História A Bruxa de Xendor - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - O Grupo de Caça às Bruxas


Abri os olhos vagarosamente, acordando ao som do bater do martelo vindo da sala vizinha a que estava, senti uma dor de cabeça horrível e desejei não ter acordado, olhei para o relógio na parede, a qual me mostrava que acordei extremamente tarde, sendo 13:35. Essas novas tecnologias são de fato extremamente convenientes, há algumas décadas atrás tínhamos que adivinhar a passagem do tempo através do sol, ou usar outros métodos extremamente imprecisos, tão imprecisos que nem tínhamos conceito de minuto. Não era comum eu acordar essa hora, também não lembro ter dormido tão tarde, isso e as dores de cabeça começaram recentemente, talvez seja alguma doença do sono que desenvolvi?

Enfim, é estranho meu pai não ter vindo me acordar, e pelo bater do martelo que estou ouvindo, ele já começou a trabalhar faz algum tempo. Somos uma família de apenas duas pessoas, e nossa condição financeira é mediana, entretanto nossa casa é extremamente pequena, contendo apenas dois quartos, esse quarto que estou agora é onde o meu pai e eu moramos e dormimos, o segundo quarto, onde ele provavelmente está agora, é a sua oficina, meu pai é um ferreiro de reputação boa, e sua oficina está cheia de coisas de ferreiro, como algumas forjas para esquentar o metal, várias ferramentas para moldar o metal, como martelos, talhadeiras e bigornas, entre outras coisas. E eu sou o seu aprendiz. É um trabalho legal e não é como se eu tivesse muita escolha, mas ainda assim às vezes me imagino trabalhando em outros tipos de trabalhos.

Levantei-me da cama, comi dois pães e um pouco de queijo rapidamente, e então fui para o segundo quarto, cumprimentar o meu pai.

“Boa tarde,” ele disse com uma expressão séria ao ouvir a porta se abrir.

“Boa tarde, pai,” respondi seu cumprimento. “Parece que acabei acordando tarde de novo, me desculpe.”

“Sem problemas, eu iria te acordar, mas você parecia tão cansado, então resolvi deixa-lo dormir,” ele disse ainda batendo com o martelo em uma espada que pela aparência, já estava quase terminando.

“Nossa, então essa é a espada que Lorde Hans encomendou?”

Lembro-me que ele estava trabalhando nessa espada já faz uma semana, mas só agora que sua forma estava se demonstrando algo que se parecesse com uma lâmina, e pela aparência, seria uma espada de exímia qualidade.

“Sim, acredito que irei terminar hoje, uma das minhas melhores criações,” ele falava isso com um ar de orgulho pairando sobre ele.

“De fato, parece que será uma espada maravilhosa, digna do nosso Conde, você deve estar bastante orgulhoso, e eu também tenho muito orgulho de você, pai. Espero algum dia poder criar uma espada assim.”

“Não acho que demorará muito até você me superar, você já demonstra bastante talento para um homem de sua idade, e com um professor como eu, suas habilidades florescerão mais cedo do que imagina,” ele disse essa última parte soltando uma leve risada, provavelmente se gabando. “Enfim, o que me preocupa mesmo é você acordando tão tarde ultimamente, está se sentindo bem?”

“Sim, só um pouco de dor de cabeça.”

 “Será que pegou algum tipo de doença? Talvez seja melhor passar no herborista pra pegar alguns medicamentos para essas dores de cabeça.”

“Eu estou bem pai, não é nada para se preocupar. Pai, Ernst me falou que queria falar uma coisa importante com o pessoal hoje, nós marcamos de nos encontrar 3:00 horas da tarde. Então desculpa, não vai dar pra te ajudar com os trabalhos de hoje.”

“Sem problemas, só se lembre de voltar antes de escurecer.”

Meu pai sempre foi muito cauteloso com esse tipo de coisa, ainda mais devido aos acontecimentos recentes.

Como posso dizer isso, bem, nossa cidade, Xendor, está sofrendo uma série de incidentes horríveis, que está pondo um medo imensurável nos corações da população. 20 mortes aconteceram nos últimos meses, todas feitas de modo horrível e ritualístico, o que acabou fazendo o assassino ganhar o apelido de a Bruxa de Xendor. Mas a verdade é que ninguém sabe quem é o assassino, não sabe nem se é um homem ou uma mulher, e se de fato é uma bruxa de verdade. Eu pessoalmente não acredito que seja uma bruxa, afinal esse tipo de coisa não existe. Mas também nunca cheguei a ver um desses corpos que sofreram esse destino terrível, nunca cheguei a ver se aquilo pudesse ser chamado do trabalho de uma bruxa. Tudo que sei é que as vítimas foram mortas de uma maneira horrível, de um jeito que parecessem sacrifícios de algum ritual tenebroso para algum deus profano ou demônio do Inferno.

