História A Bruxa e o Lobo - Capítulo 3


Escrita por:

Postado
Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Hinata Hyuuga, Ino Yamanaka, Karin, Mei, Mikoto Uchiha, Minato "Yondaime" Namikaze, Naruto Uzumaki, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha, Shikamaru Nara, Temari, TenTen Mitsashi
Tags Minamiko, Naruhina, Sakura, Sasuke, Sasusaku
Visualizações 572
Palavras 5.105
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Fantasia, Ficção, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Oi, oi gente, demorei mas aqui estou eu com mais um capítulo pra vocês. Espero que gostem de ler tanto quanto amei escrever kkkkkk
Leiam as notas finais por favor!

Capítulo 3 - Capítulo II


Já eram quase onze horas da noite quando Sakura saiu de sua casa. Estava comum vestido simples, mas sem sapatos nem agasalho, apesar da temperatura fria em virtude da proximidade com o mar. Seus cabelos estavam molhados, cheirando a recém- lavado, desciam soltos por suas costas.

A única coisa que carregava consigo era uma bolsa pequenina, cujo conteúdo Sasuke se recusava a tentar adivinhar, e um coldre de ombro com a pistola automática, que, ela não se incomodou em afivelar do jeito certo, deixando-o pendurado frouxamente, como se fosse outra bolsa. 

Sakura andava com dificuldade pela floresta, e Sasuke a seguia silenciosamente. Ela abriu caminho até a clareira que gostava de usar para aquele tipo de coisa, depois de "acidentalmente" ter queimado o último local. Ele ficou na floresta, subindo em uma pequena elevação, de onde tinha uma boa visão do que ela estava fazendo. Ela depositou o coldre no chão. Ainda segurando a bolsa na mão, afastou- se vários passos de sua arma e ajoelhou na grama. Abriu o zíper da bolsa, de onde tirou uma garrafa de vidro cheia do que parecia ser água e uma faca com o cabo incrustado de pedras preciosas. Colocou os dois itens a seu lado e jogou a bolsa perto da arma. 

Ainda de joelhos, fechou os olhos e respirou fundo várias vezes. Fez isso por pelo menos cinco minutos antes de baixar a mão até a barra do vestido. Levantou o tecido fino e tirou a peça de roupa, fazendo Sasuke soltar um rosnado baixo. 

Maldição, ela era linda! No ponto certo para ele: audaciosa, safada e gostosa. Pelo menos era o que ele achava, que ela devia ser muito gostosa. 

Ele balançou a cabeça, forçando-se a se concentrar no que ela estava fazendo, em vez de se deixar levar pela imaginação, fantasiando como seria transar com ela. Não tinha tempo para isso. Certo? 

Certo? 

Sakura tirou a tampa da garrafa e cuidadosamente despejou o conteúdo ao seu redor, desenhando um amplo círculo, cantarolando baixinho enquanto o fazia. Os ouvidos do lobo conseguiam escutar as palavras, mas ele não as compreendia. Não era inglês, tampouco alguma língua que ele conhecesse. 

Depois de, esvaziar a garrafa, colocou-a de lado e pegou a faca. Era um belo objeto, que ela usava sempre que trabalhava sozinha. Quando trabalhava com a prima, utilizava outra. 

Apertando o cabo da faca com as duas mãos, ela levantou os braços acima da cabeça. Seu canto ficou mais alto, o que era necessário por causa do vento que girava ao redor. Sasuke não podia senti-lo soprando, mas perto dela definitivamente ventava, pois seus cabelos balançavam. E enquanto o vento ainda soprava, chamas explodiram ao redor dela onde ela tinha despejado o líquido, cercando-a em um círculo de fogo. Ele se preocupou com outro incêndio florestal, mas depois do início as chamas rapidamente baixaram e sumiram. Agora ele podia enxergar claramente que Sakura estava dentro de um círculo de marcas carbonizadas no chão. 

Ela estava gritando as palavras agora, chamando aqueles a quem adorava. Ergueu os braços um pouco mais, levando-os levemente para trás, antes de fincar a faca no chão, e então... 

Senhor! 

E então ela desapareceu. 

 

— Não vou me intrometer nisso — ela disse novamente, com seu leve sotaque irlandês. — Eu a avisei para não enfurecê-lo. Você o fez. Agora você vai ter de lidar com as conseqüências. 

— Já tentei de tudo. 

— Não. — Ela fez um gesto negativo com a cabeça. — Não tudo. 

Sakura fechou os olhos por um instante. 

— Está me dizendo para... 

