História A Batalha de Mossul A mãe de todas as batalhas - Interativa - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Drama, Espionagem, Guerra, Iraq, Ísis, Syria
Visualizações 15
Palavras 4.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Luta, Policial, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Mais pistas dos planos do prisioneiro aparecem e um novo personagem surge em sua história!

Quem é e o que será que esse novo personagem faz?...
Deixe que o prisioneiro conte, muitas pistas sobre o futuro irão se revelar... ou não :D

Capítulo 3 - Entre Inimigos


Fanfic / Fanfiction A Batalha de Mossul A mãe de todas as batalhas - Interativa - Capítulo 3 - Entre Inimigos

Em algum lugar na Síria...

Mais uma vez na prisão localizada em algum lugar da Síria, o repórter estava aguardando o prisioneiro chegar para contar um pouco mais sobre as operações na cidade de Mossul e principalmente sobre o terrorista mais sanguinário que o mundo já viu. A última história que o prisioneiro contou anteriormente tinha sido muito interessante e ninguém fazia ideia de que o passado daquele terrorista tinha sido tão sofrido e cristão.

— Com esses relatos eu posso ganhar o prêmio Pulitzer, com certeza todo esse risco vale a pena. - Disse o repórter pensando alto.

— O que vale a pena? - Perguntou o prisioneiro que acabara de entrar na sala de interrogatório acompanhado dos guardas.

O repórter ficou calado enquanto os guardas prendiam o prisioneiro na mesa com as algemas. As mãos do repórter suavam e batiam os dedos na mesa demonstrando que ele estava preocupado com alguma coisa além de estar naquele lugar fétido e sujo.

— A grana que você me deu só te dá 40 minutos de visita com ele, aproveite bem esse tempo a sós com esse lixo. - Disse um dos guardas com um sorriso bosal no rosto.

Os guardas saíram da sala e trancaram a porta enquanto planejavam beber com o dinheiro extra que tinham ganho com a visita do repórter e mais uma vez os dois estavam sozinhos na sala.

— Então, o que vale a pena? - Insistiu o prisioneiro enquanto jogava suas pernas em cima da mesa e inclinava se na cadeira.

O repórter olhou para prisioneiro fixamente enquanto segurava um cigarro pela metade, seu rosto estava suado e sua voz um tanto trêmula.

— Eu quero saber como você sabe sobre o passado de Omar. - Disse o repórter.

— Calma meu amigo, eu estou preso, porque eu iria te contar tudo isso de graça? - Perguntou o prisioneiro aguardando uma resposta do repórter para dar início a sua barganha.

— Não brinque comigo, você quem me chamou, eu estou me arriscando para te ouvir e levar sua história para o mundo! - Respondeu o repórter batendo a mão na mesa.

— Levar minha história para o mundo e ganhar um monte de dinheiro com ela só para você não é espertão? Você não está conversando com mais um sírio sujo e burro meu parceiro. - Disse o prisioneiro.

— É… realmente vou ganhar algum dinheiro com esta história mas… é só para cobrir minhas despesas... mas o nosso foco tem que ser na história que você tem para contar. - Disse o repórter tentando enganar o prisioneiro.

— Acho que você não quer saber como foi o dia em que o serviço de inteligência e reconhecimento americano encontrou e quase matou Omar, não é? Inclusive matando vários civis inocentes. Tudo bem, alguém irá se interessar por isso. - Disse o prisioneiro jogando sua isca para ganhar uma barganha.

— E o que você quer em troca? - Perguntou o repórter de imediato esperando por uma proposta absurda.

O prisioneiro apoiou seus ombros sobre a mesa e aproximou seu rosto ao rosto do repórter fazendo um sinal com as mãos para que ele se aproximasse.

— Eu preciso que você me traga...

O prisioneiro olhou para a porta que ficava atrás dele para garantir que ninguém iria ouvir o que ele estava pedindo ao repórter.

— Cotonetes. - Disse o prisioneiro com um sorriso no rosto.

— Você quer trocar informações confidenciais do governo americano para ganhar uma caixinha de cotonetes? - Perguntou o repórter embasbacado.

— A gente fica um tempo sem higiene pessoal e aí você acaba sentindo uma falta dessas coisas básicas como uma simples e gostosa coçada no ouvido com um cotonete macio... sabe como é. E o melhor de tudo é que os guardas não iriam te impedir. - Disse o prisioneiro imaginando a cena.

