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História .a barraca do beijo - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Yo!
Estou de volta - e dessa vez foi até rápido...

É o seguinte: essa fanfic tava esquecida nos arquivos desde o ano passado, aí resolvi terminá-la já nos 45 minutos do segundo tempo pra acabar junho (e as comemorações juninas); pois é, essa é uma tentativa de comédia por isso adianto que é por sua conta e risco continuar a leitura... não garanto a comédia, talvez uma vergonha alheia, no máximo.

Aqui é ot21 sim; e nunca mais vou fazer essa loucura de escrever com tudo isso de personagem, deus me livre...

nos vemos nas notas finais.
boa leitura :)

Capítulo 1 - .único - putz, onde fui amarrar meu jegue?


Eu estava longe de ser uma pessoa supersticiosa ou que costuma levar a vida por meio das populares crendices — é, definitivamente esse não é o meu caso —, contudo, hoje para ser mais específica, um indistinto pressentimento reluta desde cedo no que eu deduzo ser um talvez sexto sentido. Sei lá, eu só sentia que deveria estar preparada para o que quer que fosse acontecer.

Óbvio, é claro, que a possibilidade de tudo isso não passar apenas de uma paranoia típica da minha cabeça também não tenha sido descartada por mim, entretanto, eu também não sei dizer com certeza se essa sensação possa se dar pelo fato de que 1) estar no mesmo lugar com vinte e um caras que se dizem meus amigos é sempre um grande risco a correr, 2) não importa a situação ou seu nível de gravidade, esses mesmos vinte e um caras têm a surpreendente capacidade de torná-la pior e ainda me ferrar, ops, digo me incluir nessas mais distintas loucuras e 3) apesar de tudo, eles são inevitáveis. É, é exatamente isso mesmo que você leu. Por mais empenhada que eu esteja para conseguir levar uma vida tranquila e sossegada, constante e arrisco em dizer que inevitavelmente eles arranjam alguma forma de me envolver em situações que muitas vezes não tem escapatória.

Ainda assim, toda essa teoria mixuruca e a estranha sensação antecipada não impediram minha mãe de praticamente me obrigar em estar aqui, atrás de uma barraquinha de comidas juninas ultra enfeitada, usando um vestido meia boca de estampa quadriculada com trança nos cabelos e bochechas pintadas com um blush rosa e pintinhas espalhadas.

— Com essa cara você vai acabar espantando as pessoas. Tenta pelo menos fingir que tá se divertindo! — mamãe reclama ao meu lado, trazendo consigo mais uma infinidade de bolo de milho, pamonhas, canjicas e outras comidas para repormos na vendinha. Tive que segurar a vontade de revirar os olhos para aquele pedido, minhas pernas doíam em forma de protesto pelo tempo em que já estava ali em pé e eu queria surtar.

— Não se preocupe, se eu espantar as pessoas com a minha cara o Chenle dá conta do resto que sobrar — replico na cara dura, fazendo o chinês citado me olhar de esguelha ao pairar um pedaço gigantesco de pamonha recheada à meio caminho da boca. — Se duvidar ele acaba com tudo isso aqui sozinho...

— Que feio, ____. Como você pode me difamar assim? — ele estala a língua no céu da boca repetidas vezes, negando com a cabeça, além de usar um tom desdenhoso na voz. O Zhong adorava me provocar, e conhecia melhor do que ninguém a minha zero paciência em aturá-lo. — Eu esperava mais de você.

Faço uma careta para o garoto recebendo em troca sua língua para fora. Aish, tão infantil!

— Tu podia ir passear por aí ao invés de ficar enchendo o meu saco, o que acha? Por que não vai atrás do Jisung? — cruzo os braços, o encarando.

Chenle se remexe sobre o banco de madeira, deixando de lado a pamonha e pronto para me devolver uma resposta. Mas antes que dissesse algo, mamãe faz o favor de se intrometer na discussão.

— Pare de falar assim com o meu afilhado, garota! — a mulher foi até ele com toda carência, segurando o rosto cheinho do chinês entre as mãos. — Veja só como as bochechas dele diminuíram, dá até pra ver os ossos — reviro os olhos, vendo o garoto sorrir todo mimado. — O Lele tá em fase de crescimento e precisa comer bem. Não liga pra o que essa garota chata diz, meu filho. Você pode comer o quanto quiser.

Minha progenitora o abraça de lado e em seguida lhe dá um pote abarrotado de suspiros dentro.

— Pode deixar, tia — abre um sorriso contagiante para a mais velha, deixando minha mãe toda boba.

