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História A base de mentiras - Capítulo 516



Notas do Autor


Oiii galeraaaa! Como vão?!

Tô começando a ficar craque em postar capítulos pelo celular :')

Boa leitura!

Capítulo 516 - Almoço em família - Parte dois


Fanfic / Fanfiction A base de mentiras - Capítulo 516 - Almoço em família - Parte dois

Nagisa


- Aqui. – Ele determina, logo que entramos no terraço decadente que acabamos encontrando depois de rodar por todo o suposto último andar da casa. – Aqui é perfeito. 

- É... Não é meio... Morto? – Pergunto, esse terraço está longe de ser um daqueles bonitos que se vê em filmes românticos. Não tem nada aqui em cima, literalmente nada, nem proteção nas beiras e o chão está completamente imundo. Ele disse que queria um lugar bonito para fazer o almoço, posso descrever esse lugar com vários adjetivos diferentes, porém bonito não faz parte dessa lista. 

- Eu posso dar um jeito nisso. – Ele afirma, resolvo nem perguntar nada porque tenho certeza que não entenderia a explicação. Ainda assim, fico surpreso da mesma forma ao simplesmente piscar e dar de cara com muita coisa que não estava lá antes. – O que achou?

- Co-Como... – Tento formular uma frase, coisa que não consigo fazer visto meu espanto enquanto giro sobre meus próprios pés, observando de todos os ângulos possíveis a encantadora e inexplicável beleza que esse lugar ganhou de uma hora para outra. – O que... Você... Como isso é... Possível... 

Onde antes só havia pedra encardida, agora o local se encontra repleta de flores diferentes, mas em sua maioria rosas negras. Um coreto se encontra bem no meio das flores que nos rodeiam e, em seu centro, tem uma mesa redonda com quatro cadeiras que aparentam ser bem confortáveis. Pior ainda, a mesa que apareceu do nada está até posta, perfeitamente arrumada e com comidas sobre ela. Eu não faço ideia de como ele conseguiu fazer isso, ainda mais de uma forma tão rápida. 

- Eu não sou o Deus do Submundo, quero dizer, eu não sou só o Deus do Submundo. Acho que pelo fato deu viver no inferno e quase não me meter em nenhum assunto relacionado com o céu ou com a Terra... Acho que isso fez com que as histórias sobre mim se limitassem ao Submundo. – Ele comenta, esse é um ótimo ponto para se começar, afinal eu não imagino o Deus do Inferno espalhando flores por aí. – É um pouco complexo de explicar, mas mesmo assim vou tentar... O planeta em que vivemos não é algo único, ele é repartido em quatro dimensões e essas quatro dimensões são a Terra, o Céu, o Inferno e o Vazio. Eu sou o responsável por essas quatro dimensões, eu posso... Eu poderia desconectar e isolar as quatro dimensões se eu quisesse, porém eu nunca farei tal coisa porque isso resultaria numa ruptura total do funcionamento desse planeta, acarretando em um caos generalizado. Tirando essa parte assustadora, tem uma parte legal em ser o responsável pelas quatro dimensões. Eu posso manipular, até certo ponto, a realidade de cada uma dessas dimensões. A Terra é a dimensão mais flexível, quase tudo se dobra a minha vontade aqui e eu posso fazer o que eu quiser, como mudar totalmente esse terraço, cobri-lo com flores, fazer surgir mesas e cadeiras, comida... No céu eu também tenho um leque de possibilidades muito grande, já no Inferno as coisas são um pouco mais complicadas, não é tão fácil assim mudar a realidade do submundo porque existem diversos fatores limitantes... E o Vazio é a dimensão mais inflexível, a realidade de lá é quase completamente imutável até mesmo para mim. 

- Eu... Não sei se eu entendi, mas estou compreendendo. – Garanto, acho que o que eu preciso entender disso tudo que ele disse é que ele pode fazer aparecer qualquer coisa que quiser. Isso deve realmente ser legal, mas também parece ser tão perigoso quanto à outra coisa que ele é capaz de fazer. 

- Imagino que deva ser muita coisa pra sua cabeça processar de uma vez só, já basta ter descoberto que é um Deus e que é filho de Deuses, não precisa entender os pormenores dos meus poderes. – Ele diz, fazendo com que eu me dê conta que eu não sei praticamente nada sobre os meus próprios poderes. Talvez ele saiba algo sobre mim, mais especificamente sobre o que eu posso fazer. 

