História A beautiful mess - Capítulo 12


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Categorias Grey's Anatomy
Personagens Addison Montgomery-Shepherd, Alexander "Alex" Karev, Amelia Shepherd, April Kepner, Arizona Robbins, Calliope "Callie" Torres, Margaret "Maggie" Pierce, Mark Sloan, Personagens Originais
Tags Arizona Robbins, Callie Torres, Calzona, Greys Antomy
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Palavras 7.501
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, meninxs! Como estamos?
Era para eu postar mais cedo, mas preferi ser ignorada pela JCap no twitter... segue normal.

Gostaram do calzona endgame em greys? AMEI! Como estão com a saída de JCap e SDrew? TÔ DEVASTADA.

Eu queria fazer um especial April e Ari nesse capítulo, mas ficou inviável. Deixarei para um momento mais oportuno.

Tem um recadinho importante no fim.

Está sem correção.

Boa leitura! X.

Capítulo 12 - Ciúmes


Arizona Robbins...

- Então quando é que vai ter tempo? - Perguntou April pela milésima vez. - Precisamos planejar isso direito. Não é sempre que todos aceitam viajar.

- Eu vou, okay? Resolverei todas as questões na Steakhouse. - Respondi. - Ainda temos tempo de sobra.

- O problema é dinheiro. - Ela suspirou, ao jogar-se no sofá derrubou o cobertor.

- Cuidado! - Falei, me curvando e pegando-o do chão. - Precisava bagunçar o que acabei de arrumar?

O estendi de novo no estofado para esconder as manchas, e organizei as almofadas.

- Afinal de contas, o que essa mulher tem de demais? - Perguntou, colocando os braços debaixo da cabeça. - Vai precisar da autorização dela quando for viajar?

- Claro que não! Eu não ir com vocês não tem somente a ver com a Callie. - Protestei, ela olhou-me arqueando a sobrancelha. - Implicância chata!

- A verdade te assusta? - Questionou, debochada. - Você falou que não tem somente a ver com ela, isso quer dizer que essa mulher também é um empecilho.

- Se você gostasse de uma pessoa que sou apaixonada, era capaz da Terra começar a girar em sentido contrário ou coisa parecida.

- Eu gostava do Andrew. - Relembrou. - Você quer levá-la?

- Queria. - Confessei, ela ficou calada. - Dependendo de quando formos tem o aniversário dela, queria estar junto.

- Era para ser uma viagem de amigos. - Retrucou, dessa vez sabia que estava certa em protestar. - Para de ficar arrumando essa casa, por Deus. Está fazendo isso por ela também?

- Não é nada disso. - Falei irritada. - Só quero que a sala esteja apresentável. Você está é com ciúmes, só isso.

A campainha tocou, Kepner levantou do sofá enquanto eu fui para a cozinha com uns copos sujos.

- É bem isso mesmo, estou sentindo ciúmes da minha amiga com uma mulher extremamente arrogante. - Disse alto, ela foi abrir a porta para mim. - É o Alex.

Quando retornei a sala, dei de cara com o Karev sentado no sofá com o pé em cima da mesinha de centro e o controle na mão. A ruiva estava ao seu lado tagarelando sobre algo sem importância, ele sequer me cumprimentou. Fui até ao meu amigo e dei um tapa na perna.

- Acabei de limpar a mesinha. - Disse, mas não ganhei sua atenção. - Tira os pés daí.

- Não são meus pés e sim o par de tênis. - Retrucou, sem desviar os olhos da televisão. - Cadê a Callie? Ainda está dormindo?

- Acordou muito engraçado. - Empurrei as pernas do homem. - Está se arrumando.

- O que foi? Desde quando se importa com meus pés na mesinha? - Questionou, pela primeira vez olhou para mim. - Que ideia.

- Desde que a rainha do não-me-toque está hospedada aqui. - Kepner provocou. - Não tenho paciência para essa frescura toda.

- Os dois estão na minha casa, então são minhas regras e ponto final. - Retruquei, sentando-me entre eles. – Cheguem um pouco para os lados, o sofá é imenso para ficarem grudados e está um pouco quente.

- Vamos sair que horas?

- Daqui a pouco. - Informou Karev, ele parou de mudar de mudar de canal e deixou o controle sobre o colo. - Amélia está terminando de se arrumar e os demais encontrarão com a gente lá.

- É, a Stephanie já tinha me avisado. - Falei, puxei uma almofada para o meu colo. - Se chegarem mais cedo já irão organizando tudo, aliás o Andrew está responsável pela churrasqueira com o Nicolas.

- O namorado da Stephanie vai? - Questionou Karev. - Achei que ela iria sozinha.

Ele tirou um palito do bolso da calça, estava meio torto, endireitou-o e colocou na boca.

- Eu gosto do Nicolas! - A ruiva confessou. - O DeLuca também deve ter o incentivado ir já que são bem amigos.

- Imagino que sim. - Murmurei.

- Bom dia.

Escutei a voz de Callie logo atrás de mim, quando pendi minha cabeça, ela deu-me um selinho.

- Bom dia. - Os outros dois responderam em uníssono, sendo educados.

- Dormiu bem? - Perguntei, seus olhos brilhavam travessos.

- Na verdade, eu tive um sonho maravilhoso. - Confessou, eu assenti abrindo um sorriso.

- Sério? - Kepner indagou. - Eu amo sonhos! Sobre o que foi?

Balancei a cabeça quase imperceptivelmente, era muito curiosa.

- Não consigo me lembrar agora. - Callie falou com as mãos em meus ombros. - Odeio quando isso acontece.

- Minha avó dizia que quando acordamos não podemos passar a mão no cabelo, pois se fizermos, esquecemos. - Contou o Karev. - E também que não se pode contar um sonho sem ter comido, assim ele não irá se realizar.

- Não acredito nessas superstições. - A ruiva opinou e logo levantou-se do meu lado. - Vou ver se a Amélia já está pronta para irmos, já volto.

- Gente, eu não vou direto para a cachoeira. – Informei, os dois me olharam no mesmo instante. – Quero levar a Callie a um lugar, mas encontrarei com vocês antes do almoço, prometo.