Eu mereço isso, viu.

Evito falar qualquer outra coisa — porque a probabilidade de eu xingá-lo naquele momento era bem maior — e deixo com que minha mãe falasse mais algumas coisas antes de ir embora. Claro, me deixando outra vez sozinha naquela barraca para continuar aturando as provocações do mais novo.

— ____! ____! — me assusto com a aparição repentina de Jungwoo. O rapaz para ofegante em frente a barraquinha, cumprimentando o chinês devorador de suspiros e voltando-se em minha direção. — Por acaso tu viu o Taeyong por aí? A quadrilha já vai começar e eu preciso encontrar ele agora!

O coreano que possui as feições angelicais mais fofas que eu já vi na vida trajava uma roupa caipira que, somente por ser ele usando, parecia ser a roupa mais descolada dos tempos. Kim Jungwoo ditando tendência. Ele também usava um chapéu de palha e botas.

— Já procurou na fila quilométrica da barraca do beijo? Não duvido nada que ele esteja lá esperando realizar o sonho de ficar com a Irene — digo de má gosto, dando de ombros. — Não o vejo desde a última vez que veio aqui para comprar e tirar o pouco de paciência que tenho.

O chinês que até então comia calado, abruptamente solta uma risada altíssima de golfinho. Jungwoo também ri conforme o garoto perde o ar pela reação aleatória, enquanto eu apenas o ignoro.

— Então... tu não tinha que ir atrás do magricelo?

Jungwoo parece voltar à realidade.

— Ah, é mesmo! Tá bom, vou procurar na barraca do beijo. Tchau, ____!

Faço um gesto modesto com a cabeça e o vejo se distanciar. Depois de perdê-lo de vista, me volto para Chenle e passo a observá-lo tentar recuperar o fôlego perdido.

— Algum motivo pra esse show?

Ele arfa, acenando com a mão.

— ____, você não sabe esconder quando tá com ciúmes — quis voltar a rir, mas se conteve. — Precisava ver a tua cara quando falou da crush do hyung!

Abri a boca para retrucar sua falsa suposição, mas eu realmente me vi sem fala, estando ainda um pouco indignada e... surpresa?

— De onde tu tirou essa ideia ridícula, garoto?! — solto um riso nasal, desacreditada. — Eu com ciúmes do magricelo? — dou uma gargalhada forçada, passando mal com toda aquela provocação. — Isso nunca iria acontecer. Que loucura...

Tento desviar meu olhar para qualquer canto que não seja o chinês, mas sempre que meus olhos se ‘esbarravam’ na sua expressão, eu me sentia cada vez mais coagida. O ruivinho continuava me olhando com uma das sobrancelhas erguida e um sorrisinho canalha nos lábios repuxados de lado.

— Ok. Vaza daqui, Chenle. Vamos, vamos! Vai procurar outra pessoa pra torrar a paciência — sim, eu não sou boa em agir sob pressão.

Dou a volta na barraquinha até alcançar o garoto. Assim que ele prevê meus próximos passos, se agarra ao banco para que eu não consiga o tirar dali. Faço de tudo para forçá-lo a sair, puxo-o pelo torso, pelos braços, tento fazer cosquinhas, mas o garoto é notoriamente mais forte do que meus braços flácidos. E diante de tudo isso ainda tem a ousadia em tirar sarro da minha tentativa frustrada.

Noona!

Ofegante, eu olho em direção ao chamado, deparando-me com um Jisung sorridente vindo em nossa direção e logo atrás de si um grupinho de mais cinco garotos. Mark e Jaemin eram os únicos que não usavam roupas características dos festejos juninos.

— O que vocês dois estavam fazendo? — o mais novo do grupo pergunta numa inocente curiosidade.

Forço um olhar ameaçador para Chenle, o deixando encolhido no banco.

— Eu estava tentando me livrar desse atrevidinho.

Os garotos riram.

— Você tá de novo estressando a ____, Lele? — Jeno pergunta, não esperando receber uma resposta. — Quando ela deixar de te dar atenção por causa disso eu não vou querer ficar te ouvindo reclamar por carência. Vou logo avisando.

Renjun concordou num aceno positivo.

— Apesar da noona se estressar facilmente por qualquer coisa, você consegue a deixar full pistola num segundo. É impressionante.

— Ei, eu não me estresso por qualquer coisa! — falo estressada e no segundo seguinte todos caem na gargalhada. — Aish, o que eu fiz pra merecer irmãozinhos tão amáveis como vocês, hein?