- Você sabe algo sobre mim? Sabe, relacionado a poderes e esse tipo de coisa... 

- Até onde eu sei, você é um Deus do Tempo. – Ele conta, acho que já haviam comentado isso comigo e eu não prestara muita atenção, porém agora estou completamente focado no que ele tem a me dizer. – O primeiro Deus do Tempo que eu já vi em toda minha existência, antes de você nascer só tinham existido Deusas do Tempo...

- E o que um Deus do Tempo pode fazer? – Interrogo, pelo visto ele já conheceu Deusas com a mesma habilidade que eu, portanto deve poder me contar algumas coisas sobre o que é ser um Deus do Tempo. 

- Manipulação do tempo, coisas como acelerar, parar ou retardar o tempo e viajar pelo tempo. Deve conseguir fazer mais coisas, mas essas outras coisas só você pode descobrir. – Ele comenta, não tenho nem ideia de por onde começar, eu nem sei como consegui fazer as coisas que fiz quando parti pra cima da minha irmã. – Inclusive, tem um estranho fluxo de poder em você.

- O que isso significa? 

- Significa que você está usando sua magia, essa é outra característica minha, eu consigo ver ondas mágicas quando algum Deus usa seu poder e essas ondas mágicas sempre seguem em direção ao alvo da magia. – Ele explica, franzindo levemente o cenho enquanto me encara. – Isso é um pouco estranho, a maior quantidade das suas ondas mágicas, e olha que você está emanando muitas ondas mágicas, estão concentradas em você mesmo. 

- Mas... Eu não estou fazendo nada. – Afirmo confuso, porém, de repente, lembro-me do tempo parado. – Será que é por que estou mantendo o tempo parado?

- Não, essas são a minoria de suas ondas mágicas que estão se afastando de você e se dispersando pelo ambiente, as que estão concentradas em você estão ali por algum outro motivo. – Ele retruca, mas sem me dar mais nenhuma outra informação que explique o que estou fazendo para ter tanta magia concentrada em mim. – Talvez seja só um descontrole normal de poderes, eu no início também não entendia muito bem meus poderes e acabava fazendo certas coisas sem sequer sentir. 

- Espero que você não tenha quase destruído nosso mundo por acidente. – Brinco, seguindo-o para fora do terraço sem perguntar para onde vamos agora, não estou a fim de interromper essa conversa. Ele sorri e balança negativamente a cabeça, porém essa brincadeira podia ser verdade visto o que meu pai é capaz de fazer.  

- Não, eu não cheguei a quase fazer algo tão extremo por acidente porque, por sorte, fazer isso seria muito complicado. Porém, quando mais jovem, eu tinha a mania de cair em buracos que eu mesmo criava. 

- É o que?! – Exclamo, sem conseguir segurar o riso, é uma cena hilária e surreal demais para sequer imaginar. Ele fica em silêncio enquanto eu rio, esforço-me para me controlar e permitir que ele se explique melhor. 

- Eu abria, sem nem sentir, buracos para o Submundo bem perto de mim sem nem sentir e acabava caindo dentro deles, indo parar lá embaixo. O melhor era quando eu voltava e contava isso para os outros, todos me consideravam um maluco, pelo menos meus amigos me achavam um maluco divertido. – Ele conta, imagino o quão louco deva ser cair em um buraco que apareceu do nada e ir parar direto no Inferno, mais louco ainda deve ser tentar descobrir como sair.

- Parece até a história de Alice no País das Maravilhas, ela também caia em um buraco e ia parar em um lugar completamente diferente. – Digo, sem conseguir deixar de fazer essa comparação entre a história e os acidentes de sua infância. Tento recordar-me de algo estranho que acontecera em minha vida, alguma coisa que, até então, não possuía uma explicação lógica. – Quero te contar uma coisa, mas... Promete não me achar um maluco? 

- Nunca e, mesmo se eu achasse, eu não falaria uma coisa dessas para um filho meu. – Ele responde, fazendo-me sentir algo quentinho por dentro que não é aquela vergonha que nos deixa com os rostos vermelhos nem aquela raiva que nos faz querer explodir tudo, é uma sensação quente e boa. 

- Eu... Eu já escutei cobras falando. 

- Sério? – Ele indaga, estou prestes a lembrá-lo que prometeu não me chamar de maluco, mas desisto de fazer isso quando o vejo sorrir. Na verdade, eu não sei se ele começou a sorrir agora ou se sua expressão facial fica congelada em um sorriso externo, eu tenho realmente a impressão de ver um sorriso em seu rosto toda vez que o encaro. – Isso não é uma maluquice, isso só significa que você puxou a sua mãe, Nix também fala com cobras... Ela inclusive tem a Yoru e o Naito. 

