História A Battle Tale - Interativa - Capítulo 10


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Universo Alternativo, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Pansexualidade, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


➳ Indicação ➳

● Cosmic Love - Florence + The Machine

Capítulo 10 - As Anciãs


Fanfic / Fanfiction A Battle Tale - Interativa - Capítulo 10 - As Anciãs

Competência: Estudos e Análises das Regentes, Fadas e suas origens. 

Modulo I

 

História das Regentes: Introdução

(Página 5-10)

 

No início, só existiam as Grandes Anciãs. Três Fadas Matriarcas líderes da espécie e únicas capazes de governar tudo e todos. Seus nomes são desconhecidos, impronunciáveis por línguas humanas. Mas as chamamos de Razão, Temor e Vida. Cada Anciã possui uma côrte e uma função. A primeira anciã, Razão, é responsável pelo pensamento lógico, descobertas do homem, invenções e tecnologia evolutiva. Cada descoberta, cada pensamento ou ideia, é administrado por ela. É a mais sensata das três.

 

Temor, a segunda Anciã, é a propulsora da fé do homem, crenças e tudo que ele acredita. Se toda mitologia, religião, seita ou crença existe é porque um dia, Temor permitiu. Ela a representação da fé.

E por último, temos Vida, a mais próxima do mundano. Todo ser, tudo o que respira, tudo que vive, é por benção de Vida. Quando uma flor brota, quando um pássaro choca e quando um útero é semeado, Vida está presente. Toda a humanidade se formou pela graça da terceira anciã. Ela é a mais bondosa das três.

 

Cada uma possui uma côrte de fadas, suas classes e hierarquia. As Fadas da Razão são as mais velhas e correspondem a região leste do planeta, elas dão o sopro de inspiração à cientistas e pesquisadores para o avanço da humanidade (Descobertas do século IV, Legados e contribuições -página 543) O fogo, A eletricidade e etc. Tudo foi por intermédio delas. São fadas cinzas.

 

As fadas de Temor, ou fadas azuis, são responsáveis por mesquitas, igrejas, templos e pessoas que propagam a fé. Buda, Jesus, Allah e qualquer outro líder religioso, são de sua responsabilidade e criação. Toda e qualquer fé, até a ausência dela, é válida, segundo a côrte da Temor. São fadas sensoriais e empáticas.

As fadas de Vida, ou fadas brancas, são as que cuidam da reprodução das espécies e de sua natalidade. Cada ser vivente é de responsabilidade delas. São fadas temporais também, sabem do tempo de cada ser terreno e seu destino mortal e imortal.

 

Página 343 – Artigo V -  As Contrárias e seus feitos

As Contrárias foram um grupo de fadas aristocratas, abaixo apenas das Anciãs na hierarquia, que se rebelaram contra sua espécie, pecando contra as Anciãs. Toda fada, precisa ser uma donzela perfeita, virgem e pueril. Nenhum Ser terreno é capaz de possuir algo tão perfeito quanto uma fada, nem cobiçar ou desejar. Mas não era o que as rebeldes pensaram. Na calada da noite, desciam de seus reinos para se deitarem em luxuria com humanos, sendo possuídas pelo prazer que eles lhe proporcionavam. Algo tão abominável caiu ao conhecendo das Três Anciãs, que se enfureceram contra as traidoras.

 

Como castigo, Essas fadas foram expulsas do reino sagrado, por sacrilégio, e passaram a viver no Vazio, o escuro do universo. Um lugar que nada, nenhuma luz ou vida, é capaz de chegar. As Fadas caídas foram chamadas de Contrárias. 

 

Com a morte de milhares de fadas advinda da guerra das Fadas fiéis contra as Contrárias, a espécie entrou em decadência e ruínas. Seus impactos foram sentidos em todo mundo mortal, que falecia e morria. O mundo então se esqueceu de suas Anciãs, e o laço da terra e das Fadas se rompeu.

 

Tentativas 

A primeira tentativa de preservação da espécie, foram as Regentes. Seres a imagem e semelhança das Fadas, capazes de curar e despertar o mundo, que adormecia. Elas são o contato, a ponte, das fadas com os legados. Cada regente, de seu modo, curou a ferida da terra.  Porém, sabendo do plano das Anciãs, os Contrários igualmente se ergueram a cada Regente, tentando em todas as existências, as destruírem.

