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História A Brand New Day - Capítulo 28


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Notas do Autor


Cheguei!

Vim até mais rápido do que eu achei que conseguiria, temos uma vitória neste dia de hoje.

Ainda não respondi os comentários, mas eu prometo que eu vou tentar kkkk sério, não está sendo fácil escrever duas fics e trabalhar ao mesmo tempo :( e logo mais minha faculdade vai voltar por meio de EAD e eu to só a preocupação, mas vamos dar um jeito.

Bom, tenho coisas pra dizer sobre esse capítulo. As coisas precisam se acelerar agora, chega de ficar só na tensão. Coisas serão reveladas, descobertas e vão acontecer. Eu preciso começar a ir direto ao ponto, então vamos ter descobertas por aqui, além de questões levantadas.

Espero que gostem :)

ps.: revisei o capítulo, mas ainda sim devo ter deixando passar uma coisinha aqui ou ali

boa leitura <3

Capítulo 28 - XXVIII - New Shared Secrets


Fanfic / Fanfiction A Brand New Day - Capítulo 28 - XXVIII - New Shared Secrets

Um evento que tornava os lobos mais fortes, tornando-os mais aptos à luta, era certamente um grande problema do qual eu deveria me preocupar. Se na última Lua de Sangue que houve foi quando Donggun esteve mais forte, e agora ela estava aparecendo outra vez, significava que não só eu estaria mais forte como lobo, mas ele também.

Já tínhamos uma disparidade injusta pelo fato de ele ser Alpha e eu Ômega, biologicamente ele era maior e mais forte — mas também menos inteligente, na minha visão. Se eu já achava que era um tanto difícil ter que lidar com ele em termos normais, agora eu estava realmente a ponto de enlouquecer.

— Hyejin… Você sabe sobre Donggun, não é? — indaguei temeroso.

— Sim, eu sei o que ele é, por isso estou preocupada. — suspirou massageando as têmporas — Por que diabos essa droga teve que reaparecer logo agora? Isso não estava nos planos. — ela cerrou o punho — Lobos Alphas são gigantescos, são mortais, espadas e arcos não são efetivos porque simplesmente ele pode acabar com qualquer guerreiro num piscar de olhos. Teríamos que ter um poder a mais, algo mais forte e mais eficaz, mas o que?

Suspirei pesadamente. Eu deveria contar a ela? Só Taehyung, Soobin e Jimin sabiam sobre minha condição, no entanto, nem isso adiantaria muito. Lutar contra Donggun do Norte era um risco, eu podia me virar com espadas, mas nunca me transformei em lobo real, não cheguei a passar pela transformação completa. Qual era meu tamanho, minha força e o quão controlado eu poderia ser?

Sinceramente eu não tinha mais psicológico para aguentar tantas coisas acontecendo ao mesmo tempo. Às vezes parece que quanto mais você reza, mais assombração aparece no seu caminho.

Era uma lista grande de coisas que eu tinha de lidar naquele momento. A primeira: Uma conspiração estava acontecendo e viraria conflito; A segunda: Eu era um lobo real, mas nunca me transformei; A terceira: Donggun estava disposto a me provocar, fazendo de tudo para que eu perdesse minhas estribeiras e desse motivo para uma punição; A quarta: Tinha sido bruscamente separado de Taehyung e de qualquer outro Alpha que não fosse Soobin; E por fim a quinta: A Lua de Sangue.

Sem mencionar que em breve conheceríamos o novo General Comandante do exército nortenho, que quando mencionado, não parecia ser nada agradável. Eu iria guardar isso para acrescentar à lista depois.

A cada dia eu estava mais impressionado e como eu ainda não havia simplesmente desmoronado…

— No que tanto pensa, Seokjin do Leste? — Hyejin indagou se aproximando de mim.

— Em tudo. Desde que eu pisei no Norte eu só encontrei problemas. — suspirei — Não reclamo de tudo em si, porque foi aqui que eu descobri o que eu realmente quero, mas é tão difícil. As coisas vêm acontecendo de uma vez só, como se tudo se encaminhasse para um fim trágico, entende?