— Acho que esse tempo todo preso aqui te deixou maluco, mas de qualquer forma se esse é seu preço tudo bem…

— Aproveita e me trás um jornal.

— De quando?

— Tanto faz, eu só quero ler e limpar minha bunda com uma coisa mais macia e decente, aqui eles usam palha… já limpou a bunda com palha? Vai por mim cara, não é legal, parece uma lixa.

— Isso não está fazendo o menor sentido para mim mas tudo bem, como vou saber que suas histórias realmente são verdadeiras? - Perguntou o repórter encostado na cadeira com a mão no queixo.

— Escuta essa história até o final e você vai descobrir, vai por mim irmão você vai querer saber, palavra de escoteiro… pensando bem me trás só as páginas que falam sobre a política americana, ver aqueles políticas com merda na cara vai ser ilario, qual terrorista não gosta de cagar na cara deles, o pessoal daqui vai gostar disso. - Disse o prisioneiro enquanto voltava a apoiar suas pernas em cima da mesa.

— Escoteiro é? Sei… combinado, então vamos começar. - Disse o repórter segurando seu caderninho.

 

•••

 

As operações por terra foram iniciadas oficialmente no dia 16 de outubro de 2016, mas o combate já estava rolando a muito tempo entre as forças iraquianas e o EI na cidade de Mossul, principalmente no interior da cidade. Os americanos ficaram mais no apoio, “só na contenção”, bombardeando locais estratégicos e usando seus soldados de operações especiais para fazer o reconhecimento da área com pequenos grupos e depois ajudar a coordenar os Iraquianos para tomar de volta a cidade, uma das mais importantes do Iraque.

Uma das armas mais usadas no reconhecimento foram os drones, eles são leves, manutenção mais barata que um jato, tem o mesmo poder de fogo, autonomia de aproximadamente 12 horas ou mais e por serem controlados a distância nenhuma família sentiria sua falta se por algum movimento de sorte do inimigo eles fossem abatidos, vai por mim, já brinquei com um desses e é muito foda, dava para ver minha capitã no banho através da janela de seu alojamento...

Continuando… A equipe de reconhecimento foi informada de que Omar Hayek estaria no bairro Al Zanjili que fica na cidade Mossul, vários homens faziam a segurança da casa e por isso não dava para mandar uma tropa até lá e capturar o alvo sem que mais civis fossem mortos além do fato de que provavelmente ele iria fugir já que todo aquele bairro é o quintal dele e é controlado por seus homens, mas quem chamamos para resolver esta situação quando não podemos mandar tropas em terra e nem podemos explodir todo o quarteirão? Isso mesmo, a tropa de elite em reconhecimento e inteligência, eles são foda pra caralho, podem achar uma agulha em uma área de 50 Km² se quiserem e atingir um único homem em uma multidão sem que ninguém veja, desde que estejam em uma área aberta, claro.


 

Bairro Al Zanjili, Mossul, Iraque

15 de maio de 2016

 

No bairro Al Zanjili, um homem estava vestido com roupas civis para se misturar a população, suas roupas eram uma camisa bege de botão, calça social escura e um par de sapatos sociais velhos, ele estava equipado com um ponto escondido em seu ouvido, uma bolsinha com uns equipamentos para espionagem e um microfono preso em seu pescoço coberto pela gola da camisa . Sua missão seria confirmar a presença de Omar no bairro a partir de uma coleta de informações da área ou por identificação visual caso Omar resolvesse mostrar as caras pelas ruas.

— Alma, já cheguei no local marcado. - Disse Ian, designado para fazer a investigação do paradeiro de Omar.

— Tudo bem, preciso que você circule pelo bairro e tente descobrir alguma coisa sobre Omar, tente não chamar atenção pois as forças do EI estão por todo lugar. - Disse Alma, capitã do grupo de inteligência e reconhecimento destacado para atuar no Iraq.

— Tem mais alguém para me dar cobertura aqui em solo? - Perguntou Ian um tanto preocupado por estar cercado de inimigos.

— Não se preocupe com isso, apenas foque em sua missão e comece a fazer sua busca. - Disse Alma.

Ian realmente estava preocupado, com um rosto de inglês, trabalhando para os estados unidos e sendo um espião no meio de uma cidade repleta de inimigos não seria uma missão muito fácil, ele temia por seu pescoço.