 

Rainha Vermelha, Rainha Má, A bruxa das ondas, Facility, todos eles, tentaram e falharam lutar contra As Regentes. Por isso são chamados de Contrários, eles são o Reflexo obscuro das Rainhas, São, de modo chulo, os vilões de cada uma. Cada contrário é criado pelas fadas caídas para perseguir as Rainhas, sendo assim, cada Contrário corresponde e é equivalente a uma Regente.

A segunda tentativa de preservar as fadas e sua existência, foram os legados. Cada Regente fora encarregada por Vida, de escolher seus descendentes para perpetuar seus legados. Então, foram o segundo recurso falho das fadas para a preservação de seu povo, já que cada regente os escolheu, um por um, para as descender. Como toda ação tem uma reação, um reflexo, Os Contrários também criaram sua descendência: Os Híbridos. Criaturas emergidas de seus poderes e criadas a partir da junção de suas características, para destruir os legados. Pensem com se A rainha vermelha e a Rainha má dessem a luz a um só filho, juntas. Estes são híbridos. Por tamanho poder, um híbrido sempre nasce aos montes e com falhas, se espalham como um câncer e consomem tudo a volta. Nascem sempre sem um dos sentidos, seja a visão, tato ou audição. Mas sempre compensam com outro. ( Híbridos e como identificá-los - Pág 675)

Legados foram mortos por toda a extensão do planeta, aos montes. Uma verdadeira chacina sangrenta e cruel, o decair das Fadas nunca fora tão latente.

Vendo então que sua segunda tentativa falhou, as Anciãs recorreram a sua última chance, seu trunfo. A Nova.

 

A Nova, como a chamaram, seria a última Regente do ciclo. As Fadas, donzelas, eternamente castas e virgens, repudiaram a ideia mas esta era o único jeito. Todavia, para a última regente nascer, ela devia possuir a perfeição das Fadas e simultaneamente o sangue e o poder das Regentes, sua carne e sua humanidade. Ela precisa estar abaixo das Anciãs e acima dos legados.

 

No Solstício, Evanorie, uma fada da côrte de Temor, foi dada a um legado, que a possuiu em seu leito. O evento divino teve de ocorrer sob a luz da lua e sob os olhos das três anciãs, que o abominaram o ato por completo, exceto Vida, que olhava fascinada enquanto o sêmen lhe escorria pela cavidade (…) Então, em duas luas, Evanorie, recém-expulsa do reino das fadas, se encontrava com seu ventre cheio por um ser tão maravilhoso, que seu nome nunca fora revelado. Cada uma das três fadas deram seus presentes, os dons. Razão deu o Concílio. Temor deu a criança, o Semsum. Vida lhe deu os dons gêmeos, Dai e Gray.

O Paradeiro da Nova é desconhecido. Não se sabe se já nasceu, ou ainda nascerá em outra existência ou versão. Seu nascer será no mundo humano e se chamará O Recomeço.

Tudo que é sabido é que ela trufará sobre os Contrários, e levará o tão Bendito Reino das Fadas, à vitória.

 

Embarcação Andrews, 15:00PM

 

Quase um dia inteiro havia se passado e os tão desventurados jovens ainda não haviam visto por completo a embarcação. Quanto mais se olhava, mais se parecia um meio de transporte completamente diferente do anterior. Ora, se assemelhava a um grande barco. Ora, a um grande dirigível. Ora, uma grande mansão sob as águas. Ora parecia todas as coisas impressionantemente mescladas.

 

Talvez, Yong, encarregado da embarcação por unanimidade, seria magia de ilusão antiga — pensou. Proles de Alice possuíam esse poder.

Três grandes níveis se acomodavam ao transporte. O primeiro, o nível superior, estava o deque com três enormes extremidades idênticas que se assemelhavam a uma espécie de cruz.

Também a sala de controle e uma sala confortabilíssima estilo rústico medieval, não muito grande. Adiante, uma pequena cozinha acoplada a uma aconchegante sala de jantar simples.

No nível abaixo, o dois, estavam os quartos. Pequenos, diga-se de passagem, mas de certo modo confortáveis. Haviam muitos deles, uns com duas a três camas. Também havia uma minúscula biblioteca e outros muitos aposentos inexplorados. Os legados pegaram o quarto que se acomodaram mais, de início (…). Adiante, dois banheiros não-individuais, um masculino e um feminino.

