covarde depois que você foi embora. - ele arruma os óculos – Mas enfim, sobre o que estavam conversando?

- Eu ia com Hana pra uma cafeteria aqui perto, já estamos de saída… Certo Hana?

Hana fica meio confusa e sem reação alguma, então eu tomo a frente e tomo sua mão, a levando pra longe dele. Quando tomamos distância, a solto.

- Reiji continua daquele jeito? - Ela olha pra trás.

- Não olhe pra trás.

- T-tudo bem. - ela volta sua atenção ao caminho – Bem… Fico feliz que mudou de ideia.

Eu devo dizer que não posso ir, mas, não consigo. Hana está muito feliz em me ver e posso dizer que também estou. Apenas um passeio até a cafeteria não fará mal, depois disso, posso deixar Hana seguir sua vida.

Chegamos na cafeteria, sentamos em uma mesa e a conversa foi fluindo… Me esqueci de como Hana conseguia arrancar um sorriso fácil de mim, de como me sentia bem ao seu lado.

- Como veio parar de novo por aqui?

- B-bem, eu meio que… Fugi de casa. - ela coça atrás da cabeça.

- O que? Por que?

- Por que lá é um inferno. Pelo menos pra mim… Meus pais adoram aquele lugar, mas parece que eles não ligam muito pra minha opinião. Eu tinha uma vida bem melhor aqui, então resolvi voltar pra cá.

- Tem um lugar pra ficar? - tomo um gole de café.

- Estão precisando de uma garçonete nessa cafeteria, vou ver se eles me aceitam… Mesmo assim, tenho dinheiro suficiente pra sobreviver por um ou dois meses. - ela respira fundo – Não se preocupe comigo.

- Não tem nenhum parente por aqui?

- Tem uma tia, mas ela com certeza, não me aceitaria. - Hana termina seu café – Pelo menos não estou completamente sozinha. Você é o único que eu tenho contato por aqui agora, fico aliviada por isso. - ela coça atrás da cabeça.

Droga. Como sumir da vida de Hana agora? Não quero decepcioná-la e nem trazer mais problemas… Não tenho escolha, passarei algum tempo com ela e sumirei aos poucos.

Todos esses anos, eu passava por essa praça com uma leve esperança no coração de encontrá-la, mas agora que isso realmente aconteceu, penso que nunca deveria ter desejado que isso acontecesse. Mesmo assim, uma parte de mim me diz pra ficar e desfrutar o máximo possível de todos os momentos que podemos passar.

Seria bom uma companhia? Acho que nem sou capaz de ser uma boa companhia pra alguém, quem passaria tempo comigo?

Pvo’s Hana

É bom rever Shu novamente, estou extremamente feliz por tê-lo encontrado… Ele mudou, tanto de aparência, quanto de personalidade. Está tão quieto e sereno… Deve ser porque acabamos de nos rever e é meio esquisito, admito.

Será que ele teve uma má impressão de mim? Uma esquisitona, perdida no mundo… Eu estou bonita, certo? Nem dormi direito e meu cabelo tá uma bagunça.

Além do Shu, vi Reiji… Não me lembro, mas sei que ele fez algo com Shu que me deixou enfurecida com ele, os anos passaram, e ele não mudou. Triste fato, mas algumas pessoas não mudam, nem o tempo pode mudá-las. São o que nascem e ponto final.

Depois que eu parti, as coisas só foram pra trás… O papai perdeu o emprego, tivemos que ir pra cidade onde minha avó mora que é bem afastado da cidade grande. Lá meu pai achou um trabalho legal e aos poucos conseguimos reconstruir nossa vida. Nós já tínhamos condições de voltar pra nosso lar, por que não voltar pra vida em Tóquio? Eu já discuti várias vezes com meus pais, eu não sou feliz lá. Eles não me dão ouvidos… Eles sempre vem com os mesmos argumentos, mas acredito que os meus são bem mais válidos. “você tem vários amigos por aqui, por que quer ir embora?” “e o seu namorado?” “e o seu emprego de meio período que arranjou? Não está satisfeita com isso?” “Estamos felizes aqui perto da sua avó, isso é só uma fase sua”.