— Não sei se ajuda muito mas já temos um MQ-9 Reaper em cima de você equipado com dois mísseis Tomahawk, ele será seu anjo da guarda hoje. - Disse Alma bem otimista tentando acalmar Ian.

— Fudeu... como isso vai me servir de alguma coisa se os Haj estiverem em cima de mim? - Sussurrou Ian constatando que se algo desse errado ninguém poderia ajudalo.

— Lembre se, encontrando e neutralizando Omar nós desestabilizamos o EI em Mossul e tomaremos a cidade sem muito esforço.

— Certo.

Ian realmente estava tenso com aquela missão mas ele tinha talento para se acalmar e focar em seu objetivo. Sempre calmo ele foi caminhando pela rua em busca de uma primeira pessoa que pudesse dar a ele algumas informações de que precisava, uma primeira pista.

Próximo de onde Ian estava ele avistou alguém correndo desesperadamente para um beco que ficava ao lado dele, pelas vestes era uma mulher um tanto suja, com o rosto machucado e um saquinho nas mãos.

— Saia da frente! - Gritou a mulher.

Ela entrou rapidamente no beco onde aparentemente não tinha ninguém e se agachou para remover alguns escombros que cobriam uma passagem.

— Moça, do que está correndo, posso ajudar? - Perguntou Ian indo em direção a mulher.

A medida que Ian se aproximava a mulher ficava ainda mais desesperada, ela olhava para ele com pavor enquanto removia os escombros.

— Se afaste, se afaste. - Sussurrava a mulher.

— Moça eu não quero te fazer nenhum mal, apenas conversar.

— Você não vai me pegar, não vai… - Continuava Sussurrando a mulher.

— Talvez ela possa me dar alguma informação. - Pensou Ian.

Ian estendeu seus braços para segurar a mulher e tentar acalmá la para que ela pudesse contar o motivo de estar tão desesperada quando um homem surgiu do nada e o atingiu com seu corpo dando um grande empurrão que fez os dois caírem no chão.

— Deixe ela em paz! - Gritou o homem se levantando.

Aproveitando que Ian ainda estava desorientado com o forte empurrão de um homem que parecia um hipopótamo de tão grande e forte ele enroscou seu braço no pescoço de Iam e aplicou nele um estrangulamento que o deixou ainda mais desorientado por causa da forte pressão em sua cabeça. Ian se esforçou para se recuperar e segurou o braço do homem para não perder a consciência, ele contraiu seu pescoço de maneira que seu queixo ficasse entre seu pescoço e o braço do homem para bloquear o estrangulamento.

— Eu não sou do Estado Islâmico. - Disse Ian com um pouco de dificuldade para falar.

— Morra assassino covarde! - Gritou o homem.

Ian sabia que aquele homem não iria parar, ele segurou com mais força o braço do homem e o apoiou em suas costa o derrubando logo em seguida dando a Ian a possibilidade de imobilizá lo utilizando o braço exposto do homem para aplicar uma chave de braço.

— Fica calmo, eu não sou seu inimigo. - Disse Ian.

O homem tentou se soltar, mas a técnica aplicada por Ian não permitia que isso fosse possível, seu avô o tinha ensinado muito bem.

— Está bem, não quebre meu braço. - Implorou o homem.

— Está bem, eu vou te soltar e você vai ficar numa boa, ok? - Disse Ian.

— Hasananaan, hasananaan, está bem!

Ian soltou o homem e aos poucos ele foi se acalmando, ambos ficaram se encarando enquanto eles se levantavam mas nada era dito entre eles até que um garoto quebrou o silêncio.

— Escondam-se, eles estão vindo!

O homem correu para ajudar a mulher a entrar na passagem que estava obstruída, o garoto pulou para dentro da passagem como se já estivesse acostumado a usar aquela entrada para se esconder e o homem entrou logo em seguida.

— Quem está vindo? - Perguntou Ian.

— O Isis. - Respondeu o homem.

Ian não tinha para onde se esconder já que o beco era longo de mais para ele sair do outro lado sem ser visto e os guardas já estavam muito próximos da entrada. O homem, já na passagem olha para Ian e resolve dar um ponto de confiança a ele.

— Ei… venha, rápido! - Gritou o homem.

Ian olhou para os lados procurando por uma segunda opção, ele não podia confiar em alguém que acabara de encontrar e que não sabe nem seu nome.