Já no nível três, ficavam ignições e alavancas, além de estoque quase infinito de pó de fadas, para voos, além de suprimentos: Comida, temperos e afins. Ainda uma pequena coleção de remédios, um caldeirão velho e diversos tubos de ensaio vazios.

Seria uma embarcação de luxo, dos tempos mais remotos.

 

Depois de muito conhecerem e se acomodarem como deviam, Henry chamou todos para a sala comum, excitado. Um livro de aspecto surrado estava em suas mãos ansiosas, atraindo olhares curiosos da maioria dali. Serena lixava as unhas, entediada até ser convocada também. Juntos, ouviram com tento sua breve explicação do ocorrido com Jason, e lhes mostrou o livro, o primeiro capitulo.

 

— Hamish Peregrim? — Lily falava com certa curiosidade — Algum de vocês já aprendeu sobre ele? — Mirava os mais velhos que acenaram não com a cabeça, encabulados.

 

— A História dos falhantes e suas contribuições — Yong falou — Não cita nenhum Peregrim. Digo isso por ter de gravar Os Dez Mais Importantes Falhantes para os exames de Ervin, no semestre anterior.

 

— Correto — Henry o interrompeu, olhando para o conteúdo em mãos — Em todos meus anos no acampamento, nunca ouvi falar de nenhum Peregrim. Ele não é citado em nenhum livro ou disciplina, eu já me formei e nada.

 

— De qualquer modo — Serena prosseguiu indiferente, ainda olhando para as próprias unhas — Ninguém acha mesmo estranho esse— assumiu um semblante de aparente nojo — …Jason ter dado sem mais nem menos um livro a você, Henry?

 

Todos assentiram de imediato, encabulados. Por persuasão ou não, aquilo eram bem lógico e pertinente. O menino de cabelos louros assentiu, sério.

 

— De fato. Eu e Jason nunca fomos muito…próximos — corou levemente.

 

— Com qual finalidade, de que nos servirá esse livro? Ou melhor, diário. — Safira enrolava seus pesados cachos em um dedo, levemente taciturna. Lana, a cadela de Mae, estava deitada manhosamente no tapete, parecia a única a emitir barulhos mais audíveis.

 

— Eu…não sei. Ele parece de algum modo…

 

— Ter feito a mesma jornada que nós — Sam falou dessa vez, sentada em uma poltrona, pouco afastada. — É óbvio que ele é um falhante. O que é curioso é ele nunca ter sido citado e porque o bibliotecário achou necessário nos dar esse diário, além de possuir isso e não mostrar a ninguém…

 

— Disso você entende, não é? — A legado de Branca sorriu sarcasticamente de canto. Sam lhe lançou um olhar gélido, ignorou com desprezo e prosseguiu, inabalada.

 

— Para todos os efeitos, esse Peregrim escreveu para que alguém lesse e seguisse seus passos, Nenhum falhante deixou registros assim por achar que realmente conseguiria achar os dons. Mas, quem quer que seja esse, queria que alguém encontrasse e seguisse seus passos.

 

— Ele não achou que seria capaz de encontrar, acho…—Mae dizia distraído, brincando com Lana. O garoto parecia calado desde que a viagem começou, notou Lily. Todos se entreolharam, suspirando. Talvez de fato, não fosse nada. Aquele diário, aquelas páginas. Nada seria a não ser palavras escritas esquecidas em um livro, esperando para serem lidas. Escritos jogados aos ventos, engolidos pelo tempo e apagados da lembrança de todos.

 

— Talvez devêssemos perguntar a Valentin no fim das contas — Lily suspirou, cansada.

 

— E como? Uma carta talvez demorasse dias e…— Mae intervia, agora dirigindo os olhares a todos.

 

— Não — O legado de aurora levantou a voz, firme — Eu posso me comunicar com ele. Meu poder permite isso, eu ando treinando. Todos podemos fazer contato com o pessoal do acampamento, incluindo os tutores.

 

— Não acham que se este livro fosse importante para nosso objetivo o próprio Valentin não teria nos entregado pessoalmente? — Safira falava levemente irritada.

