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História A barraca do beijo 2 - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Você não precisa fazer isso


Fanfic / Fanfiction A barraca do beijo 2 - Capítulo 13 - Você não precisa fazer isso

BONNIE


- Você vai dar uma festa? – Gena gruda em mim, assim que me vê no corredor.
- Como você já sabe disso? – pergunto, enquanto atravessamos o mar de gente.
- Todo mundo tá falando.  – ela explica, e reviro os olhos.
Que maravilha. Era tudo que eu não precisava.
- Não é uma festa. – explico – Só uma reuniãozinha para poucas pessoas.
- Ah tá, sei... – ela ironiza.
- Não, é sério. Minha mãe deixou bem claro que só posso chamar algumas pessoas.
- Desde quando sua mãe liga pra isso?
- Desde que ela conseguiu um contrato novo e precisa trabalhar.
- Hum. Demais. – Gena diz. – Mas ei, eu tô convidada né?
- Claro.
- E o...o...Connor também? – ela pergunta, seus olhos intercalando entre mim e o corredor movimentado.
- Claro. Seu namorado secreto tá convidado. – respondo com um sorriso, e ela fecha a cara.
- Ele não é meu namorado.
- Seu ficante, então? – testo.
- Comparada a você, a Donna tá começando a parecer legal. – ela ataca, e solto uma bufada.
- Só avisa ele da festa, tá? Vai ser no sábado. – peço, e ela confirma com a cabeça.
Entramos na sala, e pela primeira vez o Ethan já está lá.
Luke e Connor estão conversando com ele, então nenhum dos três percebe quando entramos.
Ethan e eu não conversamos desde a festa. Nem sei porque ligo pra isso, mas ligo.
Ontem eu pensei em mandar uma mensagem pra ele, até perceber que não tinha seu número, e que ele também não fez nenhum esforço em conseguir o meu. É aquela coisa “temos todo tempo do mundo”. É só que...as vezes tenho vontade de acelerar as coisas. Pelo menos um pouco.
Eu gosto de estar perto dele. Sei que parece muito rápido dizer isso, afinal, nos conhecemos há dois dias; mas é a verdade. É bom estar com o Ethan. Ele é um bom ouvinte, é divertido, é gato. Além disso, ainda tem todo esse lance do mistério. É como ler um livro. Você vai descobrindo as coisas lentamente, a cada página.
- Você não vai convidar o seu amigo? – Gena me empurra com o ombro, e então faz um gesto em direção ao fundo da sala.
Ethan ri de alguma coisa, e então seus olhos param em mim, parada no meio da sala .
Ele ergue uma sobrancelha, como se estivesse me fazendo uma pergunta silenciosa.
- Vou. – respondo.
Caminho decidida até o fim da sala, e assim que paro em frente à eles, a conversa se encerra.
- Hey, Bonnie. – Ele cumprimenta.
- Hey.
- Parabéns pela liderança. – Luke diz, e então se levanta para me abraçar. – Não quis dizer nada naquela noite, porque tinha o sério risco de perder minhas bolas. Você sabe como a Donna é. – ele me chacoalha. Mas quando para, mantém seu braço sobre o meu ombro.
Ethan parece não ligar, o que me incomoda. Normalmente quando você sente algo por alguém, você tem ciúmes. Mas pelo visto, ou ele não faz o estilo ciumento, ou não sente nada por mim. Ainda.
- É, eu sei. Mas, valeu. – bato meu dedo indicador na ponta do seu nariz, e ele sorri.
- Você ainda tá brava comigo? – Connor pergunta.
Ele parece se encolher na cadeira enquanto espera minha resposta.
- Antes eu queria te matar. Literalmente. Eu fantasiei bastante com você tropeçando na escada, ou com o seu cabelo pegando fogo. – listo minhas ideias, enquanto ele me observa apavorado. – Mas agora passou. – esclareço, e ele relaxa. – Ou pelo menos uma parte da raiva. – ele volta a suar. – Mas não era sobre isso que eu queria falar com vocês...Vou fazer uma reuniãozinha no sábado, e espero vocês lá.
- Ah,é. Eu soube. – Connor diz.
Que ótimo!
- Mas ao contrário do que estão dizendo, não é uma festa. – digo a última parte com pausa, para que entendam que não devem chamar mais ninguém.
- Tudo bem. – Connor e Luke dizem ao mesmo tempo, enquanto Ethan permanece em silêncio.
- Você vai? – pergunto, tentando não demonstrar como eu quero que ele vá.
- Basta dizer o endereço. – ele responde com um sorriso, e sorrio de volta, aliviada.
- Cara, vai com a gente. – Connor bate em seu ombro. – Manda seu endereço que a gente passa na sua casa.
- Beleza. – Ethan responde.
- Ótimo. – respondo, e quando estou virando para voltar para o meu lugar, Luke pergunta:
- Você quer que a gente leve alguma coisa?
- Eu quero que não leve a Donna. – peço. – Mas no geral, a única coisa que vocês precisam levar, é roupa de banho. – respondo, e os meninos comemoram.
- Sábado promete. – Connor grita com empolgação, enquanto volto e me sento no meu lugar.
É o que eu espero.