O medo do meu pai em eu não voltar antes do escurecer, é que todos os assassinatos aconteceram de noite, mas não é como se eu não estiver na rua no meio da noite fizesse muita diferença, afinal vários desses assassinatos, pelo o que eu ouvi, aconteceram dentro das casas das vítimas, então se essa “bruxa” quisesse me matar, eu estando na minha casa não faria muita diferença. Bom, também não posso negar que vários outros assassinatos aconteceram na rua também, mas esses são em menor quantidade, afinal, com a criação do novo toque de recolher, a qual diz que ninguém pode ficar nas ruas a partir de dez horas sem permissão, não é como se tivesse muitas pessoas perambulando pela rua há essa hora.

“Pode deixar, pai, voltarei antes de escurecer.”

Comecei a andar até a porta que dá até a rua, mas então me lembrei de algo e virei-me para o meu pai, o perguntando.

“Pai... o que aconteceu com a mamãe?”

Por um momento, meu pai parou de bater o martelo e um longo silêncio permaneceu no ar. Minha mãe morreu faz alguns meses atrás, ela foi uma das primeiras vítimas, eu estava dormindo quase o tempo todo, o meu pai viu tudo, mas ele nunca me contou o que aconteceu, e não achei que ele iria me contar agora. Estava prestes a virar as costas e sair de casa quando me surpreendo ao ouvir o meu pai falando.

“Conversaremos sobre isso mais tarde, quando você voltar.”

Acenei com a cabeça, satisfeito, e sai de casa. Fechei a porta atrás de mim e comecei a andar, mas antes dei uma última olhada para a minha casa, logo acima da porta tinha uma placa com a figura de uma bigorna e as palavras “Forja de Ewalrd Hertz” escrito, o nome do meu pai. Como já deve saber, é uma forja de bastante renome, afinal, o próprio Conde de Xendor, Lorde Hans Krämer, havia encomendado uma espada aqui, meu pai era bastante famoso entre ferreiros, ainda assim vivíamos uma vida bem modesta. E um dia eu iria ter que herdar o seu nome.

Deixei meus devaneios de lado e comecei a andar pelas ruas de Xendor, olhei para o meu relógio de pulso, ainda faltava algum tempo para o encontro com os meus amigos, então resolvi caminhar um pouco pela cidade até dar a hora. Xendor é uma cidade bem grande, não sei exatamente a quantidade de população, talvez 20000 pessoas ou mais? As ruas da cidade sempre pareciam tão cheias de pessoas em todos os horários com exceção de noite, podia se ver mulheres carregando baldes de água, crianças brincando pela rua, era uma cidade bem energética, nem parecia que tinha uma “bruxa” matando pessoas por aí. Mas no fundo eu sei que a realidade é outra, essa energia toda era só de dia, quando chegava a noite, a qual é o domínio governado pela Bruxa, todos ficavam apavorados, com medo de serem os próximos alvos da Bruxa. Afinal, 20 mortes não é algo que se pode ser facilmente tolerado ou esquecido, é uma série de assassinatos cometidos por um assassino profissional, que conseguiu até agora matar 20 pessoas sem ser pego. Motivo dos assassinatos? Ninguém sabe, não é como se a Bruxa tivesse um motivo concreto para matar essas pessoas, se ao menos tivesse um padrão, tipo, matando apenas pecadores ou prostitutas, mas não, os alvos costumam serem os mais aleatórios possíveis. E claro, tem alguns que dizem ter visto essa Bruxa, o meu pai sendo um. Lembro-me que na época ele foi questionado por diversos vizinhos e até mesmo pela guarda da cidade, mas não acho que ele contou algo de útil para eles. Outras testemunhas descrevem uma pessoa vestindo um grande manto vermelho, e sua face escondida por uma simples máscara de madeira, ou será que seu corpo inteiro é feito de madeira e sua face é nada mais uma extensão daquilo? Afinal, essa máscara, pelo que eu ouvi das descrições, é uma máscara tão simples que nem parecia uma máscara, é como se fosse a face da Bruxa, e dois olhos negros como a noite.

Andei por mais algum tempo até dar 14:50, e então me pus a andar até o local de encontro, onde meus amigos e eu costumamos usar para nos encontrar e conversar, uma pequena e desconhecida taverna em uma parte mais isolada da cidade, costumávamos dizer que ali era o nosso lugar secreto, somos basicamente os únicos clientes frequentes da taverna. Andei por mais alguns minutos até finalmente chegar na taverna, adentrei a mesma sem muita cerimônia, checando o meu relógio e vendo que é 15:00 em ponto.

“Erwin, como sempre, bem pontual,” alguém disse logo após eu ter entrado no lugar, era o meu amigo, Ernst, ele já estava sentado em uma mesa no meio da taverna.

“Bem-vindo,” o velho taverneiro disse para mim, se curvando.

“Boa tarde pessoal, boa tarde Tom,” dizia essa última parte me dirigindo ao velho taverneiro.

Aproximei-me da mesa onde estavam os meus amigos, lá sentado estava Ernst Ackermann e seu irmão, Adalger Ackermann, lado a lado, haviam grudado as mesas como costumam fazer, do lado oposto da mesa estava sentado Konrad Beckenbauer e a sua namorada ao lado, Hanna Fertig. Em uma das pontas, está sentado Manfred Wolff. Sento-me na ponta oposta à Manfred. Ainda estava faltando chegar Abigail Dunkel, Dietmar Teicher e Alwin Falkenrath.

