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História A base de mentiras - Capítulo 550



Notas do Autor


Olá galeraaaaaa! Como estão?!

Era pro capítulo ter saído ontem, mas eu me enrolei :')

Boa leitura!

Capítulo 550 - Flores Vermelhas - Parte dois


Fanfic / Fanfiction A base de mentiras - Capítulo 550 - Flores Vermelhas - Parte dois

Gina

 

Eu deixo-o sair correndo, não faço nada para impedi-lo ou segurá-lo aqui porque eu também estou chocada, só que por um motivo diferente do dele. Eu não me importo com essas fotos que sequer lembro-me de quando e por quem foram tiradas, a única coisa que sinto é raiva, não das fotos em si, mas desse clube de prostituição de crianças, dessas pessoas imundas que veem crianças como brinquedos sexuais. Ainda assim não é isso que me choca porque eu sei já há muito tempo que esse tipo de pessoa existe aos montes, o que me deixou chocada foi o Shiro.

Não foi a primeira vez que aquilo aconteceu na minha frente, na verdade foi a segunda vez, a primeira vez que aquilo aconteceu foi durante nosso primeiro encontro oficial. Aquele dia definitivamente ficou marcado em mim, nunca tinha visto meu irmão naquele estado e ainda não me acostumei a vê-lo desse jeito. Eu cresci com a imagem de um Shiro sorridente, alguém que sempre fazia parecer que tudo estava bem ou que ao menos poderia melhorar. Sempre achei que as marcas do nosso passado haviam ficado mais em mim do que nele, não poderia estar mais errada. Acontece que eu sou mais espontânea e impulsiva, eu choro quando quero chorar, eu grito, eu brigo, eu sou honesta e talvez até escandalosa com minhas emoções, diferente do Shiro. Ele também sofre, sempre sofreu, mas de uma forma muito mais discreta e silenciosa.

- Gina? Gina, você ainda está aí? – Escuto o Hoshi chamando por mim no celular,  então decido respondê-lo para tentar resolver algum dos problemas.

- Estou, mas só agora, antes você estava falando com o Shiro. – Conto, eu tenho certeza que o Hoshi conseguiu deixar o estado do meu irmão ainda pior quando ele praguejava.

- Eu não teria falado do jeito que falei se soubesse que era ele.

- Acontece. – Digo, dando de ombros quanto a esse assunto, não adianta de nada ficar remoendo algo que já aconteceu e que agora não dá mais pra mudar. – Só faz alguma coisa com essas fotos. Delete-as, derrube o site, vá denunciar na polícia ou qualquer outra coisa, só dê um jeito dessas fotos sumirem e nunca mais aparecerem na nossa frente.

- Eu já disse pra você que não tem como eu apagar essas fotos, eu nem consigo entrar no site, quem dirá apagar as fotos e derrubar a página. Eu também não posso ir até a polícia para denunciar, eu sou um foragido, não posso nem sonhar em aparecer novamente numa delegacia. – Ele retruca, infelizmente estando certo, preciso pensar melhor antes de sair mandando-o fazer coisas que não são possíveis.

- Então vê com a galera que entende muito desse negócio de tecnologia, vê se eles conseguem fazer alguma coisa a respeito. – Peço, porém repenso o que eu disse, voltando atrás. – Não, não faz isso. Ninguém mais pode ver essas fotos, então isso vai ficar só entre a gente, entendido?

- Sim, mas Gina... Sabe que não existe como mandar essas fotos só entre nós, né? Muitas pessoas ao redor do mundo devem ver todo santo dia.

- Essas muitas pessoas ao redor do mundo não importam, nossos conhecidos é que não podem ver essas fotos. – Falo, acreditando que assim vá ser melhor pro Shiro. Eu não me importaria de andar nua pela base, então é óbvio que ter fotos como essas divulgadas não me incomodariam, mas acho que o Shiro não gostaria que mais pessoas vissem essas imagens. – Saia dessa página e finja que essas fotos nunca existiram, acho que esse é o melhor que você pode fazer por enquanto.

- Droga, mas... Tá, eu vou fazer isso. – Ele concorda comigo, soltando mais um suspiro antes de prosseguir. – Vocês ainda vão demorar muito pra voltar? Seria bom tê-los por aqui, a situação tá um pouco tensa devido a algumas coisas que aconteceram...

