História A Barraca do Beijo - Capítulo 6


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Categorias Naruto
Personagens Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Neji Hyuuga, Sasuke Uchiha, TenTen Mitsashi
Tags Bimmbinha, Hyuuga Hinata, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Itaino, Neji Hyuuga, Nejiten, Sasuhina, Sasuke Uchiha, Tenten
Visualizações 221
Palavras 4.106
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Regra número seis: Não trabalhe no Rei do Frango


Sasuke estava apreensivo.

 

A garota dos seus sonhos – com que o troglodita cheio de testosteronas do seu irmão fizera o favor de dar uns amassos, estava indo estudar em sua casa! Como se isso já não fosse motivo suficiente para que ele transpirasse pelas axilas, Tenten tinha mandado algumas instruções sobre como beijar alguém pelo seu whatsapp e, obviamente, como o bom Sasuke que ele era, estava num nível de paranóia alto o suficiente para que ele se arrastasse até o banheiro e enfiasse a cara dentro da pia, molhando o rosto e os cabelos, que estavam encharcados de suor.  Uh, será que era possível parecer sexy todo suado e fedorento do jeito que estava? Provavelmente não, por esse motivo, após ter lavado os cabelos e o próprio rosto, ele decidiu passar o desodorante extra forte que havia surrupiado do seu irmão mais velho alguns minutos antes.

 

Faltava pouco menos de vinte minutos para que a Hyuuga aparecesse ali, e ele estava devidamente inseguro o que, dado seu terrível e angustiante histórico de incidentes, era perfeitamente compreensível.

 

Ele era sempre flagrado fazendo alguma idiotice propicia de um idiota e de um jeito ou de outro, por um acaso, o colégio inteiro ficava sabendo a respeito.  E ah – ele havia decidido que odiava o ensino médio mais do que qualquer outra coisa em sua breve existência. Mas isso também era compreensível.

 

Ignorando esses devaneios confusos, o moreno olhou-se no espelho por alguns segundos.  Uma parte de seu subconsciente o alertava, de maneira polida e incessante que não havia motivos para ele se preocupar, afinal de contas, aquilo não era um encontro romântico e sim, aulas de reforço de física. Outra parte, no entanto, estava mandando ele depilar a parte debaixo. Sabe como é, só por precaução. Essa parte era a mesma que secretamente adorava American Pie e por tanto, a que ele optou por simplesmente ignorar,  estalando o pescoço e inspirando fundo, ele tentou se lembrar das razões pelas quais as garotas corriam atrás de seu irmão como se estivessem no cio.

 

—Sasuke, querido! — a voz de sua mãe o tirou de seus devaneios. Ele balançou os cabelos, como se tivesse acabado de sair da tosa e então o secou com a toalha, antes de abrir a porta do banheiro, para poder encarar a matriarca de longos cabelos negros. Mikoto sorriu-lhe ternamente.

—Oi, mãe. — ele sorriu para ela, com o desodorante em mãos, passando-o em ambas as axilas.

 

—Tem uma garota aí embaixo que quer te ver.

 

Espera. Ela realmente tinha ido? É claro que enquanto ele tentava lembrar de todos os passos do livro de auto-ajuda e das sabias instruções de Tenten sobre beijar na boca (que ela muito obviamente tinha copiado e colado do Google) cogitou a possibilidade de Hinata simplesmente não aparecer, mas, ela apareceu.

 

Estava dividido entre o alivio e o desespero interno que ameaçava derrubá-lo inconsciente no chão, a, literalmente, qualquer momento. Mikoto percebeu o rosto assombrado do filho, como o de alguém prestes a ter um síndrome do pânico, se aproximou e muito gentilmente o esbofeteou no rosto, para despertá-lo. Ele piscou os olhos,  e pigarreou.

 

—Obrigado, mamãe. — agradeceu timidamente. Ela apenas dera de ombros, o encarando atentamente.