- Claro que isso tinha que ter a ver com ela, parece que tudo de ruim na minha vida tem relação com a Deusa da Morte... – Murmuro, mais para mim do que para ele, nem sei dizer se meu pai conseguiu ou não me ouvir. 

- Você acha que falar com cobras é ruim? Eu acho incrível pessoas que conseguem se comunicar com animais. – Ele fala, confirmando-me que ouviu o que eu disse e, mesmo assim, ele não mencionou nem brigou comigo pelo que eu disse sobre a Deusa da Morte. – Imagino que eles sejam mais compreensivos que as pessoas. O que você acha?

- Eu não sei... Eu achei que estava ficando louco quando escutei cobras falando comigo. – Respondo de forma constrangida, em mesmo me julguei do que não queria que os outros me julgassem. – Eu só... Ignorei, nem prestei atenção no que falaram. 

Distrai-me tanto na conversa com meu pai que nem percebi para onde estávamos caminhando, também demorei a perceber que chegamos em nosso destino desconhecido. Aqui é a cozinha, uma cozinha bem grande por sinal, mas só tem três pessoas nela além de nós. Uma das três bruxas, o irmão da Gina e a minha irmã, o primeiro a nos ver é o loiro que está bem de frente para a porta por onde entramos. A pirralha está de costas para nós, sentada no centro da bancada da cozinha, bem longe das beiradas. Meu primo não mantém o contato visual com nós por muito tempo, ele quebra o contato rapidamente e fica agitado logo em seguida, se aproximando da bancada onde minha irmã está. 

- Vamos passear pela casa? Você pode ir comendo enquanto passeamos. – Ele propõe a minha irmã, tirando-a da bancada e colocando-a em seu colo sem sequer esperar por uma resposta dela. Percebo que, quando meu primo fez isso, ele tomou o máximo de cuidado possível para ela não nos ver. – Olympia, eu não conheço bem a sua casa, será que pode nos guiar? 

- Agradeço pela preocupação e por estar cuidando da minha filha, mas não precisa fugir com ela daqui. – O Deus do Submundo afirma, mais sério do que estava há instantes atrás. Ele adentra mais a cozinha, se aproximando do meu primo e da minha irmã, dessa vez eu prefiro ficar para trás e não o sigo. – Na verdade, eu vim aqui para buscá-la e levá-la comigo. 

Os olhos do Shiro se fixam novamente em mim enquanto ele ainda segura minha irmã em seus braços, deixando claro que ele não tem nada contra meu pai, o problema dele é comigo. Acontece que a pirralha deve ter ficado curiosa e virou a cabeça, enfim vendo que Hades está aqui. Um sorriso enorme se abre no rosto dela, contendo uma semelhança inegável com o sorriso dele. 

- Papai! – Ela o chama de forma completamente descontraída, natural, como se sempre o chamasse dessa forma. Não gosto disso, nunca fui acostumado a ouvir outra pessoas chamar os meus pais de pais também, não é a melhor das experiências. 

- Minha garotinha! – Ele responde-a de volta, tirando-a dos braços do Shiro e a colocando em seus próprios braços. Pelas minhas contas ela não é tão nova assim, deve ter uns doze anos, crianças de doze anos não precisam mais ser pegas no colo. Ela o abraça de volta, eu não queria estar vendo isso, mas também não consigo tirar meus olhos dessa cena perfeita entre pai e filha. Por sorte ou azar, eu consigo tirar meus olhos dele quando o Shiro simplesmente cai no chão, ele literalmente despenca do nada e isso, obviamente, chama minha atenção. Até minha irmã, meu pai e a bruxa param tudo que estavam fazendo para encarar o Shiro e tentar entender o que aconteceu. Eu, de maneira hesitante, aproximo-me a passos lentos de todos eles para ver o que aconteceu. 

- Ele morreu? 

- Não, eu não morri. – O próprio responde a pirralha, ainda caído no chão com os joelhos dobrados e as mãos apoiadas no mesmo. Tem algo brilhando levemente nas mãos dele, porém não consigo ver direito o que é. – Eu só... Eu não sei, eu só senti uma fraqueza repentina... 

- Excesso de uso de poder, não é Hades? – A bruxa interroga, também se aproximadamente da cena e se recostando na parede enquanto reveza seu olhar entre meu pai e meu primo. 

