1. Spirit Fanfics >
  2. A Boa Morte >
  3. Não quero ser um monstro

História A Boa Morte - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


Oi?
Eu peço que leiam as notas finais. E sim! Mais um capitulo deste livro que eu nao imaginava que receberia tantos elogios

Boa Leitura!

Capítulo 5 - Não quero ser um monstro


Fanfic / Fanfiction A Boa Morte - Capítulo 5 - Não quero ser um monstro

- Aquela criatura?- Digo enxugando minhas lagrimas. Brad me dá uma caneca com agua.


-Ele é dono desse lugar. – Ele diz sentando ao meu lado.

-Como ele pode ser dono deste Hospital?

 

-Vou te contar a lenda deste lugar .  - Ele se ajeita na cama . - Isso não foi um hospital o tempo todo. Porém , a primeira guerra do país , forçou tropas a tomar aqui como refugio dos feridos e também um quartel improvisado. Antes era um prédio abandonado pelo tempo. Com as forças dos inimigos , invadiram o lugar, tomando posse de tudo aqui dentro.


-Primeira guerra? Isso foi há quase um  século!

-Pois é, pra você ver! Os soldados doentes foram morrendo. Eram muitos, fizeram um cemitério atrás mas, já não comportavam os mortos. Passaram a jogar pelo poço, que dava no rio.

-O que?

-Os corpos doentes contaminaram o rio. Causando um dano maior. Então pensaram em cremar.

-Mas, onde a criatura estava?

-Dormindo. Havia uma sala que ninguém abria pois estava lacrada e era isolada das outras. Como o exército aliado chamou muitos pra ajudar, vieram muitos medicos, enfermeiros e voluntários,  assim o Pathernon , deu inicio como hospital de guerra. Porém, como os corpos contaminaram a agua , passaram a queimar os mortos . Mas as peste que contaminam pelo ar , começaram  a adoecer a cidade .

-Meu Deus!

-Não sabiam mais o que fazer . A guerra e as doenças  foram lotando o lugar. Resolveram abrir a sala. Por ser um pouco longe , virou o isolamento dos doentes mais graves e sem  salvação.

-A Boa Morte?

-Não era ainda. Mas, numa madrugada ouviram gritos de desespero . A porta estava lacrada. Alguém os trancou lá dentro da sala.

-Alguém?

-Sim. Alguém que decidiu oferecer os doentes ali dentro para, ELE! Ninguém soube quem foi aquele dia. Mas quando abriram a porta viram uma cena terrível.

-Sei qual foi!- digo tomando um gole da agua suja.

-Não sabe....os doentes tentaram fugir, se arrastando ou se espremendo pelas janelas.  Havia pedaços de corpos presos nas grades, rosto com expressões terríveis. Suspeitaram de uma fera. Cataram os pedaços e incineraram.

-Descobriram quem foi?

-Sim, um dos enfermeiros que trabalhava aqui . Ele adoeceu e pediu pela sua vida  . Ofereceu os doentes. Assim todos foram devorados.

-O que fizeram ao enfermeiro?

-Eles ficaram com raiva e com medo. Então , o torturaram  juntamente com sua família. Sua mulher gravida e outros que ficaram a favor dele.  E deixaram eles na sala pra morrer. Foi dai que veio o acordo.

-Acordo?

-Sim, o enfermeiro pediu  pela vida dele,  do filho e dos outros, entao o dono da casa disse que seria  as vidas por uma promessa. 

-Vidas? Promessa?

Brad se põe na minha frente.  Toca minhas mãos.  Meus olhos encaram o seus , vermelhos, e agora , vibrantes. 

-Ele nao queria morrer, nem perder sua esposa. Ela tinha dado à luz . Ele pediu pra não morrerem . Entao a criatura o teve como filho  , a promessa  de sempre guardar o lugar de descanso e o Pathernon.  

-Ele prometeu?

-Sim, em troca deu sua alma e de sua mulher e de todos ali. Condenados a vagar  pelo hospital, cuidando do lugar , de um dos outros. 

-Brad? 

-Quando viram que  nao conseguiram matar , nem ele, nem a esposa e nem os outros ali, tentaram explodir o lugar  . Entao , o pai se fez contra eles...dizimou todos!  Quanto mais gritavam e corriam , ele se irritava. Ele odeia gritos.   Então  aquelas pessoas do acordo,  ficaram  sendo guardas  do lugar.  

 -Ja ouvi historias sobre este hospital. -Digo tentando me levantar. - Mas nao imaginei que fosse pior que isso.

-A guerra neste lugar não permite que o hospital pare de funcionar. Os doentes ou feridos  são jogado e abandonado muitas vezes. Os que se curam, não conseguem voltar a sua família.

 

-Como você?

Brad dá um sorriso de canto , ele toca meu rosto com sua mão fria.