 

—Está tudo bem com você? Quer que eu diga para ela que você está ocupado ou alguma coisa do tipo?

 

Claro que sim,até porque o sonho da vida dele era enxotar o anjo Hyuuga Hinata de sua casa. Pela segunda vez consecutiva – acrescentou, mentalmente.

 

—Não! — apressou-se em responder, espreguiçando-se e relaxando os músculos, como havia sido instruído a fazer durante  os exercícios de natação. — Estou bem,  eu só lembrei de algo que tenho de fazer antes. — estreitou o cenho. — Enfim, diga a ela que pode entrar e para ela me esperar lá embaixo. Desço em alguns segundos. — avisou e Mikoto assentiu com a cabeça, estranhando aquele comportamento do filho.

 

De qualquer modo não era como se Sasuke fosse, em algum aspecto de sua vida, normal. Então, a morena deixou o quarto, tratando de descer as escadas rapidamente para dar o aviso à linda garota de olhos perolados.

 

*

 

Ele enfim descera as escadas, depois de ter gritado e chutado o ar de maneira incontida, e precisado passar novamente o desodorante, além de trocar as camisetas que estavam com duas enormes “fatias” de pizza. Respirando fundo, o Uchiha passou as mãos pelos cabelos que estavam penteados para trás, deixando, assim, seu rosto bem visível. Ajeitou o óculo, e espreguiçou-se. Ele tinha colocado seu inseparável suéter novamente, por questão de segurança. Não queria que a morena visse seu físico.

 

Ele era inacreditavelmente tímido para um garoto,pior ainda, para um Uchiha que, para a maioria das suas colegas de classe, era sinônimo para “gostoso” “rico” “alto” e “popular” obviamente nenhum desses sinônimos, ou o próprio sobrenome, poderia ser associado a Sasuke.

 

Ele era o paradoxo da família.

 

Hyuuga Hinata era a própria Vênus encarnada, na falta de palavras suficientemente fortes capazes de descrevê-la perfeitamente. Ela era linda, meiga, divertida e tão good vibes que alguns dos maiores maconheiros da década dos anos de setenta pareceriam roqueiros descontrolados. O cheiro dela era diferente de tudo o que ele já havia sentido, e a pele, apesar de nunca ter tocado diretamente, parecia ser bem macia. Quanto ao corpo, era como o de uma guitarra e ele adoraria ser seu amplificador.  Soltou um suspiro demorado: ela estava usando uma saia xadrez branca e vermelha e uma camiseta regata preta-azulada, seus cabelos estavam amarrados num rabo de cavalo baixo, e ela parecia mesmo focada em observar os seus quadros de família que estavam espalhados pela prateleira.

 

Como Deus poderia ser tão benevolente ao ponto de permitir que uma criatura, daquela beleza, existisse em mundo tão pavorosamente cretino quanto ao que eles viviam? Não fazia o menor sentido e, ainda assim, lá estava sua deusa do amor e da sexualidade, sentada na sala, como se fosse casta.

 

Ele deixou que um suspiro mais alto escapasse de seus lábios, dessa vez alto o suficiente para que ela girasse em um ângulo de trezentos e sessenta graus, encontrando com o seu olhar.  Suas bochechas enrubesceram fortemente, como dois tomates, ele podia sentir o calor espalhando-se precisamente nessa região de seu rosto.

 

—Oi Sasuke! — e ela sorriu. Será que ela tinha noção do que aquele sorriso era capaz de provocar nele?

 

Embora tivesse certeza de que seus lábios também se repuxaram,imaginava que não tinha passado nem de perto de sorrir tão abertamente ou encantadoramente quanto a morena. Era provável que ela achasse que ele estava sofrendo de diarréia e precisava sair correndo urgentemente em direção ao banheiro mais próximo,ou qualquer coisa assim. Ele pigarreou, desfazendo o sorriso, lembrando-se finalmente de que segurava seu livro de física e seu caderno.

