História A Bela e a Fera. - Capítulo 9


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Categorias Diabolik Lovers
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 9 - Um Pouco Mágico.


Fanfic / Fanfiction A Bela e a Fera. - Capítulo 9 - Um Pouco Mágico.

Que admirável fábrica é a do homem! Que nobre a sua razão! Que infinitas as suas faculdades! Que expressivo e maravilhoso na forma e nos movimentos! Que semelhante a um anjo nas acções! E no espírito, que semelhante a Deus! É, indubitavelmente, o mais formoso e o mais perfeito dos animais terrenos.

William Shakespeare.


Os sonhos têm a capacidade de nos levar para muito longe da realidade, e muitas vezes nos levam a lugares que você nunca imaginou ir de verdade, e algumas vezes nossos sonhos podem ser roubados e transformados em pesadelos sem fim, é incrível como lembranças do passado conseguem fazer isso, e parecem nunca nos deixar em paz de verdade, e isso era apenas o começo de tudo isso. Algumas noites para ela era o mesmo que passar acordada, as vezes que ela se virava na cama ou acordava assustada e sempre se resumia na mesma coisa, coisas que ela nunca queria lembrar ou sentir, mas que não importava o que ela fizesse sempre viria para assusta-la, e não podia fazer nada para evitar isso. Seu medo sempre iria ganhar e fazer ela não se relacionar com mais ninguém, e por mais que soubesse que o que aconteceu, não aconteceria nunca mais, ainda tinha medo de confiar em alguém o suficiente para se relacionar de verdade, como pessoas normais geralmente fazem umas com as outras, e bom ,agora ela estava em um castelo com um vampiro, e tinha prometido ajudar ele a sentir alguma coisa, talvez isso a ajudasse sentir algo também, mas não tinha certeza se isso poderia ser possível, e esperava que ele pudesse mudar isso para ela, assim como estava disposta a mudar para ele, e precisava pensar em uma forma de fazer isso acontecer.

Poderia passar o dia na banheira, como estava agora, mas não poderia fazer isso, prometeu ao vampiro que tomaria café da manhã com ele, e logo depois ele a levaria para a estufa, esperava que não tivesse um fantasma lá como dá última vez, já era o suficiente morar com um vampiro.

E mesmo que a água estivesse convidativa e quente, precisaria sair. Se enrolou na toalha e secou seus cabelos, colocou uma roupa que a deixasse bem aquecida, e confortável, e como seus cabelos estavam molhados os deixou soltos sobre seus ombros. O quarto também estava quente, e isso era graças a enorme lareira que se encontrava lá dentro, e pelas janelas pode perceber que havia voltado a nevar, talvez nunca parasse de verdade, todo o local era pura neve e frio, era uma visão apenas de cor branca e opaca, porque não havia luz do sol, apenas nos primeiros dias de neve, que ele se manifestou antes de sumir completamente de sua vista, o que era uma pena a vista para o nascer do sol era realmente maravilhosa, e mesmo que o vampiro achasse isso uma perda de tempo, o ensinaria a apreciar esse pequeno detalhe natural como ela apreciava todas as manhãs antes de ir para a faculdade.

E como previsto os corredores do castelo estavam vazios, um dia precisaria se acostumar com isso, mesmo que achasse quase impossível, um cheiro de torta de maçã se destacou no ar, e tinha certeza que o vampiro estava na cozinha, ele parecia gostar disso, sempre a surpreendia com um um prato diferente, e isso era uma das coisas que mais apreciava nele, e por mais que soubesse que para ele o sabor das coisas não tinha muita diferença, para ela importava, ainda mais quando havia um cozinheiro tão bom disposto a fazer algo para ela todos os dias. E como imaginou o encontrou na cozinha com um livro nas mãos, parecia concentrado no que estava fazendo, ou ao menos era isso que parecia, havia pratos na bancada assim como talheres e copos. Até que não era tão estranho ter alguém para tomar café da manhã sempre fez isso sozinha, e era diferente fazer com outra pessoa, mas precisava se acostumar com isso, afinal se tornaria uma rotina para ela, acordar cedo se encontrar com o vampiro, e passar um tempo com ele para descobrirem uma forma de achar uma resposta para as perguntas dele, e ainda era loucura imaginar que tudo isso estava mesmo acontecendo com ela.

