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História A Bela e a Fera - Capítulo 6


Escrita por: marinamo

Capítulo 6 - Hostilidade


Fanfic / Fanfiction A Bela e a Fera - Capítulo 6 - Hostilidade

Capítulo 5 - Hostilidade

                Reagan escutou batidas educadas na porta de seu mais novo aposento.

-              Querida? Posso entrar?

-              Sim. – respondeu Reagan, enxugando as lágrimas do rosto.

-              Madame Samovar, ao seu dispor. – a bela espanhola se apresentou. Não devia ter mais de quarenta anos. Observava a moça com clemência. – Trouxe chá.

-              Me chame de Reagan. E obrigada. – forçou um sorriso enquanto o conteúdo da xícara oferecida aquecia-lhe a garganta.

-              Oh, querida. Não se preocupe. As coisas vão melhorar. – Madame Samovar se sentou ao lado dela, e, pegando sua mão, continuou: – O amo não é tão ruim quanto parece. Por que não dá uma chance a ele?

-              Eu não quero nada a ver com ele. – o choro ameaçou voltar, mas ela o engoliu.

                Outra pessoa bateu na porta.

-              Com licença senhorita, o jantar está servido. – escutaram Namjoon através da madeira.

-              Eu não vou.

-              Reagan, ele ficará furioso. – alertou Madame Samovar.

-              Pois que fique.

-              Bem, nesse caso – a mulher pegou a louça vazia da mão dela e prosseguiu: – É melhor eu ir andando.

                Ela sorriu e retirou-se.

***

-              Eu disse pra ela descer! Já era para estar aqui! – rosnou Taehyung.

-              Tenha paciência, senhor. A garota está atordoada. Já pensou que ela poderia quebrar o feitiço? – lembrou Jin, esperançoso.

-              É claro que pensei! Eu não sou idiota!

-              Ótimo! O senhor se apaixona por ela, ela pelo senhor, e pronto! O feitiço acabou!

-              Como se fosse fácil. – bufou. – E a rosa já começou a murchar. Jin, você é um conquistador. A faxineira, a assistente de cozinha, a...

                O criado, envergonhado, pigarreou alto.

-              O senhor está me pedindo... Conselhos?

                Taehyung deu de ombros.

-              Bem... Tem de ser gentil. Delicado. Aja como um cavalheiro. Sorria! Faça-lhe elogios sinceros. Mas acima de tudo... Tem que controlar seus nervos!

-              Não adianta! Ela é tão... Linda. E eu? Olhe só para mim!

-              Tem que ajudá-la a ver por trás disto.

                Namjoon se fez presente na sala de jantar. Conferiu as horas e tornou a guardar o relógio no bolso. Enxugou o suor da testa e se preparou, enquanto seu amo o encarava com ares duvidosos.

-              E então? – indagou.

-              B-bem... Ela... Ela... Não vem.

-              O QUÊ?

                Taehyung saiu dali veloz e furiosamente, saltando os degraus da escada de mármore de dois em dois. Quando ficava demasiadamente nervoso, as garras e presas saltavam para fora e ele assumia uma aparência animalesca, o que acontecia naquele exato momento. Esmurrou a porta do quarto de Reagan e pôs-se a berrar:

-              Acho que eu lhe disse pra descer pro jantar!

-              Não estou com fome. – a garota respondeu, astutamente.

                O homem tomou uma postura defensiva, indignado.

-              SAIA LOGO OU EU ARRANCO ESSA PORTA!

                Arrependeu-se assim que terminou de gritar, lembrando-se do que Jin dissera: “Tem de ser gentil. Delicado.”

-              Desculpe, eu... Você vai descer pra jantar?

-              Não!

                A raiva preencheu-lhe dos pés à cabeça, mas reprimiu-a com todo o seu esforço.

-              Por favor.

-              Não estou com fome.

                Já não aguentava mais. Sucumbiu.

-              NÃO PODE FICAR AÍ PRA SEMPRE!

-              Posso sim!

-              Ótimo! Se não comer comigo, então não comerá nada! – correu para seu quarto na ala oeste antes que aniquilasse mais um bule de chá. Ou mais uma mesa de mogno de dois metros. Ou mais um lustre de cristal.

                Uma vez sozinho em seus aposentos, cujos espelhos estavam destruídos e retratos de si todos empilhados em algum canto e cobertos de lona, Taehyung aproximou-se da pequena mesa que sustentava a rosa encantada cercada por um vidro protetor.