-Minha família está aqui agora, Oficial.  E pretendo aumentar , se você quiser. – Ele toca meu lábios no dele. Eu sinto um arrepio em minha espinha. Respondo sutilmente , mas separo nossos rostos.

-Por isso pediu pra ele não me matar?

Ele sorri. Por um instante , vi um olhar meigo naqueles olhos vermelhos . A porta se abre aparecendo Joe.

-Opa, desculpe.

-O que foi, Joe?- Diz Brad levantando.

-O paciente teve gangrena na perna ferida, doutor Rob está chamando o doutor Shinoda pra fazer uma amputação.

Eu respiro aliviado, não sei o que aconteceria se eu e Brad continuássemos sozinhos.

Levanto , pego minha malinha e volto ao corredor, agora, iluminado pela luz do Sol, vejos as duas mulheres de burca , arrastando o carrinho com a comida. Passo bem ao lado delas, que me olham . Uma delas pega um das canecas e serve um pouco daquele caldo.

-Fooomee? – ela diz .

Eu sorrio pra ela , pego aquela caneca , assopro e tomo todo aquele caldo , que mesmo eu sabendo que pode ser daquele novilho , tive que fechar os olhos e prender a respiração.

-Obrigado , senhora! – Digo devolvendo a caneca.

 

Ando mais um pouco e vou a sala de cirurgia, o homem deitado numa maca  com sua perna já pútrida , Joe me arruma pra cirurgia.

-Ele está dormindo.- diz Rob cobrindo o rosto do homem

-Certo, vamos amputar acima do joelho, uns 3cm.

Eles concordam e eu faço me trabalho ali.  A cirurgia corre bem. De vez em quando olho pra aquele dois, aparente tão calmos. Rob me encara toda  vez que olho pra eles.

-Ainda somos médicos doutor. – Ele diz

Eu apenas volto a olhar meu paciente. Quando termino, estou tirando a roupa de medico , vendo Joe arrumar o paciente e indo com ele a outra sala. Rob se aproxima .

-Na sua ficha diz que é o melhor!

-Mesmo assim perdi muito soldados.

-A guerra não tem família, doutor Shinoda. Os grandes querem vencer, independente se isso leva inúmeras vidas.

-Quem você perdeu, Rob? Quem recebeu a bandeira em sua casa?

Ele ri. Dá um leve tapa na minha costa.

-Tudo que tenho esta aqui, Mike. Entenda isso.

-Quanto tempo faz que se formou, Rob? – eu pergunto caminhando com ele pelo corredor das enfermarias. Rob pensa um pouco , para e olha pra mim.

-Eu aprendi nos corredores do hospital , doutor, junto com meus pais. Os médicos que aqui estão e os que passaram pelo Pathernon, foram meus professores.

-Não fez faculdade?

-Nunca fui a escola, eu aprendi tudo aqui . Eu nunca sai do Pathernon.

Foi então que eu entendi

-Oh meu Deus, você é o filho do Brad!

-Sim, quando fiz trinta anos, meu pai pediu pra eu ir. Mas eu escolhi ficar com eles.

-Nunca quis conhecer o mundo?

Mark aparece no corredor.

-Preciso de ajuda aqui! Um paciente esta em crise!

Corremos e vimos um soldado vomitando sangue.

-Diagnostico? – Pergunto.

-Tuberculose.- diz Mark.

Ele vomitava em jatos. Seu estado já era deplorável.

-Me..dêem a Boa Morte!- ele dizia com dificuldade.

Eu tentava prepara uma seringa com remdios mas eu tremia demais. Apliquei o remédio. Ele se debatia , agoniado e sufocado. . Eu tomei a atitude sugar a secreção de seu nariz, assim ele conseguia respirar.

-Acalme–se ! – Rob dizia.  Até que o homem parou.

-Eu quero a Boa Morte, não aguento mais meu sofrimento! -O homem suplica

-Vamos ver mais uns dias.- Diz Rob.

Eu olho pra Joe que apenas encara o homem.

-Doutor? – Diz Rob

-O que é?

-Podemos fazer a ronda agora de manhã? 

-Claro!

Fiquei com Rob , examinando os outros pacientes. Milhoes de pensamentos vinham ao mesmo tempo em minha mente. Mais doentes eram abandonados na porta do Pathernon. Cuidavamos de todos, alguns morriam, e Scott se prostrava em cuidar deles.

Durante toda aquela manhã, procurei não falar sobre  a historia de Brad ou qualquer coisa relacionada aquela criatura. Mas foi na hora de almoço que fiquei mais pensativo.

-Quem fez o almoço?- Diz Joe.

-Foi eu.- Diz Mark.- Hoje seria o doutor novato, mas ele ainda se recupera de uma noite agitada.

Eu encaro Mark mas fico quieto. Brad me serve uma tigela.