- Está brincando?

- Não, April. – Retruquei.

Ela revirou os olhos dando-me as costas e saiu pisando firme, Alex foi mais compreensivo e se despediu educadamente, depois retirou-se para acompanhá-la até a Amélia.

- O café está bom? – Perguntei, ajoelhei-me sobre o sofá e virei-me para a morena, estava de pé a minha frente. – Coloquei adoçante porque me lembrei de seus pedidos na Stadium, tive medo de ficar meio amargo.

- Estava ótimo, Zona. Obrigada! - Disse, passava a mão em meu rosto. – O que faremos agora? Fiquei encucada.

- Pensei que nós podíamos ir cavalgar. – Confessei, inclinei mais para a sua direção. - Acha que você gostaria?

- Depende do tipo de cavalgada.

Franzi meu cenho a primeiro momento, ela riu. Sem entender prossegui:

- Você vai ficar bem. – Acrescentei.

- Se for a que mais quero, sem dúvidas. – Retrucou, percebendo minha demora a captar, resolveu cochichar em meu ouvido. – Entendeu, baby?

- Agora sim. – Disse, meu rosto deveria estar vermelho. – Contudo, estou falando de outra cavalgada, deixa essa que citou para mais tarde.

- Não me atiça, Arizona. – Pediu, foi minha vez de rir. – Eu tenho medo de cavalos, então não sei se conseguirei, acho melhor nem tentarmos.

- Estarei contigo o tempo inteiro, meu bem.

- É fácil para você falar.

Ao chegar aos estábulos, fiquei satisfeita ao perceber que as baias já estavam limpas, a comida e a água já tinham sido distribuídas e os cavalos eram escovados, seus cascos lixados e encerados e alguns tomavam banho, tudo dentro da rotina diária no haras. Percebi olhares discretos de funcionários para a Callie, ela usava aquele short, além de botas de couro cano alto emprestadas por mim e uma camisa rosa justa, sem mangas, já um casaco amarrado na cintura.

- Bom dia, senhorita Arizona!

- Bom dia, Guiusepe! Como estão as coisas hoje?

- Tudo em paz. – Sorriu, colocou a mão no rosto fazendo dela uma aba para livrar-se do sol. – Veio montar? Posso preparar um dos cavalos para a senhorita.

- Eu agradeceria. – Falei, o senhor assentiu prontamente. – Pode ser o Tufão, já estou acostumada a ficar com ele e acaba sendo melhor para mim, já o conheço.

Passando perto da cesta de frutas dos cavalos, peguei uma maçã e em seguida me dirigi ao curral onde a Conquista exercitava-se e assobiei, chamando-a para perto da cerca. A égua relinchou e se aproximou majestosa, balançando a crina negra. Estendi a mão com a maçã e o animal comeu-a toda com uma única mordida.

- Zona? - Chamou-me a morena.

- Sim. – Alisava a cara da Conquista. – Chegue mais perto, Calliope! Ela é muito dócil, não irá lhe fazer mal, pelo contrário.

- Estou bem aqui. – Disse, deu um sorriso amarelado. – De quem é essa fazenda?

- É de um ex-patrão do meu pai. Ele agora está morando na cidade e deixou disponível para que eu viesse aqui sempre que quisesse, pois cresci entre esses animais. – Revelei, deixei a égua para ir até a mulher. – Meu pai e ele se tornaram amigos, por diversas vezes já fomos ajudados por essa família.

- Entendi. – Murmurou. – É um lugar lindo para se viver.

- Sim, eu amo visitar aqui quando venho a Bibury. – Comentei, prendi meu cabelo com um elástico. – Próximo a fazenda tem um lago bem escondido, podemos ir lá.

Eu montei no Tufão, para ela sugeri uma égua chamado Luna, que era a mais mansa do local, só que antes disso foi um sacrifício convencê-la a se aproximar do animal e para subir nele muito me pareceu uma missão. Primeiro galopamos por campos abertos para que perdesse o medo e depois começamos a explorar essa da minha vida que não conhecia, mostrei alguns lugares especiais para mim. No fim, iniciamos a trilha que nos levava ao lago que citei e me correu o quanto eu amava o lugar como desejava viver em uma fazenda como aquela.

- Desce com cuidado. - Recomendei, distraía a Luna para que a latina não caísse. - Cavalos são ótimos animais, está vendo?

- Você monta o tempo todo. - Resmungou, seus pés finalmente encostaram no chão. - Não tenho esse seu costume.

- Eu não montava a mais de dois meses. - Revelei, lhe dei língua. – Que sonho era aquele que citou mais cedo?

- Quer mesmo que eu relembre nossa noite? – Perguntou, sua sobrancelha arqueou para mim com tamanha perfeição. – Se quiser eu te mostro.

- Adoraria. – Respondi, acabei não aguentando e selei nosso lábios, foi rápido o bastante para não ser presa por ela. - Podemos tomar banho! Ele é bem raso e não apresenta riscos.

- É, bem. - Murmurou, coçou a nuca observando bem a água. - Parece ser ótimo.

- Tire a roupa. - Sugeri, comecei a fazer o mesmo com a minha. - Só não deixe perto da Luna para não pisotear.

Os animais estavam amarrados, cada um em uma árvore distinta.

- Veja se água está gelada. - Pediu, vendo-me somente de biquíni. - Está fazendo um sozinho então imagino que nem tanto.

- Está gostosa. - Informei, já estava com os pés dentro. - Vem, Calliope.

Ela adentrou para juntar-se a mim, fui em sua direção após dar um mergulho enquanto ainda estava na borda.

- Está gostosa. - Falou.

- A água ou eu? - Perguntei, abri um sorriso estando diante dela. – Queria ficar em um lugar assim com você, na cachoeira terá outras pessoas.

- As duas, Zona. - Opinou, envolvi meus braços em seu pescoço. - Mas você muito mais.

- É mesmo?

- Sim. - Limitou-se.

- Então me faça ter certeza disso.