“E em compensação, vocês chegaram cedo de mais,” dizia já vendo que a maioria do grupo já se encontrava na taverna. “Então Ernst, o que é tão importante pra você chamar a gente sem ser nos usuais finais de semana?”

“Calma, deixe todo mundo chegar primeiro para eu falar.”

“Deve ser algo bem importante para você e Adalger deixarem a fazenda onde moram fora da cidade para virem aqui nesse dia.”

“Como falei, calma, tudo há o seu tempo, Tom, tem como preparar um pouco de chá para nós?” Ernst gritava para o taverneiro.

Essa taverna costumava servir apenas cerveja barata, mas como somos quase todos de menores, não podíamos beber bebidas alcoólicas, então o velho Tom mudou um pouco o seu cardápio e conseguiu adquirir alguns tipos de chás de alguns comerciantes. O taverneiro acena com a cabeça e coloca-se para trabalhar.

“Erwin, como você vem passando esses últimos dias?” perguntou Konrad, ele deve estar se referindo à morte da minha mãe.

Desde que minha mãe morreu, meus amigos ficavam me perguntando isso direto, como se eu estivesse completamente deprimido e abalado, sim, eu me senti desse jeito no começo, até chorei algumas vezes, mas isso é passado, tudo o que sinto agora é ódio pela Bruxa. Afinal, eu duvido que minha mãe gostasse que eu continuasse lamentando sua morte para sempre.

Na verdade, não entendia isso de jeito nenhum, os pais de Ernst e Adalger também morreram da mesma forma, uma rara exceção onde teve duas vítimas na mesma noite, mas como eles agem sempre sorridentes e demonstrando um ar de que não estão abalados, não são tratados assim pelo resto do grupo, não, até os próprios dois me tratam assim, como se eu fosse de alguma forma mais sensível que eles.

“Como eu já falei várias vezes, sim, estou passando meus dias muito bem.”

Konrad sempre tentou ser um tipo de irmão para mim, mas isso às vezes me irritava.

“Entendi, então, amigos, gostaria de anunciar algo extremamente importante,” Konrad disse olhando para Hanna.

“Oh, e o que seria isso?” Adalger perguntou.

Hanna parecia envergonhada, e Konrad continuou, “Hanna e eu vamos nos casar.”

“N-não era pra contar a eles, idiota.” Hanna disse ficando vermelha. “Não vamos nos casar ainda, eu quero completar no mínimo 18 anos antes de nos casarmos, mas ele acabou pedindo um pouco cedo de mais, claro, eu dei um ou dois socos nele e disse para esperar mais um pouco.”

“Hanna, você sempre foi uma pessoa muito agressiva, não sei como Konrad te aguenta,” dizia Ernest soltando uma leve risada.

“Ei, eu não sou tão ruim assim, eu acho,” ela disse com uma cara confusa e então muda sua expressão para raiva, ficando completamente vermelha. “Sim, não sou tão ruim assim, retire o que disse ou quebro sua cara.”

“Que assustador, cara de tomate.”

“Sim, a cara dela parece a de um tomate quando ela fica com raiva,” dizia Adalger rindo junto com Ernst.

“Ei, não provoquem minha noiva,” disse Konrad quase rindo também.

Hanna levantou-se da cadeira e começou a andar dando a volta na mesa.

“Agora a coisa ficou séria, corre irmão,” Ernst dizia se levantando de seu assento, Adalger se levantava logo depois. Os dois começaram a correr, cara de tomate, digo, Hanna, começava a correr logo depois atrás dos dois.

Ela pegou uma cadeira que achou pela frente e jogou com uma força sobre-humana para uma garota de 16 anos em direção de Ernst, o taverneiro olhava para tudo aquilo como se fosse normal. A cadeira por pouco não acerta Ernst.

“Hanna, se você quebrar algo aqui, quem vai ter que pagar vai ser eu,” disse Konrad.

De fato, a condição financeira de Hanna não é das melhores, ela mora sozinha com sua mãe, seu pai morreu quando ela era bem pequena e desde então sua mãe cuida dela por conta própria. Diferente dela, Konrad vinha de uma rica família de nobres e comerciantes, seu pai vivia viajando a negócios, e sua mãe morava em Xendor, administrando uma renomada loja de joias.

Hanna não da ouvidos a Konrad e continuava perseguindo Ernest e Adalger pela taverna inteira, nesse momento a porta para a taverna se abria e de lá entrava Dietmar Teicher.

“Dietmar, finalmente chegou. Com você, agora só falta Abigail e Alwin,” perguntei já impaciente sobre seja lá o que Ernst queira falar.

As três “crianças” correndo pela taverna parecem não ter notado Dietmar chegar.

Manfred se levantava de sua cadeira e se aproximava de uma mesa próxima, ele pegou uma cadeira e trazia para a nossa mesa, colocando-a do lado da cadeira dele, diagonalmente em direção à mesa.

“Sente-se aqui, Dietmar,” ele disse seriamente, Manfred sempre foi uma pessoa séria, acredito que ele seja o mais velho do grupo, única pessoa a qual ele realmente se dá bem é Dietmar, ele não costumava falar muito, mas quando falava, geralmente era com Dietmar, mesmo tendo raras vezes que ele se dirigia ao restante do grupo.