 

— Tem razão — Serena concordava, para a surpresa de todos ali presentes, incluindo Safira — Aquele menino, Joaquim…

 

— Jason — Corrigiu Henry

 

— Que seja — bufou a morena — Ele entregou isso com a finalidade de só nós sabermos, não os tutores. Se alguém precisa ser indagado, há de ser ele.

 

— É perigoso nos comunicar diretamente com ele, não sabemos se ele cooperaria. — Yong quem falava dessa vez. Seus olhos pequenos se semisserravam em contraste com sua grossa sobrancelha.

 

— Podemos entrar em contato com os nossos...hm..amigos? Nosso time ainda está de pé não é? Eles podem nos ajudar, podem entrar em contato com Jason ou investigar internamente. — Lily falava timidamente, odiava os olhares de todos em sua pessoa. Se aliviou com todos acenando em concordância.

 

— Isso — Henry falou com um acidental sotaque espanhol — Eu posso tentar, todos nos encontremos aqui as 18h30, certo? Entraremos em contato com nossa esquadra

 

— Esquadra?

 

— Time — Sam explicara.

 

— I-Isso! — Corou Henry, se levantando desajeitado rumo a um arco que dava a saída ao aposento.

 

— Aonde vai? — Mae perguntou.

 

— Não é obvio? Vou dormir, vamos precisar. — Disse risonho, se dirigindo ao andar debaixo.

                                                                                            ♞

Pov Lily

Depois que Henry saíra dos aposentos, cada um foi para a um canto da grande embarcação. Lily sabia que todos, assim como ela, estavam curiosos para explorar cada pedacinho do local. A menina, porém, aproveitou o tempo livre para desarrumar suas malas e examinar seu quarto com mais atenção, tendo em vista que só jogou suas bagagens para dentro e saiu com rapidez.

 

Saia da sala em passos lentos, admirando e observando cada detalhe com atenção. Mais a frente, estava a cozinha e sala de jantar, com uma mesa circular muito larga. Olhou janelas afora (o ambiente possuía dezenas) e admirava o mar azul e o céu acinzentado. Sem mais enrolações desceu as escadas, rumo a um corredor que dava ao igualmente vasto nível dois. Quartos e mais quartos se estendiam a frente.

Por intermédio de Yong, todos deveriam dividir seu quarto com, pelo menos, uma pessoa, para estreitarem os laços como uma equipe. Serena, Sam e Safira dividiriam um quarto, enquanto Henry, Mae e Yong dividiriam um outro. Ninguém gostou muito da ideia por diversas razões, principalmente Lily, que para os olhos de todos, deveria ficar no dormitório dos garotos. Com insistência, conseguiu convencer o asiático que deveria possuir o próprio quarto, e assim conseguiu um ao fim do corredor.

Adentrou os aposentos lotada de pensamentos. O quarto era azul-claro, com uma cama simples em lençóis brancos de poliéster. Um criado-mudo, um abajur e um espelho, nada mais havia a se observar. Suas mãos iam de encontro a sua mochila, e uma mala (seus colegas de clã fizeram questão de colocar ainda mais roupas e utilidades), as dobrando distraída.

Levantou seus olhos ao espelho a frente, finalmente se enxergando com mais clareza. Seu corpo era magricela e seus cabelos cacheados, não eram muito longos. Se despia sem pressa, sem querer, sem querer se olhar. Não possuía muita cintura e seu peitoral era pequeno, juvenil. Não ousou tirar suas vestes debaixo. Não aguentaria ver o que tinha ali, abaixo de seu ventre. Uma monstruosidade, um corpo estranho, algo indesejado. Sentia nojo. Ao fim do dia, não importa o que sua mente lhe dissesse, ou gritasse, era um corpo masculino. Era uma casca medonha, um castigo que a aprisionava. Via suas roupas ali colocadas, todas, nada lhe correspondia. Lembrou-se que de onde vinha, se vivesse mais de três décadas seria a exceção, uma raridade. Ia tombando devagarinho rumo ao chão, abalada, apagando as luzes. Ali no escuro, não era Raphael ou Lily, ou um legado ou um mortal. Era um ser humano, desnudo de qualquer crença ou imposição social.

Ali, no escuro, chorou.