Sem ao menos dizer o que iria fazer, Torres agarrou-me contra seu corpo e grudou sua boca na minha, segurando-me firme na cintura e nuca. A maneira como me pegava me fazia achar que eu iria desfalecer. Ela apreciava o contato de nossos lábios dando leves mordidas, sem me machucar. Eu não aguentava mais de desejo e entreabri os meus, convidando a morena a aprofundar o beijo, ao que ela não hesitou e tomou posse do controle que já era seu. Passou a língua vagarosamente entre os meus lábios e entrou com vontade, explorando o interior de minha boca.

Eu soltei um gemido de puro deleite, sentindo cada parte do meu corpo vibrar em resposta ao beijo e em um instinto, a envolvi com minhas pernas. A troca se transformava num consumo necessitado, apaixonado. Percebia, com a pouca coerência que ainda me restava, que a mulher havia se entregado. Ela estava sendo minha ali, somente minha, e eu dela como se nada mais importasse. Grunhidos surgiam, não sabia mais de quem vinha a maior parte dos gemidos. Callie alcançou os meus glúteos para me sustentar e apertar, mas em nenhum momento protestei.

Fomos diminuindo a voracidade do ato, passamos a dar selinhos até que sua boca desceu por minha pele, beijando meu pescoço. Os cabelos presos ajudavam na exploração e eu agarrava-me mais ao seu corpo, mantendo meus olhos fechados diante das carícias. Pressionava-me contra ela por querer mais, pedindo mais e sabendo da existência de minha excitação, sentindo-a aumentar. Encostei minha cabeça em seu ombro quando seu braço escorregou por minha coxa e entrou entre os nossos corpos, ela pressionou sua mão contra o meu centro, apertando-o. 

- Se eu fizer alguma coisa, Arizona.. se eu começar a foder com você aqui.. - Disse, sem reservas fechou a palma de novo. - Isso não vai dar certo.

Soltei um gemido agudo ao pé de seu ouvido, ele foi abafado por sua pele quente.

- Calliope... - Sussurrei, levantei meu rosto e grudei nossas testas. - Eu não...

Parei quando senti seus dedos afastarem o tecido da parte debaixo do meu biquíni para o lado, mordi meu lábio inferior aguardando o próximo passo.

- Eu estou tão tentada a fazer isso. - Confessou, eu suspirava contra sua face. - Estou sendo egoísta! Eu só quero você para mim, Zona.

- Meu pai me mataria se soubesse que eu estou fazendo isso. - Divaguei, sentia seus dedos em contato direto com sexo, mas paralisados. - Eu já sou sua.

- É mesmo? – Indagou.

- Só sua, Calliope.

Ela então recolheu seus dedos e colocou meu biquíni no lugar, procurei encará-la não entendendo sua atitude.

- Você não está segura. - Falou, me agarrei mais contra seu corpo. - Isso não pode ser aqui, assim, dessa forma.

- Olha, eu...

Interrompeu-me.

- Não, Arizona, não me incentive a continuar por estar pensando em mim. - Pediu, era quase como um súplica. - Você ficou toda encolhida quando pensei em te penetrar, ficou travada.

- É porque tem muito tempo, entende?

- Me fale como se sente quanto a isso? - Pediu, seus olhos estavam compenetrados em minha expressão, era intimidador. – Você não sabe, correto?

- Não há nada de errado. – Avaliei, estava um pouco incerta. – Talvez eu que...

Interrompeu-me, ela colocou o dedo indicador em minha boca.

- Não, eu estou fazendo errado. - Declarou, uma de suas mais alisava minhas costas. - Se é algo especial para você, também tem que ser para mim e não quero que ocorra aqui.

- Não estava sendo para você? - Questionei, procurando olhá-la para ver sua expressão. - Nada está sendo especial?

- Está! Todos os nossos beijos significa muito para mim. - Relatou, sua afirmação me tranquilizou. - Está sendo tão especial que não quero que transemos nesse lago, ficaria aqui com qualquer outra mulher... com você não.

•••

Já estávamos juntas aos meus amigos no início da tarde, Callie já havia sido apresentada a todos e formou um contato maior com alguns, outros talvez fossem um pouco mais distantes do que estava acostumada a lidar, talvez mais imaturos. Eu estava sentada do lado de fora da cachoeira observando algumas pessoas se divertirem nela, me ausentei depois de sentir um pouco de frio e preferi secar-me para que não ficasse resfriada, eu tinha certa tendência a isso.

- Limpa essa baba, Arizona. - Falou Amélia jogando um guardanapo em cima de mim. - Ela é linda e corajosa, a água está muito gelada para cair dentro dessa forma.

Sentou-se ao meu lado. Observávamos alguns de nossos amigos na cachoeira, Callie estava entre eles, junto a Alex.

- Desculpe, estava um pouco distraída. - Disse, limpei a garganta. - E ela é maravilhosa, você não faz ideia.

- Vocês transaram? - Perguntou, deu uma compreensiva inclinação de cabeça.

- Não aconteceu nada. - Respondi, seus olhos estreitaram-se para mim. - Trocamos alguns beijos, mas não chegamos ao ponto porque não me sinto preparada apesar de querer muito e ela sentiu isso, não consigo disfarçar.

- Penso que nessas circunstâncias você nunca estará, sempre vai ter um pezinho atrás. - Opinou, recuou e cruzou as pernas. - Não teve mãos? Só se beijaram?

- Teve mas não prosseguimos. - Expliquei, trouxe todo meu cabelo para o meu ombro direito. - Fico imaginando se eu travar na hora ou se no fim, ela não gostar do que eu fizer, porque nunca fiz isso com uma mulher.

- A Callie já é experiente, Ari! Tenho certeza que nesse momento irá te orientar e que não está nutrindo expectativas. - Declarou, ela chegou mais para o meu lado. - Não tem que ficar pensando se a fará chegar lá, entende?

- O fato de eu querer tanto ser boa o suficiente para ela não me deixa esquecer esse detalhe. - Confessei, recolhi minhas pernas para abraçar meus joelhos. - Torres já teve outras mulheres e...

Interrompeu-me, fazendo sinal de silêncio.