- Não faço ideia de quanto tempo ainda vamos demorar porque, se você acha que aí as coisas estão tensas, você não faz nem ideia do que está acontecendo aqui. – Rebato, eu não sei do que o Hoshi está falando, mas tenho plena certeza que não tem como ter acontecido algo lá mais maluco do que o que está acontecendo aqui. – Você não vai acreditar, mas eu descobri que sou uma De...

Não consigo terminar a frase, pois o celular em minha mão simplesmente despedaça-se, ele explode do nada. Fico até sem reação, sem entender nada do que ocorreu, até que eu começo a olhar ao meu redor em busca de algo que explicasse aquela explosão. Nisso encontro a única coisa diferente nesse terraço, o retorno da Deusa da Morte que havia saído depois de uma briga com o Deus do Submundo.

- O que você estava falando e com quem estava falando? – Ela interroga, usando um tom de voz autoritário que eu não gosto, ninguém fala comigo desse jeito.

- Eu não te devo satisfações. – Respondo, não me importa se é uma Deusa da Morte ou Deusa de sabe se lá o que. – Você, por acaso, explodiu meu celular?

- Claro. – Ela afirma, como se fosse a coisa mais óbvia e totalmente certa a se fazer. – Você estava prestes a falar que era uma Deusa para alguém fora daqui.

- E qual o problema se eu contasse? Era um amigo, uma pessoa confiável que sabe sobre minha metade serpente e minha metade demoníaca, então qual problema de lhe contar sobre minha metade divina?

- Você não pode contar isso, ninguém fora daqui pode saber.

- E por que não? – Interrogo, não vejo a lógica do que ela fez. Duvido que essa Deusa vá vigiar-me pelo resto da minha vida 24 horas por dia, então, se eu não contar agora pro Hoshi, eu vou contar depois, qualquer pessoa com um mínimo de inteligência consegue prever isso. - Vamos, não pode dar-me nem um motivo?

- Isso é algo muito sério que você não pode sair espalhando por aí. - Ela diz, porém essa sua resposta parece muito mais um por que não do que uma explicação propriamente dita. Se bem que agora não importa mais, eu não tenho mais um celular pra falar com o Hoshi e também não tenho mais tempo para gastar com alguém que não seja o Shiro.

- Tanto faz. - Comento, desistindo de conseguir uma resposta dela e me colocando de pé. - Já que está aqui pode cuidar da sua filha e, como eu estou com problemas e já cuidei da sua filha, você também pode ficar de olho nos meus filhos.

- Esper... - Ela provavelmente iria chamar-me, possivelmente iria recusar meu pedido, por isso eu simplesmente saí antes que ela pudesse completar a frase.

Desço as escadas e volto para o interior da mansão, disposta a encontrar o Shiro, só não sei o que farei quando alcançar esse meu objetivo, acho que tudo irá depender do estado que eu o encontrar. Não me preocupo em como irei encontrá-lo, isso é fácil, só preciso seguir o cheiro do sangue dele que, mesmo dentro de suas veias, consigo sentir. É um cheiro tentador, muito bom, e é realmente um teste de resistência não ceder a vontade de provar do sangue dele, tenho medo de perder o controle e fazer alguma besteira se beber do sangue dele.

Meus sentidos e a porta entreaberta indicam-me que o Shiro entrou logo em uma das primeiras portas que aparecem no corredor, então eu não hesito em entrar ali. Não fico surpresa ao ver que se trata de um quarto infantil, afinal essa casa é tão grande quanto a família que mora aqui, então é claro que devem existir muitos quartos como esse. Tento achar meu irmão passando os olhos superficialmente, mas, se ele está mesmo aqui, não está em um lugar visível, deve estar escondido em algum canto.

Não guio-me mais pelo cheiro de sangue, agora guio-me pela minha audição, ouvindo as batidas de um coração frenético e próximo. Só pode ser o Shiro, tem que ser ele, então eu sigo silenciosamente o som que retumba tão alto em meus ouvidos. Meus passos fornecem-me um rumo e meu cérebro deduz o destino final, um armário consideravelmente grande localizado ao lado da janela. Isso me traz lembranças, tem sentido o Shiro ter se escondido justamente ali.