 

Sentou-se no sofá, próximo, porém não o bastante da morena, e colocou seu livro e seu caderno em cima da mesa de carvalho, que horas antes ele arrastara da cozinha até o cômodo central da casa.

 

—O-oi. — alguém ainda tinha esperanças de que o pobrezinho não fosse gaguejar diante da sua musa? Era inútil esperar que ele conseguisse se comportar normalmente, visto que seu cérebro perdia uma grande quantidade de neurônios só de focar seu olhar no da bela morena perolada a sua frente. Não era exagero dizer que ele se sentia um poeta quando pensava em Hinata. — Então... Ah — ele estalou a língua, pensativo. — Você poderia me dizer onde você tem dúvidas, para me situar. E então poderíamos começar a partir daí. — sugeriu.

 

Era estranho pensar que alguém, como sua fada, pudesse precisar de ajuda em física. Parecia tão irônico.

 

—É uma boa idéia. — ela sorriu, e o jeito com que seus lábios curvaram-se foi o suficiente para fazê-lo soltar uma espécie de gemido involuntário. Puta que pariu, dava para alguém ser tão encantadoramente maravilhosa?! — Sasuke, seus braços estão tremendo. — observou ela, franzindo a sobrancelha. Ele não sabia que anjos pudessem fazer aquele gesto humano... — Você está nervoso? — perguntou a morena, de um jeito arteiro.

 

Sasuke evitou encará-la, apressando-se em abrir o livro de física, completamente nervoso. Nunca estivera tão próximo de uma garota antes... Quer dizer, não próximo de uma que ele desejasse desesperadamente beijar na boca. Tenten e Ino eram como se fossem suas irmãs.

 

“Dica número um: mantenha a boca aberta” repentinamente, aquela maldita instrução invadiu seus pensamentos, o fazendo franzir o cenho. Não era hora, porra. Ele estava a frente da garota, que tinha cem por cento de certeza que o último objetivo na vida era beijá-lo.

 

Fala sério,ele era o nerd punheteiro. Sempre seria. Quem é que seria remotamente louca ao ponto de cobiçá-lo romanticamente? Além disso, graças ao incidente da rádio, agora todo mundo sabia que ele era ainda mais patético. Nunca tinha beijado ninguém na vida.

 

—Então... — ele ignorou propositalmente a pergunta feita por ela, não que quisesse ser mal educado ou alguma coisa do tipo.  — Quais são suas dúvidas?

 

Hinata achou divertido o jeito de ele driblar sua pergunta; o moreno sempre parecia ansioso demais na sua presença e ela achava realmente fofo. Parecia alguém doce e indiscutivelmente inexperiente. Ela achava legal aquela coisa de ele ser virgem e tudo o mais. E, além do mais, ele era lindo.  Tinha o rosto de alguém que fora concebido por anjos em um navio pirata. E aquele óculos era absurdamente sexy e fetichista. Além disso, o jeito com que ele penteava os cabelos para frente, era kawaii.

 

Ela sorriu, aproximando-se sorrateiramente dele, percebendo que a palma de ambas as mãos dele estavam tremendo languidamente. Ele pigarreou, balbuciou uma resposta inaudível para ela, e então a morena riu, tombando a cabeça para trás. Sasuke era mesmo engraçado.

 

A aula começou, dando lugar para um Uchiha compenetradíssimo em suas explicações, enquanto a Hyuuga ficava se questionando mentalmente como ele ainda não tinha desmaiado de calor. Deveria estar fazendo sabe-se lá quantos graus lá fora, e ele permanecia com o suéter. O sorriso em seus lábios permaneceu,mesmo durante as explicações, e a morena esforçou-se em ater-se ao que ele dizia. Sasuke era um ótimo professor, e ela não queria fazer feio na frente do nerd da escola, então, esforçou-se em prestar atenção. Embora aquele lance de reforço tivesse sido um pretexto descarado para ela conseguir ficar a sós com o seu nerd preferido, por outro, ela tinha mesmo sérias dúvidas sobre a matéria e suas notas estavam péssimas. Em suma, Hinata juntou o útil ao agradável.