Ela assentiu e passou seu braço por meu ombro me levando para um abraço confortável. O aroma de vinho tinto dela era gostoso e eu me senti bem acolhido ali. Era fácil ser amigo de Hyejin, ela era um pouco misteriosa, mas era também um tanto aberta, tinha uma boa alma. Olhando-a eu entendi o que significava carregar o mundo dos outros nas costas.

— Seria muito chato se fosse fácil. — sorriu — Você não teria uma boa história para contar no futuro. — acariciou meu ombro — Além do mais, pode parecer que é algo distante e difícil, mas estamos planejando isso há anos, uma vida inteira, então estamos preparados para as adversidades. Claro que a Lua de Sangue não estava nos planos, mas vamos dar um jeito.

— Como sabe tanto sobre a Lua de Sangue? — indaguei.

Senti o corpo dela se enrijecer um pouco e ela desviou o olhar. Estava hesitante. Tudo bem ela não querer compartilhar tudo comigo, eu entendia, mas nessa altura do campeonato eu não aguentava mais ser a única pessoa que não sabe de nada.

Seokjin, o cego no tiroteio.

— Eu sou uma amante ávida de livros, devoro todos que encontro e que me interessam, claro. —  iniciou — Li sobre a Lua de Sangue, na verdade meu pai me deu uma série de livros sobre o assunto quando eu tinha doze anos, então eu sei. — deu de ombros.

Era uma explicação plausível, mas ela ainda estava tensa e isso me fez a observar com desconfiança. Ah sim, ela percebeu isso.

— O que foi? — indagou.

— Hyejin do Oeste… — disse em tom de desconfiança.

— Ah, o que foi? — exclamou se soltando de mim — Por acaso não acredita em mim?

— Acredito, mas você não falou tudo. Sou muito bom em farejar quando alguém está escondendo algo.

Ela cerrou os olhos.

— E quem me garante que você também não está escondendo algo? — rebateu — Todos temos coisas das quais não revelamos assim facilmente.

Ponto para ela.

— E se nós trocássemos certas informações, assim ninguém esconde nada de ninguém? — sugeri.

Nesse ponto eu talvez tivesse mesmo que falar à ela sobre minha verdadeira condição. Se Hyejin entendia tanto de Lua de Sangue, com certeza poderia me ajudar a lidar com isso. Era um pouco imprudente da minha parte confiar tal informação a alguém que eu não conhecia completamente, mas ela era sábia, tinha conhecimento, podia mesmo me auxiliar de uma forma que provavelmente Taehyung não pôde.

Ela me fitou com a cabeça pendida para o lado como se processasse o que eu disse aos poucos, pensando se deveria me levar a sério ou não. Difícil alguém me levar a sério, eu sei.

— Você é muito espertinho. — sussurrou — Mas está bem. Eu acho que nessa altura das coisas certos segredos vão vir à tona uma hora ou outra. Como eu já disse, ninguém consegue esconder nada em uma guerra.

Sorri vitorioso. Nada que uma boa ladainha não resolvesse.

— Tudo bem, então você me fala o que está escondendo e eu te digo o que eu também escondo. — disse me ajeitando na cama.

Respirei fundo e me preparei, não era fácil assim sair falando pelos quatro cantos sobre a minha descoberta recente. Taehyung sabia porque ele mesmo percebeu, Soobin tinha essa informação porque Taehyung havia contado e Jimin porque era a pessoa que merecia saber de tudo. No entanto, mesmo que eu sempre tentasse afirmar para mim mesmo que eu não era um monstro, ainda tinha medo de ser aos olhos dos outros. Não sabia como as coisas seriam quando estivesse em quatro patas, ainda mais na atual conjuntura.

Ela também pareceu se preparar, não parecia ser algo fácil para ela. Eu estava bem ansioso para saber o que tinha por trás daqueles olhos marcantes dela, confesso. Desde que nos conhecemos ela foi alguém do qual eu senti que podia contar, que queria conhecer. No momento em que ela se propôs a me ajudar, uma ligação forte entre nós foi criada. Eu nunca acreditei em certas coisas como predestinado ou irmãos de alma, mas não sei, ela me parecia passar exatamente a energia de alma gêmea, não romanticamente falando.