O maior problema é a escola. Quando cheguei, fiquei no meu canto, como sempre… Estava indo tudo bem, as pessoas eram indiferentes comigo e eu gosto disso. É um tipo de “Nada a favor e nada contra”, o que me fazia ficar satisfeita. Até que apareceu o cara mais popular da escola na minha frente e iludida, eu aceitei os sentimentos dele. Entrei no grupinho dos populares e nem consegui me acostumar… Logo na semana seguinte, esses “amigos” faziam piadas sobre mim e com o passar do tempo foi piorando. Virei a pessoa na qual eles podem pisar e eu nem posso reclamar, por que viraria a chata que não aguenta uma piada.

Agora devem estar se perguntando… E o meu namorado? (Agora Ex) Ele apoiava tudo isso que faziam comigo. Não é mais o tal “príncipe encantado” que tinha conhecido… Depois de muita luta, consegui me separar dele. Possessivo, acha que eu sou dele. Tinha até medo de que ele começasse a me perseguir e eu acabasse como aquelas garotas que são mortas pelo ex maluco.

Tem outra… O professor de química é meio esquisito – se é que me entendem garotas… – Também morro de medo dele. Conclusão sobre minha vida escolar: Um inferno, vivo encolhida e evitando a maioria das pessoas.

É a única escola da droga da cidade, nem dá pra mudar.

Também existem outros aspectos e uma lista de coisas de motivos do por que odeio aquele lugar, isso inclui a merda do meu emprego e as pessoas horríveis que trabalham lá. Simplesmente horrível e não é apenas uma “fase” como mamãe e papai dizem… Traumas são permanentes okay? Nunca que eles investiriam em consultas com um psicólogo pra mim.

Eu gosto dos prédios, não dos quilômetros de plantações. Na cidade era tudo perfeito. Por isso eu voltei pra cá, pra Tokyo. Fugi como protesto e pelo bem de mim mesma e pela volta da união da nossa família.

Voltando para o presente… Shu, meu melhor amigo de infância que por incrível que pareça, ele se lembra de mim, está na minha frente, tomando um latte americano e conversando sobre nosso passado juntos.

Ele já era uma criança muito bonita, mas agora… Nossa… Acho que eu nem tenho palavras pra descrevê-lo e é absurdamente incrível do jeito que ele se encaixa na minha visão de “o cara perfeito”. Tenho que me afastar desses pensamentos, se não, meu coração me cegará novamente.

- Nem acredito que consegui te achar tão rápido… Só consigo pensar que tivemos uma pequena ajuda do universo pra isso acontecer. - ri.

- Também penso o mesmo.

- Vai passar aqui amanhã?

- A-amanhã?

- Talvez você veja eu mesma te servindo um latte americano. - apoio os braços na mesa.

- Tudo bem, talvez eu venha. - Ele desvia os olhares.

- Quero te mostrar algo também. - me levanto – Te vejo amanhã?

Se quero garantir que ele venha, tenho que deixar a curiosidade no ar.

- Talvez, amanhã um cappuccino vá bem. - ele sorri levemente.

- Certo! - abri um sorriso enorme.

Me despeço e sigo meu caminho… Tomara que eu consiga a vaga, dependo desse emprego.

 

Acordo cedo no dia seguinte, o despertador do celular me acorda pro primeiro dia de trabalho. Pego o aparelho e desligo o barulho que me perturbava… Tem 20 chamadas perdidas da mamãe. Será que eles chamaram a polícia pra me procurar? Mesmo assim, acho que demoraria pra eles me encontrarem… Tanto faz, daqui eu não saio mais.

Fui pro trabalho, as pessoas são legais aqui, meu primeiro dia aqui foi mil vezes melhor do que o primeiro dia de trabalho lá.