Vi quando Mark se preparou para dizer algo, mas, antes que sua voz fosse ouvida, uma comoção bem próximo de nós chamou a atenção de todos.

— O que tá acontecendo...? — Jaemin externou a pergunta que passava na mente de cada um dos meninos. Somente eu e Chenle já tínhamos sacado a situação.

Atravessando a área aberta para chegar ao local onde aconteciam as apresentações de dança, Jungwoo arrastava um Taeyong indignado pelo braço com a ajuda de Johnny. Apesar de magricelo, o Lee conseguia dar trabalho aos dois rapazes que o escoltava, ao sair resmungando feito uma criança birrenta.

Que péssimos amigos vocês são! Eu já tinha comprado o ticket e estava perto de chegar a minha vez!

Tu pode tentar conseguir um selinho da Irene no ano que vem. Agora a gente tem que apresentar a nossa dança! — Jungwoo foi direto e nem um pouco sensível.

Segurei o riso ao ver toda àquela cena, mas assim que noto o chinês que tem uma risada de golfinho me olhando de modo malandro, fecho a cara imediatamente.

— Não diga nada — ordeno, apontando o indicador ameaçadoramente em sua direção.

 

•xXx•

Era mais tarde naquela mesma noite. A competição de quadrilhas continuava acontecendo num local improvisado da arena e muitos outros jogos ocorriam pelos arredores. Somente pelo santo milagre, mamãe teve um pingo de compaixão sobre mim e me liberou da barraquinha, colocando Yerim no meu lugar. Aproveitei essa oportunidade para fugir de Chenle ao deixá-lo na companhia dos outros meninos e fui atrás de alguém que não provocasse tanto a minha curta paciência. Foi assim que eu encontrei Kun, Hendery, Lucas e Dejun pelo caminho.

— Duvido você virar de uma só vez!

Lucas desafia o Xiao de modo malicioso, estendendo ao garoto um copo grande com quentão em seu conteúdo. Para quem não sabe, quentão é uma bebida alcoólica feita com cachaça e servida quente.

— Tá brincando? Passa isso pra cá — eu e Kun nos entreolhamos, e nossa expressão dizia a mesma coisa: vai dar merda. Não nos intrometemos na brincadeira tosca dos dois rapazes, eles que se virassem depois que algo der errado. E, assim que Dejun começou a virar a bebida marrom goela à dentro, pude ver suas orelhas se avermelharem e seu cenho franzir em desgosto. Além do cheiro forte do álcool impregná-lo. — Blé! Isso é horrível!

O Xiao fez uma careta impagável após beber a última gota, fazendo-nos rir da sua reação.

— Agora é sua vez, noona!

Dejun e Hendery também aprovam a ideia absurda do Wong. Nunca duvidei de que Kun seria a única pessoa sensata dali.

— Sai fora, Xuxi — franzo o nariz, rejeitando o copo oferecido. — Eu não caio nessa.

Os três garotos então começam uma onda de resmungos na tentativa — falha — de me fazerem persuadida. Pelo menos eu reconheço que eles têm força de vontade e não desistem tão fácil. O problema é que eu sou bem mais cabeça dura que isso. Quando nos demos conta, os outros dezessete garotos já estavam conosco na rodinha mal feita — porque, francamente, com aquela quantidade de gente era impossível sermos organizados — e tudo era motivo de risada e muita implicação. Eu preciso mesmo dizer que o Taeyong foi o que mais sofreu com as piadinhas? O Lee não escapou nem dos mais novos.

— É, não foi dessa vez que você perdeu o seu bv, TY — Donghyuck “consolou” o outro com seu humor irônico, deixando o rosto de Taeyong num vermelho intenso. Eu só não sabia dizer se era por vergonha ou raiva daquela perseguição toda.

As piadas sobre a ficada frustrada do magricela continuaram, deixando-o cada vez mais indignado com a falta de moral que estava tendo naquele momento. Até ele mesmo se cansar disso tudo e explodir de vez, fazendo um auê cômico que só reforçou nossas gargalhadas.

— Qual a pena pra alguém que comete homicídio, mesmo? — ele pergunta retoricamente, cruzando os braços frente ao corpo e fechando a cara. Quis socá-lo ao vê-lo assim, por ser um bobo e isso lhe deixar ainda mais fofo. Um absurdo! — Vou mandar todos vocês pra prisão.

Sua ameaça não surte efeito algum.