O vampiro havia dito que possuía algumas anotações de suas pesquisas até o dia de hoje, suas observações e conclusões, e até mesmo poções que tinha feito na esperança de funcionarem, mas não, nada disso havia dado o que ela precisava, e usando as anotações, poderia mudar um pouco a visão dela sobre certas coisas em relação aos humanos, ou até mesmo em relação a ela mesma. Não seria nada fácil encontrar algo que o fizesse sentir de verdade, mas uma conexão com algo poderia ajudar, como um objeto, ou uma pessoa alguém do passado dele que já tivesse despertado algum tipo de emoção diferente e talvez isso que ela precisava começar explorar. Talvez ele não se sentisse muito confortável para falar coisas do passado, pois para ela era muito difícil se abrir com alguém, e também precisava começar a mudar isso, ser mais sincera consigo mesma e mais aberta a certas conexões com as outras pessoas, apenas esperava que isso desse certo, e pudesse o ajudar a ter o que tanto desejava, e agora sabia que isso também estava se tornando um desejo para ela, desejava que ele sentisse algo, e se libertasse de sua prisão.

— Achei que iria dormir até mais tarde hoje, não tem nescessidade de acordar muito cedo — talvez ele estivesse certo, mas não era isso — Tem algo de errado, por isso não consegue dormir?

— Mais ou menos, estou acostumada a acordar cedo para a faculdade — e não era apenas isso — E também queria te ajudar no café da manhã, mas pelo que vejo você já tem tudo sob controle.

— Isso é algo até mesmo bem simples, não exige muito esforço para cozinhar é uma atividade até mesmo muito fácil para mim, ainda posso te ensinar algumas coisas um dia se você quiser Lin.

— Bom eu aceito e prometo que dessa vez não vou te atacar com uma faca de cozinha — e isso a fez dar uma leve risada — Mas não prometo nada, não sou muito boa cozinhando.

— Tenho certeza que posso te ensinar a fazer alguma coisa, e após terminarmos aqui quero te levar para a estufa, para você ver o que precisa para começar a cultivar lá dentro.

— Quanto a isso, não sei se é uma boa ideia, a não ser se você me garantir que não existe mesmo nenhum fantasma lá dentro, um susto já foi mais do que o suficiente para mim — e detestaria se voltasse a acontecer — Mas posso tentar assim mesmo.

— Vou estar com você lá, não vai acontecer nada, como já te disse uma vez, tem magia lá dentro e ela se manifestou com você, isso pode acontecer de formas diferentes, e como o lugar está abandonado, você era como uma intrusa naquele momento.

— E isso explica muita coisa, não sei o que a estufa tem contra mim, mas ainda quero usar ela, ou ao menos tentar fazer isso dar certo — e esperava que desse — Ainda não me disse como vai me ajudar, não sei se você sabe, mas não tenho magia.

Se ela soubesse que era tão simples quanto parecia, magia era muito fácil de ser manipulada uma vez que sua mente estava vazia e deixasse ela se encarregar do que precisava fazer, e era isso que precisava ensinar para a garota, se ela soubesse controlar isso, conseguiria fazer qualquer coisa.

— Alguns humanos podem controlar magia, não é algo fácil nem algo difícil, depende muito de sua concentração, e posso te ensinar a fazer isso, sei que vai aprender bem rápido Lin.

— Acho que sim, você faz isso parecer tão fácil, mas não sei se tenho tanto conhecimento quanto você tem, e a prática que você possui, é tudo muito complexo e simples ao mesmo tempo não é?

— Isso não fez sentido e acho que sabe disso — ela o ignorou quanto a isso — Apenas deixe que eu faça isso, e vai ver se é capaz ou não, e se for posso te ensinar a lançar alguns feitiços e fazer poções.