 

                                                                ♞

Pov Yong

Então é assim que terminou afinal, pensava. O castigo de todos ali, ir em busca de coisas tão maiores e tão acima deles. Coisas as quais se transformaram em boatos, depois mitos, depois lendas. Todos falharam e agora, eles poderiam falhar também. Era lógico que a penitência era um mero pretexto, pensava consigo. Eles, eram apenas bonecos, fantoches em mãos de pessoas mais poderosas, ambiciosas e sedentas pelos dons. Mas, isso não importava a Yong. Sua real diretriz era manter todos ali vivos. Se tornou responsável por cada vida ali, cada um dos legados estava sob sua responsabilidade. Eles viveriam e isso era uma promessa. E pra isso, Yong faria o que fosse necessário para tal feito.

Desceu ao nível dois com rapidez, rumo a pequena biblioteca, se é que assim podia se chamar, e percorreu as poucas estantes em livros que lhe podiam ajudar. Estava tão absorvo em seus pensamentos, que o choro sofrido de alguém lhe passou despercebido aos ouvidos.

As estantes eram de mogno, e como Amélia havia dito, estava equipada com livros muito úteis. Livros mais úteis que aquele tal diário que Henry lhes apresentou.

 

Pegou com energia o Desenvolvimento de poderes nível 2, Híbridos e como classificá-los nível médio e avançado, Espadas e Adagas do século XIV, Sobrevivência perigosa: Uma vida na floresta, Habilidades marciais pelo mundo, Falhantes e suas peripécias e Golpes mortais níveis básico e médio.

Os colocou todos em sua bolsa com agitação, tirando dali o excesso de pó. Os treinaria não como legados, mas como soldados, guerreiros. Teriam do que se orgulhar, todos eles. O rapaz recuperaria sua honra.

                                                                                   ♞

Pov Henry

Dada as 18h30, muito pontual, o loiro chamava todos por uma espécie de megafone, na cabine principal ( sala de comando) com o livro aos braços. Em alguns resmungos, mas muito ativos, os legados se reuniram novamente na sala perto da cozinha. Todos já haviam trocado os uniformes, agora estavam trajados a roupas normais. O rapaz mesmo estava de suspensórios não tão formais, mas confortáveis aos seus olhos e meias um tanto longas. Seus longos cabelos loiros estavam em um rabo improvisado. Bocejava vagarosamente se sentando no tapete, observando os demais fazerem o mesmo. Notou de relance que os de olhos de Lily estavam inchados.

 

— Muito bem, eu…nunca tentei fazer isso, não com muita gente pelo menos.

 

— Animador — Serena reclamava de forma não sutil

 

— Mas, acho que dará certo. Afinal, Lilían está no acampamento e ela também é legado de Aurora. A conexão ficará mais forte por isso. Já avisei a ela, em um devaneio, que entraríamos em contato hoje. Já estão preparados.

 

Sorriu tentando encorajar os demais e principalmente encorajar a si próprio. Continuou, cruzando suas pernas desnudas.

 

— Eu preciso que todos fiquem em estado de relaxamento e se desapeguem de seus pensamentos. Fiquem leves, como se estivessem se preparando para dormir. Deixem minha aura fluir em vocês. Fechem os olhos.

 

Sem mais objeções, todos ali obedeceram o louro que também fechou os olhos. A noite caia de mansinho lá fora, a brisa batia no rosto dos descendentes devido as janelas abertas. Sentiam o cheiro de maresia e o barulho da maré. Em instantes, uma luz azulada os envolvia em calmaria, como um sopro gentil. Todos se sentiam leves, suas mentes planavam entre o imaginário em imagens confusas. Quase viam alguma coisa, quando voltaram todos a uma dura realidade.

 

— Ai! — Protestou Safira esfregando a cabeça com dor — O que houve? Você não conseguiu?

 

— N-não foi isso! — Protestou Henry, sem graça. — Alguém não se concentrou o suficiente, alguém estava com a cabeça cheia, eu acho.

 

Uma fungada foi o suficiente para todos os olhares se direcionarem a Lily, que abaixou os olhos marejados de lágrimas. Mae recostou sua mão em sua perna, preocupado.

 

— Lily, está tudo bem?

 

— Sim, me desculpem, eu vou tentar me concentrar — Sua voz era soluçante.

 

— Tem certeza..?

 

— Ela disse que sim — Serena interrompeu, aborrecida — Pouco importa, vamos acabar logo com isso?