Quando éramos pequenos  e ainda morávamos com o papai, naquela época que eu dependia completamente do meu irmão, ele tinha o costume de me esconder dentro do armário do meu quarto. Em teoria era para o papai não me achar e não me machucar, mas nossa casa não era grande e o Shiro sempre escondia-me naquele armário, então era óbvio que o papai já sabia onde encontrar-me quando não me achasse. As vezes que aquilo dava certo, quando papai não me achava e não me machucava, não era por conta do armário, era por conta do Shiro. Éramos pequenos, tinha espaço para nós dois dentro daquele armário, mas ele nunca se escondeu comigo. Eu ficava dentro do armário e ele ficava fora, ele tentava proteger-me e as vezes conseguia as custas do próprio corpo, ainda assim sempre ia tirar-me do armário com o maior sorriso do mundo quando conseguia evitar que o papai também machuca-me. Ele era tão bom dando aquele sorriso que eu demorei algum tempo para perceber que aquelas dias não eram verdadeiramente bons pra ele, eu demorei pra perceber que eu não saia machucada, mas ele saia.

Não poderia existir um lugar mais simbólico para ele se esconder, um lugar no qual ele nunca pode esconder-se quando éramos crianças, mas ainda assim um lugar que meu irmão devia ver como um porto seguro. Parando pra pensar nisso, agora faz sentido o armário gigante que o Shiro insistiu para comprarmos pro nosso quarto, eu sabia que não tínhamos necessidade de tanto espaço para guardar nossas coisas e pelo visto meu irmão concordava comigo, ele só queria que o armário fosse grande para que ele coubesse lá dentro. Por isso eu nunca o vi chorando ou só sentindo mal, em outra circunstância eu jamais pensaria em procurar meu irmão sumido dentro de um guarda-roupa.

Eu poderia pegar e abrir as portas do armário, só expondo meu irmão no melhor dos casos ou derrubando-o lá de dentro no pior cenário. Prefiro não arriscar, então eu não abro as portas do armário, mantenho-as fechadas e só ajoelho-me bem perto dela. Posso ouvir a sua respiração, o bater do seu coração e posso sentir o seu cheiro, no fundo de todas essas coisas também consigo escutar um som claramente sufocado, soluços provavelmente.

- Shiro? Está aí dentro? - Questiono mesmo já sabendo qual será a resposta, isso se eu receber uma resposta, o que eu realmente não recebo. - Você podia ao menos falar comigo.

- De-Desculpa. - Ele acaba falando, repetindo basicamente a mesma coisa que dissera antes de sair correndo e eu não sei o porquê disso. Entre tantas coisas que o Shiro poderia estar falando, eu não sei porque ele insiste em pedir desculpas.

- Desculpa pelo que? Você não tem que se desculpar por nada.

- Te-Tenho sim po-porque isso... E-Essas fo-fotos são cu-culpa mi-minha. - Ele tenta explicar, porém só consegue deixar-me ainda mais confusa, mesmo quando sei exatamente do que se trata. Nada é culpa dele, a culpa nunca é da vítima, acontece que é muito mais fácil só falar isso para os outros do que seguir esse lema.

- Não Shiro, a culpa não foi sua.

- Foi sim! - Ele exclama, não tinha nada de raiva nas suas palavras, pelo contrário, tinha uma angústia evidente que eu nem preciso de números para notar. - Eu não tinha... Eu não tinha o di-direito de fa-fazer o que e-eu fi-fiz. Eu pra-praticamente... Eu nos vendi! Eu nos vendi por doces, eu te vendi por doces e eu... Eu não... Eu não de-devia ter feito isso, eu não po-podia ter nos vendido.

- Você não pode chamar isso de... Ter nos vendido. - Retruco, posso não me lembrar desse dia, mas, pelo que o Shiro contou-me, não foi algo tão sério como ele está fazendo parecer. - Você só aceitou que tirássemos algumas fotos em troca de comida e um lugar para ficarmos.

