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História A Ascensão da Soberana Sombria - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Ordem do Imperador


Fanfic / Fanfiction A Ascensão da Soberana Sombria - Capítulo 7 - Ordem do Imperador

As nuvens vagavam lentamente pelo céu alaranjado de Noxus. O vento frio do outono balançava as flâmulas vermelhas e levava as folhas caídas para longe. Nas ruas, as pessoas tentavam seguir suas vidas com dificuldades, afinal, sofriam com quase dois anos de uma inflação alta e escassez de recursos apropriados.

Do alto de uma torre de um dos castelos de Noxus Prime, a maior cidade do Império Noxiano, um homem observava o horizonte com certa melancolia, jogando parte de seus enormes fios negros para o lado e bebendo dos restos de uma garrafa de vinho antigo. O capuz em sua cabeça cobria boa parte de seu rosto, deixando apenas o nariz e a boca à mostra. 

O relógio em seu pulso marcava 4:36, ele sabia que poderia se atrasar se continuasse a desfrutar de sua procrastinação, sabendo o quão tediosas são as reuniões com o imperador e os conselheiros do Bastião Imortal. A propósito, seu nome é Talon. Um assassino, com pouco mais de vinte anos e o triplo em assassinatos e vários comandantes demacianos mortos. 

Mas Talon se sentia vazio, mesmo com conquistas que faziam os outros soldados de Noxus abaixarem suas cabeças ao vê-lo passar. Algo estava errado, não no sentido de pressentimentos, mas consigo mesmo. Ele só imaginava seu pai e mestre adotivo, Marcus Du Couteau, "desaparecido" meses após o fracasso noxiano na campanha em Ionia, por ele discordar de várias estratégias e ideais impostos pelos líderes do Conselho de Noxus.

Na melhor das hipóteses, Marcus Du Couteau estava morto, na pior, preso em alguma das centenas de prisões subterrâneas de Noxus, sendo alimentado por restos de carne podre e ossos, e sobrevivendo com a companhia de ratos, baratas e vermes escondidos nas sombras. Estranho, de fato, pensar de tal forma. Mas, quando se trata de Noxus, é melhor estar morto do que sofrer as punições.

- Já está quase na hora, senhor. - Avisou uma voz de um dos soldados que sempre o acompanhavam, mesmo sendo totalmente desnecessário. Olik é seu nome, um soldado de baixa patente com poucas mortes no currículo e missões bem sucedidas por valoran. Um bom homem que teve a sorte de não ser enviado para Ionia. 

- Obrigado. - Respondeu o outro, mantendo-se na mesma posição em que se encontrava por pelo menos duas horas. Sua mão debaixo do queixo implorava por mais sangue nos músculos, seus dedos estavam tensos e com um pouco de câimbra, mas ele decidiu ficar mais um pouco. Gostava das tardes de Noxus, especialmente quando eram realmente bonitas. 

- Devo avisar sua irmã de que chegará em breve, mestre Talon? - Perguntou Olik, tão reto como um cacto em sua posição de sentido. Talon se virou lentamente, lendo além da centésima vez o rótulo que dizia "Alta Pratânia", uma cidade nos planaltos rochosos no nordeste de Demacia. Isso lhe deu recordações de quando ele executou seu décimo sexto abate em alvos de alta patente do exército demaciano, roubando algumas garrafas de vinho antes de saltar pela janela do alto prédio e cair nas águas do rio que corta a cidade. 

Fez uma pausa antes de deixar a garrafa sobre o parapeito de madeira, se alongando um pouco e ajeitando o capuz sobre sua cabeça. A garrafa atrás dele, levada pelo vento, flutuou pelo ar antes de cair sobre um telhado de uma das casas ao redor. 

- Já estou indo. - Disse ele, saltando por cima do parapeito e caindo numa carroça de feno que passava na hora. 

Ele se aproveita de algumas caixas empilhadas no canto da rua e as usa para saltar para uma barra de ferro que ligava uma estrutura de uma casa à outra, subindo para os telhados em seguida. Os pequenos movimentos já foram suficientes para fazer seu sangue circular por todo o corpo, a adrenalina veio como uma carga de ânimo e ele iniciou seu percurso pelo topo. Correndo ele sente o vento gelado contra seu rosto, saltando de um telhado e pousando em uma varanda com uma marquise de duas cores. Após isso, ele dispara por dentro do segundo andar de uma loja de tecidos, assustando uma costureira que se esforçava para enfiar a linha no buraco da agulha, saltando pela janela e pousando com joelhos flexionados na rua de pedras, uma descida regular que dobrava uma esquina. 