-Obrigado!- digo sem olhar pra ele.  

-Então, teremos mais um irmão ou será a proxima refeição? – Diz Scott rindo.

-Nossa , como você é engraçado ,Scot!- Diz Rob.

-É o primeiro a ter mais de 24 horas de vida, doutor Shinoda!- Diz Dave.

-Parece que Brad gostou mesmo de você. – Diz Mark.

-Já chega! – Diz Brad sentando a mesa com sua tigela. – Calem , ou eu arranco a língua de você e faço de aperitivo .

Todos se olham assustados.

-Acho que depois de tantas décadas, senhor Delson se apaixonou...- Diz Scott, com seus olhos brilhantes.

-Volte para o Morgue, Scott. Tem papéis pra assinar. – Diz Rob.

-Ainda não acabei de comer.

-Termine na cozinha dos pacientes com as meninas.- Diz Brad.

Scott me encara , mas levanta e sai do alojamento. Um silencio toma conta da sala naquele momento. Mark e Dave abaixam a cabeça e continuam comendo.  Uma explosão perto dali  chama atenção.

-Bombas estão ficando frequentes. – Diz Brad.

-Espero que não queiram tomar o hospital!- Diz Rob.

-O que acontece se invadirem?- Eu pergunto.

-Eles querem fuzilar todos. É terrível o desespero dos pacientes!!  Eles não poupam niguem. – Diz Rob.

-Querem tomar o lugar a fina força.!- Diz Joe

-Isso já aconteceu antes? - Pergunto deixando minha tigela de lado.

-Sim, e foi terrível. Por isso sempre dopamos os pacientes a noite. Assim se houver invasão, eles estão dopados e não se desesperam.- Diz Brad. 

-Se não, ELES acabam virando caça?- Digo fazendo Brad me olha e sorrir.

-É admirável sua inteligência. – Ele pega na minha mão.- Ela seria de suma importância aqui, Mike.

-Pare de me assediar ! – Digo soltando minha mão.- Prefiro a Boa Morte!

Saio da mesa e vou embora pelo corredor das enfermarias.

-MIKE! – ouço Brad vindo atrás de mim.

Mas eu vou a passos firmes até a ultima sala a isolada de todos. A porta está destrancada, afinal ela precisou ser limpa, então eu entro e fecho a porta. Pego barra de farro e vedo a porta pelas duas maçanetas.

-MIKE! NÃO!- eu ouço Brad dizer do lado de fora.

-Não quero ser um de vocês...- penso . – Não vou ser um monstro!

Eu olho em volta. A pouca luminosidade que entra pelas janelas lacradas. Mostram  a sala vazia, sem macas. Limpa! Sem qualquer vestígio daquilo que vi na noite anterior.

-Onde voce está?- Penso olhando mais ao fundo, onde um vão aparece. Vou adentrando até ali. A sala é grande. Imagino que a criatura se satisfaz a noite inteira e dorme por todo dia. Já havia lido historias de vampiros mas não imaginei que estaria vivendo uma. Quando chego perto vi que tem uma mesa de pedra desenhada com cruzes de todos os tamanhos. Estatuas de Cristo e Maria.

-Ah Meu Deus , esta sala é uma capela!

Eu procuro por alguma porta ou janela. Algum lugar onde ele sai e entra. Mas eu apenas vejo lugares vazia e estatuas quebradas. O altar de pedra bem no meio.  Eu ando em volta vejo uma imagen do menino Jesus no chão . Eu me sento ali em cima daquele altar. Meu pensamento confuso. Eu não quero morrer, mas ser uma monstro também não!

 

-Ah meu Deus , me ajude! – Eu digo chorando.  – Me dê ao menos a Boa Morte!  Sem dor...

Me deito no altar , minha lagrimas escorrem. Eu realmente me pôs ali pra morrer.

 

-Onde você esta?- Eu digo . Mas algo no teto me chama atenção . Um vulto vem descendo as paredes , chegando ao chão. Em pé  ao meu lado.  O homem ali me encara com seus olhos vermelhos.  Ele parece calmo. Seu rosto marcado , ele esta vestido com seu capuz e casaco aberto, mostrando seus desenhos na pele . Se aproxima pela sombra, um cheiro de carne podre e sangue exala em  meu nariz.

-Me ofereceram você? Achei que meu filho o quisesse!- Ele diz em tom tão calmo. Nem parece aquele monstro. 

-Eu estou me oferecendo! Me de a Boa Morte! – Digo olhando pra ele. 


Notas Finais


Ola?

Perdoem se eu anunciei que este seria o ultimo capitulo. Mas ainda nao é. Porém a historia não é longa. Seria uma shot mas, ficou complexa demais e decidi fazer de uma shotfic. Mesmo assim, agradeço todos que vem ao meu privado pedir mais desta história.

Obrigada por lerem. Bjos.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...