Não consigo esconder o quanto quero que aquele loiro apareça e abra aquela porta… A moleza acabou quando o horário de pico começou a chegar, vários clientes e tantos pedidos que nem dava tempo de respirar.

- Hana, um cappuccino com canela pra mesa 7. - uma colega deixa o pedido em cima do balcão.

Pego o pedido e levo até sua respectiva mesa.

- Aqui seu pedido senhor, tenha um bom apetite… - presto atenção no moço a minha frente e… É ele! - Shu! - digo surpresa -

- Obrigado Hana.

- Você veio… Fico feliz. - sorri docemente.

- Só estava com sede e passei por aqui.

- Tenho que ir, já já me chamam…

- Eu espero seu expediente acabar, pode ir indo.

- Okay.

Meu rosto esquenta ao ouvir Shu dizer aquilo… É legal da parte dele me esperar.

Algum tempo depois, finalmente toda essa loucura acaba. Pego as minhas coisas e venho ao encontro de Shu.

- Acabei por aqui… Obrigada por me esperar. - me sento em sua frente.

- Deu pra descansar um pouco.

- Eu disse que tinha algo pra te mostrar… - tiro meu caderno de desenhos da bolsa – Aqui está… Nunca mostrei eles pra ninguém, você é o primeiro a ver isso. - entrego a ele.

O mesmo fica por um tempo observando meus traços e dando atenção a cada detalhe de cada desenho. Tudo isso em silêncio, me deixando bem nervosa.

- São lindos, deveria mostrar pro público. - ele me entrega de volta.

- As pessoas só me criticariam, melhor deixar assim mesmo.

- Na arte, não existe certo e nem errado. Quem critica os traços de alguém, apenas é um ignorante que não sabe como apreciar a arte. - ele se levanta.

Não digo nada… Aquilo aqueceu meu coração, de verdade.

Nós saímos do café e voltamos ao mesmo local de onde nos conhecemos… A cerejeira, esse lugar, eu o amo de uma forma que nem consigo explicar. Minha paixão está aqui, nunca deveria ter deixado pra trás esse lindo lugar. Lugar onde minha alma se acalma e me dá conforto, me dá lembranças felizes e marcantes.

Nos sentamos debaixo da nossa árvore e continuamos mantendo silêncio… Shu olhava aquele lugar da mesma forma que eu, com olhares melancólicos. Ele fecha os olhos e sente a música que tocava nos fones de ouvido dele. Me pergunto qual seria o gosto musical dele. Será que se adequada ao meu? Pensando bem… É difícil de encontrar alguém que aprecie um Instrumental, sempre gostei de ouvir piano ou violino, simplesmente me encanta.

Tomo meu celular e meu fone e escuto minha música. Aquele momento me deu uma boa ideia de um desenho e não hesito em pegar meu caderno e traçar algumas linhas, deixando minha imaginação tomar conta do lápis.

Os olhos de Shu repousam sobre meu desenho e ele me observa desenhar em silêncio.

Me sinto relaxada.

 

 

Já se foram duas semanas.

Foi tudo muito rápido. Agora Shu e eu voltamos a sermos amigos íntimos, uma boa amizade… Descobri que Shu tem mais irmãos além de Reiji. Ele me contou sobre todos eles resumidamente e eles não me parecem más pessoas.

Sei onde Shu e seus irmãos estudam e achei bem interessante sobre a aula à noite.

Todos os dias, alguém em especial vem pedir um café americano gelado lá no meu trabalho, a mesma mesa de sempre, a perto da janela. Logo depois do meu trabalho, nós nos sentamos debaixo da cerejeira e passamos o tempo conversando ou em silêncio escutando música. Ele gosta do mesmo estilo de música que o meu e agora, dividimos os fones, é uma experiência nova pra mim e até que gostei de compartilhar essa sensação.

Estou com o coração apertado, estou com saudade dos meus pais. Eles pararam de ligar faz dois dias… Eu deveria ter atendido quando tive a chance.

Hoje, Shu não veio… Tudo bem, deve ter tido um problema. Voltei pro hotel onde estou hospedada e procurei algo pra tirar meu tédio.