Talon sai em disparada, tentando ser o mais gentil ao esbarrar em algumas pessoas com alguns pedidos de perdão quando as derrubava. Ao dobrar a esquina, ele se depara com um bloqueio composto por vários vendedores de temperos e iguarias. 

- Hum... - Murmurou ele, não parando de correr ao observar os arredores. Havia um homem prestes a subir numa escada grande, mas Talon correu mais rápido e praticamente saltou os degraus antes de alcançar o topo, se virando rapidamente para evitar que a escada caísse. O homem, logo o reconhecendo, acenou com um sorriso, sendo retribuído com outro e alguns pedaços de telha. 

O Bastião Imortal já estava à vista, cerca de 800 metros, não mais que isso. O assassino correu ainda mais rápido, saltando por alguns obstáculos antes de dar um salto maior para agarrar o parapeito de uma janela. Para o seu azar, a beirada de madeira da janela estava fraca, se partindo quase imediatamente ao contato. Talon olhou rapidamente para os lados em sua queda e alcançou o suporte de uma placa de uma loja de bebidas, se agarrando e subindo, continuando sua corrida com os batimentos um pouco mais acelerados. 

Ele se aproxima da muralha do bastião e salta para a ponte, sendo saudado por dois arqueiros antes de correr pela pontes e descer pelas escadas de uma torre, chegando ao extenso pátio hexagonal do Bastião. Ele ajeita seu manto e retira seu capuz, amarrando parte do seu cabelo em um rabo de cavalo, deixando mechas baixas caírem pelos ombros. Talon cruza o pátio, vendo algumas tropas de Elite marcharem com suas pesadas armaduras de aço negro, com semblantes tão frios que se assemelham à manequins. 

Passando pela área militar após cruzar um dos portões de aço, ele se dirige para a área administrativa do Bastião. Com passos calmos, ele passa por vários magistrados e conselheiros, muitos deles se dirigindo à algumas das salas nos pequenos prédios ao redor do pátio. Ele via também algumas mulheres que de forma alguma pertenciam ao âmbito político noxiano, mas sim para dar prazer aos homens. Eram chamadas de cortesãs, pois os termos meretrizes ou prostitutas poderiam ser uma ofensa dependendo do ponto de vista. Alguns escravos trabalhavam em algumas áreas que careciam de reparos e outras pessoas trabalhavam em demais setores, como limpeza, organização e apresentação dos aposentos. 

- Frescura de merda... - Pensou Talon, um pouco mais alto do que realmente gostaria. 

Ao passar pelos demais prédios do pátio, ele se aproximava dos arredores da parte principal e mais importante de todo o Bastião Imortal: O Conselho de Noxus, uma estrutura grande e chamativa, construída com arquiteturas jônicas e palladiana, além de uma enorme bandeira da Elite Noxiana pendurada no mastro central no topo do edifício. 

Talon pôde ver, ao longe, que alguém já o esperava com impaciência e irritação. Ele já previa isso mesmo antes de sair da torre onde bebia o vinho. Poderia ser qualquer pessoa, inclusive o próprio imperador em pessoa, menos Katarina. A mulher ruiva, um ano mais nova que ele, o aguardava com um semblante fechado em seu rosto, braços cruzados e com um dos seus pés batendo no chão. Nos poucos metros que antecediam a sua morte, ele pensava no que poderia, talvez, acalmar aqueles olhos cor esmeralda que transbordavam ódio. 

Ao ficar de frente com ela, Katarina demorou alguns segundos para processar quantos palavrões iria usar, mas decidiu suspirar fundo e puxá-lo pelo braço. 

- O que você pensa que tá fazendo?! Você tá atrasado quase uma hora! - Esbravejou ela em um tom baixo, puxando-o pelos escuros corredores do Conselho. 

- Tive um contratempo. - Respondeu ele, limitando bastante a dose de sarcasmo que gostaria de ter colocado em suas palavras.

Os corredores estavam vazios, já que parte dos conselheiros já estavam assentados com seus traseiros gordos nas cadeiras geladas de madeira. A ruiva diminui um pouco seus passos e olha para os dois lados, ainda segurando o pulso de Talon, puxando-o para trás de uma das colunas, jogando-o contra ela e avançando em seus lábios. Ela precisou de colocar na ponta dos pés para conseguir beijá-lo, então ele inclina um pouco o pescoço deixando as coisas mais fáceis. Talon agarra sua cintura puxa-a mais para perto, ela geme um pouco surpresa. As mãos dela tocavam seu rosto e percorriam pelo pescoço. 