Em contraste, Dietmar era uma pessoa bastante tímida, ele andava timidamente pela taverna até chegar ao assento que Manfred o mostrou, ele também não era muito de falar com exceção das vezes que conversava com Manfred, mas isso é devido a sua timidez, acredito que ele seja o mais novo do grupo.

“O-obrigado,” Dietmar dizia se sentando em seu assento.

“Dietmar, seja bem-vindo,” disse Ernst notando ele, ao dizer isso, ele deixou sua guarda baixa e Hanna o alcançou, ele começava a gemer de dor enquanto Hanna puxava sua orelha.

Ela puxou a orelha dele por alguns bons segundos e por fim o soltou, não antes de dar um soco em sua cabeça, satisfeita, ela retornou para a sua cadeira. Adalger suspirava aliviado por ter escapado da fúria de Hanna, e ambos os irmãos retornaram para seus lugares.

“Dietmar, ouvi dizer que você adotou outro gato, esse é o que, o quinto gato que já tem? Sem contar os dois cachorros e os três pássaros, esses últimos dois animais até entendo, mas você sabe, não é? Gatos são ferramentas de bruxas,” disse Adalger com um sorriso malicioso.

“S-sério?”

“Além do mais, soube que você cuida deles como animais de estimação, até mesmo os cachorros. Cachorros são animais muito importantes, usados principalmente para caça, mas nunca soube de você ir caçar, apenas os mantendo como meros animais de estimação. Soube que essa sua mania de pegar animais está causando problemas até para a sua família.”

“Você sabe muitas coisas para um mero fazendeiro morando fora da cidade,” disse Manfred com seu usual tom de seriedade. “Se Dietmar gosta tanto de animais, isso não é da sua conta, afinal, às vezes a companhia de um animal é mais desejável do que a de um humano.”

“Ei pessoal, somos todos amigos aqui, não é? Não precisamos nos rebaixar a provocações e insultos,” dizia Konrad tentando amenizar a situação.

Adalger solta uma leve risada e então fala, “Eu não quis causar nenhuma mal a você, Dietmar, espero que aceite minhas desculpas.”

Seu tom não parecia a de uma pessoa pedindo desculpas, mas parece que Dietmar não havia notado isso.

“Não é n... não é n-nada com o que se preocupar.”

Nesse momento, a porta da taverna se abria novamente, e de lá entrava Abigail, ao notar isso, Adalger e Ernst começaram a gritar em uníssono, “Queimem a bruxa, queimem a bruxa, queimem a bruxa!”

“Ha-ha, muito engraçado,” ela diz se aproximando da mesa ao pegar uma cadeira de outra mesa, e colocar do meu lado, diagonalmente na mesa, e por fim, se sentando.

“Ei, seus malditos, querem levar outra surra?” Hanna diz irritada com a infantilidade dos dois.

Há rumores de que Abigail estava estudando coisas não tão boas vistas pela sociedade em sua biblioteca, como magia negra e o oculto. Eu sinceramente não sei o que pensar sobre isso, Abigail sempre foi uma jovem bem reservada, não falando muito sobre si mesmo, sua melhor amiga é Hanna, então talvez Hanna saiba de mais coisas, mas caso ela saiba, não é como se ela fosse sair contando pra todo mundo da vida de sua amiga. Enfim, também há outros rumores mais engraçados como Abigail gostar de comer pedras preciosas tipo ametista.  Já esses rumores, são um completo absurdo.

Deixei meus pensamentos de lado e então falei, “Ótimo, agora só falta o Alwin chegar.”

“Ah, sobre isso, Alwin disse que não iria vir hoje, disse que estava muito ocupado com o trabalho, então podemos começar sem ele,” disse Ernst.

“Então desembucha logo, sobre o que é essa reunião repentina?” disse Hanna perdendo a paciência.

“A Bruxa de Xendor,” ele falou com um tom mais sério que o normal.

“O que tem a Bruxa?” perguntei não entendendo aonde ele queria chegar com isso.

“Já ficaram sabendo da nova vítima da Bruxa? Aconteceu ontem de noite, senhora Martha, que mora em uma fazenda bem perto da minha, morreu de uma maneira horrível.”

“E o que isso tem a ver conosco?” dizia ainda não entendendo o que Ernst queria ao falar sobre a Bruxa.

“O que eu quero dizer, é que isso tem que parar, essa Bruxa já aterrorizou nossa cidade por tempo de mais, eu sugiro que levantemos armas e formemos um grupo de caça às bruxas.”

“O quê? Ridículo, somos meros jovens, o que você espera que façamos?”

“Oh, vai amarelar, Erwin? Pensei que você, de todas as pessoas, me entenderia, afinal você e eu, ambos perdemos entes queridos.”

“É verdade que eu sinto um grande ódio pela Bruxa, mas não acho que minha mãe iria querer que eu arriscasse minha vida pra ir atrás da Bruxa por vingança, além do mais, meu pai nunca iria aprovar disto.”