- A bruxa não está errada... A quantidade de ondas mágicas que eu estou vendo saindo de você em direção a essa pedrinha é absurda, ainda mais por você estar mantendo esse fluxo constante e ininterrupto. O que você está tentando fazer se desgastando dessa forma? – O Deus do Submundo pergunta ao irmão da Gina e, apesar das palavras sérias, não parece ser uma bronca ou algo do tipo. Como sempre, seu tom de voz parece nunca se alterar para algo agressivo, mas certamente agora ele está bem mais sério que antes, tanto na voz quanto na expressão. 

- Eu também não sei, só estou tentando fazer algo pela alma dela. – Ele responde, aparentemente tentando se levantar e fracassando miseravelmente nessa tentativa. Eu não consigo ver essa coisa de ondas mágicas que Hades consegue ver, mas pela cara de preocupação em seu rosto eu consigo imaginar que deva ser realmente algo bem surreal que o Shiro está fazendo. E tudo por causa dessa pirralha, parece que ela só serve pra causar confusão e problemas, igual à mãe dela. – Está funcionando um pouco... Eu acho, portanto eu vou continuar fazendo seja lá o que eu estou fazendo. 

- Por que vocês são tão inconsequentes com os seus poderes? – Meu pai parece pensar em voz alta, em seguida solta um suspiro e olha para mim. Mesmo sem entender porque faço isso, ajeito minha postura na mesma hora ao entrar na visão de meu pai, esperando pacientemente que ele diga algo. – Nagisa, pode ajudá-lo a levantar?

- Cla-Claro. – Gaguejo um pouco, pois não esperava que fosse me pedir isso e mesmo que eu e o Shiro não sejamos nem um pouco próximos, eu não vou negar um pedido do meu pai. Dou a volta na bancada e ajudo meu primo a levantar, colocando-o de pé e, nisso, acabo encontrando com o olhar da pirralha. 

- Vo-Você... – Ela fala de forma interrompida, acredito que se referindo a mim, resolvo manter-me quieto para não começar outra briga. Para a minha surpresa, eu realmente não esperava por isso, os olhos dela se enchem de lágrimas e ela ameaça começar a chorar.

 - Por que essa carinha triste? - Meu pai questiona a ela, apesar dele não ter visto o que aconteceu, acredito que ele tenha uma vaga ideia do motivo dela estar assim. - Não precisa chorar, está tudo bem. Sabe quem é ele? Ele é seu irmão mais velho, é o outro filho que eu e a mamãe tivemos. Nagisa, por que você não se apresenta pra ela? Quem sabe assim vocês não conseguem recomeçar da forma certa?

 Penso no que ele está sugerindo, não acho que isso vá provocar alguma mudança em nossa relação. Isso não é necessário, afinal já sabemos que somos irmãos e... E... Também sabemos que...

 - Meu nome é Shiota Nagisa, eu tenho 15 anos e... Eu sou o seu irmão mais velho. - Apresento-me, resolvo fazer isso não só porque nosso pai pediu, mas porque eu me dei conta que a única coisa que tem gravado em minha mente sobre ela é o fato de sermos irmãos, nem mesmo o nome dela eu não sei qual é.

 - Sua vez filha, fala pra ele seu nome e quantos aninhos você tem. - Hades incentiva-a, visto que ela permanecera calada e ainda com cara de choro.

 - Meu nome... Meu nome é... Ele é... - Ela tenta se apresentar também, sua voz não está tremendo nem gaguejando, mas ainda assim ela hesita. - Papai, qual é o meu nome?

 - Selíni. Seu nome é Selíni.

 - Meu nome é Selíni e eu tenho... Eu tenho... - Ela para de falar de novo, não consigo acreditar que alguém não saiba tanto o próprio nome quanto a própria idade. Pelo menos, dessa vez, ela não pergunta pra ele, na verdade ela passa a segurar uma pelúcia de unicórnio com só uma mão e com a outra parece estar tentando calcular sua idade. Uma eternidade parece se passar e nada dela chegar numa resposta, até que nosso pai fala algo baixinho só pra ela ouvir, acredito que tenha sido sua idade. - Eu tenho doze anos.

 - Acho que por enquanto está bom, vocês vão ter a chance de conversar mais e se conhecerem melhor durante o almoço.

 CONTINUA... 


Notas Finais


A palavra de hoje é "Hitimo"
Bisous!


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