— Quando você entra neste caminho, não há volta. Lembre-se disso. 

Ela se lembrava. 

— É o que ele quer que eu faça, não é? 

— Claro. Ele se diverte em observá-la se enforcar no laço que você mesma preparou. 

Sakura ergueu os braços. 

— Ou você podia me ajudar. 

— Não vou ficar entre você e ele. Você começou, pode terminar. Ou... isso pode acabar com você. 

— Obrigada. Muito gentil. 

— Eu tento, — Ela cutucou Sakura com o ombro. — Mas foi você quem aceitou. 

— Posso fazer outra coisa que não isso? 

— Quer ganhar o título de minha campeã ou não? 

Sakura queria aquele título, e o poder que vinha com ele, mas aquelas... aquelas... apresentações a estavam desgastando ao extremo. 

— Tudo bem. 

Sakura se levantou, encarando o salão negro e prateado das Mães da Escuridão, onde apenas os guerreiros e magos escolhidos pelas deusas eram autorizados a entrar. Assim que seus pés tocaram o piso de mármore, seu corpo nu foi envolvido na roupa que representava aqueles com quem ela estava aliada. 

Para aquela noite, a roupa de batalha era em couro e cota de malha dos deuses celtas. Ela fora treinada pessoalmente por Boudica*, a rainha dos Iceni**, e usava duas espadas presas às costas. Podia usá-las com tanta prática como se fossem sua pistola automática... pelo menos ali, naquele plano metafísico. Em casa, tendia a bater a cabeça em tudo. 

Sakura estalou os dedos e observou enquanto o campeão oposto fez uma reverência em frente às deusas. 

— Algo que eu devesse saber sobre este? — perguntou à deusa perto dela. 

— Ele luta com fogo. Sakura a encarou. 

— Como é? 

— Ele luta com fogo. — Morrighan***, a deusa celta da guerra, ergueu uma sobrancelha. — Isso não será um problema para você, não é? 

— Fogo, de novo — Sakura resmungou para si mesma, enquanto se dirigia às covas de batalha. — Estou ficando cansada de fogo. 

 

Sasuke imaginou quanto tempo teria de ficar ali sentado. Não gostava muito de ficar parado, preferia estar sempre em movimento. E embora só fizesse cinco minutos que estava ali, mais ou menos, já começava a ficar inquieto. Então a terra sob seus pés se moveu, como em sobressalto, e o círculo feito no meio da clareira, que estivera vazio, agora circundava Sakura mais uma vez. Ela estava nua e de quatro, o corpo coberto de hematomas e cortes, e estava tossindo... fogo. 

Bem... não è todo dia que se vê uma mulher tossindo fogo. 

Em pânico, achando que ela estivesse morrendo, ele desceu correndo a colina onde estava, indo na direção dela. Ela devia ter sentido sua aproximação, porque estendeu a mão para fora do círculo e pegou a pistola automática que tinha trazido. Tirou-a do coldre e fez mira diretamente nele. 

Sasuke parou abruptamente, os olhos travados na arma. Se fosse qualquer outro humano, não ficaria preocupado. Mas ela... 

Ela ainda tossia, mas já não eram mais bolas de fogo, apenas lufadas de fumaça negra. Sasuke sentou-se devagar sobre as patas traseiras, deixando-a saber que não tinha nada a temer dele. Pelo menos, naquele momento. Esperou alguns instantes, até ela finalmente começar a baixar o braço. Mas um rugido na floresta ao redor a fez levantar a arma novamente, com a mira distante dele. Foi quando ele viu a primeira criatura. Vinha subindo na direção deles, gritando de terror o tempo todo. 

Instintivamente, Sakura se deitou para trás, ainda empunhando a arma, embora soubesse que isso não a ajudaria em nada. Ele correu e se lançou na direção dela, passando de lobo a humano em poucos segundos, caindo sobre o corpo nu e rolando para tirar ambos do caminho. 

A primeira criatura bateu exatamente no espaço onde Sakura estava ajoelhada um momento antes, e em seguida se levantou, fugindo. Outra criatura se seguiu, e mais uma. 

Sasuke se ajoelhou, ágil, e segurou a mão dela. Mas antes que pudesse ficar fora de alcance, um animal apareceu correndo por entre as árvores, indo direto para eles sobre as quatro patas. A fúria fazia sua boca espumar, e o medo o deixava completamente irracional. 

— Droga — ele resmungou, antes de puxar Sakura para ficar de pé e jogá-la por cima de seu ombro em um único movimento. 