— Vamos falar juntos para que ninguém tenha que dizer primeiro, tudo bem? — sugeriu e eu assenti.

Meu coração ficou um pouco acelerado, aquele era meu maior segredo. Por alguns segundos eu me questionei se estava fazendo o certo em contar para ela. Muitas coisas não eram ditas entre todos pelo protocolo de “se você for capturado, ninguém pode arrancar essa informação de você”. Mas como eu já havia decidido, ela poderia me ajudar. Eu podia confiar em Hyejin, sabia disso.

— No três… — falei.

— Certo. Um…

— Dois…

— Três…

Esprememos nossos olhos como se aquilo fosse muito difícil de dizer e soltamos de uma vez, juntos.

— Eu sou um lobo real.

As duas vozes em uníssono, dizendo as mesmas exatas palavras, com a mesma tonalidade desesperada, como se atirássemos a mesma flecha, o mesmo soco no ar.

Primeiro eu abri os olhos e vi seu rosto, ela estava consternada, mas juntos nós também acabamos por realizar o que havíamos acabado de dizer.

E quando a realidade caiu sobre mim eu arregalei os olhos.

— Você o que? — exclamei mais alto do que deveria.

Seus olhos misteriosos agora estavam enormes, assim como os meus. O espanto era o mesmo.

— Espera, espera. — falei balançando a cabeça — Eu ouvi certo? Você disse isso mesmo? Hyejin, pelo lobo!

— Eu disse o que eu disse! Mas você… É sério?

Hyejin do Oeste, primogênita, mulher Ômega forte, pessoa prestativa, inteligente e decidida… E loba real? O que mais ela era? Uma divindade?

— Eu… Eu descobri há pouco tempo. — falei com a voz trêmula — Nem eu sabia… Só veio à tona quando eu matei Minho.

— Você o matou? — ela sussurrou assustada — Céus, eu jurava que havia sido Taehyung!

Pelo visto as informações que chegavam a Soobin não eram as mesmas que chegavam para ela…

— Espera aí, fale primeiro sobre você! — exclamei — Desde quando você sabe? Como soube?

Ela se jogou de uma vez em minha cama, as costas caindo no colchão enquanto suspirava. Era uma informação que ambos não esperavam. Mas ao mesmo tempo, mesmo diante de tamanho susto que tomei, percebi que era confortante ter outro lobo real tão perto. Como ela reagiu? Ela era capaz de se controlar?

— Descobri exatamente aos doze anos, quando meu pai me deu os livros. — disse — Um dia eu estava passeando com o Yeonjun, ele não era tão mais novo que eu quando chegou no Oeste, mas enfim… Meu pai sempre me deu muita liberdade e o Oeste sempre pareceu um lugar seguro, mas um belo dia recebemos a ilustre visita de alguns Sulistas. A fama deles nunca foi segredo para ninguém, o nome da província sulista já se entrega por si só. — suspirou — Yeonjun e eu estávamos andando perto de uma das plantações de algodão e um homem apareceu. Ele devia ter uns 30 anos no máximo e era um Alpha. Quando nos viu foi imediatamente nos abordar e questionar o porquê de dois Ômegas, principalmente a maldita princesa do Oeste, estarem perambulando sozinhos. Claro que minha terra sempre foi segura e não havia problema algum nisso, mas aparentemente para ele tinha e muito. Aquele asqueroso disse coisas horríveis, nos reduziu a nada e que eu deveria estar sempre acompanhada de um Alpha que me protegesse. Claro que eu fui ficando nervosa e mais nervosa, nunca precisei de Alpha algum no meu pé me dizendo que eu era frágil. — Cerrou os punhos — Até que eu comecei a discutir pesadamente com ele, irritada. O ponto alto de tudo foi quando ele tentou me punir por ser uma Ômega insolente e tentou me bater, mas Yeonjun entrou na frente e acabou sendo bruscamente jogado ao chão, quebrando o braço… Céus, eu lembro bem do meu sangue esquentando em minhas veias, da minha visão ficando turva e de uma vontade imensa de matar aquele homem… E foi isso que eu fiz.