— Parece uma boa ideia, talvez assim eu me sinta mais confortável, você é um vampiro, mago, demônio, eu sou só uma humana, e não quero ser pega de surpresa por ninguém, nem por você.

— Se ainda me considera uma ameaça posso mudar isso, não vai ser difícil achar algo que te deixe mais segura comigo — não sabia dizer se ele estava sendo frio ou não — Se quiser posso te dar uma adaga para se proteger de mim, se achar melhor.

— Não foi o que eu quis dizer Karl, apenas que se eu for atacada por algum fantasma, quero fazer mais do que me machucar e gritar, não gosto de depender de alguém, então não me entenda errado sobre o que eu falei, confio em você, e sabe disso.

Sim de certa forma ele sabia disso, ainda mais depois pelo que aconteceu entre eles, e agora de certa forma estavam tentando ter uma espécie de relação saudável,  que consiste nela o ajudar a conseguir sentir alguma coisa. Não sabia o que tinha mudado entre eles exatamente naquele dia, mas alguma foi quando ela se agarrou a ele e o impediu de fazer algo que se arrependeria depois, e uma vez que fizesse alguma coisa com ela não poderia desfazer, nem sempre podia controlar o poder que possuía, e aquela foi uma das vezes.

Mas a garota o fez enxergar as coisas e desfazer aquilo, tinha chegado muito perto de descumprir o que prometeu a ela, e agora que a tinha a seu lado pra poder proteger, nunca a deixaria ir, era muito egoista para deixar isso acontecer, precisava da garota e não podia deixar que ela fosse embora mais uma vez, não quando ela era a única que conseguiu o irritar de verdade, com sua personalidade forte, ela era muito atrevida e brigona, usava uma armadura de pedra, mas de algum modo achava isso incrível, por ela ser tão forte sendo apenas uma humana, talvez isso fosse o que mais o fascinasse nela, e imaginou a força que ela poderia ter se usasse magia a seu favor, e talvez fosse mais teimosa do que já era e isso seria de certa forma engraçado de ver.

Podia ensinar qualquer coisa a ela, uma vez que a garota prestace atenção e conseguisse fazer a magia passar por seu corpo e se conectar com sua mente, até poder ter uma forma específica e se manifestar no que ela quisesse, isso seria o mais difícil ela teria que usar a cabeça e pensar, se concentrar até visualizar o que queria. Para ele isso era muito fácil, não havia nada que não pudesse fazer usando magia, e era bom em todas as artes dela, mas a que mais se destacava era usar a magia para criar novas coisas, assim como criou de certa forma os Mukamis outro experimento que ele considera falho por não poderem dar a ele o que precisava, nem mesmo seus filhos foram capazes de conseguir dar o que ele queria, e agora o odiava por não ser o que eles esperavam, de ser um pai, se ao menos eles soubessem que o vampiro cuidava deles, e se preocupa com a segurança deles, mesmo estando tão longe, mas isso nunca poderia acontecer, seria de certa forma uma fraqueza que não gostaria de demonstrar, não sabendo que uma vez que seus filhos se tornassem algo importante, existiriam milhares de inimigos que poderia os atacar, e não pretendia que algo assim fosse capaz de acontecer com eles.

Ele estava perdido em pensamentos foi isso que ela pensou pelo menos pelo olhar perdido nos olhos dele, o que fazia o dourado ficar mais intenso e brilhoso, e apenas precisou se aproximar um pouco dele, para que seu olhar caísse sobre ela, despertando mais uma vez seu desejo de perguntar o que estava acontecendo, e se podia ajudar em alguma coisa.

— Aconteceu alguma coisa? — ele negou — Então por que estava tão perdido em pensamentos? Não costuma ficar tanto tempo pensando assim o que quer dizer que algo está te preocupando.

— Precisamos arrumar a estufa não acha? — ela ergueu uma sobrancelha — Não me olhe dessa forma, não vai conseguir me convencer a falar sobre algo que nem mesmo está acontecendo.

