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História A base de mentiras - Capítulo 530



Notas do Autor


Oiiiii galeraaaaaaaaa! Como vão?!

Provavelmente vcs já estão cansados de ouvir isso, mas é sempre bom lembrar de lavar as mãos ou passar álcool em gel e NÃO sair de casa pelo bem de vocês e das outras pessoas ^-^

Boa leitura!

Capítulo 530 - O outro lado da história - Parte um


Fanfic / Fanfiction A base de mentiras - Capítulo 530 - O outro lado da história - Parte um

Ash

 

Limpo as lágrimas que ainda estavam molhando meu rosto, não preciso mais delas porque, aparentemente, meu plano deu certo. Eu precisava que acreditassem em mim, por isso eu chorei, mas isso não vai se repetir. Foi muito arriscado, eu sei como poderia ter acabado, mas, na minha situação atual, eu tinha que tentar de tudo para evitar meu julgamento, a certeza da morte é pior do que a possibilidade de morte. Deu certo, é isso que importa, eu ainda estou vivo e preciso arranjar um jeito de sair daqui.

Não sei quanto tempo eu passei inconsciente, mas, pelo visto, ainda não descobriram minha armação porque eu não estou mais algemado. As câmeras vão incriminar-me, eles ainda não devem ter recorrido a elas, o que significa que as câmeras daqui não são monitoradas o tempo inteiro por pessoas em outro lugar, ou seja, eu não estou sendo vigiado nesse momento por alguém do outro lado da câmera. Isso é bom, posso fazer qualquer coisa diante da câmera que não serei pego imediatamente, só quando resolverem olhar as gravações.

Tirando o cara que me trouxe para cá, ninguém mais está armado, pessoas de branco nunca andam com armas. A segurança deve estar do lado de fora, não aqui dentro, o que indica que a maior preocupação deles é com a entrada de pessoas, não com a saída. Isso vai facilitar minha fuga ou, ao menos, tornar mais fácil minha movimentação aqui por dentro porque eu não vou poder ir direto pra saída. Antes de tudo, eu preciso arranjar aqueles remédios novamente e achá-los aqui é minha melhor opção. Se eu sair daqui sem as drogas, eu teria que dar um jeito de consegui-las lá fora e seria muito mais difícil.

Eu não conseguiria roubar uma loja de drogas de novo, eu precisaria de uma arma para conseguir isso, coisa que eu não tenho mais e é praticamente impossível roubar sem ser visto já que essas drogas que eu preciso ficam sempre em um lugar escondido, trancado e vigiado. A outra opção que eu tenho é novamente fazer sexo em troca das drogas, eu não quero ter que fazer isso, então, pra evitar ter que fazer isso no futuro, eu preciso sair daqui com as drogas. Esse lugar deve ter drogas guardadas em algum lugar, eu preciso descobrir onde é.

Para começar, trato de me levantar e me sentar na cama. Dói, como dói, mas a dor está menos intensa que antes. Poderia ser pior, eu não preciso me preocupar com esse tipo de dor, eu só devo me preocupar se sentir dores no peito. Falando nisso, encosto meus dedos em um ponto específico do pescoço e começo a medir minha pulsação. Ela está um pouco baixa, isso é ruim, eu deveria ficar por mais tempo parado esperando que meu coração comece a bater mais forte, mas eu não tenho tempo para fazer isso. Não importa se o batimento está fraco ou forte, eu preciso dar o fora daqui agora.

Saio da cama, colocando-me de pé no chão e ainda apoiando-me parcialmente na cama. Começo dando passos lentos para longe da cama, chegando a um ponto onde não posso mais usá-la como apoio. Prossigo por conta própria, sem correr ou exagerar, posso me considerar uma pessoa morta se cometer o mesmo erro que eu cometi hoje mais cedo. Não posso tirar da minha cabeça as palavras do homem de branco, minha mente e meu corpo não importam quando se trata do meu coração, se ele parar de bater de vez não vai restar mais nada. Por isso a calma é o segredo para as coisas darem certo, se eu não mantiver a minha calma a única coisa que irei conseguir é acabar dentro de um caixão.

- Você não deve fazer esforços físicos.

Olho na direção da voz, encontrando aquela mulher vestida de branco de antes, mas agora ela está carregando uma bandeja com comida. Deve ser para mim, porém não estou com a mínima vontade de comer seja lá o que for, só quero dar o fora daqui. Acontece que, enquanto a mulher estiver aqui, eu não posso fugir, preciso interromper meu plano por enquanto e me preparar para uma nova rodada de mentiras.

