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História A base de mentiras - Capítulo 654



Notas do Autor


Oiiii galeraaaaaa! Como vão?!

Se lembram das notas finais do último capítulo? Daqueles trechos que TALVEZ apareceriam no capítulo de hoje? Então, eu resolvi adiantar algumas coisas, então eles não vão aparecer no capítulo de hoje, nem no próximo... Mas eles vão aparecer, uma hora eles vão, eu só mudei um pouco a ordem :')

Só para contextualizar vcs na linha do tempo (o que é mt importante) essa narração se passa "no mesmo dia" da narração anterior. O Shiro levou o Maven pro quarto de noite e essa narração se passa de madrugada, ou seja, algumas horas depois dos eventos do último capítulo.

Boa leitura!

Capítulo 654 - O inimigo do meu inimigo é meu amigo - Parte um


Fanfic / Fanfiction A base de mentiras - Capítulo 654 - O inimigo do meu inimigo é meu amigo - Parte um

Karma

 

O ranger da porta chama a minha atenção, pois significa que alguém está abrindo-a e quase ninguém a abriu desde que fui jogado aqui. Confesso que não estava muito interessado em quem poderia ser, depois de tanto tempo perdeu a graça provocar e assustar as poucas pessoas que entram aqui. Será que é hoje que vão me matar?

Até que existe uma lista considerável de pessoas que eu gostaria de ver, mas eu nunca imaginei que veria duas delas agora. Pisco algumas vezes, sem acreditar que pela primeira vez em... Um ano? Quase um ano? Não importa, o que importa é que essa é a primeira vez em muito tempo que eu vejo minha irmã. Apesar das circunstâncias infelizes de nós dois, esse até seria um momento feliz se a Kayano não estivesse tremendo e com uma cara de pavor tão grande que só cheguei a ver algo parecido quando aquele maldito ia bater nela quando éramos pequenos.

Isso por si só me deixou em alerta, afinal obviamente tem algo errado, mas o que despertou minha raiva mesmo foi ver uma das pessoas que eu quero esfolar viva na minha frente e tão perto da minha irmã. Quase pulo para fora dessa cama de concreto, contendo-me apenas porque a mão da Gina está no ombro da Kayano, muito perto do pescoço da minha irmã, e porque vejo sua cobra branca deslizando em minha direção. Só por conta disso puxo minhas pernas para cima, fazendo a corrente sacudir e bater contra o concreto, causando um barulho muito irritante.

- Finalmente resolveu dar as caras? – Pergunto à traidora, até então eu não tinha visto a cara de nenhum daqueles quatro. Ainda tenho esperanças de descobrir que pelo menos um daqueles malditos morreu, eu tenho certeza que nela e no irmão eu cheguei a acertar alguns tiros. Ela está viva, claro, mas talvez o mesmo não se aplique ao irmão.

- Eu sei o que você deve estar pensando, então já vou avisando que não, eu não sou a Gina. – Ela fala, arrancando de mim a única reação possível que é uma intensa e alta gargalhada. Não posso negar que é uma boa mentirosa, mas toda mentira possuí limites e isso está muito longe do crível.

- E eu não sou o Karma. – Rebato, querendo encará-la de modo superior, entretanto não consigo impedir meus olhos de desviarem e voltarem para a Kay. Como eu queria dar agora um abraço nela e dizer que tudo vai ficar bem, mas acho que falar mentiras não é a primeira coisa que devo fazer depois de tanto tempo sem vê-la.

- Karma, você de-deveria ouvi-la. E-Eu sei que é estranho, mu-muito estranho, mas e-ela não está me-mentindo. – A Kayano fala pela primeira vez, sua voz tremendo tanto quanto o resto do corpo. – E va-vale a pena o-ouvir o que ela te-tem a di-dizer.

- Estou ouvindo.

- Que bom, eu gosto de receber o mínimo de respeito. – Ela afirma e poderia ser sarcasmo, o que foi dito e por quem foi dito poderia muito mesmo ser sarcasmo, porém a forma com que foi dito foi sério demais. – Prazer em conhecê-lo oficialmente, Kaede Karma. Eu me chamo Arisu.

- Arisu? – Repito, achando o nome estranhamente familiar, não demoro muito para me lembrar onde o ouvi. – A cobra?

- Sim, a cobra. – Ela confirma, fazendo-me olhar para a cobra branca que é a verdadeira Arisu. Aliás, estranhamente, a cobra tá com uma chave na boca.