Deveria fazer uma surpresa e visitar Shu na escola dele? Acho que não seria bom… Ele poderia me achar meio grudenta.

 

~ algumas horas depois ~

Fiz um bolo e vou levá-lo até Shu, na escola, no horário da saída. Saí um pouco mais cedo e fui em pé até onde marcava o meu GPS.

Uma escola enorme e linda… Me fez lembrar que fiquei a duas semanas sem pisar na minha escola e que isso pode me prejudicar um pouco. Mas tudo bem, logo morarei por aqui – se tudo for de acordo com meus planos – tudo voltará ao normal em poucos dias.

Ao longe, fora da escola vejo Shu… Mas ele não está sozinho, uma menina pequena e loira está com ele. Ele está a prendendo contra a parede e seu rosto se aproximando cada vez mais a menina.

Aquela cena, foi como uma facada no meu coração, meu bolo caiu no chão por causa da fraqueza que me atingiu… Eu nem sei por que, mas doeu tanto que o céu resolveu chorar junto comigo. Minha roupa já era, meu bolo já era… Tudo ficou encharcado.

Eu deveria ter desviado o olhar, mas algo me obrigou a continuar olhando… Era mais fácil acreditar que fosse um beijo no pescoço da garota, mas um chupão no pescoço não envolve presas e sangue… Não mesmo.

Meu corpo tremeu por dentro… O que exatamente acabou de acontecer?

A pele fria e pálida, caninos maiores… Isso era pra ser um mito, não? Minha cabeça dói, não posso acreditar nisso, é besteira.

Eu vou pra casa, meu coração ainda está arrasado. Uma dor de dentro, se fosse visível, poderia ver meu sangue jorrando e derramando no chão, uma faca fincada no meu peito…

Hoje, nessa noite, eu descobri sobre o que sentia. Por um tempo quis me afastar disso, mas meu coração já fez sua escolha, e ele escolhe Shu Sakamaki, um amor de infância que ele quis reviver.

No dia seguinte, acordei gripada, com certeza foi culpa da chuva que me pegou de surpresa… Eu quero minha mãe, quero poder chorar que nem uma criança em seu colo. Não tenho minha mãe comigo aqui, mas eu posso escutar sua doce voz… Já chega de me esconder. Peguei o celular o liguei pra ela.

Ela atendeu de imediato e eu só soube chorar… Disse a ela que eu não aguentava mais o interior e fugi pra onde eu era feliz, não quero mais viver calada por onde passo e ela finalmente me entendeu. Todos finalmente me entenderam.

Depois que eu me acalmei, papai disse que já tinha mandado um currículo pra uma empresa em Tóquio e já estava quase tudo pronto para voltarmos… Disse que estava morrendo de saudades e tudo foi resolvido em questão de minutos.

Cheguei superatrasada no trabalho, mas disse que seria a última vez que isso ocorreria e fui liberada.

O problema foi quando ele atravessou a porta do estabelecimento. Eu deveria agir como se nada tivesse acontecido, mas sei que sou péssima em esconder qualquer sentimento e tudo vai dar errado quando ele ficar cara a cara comigo.

Pedi para que outra pessoa levasse o pedido até a mesa 7 e depois de terminar meu trabalho, quis sair sem que ele percebesse.

- Aconteceu algo? - lá estava ele, bloqueando minha passagem.

- O que? Claro que não. - ri – Achei que não vinha hoje, acho que nem percebi, desculpa. - Sorri sem graça.

- Hum.

- Vamos pro lugar de sempre?

- Tudo bem. - ele concorda.

No caminho, o vento frio me fez espirrar várias vezes… Shu pegou seu cachecol e o colocou no meu pescoço, não dizendo nenhuma palavra. Odeio isso, ele não diz nada quando age desse jeito comigo, me deixa irritada. Não posso adivinhar o que ele sente só por ações, pode ser apenas um amigo preocupado ou ele está dando alguns sinais. Eu simplesmente não entendo.