Ela nunca seria capaz de correr mais que o bicho, portanto ele não tinha muitas opções. Disparou floresta adentro, sabendo que o animal o seguia de perto. 

Desesperado, soltou um chamado curto e continuou correndo. O bicho era mais veloz, e estava se aproximando. Arriscando-se, ele pulou em uma rocha, e dessa para uma outra, mais alta. Virou-se a tempo de ver Shikamaru sair da escuridão e perseguir o forasteiro. Outro urso pardo. O estranho rugiu, levantando-se nas patas traseiras, enquanto Shikamaru fazia o mesmo. Os dois se encontraram de frente, as mandíbulas se abrindo, tentando agarrar o pescoço ou a cabeça do outro. 

Foi quando a alcateia de Sasuke apareceu, perseguindo o forasteiro — um executivo ianque do Delaware, se ele se lembrava corretamente —, e forçando-o a recuar e se afastar do sherife e, mais importante, de Sasuke. O estranho até pegou alguns dos lobos mais próximos e os jogou longe, mas havia muitos outros, e Shikamaru também não recuou. Ele então subitamente pareceu desistir da luta, voltando-se e correndo pelo mesmo caminho por onde tinha vindo. 

A alcateia e o sherife o seguiram, enquanto um pequeno híbrido vagueava na direção de Sasuke. Ele tinha o focinho do pai felino e as orelhas da mãe canina... Trotou até a rocha onde Sasuke estava e transformou-se em sua bela irmã caçula... 

Tenten sorriu para ele. 

— Tudo bem com você, Sasuke? 

— Já estive melhor. — Soltou um suspiro. — As hienas devem ter assustado aquele urso. Ele as jogou como se fossem bolas de futebol. 

— Fico feliz por estarmos suficientemente perto para ouvir seu chamado, mas... — Ela mordeu o lábio, e Sasuke sabia que ela tentava não rir. 

— Mas, o quê? 

— Bem, é um belo bumbum que você tem aí, maninho. — O que parecia ser uma coisa realmente esquisita de ouvir da irmã caçula, quando estavam ambos nus. Havia alguns protocolos metamorfos entre parentes e irmãos para evitar momentos embaraçosos como aquele. Ela riu e acrescentou: — Está planejando ficar com ele? 

— Se estou... — Ele se encolheu e olhou para o bumbum pousado sobre seu ombro. Algo lhe dizia que aquilo não acabaria bem, mas tinha de admitir que sua irmãzinha tinha razão: era uma belíssima bunda que ele tinha ali. 

— Por que eu não deixo você a sós com a "sua bunda" e vou me certificar de que aquele urso forasteiro voltou para o outro lado do rio, para pescar salmões? — Ela piscou para o irmão, transformou-se e saiu, deixando-o sozinho com uma bruxa provavelmente muito irritada. 

 

Como ex-policial, havia algumas humilhações que fora forçada a engolir. Perder o controle de um acusado em frente a outros oficiais, ter um viciado soltando um pitbull em cima dela, e ver um sujeito com quem estava saindo ser preso sob a acusação de fraude durante um jantar de família com sua mãe. Aquele, porém, era um novo tipo de humilhação, do qual ela não estava gostando. 

Sakura não disse nada até o lobo colocá-la no chão e a salvo. Ele a encarou por vários momentos antes de finalmente perguntar: 

— Você está bem? 

Foi quando ela o segurou pela maldita argola dourada que ele insistia em usar na orelha, mesmo na forma de lobo, e torceu-a até fazê-lo quase se ajoelhar de novo. 

— Quando todo mundo estiver falando sobre isso... — e Deus sabia que eles iam falar — ...você só vai se lembrar de que sou leve como uma pluma, e eu vou me recordar que você é um lobo muito corajoso e bem-dotado que me protegeu. Essa é a história, Scooby Doo, e é melhor não mudar nem uma vírgula, ou eu juro que vou fazer de sua vida um pesadelo após o outro. Estamos entendidos? 

Mesmo com ela perigosamente perto de arrancar aquele brinco e rasgar sua orelha, Sasuke ainda conseguiu sorrir. 

— Acho que entendi tudo. 

— Ótimo. — Ela o soltou e, com cuidado, foi para a rocha menor, e de lá para o chão. 

— Vai me contar o que estava fazendo aqui, afinal? — A voz dele soou acima dela. 

— Não — respondeu ela, enquanto se virava e encontrava o raio do lobo bem a seu lado. 

Por instinto, levantou a arma que ainda carregava, mas ele segurou sua mão e a conteve. Ela podia sentir a força naquela mão, sabia que ele podia quebrar seus dedos se quisesse, mas não o fez. Em vez disso, Sasuke falou: 

— Não aponte essa arma para mim de novo, minha linda. Não gosto disso. 