Foi então que Katarina subitamente parou o beijo e lhe deu um tapa no rosto, exibindo novamente seu semblante. 

- Isso foi por ter me deixado esperando cinquenta minutos, seu idiota. - Disse ela, caminhando em direção a uma escada que levava para os níveis superiores. Talon mantém sua mão esquerda sobre a bochecha quente, escondendo um quase imperceptível sorriso de canto, a acompanhando pela escadaria escura.

Quando chegaram ao nível de cima, as vozes dos pelo menos duzentos presentes na sala de reunião já ecoavam pelas paredes. Talon revira seus olhos, já imaginando o quão tedioso seria. Katarina coloca um braço em sua frente e o encosta na parede, bem próximo à porta de entrada e o observa nos olhos. 

- Você tá um lixo. - Comentou ela, ajeitando as mechas bagunçadas do cabelo dele e também o seu manto, limpando uma mancha de batom no canto dos lábios. Ela aproveitou para arrumar seu cabelo e ajeitar sua vestimenta negra tradicional, que maioria dos membros do Conselho achavam "inapropriadas para o ambiente". 

- O de sempre? - Perguntou ele, respirando fundo enquanto esperava algo de Katarina.

O assassino se lembrou de um outro sentimento que nutria entre seus pensamentos e, desta vez, não era o tédio. Era o ódio. O ódio por ver a omissão dos conselheiros sobre Marcus. Ele sabia que estavam mentindo sobre ele ter "desaparecido", e eles sabiam que ele desconfiava. Talon farejava o medo, principalmente quando ele os olhava nos olhos, percebia que eles o temiam. Os homens podem ter poder, mas sempre fraquejam quando vêem um lobo ameaçar sua pele. E isso era algo que sabia que não carregava sozinho, pois Katarina era a sombra que o protegia. 

- Só tenta se comportar, tá legal? Quase deu merda na última vez, quando você ameaçou matar metade deles. - Respondeu ela, se esforçando para não gargalhar quando se lembrou da cara de medo dos homens. Eles entraram logo em seguida, Katarina com uma postura de respeito e Talon com a cabeça baixa, porém com olhos penetrando as almas daqueles que encontravam o seu olhar. 

No total eram duzentas pessoas que compunham o parlamento, maioria composta por homens, sendo as mulheres exercendo o cargo de questores e os homens os demais cargos como pretores, magistrados maiores e um cônsul, que se assentava ao lado do Imperador Swain. 

Os conselheiros pareciam entretidos entre si, com várias discussões sobre direito, militarismo e saúde pública, mas se calaram quando o som das pesadas portas de madeira ecoaram pelo salão, suas janelas refletiam a fraca luz do sol que estava se pondo. Os dois andaram lado a lado pelo tapete negro que se estendia até a Bancada Maior do conselho, onde o Imperador Swain, o Cônsul e Major Kalan, e a magistrada mestra e, também maga, Evaine LeBlanc, estavam assentados. A mulher cheirava uma rosa negra com pontas laminadas, um símbolo da ordem secreta a qual pertencia.

Rapidamente foram colocadas duas cadeiras e um mesa média abaixo da bancada, onde os dois se sentaram.

- Senhorita Du Couteau, acredito que seu irmão tenha uma justificativa plausível para ter se atrasado tanto, eu imagino? - Indagou Kalan, com a peculiar voz seca de costume. 

- Tem medo de falar comigo? - Retrucou Talon. Antes que pudesse dizer qualquer coisa, Katarina o interrompeu com um beliscão na coxa por baixo da mesa. 

- Meu irmão precisou resolver assuntos pessoais, ele se desculpa. - Disse ela olhando-o de canto, transmitindo as palavras "cala a boca ou eu mato você" com o olhar. 

- Pois bem. - Kalan disse ao se levantar da cadeira, 

Sua aparência intimidadora e seu olhar de assassino vastaya impunham um respeito invejável aos conselheiros, que se levantaram e o saudaram em uníssono com: "Sangue por Noxus!".

- Vocês foram requisitados neste conselho por serem os dois melhores assassinos de Noxus, embora alguém não tenha o devido respeito com seus superiores. - Pausou Kalan, ressaltando o seu tom de completo desgosto em uma olhadela para Talon. - Mas, mesmo com tais defeitos, vocês servem a Noxus, e APENAS a Noxus. Porém, antes, iremos atualizá-los e aos demais presentes sobre a situação de Noxus. - Concluiu ele, sinalizando sua deixa para LeBlanc. 