Sentando debaixo da árvore, escutamos música… Mas eu realmente preciso tirar essa história a limpo.

- Shu… Acredita em vampiros?

Ele se vira pra mim – Vampiros? - ele diz.

- Isso. - comecei a suar de nervosa

- O que você viu exatamente? - ele tira o fone

- Eu perguntei se você acredita ou não. - engoli a seco

- Não posso esconder mais… Hana, acredite ou não, eu sou um vampiro.

Pude ver o tempo parar, a imagem dele me olhando profundamente ficou gravada na minha cabeça.

- Agora já pode sair correndo e nunca mais falar comigo. Ande logo e não olhe pra trás. - ele se levanta.

- Não mesmo! - me levanto junto – Por que eu iria embora? Não me importa se você é um vampiro ao não, você continua sendo você. - franzi a testa.

- Tem certeza?… É um caminho sem volta. - ele se aproxima.

- Tenho. - me aproximo também.

Como um milagre, um sonho realizado, eu tenho os lábios de Shu se chocando contra os meus… Foi tudo tão intenso que nem me importava com as pessoas ao redor olhando. As presas de Shu cortam uma parte de meus lábios e um gosto de ferro invade minha boca, mas não ligo, nem um pouco.

Tudo bem Shu… Agora que você tomou meu coração, não vou deixar que fuja com ele. Também prometo, que se algo acontecer entre nós, te farei feliz, retribuindo da mesma forma que você me deixa alegre.

Agora que reconheci o que realmente sinto, meu alimentar meus sentimentos, sem medo… Ainda que algo dê errado, disse que queria uma nova vida e correr riscos está no topo da lista.

Quando querer ir embora, darei mil motivos pra ficar… E quando pensar que já deu o que tinha que dar, recomeçarei.

Pvo’s Autora.

Alguns anos se passaram, e os dois viveram momentos mágicos juntos… Ele, era tudo pra ela, a principal razão de ter largado tudo e voltado pra Tóquio, aquele que a fazia sorrir todos os dias.

Ela, a mulher que deu uma chance a ele de recomeçar, que plantou em seu coração um novo propósito, fez com que sua esperança que era pequena, crescesse e deu brilho ao seu olhar.

Os dois compreenderam que sua união fora feita com uma pequena ajuda da natureza… Entenderam que o universo quis assim e ficaram satisfeitos com essa escolha. Afinal, se amavam de todo o coração e alma.

E a árvore, aquela qual fora marcada por eles? Bem, ela viu tudo e presenciou todos os momentos de felicidade e os de dificuldade também… O primeiro beijo, o pedido de namoro, o noivado e agora curtindo a vida de recém-casados. Nunca tinha presenciado um casal tão feliz…

Pvo’s Shu

Hana, só posso agradecer. Ela me deu a graça da vida novamente…

Agora que estamos casados, acredito que não exista mais nada que tente nos separar.

Uma garota gentil e que sempre dá novas chances pra qualquer um que seja, um coração puro e inocente. Sincera e nunca a vi mentindo… Tão bondosa que é capaz de esquecer de si mesma por conta de outro alguém, isso é o que mais admiro nela… Me pergunto… Seria essa a Eva? Eva me escolheu? Se sim… Eu serei o Adão.

Quem poderá ter a certeza disso, seria Karlheinz, mas não quero vê-lo, nem tão cedo.

Essa semana não foi tão boa quanto as outras, Hana está passando bem mal. Não queria comemorar antes da hora, mas, acho que ela está grávida.

De manhã, acordo e desço as escadas, a encontrando preparando o café da manhã.

- Bom dia – a abraço por trás

- Bom dia Shu, dormiu bem? - ela se vira pra mim e envolve seus braços no meu pescoço.

- Sim… Mas quero saber de você. - deixo um selinho em seus lábios – Está melhor? Hoje vou te levar pro hospital.

- Não quero ir. - ela franze a testa

- Passou uma semana inteira mal, e não vai pro hospital? E se estiver grávida?