— Então não deveria ter me seguido.

— E se não fosse por mim, você teria sido atacada por todas aquelas hienas.

Sakura parou, pensando a respeito. 

— Aquilo que eu vi foram hienas voadoras, mesmo? 

— Com uma pequena ajuda de um urso forasteiro... foi, sim. 

— Isso é algo que não se vê todo dia — ela murmurou, depois balançou a cabeça. — Ah, tanto faz. Preciso voltar para casa. — Ela estava cansada, exausta mesmo, e com as energias se esgotando rapidamente. Precisava de uma refeição rica em carboidratos, de preferência nos próximos dez minutos. 

Mas quando tentou tirar a mão do aperto dele, Sasuke a segurou firme, sem machucá-la, porém sem ceder um milímetro. Depois de várias tentativas, Sakura desistiu e perguntou: 

— Por que não me solta? 

— Porque você precisa perceber que até que as pessoas daqui comecem a confiar em você, alguém sempre vai estar te vigiando.

— Isso não é problema meu, Sasuke. Essa gente me trouxe aqui para suprir uma habilidade que estava em falta. Eu nunca afirmei que mudaria meu jeito para deixar todos calmos. Não é da minha conta, nem é uma preocupação minha. 

O polegar dele roçou a mão dela.

— Você ainda não vê, não é?

— Não vejo o quê?

— Não somos "essa" gente, somos a "sua" gente.

Sakura não acreditou naquilo nem por um instante. 

— Pelo que aprendi com meus primos do Alabama, se você não nasceu no Sul, será sempre um estrangeiro e um ianque. Então não vamos fingir. 

— Mas algo me diz, minha linda, que você não se sente em casa em lugar nenhum. 

— Estou indo para casa — retrucou ela, em vez de contestar aquela afirmação surpreendentemente sagaz. 

— Por quê? — ele indagou, suave. — Porque não está gostando do rumo desta conversa? Ou porque eu fico tão bem nu que você não consegue tirar esses lindos olhos verdes de mim? 

— Embora eu ache bastante divertido esse seu mundinho de fantasias, preciso ir para casa porque estou prestes a... 

E essa foi a última coisa de que ela se lembraria depois. 

Sakura caiu como um saco de batatas, e Sasuke mal teve tempo de segurá-la, a envolveu com os braços antes que a cabeça dela batesse no chão. 

— O que fez com ela? 

Sasuke olhou para Naruto por cima do ombro, o cheiro de gato viralata super crescido avisando-o da presença do irmão muito antes que ele falasse. 

— Não fiz nada. Ela só caiu. 

Naruto se aproximou. 

— Podemos levar ela para minha casa, Hinata vai tomar conta dela. 

— Não... Eu mesmo a levo para casa. 

O irmão o observou longamente. 

— Não sei se estou de acordo com isso. 

— Por quê? O que acha que vou fazer com ela? 

— Não é com você que estou preocupado, cachorro. 

Sasuke não pôde evitar um sorriso. 

— Ah, que fofo, Naruto! Isso quer dizer que você gosta de mim? — Sasuke se afastou ainda com Sakura nos braços. — Bem, não precisa chiar, gatinho! 

 

Sakura acordou no sofá de seu chalé, enrolada em uma colcha. Todas as luzes estavam acesas, e a lareira também. Uma garrafa de água aberta repousava sobre a mesinha em frente ao sofá, junto a uma tigela cheia de cachos de uvas. Usando o que lhe restava de forças, ela se ergueu até ficar com a cabeça apoiada sobre o braço do sofá. Pegou primeiro a água e bebeu metade do conteúdo da garrafa de uma vez, a garganta dolorida pelas chamas que fora obrigada a engolir antes de descobrir a fraqueza de seu oponente e vencer o torneio. Depois de se hidratar, colocou a tigela de uvas no colo e começou a comer. Ficou contente por ter escolhido as sem semente, já que nunca gostara de cuspir, a menos que estivesse brigando com a prima. 

Quando as frutas estavam chegando ao fim, e ela já imaginava o que mais haveria na geladeira ou no freezer, ouviu uma forte pancada em algum lugar nos fundos da casa, seguida de xingamentos. Começou a se levantar quando Rico voou para dentro da sala, perseguida por Sasuke Uchiha, que tentava apanhá-la. 

— Venha aqui, sua praga! 