— Acho que tem algo sim, apenas não quer me contar, mas ainda vou descobrir o que é, e não vou esquecer disso tão rápido — e ele não duvidava disso — E quanto a estufa o que vamos fazer? Tem algo de errado lá dentro e sabemos disso.

— Se estiver com medo eu posso ir sozinho Lin, não tem problema admitir isso para mim ou para si mesma, não vou te julgar.

— Não estou com medo, e não sei o que te faz pensar isso, mas para te provar o contrário vou com você na estufa e seja lá o que tem lá dentro não vai me assustar tão fácil assim.

A cena parecia cômica, a garota estava com as bochechas um pouco infladas, e os braços cruzados acima do peito, sabia que ela estava com medo de entrar lá, e não podia negar que estava achando divertido tudo isso, apenas não precisa demonstrar isso para ela, pelo menos não naquele momento.

— Tenho certeza que está certa Lin, você não está com medo de um fantasma, mas devo dizer que não sei o que esperar de lá dentro, tem muito tempo que não vou lá, então pode ter algo pior que um fantasma, como demônios ou ogros.

— Muito engraçado, mas isso não vai me assustar tão fácil, sei o que está tentando fazer, mas não vai ser tão fácil assim e vou logo te avisando que não tenho medo de muita coisa.

— Pela sua reação aquele dia eu percebi isso — ele ironizou — Mas te garanto que não existe nada de mais lá dentro Lin.

— Não tenho culpa, se a magia não gostou de mim, quem foi a última pessoa a ir na estufa, sei que parece estranho, mas acho que tinha algo lá sim, e se souber quando foi a última vez que ela foi usada, pode nos ajudar a descobrir o que é.

— Não acho que seja esse o problema, talvez ter deixado ela vazia tanto tempo tenha feito isso, não é algo para se preocupar.

— Mas eu me preocupo, sou eu quem vai usar a estufa, e é você que não querer me contar a verdade, sei que está escondendo alguma coisa de mim, apenas não gosto que faça isso.

— Assim como está me escondendo que tem pesadelos todas as noites — touché — Não me olhe assim, sei que não acorda cedo porque você gosta, e sim porque não consegue dormir.

— Não é nada de mais, sempre tive pesadelos, isso é algo normal, não precisa de preocupar comigo — ela deu de ombros — E agora acho que já podemos ir para nosso caça às bruxas na sua estufa.

— Ela não é minha, dei ela para você, assim como o Jardim, sei que vai gostar de passar seu tempo nesses dois lugares.

— Não achei que estava falando sério quanto a isso, mas obrigada, é o melhor presente que já ganhei de um vampiro na minha vida.

E isso também soava um tanto engraçado para ele, e sabia que para ela também, mas havia falado sério quando disse que daria a estufa para ela de presente, a garota go de passar um tempo com coisas assim, e preferia deixar o local com alguém que pudesse cuidar dele de verdade, já que ele nunca poderia voltar a cultivar mais lá dentro, uma vez que estar no local de certa forma o deixava desconfortável, era estranho se imaginar lá dentro depois de todos esses anos, e tinha quase certeza que havia algo de Christa lá dentro que rejeitava sua presença e ao que parecia a de Lin também, apenas precisava descobrir o que era, para poder tirar do local, e restaurar como ele realmente era, e se a garota o ajudasse isso seria bem mais fácil para ele, e talvez ela aprendesse algum truque.

— Acho que já podemos ir lá, assim você vai ter mais tempo durante o dia para poder cultivar, isso se conseguirmos lim tudo hoje, mas posso fazer isso bem mais rápido se deixar.

— Não quero magia lá dentro, e mau posso esperar para poder começar nossa exploração ao seu castelo mal assombrado, isso até parece um filme de terror as vezes não acha? — e isso a divertia mais do que podia imaginar — Então vamos a nossa exploração a casa mal assombrada.