— Hyung, você deveria desistir dessa ideia ridícula de ficar com a Irene-noona — Chenle comenta audível, chamando a atenção de todos. — Ela jamais olharia pra você com intenções amorosas, entende? Além dela ser uma mulher de padrões altos, você não faria o tipo dela... — ouvimos Taeyong bufar. Pela primeira vez na noite eu estava consentindo com o que o Zhong dizia. Com um semblante sereno eu balançava a cabeça em concordância, sorrindo discreta. Todavia, o olhar meio esbugalhado e intencional que o chinês me lança, adicionando um sorriso atrevido em seguida, me faz parar no mesmo instante. Isso só podia significar uma coisa... — Você deveria investir em garotas como a ____-noona! Ela é uma das poucas pessoas que consegue aturar sua chatice e até que é bonitinha.

Bonitinha...

Óbvio que significaria somente uma coisa: Zhong Chenle nunca abre a boca pra dizer algo que realmente valha a pena!

Sinto meu sangue ferver e a onda de ruídos que os outros meninos fazem só colabora em tornar mais nublado meus pensamentos que possuíam alguma racionalidade.

— Yah! — meu corpo voou como um raio por cima de Lucas e Dejun para tentar alcançar a gola abotoada da camisa que Chenle usa, porém, algumas mãos afobadas me impediram de pular naquele pescoço pálido do chinês e desse modo eu não pude estrangulá-lo. — Que tipo de absurdo é esse?! Eu não sou apenas bonitinha, ok? E meu padrão não é qualquer um pra você diminuir desse jeito!

O atrevidinho com cabelos de fogo ria da minha cara, encolhido atrás do corpo esguio de Johnny como precaução caso eu conseguisse lhe alcançar. E como eu queria dar uma lição nesse garotinho sacana! Mas Kun me impedia de dar ação aos meus pensamentos maldosos, afinal, ele continuava segurando meus dois braços e mantendo-me sentada, quase me abraçando por trás. Ora ou outra sua risada divertida batia contra um dos meus ouvidos, permitindo-me saber que eu era a única que não achava graça daquilo.

— Não fala desse jeito com a sua noona, oh, cabeção — Johnny dá um peteleco na testa do causador de toda minha fúria, deixando-me um pouquinho (só um pouquinho) menos inconformada por eu mesma não poder dar uma liçãozinha nele.

Enquanto Chenle resmungava da dor sofrida e Jisung e Yangyang riam da punição alheia, outros comentários sobre o assunto colocado em pauta eram discutidos entre eles, comentários do tipo que faziam observações e davam palpites do porquê eu não ter um namorado ou de nunca ter namorado antes. Conversavam entre si como se eu, o assunto, não estivesse ali no meio com a maior cara de cólera. Além, é claro, de estar indignadíssima.

— Talvez a noona não esteja fazendo a simpatia pra Santo Antônio direito, daí o motivo dela ainda tá encalhada — fuzilei Na Jaemin com um olhar endiabrado, logo o vendo engolir a seco sua risada.

Mal sabiam eles que todos os anos eu deixava a figura do santo pendurada de cabeça pra baixo dentro d’água, punindo o casamenteiro na esperança de conseguir arranjar alguém, ao menos uma paquera, um crush, sei lá, qualquer coisa que fizesse minha mãe deixar de me perturbar ao exigir de mim um genro, como ela costuma dizer. Mas, como pode ser notado, a simpatia não vem surtindo muito efeito. Nunca surtiu, na verdade. Talvez seja minha falta de fé nessas coisas, vai saber.

— Puf — uma risada sonora soou. Todos encararam Taeyong esperando pelo momento em que ele falaria alguma coisa. — Não é que a simpatia não esteja dando certo, caras. Santo Antônio que já desistiu de arranjar alguém que conseguisse aturar a baixinha aí...

Cerro meu olhar ao estreitar os olhos em sua direção, mirando diretamente seu rosto. Os punhos fechados, quase trêmulos, a queimação sob minha pele. Taeyong ao ver minha expressão soube na hora que tinha cometido um gravíssimo erro. Não só ele como todos os garotos, na verdade. Tanto, que dessa vez ninguém ousou pôr as mãos em mim quando levantei da arquibancada de madeira e fui descendo lentamente degrau por degrau.

— Péssima hora pra abrir a boca, hyung — um murmúrio despontou detrás de minhas costas, soando meio hesitante. Não fiz questão de saber à quem pertencia o comentário, mesmo tendo Yangyang como palpite.

Último degrau. Taeyong dá um passo em falso para trás, sorrindo nervoso.