Hana se solta de mim.

- Eu não tô grávida. - ela volta a preparar a mesa

- E se estiver? Posso te dar um cascudo se o médico falar que o teste deu positivo? - me sento para me servir.

- Pode. - ela dá de ombros.

Logo após o café, fomos para o hospital e logo fomos atendidos… Hana fez alguns exames e esperamos pelo doutor para sabermos dos resultados. Não podia mais esperar para que chamassem pelo nome de Hana logo, uma ansiedade que mal cabia em mim.

A essa altura, os outros já haviam chegado. Ayato, Laito e Kanato em um canto, Ruki e Reiji conversando sobre algo que não entendo, Yuma estava ao meu lado e Subaru ao lado de Hana. Kou e Azusa saíram pra comer algo…

O doutor abre a porta e chama por Hana. Todos param de fazer o que estavam fazendo e param sua atenção a minha mulher.

Ela está relutante, com medo. Tento acalmá-la, mas também estou no mesmo estado, não tem nada de muito que eu possa fazer.

- Não se preocupe Bitch-chan, vai dar tudo certo. - Laito se aproxima – Não sei se estou pronto pra ser tio.

- Vamos querida. - seguro sua mão e fomos em direção ao médico que nos chamava.

Chegando dentro do consultório, sentamos em frente ao doutor e ele não estava com cara de quem traz boas notícias.

- O resultado deu negativo pra gravidez.

- Negativo? - Ela diz

- Então, o que ela tem? - comecei a me preocupar

- Eu suspeito que seja algo, mas não posso confirmar antes de fazermos alguns exames a mais.

Hana segura minha mão com um pouco mais de força.

- Pode ser grave?

- Depende… A quanto tempo está se sentindo mal? - ele continua analisando os papéis.

- Um a dois meses. Mas piorou muito nessa semana.

Dois meses? E nada dela me contar…

- Isso é ruim, devemos começar hoje mesmo.

Passamos praticamente o dia inteiro dentro do hospital, fazendo uma bateria de exames. Tudo o que eu pedia era pra que não fosse nada grave…

Pvo’s Hana

O que anda acontecendo comigo? Pedi tanto pra que fosse uma criança, mas não foi como eu pedi. Estou com medo, os médicos ficam fazendo exames em mim e a cara deles vai piorando a cada exame que passa.

Depois que tudo foi feito, o médico chamou meu marido pra eles conversarem em particular… Tem uma coisa muito errada, eu sei. Por que ele não me chamou também?

Shu vem em minha direção e eu me levanto rapidamente.

- O que eu tenho? Já descobriram? - digo hesitante.

Shu me abraça e apoia a cabeça em meu ombro. Ele começa a chorar, me dando a certeza de que vai ser bem mais difícil do que eu pensei.

- Shu, me fala logo!

- Eles vão… Te internar aqui. - ele ergue a cabeça

- Eles vão o que?

Logo algumas enfermeiras chegam perto de nós.

- Pode nos acompanhar senhora Hana Sakamaki?

- Shu… - olho pra ele buscando alguma ajuda.

- Nós temos que ir… Eu estarei com você, em todos os momentos.

As enfermeiras me oferecem até uma cadeira de rodas, mas eu recuso. Shu anda comigo e companhamos as enfermeiras, logo eu estava num quarto, deitada numa cama e ele numa poltrona ao lado.

Dentro daquele quarto pequeno, senti que entraria em desespero… Eu quero sair correndo daqui e não olhar pra trás.

Um tempo depois Shu atualizou os meninos e contou sobre minha situação, todos ficaram chocados com a notícia.

 

Pvo’s Shu

Mais uma semana se passou e o estado de Hana piorou muito, hoje o médico passa com mais outros resultados de exames.

Temos que passar por isso, vamos Hana, reaja… Por favor, é só isso que eu peço.

Novamente o doutor me chama para conversarmos e fui esperançoso por uma boa notícia.

- Bem senhor Shu Sakamaki… O que eu tenho pra lhe dizer é…

- Uma boa notícia, certo?