E foi o que eles fizeram, apenas não podiam imaginar o que os esperava na estufa. Uma coisa sobre magia é que ela consegue ser mais forte com certas pessoas do que com outras, uma vez que essa pessoa tem mais magia pode fazer o que quer, e como quer, e se havia alguma coisa em relação a Christa, lá dentro, era bem forte para ter se manifestado quando a garota estava lá. Magia tente escolher em quem quer habitar para que ambos e tornem apenas um, com sua mente e seu coração, e se o lugar sentiu que tinha uma intrusa lá dentro, ele procurou uma forma de se defender dela, e a garota nem mesmo era uma ameaça de verdade, ela era normal e não tinha nada a ver com o que havia acontecido no passado, mas de alguma forma talvez ela fosse a única que conseguisse fazer a magia que havia lá dentro se manifestar mais uma vez, e se fosse o caso a ensinaria como desfazer ela, e absorver essa magia para si próprio, onde poderia direcionar para outro lugar, e isso sem dúvidas seria algo que ela iria querer aprender.

A porta da estufa se abriu sozinha quando eles se aproximaram do local, e a garota o olhou como se questionasse se não havia sido ele quem fez isso, mas não era o caso. Assim que adentraram o local a mesma coisa que aconteceu naquele dia voltou acontecer, tudo a volta deles ficou mais escuro, e frio, o arparecia mais denso e era como se a névoa passasse por eles de forma quase imperceptível. E sim isso deixava ela atordoada por não saber o que os esperava de verdade lá dentro, e se fosse mesmo um fantasma ele não parecia nenhum pouco agradável, mas não podia demonstrar medo agora, precisa enfrentar isso como se não fosse nada demais, então teria que engolir seu medo e se agarrar a alguma coisa que fizesse seu medo ir embora, e talvez o vampiro pudesse ajudá-la quanto a isso, ele não parecia ter medo de nada, era como se tudo fosse familiar para ele, e realmente era, já que ele usava magia, e aquele local pertencia a ele, talvez ele soubesse o que estava lá dentro, apenas não quisesse dizer o que era.

Deu alguns passos sendo seguida pelo vampiro e logo uma chama se acendeu na mão dele iluminando todo o local por onde eles passavam, e não havia mesmo em nenhum lugar lá dentro, nada a não ser vidros quebrados e terra espalhada, alguns vidros da vidraça da estufa estavam quebrados, e o frio lá de fora entrava assim como um pouco de neve, mas fora isso não tinha nada lá dentro, e se sentiu bem mais aliviada por saber disso, ao menos assim não se assustaria com da última vez, e não correria o risco de nada acontecer com eles.

Caminhou até uma das partes quebradas da vidraça e apenas viu neve lá fora, não havia mais nada a não ser isso, se virou para o vampiro mais uma vez, o vendo como a mesma expressão neutra de antes ele parecia sempre tão calmo, isso ao meno era um alívio, ela com medo já era mais do que o suficiente.

— Não tem nada aqui, não físico pelo menos, mas ainda é como se alguém tivesse estado aqui, ao menos foi o que senti naquele dia, mas agora é como se tivesse ido embora de vez.

— Ou talvez seja apenas magia como eu te disse que era, mas você é muito teimosa para admitir que apenas se assustou com alguma coisa — ele estava escondendo alguma coisa — E como eu disse é apenas magia, e está bem forte por aqui.

— Ou você está me escondendo alguma coisa — e acreditava estar certa — Tem algo mais sobre esse lugar que você não está me falando, quem usava essa estufa antes de você abandona-la?

Não poderia mentir para ela, não sobre isso, e se quisesse que ela continuasse a confiar nele, precisava ser sincero, e a verdade era algo que também poderia afastar a garota dele, o que tornava essa decisão mais do que complicada, e não esperava que ela o entendesse, não podia controlar o que ela pensava sobre ele, ou como se sentia em relação a ele, não era uma pessoa boa, e não podia mudar isso, apenas ela poderia.

— Minha esposa — era tudo que podia dizer — Ela usava a estufa por isso não venho mais aqui, era o lugar que ela gostava.