***



O resto da semana passou como um borrão, e de repente já era sábado.
A casa estava agitada, enquanto preparávamos tudo para a chegada dos nossos amigos. Ou pelo menos, Dylan, Gail e eu, já que o Thomas estava deitado numa espreguiçadeira comendo os salgadinhos.
- Thomas! – berro. – O que você pensa que tá fazendo?
Ele puxa os óculos escuros com o dedo, e me encara como se não entendesse porque estou brigando.
- Tô provando os salgadinhos. Não quero que ninguém passe mal. – ele joga mais um na boca, e então acrescenta: - Passaram no teste. Agora preciso  do refrigerante.
- O refrigerante não tá ruim. – digo.
- Eu sei. Só quero beber um mesmo. Esses salgadinhos me deram sede. – ele se ergue da espreguiçadeira, mas seguro seu braço.
- Thomas, você precisa ajudar.
- Ajudar em quê, B? É uma festa, você precisa relaxar.
Relaxar? Eu tô uma pilha de nervos.
O que me mantém distraída é a organização. Já chequei os petiscos e as bebidas três vezes, e já obriguei o Dylan a limpar a piscina duas vezes. A tadinha da Gail tá estressada, e tenho certeza que a culpa é minha com a história de cortar as frutas em pedaços iguais.
Eu sou um desastre.
- Vem cá. – Thomas me puxa para um abraço, e pressiona seu queixo sobre a minha cabeça. – Você precisa respirar. É só uma festa com os nossos amigos.  – ele lembra. – A última vez que você ficou assim, era a nossa vez de dar a festa de volta as aulas.
- Eu sei. – choramingo.
- E por que você tá assim agora? Não tem motivo. – ele diz. – É por causa do novato? – meu irmão pergunta, e sinto meu rosto ruborizar.
Tá assim tão na cara?
- Que novato? – faço a egípcia.
- Ah, qual é, B? Sou seu irmão. – seus braços me afastam para que ele fite meu rosto, mas não consigo erguer os olhos. – Não gosto de saber as coisas da minha irmã através de outras pessoas.
- E que outras pessoas são essas? – encaro seus olhos.
Quero é saber quem está falando de mim.
- Umas pessoas...- ele responde de modo vago, e meu estresse aumenta.
- Que pessoas, Thomas?
Ele passa uma mão pela nuca, e me olha envergonhado.
- A Nicole.
- Nicole? Eu não acredito que você ainda tá saindo com ela.
-Na verdade eu não sai com ela. Ela até tentou, mas não rola. Ela é legal e beija bem, mas eu não namoro. E se eu aceitasse sair, ela ia esperar algo sério depois, e eu não tenho nada sério com ninguém.
- Não sei o que me preocupa mais: sua aversão a relacionamento ou dizer que a Nicole é legal.
- Mas ela é. Quando não está com a “Prima- Dona” ela é outra pessoa.
- Eu não acredito. De tanta gente pra você gostar, você vai gostar logo da Tico?
- Quem? – ele enruga a testa confuso.
- Esquece. Só por favor, só a traga aqui quando eu não estiver.
- Eu não vou trazer ninguém aqui. – ele revira os olhos. – E eu não gosto dela. – seus olhos parecem tristes por um segundo, e me pergunto se ele está triste por não gostar dela, ou se sua frase esconde algo a mais.
“ Eu não gosto dela.”
Então gosta de quem?
Meu irmão nunca conversou comigo sobre garotas. Até porque, ele não precisa. Mas ainda sim me preocupo. Desde que Thomas começou a sair com garotas, ele nunca parou com uma. Não sei se ele tem medo de se envolver, ou se já se envolveu e acabou magoado. Seja o que for que tenha acontecido, não me atrevo a perguntar. Acho que se ele quisesse que eu soubesse, me procuraria.
Por essa razão decido deixar de lado seu comentário, e apenas digo:
- Então tá.
Thomas abre um sorriso aliviado e convencido, e então me empurra para a espreguiçadeira.
- Só deite e relaxe. – ele ordena.
- Mas ainda falta algumas coisas que eu ...
- Relaxe. – ele repete. – Você parece uma louca. Vou ter que sedar você?- ele ergue uma sobrancelha esperando minha resposta.
- Tudo bem. Vou relaxar.
- Ótimo. – ele sorri. – Aqui . – ele me entrega seus óculos escuros, e eu coloco no rosto. – Quer alguma coisa?
- Tô indecisa. Não sei se peço que você crie vergonha ou se arranje uma namorada.
- Quer alguma coisa que eu possa fazer agora? – ele corrige a pergunta.
