História A Ascensão do Rei - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Tags Confronto, Coroa, Drama, Europa, Monarquia, Original, Princesa, Rainha, Rei, Reino, Romance, Trono, Utopia
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Palavras 1.930
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Luta, Mistério, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


A minha ideia era postar no domingo, mas como vocês parecem um pouco ansiosos eu vou postar hoje mesmo ;D
Espero que gostem! <3

Capítulo 1 - Prólogo


Fanfic / Fanfiction A Ascensão do Rei - Capítulo 1 - Prólogo

 Tudo parecia igual no castelo d’Mers, em Nice, na poderosa nação da Grã-Francia. O clima ainda era extremamente agradável, sol com poucas nuvens, vinte e seis graus com uma leve brisa marítima que agitava os cabelos e as cortinas. As noites eram mais frias. O nascer e o pôr-do-sol eram divinos.

Porém, Lynae não era a mesma. Tinha chegado naquele país solteira, uma princesa de araque e quase sem preocupações. Agora, era casada com Ryland Beaucourt, era a princesa real da Grã-Francia e o que não faltava pra ela eram preocupações. Ryland sabia sobre ela, seu segredo, sobre ter seu DNA modificado e pareceu mudar para o príncipe regente.

Três dias depois de ele ter dito que ela iria ficar, Lynae ficou esperando que a qualquer momento Ryland fosse vê-la e, dizer que ela iria para Snöland no dia seguinte. Mas isso não aconteceu.

Ela pensou que Ryland fosse ignora-la a partir daquele momento porque, embora ele não tivesse dito nada a ela, estava praticamente explicito que Lynae não podia mais reclamar sobre o comportamento de Ryland, ou sobre sua amante, principalmente sobre a amante. Mas Ryland não a ignorou, na verdade, se tornou muito mais carinhoso, atencioso e gentil.

Ryland havia dito que ele não queria mais fingir, pouco antes de dizer nacionalmente que não a amava. Estava claro que ele tinha mudado de ideia, porque fazia questão de segurar a mão de Lynae, puxa-la para perto e beija-la na cabeça, na testa e na bochecha na frente de todo mundo. Estava sendo tão convincente que até mesmo Lars tinha perguntado se ele não tinha terminado com sua amante, embora a princesa nunca tenha confirmado essa história pra ele.

Além de tudo, Ryland começara a dormir no quarto com ela, mas dessa vez, no sofá. E com camiseta.

Isso afugentou Lars e Anneli, que voltaram a dormir em suas próprias camas.

Era um alívio para a princesa ter aquela cama enorme só pra ela, permitia que rolasse de um lado para outro sem esbarrar no corpo enorme de Lars ou no magro corpo de Anne. Também não tinha mais que escutar o ronco de seu primo, ou levar chutes de sua dama. Ainda assim, sentia-se um pouco sozinha. Poderia pedir que Ryland dormisse na cama, mas estava quase cem por cento certa de que ele negaria.

Estava difícil dormir desde que o príncipe descobrira a verdade sobre ela. Lynae sentia como se uma antiga ferida, que ainda não tinha sido completamente cicatrizada direito, tivesse sido aberta. Toda vez que ela tomava banho e olhava para sua pele queimada, Lynae tinha um vislumbre do terror que passara quando ainda era muito pequena.

Sonhava vividamente com o ocorrido, mesmo que não conseguisse se lembrar perfeitamente quando estava acordada.

Naquela noite em especial, ela dormiu relativamente rápido porque estava muito cansada. Tinha passado o dia todo brincando com Louise e Eddie – mantendo algumas limitações porque para todos os efeitos, ela ainda estava se recuperando dos ferimentos –, ainda assim, conseguia brincar de esconde-esconde, jogos de tabuleiro e com armas de água. Louise andava muito assustada com o ocorrido e Lynae quis mostrar a ela que estava bem. Claro que era sempre extremamente divertido brincar com crianças, era como reviver a infância e para ela isso era muito bom, já que passou muito tempo dela em hospitais. Lembrava-se de quando brincava com Katie quando ela era pequena, mas isso acabara quando sua irmãzinha fizera doze anos e decidira que já era uma mocinha.