— Quer me dizer o que aconteceu com ela? — ele negou, ma ela já sabia a resposta — Sinto muito por ter perdido ela Karl.

— A estufa está abandonada desde que ela morreu, não gosto desse lugar, por isso que a magia aqui se manifestou com você, por estar perto de mim, os sentimentos dela de alguma form ainda estam em algum lugar por aqui — isso explicava muitas coisas.

— Então ela era capaz de sentir alguma coisa, ela amava você, mas você não sabia como retribuir os sentimentos dela?

— Eu diria que é um pouco mais complicado do que isso Lin, ela me amava, mas nunca senti desejo em retribuir isso a ela, e também não podia mudar o que ela sentia por mim mesmo que eu quisesse.

— Se você não sentia ou queria sentir nada por ela, por que se casou com ela? — tinha de certa forma medo da resposta.

— Por poder Lin, isso é tudo que eu sempre quis, e ter ela do meu lado me daria esse tipo de poder, e isso apenas foi mais uma experiência que falhou — então era isso, uma experiência — Depois dela não houve mais ninguém que eu quisesse do meu lado.

— Mas você me quer ao seu lado, de uma forma bem estranha, mas você quer que eu fique aqui, e se você nunca tivesse sentido nada por ela, esse lugar não seria tão importante  para você.

— Não acho que seja isso, já te disse nunca senti nada por ninguém, e a estufa é a única lembrança boa que eu tenho dela, não sobrou mais nada para guardar, apenas esse lugar e o jardim.

— Talvez se arrependa de sua própria forma de ter machucado ela — ele a encarou — Sei que foi isso que aconteceu dá pra ver pelo seus olhos, mas não vou te julgar por nada disso.

E isso com certeza o machucaria, não sabia o que tinha acontecido entre eles, mas de alguma forma sabia que a vampira deveria ter saído machucada. O homem à sua frente não sabia demonstrar nada além de frieza e ódio, não sabia o que poderia fazer ele sentir se não fosse isso, e saber que alguém já havia o amado e se machucado, também não ajudou em nada.

— O que quer fazer agora? Temos todo esse lugar para arrumar e você ainda não me disse por onde quer começar, mas se quiser podemos fazer isso outro dia, quando estiver mais calma.

— Já disse que não estou com medo, estou começando a achar que é você que está com medo de alguma coisa, mas não se preocupe eu te protejo de um possível monstro.

— Não sei como pode fazer isso se nem mesmo tem uma arma ou magia para se defender, seria mais fácil eu te proteger.

— Então me ensine a usar magia, quero aprender como você faz isso, assim posso me virar sozinha quando você não estiver e posso arrumar a bagunça da estufa também — ele apenas precisava dizer que sim — Não vou explodir nada eu prometo.

— Tudo bem eu vou te ensinar. Preciso que confie em mim, apenas faça isso, e preciso que segure minha mão, para eu poder me conectar com você. Feche os olhos e respire.

Foi o que ela fez, segurou na mão do vampiro sentido uma corrente passar por sua mão, já que a dele estava mais do que fria. E assim como ele pediu, ela fechou os olhos e respirou fundo. Havia muitas coisas na qual queria perguntar para ele, e agora não seria o momento para isso, já que os dois estavam em uma conexão de energia, pelo menos achava que podia se chamar assim o que estavam fazendo, e foi como sentir algo a preencher, algo que era leve e forte, que a fazia querer flutuar e isso era magia. A mesma magia que passava por ele, era a que estava nela agora, o que os fazia apenas um, um corpo, uma mente, e apenas um coração.