A mulher se levantou, exibindo todo o charme sombrio do seu vestido de "Corvinata", um título recebido quando uma mulher alcança um cargo de extrema importância abaixo apenas do Imperador. E curiosamente, ela era a única. 

- Como sabem, meus conselheiros, graças à fracassada gestão do Imperador General, Boram Darkwill, nós desperdiçamos tempo, homens e recursos em Ionia. Suas estratégias erradas e acordos com ratos de Zaun nos ocasionaram um dano terrível na economia, na saúde das pessoas e nas forças militares de Noxus. - Disse ela, materializando uma espécie de gráfico em holograma com seu cajado. - Estudei os dados com alguns dos meus assistentes, além de mapear algumas áreas que podem nos dar recursos sem a necessidade de um grande contingente militar, como algumas vilas e cidades ao redor de Demacia que estão neutras. 

Uma mulher chamada Lor'en levantou sua mão. Seu manto bordado com várias condecorações mostravam que ela era experiente no conselho.

- Como faremos tais domínios sem chamar a atenção de Demacia? Quero dizer, o poder militar de Demacia é maior do que o nosso desde que perdemos em Ionia. - Questionou a mulher, se assentando novamente.

LeBlanc abriu seus lábios para falar, mas foi interrompida pela brisa sombria que Swain soprou ao se levantar da cadeira sob gritos de: "Krov' ot Nox, Krov' ot Imperatora!" (Sangue por Noxus, sangue pelo imperador)

- Recentemente obtivemos contato com um estrategista que se acampa com a companhia de soldados noxianos nas montanhas próximas as vilas mapeadas. As pequenas cidades não possuem nenhuma bandeira demaciana, tampouco uma própria organização militar. -Disse o imperador, pausando com um suspense ao sinalizar para LeBlanc exibir um mapa. A maga rapidamente o obedeceu e um mapa das regiões costeiras ao redor de Demacia se materializou. - A estratégia é nos infiltrarmos nas vilas como bandidos, dominando e estabelecendo postos de comando, sem levantar bandeiras ou exibir formações militares extensas. Ganharemos tempo e esperaremos até nossos recursos e contingente militar aumentar, para estendermos nossas bandeiras. 

Os demais conselheiros se entreolharam e se viraram para o Imperador com sorrisos encorajadores e aplausos ensurdecedores, além de saudações em noxiano. 

Katarina pareceu indiferente, enquanto Talon se odiava por ter admirado a estratégia. Porém, como se fosse o próprio destino, algo se acendeu por dentro e eles se entreolharam, como se reconhecessem a genialidade daquela estratégia. 

- Meus irmãos, agora o ponto crucial desta reunião. - Disse o Imperador, cessando os aplausos. - Como claramente podem ver, requisitei a presença de dos dois melhores assassinos de Noxus aqui por um motivo. Major Kalan, por gentileza. - Concluiu Swain, oferecendo a frente da bancada para Kalan.

- Sim, meu imperador. - Disse Kalan, se colocando à frente. - Como sabem, nossas perdas em Ionia foram catastróficas. Perdemos armamento, cargas de suprimentos e, o mais importante, muitos homens e mulheres. Isso poderia ter sido evitado, caso o antigo general tivesse tido mais paciência em escutar minhas sugestões sobre um estudo melhor do território ioniano. Devemos créditos também à resistência ioniana, que teve a vantagem de conhecimento territorial e a ajuda involuntária do químico zaunita, que matou nossos soldados em um ataque totalmente sem qualquer coordenação e...

- Não querendo ser, de forma alguma, invasiva, mas já sendo, o que nós dois temos a ver com isso? - Indagou Katarina, mostrando a forma mais primária de sua impaciência. Talon sorriu de canto. O major Kalan a observou nos olhos, esperando que ela recuasse ou abaixasse a cabeça, mas encontrou olhos cor de esmeralda o encarando com a mesma intensidade. 

- Pois bem, senhorita Du Couteau. Acredito que conheça a ex-comandante Riven, estou certo? 

- Sim, por quê? 

- A informação de que Riven foi morta em ação é falsa, senhores. Partes de sua armadura desmontada foram encontradas próximas a uma cabana, num pequeno morro, onde coincidentemente pedaços de sua espada foram encontradas ao lado do corpo dilacerado de um velho. - Disse o Major, causando um murmúrio sonoro entre os conselheiros. 

Katarina fechou seu semblante em uma mistura de dúvidas, enquanto Talon coçava seu queixo. Eles se entreolharam por um breve momento antes de voltarem suas atenções para a bancada. 

- E o que... O que quer de nós? - Perguntou Katarina. 