Quando já estava nas profundezes do sono foi quando seus pensamentos vagaram de volta para suas lembranças mais tenebrosas. Estava naquela sala novamente, vendo as cortinas pegarem fogo e a lareira cuspindo suas chamas no tape persa. Havia um homem parado nas sombras, o rosto despido de qualquer expressão, segurando uma tora pegando fogo em uma das mãos. Ele se aproximou em passos lentos, mas Lynae confiava nele e não se assustou, mesmo que ele parecesse muito assustador naquele momento.

Mesmo que ele falasse com ela, mexesse a boca, Lynae nunca conseguia ouvir nada do que ele dizia, era como se tudo ao seu redor estivesse silencioso, porque ela também não ouvia o crepitar do fogo. Era como se ela fosse surda.

De repente, a princesa estava no chão com aquele homem em cima dela, brandindo a tora em chamas como se fosse uma espada. Ela sentiu a queimadura profunda quando ele pressionou aquele pedaço de madeira com fogo em sua barriga. Primeiro, o fogo consumiu o tecido de sua roupa, depois sua pele, até a sua carne. Lynae nunca tinha sentido uma dor tão intensa, era como se cada nervo de seu corpo disparasse a sensação dolorosa por todo seu corpo. Ela gritou a plenos pulmões e sentiu sua garganta doer.

Sentiu mãos agarrarem seus braços e seu corpo sendo chacoalhado.

 – Lynae! – uma voz chegou aos seus ouvidos, mas não estava certa, não era daquele homem – Lynae!

Ela se debateu, tentando se livrar das mãos do agressor. Acabou acertando o queixo, o peito, a barriga e o ombro do homem que a segurava. Mãos agarraram os pulsos de Lynae fortemente e ela gritou.

Seus olhos focalizaram na pessoa a sua frente e seu corpo relaxou de imediato. Ryland soltou seus pulsos com calma, olhando fixamente em seus olhos. Lynae focou nos detalhes do rosto do príncipe a sua frente para que pudesse se acalmar. Nos olhos cor de âmbar dele, em sua pele bronzeada, no cabelo castanho escuro ondulado e na pequena pinta preta que tinha no canto de seu olho esquerdo. Ela respirou fundo, baixando seus ombros.

Ryland deslizou as mãos para as costas dela, espalmando-as nas omoplatas da princesa, trazendo-a para perto. Agora que ele sabia que Lynae estava praticamente livre de todos os ferimentos não a abraçou com delicadeza, ele a puxou contra seu corpo, prendendo-a com força por seus braços, deixando que ela ficasse entre suas pernas. Ela podia sentir o calor dele e seu cheiro de mar, shampoo de ervas e o odor morno masculino natural. Ele apoiou a cabeça contra a dela, enquanto Lynae pousava o queixo em seu ombro.

 – Você está bem? – Ele movia sua mão pra cima e para baixo, enquanto a abraçava. Era extremamente reconfortante sentir a pressão dos dedos de Ryland sobre o tecido fino de sua camisola.

 – Estou – Mas seu corpo trêmulo dizia o contrário.

Inicialmente, o que Lynae sentiu foi a garganta de Ryland vibrando contra sua bochecha, mas logo ela percebeu que ele estava cantando. A voz do príncipe era levemente rouca e não muito harmoniosa, mas ainda assim agradou os ouvidos de Lynae. Ela não conhecia a melodia, mas pôde perceber que tipo de música era e isso a fez sorrir.

 – Ryland, você está me ninando?

 – Isso funciona com a Lou – ele disse contra os cabelos de Lynae – Ela costumava ter muito medo dos trovões, o barulho alta a amedrontava. Eu cantava pra ela até que dormisse. Eu sei que não tenho a voz mais incrível desse mundo, mas acho que dá pro gasto.

 – Eu nem ia comentar da voz, mas já que você falou...

O corpo de Ryland tremeu quando ele riu. Ele se afastou um pouco para olha-la nos olhos. Os braços da princesa, que envolviam o pescoço dele, lentamente deslizaram para baixo, até que suas mãos ficassem nos braços duros do príncipe.

 – Não pode falar uma coisa dessas pra mim, Lynae. Eu sou o príncipe regente, você tem que me elogiar mesmo que eu seja péssimo.

Lynae apertou os lábios um contra o outro para não rir.

 – Desculpe, Alteza. Sua voz parece um sussurro dos antigos deuses da música soprando melodias nos nossos sonhos mais doces.