 

E coloque agradável nisso.

 

Ela aproximou-se ainda mais do garoto, que, ao perceber a súbita aproximação da morena, pusera-se a transpirar gradativamente e a tossir, engasgando-se com a própria saliva. A morena retirou uma mexa que estava na frente do seu rosto e então, corajosamente, tomou o rosto dele entre suas mãos.

 

—Sasuke. — ela olhou diretamente nos olhos ônix dele, que estavam escondidos através das lentes quadradas. Uma armação bem melhor que as antigas garrafais dele, pensara a morena. — Olhe para mim. —pediu, vendo que ele tinha menção de desviar o olhar para encarar qualquer outro ponto que não fosse ela.

 

—H-Hinata, o que vo-você...

 

E então ela fechou os olhos lentamente, fazendo um beicinho, inclinando-se insinuante na direção do moreno.

 

O desenrolar, sobre a perspectiva do Uchiha caçula, aconteceu em câmera lenta.  A garota estava se aproximando.... E se aproximando... E ele entrou em pânico por dentro, fazendo algo que, definitivamente, não estava em seus planos mais selvagens com a morena.

 

Ele espirrou.

 

Mas, não foi um simples espirro, porque daí, obviamente não estaríamos contando a história do fudido Sasuke Nerd Uchiha; foi um espirro escatológico, com direito a uma bela quantidade de catarro.

 

A morena paralisou e ele colocou a mão na boca, enquanto todo o resto do mundo e por tabela, de sua própria casa, pareceram girar sobre a suas vistas. Ele não agüentou a pressão e vomitou em cima do próprio livro de física, enquanto Hinata, paralisada de nojo e surpresa, encolhia os ombros.

 

Puta. Que pariu, choramingou o nerd.

 

—Ai Meu Deus — o moreno soluçou, com a boca cheia de vômito. — Hinata eu sinto muito, eu sinto...

 

E o que já estava inacreditavelmente ruim, é claro que piorou, com a chegada inesperada e mais do que ilustre de Mikoto que, assustada e enojada, não pudera deixar de gritar escandalosamente ao ver a cena.

 

Ora, não era todo dia que ela via uma garota com uma espécie de –  ao menos ela esperava que fosse mesmo catarro – gosma meio esverdeada na face, enquanto tinha o filho caçula com a boca e o livro inteiro sujos de vomito.

 

 

 

A morena suspirou, exausta, chutando as latinhas de refrigerantes jogadas no chão, ajeitando a alça de sua mochila distraidamente. Estava fazendo um calor infernal e infelizmente naquele dia nenhum Hyuuga magicamente surgira em seu caminho para oferecer-lhe carona, mas, em compensação, Inuzuka Kiba tratou de esnobá-la com seu carrinho esportivo a fazendo repensar sobre aquela história de se aproximar das pessoas por interesses. E, foda-se, Kiba não era exatamente um ser humano, logo não deveria se preocupar com os pressupostos sentimentos que o mesmo possuía.

 

Certo?

 

Bocejando, constatou que sempre parecia uma filosofa bêbada e drogada depois de uma noite mal-dormida. No caso, tivera seu sono interrompido durante a detenção com a senhora Thurman, de quem já estava se tornando íntima o bastante para ser chamada de “Estorvo Americano”. Que mulher desgraçada. Tinha que ser francesa.

 

E falando em francês,  a Mitarashi parou de andar subitamente, limpando as grandes gotas de suor que escorriam de seu rosto. Não sabia dizer se aquilo era conseqüência do sono REM interrompido ou se uma alucinação causada pelo calor e sua sede em excesso, mas, ao longe, do outro lado da rua mais precisamente, ela podia jurar que estava vendo um Garoto Propaganda da Pantene vestido de pinto, sem a parte de cima da fantasia. Ela esfregou os olhos repetitivamente, confusa.  Não tinha a menor chance de aquele cara, do outro lado da rua e longos fios negros ser o Hyuuga, certo?