- Sim, claro. Você é a Arisu e a cobra é a Gina. – Zombo, ela deve pensar que sou um idiota para cair nesse papo sem pé nem cabeça. Abro minha boca para provocá-la um pouco mais, porém, não sei bem como, ela sumiu do meu campo de visão. Uma hora ela estava atrás da minha irmã e agora não está mais, simples assim.

- Que esperto, Karma. Não pensei que fosse entender tão rápido. – A familiar voz muito perto chama minha atenção, é extremamente fácil localizá-la, mesmo assim dou um pulo tão grande para trás que acerto a parede com as minhas costas e quase bato a cabeça no teto.

A Gina simplesmente sumiu do meu campo de visão para aparecer deitada de barriga para baixo no chão bem aos meus pés, sendo que um segundo atrás ela estava atrás da minha irmã. A cela pode não ser muito grande, mas é impossível ela ter percorrido essa distância toda tão rapidamente, principalmente sem eu tê-la visto fazer isso. Parece até que a maluca se teletransportou.

- Mas que porra?! – Exclamo sem pensar e sem me arrepender, revezando meu olhar entre a cena bizarra da Gina estirada no chão com um sorriso ainda mais esquisito e a cobra branca que também parece ter se teletransportado para trás da Kayano do nada, afinal até um segundo atrás ela estava quase subindo na cama.

- Nossa, eu nunca imaginei que fazer isso pudesse ser tão hilário. – Ela gargalha, quase rolando pelo chão de tanto que ri. Por conta disso seu corpo treme tanto quanto o da minha irmã, mas por razões completamente diferentes. – Se eu soubesse que as pessoas reagiriam desse jeito, eu sairia mostrando pra todo mundo o que consigo fazer.

Não tento entender, ela está parecendo uma completa maluca e tentar entender malucos nunca leva a lugar nenhum, pelo menos nenhum lugar bom. Existe uma outra coisa que provavelmente também não me levará para nenhum lugar bom, mas que vai me dar uma enorme satisfação que eu mereço depois de sabe se lá quanto tempo trancado sozinho nesse inferno podendo apenas remoer tudo que aconteceu. Eu estou numa ótima posição para pular e esmagar a Gina com o peso do meu corpo, no mínimo eu conseguiria fraturar algumas de suas costelas.

Não penso duas vezes antes de fazer isso, dando um pequeno pulo para fora da cama de concreto para pegar impulso sem bater com a cabeça no teto. A falta de um anúncio prévio e a pouca distância entre nós deveria impossibilitar que ela desviasse, então eu não tenho ideia de como meus pés batem contra o chão, muito menos consigo explicar como ela está novamente de pé atrás da Kayano. Não tem lógica alguma e eu nem tenho tempo para pensar, pois primeiro sinto e depois vejo a cobra albina se enroscando nos meus pés.

- Você podia agir de modo menos selvagem. - A Gina afirma, novamente tão séria que nem parece que estava rindo e se contorcendo no chão como uma louca até agora há pouco. - Nós só queremos conversar.

Não dou muita atenção ao que ela diz, ocupado demais tentando jogar longe a maldita cobra que começou a me escalar. Consigo pegá-la com bastante facilidade por ela ser grande, então a agarro e seguro apesar da leve agonia de tocar nessas escamas frias. Eu ia jogá-la para longe de mim, mas antes que eu fizesse isso as escamas viraram... Pele?!

- A Arisu está certa, eu não vim aqui para brigar, só quero conversar. – A voz da Gina soa muito perto do meu ouvido e eu não preciso nem virar minha cabeça para ver que ela está atrás de mim, ou melhor, em cima de mim. Estou segurando um de seus braços e suas pernas estão circundando a minha cintura. – Acho que você já entendeu o que eu consigo fazer, né? Ou ainda precisa de mais alguma demonstração?

- Eu preciso que você saia de cima de mim. – Retruco, independente de ser uma cobra ou uma humana, eu a puxo e a jogo no chão. Quando nossos olhos se cruzam eu vejo mais uma coisa bizarra, como se a situação já não estivesse estranha o suficiente. Os olhos dela não são os olhos dela, não são olhos humanos, são olhos de serpente, literalmente.

Drogaram minha comida, só pode ser isso. Eu sabia que existia a alta chance deles estarem colocando as mais diversas substâncias na comida que me entregaram, tanto que não comi nada nos primeiros dias, mas aí o tempo foi passando e eu acabei ficando sem escolha. Acho mais digno e menos patético morrer envenenado a morrer de fome. Eu só não pensei que pudesse ter alucinações tão loucas.