Penso por um instante. Ele não vai verificar o som, nem se as boias estão todas cheias. Então decido pedir algo fácil.
- Só meu protetor.
- Onde tá?
- Armário do meu banheiro.
- Ok. Volto num minuto. Fique aqui. – ele ordena, e então sai.
O dia parece perfeito para um dia na piscina, e fecho os olhos aproveitando o calor do sol.
A casa está silenciosa, mas só por enquanto.
- Cheguei. – Ava grita.
Abro os olhos e viro na direção da voz. Ava está com um vestido branco com mangas finas e pregas simples, e um chapéu na cabeça. Seus cachos brilham no sol enquanto ela desce a escada e caminha até onde estou.
- Cadê todo mundo?
- Ainda não chegaram.
Ela solta a bolsa na espreguiçadeira ao lado, e observa a mesa com petiscos atrás de nós.
- Tem melancia. – ela comemora, e então avança na direção da mesa e volta cinco segundos depois com um pedaço. – Cadê o Dylan?
- Deve estar fugindo de mim.
- Nervosa de novo, amiga? – ela me olha com solidariedade.
- Um pouco. – admito, meus olhos fixos em minhas mãos sobre o colo.
- Relaxa. Tá tudo perfeito. – ela me garante. – Agora vou procurar o meu namo...- a frase morre, e ergo meus olhos para encarar minha amiga.
Sua boca está levemente aberta, enquanto ela observa algo. Sigo seu olhar e encontro Thomas descendo a escada.
Quando o vi um minuto atrás, não vi nada demais. Quer dizer, ele é lindo, eu sei. Mas é meu irmão. Então não consigo ver o que as garotas veem.
Pela expressão da Ava, no entanto, ela parece muito satisfeita com o que vê, e me pergunto se ela sabe que está babando pelo irmão errado.
Desvio minha atenção da minha amiga e volto para o meu irmão.
Thomas está caminhando na nossa direção. Seus pés descalços são silenciosos, e sua blusa aberta exibe cada vez mais do seu abdômen enquanto ele anda. Fora isso, ele está usando uma bermuda escura com desenhos, e outro óculos escuros.
Se tem alguém que tem coleção de óculos, é ele.
- Aqui está. – Ele me entrega o protetor, e então seus olhos se fixam em Ava. – Oi. – ele diz, parecendo inquieto.
- O-oi. – ela gagueja. – Eu vou procurar o Dylan. – diz de repente, e então caminha depressa em direção a escada.
- No quarto. – Thomas diz, e ela para.
- O quê?
- Ele tá no quarto. – ele avisa.
- Ah, ok. – ela responde, e então caminha decidida.
Thomas a observa por um segundo, até parecer se dar conta que eu ainda estou ali e me observar.
Seus óculos escuros me impedem de adivinhar qual seu humor. Não sei se ele tá estressado, nervoso ou apenas desconfortável.
- Você tá bem? – pergunto, e quando faço isso, ele parece acordar de alguma espécie de transe e abrir seu sorriso sarcástico.
- Ótimo, maninha. – ele responde.
Então um grito ecoa atrás dele, e quando observo a escada, encontro Luke, Connor e Ethan.
Thomas parece feliz com a chegada dos três, e então me observa com um sorriso, que só pode significar uma coisa: problema.
- Você vai me agradecer depois. – ele sussurra, e então grita.
- Ainda bem que chegaram. Preciso que alguém passe protetor na B. – Thomas diz, e graças aos óculos escuros, ninguém pode ver meus olhos se arregalarem e depois fuzilarem meu irmão mais novo.
QUÊ?!
- Cara, se fosse em outro tempo eu passava com prazer . Mas agora seria como assinar meu atestado de óbito. – Luke diz, enquanto Connor ri.
Ethan apenas abre um sorriso, e desvia sua atenção para a piscina.
- Eu não posso. – Connor diz simplesmente.
- Ah, que pena. – Thomas ironiza. – E você, novato?
- O nome dele é Ethan. – cochicho.
- Ethan. – Thomas se corrige.
Ethan olha para os amigos, como se estivesse buscando ajuda, e então abre a boca para falar alguma coisa, mas Thomas não permite.
- Sabia que você ia topar. Aqui está. – Meu irmão toma o protetor das minhas mãos, e o joga assim que os meninos chegam até nós. Ethan o segura com facilidade. – Boa pegada.- Thomas elogia. – É recebedor?
- Por que você acha que eu jogo? – Ethan pergunta, quase como no primeiro dia que nos conhecemos.