Um sorriso arrasador surgiu no rosto de Ryland, que fez o coração de Lynae disparar.

 – Esse foi o elogio falso mais lindo que já ouvi na vida.

 – Minha mãe sempre disse que se não desse certo como princesa eu poderia virar poetisa.

Ryland inclinou a cabeça levemente para o lado, analisando o rosto da princesa.

 – Sério?

 – Não – Lynae riu, sentindo-se cada vez mais leve – Minha mãe sempre teve muita certeza de que eu seria uma rainha formidável. Sempre teve muito orgulho de que um dia eu herdaria um trono, mesmo que na verdade ele fosse seu. Acho que no fim das contas, era ela que queria ser rainha, só estava projetando seus sonhos em mim. – Ela deu de ombros e suspirou.

 – Você não quer ser rainha? – Ryland perguntou, sério. Ele estava prestando muita atenção nela e Lynae não tinha certeza de qual resposta ele gostaria de ouvir. Não fazia diferença, porque ela só tinha uma resposta pra essa pergunta.

 – Se fosse de Snöland, sim. Agora, da Grã-Francia... Eu não sei.

 – Não é seu lar – ele constatou sem um pingo de magoa em sua voz – Posso entender. Você acha que algum dia você vai considerar aqui como sua casa?

Lynae torceu a boca. Nunca tinha pensado nisso. O clima na Grã-Francia era melhor, a comida mais saborosa e as praias eram lindas. Mas não era sua terra natal, não era a gelada e dura Snöland. Não tinha sua família, sua mãe, seu pai, Katie e, muito em breve, não teria Lars também. Ninguém ali falava sueco e o povo não era muito receptivo com ela. Em Snöland, amavam ela, até mesmo queriam que ela fosse a rainha! Era difícil competir com esse tipo de coisa. Porém, se formasse uma família na Grã-Francia, poderia chama-la de lar, independente do que a rodeasse. Mas não tinha como saber como seria seu futuro ali. Era incerto demais e muito apavorante.

Ela percebeu que já estava tempo demais em silêncio, absorta em seus próprios pensamentos, então focou sua atenção novamente no príncipe diante dela e simplesmente disse:

 – Talvez.

Uma pesada quietude se estabeleceu entre eles depois da resposta dela. Lynae ficou um pouco desconfortável, temendo que pudesse ter dito alguma coisa errada, embora estivesse sendo sincera. Mas Ryland não parecia aborrecido, estava apenas pensativo. Pensando em que exatamente, Lynae não sabia dizer, embora quisesse muito saber.

 – Você está bem agora? – A mão de Ryland subiu da lombar da princesa, onde estava antes, para os longos cabelos negros dela, os afagando na altura de sua nuca. Seus dedos se enroscavam contra as mechas dela.

Lynae franziu o cenho, não entendendo ao certo a pergunta, até se lembrar. Ah, o pesadelo!

 – Eu estou bem sim. – Ela sorriu para enfatizar sua afirmação. Embora ela soubesse que se negasse, se dissesse que não estava bem, poderia desfrutar mais do calor e dos braços de Ryland. Lynae achou melhor parar naquele momento. Ela já tinha certeza que o amava, estava totalmente apaixonada por ele e também estava perfeitamente ciente de que ele não sentia o mesmo. Permitir que ele se aproximasse tanto daquela maneira era uma espécie de tortura deliciosa. Ter um gostinho daquilo que não se pode ter.

Então, Ryland exibiu um pequeno sorriso. Ele se levantou da cama, inclinou-se para a frente e deu um beijo estalado em sua testa, antes de voltar para o sofá.

Era fácil para Lynae esquecer as atitudes fofas e carinhosas de Ryland quando ele as fazia em público, porque ficava óbvio que ele fazia apenas por aparência. Mas quando ele fazia essas coisas em particular, quando estavam apenas ele e ela, era difícil entender o porquê disso tudo. Era confuso. Lynae não o conhecia a tempo o suficiente para saber se aquela era uma atitude normal de Ryland.

Talvez não fosse. Talvez ela fosse especial para ele. Mas esse era um pensamento perigoso. Perigoso demais.

Estava fácil demais para Lynae quebrar a cara. Não seria a primeira vez.



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