Volto em silêncio para cama, sentar-me nela é novamente extremamente doloroso, porém aguento calado essa dor. Mesmo se eu falasse o que estou sentindo não adiantaria de nada, ela não pode fazer a dor sumir magicamente e eu me recuso a colocar mais drogas desnecessárias dentro do meu corpo. Eu só preciso de duas drogas, nada além disso, se eu pudesse nem essas duas drogas eu tomaria.

- Sabia que você fala dormindo? – Ela pergunta, andando até minha cama ao mesmo tempo em que equilibra a bandeja com um prato de comida e alguma bebida. Eu não falo dormindo, aliás, eu, em nenhum momento, dormi aqui. Eu perdi a consciência, isso é completamente diferente de dormir e ela deveria saber disso. – Adivinha o que você fala enquanto dorme.

- Eu não falo dormindo. – Respondo-a, percebendo que essa foi uma falha tentativa dela de tentar descobrir alguma coisa sobre mim. Ela pode ter feito isso só de curiosidade ou pode estar desconfiada de mim, preciso tomar cuidado perto dela ou de qualquer outra pessoa.

- Quanta convicção. – Ela diz dando uma risadinha, alcançando-me e colocando a bandeja com comida apoiada sobre a cama logo na minha frente. – Trouxe um pouco de comida para você, imaginei que estivesse com fome depois de tudo que você passou.

Revezo meu olhar entre ela e a comida, não estou com a mínima fome e, mesmo se estivesse, eu não comeria isso, vai que ela colocou alguma coisa na comida ou na bebida. Acontece que, mesmo eu tendo meus motivos para não querer comer, eu tenho que inventar alguma desculpa inofensiva para contar para ela. Resolvo contar parte da verdade, a parte que não tem nada demais.

- Não estou com fome. – Digo, empurrando a bandeja para longe de mim, mas ela coloca a mão do outro lado da bandeja, impedindo-me de afastá-la ainda mais de mim.

- Você está meio magrinho, precisa comer. – Ela afirma, sentando-se no final da maca, atrás da bandeja com comida. Eu juro que, por um momento, pensei que ela inventaria de tentar dar comida na minha boca, ainda bem que ela não faz isso. Como eu não falo nada, afinal não há nada que eu possa falar, ela tira um celular do bolso dela e começa a mexer. – Já usou um celular?

Eu sei o que é um celular, mas eu nunca mexi em um, nunca tive a oportunidade nem interesse até agora. Não sei como, mas talvez esse objeto que faz várias coisas possa me ajudar a escapar daqui ou me dê alguma ideia, preciso dar um jeito de roubar o celular dela sem ela perceber. Não vai adiantar fazer igual fiz com o cara, eu estaria me entregando se duas pessoas me acusassem da exata mesma coisa. Ela começa a mexer no aparelho e eu resolvo esperar, não dá para pegá-lo agora que está em suas mãos, vou esperar ela guardar novamente pra tentar pegar.

- Não, eu nunca usei um celular. – Respondo um pouco atrasado, só resolvi falar isso para que ela não suspeite que quero pegar seu celular. Afinal, se eu nunca mexi em um, é normal se pensar que eu não sei mexer e, consequentemente, não teria motivos para eu tentar pegar.

- Eu encontrei uma coisa interessante numa rede social e queria te mostrar... Sabe ler? – Ela indaga e eu sou obrigado a negar, não sei ler e isso é algo que não dá para se fingir que sabe, daria muito errado se eu mentisse e ela me pedisse para ler algo. – Tudo bem, então eu leio para você... Conhece Tetane Mizuki?

- Não.