- Você está se sabotando. - Afirmou. - As outras já sabiam alguma coisa, né? É diferente e tem que conversar isso com Callie.

- Vou chegar e falar o que? - Questionei, dei um sorriso sem muita vontade. - "Olha, eu não consigo transar contigo porque não sei se conseguirei fazer o que quer".

- Tem que falar como está se sentindo, isso falou foi uma justificativa. - Argumentou, desviei meu olhar para a água. - Quando transou com o Andrew você sabia alguma coisa?

- Sabia. - Limitei-me. - Tenho conhecimento também de como ocorre com uma mulher, imagino.

- É a mesma coisa com Callie, certo? - Indagou, confirmei escutando algumas risadas atrás de mim. - Digamos ser uma primeira vez, na verdade é.

- Eu sei.

- Seja sincera com Callie e procure por um pouco de segurança em si mesma. - Empurrou-me levemente pelo ombro para o lado. - Depois confie nela e se jogue. Não tenha receios quanto a isso, é ótimo!

- Ela e o Alex estão se dando bem. – Falei, mudando de assunto. – Acredita que com Kepner não há a menor aproximação? As duas não se gostam.

- Por que? – Questionou, seu cenho franziu.

- Kepner a achou arrogante desde o primeiro momento e Callie não faz questão nenhuma de mudar essa visão; aliás disse não se importar. – Comentei, minha voz era baixa para que ninguém escutasse. – Ela falou que Kepner é minha amiga e que não é pelo fato de estarmos tendo algo, que é obrigada a ter uma amizade também.

- Nossa, os santos realmente não se bateram. – Murmurou, assenti mexendo em um pedra com o pé. – Imagino que possam até não de gostar, mas se forem educadas haverá civilidade, se tratarão bem.

- É o que espero.

- O que tanto cochicham? – Indagou Andrew, sentava-se ao meu lado em cima do seu chinelo. - Está ficando frio aqui, poderíamos fazer uma fogueira e ficarmos trocando umas ideias em roda.

- Um jogo da verdade? – Sugeriu Amélia.

- Isso! – Exclamou apontando para ela. – Posso pegar meu violão também para depois tocarmos.

- Sim! Tem muito tempo que não fazemos isso.

- Vocês foram embora e abandonaram os amigos. – Retrucou, fingia estar sentido com a gente. - O que acha, Ari?

- Por mim tudo bem. – Respondi, sorri quando seu braço passou por minhas costas. – Sobrou queijos do churrasco, podemos assar enquanto jogamos.

- Você está quente e pode me aquecer, por enquanto. – Informou, estava sentindo frio e por acabou juntando mais nossos corpos. - Tem mais lá em casa. Quem vai pegar comigo? Uma tem que organizar as coisas aqui.

- Posso ir. - Ofereci-me, era melhor do que acender o fogo. - Você toma conta daqui.

Referi-me a minha amiga.

- Então vamos logo! Vai falando com a galera, Amélia. – Disse, ao levantar-se estendeu a mão para me ajudar. – Verei se tem mais coisas para assarmos além dos queijos, se tive eu trago.

- Amy, se a Callie perguntar por mim, diga que eu já volto. – Pedi, ela assentiu entregando meu casaco. – Não demorarei.

Enrolei meu braço no de DeLuca enquanto começávamos a nos afastar do grupo, iniciamos um papo familiar.

- Como anda a vida na cidade?

- Está bem. - Informei, sem muita demora. - Você deveria nos visitar mais vezes.

- Tenho que cuidar do estábulo, é difícil. - Avaliou, ele abriu um sorriso para mim. - Mas pode deixar que quando eu for te avisarei com antecedência.

- Sabe que pode ficar na minha casa, né? Nenhum de nossos amigos irá se incomodar.

- É igual a coração de mãe, sempre cabe mais um. - Brincou, assenti desviando de uma pedra grande. - Jo e Edwards também querem ir morar em Oxford, no fim só vai sobrar eu.

- Elas apenas estão planejando como já fizeram mil vezes. - Relembrei, sorrindo. - As chances na cidade são bem maiores.

- Estou pensando em ir para fazer medicina veterinária, mas primeiro tenho que arrumar alguém para tomar conta daqui.

- Isso é verdade. - Murmurei. - Um bom cowboy e fazendeiro não larga sua fazenda às traças.

- Ele simplesmente não larga sua fazenda. - Redefiniu, o olhei meio controversa. - Contudo é necessário para que eu possa cuidar dos meus bichos depois, ando gastando muito dinheiro com o médico.

- Seu pai ainda é jovem, ele vai dar conta e qualquer coisa chamará o meu para ajudar. - Falei, nos movimentávamos com lentidão. - Fora que vocês têm um peão para colaborar.

- Pois é. - Disse, dava-me razão. - E aquela sua amiga...

Pausou, nos entreolhamos.

- A Callie? O que tem ela?

- Meio séria, né? Tem pose de grã-fina, é bonita demais, barbaridade. - Retrucou, sorri achando engraçada a maneira como falou. - Você sabe, difícil ver essa gente por aqui, geralmente não gostam de saber do interior.

- Com ela é diferente. - Ponderei, olhei para frente continuando a caminhada. - Eu a convidei e aceitou, não pensou duas vezes.

- Veio por sua causa, então.

- Sim, mas também tinha o desejo de conhecer aqui. - Contei, ele maneou a cabeça. - É uma boa pessoa e muito simples igual a nós, imagino que tenha dado para perceber.

- Deu, apesar de ser toda na dela. – Falou, passava a mão na barba. – Estou pensando em dar uma chegada nela. Será que tenho chances?

- Callie é comprometida. – Retruquei em uma velocidade surpreendente. – Tire o seu cavalinho da chuva porque dali não terá nada.

As sombras ficaram maiores quando o sol começou a abaixar, estávamos prontos para voltar. Carregávamos algumas sacolas e caixas, tínhamos comprado pizzas e cervejas de uma daquelas lanchonetes que dependiam dos moradores ao redor para sobreviver. A essa altura estávamos a quase uma hora longe do grupo e já estava preocupada por Callie ter ficado sozinha, talvez estivesse se sentindo deslocada por não ter intimidade com nenhum deles.