“Não pense nisso como vingança, se pegarmos a Bruxa, as pessoas deixarão de morrer, isso não é uma causa justa? Além do mais, somos meros jovens, mas cada um de nós tem algo a contribuir, por exemplo, você, Erwin, você tem acesso a diversas armas a qual podemos usar para combater a Bruxa.

“Abigail, seu conhecimento de bruxaria seria muito útil se for verdade. Konrad é um individuo bastante intelectual, e suas ideias seriam de grande ajuda na investigação. Hanna pode, bom, ela pode meter um soco na Bruxa, isso, com certeza seria muito efetivo. Manfred é o mais adulto daqui, ele manteria nós em linha, e quem sabe? Talvez a Bruxa morra olhando para a cara feia dele. Dietmar é tipo um druida daquelas estórias de fantasia, ele pode soltar seus cachorros na Bruxa.”

“E eu sou o mais bonito daqui, talvez a Bruxa se apaixone por mim e desista de matar mais pessoas,” disse Adalger alisando seus cabelos sedosos.

“Ernst, Adalger, essas razões não foram muito convincentes, vocês dois querem criar um grupo de caça às bruxas, e nem estão levando a sério,” disse Konrad quase soltando uma risada.

“Mas eu estou falando sério, então, Erwin, o que me diz?” Ernst olhava diretamente em meus olhos enquanto fazia aquela pergunta.

“Vou ter que consultar o meu pai primeiro, e ele provavelmente vai dizer não.”

“Claro, amanhã vamos nos encontrar aqui novamente, quando chegar a hora, me diga se conseguiu convencer o seu pai, e vocês dois, Konrad e Hanna, o que me dizem?”

Os dois se olhavam pensativos e então Konrad respondeu, “Gostaríamos de pensar um pouco mais sobre o assunto, amanhã te damos a resposta, certo?”

“Claro, sem pressão, e você, Manfred?”

Manfred também parecia pensativo por alguns segundos, mas por fim respondeu, “Estou dentro.”

Um leve sorriso podia ser visto na face de Ernst, como se ele estivesse esperando por algo, que não demorou muito a vir.

“S-se Manfred vai se j-juntar ao grupo, então eu também vou.”

“Dietmar, você não precisa se juntar por causa de mim.”

“M-mas eu quero me juntar, n-não precisa se preocupar comigo.”

“Muito bom, então está resolvido, não quero ouvir reclamações depois, e você Abigail?” disse Ernst virando sua face até a jovem.

“Também estou dentro,” ela diz sem hesitar, para a surpresa de todos.

Não imaginei que ela fosse do tipo que arriscaria sua vida para lutar com uma bruxa, ainda mais com os rumores de que ela praticava magia negra.

Nesse momento, o taverneiro finalmente chegou com uma bandeja, ele entregou uma xícara para cada um de nós, e despejava o chá nas mesmas.

Bebo um gole do chá imediatamente ao receber meu chá.

“Finalmente velhote, que demora foi essa?” perguntou Adalger indiscretamente.

“Mil perdões, tive alguns problemas com a preparação do chá,” respondeu o taverneiro, ele se curvou brevemente e voltou para o seu posto.

“Muito bom, agora sabe o que precisamos? Um nome para esse novo grupo de caça às bruxas, e eu tenho o nome perfeito, grupo de caça às bruxas de Ernst e seus súditos,” disse Ernst batendo no peito orgulhosamente.

“Isso é uma piada? Quer levar outro soco?” perguntou Hanna batendo seu punho contra a palma de sua outra mão.

“E você tem um nome melhor?”

“Talvez eu tenha,” responde Abigail, para a surpresa de Ernst.

“Oh, e o que você sugere?”

“Que tal Xenja?”

“Xenja, o que isso significa?”

“É a combinação de duas palavras de uma linguagem antiga, bruxa e caça.”

“Olha, então é verdade que você estuda ocultismo e magia negra?” perguntou Adalger com um sorriso malicioso no rosto.

“O quê? Eu só disse que é de uma linguagem antiga, não tem nada a ver com bruxaria.”

“Se você diz, então, irmão, o que acha desse nome?”

“Pode ser,” respondeu Ernst. “Muito bem, o grupo se chamará Xenja. Antes de tudo, eu gostaria de fazer uma pergunta, respondam levantando a mão, quem aqui acredita que o assassino é uma bruxa de verdade?”

Abigail, Hanna, Manfred e Dietmar levantaram as mãos.

“Um monte de gente, pelo que vejo, mas você surpreendeu-me, Manfred, por que acha que a Bruxa é de verdade? Não pensava que fosse esse tipo de pessoa.”

“Porque eu já a vi,” Manfred disse aquilo com o seu tom sério de sempre, surpreendendo o grupo.

“O quê? Você nunca nos contou isso.”

“Nunca pensei que fosse necessário, então contei apenas a Dietmar, mas agora é diferente com a criação desse grupo.”

“Então, o que você viu?” perguntou Hanna com curiosidade em seus olhos.

“Eu vi um manto vermelho, e uma face de madeira, mas o mais importante que me fez acreditar que era de fato uma bruxa, foram as seis espadas.”