- Que estranho, ela é uma mulher bastante famosa e o que eu vou ler agora foi postado por ela pouco tempo atrás em uma de suas redes sociais. – Ela informa e limpa a garganta, ainda não entendi bem o que ela está querendo com isso, mas é bom que eu escute atentamente para saber do que se trata. – Sei que venho sendo chata com esse assunto, mas é inevitável eu não falar sobre isso, se possível eu gostaria de ser capaz de gritar para o mundo inteiro para ver se, assim, conseguimos alguma resposta para a pergunta que me vem tirando o sono há nove meses. Sim, isso mesmo, já se passaram nove meses desde a última vez que vi meu anjinho dourado dos olhos de jade e nenhum de vocês que estão lendo isso fazem ideia do sentimento horrível que cresce dentro de mim a cada dia que se passa sem notícias dele. Fora as preocupações e o medo normal que todo pai e mãe sentem quando um filho desaparece, o caso do Ashley ainda tem dois agravantes. Meu caçula, devido a problemas no coração, passou por um transplante cardíaco aos seis anos de idade que o tornou eternamente dependente de medicamentos imunossupressores que evitam que o organismo dele rejeite o novo órgão. Ele já está há nove meses sem tomar esses medicamentos essenciais, fora os remédios que ele tomava para controlar alguns problemas psiquiátricos originados de maus tratos de sua família biológica quando ele era só um bebê. Esses meses que vem sendo tremendamente difíceis para mim estão sendo muito piores para meu filho, eu não quero pensar no pior, mas depois de tanto tempo só as piores possibilidades restaram. Caso meu filho ainda esteja vivo e vocês deparem-se com ele em algum momento, saibam que não encontrarão o menino alegre e sorridente que eu vivo mostrando nas fotos. Ele pode estar psicologicamente tão mal ao ponto de não se lembrar de nós, sua própria família. Ele pode estar confuso, sozinho, assustado e sem rumo, portanto ele pode chorar, gritar, espernear, tentar fugir e até ser agressivo se vocês tentarem levá-lo até nós ou para a delegacia mais próxima, porém não desistam se ele fizer todas essas coisas, a situação clínica dele é grave, ele precisa voltar imediatamente para casa... Então, por favor, fiquem de olhos bem abertos ao andar pelas ruas e, se o encontrarem, o levem de qualquer jeito para a delegacia ou hospital mais próximo, mesmo que seja contra a vontade dele e seja necessário usar um pouco de força... Vocês também estarão ajudando muito se compartilharem esse meu texto, quanto mais pessoas souberem da minha história e conhecerem o rosto do meu anjinho, mais fácil será para que alguém consiga encontrá-lo. Aliás, como motivação, estamos oferecendo recompensas para qualquer pessoa que nos dê notícias verdadeiras sobre o paradeiro do Ashley que foi visto por nós pela última vez em Tóquio. Como ainda não se sabe se meu caçula está só perdido ou se foi sequestrado, quero pedir que os sequestradores, caso existam, entrem em contato conosco por qualquer um dos números abaixo para acertarmos um valor, estamos dispostos a pagar qualquer coisa para ter nosso anjinho de jade de volta. Agradeço a todos que leram até o final esse meu desabafo e pedido de ajuda, bem como agradeço as pessoas que estão nos ajudando a achar meu filho caçula. Pronto, terminei de ler o texto Ashley.

Ela me chama por esse nome que não estou acostumado a ouvir e, em seguida, ela vira seu celular na minha direção, mostrando-me várias fotos. Sou eu ali, mas eu não me lembro do momento das fotos e eu demoro a conseguir reconhecer a mulher que aparece comigo em alguma das fotos. Tetane Mizuki, claro, eu conheço essa mulher, mas não fazia ideia que ela era famosa. Ainda estou um pouco confuso, mas acho que entendi, a mulher de branco leu algo que Tetane Mizuki escreveu no celular sobre mim. Até então eu não tinha certeza se estavam atrás de mim, eu acreditava que sim, mas agora eu tenho a certeza que ainda não desistiram de me encontrar e me arrastar de volta para aquele lugar. Tóquio, eu fugi de Tóquio, preciso gravar esse nome para nunca mais chegar nem perto dessa cidade.

- Esse foi o último texto que ela postou sobre o seu sumiço, mas, ao longo dos meses, ela postou vários textos sobre você. Todos eles são emocionantes, dá pra sentir o desespero dela e quase é possível compreender a dor de alguém que não vê o filho há nove meses, o que é surpreendente porque nem mãe eu sou. Depois de ler todos esses textos que ela já escreveu desde o dia em que você sumiu, minha vontade é discar o número dela e lhe passar o endereço daqui para ela vir buscá-lo. Sabe por que eu ainda não fiz isso? – Ela indaga, parece até uma ameaça, talvez seja uma. E, se for mesmo uma ameaça, significa que ela quer algo de mim. – Tetane Mizuki é uma famosa escritora japonesa de contos eróticos, ou seja, ela ganha a vida escrevendo mentiras tão críveis que conseguimos nos imaginar vivendo aquilo. Escritores são os melhores mentirosos, por isso que estou te dando a chance de desmentir esse texto dela com argumentos lógicos antes que eu tome a decisão de ligar para ela vir te buscar.