Pelo visto eu não era o único que carregava comigo o peso dos instintos mais profundos. Ela não parecia ter remorso sobre isso, aparentava mais algo como uma sombra do passado que ela tentava deixar oculta.

— Você se transformou completamente?

— Sim. Talvez meu lobo tenha tido o senso de vir à tona porque eu estava desarmada e não havia como correr com Yeonjun daquele jeito. A sensação de estar em quatro patas é…

"Horrível? Aterrorizante? Estranha?"

— Libertadora. - respondeu com um suspiro longo e um sorriso nos lábios — Jamais me senti tão livre e imponente. Quando vi os olhos do homem cheios de medo e sua cara antes de eu cravar minhas presas na sua jugular, pude sentir o poder que eu tinha. Não é algo para poucos, Seokjin do Leste… Nós dois somos seres especiais, por algum motivo o destino nos escolheu para sermos livres e obstinados. — sorriu para mim — De certa forma, saber que você também carrega isso consigo me faz pensar agora que essa guerra é a coisa mais certa que já planejamos.

— Mas… Hyejin! Nós somos dois Ômegas! — exclamei.

— Seokjin do Leste, você está se diminuindo ou é impressão minha? — disse erguendo uma das sobrancelhas — Tudo bem que o velho insuportável é maior e mais forte, mas isso não quer dizer que nós dois sejamos inúteis. Podemos não confrontá-lo diretamente, mas arrancar a cabeça de alguns nortenhos… Ah, meu amigo, nós vamos fazer isso sem a menor dificuldade.

Certo, ela era um pouco radical e eu admito que gostava disso.

Agora as coisas mudavam e muito. Não era só Seokjin do Leste lobo real, mas Seokjin e Hyejin. Fiquei me perguntando o porquê de surgir mais de um lobo nessa geração, se a história estava realmente nos encaminhando para a nossa vitória, se seja lá qual divindade fosse que estava acima de nós queria que a mudança viesse.

— Quem mais sabe sobre você?

— Meu irmão, Yeonjun e Moonbyul. Meu pai também sabia, claro. Ele me ajudou a contornar aquela situação com o Alpha sulista.

Assenti e fiquei pensativo sobre todo o seu relato. É sempre uma descoberta que nos pega totalmente despreparados. Em uma hora você se vê irritado, vê que não tem outra alternativa e seu lobo desperta te transformando em algo que nem mesmo você sabia que era. Parecia ser algo comum entre nós o fato de dois Alphas tentarem se sobrepor a nós, claro que em duas situações completamente diferentes. Minho tentou me violar, eu tive que proteger a mim mesmo, mas ela viu alguém importante para si ser machucado.

— Deixe-me perguntar só mais uma coisa? — pedi e ela assentiu — A Lua de Sangue não te afetou em nada? Você parece estar bem…

Ela sorriu.

— Vou te explicar algo sobre a Lua de Sangue. — disse se ajeitando melhor — Ela aparecia quando os lobos travavam batalhas por território e isso sempre foi a respeito de manter o bem de sua matilha. No momento seu lobo enxerga Taehyung como sua matilha ou parte dela, então é bem óbvio que você está entrando em um “modo de combate”, mesmo que a lua não esteja nem perto de seu estado final. Minha matilha é meu irmão, Yeonjun e Moonbyul e até agora nós estamos bem, apesar da tensão de guerra. Mas nós fomos preparados a vida toda para isso, para manter a calma e as aparências, já você… Bem, eles só jogaram isso em cima de você e basicamente falaram “se vira”.

Isso era verdade.

— Então eu estou me vendo numa situação de risco, onde meus sentimentos estão afetados e por isso o descontrole? A Lua de Sangue está me afetando porque eu estou vulnerável?