“Seis espadas? Então a Bruxa estava carregando seis espadas, não me diga que ela tinha seis mãos?”

“Não, as espadas estavam levitando ao redor da Bruxa, e moviam-se ao comando dela.”

“E como diabos você achou a Bruxa pra começo de conversa?” perguntou Ernst.

“Dietmar queria me mostrar algo, então nos encontramos nessa taverna, ficamos conversando por um bom tempo, e nem percebemos que quando terminamos, já estava de noite. Mas isso não é importante, depois de nossa conversa eu fui para casa, e no caminho eu vi a Bruxa, ela estava atacando uma mulher com suas seis espadas flutuantes, eu tentei impedir a Bruxa, mas foi tarde de mais, ela cortou a mulher em pedaços, as lâminas daquelas espadas cortavam a carne da mulher como se fosse nada, como se as espadas estivessem encantadas com algum tipo de magia da Bruxa. Sei que isso é difícil de acreditar, então não vou pedir para que acreditem.”

“E o que a Bruxa fez com você ao te notar?” perguntei.

“Nada, ela não fez nada, eu tentei ataca-la, mas a Bruxa olhou para mim e simplesmente desapareceu na escuridão da noite antes que eu pudesse fazer qualquer coisa.”

“Hm, bem difícil de acreditar mesmo,” disse Konrad, pensativo, tentando digerir a informação passada por Manfred.

“M-mas é verdade, Manfred n-nunca mentiria,” disse Dietmar insatisfeito por estarmos duvidando Manfred.

“Bom, se isso é verdade, então significa que estamos lidando com uma bruxa de verdade,” comentou Hanna. “Alguém tem alguma ideia de quem poderia ser essa bruxa, ou de como derrotar um ser com tal poder?”

Todos pareciam pensativos por um momento, até que Abigail abriu a boca, “Já ouviram falar da bruxa Erika?”

O nome era de alguma forma familiar, mas não consigo me lembrar de onde eu ouvi sobre essa pessoa, o resto do grupo também não parecem saber mais do que eu, vendo nossas faces de confusão, Abigail continuou.

“É uma bruxa que viveu na floresta Walne mil anos atrás, seu nome era Erika a Escarlate, ela não necessariamente matava pessoas como a bruxa atual, mas ela costumava fazer pactos com humanos, oferecendo seus serviços aos humanos, dando a eles o que eles mais desejavam. Geralmente isso vinha a um preço terrível, por isso que depois de um tempo o povo se uniu e ela foi queimada na fogueira.”

Floresta Walne, isso é um nome que eu sabia, é a floresta que cercava completamente o leste de Xendor, é considerada uma floresta bastante perigosa.

“Se o que você diz é verdade, então não significa que ela está morta já faz centenas de anos?” perguntei não entendendo a conexão com a bruxa atual e a bruxa do passado.

“A morte pode ser apenas um estado temporário para uma bruxa, e se ela de alguma forma retornou a vida e agora está exercendo vingança contra a cidade que uma vez a sentenciou a morte? Uma coisa que me chamou a atenção é o manto vermelho descrito por Manfred e outras testemunhas, sim, Erika não usava uma máscara de madeira, mas ela tinha longos cabelos vermelhos da mesma cor que suas vestimentas.”

“Isso é uma possibilidade, mas não significa que é a única possibilidade, também pode ser apenas outra pessoa tentando imitar essa antiga bruxa,” disse Konrad com o seu tom sereno e calmo de sempre.

O grupo continuou discutindo a possibilidade de ser ou não, a bruxa Erika a Escarlate, enquanto eles discutiam eu permanecia calado em profundo pensamento.

Onde eu já ouvi esse nome? Não parecia ser o tipo de coisa que seria sussurrado entre a população de Xendor, afinal, é uma bruxa que viveu há mil anos atrás, isso é bastante tempo. Não teria muitas pessoas que se lembrariam de uma história tão antiga, suponho que Abigail tenha descoberto isso lendo algum livro em sua biblioteca, mas leitura não é o meu forte, na verdade não é comum entre a maioria da população, eu sou sortudo de sequer saber ler e escrever, diferente de no mínimo metade de população de Xendor. Estaria surpreso se sequer tivesse muitos frequentadores na biblioteca de Abigail. Ainda assim, eu me lembro de ter visto ou ouvido o nome Erika em algum lugar, mas por algum motivo me deu um branco total. Após tanto tentar fazer minha mente se lembrar, olhei para o meu relógio de pulso, que me dizia que já era 17:00, parece que estávamos conversando durante duas horas, já ia anoitecer em breve, talvez seja melhor eu voltar agora antes que escureça por completo.

“Pessoal, tenho que ir,” eu dizia me levantando da cadeira.

“Mas já?” perguntou Konrad.

“Sim, meu pai anda muito preocupado ultimamente sobre eu ficar fora durante a noite, bom, se me dão licença, até amanhã.” Acenava com minha mão e andei até a porta da taverna que da até as ruas. Alguns disseram até, outros tchau, e alguns não disseram nada.