— Err... ____. Sabe que foi só uma brincadeirinha, né? — dou mais um passo até ele, vendo-o pôr ambas as mãos espalmadas para frente como se quisesse me repelir.

Nego num movimento robótico de cabeça, ouvindo uns murmúrios em volta. “Talvez a gente devesse fazer alguma coisa”, “que nada, isso tá muito bom pra gente fazer alguma coisa”, “é, relaxa, o máximo que a ____ pode causar em alguém é ataque de risos”, “agora que o Taeyong não beija mesmo a Irene. Vai morrer antes disso”, “coitado do hyung, tão jovem pra enfrentar o terror da morte”.

Solto um suspiro longo, cruzando os braços abaixo dos seios. Em momento algum desviei meu olhar do seu.

— Então você acha que eu não namoro porque até mesmo as divindades desistiram de mim, é?

Taeyong se afobou em negar.

— N-não quis dizer isso — ele engole a seco, desesperado, buscando por ajuda aos outros amigos. Mas, assim como eu, o Lee sabia que não sairia dali tão facilmente assim. Uma vez vacilado comigo, as consequências eram quase sempre certas. Por isso, com o desespero tomando sua expressão, o magricela não esperou pelo meu próximo movimento e logo juntou as mãos em gesto de súplica, formando uma carinha arrependida. Até seus olhos ganharam um brilho diferente. — Eu te amo, ____. Por favor, não me machuca! Eu falei sem pensar, huh? Você é maravilhosa e só não tem alguém que te queira-, quero dizer, que mereça você, porque... porque...

Ele simplesmente travou nas últimas palavras, piorando a sua própria situação.

Porque...? — ponho pressão, sabendo que o magricela não aguentaria e logo cederia. — Porque tu não tem uma desculpa melhor pra dar, não é mesmo?

Taeyong revira os olhos, frustrando-se. Eu estava me corroendo de raiva, realmente, mas além disso eu também tinha consciência das minhas limitações e fraquezas; uma delas era ver Lee Taeyong agindo com manha, uma verdadeira criança de cinco anos de idade que não aguenta levar bronca. Quis rir das suas caras e bocas, mas eu precisava manter a pose de garota fria e impiedosa — mesmo mamãe dizendo que eu estou mais pra garota mal-amada.

Abro a boca para sentenciar seu infortúnio, quando, de repente, uma voz feminina se sobrepõe antes de minha fala. Rapidamente levo minha atenção em direção ao chamado, sendo capaz de observar o exato instante em que a figura de estatura próxima a minha para a alguns poucos metros de distância entre mim e Taeyong.

— Procurei por você em praticamente todos os cantos desse lugar — Irene diz em seguida, parecendo meio aborrecida por meu “sumiço” tê-la feito cansar. Contudo, o cenho franzido não perdura por muito mais tempo, pois assim que ela observa em volta e nota os vinte e um garotos todos ali, atentos a nós, sua expressão se torna mais natural. — Oi, galera — ela sorri enviesado quando é retribuída por um corro desarmonioso em forma de cumprimento. Taeyong foi o único a gaguejar, automaticamente ficando com uma cara patética enquanto a observava. Não pude evitar o revirar de olhos ao perceber isso. — Então, ____. Nós estamos precisando de uma outra garota pra ficar na barraca do beijo, eu e Seulgi não temos mais condições de continuar sozinhas lá. A demanda tá grande, superou até nossas expectativas.

Inicialmente eu fiquei, tipo, uns dois segundo apenas encarando o rosto sem falhas da mais velha. Na minha cabeça não fazia sentido a Joohyun vir até aqui somente para se queixar sobre a barraca do beijo para mim, afinal, eu não tenho absolutamente nada a ver com toda essa história. Porém, bastou apenas mais alguns meios segundos do silêncio da garota assomado ao seu olhar que aparentemente aguardava algo de mim e uma risada escandalosa de golfinho para que eu entendesse o que estava acontecendo ali.

Solto um riso desacreditado antes de olhá-la com divertimento nos olhos.

— Você quer que eu fique na barraca do beijo? — pergunto apenas por perguntar, confiante de que minhas conclusões estavam erradas e ela apenas negaria como resposta.

Entretanto, o balde de água fria que caiu sobre mim ao ouvi-la, me fez rapidamente murchar.

— Óbvio que sim. Achei que tivesse sido clara.

Paraliso, me sentindo emudecer de imediato.