— Isso. Sua matilha está comprometida, então é bem claro que você precisa de forças para mudar a situação.

Contar a ela sobre mim foi, definitivamente, a melhor coisa que eu fiz. Eu jamais iria saber o que estava acontecendo e o que iria vir a acontecer. Nem o quanto essa maldita Lua de Sangue iria me afetar. Mas ela podia me ajudar a enfrentar isso sem me entregar e deixar que Donggun descobrisse o meu segredo. De certa forma nós dois éramos “cartas na manga” dentro dessa guerra.

Além de que foi muito, mas muito confortante mesmo saber que eu não estava sozinho nisso tudo. Se por alguma brincadeira do destino eu fui escolhido para ser quem sou e ela também, isso reforçava dentro de mim que a ligação que eu tinha com aquela mulher iria ficar cada vez mais forte.

Conversamos tanto sobre nossas situações que só percebemos que já deveríamos estar no café da manhã quando Jimin foi pessoalmente perguntar o que havia acontecido. Aproveitei a situação para apresentá-los da devida forma e ela simplesmente ficou apaixonada pelas bochechas dele — eu estranharia se não ficasse. Seguimos para o café da manhã e depois dessa conversa e de muitas outras, alguns dias se foram e com eles a lua ia ganhando mais tons fortes de vermelho, assim me preocupando.

══════⊹⊱≼≽⊰⊹══════

Perambular pelo castelo já não era algo mais confortável, não quando eu sabia que havia uma série de olhos em mim. No entanto eu precisava respirar, ficar dentro do quarto tentando controlar meu maldito interior era difícil, principalmente estando limitado à quatro paredes de pedra.

Cinco dias haviam se passado desde aquela manhã, as noites eram feitas para observar o progresso da lua, que estava sendo vagaroso, ainda bem.

Eu sentia falta de Taehyung. Não via sequer sua sombra pelo castelo, era como se ele tivesse sumido ou ido embora e isso estava me deixando mais quebrado ainda por dentro. Ele havia prometido dar um jeito de nos vermos, mas esse dia não havia chegado… O que será que estava acontecendo com ele?

Em alguns dados momentos eu lembrava daquela carta e de como eu chorei ao recebê-la, de como manchei a tinta do papel com minhas lágrimas saudosas, como era um pedaço de papel tão simples, mas que dizia muito sobre nós dois. No entanto não tive coragem de tocar nela outra vez, apenas deixei onde estava, era difícil saber que era a única coisa dele que eu teria por muito tempo…

Passei pelos corredores até chegar na porta de acesso para a área externa do castelo, onde ficavam os estábulos e o lago congelado. O guarda que estava ali me olhou com uma carranca, mas nada que um falso sorriso inocente não resolvesse, então ele abriu e eu pude respirar um pouco de ar livre. Minhas botas chutavam aquela neve nojenta — digo nojenta porque era só água em estado sólido. E também era suja — até a beira do lago. Havia um banquinho de madeira ali onde eu me sentei, agarrando meus joelhos enquanto olhava aquela imensidão. O terreno do castelo era gigante, os muros da parte de trás ficavam muito ao longe e eu simplesmente não conseguia entender para que tanto espaço.

Os flocos caíam em minha cabeça enquanto eu buscava respirar fundo e tentar pensar no equilíbrio, tentar não me afundar naquelas emoções que aquele evento estava me causando. Por vezes meu lobo tentou conversar comigo e até se desculpar, ele não era ruim, sempre foi tão dócil comigo… Mas não dava, simplesmente era impossível se controlar o tempo todo.

Soltei um longo suspiro e deixei todas aquelas coisas recaírem em mim. Eu só queria saber quando o exército finalmente chegaria para então darmos início ao sonho e fim ao pesadelo. Mas também sabia que não bastaria só que elas chegassem, precisavam se estabelecer, se planejar, então não era simples assim.