- Como já devem imaginar, caso Riven esteja realmente viva, ela nos representa um... potencial risco. - Frisou Kalan, coçando sua barba cinzenta. - Não sabemos o poder militar de Ionia atualmente, mas nossos espiões relataram uma aliança com Demacia. Armamento militar, estruturas e contingente. Se Riven estiver viva e tiver se aliado com alguém, poderá facilmente dizer aos ionianos como invadir o coração de Noxus em um piscar de olhos. Presumo que os senhores, conselheiros, não se agradariam em acordar com soldados ionianos batendo às suas portas, concordo? 

Houve uma enorme confusão de gritos e discussões entre os conselheiros, alguns deles insultando Riven, outros Demacia, outros Ionia. Depois, eles se juntaram em gritos de "Morte à traidora". Kalan sorriu satisfeito com isso. 

- Como o desejo de seu Imperador e também de todo o Conselho, vocês foram designados para irem até Ionia e assassinar Riven. - Disse Kalan, transformando a atmosfera ao seu redor semelhante a da Arena da Carnificina. - Quando retornarem, receberão duas mil moedas de ouro cada, além de um cargo na Elite do Exército de Noxus. 

E assim, terminou a reunião. Talon e Katarina se retiraram do salão em silêncio, sob salvas e a expectativa pelo sangue de uma traidora. 

Eles caminharam pelos corredores até chegarem no pátio, longe da confusão das vozes. Já era noite, as estrelas pairavam no céu na companhia de algumas nuvens. A brisa gelada balançava algumas árvores do pátio, congelando um pouco o nariz da ruiva. Permaneceram calados até se afastarem o suficiente para conversarem sem a necessidade de cochichar. 

- Então ela tá viva... - Indagou Talon, se assentando num degrau de uma pequena escada de pedra. Katarina ficou de pé em sua frente, com os braços cruzados. 

- E se formos atrás dela, não vai estar mais. - Disse ela, colocando uma das mãos na boca. - Talon, nós não podemos simplesmente ir lá e... dar um fim nela. Riven praticamente cresceu com a gente! - Completou ela. A ruiva dificilmente mostrava sentimentos por outras pessoas além dele e a irmã caçula, Cassiopeia. Menos ainda quando se tratava de um alvo. Mas Riven não era um alvo, tampouco uma traidora na visão deles. 

Talon pensou um pouco, atento ao queijo que a ruiva retirou de um dos bolsos de couro do seu cinto. Ela parte um pedaço e oferece a ele, destruindo as ondas de água em sua boca. 

- Nós... Nós não precisamos matá-la. - Disse ele, com a boca parcialmente cheia. 

- Você ouviu aquela raposa maldita falando, é uma missão de assassinato, não de captura. - Respondeu ela, oferecendo-o mais um pedaço do queijo shurimane. 

- Kalan não pediu nenhuma prova. Nem a cabeça, nem uma mecha de cabelo, nem nada. - Talon disse, mordendo o queijo e estendendo sua mão para ela, se levantando logo em seguida, trazendo-a para perto. 

- E como vamos convencer a corja de velhos que nós a matamos? - Perguntou ela, apoiando sua cabeça no peito dele. 

- Bom, podemos dizer que não encontramos ela, ou que já estava morta. Tem várias formas... - Disse ele, beijando o topo da cabeça, alisando os fios vermelhos. 

- Sim, eu... Acho que pode ser uma boa. - Disse ela, beijando seu peito e queixo. - Mas tem de ser de uma forma convincente, Talon. Sabe que mesmo que se trouxermos a cabeça dela, eles mandariam os malditos espiões pra verificar. 

- Faremos assim, relaxa. - Disse ele. - Ou, caso isso tire sua insegurança, a gente pode seguir o plano original e matar ela. 

- Claro que não, idiota! - Disse ela, socando o peito dele de leve e lhe arrancando uma risada breve. 

Aproveitaram do silêncio e da falta de movimento para se beijarem e se tocarem, algo que recuperaria os ânimos de ambos após o Conselho. Quando terminaram, com seus cabelos bagunçados e um pouco desajeitados, decidiram ir embora. 

- Quando partimos? - Perguntou Talon. 

- Quando fizermos a Cassiopeia parar de chorar. - Respondeu Katarina, já prevendo o quão doloroso seria dizer à irmã caçula que partiriam.

- Bom... Isso é com você, vou mandar prepararem meus equipamentos. - Disse Talon, correndo para o telhado mais próximo e saltando sobre a muralha.

- Talon! - Gritou ela, mas ele provavelmente já estava distante. - Droga, Talon... 

 



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