- Essa doença que tomou conta da sua esposa… Não podemos fazer muita coisa, ela tem algumas semanas de vida. - ele respira fundo – Eu sinto muito. - ele toca meu ombro e segue seu caminho.

Meu chão se foi, meu mundo se vai em algumas semanas e eu não posso fazer nada, absolutamente nada…

Volto pro quarto mas, apenas meu corpo, minha alma ficou pra trás.

- E as notícias Shu? Eu vou melhorar? - ela sorri fraco

Não posso perder esse sorriso… Por favor, alguém a salve... Por mim.

- Vai sim – uma lágrima corre pelo meu rosto – Tudo vai ficar bem Hana.

- Tem certeza?

- Claro – limpo meu rosto e me aproximo dela - Logo voltaremos a nossa vida normal. - me sentei ao seu lado.

- Isso é bom. - ela respira aliviada.

 

 

Uma semana, duas semanas, três, quatro… Cinco semanas se passaram e a cada dia meu coração fica ainda mais apertado.

Mas hoje, como se fosse um milagre, Hana estava ótima, como se não tivesse nada… Foi uma tarde divertida e alegre, Hana estava de volta.

Agora é exatamente meia-noite. Hana já está cansada de tanta agitação.

- Hoje foi um dia legal. Espero que amanhã seja assim também. - ela diz, se aconchegando no travesseiro.

- Logo estaremos de volta em casa.

- Sim… Realmente quero isso. - ela sorri – Shu… Eu te amo, muito mesmo.

- Eu também te amo pequena.

Me aproximo dela e deposito um beijo em seus lábios e me sento em minha poltrona.

- Shu… Se eu não sair daqui… Me promete que vai me encontrar na nossa outra vida? - ela fica séria.

- Não diga besteiras, nós vamos sair daqui sim. - a repreendi.

Hana apenas nega com a cabeça e sorri pra mim, logo fechando os olhos.

- Boa noite Shu… Te amo.

Ri nasal e logo caio no sono também.

 

Estou numa praia, descalço, Hana brinca na beira da praia, correndo e pulando, arrancando algumas risadas minhas… Ela parece uma criança…

De repente, ela para e começa a entrar no mar.

- Ei Hana! Volte! - me aproximo e fico na beirada da praia – Quer se afogar?

- Eu tenho que ir Shu – ela sorri

- Eu vou ir te buscar aí! - dou um passo pra frente.

- Não Shu, você não pode passar pra cá… Tem que ficar aí na praia, não é sua hora ainda.

- Como assim? Que besteira, venha logo pra cá. - franzi a testa

- Shu… Me promete que vai ficar na praia. Por mim, certo?

Ela segue seu caminho, até a água cobrir sua cabeça… Eu grito desesperadamente por ela, mas não adianta, não consigo dar mais nenhum passo à frente.

 

Eu acordo com uma leve brisa batendo no meu rosto e com o coração a mil. Vejo Hana ao meu lado, ela está bem, um alívio... Eu fecho a janela, para não deixar Hana com frio… Mas, quando dou as costas… Os apitos que eu nunca imaginaria que ouviria, chegaram aos meus ouvidos.

O som das ondas do mar cessaram e o som perturbador dos apitos das máquinas começaram.

Não, não agora, por favor, não.

- Hana! Não me deixe agora, eu não permitirei isso! - corro pra perto dela e a seguro nos braços – Hana…

Os enfermeiros chegam correndo e me dizem pra sair do quarto. Mas eu não vou, eu disse que não a deixaria… Eles me obrigam a sair, mas eu sou muito mais forte que todos eles juntos.

Tiveram que ligar para um dos meus irmãos pra me tirarem de lá.

 

Não consegui ficar perto do caixão no funeral… No enterro, não havia mais lágrimas a serem derrubadas.

Hana está morta, meu mundo foi enterrado a sete palmos abaixo. E eu não pude dizer nada, não pude dizer adeus corretamente. Nem a oportunidade de dar um último abraço quente e demorado.