— Minha nossa... Essa foi muito boa, noona — Taeyong ria, assim como os demais meninos. — Você não pode estar falando sério, não é? Sabe que se a ____ for pra lá, é capaz de espantar todos os caras da fila e ai!

Eu havia dado uma cotovelada bem calculada em sua costela fina, assim calando sua boca grande. Alisando a área atingida Taeyong entendeu meu recado e se aquietou ao meu lado, ainda estando sob o olhar intrigado e meio desentendido de Irene.

— ...tudo bem, não sei exatamente o porquê de achar isso, mas tenho certeza que a ____ se sairia muito bem na barraca — seu sorriso confiante ao final da frase me deixou tocada, confesso. Isso significava que a Bae acreditava em mim, que eu teria capacidade para exercer seu pedido.

— Acho que você está colocando muitas expectativas sobre isso, noona. A nossa pequena garota aqui, bom... como posso dizer isso? — sinto um braço pesado cercar meu ombro e logo Doyoung surge ao meu lado. Ele parecia ter tomado um semblante sério, somente para dar uma maior credibilidade a sua fala. — Ela não tem muita experiência com o sexo oposto, sabe? É uma verdadeira puritana.

É instantâneo o meu rosto incendiar, logo sentindo a quentura da minha pele quente e corada. Meu punho treme e me sobe uma genuína vontade de socá-lo também.

— Puritana uma ova! — desvencilho-me de seu braço, pisando duro para longe de si. — Vejo que vocês me subestimam muito ainda, acreditando que não passo de uma garota surtada e que não sabe lidar com relacionamentos. Hunf! Pois bem, fiquem só olhando então — viro meu corpo para encarar Irene de frente, estufando o peito para dizer as seguintes palavras: — Eu aceito ficar na barraca do beijo.

Com um sorriso largo moldando seu belo rosto, Irene assente satisfeita com a minha decisão e passa a ignorar o caos que se forma atrás de nós duas.

•••

— Muito bem, agora você tá pronta para ir.

Abro os olhos devagar, me deparando com a expressão satisfeita de Seulgi. Estávamos dentro da uma tenda improvisada que naquele momento estava sendo utilizado como camarote. Afinal, antes que eu pudesse me dirigir ao meu posto na barraca, a Kang usou da insistência para que eu aceitasse sua ajuda para refazer minha maquiagem.

Depois de dar uma rápida espiada no meu reflexo com o auxílio de um espelho, aceno em positivo e a agradeço antes de seguir até a cortina que delimitava os dois espaços e que ligava a entrada da barraca. No entanto, quando eu estava prestes a puxá-la para o lado, sou interrompida pela aparição repentina e eufórica de Yerim.

Seulgi, ­­____! — sua expressão carrega um misto de confusão e incredulidade. — Vocês precisam ver isso!

Eu e a mais velha nos entreolhamos em um ar de dúvida, porém não contestamos a menor e seguimos o seu pedido assim que a vimos dar novamente as costas e sair da tenda caminhando apressada.

Quando meus pés pararam do lado de fora da barraca e eu vi aquela confusão formada, minha boca se escancarou por si só e meus braços caíram ao lado do meu corpo.

— Mas o que tá acontecendo aqui?

Seulgi questionou tão confusa quanto eu, vendo os vinte e um garotos que se apropriaram do título de meus amigos formarem quase uma barreira humana, assim impedindo a ultrapassagem de qualquer pessoa que quisesse chegar perto da barraca do beijo. A fila que exista antes, agora não passava de uma aglomeração desorganizada de resmungos insatisfeitos e xingamentos mútuos.

Quem vocês acham que são pra fazer isso, huh?

— Fica aí na sua, ô pivete. Nós vamos devolver o dinheiro de cada um, ok? Mas por hoje a barraca do beijo acabou!

Fecho a mão em punho, observando toda aquela cena protagonizada.

— Lee Taeyong! — vocifero, indo até ele pisando duro, com as maçãs do rosto fervendo. — Quem deu a vocês o poder de causar toda essa confusão?! Ainda mais dizer que vai reembolsar todo mundo. Ficaram malucos de vez, por acaso?

— Quem ficou maluca foi você. Quem já se viu aceitar uma proposta de sair beijando um monte de homem, ____? Óbvio que não poderíamos deixá-la fazer isso!

Desvio meu olhar de sua feição irritadiça apenas para encarar os demais garotos e ver que eles estavam prestando atenção em minha discussão com Taeyong. Meus olhos voltam a encará-lo.

— Você ia mesmo fazer isso?!

Solto um bafejar frustrado ao ouvi-lo.