 

O garoto pinto, ou frango – apesar de ela sempre preferir a palavra pinto – estava de frente a uma lanchonete de frangos, chamada de “O Rei do Frango”. Ela piscou os olhos mais algumas vezes, e a figura não dissipou-se de sua cabeça, como normalmente acontecia com suas alucinações rotineiras. Muito pelo contrário.

 

“Eu não acredito no que estou vendo!” foi o primeiro pensamento da morena, antes de tombar a cabeça para trás e gargalhar escandalosamente. O Neji estava mesmo ali, a sua frente, vestido como um frango gigante!
 

O quão bom e misericordioso Deus podia ser?

 

É claro que ela não ia perder a oportunidade de debochar do seu eterno arqui-inimigo e por esse motivo, correu para atravessar a calçada, enfurecendo alguns motoristas retardados que vinham pela a contramão e conseqüentemente buzinando para que ela saísse do caminho. Algo que ela respondeu delicadamente com o dedo médio erguido, ainda com os olhos a postos sobre Neji.

 

O seu colega da Wild News realmente ficou catatônico ao vê-la correr em sua direção, o que aumentou ainda mais o prazer que ela estava sentindo em flagrá-lo naquela situação.

 

—Caralho... — a morena escutou-o resmungar, assim que se aproximou o suficiente de Vossa Realeza Ave.

 

—Neji! — disparou ela, rindo. — O que diabos você está fazendo vestido de frango? — perguntou, sem se preocupar em esconder o quão estava divertindo-se com aquela situação.

 

—O que diabos você  está fazendo aqui? Esse nem é o caminho da sua casa!

 

—Peguei um pequeno atalho — ela dera de ombros, agarrando-se a alça da sua mochila e o encarando, com os olhos castanhos marejados, de humor. — Puta que pariu, não acredito que você é você! — disse rindo.

 

O Hyuuga semicerrou as mandíbulas, com os punhos fechados.

 

—Cala a boca e me siga. — ordenou, irritado, dando as costas para ela e adentrando a lanchonete, sendo seguido por uma garota debochada que se desdobrava de dar risada. É claro que ela estava achando aquilo divertido. — Eu trabalho aqui, sua anta. — confessou, respirando fundo, colocando a cabeça de seu personagem, no banco de couro vermelho ao seu lado direito.

 

Tenten sentou-se de frente para ele, é claro. O riso foi morrendo em seus lábios, apesar do humor ácido não desaparecer completamente de suas feições. Ela piscou os olhos castanhos.

 

—O... Que? — perguntou, pausadamente, incerta sobre o que tinha acabado de escutar.

 

Ele revirou os olhos. Embora na maioria das vezes ele desejasse beijá-la profundamente, em outras, ele só queria esticar suas mãos até o pescoço daquela desgraçada e estrangulá-la.

 

—Eu trabalho meio período aqui. Meu pai me expulsou de casa há alguns meses. — confidenciou num sussurro, vendo as pupilas da morena dilatar-se e a expressão zombeteira dela alterar-se para uma mais humanamente aceitável.

 

—Ah, merda. — murmurou, engolindo em seco, mesmo que a cena de ver a Rapunzel vestida numa fantasia de frango fosse impagável para ela, a situação era mesmo uma droga.

 

—O salário que eu ganho é para pagar meu aluguel e o conserto da minha moto — ele prosseguiu, respirando fundo, tamborilando os dedos amarelos (por conta da fantasia) em cima da mesa.

 

—Ah, Neji, eu sinto muito. — disse com sinceridade. — De verdade. Mas,se você quer saber — ela pigarreou, com as bochechas avermelhadas — Até mesmo vestido de frango você é insuportavelmente bonito. — disparou, encarando-o nos olhos.