Lembrei do que Hyejin havia me dito, o fato de basicamente todos serem preparados a vida toda para aquilo e eu ter entrado como um cego em tudo isso, nada pronto, mas sendo uma chave importante. Consegui convencer a população, me tornei alguém mais forte e mais maduro, mas ainda sim dentro de mim um menininho medroso habitava. Sempre pensei que todos temos essa criança interior cheia de inseguranças e que só quer colo às vezes. Ninguém é cem por cento seguro de tudo e tão corajoso assim. Quem se mostrava de tal forma não passava de tolo.

Fiquei daquele mesmo jeito por alguns minutos, perdido na minha própria mente, vagando com os olhos e temendo a noite, até que senti uma mão em meu ombro.

— Ei, príncipe! — a voz atrás de mim disse animadamente e eu pulei de susto.

Na mesma hora eu me levantei igual a um gato assustado e demorei alguns segundos para assimilar que era Moonbyul ali, toda sorridente como se estivesse se divertindo com minha reação.

— Ah! — resmunguei — Não chegue assim nas pessoas!

Ela deu uma gargalhada e então se aproximou.

— Desculpe, bonitão, não queria te assustar, mas você estava tão quietinho no seu canto que deu até pena de te tirar dos seus pensamentos.

— Não me chame de bonitão, é esquisito. — resmunguei outra vez franzindo o cenho.

Ela levou sua mão até minha cabeça e bagunçou meus fios, me deixando com vontade de dar um belo soco naquele nariz fino, mas só fiquei com uma carranca.

— Eu tenho um segredo para te contar, quer ouvir?

— Olha, Moonbyul, você é bem esquisita e se você veio falar que eu sou bonitão de novo—

— O rei vai passar a noite fora e seu pai também, eu ouvi isso atrás da porta no café da manhã. É sua chance de se encontrar com seu Alpha, gracinha. — falou rapidamente me interrompendo.

— Espera, o que você disse?

Ela sorriu abertamente vendo minha plena confusão.

— O rei estava meio agitado hoje, parece que ele vai ao quartel nessa noite falar alguma coisa com um tal Jaebum, não sei. Daí parece que vai levar a noite toda, então… — disse maliciosamente — Talvez, quem sabe, você possa ir ver o Taehyung.

Minhas pernas ficaram dormentes de repente enquanto eu repetia cada palavra em minha mente. Era pra eu estar feliz com a possibilidade de poder ir ver Taehyung, mas…

Uma noite toda no quartel… Com os soldados… Não, isso não era coisa boa. Definitivamente não era.

— Moonbyul, você ouviu mais alguma coisa além disso? — indaguei preocupado.

— Infelizmente não, eu não podia ficar o dia todo com a orelha atrás da porta, além do mais… — Sua voz foi morrendo aos poucos e ela parece ter ficado aérea de repente.

— Moonbyul?

Não houve resposta, apenas um nariz franzido e olhos bem atentos.

— Moonbyul, pelo lobo, fale alguma coisa!

— Você está sentindo esse cheiro? — sussurrou ainda atenta.

Cheiro? Bem, meu olfato era bom, mas eu não estava sentindo nada, tive que me esforçar bastante para tentar acompanhar a Alpha em minha frente.

Franzi o nariz em busca do que ela estava captando e com muita dificuldade eu comecei a reconhecer.

“Ah não…”

— Isso é cheiro de Alpha no cio, mas está confuso de reconhecer. — murmurou — Como se estivesse longe, mas não está longe. E eu não sei de quem é.

— Alpha no cio… — sussurrei — Céus, Yoongi!

Alpha no cio e ainda com cheiro difícil de reconhecer só me fazia pensar no meu irmão. Saí correndo dali como uma bala, precisava avisá-lo antes que ele mesmo percebesse e acabasse entrando em pânico outra vez por isso. O céu sob nossas cabeças já estava se transformando num véu escuro, era difícil de se enxergar, mas mesmo tropeçando em meus próprios pés eu corri como um louco, tinha de me certificar de que ele estava bem.

Adentrei novamente o castelo e atravessei os corredores com pressa, subi as escadarias sem prestar atenção, pulando de degrau em degrau. Eu odiava ver meu irmão naquela situação.