Me aproximando da rua, da área em que todos se encontravam e escutei alguns falatório. Podia ver uma lamparina já acesa e ardendo entre as árvores, quando Jo nos viu veio pegar algumas bolsas que segurávamos. Procurei por Torres entre meus amigos, mas na percebi um pouco mais distante conversando com Alex e Edwards, entreguei as coisas a Amélia, ela colocou algumas sobre uma mesinha. Em seguida, puxou-me para um cantinho.

- O que foi? – Questionei.

- Callie está muito puta. – Respondeu, disfarçava mexendo em uma sacola. – Ficou com ciúmes de você ter ido com Andrew e piorou com sua demora, pedi para o Karev ir distraí-la.

- Ela falou alguma coisa? – Indaguei, virei-me para olhá-la com descrição. – O que nos atrasou foi esperar pelas pizzas.

- Não, mas dava para ver pelo rosto dela e também perguntou por você algumas vezes. - Contou-me, tirava as cervejas de dentro. – Viu o celular para saber a hora e depois sentou ali, aqueitando-se.

- Vou conversar com ela. – Falei, sentia meu coração acelerar aos poucos. - Não quero que venhamos a nos desentender.

- Ei, calma! Se explique, tenho certeza que irá te escutar e ficarão bem.

Andrew veio até à nós, debruçou-se sobre a mesa e disse:

- Vamos jogar o jogo da verdade logo?

- Por mim está ótimo. - Concordou Amélia, ela levantou a cabeça e bebeu um pouco de sua cerveja. - Chamem a galera.

- Que acendeu a fogueira? - Indaguei, já estava tudo organizado.

- O Alex. - Informou minha amiga. - Vão logo enquanto tiro as coisas das bolsas.

Caminhei mais um pouco até a pedra em que um trio estava conversando, quando aproximei-me me olharam.

- Vamos para a roda. - Chamei-os, parando de frente aos três. - Faremos um jogo da verdade.

- Okay, achei que esse jogo não sairia hoje. - Murmurou Stephanie, ela fez um esforço para levantar-se do chão. - Quase que travei minha coluna agora.

- É a terceira idade. - Implicou Alex. - Vai participar, Callie? Será divertido.

- Olhe, sei que eu disse que idade não é nada além de um número, mas...

Ele deu de ombros, sorrindo.

- Tudo bem. - Acatou a morena. - Só espero que vocês tenham cerveja o suficiente para enterrar toda a vergonha que virá depois.

- Não se preocupe com isso. - Me intrometi insegura se fiz o certo. - Comprei mais com o Andrew e também havia sobrado.

- Eu vou indo para a roda. - O homem disse sabendo que tínhamos que conversar.

- Demoramos um pouco porque estávamos esperando as pizzas. - Declarei, sentei-me ao seu lado. - Passamos na mercearia para comprar as bebidas e na casa dele para pegar o violão.

Nossos olhares se cruzaram por um segundo, e depressa ela desviou.

- Não precisa se justificar, Arizona.

- Calliope... - Sussurrei. - Não fique chateada comigo, por favor.

- Não estava preocupada quando saiu sem sequer falar comigo sobre onde iria, apenas deixou recado com terceiros. - Retrucou, ela levantou-se para se afastar de mim. - Vejo que foi um erro vir para cá.

O jogo entre nós começou bem inocente, quando escolhíamos um desafio era para votarmos um garrafa inteira de cerveja como o Alex fez, cacarejar como uma galinha ou mostrar a bunda como o DeLuca. Nada muito ousada e que nos deixava confortáveis para brincar. Nos momentos da verdade, contávamos algumas travessuras, fingiam orgasmos em determinadas situações ou relatavam casos de traições, entre traídos e traidores. Tudo manteve-se nessa maneira passiva até que todos se mostraram alcoolizados, eu estando sóbria comecei a temer o teor das perguntas que começavam a serem feitas.

- Alex.. - Falou Nick. - Se você tivesse que transar com qualquer uma das meninas que estão aqui, tirando a sua namorada, quem escolheria?

Meus olhos se arregalaram, achei a pergunta um tanto invasiva, mas estava curiosa para saber a resposta.

- É difícil, cara. - Ele murmurou, ao coçar a nuca passou os olhos por nós. - Todas.

Nick ri, e Amélia aperta a coxa do homem para tranquilizá-lo, não ficaria brava.

- Ei, dá um tempo. - Stephanie disse, estava sem paciência para a embromação. - Tem que ser uma só ou terá que fazer o desafio, "todas" não responde a pergunta.

- Escolheria a Wilson. - Revelou depressa. - Eu acho ela uma pentelha, mas gosto do jeito que tem e é atraente para mim.

Observei a reação da Sherperd, não consegui evitar. Estava literalmente sorrindo.

- Já posso fazer a sugestão de um ménage? - Questionou a mulher. - Meu namorado tem bom gosto, ela é um tesão.

Jo enrubesceu ao ouvir isso, nunca a tinha visto tão constrangida.

- Não sou uma pentelha. - Disse, só conseguia se defender. - Posso girar a garrafa?

- Não respondeu ao convite da Amélia. - Observou April, queria apenas provocar. - Esse silêncio me faz pensar que está aceitando.

- Não posso só deixar de dizer que transaria com as duas, de preferência ao mesmo tempo.

- Não seja idiota, Karev! - Exclamou, esticando-se para frente no intuito de mover o objeto. - Vamos ver quem vai perguntar...

- Eu! - James proclamou, empolgando-se. - É para o Andrew.. você ainda sente algo e reataria com a Arizona?

Olhei para Callie que revirou os olhos, ela remexeu-se onde estava sentada.

- Aí pegou no meu ponto fraco... - Brincou, em seguida deu uma curta risada. - Reataria com ela quando quisesse, até tentei roubar uns beijos hoje, mas a mulher é difícil.

Mesmo não bebendo nada quase me engasguei, um súbito nervoso me atingiu e encarei a morena que tinha um sorriso desacreditado no rosto.