— Foram por aqui! - Gritou um dos soldados quase chegando a entrada do beco.

Ian não tinha outra opção senão confiar no homem, ele sabia que se aqueles guardas conversassem com ele mesmo que só por alguns instantes poderiam identificar que ele não era daquele lugar e assim sua única opção seria entrar.

Aquela passagem dava acesso ao prédio ao lado do beco que apesar de estar todo lacrado  ele abrigava algumas pessoas que estavam fugindo da perseguição do Estado Islâmico, alí existiam homens, mulheres e crianças famintas vivendo em um ambiente sujo e quente sem muita ventilação.

— Quem são estas pessoas? - Perguntou Ian.

— Cristãos. Algumas famílias estão espalhadas pela cidade se escondendo em lugares discretos para não serem feitas de prostitutas ou no caso dos homens perderem suas cabeças seja criança ou adulto, para aqueles que tinham sorte uma vala era aberta e os condenados à morte tinham que deitar de maneira ordenada nesta vala enquanto aguardava um rápido e certeiro tiro na cabeça, um a um. - Disse o homem.

— Esses malditos são uns animais. - Disse Ian.

— Fazemos o que podemos para sobreviver, nosso povo luta por religião a muito tempo, ambos os lados vivem se estranhando e se matando… você não é daqui não é? - Perguntou o homem.

— Posso confiar em você? - perguntou Ian.

— Eu te mostrei nosso lugar sagrado, o lugar onde mantém a mim e minha família a salvos dos terroristas, se eu acabei confiando em você então acredito que você me deve isso.

Ian olhou para aquele homem e para as famílias que estavam sofrendo naquela situação, não tinha motivos para não confiar neles já que eles tinham um inimigo em comum.

— Tudo bem, vou ser sincero com você meu amigo. Eu me chamo Samir, sou um camponês Iraquiano com descendência de família europeia, estou procurando por um terrorista chamado Omar Hayek, ele matou minha família e eu agora estou buscando vingança, ele irá pagar por todo o mal que já fez - Disse Ian com sangue nos olhos omitindo sua real identidade.

É óbvio que Ian não revelou seu verdadeiro nome e nem seu posto no exército americano para aquele homem, mas revelar seu objetivo poderia fazer com que aquele homem que indiretamente  sofre pelas atitudes de Omar o ajudasse a encontrar e encurtar muito sua missão.

— Eu me chamo Altair Khouri, não temos muita coisa aqui para oferecer mas um inimigo de Omar é sempre um amigo. - Disse Altair apertando a mão de Ian.

— Desista dessa missão irmão, não vale a pena pois Omar tem muitos soldados fazendo sua segurança, para chegar até ele seria preciso um grande poder de fogo e vários homens bem armados, talvez até alguns homens bomba… sim, um homem bomba seria uma boa apesar de não concordar com esses atos. - Continuou.

— Deixe comigo Altair, eu tenho um anjo no céu enviado por deus que sempre me vigia, sempre que oro para ele uma resposta é enviada, se for por uma boa causa ele irá me ajudar com seu poder Tomahawk, além disso sabendo onde está a casa de Omar posso tentar convocar alguns amigos para pegalo. - Disse Ian com a cabeça inclinada para o céu, braços abertos e os olhos fechados.

É claro que Ian estava falando dos mísseis que o drone MQ-9 Reaper carregava no céu, mas o Iraquiano era leigo demais para entender isso.

— Já que você tem tanta proteção divina e alguns amigos dispostos a lutar meu amigo, eu tenho como te mostrar onde está Omar, mas só poderei te mostrar a casa que ele está escondido, depois é por sua conta. - Disse Altair olhando nos olhos de Ian imaginando o seu fim por fazer uma coisa tão maluca.

 

•••

 

— Então foi Altair quem mostrou aos americanos onde estava Omar? - Perguntou o repórter interrompendo a história do prisioneiro.

— Sim, como disse ele sabia onde Omar estava escondido mas ele não queria ir até a casa porque sabia dos perigos que o aguardava. - Respondeu o prisioneiro olhando discretamente para o cartão do repórter que estava em cima da mesa.

— Ele sabia dos explosivos que Omar tinha espalhado ao redor da casa e mesmo assim foi até lá? - Perguntou o repórter se referindo a uma explosão que matou algumas pessoas naquele bairro e foi divulgado superficialmente pela imprensa.