 

E então algo, ainda mais esquisito do que vê-lo enfiado dentro de uma fantasia de frango aconteceu: os lábios repuxaram-se numa espécie de sorriso de canto, que fez com que o coração dela batesse de um jeito esquisito. Os olhos castanhos arregalaram-se. Ela não sabia que Neji tinha dentes tão brancos: nas poucas vezes em que o vira sorrir, sempre tinha vestígio de desprezo ou ironia e a boca não se abria daquela maneira. Mas, aquilo que estava vendo, definitivamente era um sorriso. Um puta de um sorriso, diga-se de passagem.

 

—Quer dizer que você me acha bonito, Mitarashi? — e ele inclinou-se sobre a mesa. E mesmo que todas aquelas penas e aquela fantasia enorme o estivesse deixando ridiculamente hilário, ela não conseguiu evitar o suspiro de exclamação que escapou por entre seus dentes, muito menos os arrepios que aquele tom de voz sexy provocara nela.

 

Ok, desde quando ela se sentia tão covardemente atraída por um par de olhos perolados? E por quê ela sentia que ele estava divertindo-se ainda mais da sua falta de reação?

 

—Ah... — ela poderia perfeitamente negar, mas estaria sendo hipócrita. Ela sempre o considerou o garoto mais lindo da escola. E, diferentemente dele, o Sr. Cubo de Gelo, ela não tinha tanto orgulho ou dignidade assim, então apenas dera de ombros e desviou os olhos para a parede, ao seu lado.

 

Aquela lanchonete possuía o charme de um típico point jovem dos anos sessenta, apesar das cores amarelo e laranja por toda a parte, com exceção dos bancos. Ao fundo, uma música infantil ridícula explodia através das caixas de som.  Não era um ambiente muito romântico.

 

—É, bom, talvez.

 

—Sempre soube que você tinha uma quedinha por mim — cantarolou o Hyuuga, que, repentinamente, mostrava-se sorridente demais.

 

E Tenten nunca invejou tanto uma arcaria dentaria quanto naquele momento. O filho da puta nunca tinha comido um doce em toda sua vida?

 

—Espera! — ela riu nervosamente, parecendo voltar a si após a afirmação extremamente arrogante dele — Eu não tenho queda nenhuma por você! — afirmou, com as bochechas coradas.

 

—Tsc. — Neji balançou a cabeça.  Era inacreditável como ela conseguia ser tão teimosa. — Eu sinto muito, Mitarashi, adoraria ficar aqui e te dar umas aulas de beijo, mas eu estou no meu horário de trabalho — dissera, levantando-se abruptamente e apontando para o balconista, que observava o desenrolar da cena. — Se você quiser, posso te dar alguns frangos de graça, mas não se acostume.

 

Ela piscou os olhos, desnorteada. Quem era aquele Neji e o que tinha feito com o Garoto Propaganda da Pantene?

 

 

Quando seu pai recusou-se veementemente a desembolsar dinheiro, para ajudá-la em seus books, a loira soube que precisaria arrumar uma forma – preferencialmente honesta – de pagar por eles. Por esse motivo,ela saiu por ai distribuindo alguns currículos. E felizmente, conseguira achar um emprego razoavelmente satisfatório que iria ajudá-la na missão de fazer os testes de elenco para a versão francesa de Gossip Girl, sua série preferida.

 

Então, ali estava ela, usando o jaleco com o nome da farmácia e os cabelos louros devidamente trançados. Possuía um olhar calmo e confiante e esforçava-se em aprender com os demais funcionários. O seu chefe era um cara bacana, que tinha por volta dos quarenta anos, era assumidamente gay e tinha sido abençoado com uma memória fotográfica. O cara simplesmente sabia onde todos os remédios estavam, em que prateleira, a ordem alfabética, quais eram os genéricos e etc.