-              O que ela quer que eu faça? Implore? – resmungou, chutando uma de suas poltronas, que voou atravessando o quarto. A força que adquirira com a maldição sempre fora um péssimo atributo quando ele perdia o controle.

                Então, fitando a flor mágica à sua frente, ele sentiu um imenso pesar em seu peito. A primeira pétala já havia caído, o que significava que ele não tinha tanto tempo. Sempre foi um rapaz emocionalmente frustrado, e nunca admitiria possuir tal sinal de fraqueza como aquele. Por isso, concentrava-se com todas as forças em reprimir seus sentimentos, utilizando toda a grosseria e indiferença possíveis. Aquela pétala caída era apenas mais um sinal da solidão que sentira a vida toda, do desejo de ser algo mais, de ter a atenção de que precisava. E como não a conseguia do jeito bom, conseguia do ruim, inconscientemente. Afinal, seu real medo não era de permanecer horrível para sempre, mas de permanecer sozinho para sempre.

***

                Depois do desentendimento com Taehyung, Reagan se deixou adormecer. Estava esgotada, tanto física quanto mentalmente. Teve um sono breve e agitado, do qual ela despertou bem no meio da madrugada, com o corpo suando e pedindo combustível. O mal humorado lhe dissera que passaria fome se não comesse com ele, mas talvez ela conseguisse umas migalhas se sorrateiramente se esgueirasse até a cozinha.

                Depois de se perder algumas vezes na imensidão do castelo, ela achou o que procurava. O estabelecimento estava iluminado por alguns candelabros, o que era estranho visto que todos os empregados descansavam em seus aposentos.  Bem, pelo visto, nem todos:

-              Mas mon cher...

-              Oh não, Jin... – murmurou uma voz feminina (que certamente não pertencia à Madame Samovar), em meio a risadinhas.

                Reagan pigarreou para que fosse notada. Ambos os criados se endireitaram e coraram ao vê-la, pegos no flagra.

-              Mademoiselle... Hum, em que posso ajudá-la? – perguntou Jin, ajeitando as vestes amarrotadas.

-              Me desculpe interromper, mas estou com fome. Só vou roubar alguma comida e deixarei vocês em paz. – Reagan contia o riso com todas as forças.

-              Posso lhe preparar uma sopa, senhorita. – a mulher que o acompanhava sugeriu. Era alta e esguia, com os cabelos negros na altura da orelhas.

-              Seria ótimo, obrigada Madame... Hum, qual o seu nome?

-              Renée. – ainda envergonhada, a cozinheira começou a cortar algumas batatas e cebolinhas.

Após alguns minutos, vendo o clima constrangedor que começava a se formar, Reagan resolveu puxar assunto:

-              Bem, acho que terei que comer com seu patrão amanhã. Não poderei praticar essas clandestinidades para sempre.

-              Certainement, Mademoiselle Reagan. – respondeu Jin. – Você deveria dar uma chance ao amo, tentar conhecê-lo. Só está querendo fazer com que goste dele, à sua maneira. Pode não ser muito eficiente, mas ele vai se esforçar.

-              Bem, não posso continuar brigando com ele. Não se ficarei aqui durante o resto da minha vida. Jin, quem é Taehyung? Nunca ouvi falar dele ou deste lugar.

-              O nome dele é Kim Taehyung. – respondeu o rapaz, como se aquilo dissesse tudo. – Filho de... você sabe... Kim Sung-Ho.

-              Está brincando? O grão-duque? O pai dele é...

-              Sim, Sir Kim Sung-Ho, um dos homens mais poderosos da França depois do Rei.

-              E onde ele está?

                Jin retorceu a boca, como se aquele fosse um assunto realmente delicado.

-              Bem... Na corte. O Rei aprecia muito a companhia dele. Seu filho foi praticamente criado pelos empregados do castelo, já que a mãe suicidou-se quando ele era bebê.

-              Que coisa horrível!

-              Taehyung não chegou a conhecê-la.

-              E o grão-duque nunca vem aqui?

-              Desde que o herdeiro ficou daquele jeito, ele só veio aqui uma vez. Mas eles nunca foram muito próximos.

-              Daquele jeito? Você quer dizer as marcas e cicatrizes?

-              Achou que ele sempre foi daquele jeito? É claro que não. Isso é uma... Longa história.

-              O que aconteceu com ele?

-              A sopa está pronta. – anunciou Renée, interrompendo propositalmente uma conversa que provavelmente tomaria um rumo nebuloso.


Notas Finais


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