— Na verdade não meu parceiro, Altair não fazia a menor ideia do que esperava por ele próximo a casa de Omar, se ele tivesse escutado sua mulher ainda estaria vivo mas… outras mil pessoas estariam mortas já que a inteligência não sabia onde estava a casa com o explosivo. Não vamos adiantar a história para não perde a graça e também quero contar como ele morre para não me perder no segmento da história. - Disse o prisioneiro seguindo com a história olhando nos olhos do repórter para fazer ele ficar focado unicamente em seu relato enquanto roubava o cartão de identificação da emissora de tv do repórter.

— Então ele morreu nesta explosão? - Perguntou o repórter.

— Sim, ele desintegrou na explosão e não sobrou nem seus sapatos para a sua mulher enterrar.

 

Continuando… sem mais interrupções espero…

 

•••

 

Altair apresentou sua família para Ian que estava um tanto incomodado por ver aquelas pessoas se escondendo nas sombras com pouca comida ou quase nenhuma para sobreviver.

— Samir, esta mulher que você viu correndo no beco a alguns minutos é minha mulher Tamires, ela conseguiu um pouco de comida com uma antiga amiga que se converteu ao Islã e nos ajuda sempre que pode. Este garoto que nos avisou da chegada dos guardas é meu filho, Kamal, esse garoto corre como ninguém, os outros são nossos vizinhos que vive com a gente e dividimos tudo que conseguimos entre nós. - Disse Altair apontando para cada um.

— É um prazer conhecer a todos vocês, eu peço que aguentem mais um pouco, nós vamos livrar esta cidade dos terroristas. - Disse Ian comovido com a situação precária daquela gente.

— Nós? Eu só vou te levar até próximo da casa de Omar. - Disse Altair.

— Nós, eu e meu anjo protetor. - Disse Iam tentando disfarçar por quase ter revelado sua identidade.

— Como assim você vai levar esse estranho até Omar Altair? Você não vai fazer isso, temos que cuidar do nosso filho, procurar por comida, quem irá cuidar de nós se algo acontecer a você, eu não aceito que você se aproxime da casa de Omar… - Dizia a esposa de Altair.

— Minha mulher fala de mais… e ...ainda está falando… calma ai que vou tentar falar com ela. - Sussurrou Altair enquanto sua mulher reclamava para que ele não fosse com Ian.

Altair foi falar com sua mulher enquanto Ian estava sentado em uma almofada velha na sala, as pessoas ficavam olhando para ele curiosas por sua aparência não tão comum naquela região, claro que isso o incomodava mas ele fingia que não era com ele.

— Odeio quando as pessoas ficam me encarando…não é comigo... não é comigo… tô de boa. - Pensou Ian um pouco tenso tentando ignorar todos aqueles olhos voltados para ele.

— Pronto, está tudo resolvido e já podemos partir. - Disse Altair.

— Finalmente! - Pensou Ian.

 

 

Os dois viram que os guardas não estavam mais no beco e foram caminhando para próximo de onde Omar estava escondido. As ruas estavam movimentadas e isso iria ajudar os dois a se misturar com a multidão. Por causa das dificuldades do dia a dia as pessoa não olhavam muito para a vida dos outros pois estavam ocupadas demais resolvendo seus problemas tentando sobreviver em meio aquele caos que cobria a cidade de miséria e desgraça.

— Altair, como conseguiu convencer sua mulher a te deixar sair para me mostrar a casa de Omar. - Perguntou Ian.

— É melhor falar baixo, as pessoas podem ouvir - Disse Altair.

— Certo, mas como você a convenceu tão rápido? - Insistiu Ian.

— Bom… como você sabe, em nossa cultura quem manda são os homens, então eu mostrei quem vestia calças naquela casa e quem mandava naquele lugar, ai eu prometi que não iria muito longe e que limparia a sala quando voltasse e ela ficou mais calma e tranquila, fui eu quem deu a última palavra na discussão.

— E o que foi que você falou? - Perguntou Ian.

— Eu concordo. - Disse Altair falando sério.

— É, notei quem veste as calças naquela família. - Sussurrou Ian.

 

Os dois seguiram seu caminho e finalmente chegaram próximo a casa de Omar, o local estava repleto de patrulhas motorizadas circulando pelo bairro e sentinelas em cada esquina, as ruas estavam pouco movimentadas e por isso seria fácil eles serem descobertos e capturados.