Ferrou de vez.

- DeLuca, é um jogo da verdade, então para de inventar mentiras. - Declarei, meu sangue parecia ter parado de percorrer minhas veias. – Irei parar de participar se for dessa forma, entendeu?

- Ah, Ari, dá uma chance. - Pediu Nicolas para o amigo. - O cara está aí, cheio de amor para dar e você também não tem ninguém, certo? Tentar mais uma vez não arranca pedaço.

- Me mudo até para a cidade. - Completou o outro. - Você bem que poderia ser um pouco mais simpática em relação a isso, pensa um pouco.

- Parem com isso! – Karev interviu por mim. – Se prosseguirem terão que cumprir um desafio e os dois sabem que não pego leve, então chega de graça.

- São duas crianças. – Falei.

Estava querendo olhar para a latina, mas não tinha tanta coragem e sabia que a sua chateação só havia piorado depois disso.

- Cresceram para serem babacas. – Cantarolou Amélia pegando a garrafa. - Tem horas que brincadeiras como essa não rolam.

- Relaxa aí, não fizemos por mal! - Exclamou Nicolas, se formou uma expressão séria em seu rosto. - Vai, Robbins, é a sua vez.

- Não, cansei, pode passar para outra pessoa. - Abdiquei, coloquei minhas mãos dentro do bolso do casaco. - Passa para a April, ela irá girar no meu lugar e fazer a pergunta.

DeLuca, que estava ao meu lado, chegou mais perto de mim e sussurrou no meu ouvido:

- Desculpe pelo inconveniente. - Pediu, sabendo que eu detestei aquilo. - Não queria que se irritasse, era só uma brincadeira.

- De boa.

Forcei um sorriso e a ruiva tomou o objeto, como um meu sinal para continuar.

- Ei, mas vamos continuar sem contar mentiras. – Stephanie protestou mais uma vez. - Não é assim que se joga este jogo.

- Só não quero desafios envolvendo beijos. Selinhos até passam!

Jo bateu na mesa com as mãos e se debruçou para poder olhar nos olhos de Andrew.

- Por que não pode ter beijos? Você quase me fez beijar o Nicolas, o namorado dela. – Apontou para a Edwards. – Acho que agora deveria te que beijar a sua ex. Seria muito legal, né?

- Me tirem dessa. – Resmunguei.

Olhei para a Callie, o mínimo ela iria querer era ir embora para Oxford caso eu fizesse isso.

- Podemos ir em frente? – Questionou April.

- Seria um desafio bobo. – Disse ele, estava com seu sorriso satisfeito, sua marca registrada. – Não sou tão horroroso, sou? Responda, Ari.

Nick soltou um grito e começou a bater palmas com animação, revirei meus olhos para os dois.

- Segura sua onda, foi só um desafio que me recuso a cumprir. – Retruquei, ele já não estava mais sorrindo. - Parece que tirou o dia para me encher o saco, hein.

- Ora, ora, vamos logo com isso. – Alex incentivou, todos calaram-se para prosseguirmos com a brincadeira. - Parem de interromper o jogo com bobeira.

- Com licença.

Callie levantou-se da roda e foi até onde estava nossos pertences, ela queria pegar o celular. Logo que retornou, se sentou afastada estava rejeitando a ideia de tomar parte na conversa e praticamente desviava o olhar de todos que miravam em sua direção. Eu tinha consciência que estava com raiva, mas toda vez que ousava perguntar se alguma coisa estava a incomodando, ela ficava no seu melhor modo passivo-agressivo de negar, porém sequer me encarava. Tentei melhorar as coisas sorrindo por vezes em sua direção, contudo fingia não ver.

- Vamos embora. - Informei, já tinha recolhido nossas coisas. - É o melhor que faremos para o seu bom humor retornar.

- Pode continuar, Arizona! Estou bem aqui. - Retrucou, seus olhos não saiam da tela do aparelho. - Posso esperar por vocês.

- O problema é que agora quem está cansada sou eu. - Rebati, talvez fui um pouco ríspida. - Quero ir para casa e já me despedi deles, faça o mesmo se quiser.

Com a minha resposta, Torres parecia realmente olhar pra mim como antes, com certo afeto que por horas se tornou inexistente.

- O que há de errado?

- O modo como está agindo! - Acusei, não fiz nenhum esforço para esconder meus sentimentos. - Você não é assim e isso não é tão difícil de saber, aliás já sei te interpretar.

- Então já sabe o que me deixou assim. - Limitou sua fala bloqueando a tela do celular. - Se quer ir, vamos! Só não coloque a culpa de não ter ficado mais tempo com seus amigos em mim.

- Está sendo completamente antissocial por nada e isso que está me deixando incomodada. - Avaliei, enquanto ajeitava a manga de seu casaco. - Queria ver seu entusiasmo em estar aqui, mas parece não conseguir reuni-lo e não suportar a ideia de interagir com a galera.

Me esgotei de sua atitude comigo e com meus amigos, no fim resolvi desistir.

- Não é nada com eles, Arizona.

- Não parece! Se está brava por eu ter saído fique somente comigo. - Recomendei, ela suspirou voltando seus olhos às suas sandálias. - Desculpe se te deixei aqui, mas pensei que ficaria bem com o Alex e alguém precisava ajudar o Andrew.

Na minha concepção, ela estava sendo exagerada na maneira de agir com os demais.

- Pegue suas coisas. - Pedi, afastei-me da morena deixando-a em silêncio. - Droga!

No caminho de volta para casa fomos caladas, ela estava no seu mundo e eu não tentava adentrar, já tínhamos nos estranhado bastante por aquele dia. Estava desapontada pela forma como tudo se sucedeu, a sua distância e recusa em se aproximar me deixou triste, esperava um pouco mais de sua parte nesse ponto. Eu não queria mais falar sobre isso. Gostaria de continuar a pensar que estávamos bem e que não deveria me preocupar com os ocorridos, que qualquer chateação logo passaria. Não valeria a pena estragar tudo por tão pouco, desejava que pensasse do mesmo modo.