— Por que não?! Acha que eu não sou tão bonita quanto a Irene pra fazer isso? Ou que eu não tenho tanta habilidade assim pra dar um simples selinho em alguém?!

Sustento fixamente seu olhar que, à medida em que fui falando, foi se tornando maior e mais assustado.

— N-Não é sobre isso, garota! Mas é qu- — Taeyong cortou a própria argumentação quando, por um segundo, seu olhar correu para algo atrás de mim. A incredulidade estampou suas feições. — O que...?

Curiosa pelo motivo de sua mudança brusca e instigada a descobrir o que acontecia sob minha costa, eu imito o Lee e acabo por me virar na direção em que seus olhos estão firmados.

E lá estava um Wong Kunhang — popularmente conhecido como Hendery — pagando um ticket que lhe dá direito ao passe livre para a barraca do beijo.

Eu mesma não consegui evitar que meu cenho franzisse em descrença.

— ...o que foi? — o chinês deu de ombros, casualmente, mesmo estando na mira de todos os olhares julgadores ali, principalmente o meu e do magricela. — Só estou dando apoio moral para a ____.

Volto-me para frente novamente, fingindo que entendia a solidariedade do garoto.

— Enfim... — solto um resmungo. — Vocês já podem acabar com isso e irem embora. Eu sei me virar sozinha.

— Você puxou a teimosia todinha da sua mãe.

— Não é à toa que tivemos de mobilizar um alvoroço desses pra impedir que você se arrependa mais tarde.

Johnny e Jaehyun se aproximaram de onde estávamos, apoiando a causa que Taeyong havia levantado minutos antes.

— Fala sério, até vocês dois? — retruquei.

— Na verdade, são os vinte e um mesmo — Taeil apareceu com Kun à sua cola. — Nenhum de nós quer te ver aqui, é esse o motivo.

Evito revirar os olhos.

— Acho que já entendi essa parte. Mas, agora, por quê?

— É tão difícil pra você entender que nós nos preocupamos contigo e vivemos pegando no teu pé pelo simples fato de que é dessa maneira que demonstramos carinho e cuidado? — me assusto ao ouvir Taeyong despejar as palavras fora, como se já estivesse cansado daquele assunto.

— Qual é, tu é como uma irmãzinha pra gente — Johnny volta a dizer, mas desvia rapidamente para o magricela parado ao seu lado — Ou pra maioria de nós.

Acabo por igualmente olhar para Taeyong e sinto um frio embaraçoso embrulhar meu estômago. E ignorando a fala anterior do Suh, ele dá um passo em frente sem vacilar na postura autoconfiante, sustentando seu olhar sobre mim ao dizer:

— Independente de onde essa conversa vai chegar, você vem com a gente.

Prestes a sair dali e me levar junto à tira colo, nossa atenção é capturada quando escutamos meu nome ser chamado de um ponto mais afastado. Miro a aproximação de Joohyun, qual vinha calmamente até nós.

— Sinto muito, Irene, mas você vai precisar encontrar outra garota para ficar na barraca — Taeyong nem deu tempo para que a mais velha dissesse algo e no instante seguinte eu sinto sua mão cobrir a minha. — Vamos levar essa birrentinha pra casa.

Crispo os lábios

— Você fala como se eu não tivesse idade suficiente para tomar minhas próprias decisões, Lee.

— Você ainda é muito ingênua.

— Argh! Você é o único que pensa dessa forma, magricela. Mas eu. não. sou. uma. criança! — sibilei cada palavra. Ok., eu poderia ser um pouco birrenta, sim, mas não ingênua. Puf, fala sério.

— Certo, certo... vamos acalmar os ânimos.

Taeil interviu em nossa discussão, se colocando entre nós dois. Enquanto isso, o restante do grupo permanecia apaziguando a muvuca logo atrás.

— Taeyong só está tentando te convencer a mudar de ideia e ir com a gente, meu anjo — ele volta a dizer num tom mais cauteloso.

— Tá, mas...

Eu iria continuar a frase se não fosse pela interrupção de Irene.

— Tudo bem, você pode ir com eles. A Sooyoung acabou de chegar e disse que ficaria no seu lugar.

Sinto pela segunda vez só nessa noite o balde de água fria cair sobre minha cabeça, como um lembrete de que nem sempre os meios que buscamos trilhar para alcançar um fim premeditado seriam os mais corretos e eficazes. É constatando essa verdade que compreendo minha necessidade de encontrar outras maneiras — de preferência que deem resultados — de mostrar a esses vinte e um caras que eu não sou alguém a ser subestimada.