Altair não estava nada confortável em chegar tão perto da casa de Omar, um homem que tirou a vida de milhares de pessoas como se fossem animais abatidos com um tiro na cabeça e jogados em valas após serem carregados em caminhões lotados de pessoas. Altair sabia muito bem do que ele era capaz, a pouco tempo ele por muito pouco não fora capturado e levado em um desses caminhões graças ao seu irmão que chamou a atenção dos guardas dando a ele a chance de fugir, seu irmão acabou capturado e nunca mais voltou para casa.

— Estou fazendo isso por você irmão. - Pensou Altair.

Altair não podia se arriscar muito em um combate contra as forças de Omar por causa de sua família que não teriam mais ninguém para cuidar deles já que só restavam basicamente  mulheres e crianças, ajudar a um inimigo do EI seria a única coisa que ele poderia fazer sem se arriscar muito.

Ian e Altair estavam muito próximos da casa e a única opção seria se posicionar em uma casa próxima de primeiro andar, onde daria para observar qualquer movimentação. Ian ainda não tinha notado mas seu ponto de rádio no ouvido que ele usava para se comunicar com a base da missão não estava funcionando e por isso não teria como solicitar qualquer apoio que precisasse para Alma, sua chefe. Altair estava buscando uma casa próxima que eles pudessem invadir para fazer a observação enquanto Ian aproveita para se afastar um pouco e falar discretamente com a base.

— Alma, pode verificar se tem alguém nesta casa? - Perguntou Ian falando no rádio.

O rádio não dava nenhum sinal de vida, provavelmente estava quebrado depois que ele lutou com Altair e os dois se embolaram no chão antes de se conhecerem.

— Caralho, era só o que faltava. - Resmungou Ian.

— Samir, venha por aqui. - Disse Altair se referindo a Ian.

Os dois entraram em um prédio e conseguiram ter acesso ao terraço para poderem se posicionar em uma casa com primeiro andar e ficaram observando se Omar realmente estaria naquela área.

— Tem certeza que é aqui o lugar Altair? - Perguntou Ian.

— Sim meu amigo, os comentários é que Omar está aqui.

Ian pegou seu rádio que estava escondido na calça para verificar o que tinha acontecido para ele deixar de funcionar, aparentemente estava ligado mas não fazia nenhum barulho, sem a ajuda do drone sua missão até o local não teria serventia nenhuma para a missão.

— Isso é um rádio Samir? - Perguntou Altair.

— Sim meu amigo, eu não consigo fazer ele funcionar. - Disse Ian.

— Você não é quem disse ser, não é? - Perguntou Altair.

Ian olhou para Altair como quem pedia um pouco de compreensão enquanto balançava sua cabeça afirmando que ele não era quem dizia. Altair olhou decepcionado para Ian por ter confiado nele mas sacou quase que de imediato que ele seria um agente do Ocidente e que poderia ser capaz de deter Omar caso alguém o ajudasse a recuperar seu rádio. Sem muito sermão Altair tomou o rádio de Ian para avaliar o que poderia está causando o mau funcionamento.

— Olha, se eu consertar este rádio para você, Omar irá morrer? - Perguntou Altair olhando no fundo dos olhos de Ian.

— Nós vamos avaliar se ele está dentro da casa e…

— É sim ou não. - Insistiu Altair.

— Sim, vamos jogar um míssil em cima dele que irá carbonizar todo seu corpo, não sobrará nada dele para a família enterrar e o EI será desestabilizado, meu amigo, pode consertar esse rádio?

Altair olhou para o rádio e depois para Ian, ele já sabia como consertar só de olhar, as baterias do rádio estavam com um mal contato e isso estava provocando este mau funcionamento, como Altair não tinha nada para abrir o compartimento de baterias do rádio e muito menos um pouco de álcool isopropílico e solda para consertar de uma vez por todas ele decidiu improvisar e fazer um procedimento menos complicado como solução paliativa.

— Altair o que você vai fazer, não, não faz isso cara, não faz isso! - Disse Ian tentando parar Altair.

Altair ergueu seu braço com o rádio e jogou ele no chão.

— Por que fez isso? - Disse Ian pegando o rádio.

— Agente está na escuta, agente… - Rádio

— Você conseguiu cara! - Disse Ian.