O corpo dela recebia bem as ondas de energia, assim como quando a curou no dia que estava congelando, ou na outra noite quando ela o abraçou, ela era quente de uma forma que ele não esperava, e podia sentir como ela estava leve apenas com esse pequeno contato com ele. Alguns humanos podem usar magia, podem ser mais poderosos do se alguns bruxos, apenas se tiverem o estudo certo, e souberem canalizar a magia de forma que não se machuquem já que exigia um esforço físico e emocional, o que para ele nunca foi um problema. Apertou de leve a mão dela e se aproximou mais, e apenas agora percebia que ela era mais baixa que ele, e isso era mais do que visível, podia ficar a olhando assim por um bom tempo, os olhos fechados, a respiração lenta, era de certa forma o que ele precisava e tinha medo dela se afastar se ele contasse sobre Christa e uma hora precisaria falar a verdade para ela.

Quando seus olhos se abriram, encontrou os do vampiro, assim como ele bem próximo dela, era estranho ter ele tão perto e tão longe ao mesmo tempo, porque não podia decifrar o que estava por trás dos olhos dele, mas sabia que era algo bem mais complexo que não poderia entender sozinha, e ele com certeza não poderia explicar para ela, nunca poderia, por manter sempre aquele mistério em seus olhos. Se aproximou um pouco mais, e sentiu a mão do vampiro tocar em seu rosto em um carinho, talvez fosse pela magia ao seu redor, ou o ambiente, mas sentia as batidas de seu coração irem mais rápidas, se sentia agitada com tudo aquilo.

Apenas um barulho de algo se quebrando que a tirou de seu transe. Alguns outros vasos de vidro se despedaçaram sem ela perceber, havia prometido que não iria explodir nada e foi isso que aconteceu, e sabia o motivo para isso ter acontecido, era por como estava se sentindo, era tudo muito agitador.

— Acho que acabei quebrando a promessa que fiz para você, mas não foi apenas culpa minha — ele sem dúvidas tinha culpa também — Acho que temos mais coisas para limpar agora.

— Tenho certeza que suas emoções confusas fizeram isso acontecer, precisa se concentrar em apenas uma coisa de cada vez, ou coisas assim podem acontecer Lin.

— Mas estava concentrada em você — apenas nele — Não sei como isso pode ter acontecido, mas está certo minhas emoções são muito confusas às vezes.

— Pode me falar o que está te deixando preocupada, sei que seus pesadelos podem influenciar nisso, apenas não pense neles.

— Não estava, e também não é nada de mais, já te disse que sempre tive pesadelos, é algo normal e já me acostumei com eles — e ainda era horrível.

—  Mas não me disse o motivo deles, mesmo que eu já tenha uma ideia do que poder ter causado eles — e sentia raiva disso — Posso te ajudar a ter uma boa noite de sono se quiser.

— Eu agradeço, mas não precisa, eu não costumo dormir muito durante a noite, e ainda tem vários diários que você escreveu para poder ler.

— E podemos fazer isso a qualquer momento, hoje a noite você vai dormir de verdade.

— Não precisa fazer isso, mas se quiser ficar acordado comigo na biblioteca eu agradeço, temos muita coisa para fazer ainda — como o ensinar a não ser tão frio.

— Você conseguiu me convencer, mas agora temos uma torta de maçã nos esperando, e sei que está com fome.

— Quanto a isso você está mais do que certo, acho que podemos assar bolinhos mais tarde, com canela, amo canela.

— Se me ajudar vai ser um prazer cozinhar para você.

E mais uma vez lá estava aquele sorriso nos lábios dela, era bom saber que era um dos motivos para ela sorrir assim. Podiam nem perceber, mas ainda estavam de mãos dadas quando saíram da estufa, deixando o local vazio, não exatamente vazio.

O que quer que estava lá antes, já não estava mais, um certo brilho saiu do local, passando por vários lugares lá dentro, e alguns vasos que antes estavam quebrados se tornaram inteiros assim como algumas flores nasceram neles. O local podia ainda estará destruído, mas havia magia o suficiente para algumas coisas se concertarem sozinhas, e criarem vida. E todo esse poder não vinha apenas do ser que habitava o local, ele já estava indo embora, encontrou de certa forma a paz que precisava quando viu que algo bom estava surgindo em meio a tanto caos e ódio, algo que ela mesma tinha sentido uma vez, e que agora não poderia sentir mais.

(...)



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