Quando chegamos, deixei que fosse tomar banho enquanto eu preparava um lanche para nós. Meu pai adentrou na cozinha para conversar um pouco comigo, queria falar sobre coisas domiciliares para que resolvêssemos logo e entregar-me algumas faturas de contas para que eu pagasse em Oxford. Fui até o meu quarto guardar o que me deu em minha bolsa, não poderia esquecer de fazer isso e escutei a água do chuveiro cair, a mulher ainda estava no banho. Quando saiu, entreguei seu lanche e foi minha vez de entrar no banheiro para fazer minha higiene.

Não demorei muito a fazer isso, depois arrumei-me colocando logo minha camisola e andei até o quarto, ela não estava nele. Arrumei nossa cama enquanto não entrava, mas estava demorando e resolvi ir atrás, encontrei-a sentada no quintal jogando conversa fora com o Dave. De longe observava os dois rindo, um sorriso nasceu em meu rosto por vê-los se dando bem, pareciam ter conseguido achar afinidade um no outro com muita facilidade. Encostei-me na guarnição da porta que dá acesso a área externa até notarem minha presença, logo que meu irmão me viu, fez com que a latina também se virasse na minha direção.

- Esse é o momento em que uma de vocês pede para eu ir dormir. - Resmungou, levantando-se da rede em que estavam. - Já vou entrando para as dondocas ficarem a sós.

Ele chegou até a mim e deu-me um beijo na bochecha, retribuí desejando boa noite.

- O que foi, hm? – Indaguei, parando ao seu lado. - Não está gostando de ficar aqui?

- Eu não disse isso.

- Minhas desculpas não foram boas o bastante? – Perguntei, encostei-me na árvore. – Pode me dizer, por favor? Quer saber o que eu acho?

Ela ficou quieta, muda.

- Você ainda está chateada por causa que saí com o Andrew. – Entreguei, virei-me para vê-la. - Também não quer falar sobre isso, certo? Está sendo infantil em não querer me dizer.

- Eu preciso te dizer alguma coisa? Já não está explícito? – Perguntou, seus braços se cruzaram sobre os seios.

- Achei que estivesse tudo bem, Callie.

- Você com o seu ex-namorado praticamente esqueceu que estou aqui. - Acusou-me, estava novamente exagerando quanto a isso. – Não gostei do modo como agiu comigo lá, é isso.

- Eu? Não fiz nada de errado. - Defendi-me. – Quem começou isso foi você, agora está com raiva e não quer me dizer o porquê, acha que tenho que adivinhar.

Seus olhos se fecharam, suspirou.

- Droga, Calliope, fale comigo. – Pedi, já estava ficando zangada. – Isso era para ser divertido, estava sendo divertido, mas preferiu ficar com a cara amarrada para metade dos meus amigos.

- Não dá mais para mim. – Retrucou, ela saiu de onde estava e foi se afastando.

- Volta aqui, Calliope! - Chamei-a, porém pouco se importou. – Estou falando contigo.

Fui atrás dela, acelerei meus passos para alcançá-la e entrei na sua frente, não deixando-a prosseguir para dentro.

- O que quer dizer?

- Merda, Arizona! – Exclamou, mas parou em minha frente. - Você chegou e ficou completamente animada em encontrar o Andrew, grudou nele algumas vezes e saíram juntos por quase uma hora, fiquei sozinha aqui.

- Fui buscar as coisas. - Hesitei, ficando na defensiva. – Eu e o DeLuca não temos mais nada, você sabe disso.

- O problema são as atitudes que me fazem duvidar ser só amizade, entende? – Indagou, deu um suspiro desgostoso. – Porra, acha que é fácil eu ver os dois colados sabendo que ele foi o seu primeiro homem? O único, né?

- Sinto muito por tudo. – Murmurei, dei um passo em sua direção. – Preciso que entenda que ele sempre foi meu amigo, e agora é apenas o que somos.

- Eu entenderia se não te visse pendurada no pescoço dele entre cochichos. – Retrucou, estava visivelmente incomodada. - Compreenderia se fosse eu no seu lugar? Sem dúvidas estaria me acusando de mil coisas sem saber.

- É o que está fazendo agora! – Devolvi, ela olhou-me com as sobrancelhas juntas. – Está insinuando que ainda sinto algo pelo DeLuca.

- Você já pensou que eu posso estar agindo dessa maneira porque me deu motivos?

- Está vendo coisa onde não tem, Calliope! – Afirmei, isso a fez parar por um instante. - Não posso sentir algo por uma outra pessoa estando apaixonada por você.

- Eu não quero brigar. – Limitou-se, estava se desarmando.

- Abaixa essa guarda e vem aqui, meu bem. – Pedi, estendi minha mão para que pegasse. - Eu quero você, vamos ficar juntas, por favor.

- Só estou incomodada com tanta aproximação entre os dois, é tudo que quero dizer. – Falou, porém manteve a distância. – Sei que também se sente assim quanto a Maggie, então poderia se pôr no meu lugar um pouco.

- Você está certa. – Disse, colando meu corpo ao dela. - Me desculpe por isso. – Dei-lhe um selinho. – Será que pode tentar ser mais simpática? Está muito séria, meu bem.

- Não é nada demais.

- Sim.. – Murmurei, dei um cheiro no seu pescoço. – Odeio discutir contigo.

- Só quero que estejamos juntas o máximo que pudermos nessa viagem. – Confessou, pincelei nossos narizes calmamente. – Quando voltarmos a Oxford quase não nos veremos pela semana.

- Eu sei. – Sussurrei. – Também quero o mesmo que você, acredite! Desejo muito isso.

Ela comprimiu a boca.

- Estamos bem? – Questionei, enlaçava seu pescoço com meus braços. – Não gosto de climas tensos, principalmente entre nós.

- Estamos. - Limitou-se.

- Então me pegue... – Pedi, suas mãos foram colocadas em minha cintura. – Me beije, Calliope.