Ele fez uma tentativa louca de agarrar o falcão-gerifalte, que escapou para o alto em busca de abrigo. Uma das razões pelas quais ela escolhera aquele chalé para ser seu novo lar era o teto extraordinariamente alto. 

— Não pense que subir aí vai me impedir — rosnou Sasuke. 

Ele havia se vestido, o que era uma pena, e ela imaginava por quanto tempo teria ficado desacordada para que ele tivesse tido tempo de ir até em casa, se vestido e voltado. Então, na outra ponta do sofá modulado, viu não apenas sua arma, mas também o vestido e a sacola que levara consigo ao dirigir-se à clareira. 

Jesus, mas que horas seriam...? Porque, se havia algo que sabia sobre aquele homem era que ele não possuía um veículo para se locomover por aí com rapidez. Toda vez que o via, ele estava andando a pé, muito devagar, fosse sobre duas ou sobre quatro pernas. E nas poucas vezes em que estava dentro de um carro, sempre havia outra pessoa dirigindo. 

Mesmo assim, tinha de admitir... todas aquelas caminhadas haviam feito maravilhas. Ele tinha o que se podia chamar de um corpo impressionante, do tipo que os supermodelos aparentavam ter naqueles anúncios gigantescos, mas que, quando Sakura via pessoalmente — geralmente em batidas de apreensão de drogas —, eram sempre magros demais. Não era assim com ele. Aquele, sem dúvida alguma, era um homem que podia aguentá-la fisicamente, o que era uma variação agradável. 

— O que está fazendo? — ela finalmente perguntou, quando viu o lobo se abaixando para fazer um salto de lado para cima do pássaro. 

Embora tudo o que os metamorfos pudessem fazer e suportar fisicamente a espantasse, ela sabia que ele nunca alcançaria o falcão. Mas também estava ciente de que os caninos podiam ser meio burros, às vezes. 

Sasuke soltou o fôlego antes de se voltar para encará-la. 

— Estou tentando fazer um guisado para você.

Sakura fungou, encolhendo-se um pouco, ao sentir a garganta e as narinas arder com as queimaduras. 

— Você deveria se conformar com pássaros mais fáceis de pegar do que falcões. 

— Pensei que isso fosse uma águia.

— Não, é um falcão-gerifalte.

— Um o quê? 

— Ge-ri-fal-te — ela repetiu, bem devagar, para que ele pudesse entender. — Uma ave de rapina. Eu fui procurar o nome na internet. 

— Você arrumou uma ave de rapina como bichinho de estimação? 

— Eu não arrumei nada. Um dia abri a porta da frente e lá estava ela. Eu a batizei de Rico, por causa daquela lei antimáfia dos anos 70, Racketeer Influenced and Corrupt Organizations Act. 

— De fato, Piu-Piu seria um nome óbvio demais... — Ele foi na direção dela, e Rico desceu, pousando em sua cabeça. Ele parou e soltou um longo suspiro de frustração. — Essa coisa está na minha cabeça! 

— Sim, ela está na sua cabeça.

— E por que raios essa coisa está aqui?

— Talvez porque prefira ser chamada pelo nome, em vez de "coisa". 

— As garras dela estão se enfiando no meu crânio! 

— Ela só está tentando me proteger de você. Rico é minha parente, então esse é o trabalho dela. 

— Pensei que tivesse dito que ela era um falcão. 

Sem vontade de dar uma explicação completa sobre a conexão mágica entre as bruxas e certos animais, Sakura ergueu o braço e Rico imediatamente veio até ela. Pousou em seu antebraço, as garras segurando a pele com gentileza. Sakura sorriu para o pássaro majestoso que a escolhera. 

— Não é linda? 

— Ah, não tenho certeza... Acho que há coisas muito mais bonitas bem aqui. 

Sakura ergueu os olhos e viu o lobo encarando seus seios, que ficaram expostos quando a colcha que os cobria caiu até a cintura. Ficou surpresa ao se sentir embaraçada já que, conforme Temari costumava dizer; "Sakura é louca para ficar nua sempre que pode", estendeu a mão para a coberta, mas Rico foi mais rápida e abriu as asas, cobrindo-a. 

Sasuke encarou o pássaro. 

— Estraga-prazeres. 

 

Ele ouviu o timer da cozinha disparar, e voltou até lá para escorrer o macarrão que colocara para cozer. Não estava fazendo nada muito elaborado, mais preocupado em alimenta-lá do que tentar impressionar com suas habilidades culinárias. Colocou uma generosa porção de espaguete em uma vasilha e cobriu com molho pronto. Então pegou um garfo, queijo ralado na geladeira e alguns guardanapos de papel. Levou tudo para a sala, onde encontrou Sakura sentada, com a colcha amarrada ao pescoço e cobrindo até seus pés. Uma pena, já que gostaria muito de observar seu belo corpo com toda aquela luz. 