 

E ela estava em frente à tela de computador, mascando um chiclete de zero açúcar dado pelo simpático senhor, até que a campainha da farmácia tocou, anunciando a entrada de uma garota punk, com os cabelos azuis-escuros curtos até o ombro. Ela alguns centímetros mais alta do que a loira e usava uma jaqueta preta, além de possuir piercings em praticamente toda sua região facial. Os olhos eram castanhos, e ela tinha peitos dignos de uma atriz pornô, além de ter a barriguinha de fora.

 

—Oi. — a loira sorriu simpaticamente para a  punk, que sorriu de volta, escorando-se no balcão. — Em que posso ajudá-la? — Ino perguntou com uma sobrancelha arqueada.

 

—Eu quero uma camisinha sabor morango extra-g e ky.

 

Certo, não é como se a Yamanaka fosse alguma retardada, ela sabia muito bem o que significava a palavra camisinha. Mas fora involuntário corar mediante a citação, tão segura referente ao lubrificante. Com o rosto profundamente avermelhado, ela sorriu para a azulada e então afastou-se, procurando pelos itens pedidos. Havia duas estantes repletas de opção; com os dedos trêmulos, ela andou em direção do preservativo tamanho extra-G.  Pegou a embalagem e retornou para o balcão.

 

—Ah não querida, tem de ser da outra, essa não estica o bastante — esclareceu a azulada, crispando o lábio. A loira fizera uma careta, pensando que ela deveria namorar um filhote de jumento ou algo assim.

 

—Você já comprou amor? — ela tinha acabado de se virar novamente para as prateleiras, procurando pelo produto solicitado, quando escutou aquela voz familiar soar próxima a ela. Os olhos azuis arregalaram-se.  Escutou-o pestanejar, gaguejante.

 

Respirando fundo, a loira fechou os olhos por alguns segundos, pensando que se citasse sobre o produto extra-G, Sasuke provavelmente teria uma crise depressiva de baixa estima pelos próximos séculos.

 

Ela estalou o pescoço e profissionalmente ignorou seus tremores, retornando para o balcão com um sorriso simpático, segurando o lubrificante e o pacote de camisinhas. Itachi abriu e fechou a boca diversas vezes, com as sobrancelhas crispadas.

 

—Aqui está, senhorita. — ela ignorou propositalmente a presença do mais velho, dirigindo-se à que deveria ser a namorada dele.

 

—Obrigada. — Konan agradeceu. E, infelizmente a desgraçada era simpática. Isso a deprimiu. Aquela garota era sua antítese: determinada, deslocada... E ela era a própria vergonha alheia em pessoa!

 

—Konan, vá para o carro. Eu acerto aqui. — Itachi abriu um dos seus melhores e mais persuasivos sorrisos, sendo presenteado com um selinho rápido da azulada, que tratou de afastar-se. — Ino...

 

—São vinte e sete dólares e cinqüenta centavos, senhor. —  ela sequer olhou para a cara dele, enquanto maltratava a maquina registradora.

 

O quarterback mordeu o lábio, coçando a nuca. A loira não o encarou, um único segundo que fosse. Ele rogou um palavrão em voz baixo, pegando a carteira de dentro do bolso da calça e tirando algumas cédulas, entregando-a. Ela puxou o dinheiro com raiva, colocando-o na maquina, calculando o troco para dar para ele.

 

Era esse cara que até outro dia estava querendo pegar ela? Meneou a cabeça. Não sabia de onde vinha tanto ódio incubado. Talvez Tenten estivesse certa e ela fosse mesmo cega para não enxergar o que estava bem a sua frente, ou talvez Itachi fosse um galinha, como Sasuke havia dito e fizera questão de repetir várias e várias vezes ao longo de sua existência.

 

—Aqui está. Boa transa para você e sua namorada. — mesmo que estivesse incomodada, sem saber a razão para tal, ela forçou-se a sorrir arisca na direção dele.  O moreno engoliu em seco, agarrando a sacola e afastando-se dali, contrariado.

 

Entretanto, Itachi não deixou a farmácia antes de lançar um olhar demorado na direção da Yamanaka, que, respirou fundo.



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