- Sua pegada não foi acidental. – Thomas responde, e Ethan desvia o olhar. – Então...joga em que posição?
- Eu jogava como quarterback. – ele admite, quase a contra gosto.
- Olha! Exatamente o que estamos precisando. – meu irmão comemora.
- Nem me fale. – Luke concorda, enquanto come um punhado de salgadinho. – Jason tá cada vez pior. – ele diz, e Thomas e Connor balançam a cabeça em concordância.
- Se você quiser entrar, fala com a gente. Podemos conversar com o treinador. – meu irmão diz, mas Ethan não parece interessado.
- Eu não jogo mais. – ele diz, sem dar detalhes, como sempre.
Observo enquanto os três trocam olhares, como se estivessem decidindo se perguntam o porquê ou deixam pra lá. Quando meu irmão dá de ombros, vejo que o “deixar pra lá” venceu.
- Tudo bem. Mas se mudar de ideia já sabe. – ele diz. – Vou ligar o som. Festa sem música não é festa. – ele diz, já caminhando em direção a caixa de som. – Não esqueça da minha irmã, novato. – ele grita, e me sinto escorrer ainda mais na espreguiçadeira.
Será que é crime afogar alguém na piscina?
- Você não precisa fazer isso. – digo, quando o observo encarando o protetor. – Ele só tava brincando.
- Sério? Pareceu bem sério pra mim. – ele responde com um sorriso.
- Era brincadeira dele. – digo. – Com o tempo você se acostuma.
Ethan balança a cabeça, enquanto seus olhos encaram o protetor em suas mãos.
- Eu vou pegar um refrigerante. – Connor diz, seus olhos alheios a nós dois, só concentrados na mesa com comida.
- Estou bem atrás de você. – Luke diz, e então os dois somem.
- Sua casa é bem legal. – ele ainda parece fascinado com a piscina e a casa.
- Valeu.
- E diferente, também. – ele acrescenta.
- Minha mãe é arquiteta. – dou de ombros com um sorriso amarelo.
- Explicado. – ele diz e nós rimos. – Bom, esse protetor não vai se passar sozinho. – ele larga a mochila no chão, e se senta no fim da minha espreguiçadeira. Tiro os óculos de sol, e puxo minhas pernas, dando a ele mais espaço. Quando vê isso, ele se aproxima ainda mais.
E quando me sinto suando e com o coração martelando, percebo que esse é o mais próximo que já ficamos. Eu posso sentir seu perfume; e sei que se esticar o braço, vou ser capaz de tocar seu cabelo.
Ele abre a tampa do protetor, e então eu surto.
Tomo o protetor de suas mãos, e tento disfarçar meu nervosismo com um sorriso.
- Era brincadeira do meu irmão. – digo novamente. – Eu posso passar protetor sozinha.
Não!
Minha mente quase chora.
Deixe ele passar com suas grandes mãos . Não perca essa oportunidade!
Com meus pensamentos descontrolados e meu corpo suando, acabo derramando mais do que deveria na minha palma.
Encaro a quantidade obscena de protetor, e suspiro.
Que maravilha! Agora ele vai achar que sou desastrada.
- Droga. – deixo escapar, e ele sorri.
- Eu te ajudo. – ele diz, e então passa o dedo indicador pela minha palma, e o leva até o meu rosto.
Mesmo com o protetor frio, ainda posso sentir seu toque quente.
Ele espalha com delicadeza o protetor pelo meu rosto, como se eu fosse uma pintura e ele estivesse me colorindo. Seu dedo trilha caminhos, levando o frio e o quente.
Minha respiração está quase ofegante, e tento normalizar para que ele não veja. Mas cada vez mais se torna mais difícil.
Ele parece concentrado na sua tarefa. Seus olhos acompanham seu movimento com o dedo, enquanto os meus olhos fitam os dele.
Ele nota meu olhar, e então seus olhos se fixam nos meus, e é como se eu estivesse numa bolha. Não há som, não há outras pessoas . Há apenas nós dois... E o celular dele.
Espera, o quê?
Saio do meu transe, e observo enquanto ele puxa o celular do bolso da bermuda, e com uma olhada na tela, atende.
- Oi, Susan. – ele diz com um sorriso.  Ele ergue um dedo, como se pedisse um minuto, e então sai.
Eu fico paralisada no meu lugar, enquanto observo ele sair com um sorriso bobo no rosto.
Merda! Quem é Susan?





Notas Finais


Eitaaa, quem é Susan?


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