— Problema resolvido, hora de irmos.

Dois pares de mãos ampararam meu corpo como forma de incentivo para que eu voltasse a me movimentar, pois até então, eu havia me petrificado ao chão, ainda inconsolada.

Eu só queria fazer algo assim... — murmuro num fio de voz, não sendo ouvida por ninguém além da minha própria consciência.

Irene já havia nos deixado à sós e seguido até a aglomeração para dar cabo de resolver aquele caos. Ao vê-la já distante, murcho em desânimo.

Ao perceber meu estado de espírito após ser “dispensada”, Kun fala na tentativa de me consolar:

— Não fique assim, ____. Nós prometemos fazer algo muito melhor do que você perder tempo nessa barraca do beijo.

Todos consentem com sua afirmação.

— Podemos assistir aqueles filmes clichês de adolescentes americanos que você tanto adora enquanto comemos sorvete direto do pote, o que acha? — Taeil arriscou.

— Ou maratonar a saga completa de Harry Potter pela trigésima vez — complementou Jaehyun.

— Chenle! — Johnny grita ao mais novo, consequentemente chamando a atenção de todos. — Estamos indo pra sua casa que tem aquela tevê enorme.

Reviro os olhos, não tão satisfeita com a sugestão da próxima programação.

— Vocês não estão entendendo! Eu só queria... — bufo, não tendo coragem suficiente para prosseguir.

Meus passos lentos estagnam, novamente, sendo imitada por eles.

— Ainda está assim pelo o que dissemos mais cedo? — Taeyong finalmente saiu de sua bolha silenciosa, me encarando ao questionar. Apesar de ser meio desatento na maior parte do tempo, o Lee possuía a capacidade meio sensitiva de saber quando ou o que me incomodava. — Porque se for por isso, só estávamos tirando uma brincadeira contigo. Porque, sabe, é engraçado te ver brava e com as bochechas vermelhas... Mas caso qualquer outra pessoa diga isso à você, pode mandá-la à merda porque você não precisa de mais nenhum outro homem na sua vida!

— Ou dizer que tem vinte e um namorados que são super ciumentos — nos surpreendemos com o timbre suave e divertido de Ten, que nos alcançou junto aos quinze garotos.

Não resisti ao sorriso pequeno que quis escapar dos meus lábios.

— Vocês são, definitivamente, imprevisíveis!

— É claro, nós faríamos qualquer coisa pra te deixar longe dos marmanjos interesseiros.

Aquiesço automaticamente com a fala de Yuta, grata de uma maneira meio estranha, por ver o empenho que eles possuem para me manter o mais longe de... O mais longe de... O QUÊ?!

— O quê?! — exclamo alarmada. Como um gatilho que se destrava na minha cabeça, o pensamento de que nesse tempo todo sem conseguir arranjar um namorado tinha um motivo bem específico e claro; na verdade, vinte e um motivos para ser mais exata. — Vocês passaram esse tempo inteiro espantando minhas possíveis relações amorosas?!

Um por um o rosto deles fora ganhando uma palidez assombrada, típica de quando se é pego numa mentira cabeluda.

Respiro fundo, bem profundo mesmo, sentindo um calar descomunal subir por meu corpo rígido e raivoso.

— Juro que vou fazer cada um de vocês pagarem por eu estar encalhada até hoje!

E com os punhos cerrados e os olhos flamejantes, eu partir para cima.

 

Quem diria que o problema todo não era a simpatia para o casamenteiro ou minha falta de fé! Santo Antônio até poderia ter tentado me ajudar a desencalhar durante esses anos, mas ele estava em desvantagem enquanto competia com a determinação de vinte e um idiotas ciumentos que se auto-intitulam meus melhores amigos.


Notas Finais


e então, vocês acreditam em simpatia? haha Eu não, a temática veio apenas por entretenimento mesmo, já que esse corona estragou o melhor mês pra se comer pamonha e bolo de milho... te odeio, corona.
aliás, se protejam e cuidem bem da saúde de vocês, ok? não quero ver ninguém dodói por aqui.

e são vocês que irão dizer se foi válido ou não essa "comédia"... talvez eu tenha forçado um pouco a barra, sorry. mas não deixem de comentar, por favor ♥
e é isso gente, desculpa ter dado preferência para o Taeyong (porque é impossível eu não dar preferência para o meu utt ♥)

aguardem por mais nct por aqui, mesmo que demore a vir, haha
beijinhos e até logo


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