- Fotos pornográficas que foram parar em um site ilegal e agora todo tipo de pessoa ruim pode ver... Talvez até tenha gente que... Que... Que se masturba vendo aquilo... E-Eu não tinha o di-direito de fazer i-isso com vo-você, e-eu não que-queria ter fe-feito isso com a ge-gente. – Ele fala de forma entrecortada, deixando óbvio que seu tormento é tanto por si quanto por mim também, mesmo estando mal ele ainda consegue preocupar-se e se culpar por algo que supostamente fez-me mal. – E-Eu sinto mu-muito.

- Shiro, você tinha... Uns seis anos, não foi isso que me disse? – Indago, não obtenho resposta, então imagino que meu irmão esteja balançando positivamente a cabeça sem dar-se conta que não estou vendo-o, é muito a cara dele fazer algo desse tipo. – Crianças de seis anos não conseguem nem decidir se preferem comer pizza ou hambúrguer no jantar, imagine então ter que decidir entre voltar para casa e sermos possivelmente estuprados pelo nosso pai, continuar na rua sentindo fome, frio e à mercê de qualquer pessoa maldosa ou então ganhar comida e um lugar para dormir em troca de algumas fotos. Você não tinha como prever que não seriam só fotos inocentes, você não tinha como saber e, mesmo que soubesse, eu não acho que você errou na decisão que tomou. Se eu fosse a mais velha, eu teria feito a mesma escolha porque... O que são algumas fotos como aquela perto de tudo que já havíamos passado? E, ainda que o tenha deixado tirar fotos nossa, a culpa não foi sua, você não tem culpa alguma das fotos terem ido parar naquele site, isso é completamente e exclusivamente culpa da pessoa que tirara as fotos... Podemos até ir atrás dessa pessoa e matá-la, ensinar-lhe uma lição sobre não se aproveitar da imagem de crianças indefesas e não sair divulgando esse tipo de foto. O que acha?

Eu sou surpreendida quando as portas abrem um pouco, abrigando-me a recuar para não ser atingida pelas portas que são abertas por dentro, pelo Shiro. Ele realmente as abre bem pouco, criando só uma pequena fresta entre as portas por onde só consigo ver menos da metade de seu rosto, mas noto sua pele visivelmente avermelhada e seu olho molhado pelas lágrimas. Ainda assim é um progresso, ele abriu as portas por conta própria, sem eu precisar fazer isso à força.

- Eu... Já dei um jeito no cara. – O Shiro conta, não falo nada em sequência porque demoro a entender as entrelinhas. Eu não esperava por uma revelação dessas, eu deveria lembrar-me de uma coisa dessas.

- Você matou o cara que tirou essas fotos? – Pergunto para ter certeza, ainda achando que talvez eu possa ter me enganado, mas vejo que estou certa quando ele confirma. – Quando você fez isso?

- Enquanto ainda estávamos lá... Tirando fotos e eu... Comecei a achar as roupas e as poses estranhas... Aí eu o matei a marteladas quando quis tirar minhas roupas para as fotos. – Ele explica, deixando-me dividida entre rir do final merecido do fotógrafo canalha ou me manter séria devido ao fato dele ter tentado tirar a roupa do meu irmão e se lembrar disso não deve fazer muito bem pro Shiro. – O Takeshi cuidou do cadáver pra mim, acho que ele comeu o cara.

- Essa sim foi uma excelente decisão, você foi demais. – Afirmo, resolvendo focar na parte positiva disso tudo, ou seja, a morte do fotógrafo. As portas abrem-se um pouco mais depois do que eu disse, agora o suficiente para meu irmão colocar toda a cabeça para fora do armário.

- Mesmo?

- Claro, você matou aquele cara a marteladas, a morte lenta e dolorosa que ele merecia. – Reafirmo meu pensamento, percebendo uma leve reação positiva do Shiro aos meus elogios. Também seja isso que ele precise, ele precisa de palavras positivas. – E ainda fez isso quando o conhecemos, o que significa que ele não teve a chance de assediar nenhuma outra criança. Já parou para pensar quantas crianças você não protegeu ao matá-lo? Podiam ter muito mais fotos de outras crianças no site daquele Clube da Flor Vermelha se você não o tivesse matado.

- Como sabem sobre o Clube da Flor Vermelha? Vocês definitivamente não tem o perfil dos frequentadores de lá, mas... Até que vocês encaixam-se no perfil das Flores Vermelhas.

CONTINUA...


Notas Finais


A palavra de hoje é "Rechanção"
Bisous!


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