O corpo dela era forte para uma humana. 

— Aqui. — Ele colocou o macarrão diante dela. — Coma. 

— Obrigada. — Ela se concentrou na refeição, e Sasuke voltou à cozinha, para pegar mais água para ela e um pedaço de pão fresco, que vira por ali. Levou tudo e colocou sobre a mesinha. 

— Precisa de mais alguma coisa? 

Ocupada comendo, Sakura balançou negativamente a cabeça. Sasuke se jogou na outra ponta do sofá enorme, pegou o controle remoto e ligou a televisão, antes de colocar os pés sobre a mesinha e relaxar. Depois de cinco minutos tentando achar algo decente para assistir, ele ouviu uma delicada tossidela. Olhou para Sakura, que o observava. 

— Confortável? — ela indagou.

Sasuke sorriu.

— Bastante! Obrigado por perguntar.

Como não poderia estar, com uma bela mulher usando apenas uma colcha à distância de um braço, uma grande televisão à sua disposição — provando que não precisava de uma enquanto seus amigos tivessem as deles — e um sofá macio e gostoso? De que mais poderia precisar? 

Claro, quando aquela grande porcaria de pássaro fez cocô bem no meio da sua cabeça, ele percebeu que poderia precisar de um belo rifle por perto. 

Poderia ser para aquela coisa emplumada que Sakura  dissera: "Olá, meu bem, cheguei", no outro dia? Porque Deus os protegesse de ela fazer algo normal. 

Rindo tanto que caiu do sofá, Sakura não conseguiu dizer nada além de: 

— Ah, meu Deus! Ela realmente odeia você... 

Sim, ele sentia isso também. E estaria mentindo se dissesse que o sentimento não era recíproco. 

 

Sakura observou Sasuke sair do banheiro com o cabelo recém-lavado. Ele encarou o pássaro ao passar pela estante de livros sobre a qual ela se apoiava. 

— Estou cheirando a mel — ele reclamou. — Todos os ursos das redondezas vão me seguir pela cidade. 

— Eu gosto de produtos naturais para o cabelo. Sem sulfato ou silicone para mim. — Quando ele olhou para ela do mesmo jeito que olhou antes para Rico, Sakura não pôde deixar de rir. 

Sasuke secou o cabelo sem muito cuidado antes de cair no sofá e usar a escova favorita dela para tirar os fios pretos do rosto, observando-a o tempo todo. 

— O que foi? — ela finalmente questionou. 

— Preciso que me diga o que está acontecendo. 

Sem ter muita certeza de a que ele se referia, ela apenas respondeu: 

— Nada. Por quê? 

Largando a escova, ele apoiou os cotovelos nos joelhos e inclinou-se para a frente, cruzando as mãos. 

— Só há dois jeitos para fazermos isso, minha linda. Ou você me conta o que aconteceu hoje, e fala agora... ou junta suas tralhas e vai embora. Você e todo o seu círculo, inclusive Hinata. 

O pânico dela diminuiu ao perceber que ele estava falando do que acontecera algumas horas antes, e não sobre o que vinha ocorrendo nas últimas semanas. 

— Naruto nunca vai permitir isso — falou, confiante. 

— Tem razão. Ele não permitiria. Mas Naruto não manda nesta cidade. Apesar de todos os tigres, leões e malditos ursos, só os lobos Uchiha comandam Uchihaville. E assim sempre será. O que não quer dizer que Naruto não vá seguir Hinata para onde ela se mudar. Porque ele vai. Mas nós dois sabemos que aquele rapaz não vai ser feliz em nenhum outro lugar. 

— E mesmo assim, você vai nos expulsar? 

— Vou proteger minha cidade. É o que eu faço. É o que sempre vou fazer. E neste momento, minha linda, você não passa de encrenca. Então, a menos que comece a falar, e a menos que eu acredite em cada palavra do que disser, quero vocês longe daqui ao amanhecer. — Quando ela abriu a boca para responder, ele acrescentou: — E pare de tentar me testar. Só está me irritando, e ambos sabemos que vou fazer o que acabei de dizer.

— Ambos sabemos, é? 

— Sou um Uchiha, minha linda. Não há nada que eu não faria. 

Cansada, mas já não exausta, Sakura se recostou no sofá e estudou o homem à sua frente. 

— Estou em busca de poder. Puro. Sem limites. 