Mais um problema para eu ter de lidar, céus, eu não aguentava mais!

Alcançando o corredor de nossos aposentos eu fui direto para a porta dele, torcendo para que não estivesse passeando por aí com Hoseok. Fechei meu punho e bati na madeira feito um louco, esperando uma resposta imediata.

Que graças ao lobo veio.

Ele abriu a porta com o cenho franzido, me olhava como se eu fosse um lunático — talvez eu até fosse.

— O que foi, Jin? — indagou.

— Yoongi, preste atenção. Tem algum Alpha no cio. Se não for Hoseok, não saia desse quarto por nada, entendeu? — falei tão rápido que eu duvidava que ele houvesse entendido o que eu quis dizer.

— Jin, eu não entendi uma palavra. Fale mais devagar.

Abri minha boca para poder dizer, era meu dever não deixar meu irmão em uma situação ruim outra vez, Yoongi não merecia esse trauma que carregava.

No entanto, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, uma sílaba sequer, senti meu corpo sendo puxado com pressa e um tanto de força. Foi tão rápido e tão brusco que não tive tempo para me virar e olhar, só ser arrancado da frente do meu irmão e levado para outro lugar.

Quando dei por mim, estava dentro do meu quarto, atônito e com o coração acelerado. Meu corpo estava de costas para a porta, essa que bateu e me fez pular ainda mais de susto. Eu estava com medo de olhar, de constatar o que realmente estava acontecendo. Da última vez que fui bruscamente arrancado de um lugar assim foi quando Minho tentou fazer tudo que há de ruim comigo. Céus, será possível que isso iria acontecer outra vez?

Minha respiração estava pesada, eu estava com medo, muito medo. Mas conforme eu fui decidindo se olhava ou não quem era aquela pessoa e o que estava acontecendo, os passos se aproximaram cada vez mais de mim. Eu não conseguia sentir o cheiro característico, mas sim o cheiro de Alpha no cio. Ele ia ficando mais forte, mais evidente e isso estava me deixando temeroso.

Quem era aquela pessoa e por que eu me recusava a olhar? Havia ficado traumatizado, assim como meu irmão?

Foi quando estava próximo o bastante que senti os braços passando por minha cintura e o corpo se colando com o meu. Aquele calor que sua pele emanava era conhecido, real.

Então meu coração foi se acalmando e minha mente ficando menos nublada. A sensação de medo foi sumindo e eu finalmente consegui entender o que estava acontecendo. Meus ombros relaxaram pelo toque, meu coração se acalmou e eu só consegui sorrir quando sua voz grave e profunda sussurrou em meu ouvido.

— Me desculpe ter feito assim, mas eu precisava ser rápido. — deixou um selar atrás de minha orelha — Eu estava com saudades de você, meu amor.


Notas Finais


Vamos às constatações:

1 - Hyejin lobo real assim como Seokjin;

2 - Lua de Sangue afetando àqueles que se sentem vulneráveis;

3 - Exército do Norte tratando coisas com urgência;

4- Taehyung no cio!!!!!!!!

5 - Taejin juntinhos, por mais que seja por pouco tempo!!!!

Senhor, eu to só a carcaça depois de escrever esse capítulo, ufa.

Mas bem, sobre a Hyejin, é como ela disse: numa guerra não dá pra esconder as coisas por muito tempo. Na minha concepção, Jin ter falado pra ela foi realmente uma boa decisão, já que ela sabe muito sobre a lua de sangue. Eu no lugar dele estaria desesperado e gritando aos quatro cantos "ALGUÉM ME AJUDA PELO AMOR DE DEUS"

Galerinha no grupo do wpp tá encucado com a carta do capítulo passado, as teorias a todo vapor kakakaka pena que não consegui acompanhar isso ontem por alguns motivos, mas será que nesse capítulo ainda não ter questionamentos? Hmmmm

Enfim, deixem seus gritos, surtos, a vontade de me bater, o que vcs quiserem aí nos comentários kkkk até semana que vem <3


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