Fechei a porta atrás de mim e me pus a andar até o bairro onde estava a minha casa, a caminhada durou pelo menos cinco ou dez minutos, mas por fim cheguei à minha casa, abri a porta lentamente e antes mesmo de completar minha ação, sou recebido com um “bem-vindo”, meu pai provavelmente achou que eu fosse um cliente ou algo do tipo.

“Estou de volta,” eu disse ao entrar por completo.

“Erwin, você chegou, veio antes de escurecer como prometeu.” Ele estava como sempre, batendo seu martelo, moldando um pedaço de metal diferente da espada de antes.

“Pai, já terminou a espada do Lorde Hans?” Ele acenava afirmativamente com a cabeça. “Posso ver?”

Meu pai parou de martelar o metal por um momento, colocando o martelo de lado, ele se aproximou do canto da sala, onde eu já conseguia ver a espada, ele a pegava com as duas mãos e se aproximava de mim, estendendo a espada para que eu pegasse.

Estendi minha mão direita e peguei a espada pelo cabo, imediatamente senti o peso e usei minha segunda mão para segurar. Era uma espada massiva, talvez um metro e meio de comprimento apenas da lâmina, a guarda era em formato de pera, quase lembrando uma cruz com exceção de que é curvada, e havia duas coisas pontiagudas que lembrava espinhos mais ou menos um terço de distância do cabo até a ponta da espada. O cabo era cinza e o pomo tinha o formato de uma águia, que acreditava ser o brasão da família Krämer. A lâmina parecia extremamente afiada, quis colocar meu dedo contra o gume para testar o quão afiada a espada seria, mas por fim me reprimi, afinal, seria idiotice e eu provavelmente iria me cortar.

“Acabei de terminar, quero que vá entregá-la amanhã.”

“Uma espada exímia,” elogiei a espada enquanto a devolvia para o meu pai.

Meu pai andou até o canto da sala novamente com a espada em mãos, e a colocou para repousar contra a parede. Ele retornou para a bigorna e começou a bater no metal novamente.

“Pai, quer ouvir sobre o que Ernst queria falar?”

“Vá em frente.”

“Ele queria criar um grupo para caçarmos a bruxa que aterroriza Xendor, eu disse que só entraria com a sua permissão.”

“E nem preciso dizer que minha resposta é não.”

“Como esperava, bom, eu tentei.”

Dei de ombros. Nada que eu falasse iria convencer o meu pai. Então me lembrei do que ele falou mais cedo.

“E sobre a mamãe? Você me disse que iria falar sobre a morte dela.”

Ele parou de bater o martelo novamente, o colocando no chão e fechando os olhos, ele parecia estar pensando profundamente sobre o que falar e por fim ele começou.

“Era uma noite chuvosa, lembro-me que sua mãe não estava conseguindo dormir direito devido ao incessante barulho da água caindo. Então eu decidi ficar acordado até ela ficar com sono, estávamos nessa sala, pois não queríamos acordar você, conversamos sobre várias coisas sob a luz de uma vela, a chuva era tão forte que parecia que iria derrubar nossa casa, estávamos tão entretidos conversando sobre várias coisas que quase não percebemos um barulho vindo do quarto onde você estava.”

Ele parou por um momento, hesitando. Notei algo diferente em seu olhar, mas não sei dizer exatamente o que aquilo significava. Ele ficou calado pelo o que parecia ser uma eternidade, e eu não ousei o pressionar para continuar e não foi necessário, pois depois de algum tempo, ele continuou por conta própria.

“Nós decidimos ir ver o que aconteceu, abrimos a porta para o quarto, e lá vimos uma cena aterrorizante. Era uma criatura que não sei como descrever, a janela estava aberta então presumo que ele de alguma forma entrou por ela, a criatura estava com o olhar vidrado em sua direção, que dormia inocentemente sem saber o que estava acontecendo. Eu imediatamente corri em sua direção e o peguei em meus braços. Você parecia que estava morto, mesmo com o meu movimento brusco ao te pegar, você não acordou de jeito nenhum.

“Era como se aquela criatura estivesse conjurado um feitiço sobre você. Eu recuei com você até a porta, onde estava a sua mãe, a criatura virou para mim e avançou com uma velocidade sobre-humana, foi nesse momento que sua mãe avançou e recebeu o ataque da criatura por completo, ela foi estraçalhada na minha frente, e eu não pude fazer nada. Depois disso acredito que a criatura ficou satisfeita, pois foi embora pela janela, e naquele momento você acordou.”

Ouvi tudo aquilo atentamente, sem interromper em nenhum momento. Minhas memórias do ocorrido eram vagas, não me lembro de muita coisa, mas essa descrição do assassino que o meu pai deu era bastante intrigante.

“Como era essa criatura, tinha um manto vermelho e uma máscara de madeira?”

“Não. Não era um humano, não era um humano, eu tenho certeza disso, não tem como aquela coisa ter sido um humano.”

Manfred e outras pessoas que descreveram ter visto a bruxa disseram que era uma pessoa com um longo manto vermelho que cobria quase todo o seu corpo, e no lugar de sua face, o que se parecia com uma máscara de madeira, e ainda assim, aqui estava o meu pai, dizendo que era uma criatura e não dando nenhuma descrição além disso. Senti que meu pai estava escondendo algo, mas o quê? Eu não sei, e decidi não o pressionar, quando olhei para a janela, percebi que já havia escurecido.