 

— Como você consegue ser tão mesquinha? Ah,pro inferno, se eu ter de ouvir uma vez essa sua voz, eu me jogaria neste mar! — A legado de Tiana cerrava os punhos, fuzilando Serena com olhos se levantando. A morena também se levantou.

 

— As duas bem que poderiam se jogar ao mar, quem sabe voltassem menos como crianças tolas e sim como legados de verdade! — Samantha falava ríspida, permanecendo sentada no tapete.

 

A algazarra foi geral e de repente o que antes era um ambiente calmo, agora estava com ares bélicos e todos com, exceção de Henry e Lily pareciam querer brigar. Suas vozes acaloradas se ultrapassavam umas as outras, Yong tentava inutilmente intervir, entrando na briga junto com Mae. Mais alguns segundos de esperneio e ladainha. Lana, aborrecida, saia do local.

 

— Acho que nem seus pais aguentavam tamanha maldade, criaram um monstro…

 

— BASTA!

 

Serena gritou, pela primeira vez afetada, abaixando os olhos. Todos se calaram com a mesma velocidade com que começaram aquela briga infantil. Até Safira, que provocara, se calou de forma abrupta, quase instantânea. Mas mesmo assim, se desfira de um sorriso trinfante. O ambiente se inundou em cólera e Henry foi quem quebrou o silêncio desconfortável.

 

— É isso — falou taciturno.

 

— Isso o que? — Yong falava cansado, olhando para o chão abalado. Como se fosse muito difícil continuar a falar por ordem de Serena.

 

— Se Serena possuir o concílio, ela pode nos persuadir e induzir a uma calma completa. Com isso, eu posso usar os poderes sem tanta dificuldade de concentração de vocês — Lançou um olhar significativo a Lily e depois a morena. — O que me diz, Serena?

 

— Qualquer coisa para sair logo daqui.

 

Sua voz se tornou fragilizada, voltou a se sentar. As mãos de Henry foram erguidas a ela, que as segurou a contragosto, fechando com raiva seus olhos úmidos.

 

— Muito bem, comece. — Pediu Henry.

 

— Todos vocês, fechem os olhos e não pensem em mais nada...

 

 A legado de Branca repetiu as palavras anteriores do rapaz, fazendo todos considerarem a ideia imediata de fechar os olhos e nublarem seus pensamentos. Ninguém nada disse e a aura azulada de Henry retornou a abarrotar os aposentos. Em instantes, se sentiam em um sonho, em mais alguns instantes, viram cinco figuras conhecidas…

                                                                                      ♞

 

Acampamento – 14:37 PM

Pov Natasha

Um dia já havia se passado desde que perdera sua irmã, assim pensava, amarrando seus cabelos castanhos claros em um rabo de cavalo apertado. Algo estava preso em sua garganta, algo ruim, inibia sua respiração. Era a culpada e este, seria seu findo castigo.

Faltou as aulas para olhar para o mar, onde todos haviam partido. Com seus olhos fechados, seus sentidos se ampliavam. Podia sentir a brisa, o ar, a maré jogar suas madeixas. Orou para que não só Lily estivesse bem, mas para que a mesma ficasse bem. Perdera seu sustento, um alicerce. Uma neve tímida começava a cair nos arredores.

Não era apenas ela quem estava atarefada com seus pensamentos , mas toda a propriedade seguia frenética, a procura da legado desaparecido. Gwen se encarregara pessoalmente de cuidar de seu deamon, que a cada hora, chiava mais alto de tristeza, talvez dor. Grupos de busca conduzidos pelos próprios tutores, iam todos juntos se aventurar pela floresta e a extensa propriedade. Os legados de Aurora, porém, dormiam, com a esperança de fazer contato pelos sonhos, de modo astral. Lembrou-se subitamente de Lilían, que os convocara a uma reunião. Hoje, entrariam em contato (Ilegal, se por assim dizer) com os legados na missão. Natasha sabia que veria a irmã, mas, teve a nítida impressão que mal teriam tempo de se falar, principalmente por estarem em público. Não saberia se havia muito que dizer afinal, ou se sabia o que dizer. Uma mão lhe despertou de seus pensamentos, a assustando. Uma figura pequena e aloirada, conhecida, vestindo azul, sorria gentil olhando em seus olhos. Willam, prole de Alice.

 

— Te assustei?

 

— Sim — Disse seca, logo após se arrependendo de sua rispidez. A criança, porém, pareceu não se importar ou notar.