Ela vai saber que estou mentindo se eu continuar afirmando que sequer conheço essa mulher, essas malditas fotos que eu não sei de onde saíram impedem-me de negar que a conheço. Porém, se eu falar que a conheço, estarei me contradizendo já que no início eu disse não saber quem era Tetane Mizuki. Estou ferrado independente da resposta que eu dê, mas, ainda assim, sei que a situação ainda pode piorar muito se ela cumprir a ameaça de ligar para a minha mãe. Eu não vou ter tempo de fugir se ela fizer essa ligação, eles chegariam aqui muito rápido. Penso em que resposta dar a ela, alguma coisa que não envolva contar quem eu sou de verdade nem de onde eu vim. Eu sei que não sou como as outras crianças que eles ajudam, elas são crianças normais, eu sou uma criança cara e eles me venderiam se soubessem disso.

- Ela é minha mãe, mas uma péssima mãe, nem sei porque ela está me procurando já que nunca se importou comigo. – Afirmo, beirando o máximo possível a verdade para não acabar me enrolando ainda mais ou soando pouco convincente. Tetane Mizuki é minha mãe, uma péssima mãe que nunca se importou comigo, mas eu sei porque ela está atrás de mim.

- Então o texto que ela escreveu não é uma mentira completa. – A mulher de branco comenta, abaixando sua mão que segura o celular até encosta-se a cama. – O que mais é verdade nesse texto?

- O imunossupressor, eu realmente preciso dele. – Falo o nome da droga que eu nunca lembro, é um nome difícil que eu só consegui falar agora porque ela leu esse mesmo nome há pouco tempo no texto. Nunca me importei em decorar o nome, eu não consigo ler, então é muito mais útil decorar como são as caixas das drogas ao invés de seus nomes difíceis. – A parte do transplante de coração é verdade.

- Então foi isso que você roubou de uma farmácia antes de ser trazido para cá... Bem, isso é algo realmente importante para alguém como você e pela sua idade eu imagino qual imunossupressor possa ser, vou ir lá dentro buscar o remédio e volto daqui há pouco. – Ela informa, demoro um pouco para acreditar que ela está falando sério, minha ficha só cai quando ela some do meu campo de visão. Se eu ficar aqui e esperar pelo seu retorno vou conseguir pelo menos um dos remédios que eu tanto preciso, mas eu posso não ter nenhuma outra chance de fugir.

Eles já sabem quem é minha mãe, eles sabem como entrar em contato com ela, não posso arriscar-me a ficar nem mais um segundo por aqui. Volto a sair da cama, ficando de pé com mais facilidade, mas a dor permanece a mesma. Ando com mais rapidez que antes até a saída do cômodo, mas não chego a correr. Paro assim que entro no corredor que eu já passei, eu me lembro bem do caminho até o banheiro e tudo que apareceu no meio do caminho. Resolvo seguir na direção do banheiro pelo corredor, não que eu queira voltar para lá, decido seguir por esse caminho porque lembro-me de esbarrarmos por muitas pessoas que vinham andando na direção contrária a minha e essas pessoas devem ter vindo de algum lugar como uma saída para o mundo exterior.

Não tento procurar pelo lugar onde eles guardam as drogas, eu iria dar de cara com a mulher de branco se eu fizesse isso, então é melhor eu só sair daqui e mais tarde eu dou um jeito de conseguir as drogas. Meu plano era seguir por esse corredor até chegar ao seu final, mas o som de passos e sombras me faz mudar de percurso. Entro na porta mais próxima, fecho-a atrás de mim e trato logo de avaliar o ambiente no qual eu tive que entrar as pressas. Não tem ninguém aqui, na verdade nem cabe mais ninguém aqui, é só um pequeno depósito de produtos de limpeza e coisas do tipo. Encosto-me contra a porta e fico com meus ouvidos atento, esperando que os passos se distanciem o suficiente para eu não escutá-los mais. Quando me concentro só em escutar, a primeira coisa que ouço é o bater frenético do meu coração.

Paro tudo que eu estava fazendo e pensando, preciso fazer isso para voltar toda minha atenção ao meu coração. Deslizo até o chão ainda recostado na porta fechada, sento-me sobre meus pés e respiro fundo. As coisas ultimamente estavam tão tranquilas que eu esqueci-me de como devo agir quando as coisas desandam, eu estou perdendo a calma, eu estou nervoso, eu estou com medo e eu não posso deixar esses sentimentos saírem do meu controle. Controle-se, seu coração vem antes das suas emoções e até do seu corpo.

CONTINUA...


Notas Finais


A palavra de hoje é "Boloeretu"
Bisous!


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