Em um sorriso contido ela aproximou sua boca da minha e selei nossos lábios, adentrei meus dedos por seu cabelo sentindo-a grudar nossos corpos. Era apenas um simples selinho duradouro, estávamos no quintal e não queria correr o risco de sermos pegas novamente, então contive-me. Logo que nos afastamos passei a mão pela sua franja, empurrando-a. A morena voltou a sua expressão séria, mas abraçou-me em seguida, em um ato firme.

- Vamos para o quarto? – Convidei, estava intencionada a querer algo a mais. – Temos mais privacidade lá e poderei ficar com você como quero.

Logo que fechou a porta, não esperei que se aproximasse, fui em sua direção e a prensei contra a madeira maciça. Comecei roubando seus lábios para obter um beijo leve, sem selvageria, levando-o de maneira calma. Ela me parecia mais distante do que costumava ser, sua rigorosidade em tomar-me não estava ali, sentia que não era a mesma de nossos outros momentos como aquele.

Não me importei, coloquei voracidade em nossa troca para que se entregasse e esquecesse qualquer estresse. Procurei a sua coxa esquerda para subir até minha cintura e a mantive ali, entre apertos e arranhões. A maciez de seus lábios molhados provocava a vontade de não querer parar, eram carnudos e a sensação de tê-lo para mim trazia excitação. Sentindo o calor de nossos corpos aumentar, a levei para a cama sem desgrudar nossas bocas, debaixo de mim permitiu que suas pernas se abrissem e que eu me encaixasse.

Suspendi suas mãos na altura de sua cabeça enquanto puxei seu lábio inferior, sorrindo fui largando-o lentamente. Impulsionada pela coragem, comecei a movimentar-me sobre seu corpo na altura dos quadris, descendo e subindo do seu meio. Tentava colocar ali toda a sensualidade que pudesse ter, queria que passasse a me desejar e percebesse um outro lado meu.

Mordi minha boca enquanto seus olhos mantinham-se fixados em meu rosto, não liberava suas mãos do meu controle e podia ver sua necessidade em querer pegar em mim. Deixei que minha coxa entrasse em contato com seu sexo, passei a roçar minha pele contra o tecido de sua calcinha e ela era fina a ponto de eu sentir a sua excitação, além de transparente para que eu pudesse ver sua intimidade. Callie fechou os olhos logo que pressionei o meio, sua cabeça pendeu um pouco para trás e quando a boca entreabriu-se, levei a minha novamente de encontro a dela.

Suas pernas fizeram a volta por minha cintura, deixava-me presa e colada ao seu corpo. Passei a brincar com minha língua dentro de sua boca, queria explorar cada ponto e sabia que estava mexendo com seus sentidos. Nosso beijo a cada momento ganhava mais intensidade e sua entrega ficava visível, deixando-me dominar. Eu estava sendo tomada por pensamentos obscenos, sentindo meu centro latejar e só pensava em fazê-la ficar de vez nua para mim.

- Gosta de sentir o meu peso sobre você. - Murmurei, logo que desgrudamos nossos lábios. - Curtiu alguma coisa hoje? Queria alguma coisa?

- Ver a sua bunda... - Cochichou em meu ouvido. - Se pudesse visualizar como ela é gostosa também não conseguiria parar de olhar.

Quando puxei o tecido de sua calcinha, provoquei uma fricção. Eu estava fazendo de propósito, era evidente no meu sorriso que estampado no rosto.

- Você está brincando comigo? - Perguntou, respirando fundo quando minha língua passou por sua clavícula. - Quero sua boca.

- Onde quer ela? - Indaguei, colocando a palma sobre seu seio. - Aqui? - Apalpei. - Ou seria nesse ponto?

Em pensamento parecia me praguejar quando passei os dedos por entre suas pernas, não conteve um gemido insatisfeito.

- Entre as minhas pernas. - Declarou, era quase como uma súplica. - Se soubesse o quanto quero isso, eu...

- Quer sentir minha língua passando por você? – Murmurei, logo puxei o lóbulo de sua olha. – Faria tão lentamente para prolongar a sensação.

- Arizona...

- Consegue imaginar? – Indaguei. - Está molhada para mim, posso sentir.

- Seria gostoso. – Suspirou, limitando-se a dizer apenas isso.

- Eu iria tirar o máximo de você, hm. Iria querer que suplicasse para eu parar, hm.

- Não peço para parar, pode ter...

Interrompi-a. Arreganhei mais as suas pernas. Então a olhei e sussurrei:

- Foi o que imaginava, mas veremos.. - Puxei seu lábio inferior entre os meus dentes. - Quer que eu te toque? Posso mostrar que sei algumas coisas.

Minha mão subiu pela coxa até o seu meio. Torres estava com tanto tesão mas buscava por seu lado racional.

- Não, Zona. - Murmurou, ela segurou meu pulso impedindo-me de continuar. - Não faça isso, não quero, não dessa forma.

- Como?

- Não me masturbe. - Pediu, mostrei-me surpresa quando completou: - Não faça isso para que fiquemos bem, já estamos.

- Não vou fazer por causa disso, Calliope. – Afirmei, abri um sorriso curto. – Nada nos impede, eu quero e você...

Interrompeu-me.

- Não, eu não quero. – Declarou, tirei a mão e sai de cima de seu corpo. - Arizona?

- Boa noite, Calliope. – Desejei visivelmente chateada.

Ela havia entendido tudo errado.


Notas Finais


Amores, eu e umas stans da Sara, estamos com um projeto para enviar uns presentes para ela. Todos podem participar mandando cartas e nos dando seus nomes, para terem um destaque maior através de um cartão especial que enviaremos terão que colaborar com doações em dinheiro, pode ser até de cinco reais e já ajuda. Não tem como explicar tudo aqui, então aos que querem saber mais, entrem no meu twitter que é @ortcallie e falem comigo.

Gostaram do capítulo? Callie não tem a menor paciência com os amigos da Arizona, isso é fato.

Até que ponto vocês aguentam sem hot? Hahahahahha.

Não quero fazer delas perfeitas, então as visões sempre serão mostradas como se elas realmente estivessem pensado e nem todas as pessoas vão se amar nessa história, pois não é assim na vida. Ninguém é idealizado.

Até a próxima! X.


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