“Vá dormir, vou trancar a porta e as janelas,” ele disse esfriando o metal que estava batendo e o guardando.

Ele pegou uma chave que estava em cima de uma mesa e trancou a porta, e então retornou a chave para a mesa. Após isso, ele começou a fechar e checar as janelas, e eu fui para o outro quarto, dormir.

Enquanto deitado, eu estava tentando digerir o que o meu pai falou, se ele falou a verdade, a pessoa que matou minha mãe era diferente da pessoa que estava matando o restante por aí. Mas será que o que o meu pai disse era a verdade? Não consegui imaginar em nenhum motivo dele ter mentido para mim. Antes que eu percebesse, já havia caído em descanso, dormindo sossegadamente, só lembrei-me vagamente do meu pai passando por mim, fechando as janelas desse quarto, e então retornando para a outra sala.

Acordei, por alguma razão, senti uma dor de cabeça pior que a dor de ontem, olhei para o relógio na parede, em compensação parecia que acordei cedo dessa vez, ainda era 7:35. Levantei-me e me espreguiçava, surpreendentemente não estava ouvindo o martelar do meu pai, o que é incomum, ele sempre acordava cedo, e sempre estava trabalhando, talvez ele ainda estava comprando pão? Sim, devia ser isso, afinal não estava vendo meu café da manhã que costumava estar na mesa dessa sala.

Andei até a porta para a outra sala, no momento que cheguei logo na frente da porta, percebi que alguma coisa estava errada, senti um cheiro estranho, parecia o cheiro de sangue, o que fez o meu próprio sangue congelar, abri a porta rapidamente, com receio do que veria do outro lado.

“P-pai.”

Minha visão ficou embaçada quase que imediatamente, não estava acreditando nos meus próprios olhos, e antes que pudesse perceber, lágrimas escorriam pelo meu rosto. Diante dos meus olhos, estava o meu pai, ou como posso dizer, os seus pedaços estavam no chão sobre um estranho símbolo a qual parecia uma estrela com cinco pontas, o símbolo estava desenhado com o que se parecia ser sangue, e em cada ponta estava uma parte do meu pai. No topo estava a sua cabeça, no canto superior esquerdo e direito estavam os seus braços. No canto inferior esquerdo e direito estavam as suas pernas, e por fim, no centro, o seu torso.

Estranhamente, mesmo com o meu pai estando completamente dilacerado ali no chão, não havia uma poça de sangue em baixo de si, apenas o símbolo que se parecia com uma estrela, é como se ele tivesse morrido e todo o seu sangue derramado havia de alguma forma se concentrado em um só lugar para formar aquele símbolo demoníaco.

E além de tudo isso, havia uma faca enfiada no torso de meu pai, uma adaga com uma aparência intrincada, no cabo havia um símbolo a qual não reconheci, parecia um olho com duas asas, era como se fosse uma lâmina de ritual.

Uma cena horrível estava diante de meus olhos, e não consegui segurar um grito de agonia, imediatamente olhei para todos os lados, incluindo na sala atrás de mim, todas as janelas estavam fechadas, corri imediatamente até a porta que dava à rua, dando a volta na sala, não queria chegar perto daquela visão horrível, queria sair daquele lugar e pedir ajuda, mas a porta se encontrava fechada, entrei em pânico por um momento. Mas razão retornou a mim, me dizendo para procurar a chave, o lugar mais óbvio seria a mesa a qual o meu pai sempre usou para guarda-la, e não me surpreendeu ao vê-la exatamente onde ele deixou, não entendi as implicações daquilo naquele momento. Aproximei-me da mesa com pressa, e vi outra coisa além da chave, parecia um envelope, aquilo certamente não estava ali ontem.

Estendi minha mão, o apanhando, removi o selo a qual não reconheci com os meus próprios dedos e dentro havia uma carta, a qual eu comecei a ler em silêncio.

Caro Erwin Hertz, se estiver lendo isso, significa que o seu pai já está morto, o que não é muita surpresa para mim, considerando que fui eu quem o matei, isso é apenas um aviso para você e os seus amiguinhos. Eu estou extremamente perto de alcançar os meus objetivos, e seria muito inconveniente ter um bando de moleques atrás de mim, então farei uma proposta para você, convença os seus amigos a desistirem dessa ideia tola de um grupo de caça a bruxas, principalmente aquele tolo do Ernst, e eu não irei fazer coisas da qual VOCÊ se arrependerá, por exemplo, matar todos os seus companheiros, um por um. E se por algum motivo, a sede de vingança que tem por mim seja maior que seu senso de razão, certamente eu aproveitarei cada momento do nosso pequeno jogo a qual farei você sofrer um destino pior que a morte, quem sabe faço você ser o último a morrer? Para você ver cada morte de seus amigos desenrolarem diante de seus olhos? Oh, mil perdões, é impossível, afinal você está sempre dormindo.

 

Sinceramente,

Erika a Escarlate



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