 

— Neve no outono...isso é fantástico!

 

Dizia abrindo a boca, pegando flocos de neve com a língua. Permanecia com sua mão gentilmente no ombro da garota. De certo modo, ele lembrava Lily. Gentil, ingênuo. Bom. Sorriu distante.

 

— Olha...hm, eu sei que parece difícil — o loiro começou, persistindo em tentar pegar um floco com sua língua — Mas, vamos superar isso, sim? Sabe o que você precisa? Um sorvete! Soube que se chegarmos agora, dá tempo de pegar. Isso se claro, os Maluf ainda não o envenenaram.

Deu uma gostosa gargalhada infantil. As sardas de seu rosto pareciam pontinhos de constelações. Natasha sorriu, se sentindo fraca. Percebeu só agora que estava demasiado esgotada. O rapazinho se pôs de pé, tirando a mão de seus ombros e lhe oferecendo para levantar.

 

— Corrida até o refeitório?

 

— Não me subestime, Caroll

 

Em gargalhadas, correram em busca de sua delicia gelada. Natasha estava exausta. 

                                                                                              ♞

Embarcação Andrews, 19:45 PM

Foram acordados violentamente por zunidos altos e dolorosos. Armas desconcertadamente aos punhos, as pressas. A voz de Yong era quase que inaudível, chuva molhava sua face enquanto criaturas graúdas amarronzadas expeliam liquido verde, pútrido. Os legados agitados seguiam as ordens de seu líder que empunhava uma espada. Lily e Henry ficaram dentro da embarcação quando dezenas de híbridos alados zuniam em meio a chuva.

 

— Samantha, aqui! Depressa!

 

A loira arritmia, erguia seus braços no ar, lançando rajadas de gelos as criaturas, que passavam a um palmo do ombro de uma de suas colegas. O ser, agora inerte, permanecia com seus músculos paralisados em frio. Samantha não desanimou, continuando a congelar de maneira frenética os que ainda voavam. Agora, jogava lanças pequenas de gelo, furando seus olhos, os desnorteando.Analisava seu inimigo, o deixando cansar. 

Tão distraída não percebeu um se aproximar por suas costas, sendo aniquilado pela ponta do mangual de Serena, que sangrava o rosto. Sua respiração era ofegante enquanto a de Safira, era inaudível. A negra saltava com seus chicotes em punho, acertando todos que via em seu campo de visão, rasgando sua dura carne. Preso, um lamentou em rugidos quando Safira o paralisou e Serena o chutou no pescoço. Assim, sem nenhuma palavra trocada, as duas acrobatas pulavam se revezavam a aniquilação. Serena tropeçou.

 

Do lado esquerdo, Maeggon socava sem pensar as criaturas a frente, com seu par de soqueiras. Lana rosnava e comia a carne de um jazido, ao seu lado.

Os jovens eram recebidos por cusparadas ritmadas de ácido, que queimavam suas carnes, com cheiro podre . Zumbidos de espadas, Gelo e chuva era tudo que se ouvia quando Maeggon gritou as dores aos quatro cantos do local.

 

— SOCORRO!

 

Dois dos demônios alados agarraram nas extremidades de seus pés, o suspendendo ao ar enquanto a pitbull latia exasperada.

 

— Maeggon!

 

Uma amedrontada Lily surgia no deque fervoroso, empunhando tremulante sua pequena adaga. O sangue já era vivisel a canela do rapaz, as presas adentravam em sua pele. Guinxou de dor.

 

— Lily! Volte para dentro agora! — Yong berrava tentando enterrar seu bronze na boca escancarada do híbrido, forçando a entrada. Chuva lhe escorria pelo cabelo e o cheiro fétido invadia seu nariz. Serena estava inconsciente aos pés de Samantha que se via exausta, agora usando as duas pontas de sua lança, antes amarrada as costas, para só afastar os híbridos de perto de suas colegas. Safira caia de joelhos. 

 

A morena porém, chorava, mirando sua adaga a um dos híbridos que se  agarravam ao pé de Mae, que já estava desacordado e muito pálido. A pequena lança voava para uma das criaturas, que gritou, quase um riso. Fartas as monstruosidades,ambas jogaram o jovem para longe, para além do mar, em terra não muito distante. Um grito mudo saiu da garganta da morena.



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