— Foi só um paliativo, logo ele irá ficar com um mau funcionamento de novo e vai acabar quebrando na próxima queda, então é melhor fazer logo sua parte. - Disse Altair.

— Alma, encontramos a casa de Omar, as coordenadas exatas são 36.352069, 43.109227, copiou? - Disse Ian ao rádio.

— Sim agente, estamos posicionando o drone, aguarde. - Disse Alma.

— Cara, você me salvou. - Disse Ian ao Altair.

Altair não estava nem ligando para Ian depois que soube que ele tinha mentido para ele mesmo depois de ter apresentado toda sua família e mostrado onde eles viviam, o único motivo de ele ainda está no terraço da casa foi para presenciar a queda de Omar de perto, Mossul ainda seria perigosa mas Altair poderia morrer em paz sabendo que o assassino de seu irmão estaria morto.

— Pronto agente, já estamos com o drone sobrevoando  vocês, precisamos de uma confirmação visual da presença de Omar, só podemos lançar apenas um único Tomahawk. - Disse Alma.

— Como assim só podem lançar apenas um Tomahawk, as chances de errar o alvo serão maiores, os dois mísseis que o drone está carregando podem cobrir toda a área, não podemos jogar esta oportunidade fora! - Disse Ian um tanto alterado.

— É por isso mesmo que você tem que saber exatamente onde Omar está, não podemos lançar vários mísseis por causa dos civis que estão próximo da casa, a impressa não iria pegar leve com o governo americano quando soubessem disso. - Disse Alma.

— Nós não temos tempo, mande o ataque agora enquanto ele ainda está na casa! - Disse Ian.

— Escute agente, não é só atacar, destruir e concluir a missão, muito mais coisas estão em jogo e temos que calcular se as consequências desse ataque serão vantajosas ou não para nós.

 

Ian não tinha muitas opções para argumentar, ele sabia que se o ataque fosse lançado e alguns civis fossem mortos junto com Omar, o maior e mais sanguinário terrorista do mundo, a imprensa iria bombardear os Estados Unidos com notícias sensacionalistas passando a mensagem de que eles estariam bombardeando e matando civis aleatoriamente rezando para que atingissem algum inimigo, isso não seria nada bom para o seu país.

 

— Agente, eu preciso que você descubra o quanto antes o exato local de Omar antes que ele saia da casa, as ruas estão ficando cada vez mais cheias e não vamos poder fazer muita coisa se ele sair da casa. - Disse Alma.

— Mas eu não tenho como entrar na casa, ela está cercada pelos guardas de Omar. - Disse Ian.

— Quem disse que você teria que entrar na casa? - Perguntou Alma com um plano em mente.

 

Ian logo captou a ideia que Alma tinha em mente e logo tratou de executar...

 

•••

 

Os guardas da prisão entraram aos gritos sem motivos aparente na sala em que o prisioneiro e o repórter estavam conversando, eles pegaram o prisioneiro e o arrancaram de sua cadeira quase esquecendo de que o mesmo estava preso a mesa por algemas.

O prisioneiro deitou sobre a mesa antes que os guardas o pegassem  e pediu para o repórter que olhava em seus olhos para que ele na próxima visita trouxesse o que havia prometido.

— Tudo bem, mas o que foi que eles usaram para espionar a casa? - Perguntou o reporte.

— Venha um outro dia que eu conto tudo! - Gritou o prisioneiro.

O repórter ficou só novamente na sala com seus pensamentos, do lado de fora ele apenas ouvia o prisioneiro sendo espancado pelos guardas violentamente, aparentemente seria por causa de alguns produtos de limpeza que haviam sumido e os prisioneiros o tinham entregado mas isso não importava muito para o repórter, seu real interesse era em saber como conseguiram entrar na casa de Omar, como Omar escapou e o que realmente provocou aquela forte explosão.

— Descobrindo tudo isso eu serei famoso! - Disse o repórter com os braços erguidos para cima imaginando seu futuro glamuroso.

 


Notas Finais


Ian está se metendo em um lugar muito perigoso, quem em sã consciência vai atrás do maior terrorista em sua própria casa!

Ainda bem que ele tem um "Anjo poderoso" para ajuda-lo kkkkkk

E esse amigo novo, será que realmente irá ajudar no final ou só atrapalhar? bom... só no próximo capítulo!

Por hoje é só ;P


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...