— Pensei que tivesse encontrado isso aqui. 

— E encontrei. Mas é como se eu tivesse uma conta conjunta. Cada vez que faço uma retirada de poder, meu círculo sabe. 

— E elas fazem perguntas.

— Exato.

— Então, era isso hoje à noite? Uma busca por mais poder? 

— Mais ou menos. Estou tentando me tornar a campeã de uma das minhas deusas. É um trabalho duro, sujo, e com freqüência exige que eu combata gigantes gregos que gostam de usar o fogo como arma. 

— Parece bastante arriscado para uma ianque de Staten Island.

Ela o encarou, os olhos estreitos como fendas.

— Eu sou de Long Island, Scooby Doo. É diferente.

— Mas ainda assim parece bastante arriscado. 

— E é. Mas me tornar a campeã de uma deusa multiplica seu poder por dez. Então, vale a pena. 

— Eu não entendo você. 

— Não entende o quê? 

— Você já tem tanto poder! Todos na cidade sabem disso, todos podemos senti-lo. É uma parte de você, como o lobo é parte de mim. Não entendo por que você iria querer aumentar isso. 

Aborrecida com a declaração dele, embora não soubesse bem o motivo, Sakura replicou: 

— E eu não compreendo como você pode se sentir feliz perambulando por esta cidade todo dia. Não fica entediado? 

— Não. Por aqui, sempre há algo interessante acontecendo. 

— Pois eu estou por aqui há dez meses e não vi nada de interessante. É uma linda cidadezinha, não me interprete mal. Mas... 

— Mas o quê? Vamos, pode dizer.

— Você não busca nada mais?

— Não.

— Então, está feliz como está? 

— Acho que temos opiniões diferentes sobre como as coisas estão, minha linda. 

Sakura levantou as mãos, com as palmas para cima. Não queria brigar, já que o homem a salvara de hienas voadoras. 

— Ei, sabe de uma coisa? Cada um na sua. Se você está feliz, isso é o que importa. 

— E você pode pensar em algo melhor do que ser feliz onde está? 

— Claro. — Sakura sorriu. — Poder. 

Deus do céu, ela era como um cachorro que não largava do osso! 

— Não há mais nada que você queira? Mais nada que pudesse fazê-la feliz?

 E, com a graça do Senhor, satisfeita? 

— Tentei a carreira profissional. Sabe como é, busquei ascender os degraus do Departamento de Polícia, mas... não deu. Dinheiro só satisfaz até certo ponto, embora sempre seja bom possuí-lo. 

— E que tal um homem? 

— A resposta para todos os problemas femininos?

Ele sorriu. 

— Para muitas mulheres, sim. 

— Tentei o casamento, mas foi extremamente insatisfatório. 

Sasuke sentiu seu corpo ficar tenso. 

— Você foi casada? 

— Não sabia? 

— Não. 

— Fui. 4 anos da minha vida que jamais vou recuperar. 

— O que aconteceu? 

— Nada. 

— Deve ter sido alguma coisa. A menos que ainda seja casada... 

— Ah, não, não, não — ela respondeu, depressa. — Definitivamente, não continuo casada. 

— Então, o que houve? 

— Como eu disse, nada. E esse foi o problema. Quando discutíamos, eu não sentia nada. Quando ele gritava comigo por causa de qualquer ninharia, eu não sentia nada. Quando ele ameaçou me entregar ao departamento por ser bruxa e louca, nada ainda. E quando o peguei transando com uma pseudoamiga minha, na minha cama... menos que nada. Na verdade, me senti mal por ele, porque Deus sabe que ele estava fazendo tudo aquilo por mim. E eu não sentia nada. 

— Você nunca o amou.

— Não — Ela confirmou, balançando a cabeça. — Nunca.

— Então, por que... 

— Eu estava passando por uma fase esquisita, em que queria ser normal. Casamento era considerado normal. Meus pais ficaram felizes. As pessoas que eu fingia serem meus amigos ficaram felizes. Eu fiquei feliz. Todos estavam contentes... exceto o meu círculo de bruxas. Elas não estavam nada felizes. 

— Porque sabiam que aquilo era errado para você.

— Sim, sabiam. E tentaram me avisar. Acho que eu deveria ter escutado. 

Curioso para saber por que alguém ficaria com uma pessoa de quem não gosta por sete longos anos, Sasuke decidiu continuar o assunto que estavam discutindo. 

— Então, você ganha todo aquele poder. Você o engole como se fosse a torta de limão que minha mãe leva para a quermesse. E aí? O que vai fazer com todo esse poder quando o possuir? 