- Que tal uma trégua? – Ela subitamente propõe, balançando de um lado ao outro aquela chave que vi uma hora na boca da cobra. Ela pisca algumas vezes, quase inocentemente, e seus olhos voltam a assumir uma aparência completamente humana. – Precisamos ter uma conversa importante, de igual para igual. Como você já deve ter percebido, eu não estou armada, mas eu tenho a Arisu e nós duas juntas somos uma dupla imbatível. É melhor não tentar nenhuma gracinha, ouviu?

Ela joga a chave na minha direção e eu instintivamente pego, sem pensar em nada. Eu tenho quase certeza que tudo isso não passa de uma alucinação e, por mais sem sentido que pareça, não irá fazer mal algum aproveitar a oportunidade. Caso tudo isso seja real, o que é muito improvável, eu me arrependeria até a minha morte por não ter agarrado essa oportunidade. Por isso eu levo a chave até a fechadura, livrando meus tornozelos das correntes.

- Para onde vai nos levar? – A Kayano pergunta, ainda tremendo e ainda assustada. Isso é péssimo, eu definitivamente não posso contar com a Kay pra nada enquanto ela estiver nesse estado.

- Para onde está o quarto integrante dessa reunião. Uma cela do calabouço não é um lugar apropriado para termos essa conversa e as salas de interrogatório seriam até uma opção interessante, entretanto o quarto integrante está com a mobilidade meio limitada, então teremos que ir para onde ele está. – Ela diz, dando voltas e enrolando para, no final, não responder o que minha irmã perguntou. – O Shiro também deve ir para lá, mas vai se atrasar um pouco.

- Ele também vai?! – Minha irmã exclama, minha cabeça está realmente muito doida porque eu tenho certeza que identifiquei alívio, muito alívio, na voz e na postura dela. Não faz sentido nenhum a Kayano reagir dessa forma com o inimigo. – Por que ele vai se atrasar?

- Porque ele está... Lidando com um probleminha importante. – Outra resposta vaga, o que não me surpreende. Ela se levanta do chão, caminhando até a porta entreaberta enquanto é seguida por sua cobra. – Aliás, só mais um aviso. É melhor não contarem nada disso para ninguém, afinal, quem acreditaria que eu consigo virar uma cobra? Vocês sairiam como malucos. Entendidos?

Os olhos dela voltaram a assumir aquela aparência animalesca, retornando ao normal só depois da Kayano assentir repetidas vezes com a cabeça e eu dar de ombros. Ela sai andando para fora, contando que iremos segui-la, o que demora para acontecer. Eu espero a Kayano andar, o que demora, e só saio depois da minha irmã. Eu não pretendia acompanhar essa traidora por todo o caminho, mas, enquanto ela andava na nossa frente, a cobra dela ficou andando atrás de nós, sem dúvidas observando-nos e garantindo que não iriamos tentar fugir. Muito engraçado da parte dela falar que está desarmada enquanto nós também estamos, mas ela tem uma cobra venenosa que deixou em nosso encalço, com certeza estamos em situações iguais.

Mesmo que eu não conheça quase nada desse lugar, em certa parte do caminho eu começo a reconhecer onde estamos, principalmente quando entramos no que eu tenho certeza ser a espécie de hospital onde acordei depois daquela emboscada. Troco inúmeros olhares com a Kayano, em parte por não ter a mínima ideia de porque acabamos aqui e por outro lado porque quero falar com ela, mas é tanta coisa que nem sei por onde começar, também não queria falar com ela perto dessa daí. Um ano sem nos vermos e não conseguimos trocar sequer uma palavra, porém, em algum momento, a Kayano chegou perto o suficiente de mim para agarrar meu braço e grudar em mim.

Esse momento é quase engraçado porque fica muito escancarada a diferença de altura, a cabeça dela só chega até o meu ombro. Também é engraçado pelo modo descoordenado com o qual andamos, afinal suas pernas são mais curtas que a minha e nenhum de nós dois consegue adequar com perfeição o ritmo com o ritmo do outro. Eu não tenho coragem de afastá-la, não quero afastá-la, então seguimos desse jeito até que chegamos numa porta pequena demais para passarmos juntos.

A Kayano entra primeira, quero dizer, ela entra depois da Gina, mas antes de mim. Quase a atropelo quando a escuto gritar, pensando que tinha alguma coisa muito horrível do outro lado da porta e que eu precisava salvar minha irmã. Ainda bem que ela gritou novamente, dessa vez algo entendível.

- NAGISA!

CONTINUA...


Notas Finais


A palavra de hoje é "Gilcaro"
Bisous!


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