Eu não consigo chorar direito, estou sendo sufocado pelas palavras que deveria ter dito, fico tão sufocado que quero gritar.

No mesmo dia fui ao parque e  a cerejeira… Senti tanta raiva quando a vi.

- Como ousa florescer hoje? - encaro a árvore, que ao contrário de mim, está cheia de vida.

Hana, eu te vejo e sinto seu cheiro… Não importa aonde eu vá, você sempre está lá, está na minha cabeça. Não consigo me perdoar.

Meus dias se tornaram os mesmos como os de anos atrás… Sem vida, vazios. Ela não merecia morrer, uma pessoa como ela, não deveria morrer tão cedo… É injusto.

Uma noite, eu fui beber… Quero que a bebida acabe comigo, quero que ela me faça esquecer, nem que seja por alguns segundos, toda essa dor.

Comprei algumas garrafas no mercado e fui tomando pelo caminho. Rua escura e sem movimentação… O parque, do mesmo jeito.

A noite apaga o rosa das pétalas, as deixando cinza, mas, debaixo da árvore, uma luz brilhava… Uma mulher, com um vestido branco, ela brilhava mais que a própria lua. Hana, era ela. Quem mais brilharia desse jeito?

Com meu andar errante, me aproximo dela.

- Shu. - ela sorri.

- H-Hana, v-você está aqui... Estou com saudades.

- Eu também estou Shu… Mas, tem que parar de viver desse jeito. Como acha que eu me sinto quando te olho lá de cima?

- Me desculpe, eu não consegui... Não consegui te salvar - lágrimas invadem minha face.

- Não se culpe por isso… Meu tempo na terra infelizmente terminou... Mas você me deu uma vida incrível. - ela respira fundo – Precisa seguir em frente… Não se preocupe, sempre olharei por você… Não se esqueça da promessa que eu lhe fiz em cima do altar... Eu te amo, Shu

- É difícil sem você.

Tento alcançá-la, mas ela acaba se desmanchando em minhas mãos e como pétala vai voando junto com o vento…

- Eu vou tentar, Hana. - Minhas pernas perdem a força e acabo caindo de joelhos no chão.

 

Os dias que eram longos, com o tempo voltaram ao normal. E em uma bela manhã, o sol bateu nas janelas e o vento entrou no quarto sem permissão…

 

- Shu, o que está fazendo? - Laito se aproxima.

- Plantando uma cerejeira.

- No meio do jardim? - ele ergue uma sobrancelha.

- É… Assim posso vê-la do meu quarto… - sorri, terminando de regar a semente.

 

Eu não consigo vencer o meu coração triste
Novamente eu estou suportando as escuras noites de insônia
Sem considerar o meu desespero
A manhã indiferentemente me acorda

A ferida arde mais do que esperado
A dor vai mais fundo do que esperado
As inúmeras noites ressentindo você, são como o inferno para mim

Por favor, fique ao meu lado, por favor, fique comigo
Por favor, não me deixe ir, eu que estou segurando a sua mão
Se você der mais um passo para longe assim
Eu posso simplesmente dar mais um passo e é o bastante


Apenas me segure, me abrace um pouco
Não diga nada e apenas corra até mim
Com um coração que é nada além de solitário e ansioso
Eu estou te esperando assim

Eu te amo, eu te amo
No longo silêncio, um som vem, gritos
Do meu coração tolo e fraco”

Hug Me - Taehyung e Hoseok (BTS)

 

~ A árvore de cerejeira~


Notas Finais


Olá... Enxugue as lágrimas e respire fundo. ksksks
Espero que tenham gostado, obrigada por ler até aqui.

Beijinhos da Imperatriz~

Link Fanfic - Ayato Sakamaki e a Sua Bravinha:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/ayato-sakamaki-e-a-sua-bravinha-reescrevendo-16379837

Link Fanfic - A Assassina Perfeita:
https://www.spiritfanfiction.com/historia/a-assassina-perfeita-18420944


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