— Vou usá-lo. 

— Para fazer o quê? Destruir o mundo? Virar a toda-poderosa imperatriz do universo? 

— Não — respondeu ela, dando de ombros com tanta tranqüilidade, que ele teve certeza de estar ouvindo a verdade. — Não quero nada do tipo. 

— Bem, esse é o problema com o poder, minha linda. Uma vez que o possua, tem de fazer alguma coisa com ele. 

Ela sorriu, mostrando aqueles dentes perfeitamente alinhados de quem tem o pai ortodontista: 

— E eu com certeza farei. 

 

Sakura não sabia quando pegara no sono, mas sabia quando Sasuke a levara para a cama. Ele a levantara facilmente do sofá e andara pela casa escura até o quarto nos fundos. E tirara a colcha antes de cobri-la com o lençol e o edredom. 

— Está indo embora? — Ela se ouviu perguntar.

 — Já, já.

— Tudo bem. 

Ela rolou para o lado e enfiou as mãos sob a bochecha. Sentiu lábios pressionarem sua testa, e então ele se foi. Sasuke não fez nenhum barulho, mesmo assim ela soube quando ele saiu do quarto e depois da casa, pela incrível energia que levou embora consigo. 

E com essa energia se dispersando, a deles voltou. Ela podia ouvi-los arranhando as paredes, as portas, as janelas, tentando entrar! Sempre tentando entrar. Estava aumentando a cada noite. No começo, um simples feitiço podia afastá-los, agora, ela tinha de usar muito mais. 

Pior, estava chegando ao ponto em que tinha de lidar com isso constantemente. Um feitiço já não podia cobrir de uma fase da lua para a outra, nem mesmo de um dia para o outro. Claro, eles tinham ajuda, não tinham? Tinham aquele que os enviara. 

Sakura agarrou outro travesseiro e o colocou sobre a cabeça, na esperança de bloquear os sons, enquanto Rico se ajeitava na cabeceira, cuidando dela durante a noite. 

Mesmo assim, a ajuda de sua parente só podia ir até certo ponto. Uma vez que eles conseguissem quebrar as barreiras que ela havia criado, Sakura duvidava de que houvesse alguém capaz de protegê-la. 


Notas Finais


*Boadiceia (também Boudica, Boudicca, Boadicea, Buduica e Bonduca) foi uma rainha celta que liderou os icenos, juntamente com outras tribos, como os trinovantes, em um levante contra as forças romanas que ocupavam a Grã-Bretanha em 60 ou 61 durante o reinado do imperador Nero. Estes eventos foram relatados por dois historiadores, Tácito (em seus Anais e Agrícola) e Dião Cássio (em sua História romana).
**Iceni ou Icenos foram uma tribo britana que habitou a área que corresponderia aproximadamente ao atual condado de Norfolk (Inglaterra), entre os séculos I a.C. e o I d.C.
*** Morrighan ou Morrígan ("Terror" ou "Rainha Fantasma"), também escrita Mórrígan ("Grande Rainha") ou ainda como Morrígu, Mórríghean, Mór-Ríogain, é uma figura divina da mitologia irlandesa(céltica), embora não seja referida como "deusa" em alguns textos antigos.
Associada com a vingança, a guerra e a morte no campo de batalha, algumas vezes é anunciada com a visão de um corvo sobre carcaças, premonição de destruição ou mesmo com vacas. Considerada uma divindade da guerra, comparável às Valquírias da mitologia germânica, embora sua associação com o gado bovino permita também uma ligação com a fertilidade e o campo. Possui, também, associações com os rios, pois em suas premonições é encontrada lavando a roupa dos mortos na beira de um riacho.
"Para os celtas, a morte não era um fim, mas um recomeço em um Outro Mundo, o início de um novo ciclo".


Desculpem essa explicação enorme, mas como eu acho que pouca gente tem conhecimento sobre os deuses e o povo celta, eu quis explicar bem com a ajuda do querido Wiki kkkk
Primeiro me desculpem a formatação mais uma vez, ainda estou escrevendo pelo celular, mas vou tentar arruma ela até o fim da semana, qualquer dúvida me avisem.
Bom, eu queria tirar uma dúvida com vocês também, vocês estão achando esses capítulos longos muito canstivos? Eu não queria alongar a história, mas se for da preferência de vocês eu posso dividir os capítulos e postar duas vezes na semana. Estou perguntando pq tem muita gente que acha chato ler esses capítulos com mais de 2k de palavras, enfim, vocês decidem.
Beijos e até a próxima semana.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...